Mudanças de rotina que melhoraram minha vida

Eu sempre fui uma pessoa muito, muito, muito ansiosa. Isso sempre me atrapalhou muito nas minhas atividades, principalmente acadêmicas. Já perdi a conta de quantas noites passei em claro por sentir uma angústia intensa, por sofrer antecipadamente, por sofrer em consequência da falta de comprometimento de outras pessoas com quem eu convivia, por querer fazer mais do que as 24 horas de um dia me permitiam.

Na terapia desde os 10 anos, aumentei a frequência no período em que eu viajava semanalmente entre RJ e Brasília, fazendo até 2 sessões por semana quando a coisa estava muito tensa. Minha saúde estava tão prejudicada que, além das muitas crises de sinusite terríveis que eu tive, consegui a proeza de ter caxumba e pedras na vesícula em menos de 6 meses.

Mudar para a Armênia me forçou a mudar a minha rotina, pois me tirou do espaço que eu já conhecia e me levou para um lugar completamente novo, colocando a administração do meu tempo toda nas minhas mãos, e me permitindo, enfim, ter controle absoluto da minha vida.

Eu sabia que eu precisava reformular completamente a minha rotina, mas eu não imaginava que isso teria tantos efeitos positivos pra mim: eu não sinto mais uma ansiedade constante, e percebo que me tornei uma pessoa mais calma, e até minha saúde melhorou. Eu, que sempre tomei incontáveis remédios pra rinite, sinusite, asma, etc quase não tenho mais crises alérgicas – e olha que aqui todo mundo fuma muito em tudo quanto é lugar, o que sempre foi um gatilho pra sérias crises.

Resolvi, então, compartilhar aqui algumas das coisas que mudei na minha rotina desde que chegamos em Ierevan e que eu noto que fizeram muita diferença na minha qualidade de vida.

  • Escrever diariamente

Eu sempre gostei muito de escrever, mas há muito tempo que eu não conseguia fazer isso diariamente ou mesmo por prazer.

  • Movimentar o corpo diariamente

Eu nunca gostei de academia e continuo não gostando, mas eu sempre gostei de andar. Em Niterói, eu andava muito; em Brasília, é impossível não ficar refém do carro. Aqui em Ierevan, eu tento ir a academia pelo menos 3 vezes na semana, mas não me culpo quando não vou. Se eu não vou até a academia me exercitar, eu ando pela cidade pra resolver pendências, ou danço em casa, ou arrumo coisas em casa. Já gastei mais calorias organizando armários do que indo pra academia.

  • Me permitir ficar a toa

Eu nunca consegui ficar parada, sempre tive necessidade de ocupar minha cabeça com alguma coisa. Agora que o tempo é todo meu, eu me permito também ficar a toa: se eu não quiser fazer nada produtivo hoje, tudo bem, eu agora consigo lidar bem com o ócio. E, pra falar a verdade, é nos momentos em que eu fico a toa que surgem boas ideias pra colocar em prática.

  • Desconectar

Ao longo do dia, é importante tentar não ficar conectada o tempo todo. Pelo menos durante as refeições, e principalmente 1h antes de dormir, eu deixo de lado computadores e celulares, e qualquer outra coisa que possa tirar minha concentração na comida ou meu sono. Comer apreciando a refeição é muito melhor.

  • Tomar sol

Pra completar o pacote das doenças que me assolaram em 2015 e 2016, eu estava com insuficiência de vitamina D. Os exames mostravam resultados preocupantes, e as recomendações médicas iam além da suplementação: eu precisava tomar sol. Mas eu não tinha tempo pra tomar sol. Mesmo quando estava em Niterói, eu quase não tomava sol, nunca ia na praia, nunca tinha tempo pra cuidar disso. Agora faz parte da minha rotina tomar pelo menos 15 minutos de sol, ao menos enquanto o inverno não chega, nem que seja na varanda.

  • Beber muita água

Desde que tivemos acompanhamento nutricional em Brasília, eu percebi que nunca bebi água suficiente. Mesmo quando o clima tava muito seco, ou quando fazia muito calor, eu quase não bebia água. Essa mudança de hábito começou lá em 2014, e eu persisto até hoje pra não esquecer de beber, pelo menos, 2l de água por dia. Faz bem pra pele, faz bem pro corpo, faz bem pra tudo.

  • Diminuir a quantidade de coisas na minha bolsa

Eu sempre carreguei o mundo dentro da minha bolsa, e isso não é bom nem pra coluna nem pra rotina diária. Afinal, bolsa cheia geralmente significa bagunça. Graças a Deus eu consegui reduzir muito a quantidade de coisas que eu carregou e ainda assim me sentir tranquila para enfrentar qualquer adversidade do dia a dia, já que eu não abro mão do gel antisséptico e dos lenços umedecidos.

  • Evitar a reatividade e ceder mais

Sempre tive personalidade forte, mas ser assim não significa que eu preciso reagir veemente e imediatamente a qualquer situação. A gente não precisa responder a tudo e a todos. Evitar atrito deixa a vida mais leve, e simplesmente respirar antes de falar pode fazê-lo desaparecer. É preciso ter sabedoria para escolher nossas batalhas, e isso traz mais leveza pra nossa vida.

  • Buscar inspirações boas e editar o conteúdo que se consome

Tenho buscado cada vez mais me aprofundar na fé porque, pra mim, isto tem grande importância, e as coisas do alto me inspiram positivamente. Também tenho tentado editar o conteúdo que eu consumo: menos tragédia e mais coisas boas. A gente não precisa ser alienado, mas podemos focar no que de fato traz positividade pro dia a dia. O que não acrescenta, fica de fora.

  • Reeducação alimentar sem paranóias

Desde 2014 até o ano passado, fui acompanhada por uma nutricionista que traçou um plano alimentar pra mim que me reeducou. Eu sempre me alimentei bem, mas também sempre adorei uma porcaria. Eu já cheguei a ir 4 vezes ao Outback em uma única semana, sempre consumindo alimentos gordurosos. Depois da reeducação alimentar, eu aprendi a valorizar mais os alimentos que trazem benefícios pro meu corpo e me tornam uma pessoa mais saudável. Ao mesmo tempo, eu aprendi a não ficar paranóica e a desfrutar mais dos meus momentos em que eu escolho comer porcaria, que ficaram mais raros por conta da consciência que eu desenvolvi, e ainda mais raros depois que eu tirei a vesícula.

  • Ler mais

Desde muito criancinha, sempre fui ávida leitora (basta dizer que aprendi a ler e a escrever sozinha porque decorava os livros infantis que meus pais e Mivó liam pra mim). Infelizmente, durante alguns anos, eu me privei das leituras que me davam prazer porque eu já lia tantas coisas relacionadas à minha vida acadêmica que eu não tinha mais gás pra ler nenhuma outra coisa. Graças a Deus este período passou e eu retomei meu ritmo intenso de leitura, variando os títulos e assuntos.

  • Respeitar o meu EU

Quanto mais eu aprofundo meu autoconhecimento, mais eu entendo as vontades mais profundas do meu EU. E quanto mais eu entendo os meus desejos mais profundos, mais livre eu me sinto pra correr atrás dos meus sonhos, transformando-os em objetivos reais.

  • Transformar vontades em hábitos

Quando uma nova atividade vira hábito, a rotina fica muito mais leve, e é muito mais fácil de cumprir com todas as atividades. A gente pode criar tempo pra tudo no nosso dia a dia, basta ter um pouquinho de foco.

  • Respeitar meu horário de dormir

Isso não foi propriamente uma mudança de hábito, porque eu sempre prezei muito pela qualidade do meu sono, mas eu reforcei o meu respeito pelo meu horário de dormir. Meu organismo funciona muito melhor se eu tenho pelo menos 8h de sono, então eu dificilmente vou dormir depois das 22h. Quando acordo às 6 ou as 7 da manhã, estou bem disposta pra viver meu dia tranquila e feliz!

  • Aprender a cozinhar

Eu costumo brincar que estou treinando pro MasterChef dois mil e nunca! Eu não sabia fazer absolutamente nada na cozinha e, quando tentava, sempre fazia besteira. Ultimamente, tenho me arriscado cada vez mais no forno e no fogão, bem concentrada, e quase sempre dá certo. Cozinhar é tão bacana!

Quem foi Martiros Saryan?

Pra continuarmos aprendendo mais sobre a Armênia, sua história e cultura, é impossível não falar de grandes personalidades armênias. Já conversamos um pouquinho sobre Alexander Tamanyan, e agora é a vez de Martiros Saryan ser o nosso “objeto de estudo”. Ele é, sem dúvida, a figura mais importante da arte moderna armênia. Aproveitando a edição de verão da revista Armenia Tourism Magazine (nº18), pude aprender um pouco mais sobre esta personalidade armênia, e vou dividir com vocês um pouquinho do que aprendi sobre este artista. Ele, que nasceu no sul da Rússia, estudou em Moscou e mudou-se para a Armênia em 1921, desempenhando papel importantíssimo no reavivamento da cultura armênia na sua terra natal histórica.

Martiros Saryan nasceu na cidade de Nakhichevan-on-Don (hoje, Rostov-on-Don) em uma grande família armênia: seus ancestrais saíram da antiga capital armênia Ani. Os pais de Martiros eram agricultores, e ele passou sua infância no interior, às margens do rio Sambek. Martiros compreendia a vida da natureza de maneira muito colorida, o que contribuiu para sua escolha de se tornar pintor. Durante seus estudos na escola Armênia-Russa de Novonakhichevan, ele fez aulas particulares de desenho e, aos 15 anos, recebeu um prêmio escolar. Hovhannes, irmão mais velho de Martiros, incentivou sua vocação para a arte e o ajudou a continuar seus estudos em Moscou. É verdade de que a mãe deles não aprovava a escolha do filho, duvidando de que ele pudesse se manter sendo artista. O artista Hmayak Artsatpanyan, amigo de Hovhannes que estudava em Moscou, preparou Martiros para os exames de admissão por um ano. Em 1897, Saryan se tornou aluno da Escola de Pintura, Escultura e Arquitetura de Moscou. Depois da formatura, ele participou de workshops e, graças a seus professores, Saryan conheceu as tendências avançadas da arte francesa, como o impressionismo e o pós-impressionismo, e conheceu a elite da inteligência russa.

Notando a importância das habilidades profissionais desenvolvidas na academia, Saryan, tendo embarcado no caminho de criar livre e independentemente, sentiu a necessidade de superar a academia. O artista foi conduzido por seu instinto por um caminho ainda novo na arte, com sua imaginação clamando por novas impressões, que ele conquistou em suas viagens pelo Cáucaso e pela Armênia Ocidental. Em 1902, ele visitou sua cidade natal histórica, Ani. Já na obra “Evening in the Armenian Village”, criada em 1903, uma paleta colorida do futuro pintor começou a tomar forma, suas linhas angulares mostrando o início de um estilo independente.

Entre 1904-1907, Saryan viveu o ciclo da aquarela de “Fairy Tales and Dreams”, cheio de lirismo e harmonia. O artista começou a ganhar fama com as exposições “Scarlet Rose”de 1904 em Saratov, e “Blue Rose” de 1907 em Moscou. Saryan gradualmente mudou da técnica da aquarela e guache para pintura à têmpera, e em 1905 ele criou “The Enchantment of the Sun”. O ano desta criação coincidiu com a primeira exposição de artistas fauvistas, conduzida por Henri Matisse em Paris. Em 1906, tendo visto o trabalho dos pós-impressionistas em Moscou, na coleção de S.I. Shchukin, Saryan percebeu que o caminho que ele tinha escolhido na arte estava certo e, nos anos seguintes, ele continuou a desenvolver seu estilo nesta direção. Depois de conhecer os franceses, ele não foi para Paris, mas sim pra Turquia (1910), Egito (1911) e Pérsia (1913).

Ele pintava o comum, a vida diária destes países, surpreendendo os conhecedores de arte com cores vivas e com uma visão singular das coisas. Saryan mostrou as obras de seus ciclos no Leste nas mais famosas exposições de Moscou e São Petersburgo, como “Mir iskusstva (World of Art)”, “Union of Russian Artists”, “Association of Moscow Artists”. Em 1910, dois trabalhos de Saryan foram comprados pela Galeria Tretyakov. Exibido em Roma em 1911, suas pinturas egípcias – “Egyptian Masks”, “Night Landscape Egypt”, “The Walking Woman” e outras – causaram fortes impressões nos círculos dos amantes de arte. Em 1912, em Londres, na segunda exposição pós-impressionista, foi apresentada a obra “Constantinople Dogs”.

Em 1914, Martiros Saryan foi para Tiflis, onde, junto com membros da Sociedade Etnográfica da Armênia, ele trabalhou na organização da filial transcaucasiana da “Society of Zealots of Armenian Antiquities”, fundada em Moscou sob o Instituto Lazarevsky. Ele viajou muito pelo Cáucaso Sul, manteve anotações e estudou sobre monumentos históricos, desenhou esboços e, novamente, exibiu suas pinturas em Moscou.

Os eventos sanguinolentos que começaram em 1915 no Império Otomano mudam sua vida por completo. O artista fechou seu ateliê em Moscou e foi para Echmiadzin participar da organização para assistência dos milhares de armênios refugiados que milagrosamente escaparam da morte certeira. Tendo chegado ao vale do Ararat, muitos deles morreram de fome e epidemias. Não conseguindo suportar o que viu, Saryan adoeceu e estava à beira de desenvolver problemas mentais, e então seus amigos o levaram para Tiflis. Lá, ele encontrou força para, lentamente, retomar sua vida normal e recomeçou a pintar.

Saryan retomou seu interesse na vida graças a Lusik Aghayan, a filha do famoso escritor armênio Ghazaros Aghayan, por quem se apaixonou à primeira vista e assim ficou o resto da vida. Em 1916, Lusik e Saryan se casaram, e ela se tornou a eterna musa do artista, sendo o ideal de beleza feminina do pintor.

Depois da Revolução de Outubro em Rostov-on-Don, Saryan se tornou diretor do Museu Armênio de História Local. A criatividade artística continuou sendo a principal esfera das suas atividades. Em 1919, ele mostrou 45 dos seus trabalhos em Rostov, na exibição “Lotus”.

Em 1921, à convite de Alexander Myasnikyan, o Presidente do Conselho do Comissariado do Povo na Armênia, Martiros Saryan e sua família se mudaram definitivamente para Yerevan, atuando ativamente no processo de reavivamento do país. Ele desenvolveu esboços para o emblema e a bandeira da Armênia, participou da fundação do Primeiro Museu Estatal da Armênia e encabeçou seus trabalhos, organizou a Associação dos Trabalhadores de Arte e a Faculdade de Arte de Yerevan, criou uma cortina para o Primeiro Teatro Dramático da Armênia, com quem colaborou ativamente.

Em 1926, Saryan foi para Paris, onde ele viveu e trabalhou por um ano e meio, e organizou sua exposição pessoal. Entretanto, a maioria das pinturas parisienses de Saryan pegaram fogo no caminho de volta para a Armênia, num incêndio que começou no Porto de Constantinopla. As únicas pinturas que sobreviveram foram aquelas que ele tinha vendido em Paris, ou aquelas que ele trouxe com ele.

A Grande Guerra Patriótica de 1941-1945 teve um impacto tremendo nos trabalhos de Martiros Saryan: ele vivenciou este evento não apenas de maneira global, mas também pessoalmente, uma vez que seu filho Ghazar foi para o front, mas o artista deu continuidade aos seus trabalhos. Depois da vitória, a vida de Saryan não ficou mais fácil: ele foi acusado de falta de ideologia, adesão à arte burguesa francesa, e formalismo anti-popular. Saryan só respirou livremente depois que Khrushchev assumiu o poder e o descongelamento da URSS começou.

Em 1965, os 85 anos de Martiros foram celebrados com grande festa, e exibições especiais em Moscou, Leningrado, Tbilisi e Yerevan. Naquela época, ele recebeu o título de Herói do Trabalho Socialista. No estúdio Armenfilm, o diretor Laert Vagharshyan fez um documentário dedicado à Saryan, com texto escrito por Ilya Ehrenburg. Em 1966, a memória do artista, “From my Life”, foi publicada. Em 1967, foi aberta sua casa-museu em Yerevan. Saryan não parou de trabalhar até o fim da sua vida: seu último desenho foi feito um mês antes de sua morte. Saryan morreu em 5 de maio de 1972, com 92 anos, e foi enterrado no Panteão de Komitas.

Martiros Saryan é um grande artista, mas sua contribuição para a cultura do povo armênio e para o mundo como um todo não se limitou a isso. Ele provou ser um ótimo organizador e incansável lutador pela preservação da herança cultural. Muitos monumentos no território da Armênia Soviética – por exemplo, a igreja de São Zoravor – foram preservados por esforço de Saryan. Além disso, o artista conseguiu defender a Catedral Armênia de Surb Khach em Rostov, que não só foi destruída, mas em 1958 foi restaurada, algo jamais visto na URSS. Como suplente do Soviete Supremo da URSS e depois da Armênia Soviética, ele apoiou jovens talentos, ajudando-os a entrar nas melhores universidades do país, e cuidou deles de todas as formas que pôde. A magnitude de Saryan não está refletida somente na sua arte brilhante, mas em toda a sua vida.

Porto, amor à primeira vista!

Se no dia 25 de junho eu estava voltando pra Ierevan com o marido, já no dia 29 eu embarquei em outro avião pra encontrar meus pais em Portugal! Fui pra Moscou na noite do dia 29, porque não tem vôo direto de Ierevan pra Portugal, e dia 30 cedinho eu peguei o vôo da TAP que sai do Domodedovo pra Lisboa. Em Lisboa, fiz uma conexão bem corrida pra pegar o vôo curtíssimo pra Porto, onde encontrei meus pais numa chegada bem sincronizada no aeroporto! Eles voaram também de TAP, mas direto do Rio pra Porto.

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Nós nos hospedamos em Vila Nova de Gaia, no Novotel. Vila Nova de Gaia nada mais é do que o outro lado do Rio Douro, onde ficam as principais caves de vinho. Como nós éramos 3 (marido não conseguiu ir comigo por causa do trabalho), optamos por hotéis que oferecessem acomodação em quarto triplo. O Novotel não só oferecia quarto triplo bastante espaçoso como, mesmo pagando pelo café da manhã, foi uma opção mais barata do que outros hotéis do mesmo nível em Porto.

Depois de nos instalarmos, nos arrumamos rapidamente e fomos para o Cais do Porto, mas do lado de Gaia mesmo, na Avenida Diogo Leite, em busca de alimento. Lá, paramos pra comer no restaurante Douro Velho, onde provamos deliciosos bolinhos de bacalhau e bacalhau à Brás acompanhados de vinho verde Casal Garcia, um dos meus vinhos preferidos da vida.

Aliás, se teve uma coisa que eu fiz em Portugal foi matar um pouquinho da saudade do Brasil: não só porque estava com meus pais depois de quase 6 meses sem vê-los, mas também porque o país guarda muito mais semelhanças com o Brasil do que eu pensava. Muito além do idioma, as comidinhas deliciosas que eu cresci comendo estavam todas lá, e eu confesso que me esbaldei!

Naturalmente, o cansaço imperava neste dia em que chegamos, então ficamos um pouquinho ali pelo cais mesmo, já compramos alguns souvenirs nas lojinhas dali, e logo logo voltamos pro hotel. Já fica a dica/spoiler: os souvenirs em Porto são bem mais baratos do que em Lisboa!

No sábado, acordamos com calma e desfrutamos muito do café da manhã super farto do Novotel. Por sinal, não há como tecer elogios suficientes para o hotel e para toda a equipe: o hotel é super bem estruturado e confortável, e conta com uma piscina excelente; a equipe é toda maravilhosa, super atenciosa e solícita. Saímos do hotel e fomos até o Cais do Porto, onde tomamos o ônibus turístico, que foi a nossa melhor escolha pra conhecer diversos pontos turísticos em um único dia já que nossa passagem por Porto era expressa. As opções de bilhete eram de 15 euros pra 24h e 17 euros pra 48h: nós só usaríamos mesmo no sábado, então compramos pra 24h mesmo. Nós demos uma volta completa com o ônibus, num passeio que leva cerca de 2h. Quando voltamos para a Sé do Porto, descemos para almoçar, escolhendo o Picota. No Picota, comemos peixe e frango deliciosos, acompanhados de sangria de verão.

Depois do almoço, subimos novamente no ônibus, desta vez para parar e descer nos lugares que mais despertaram o nosso interesse: a Igreja de São Nicolau, a Escola Superior Artística do Porto, e a Igreja do Carmo, que é uma das construções mais bonitas que eu já vi na minha vida.

A rota do ônibus terminava às 18h, e nós também já estávamos cansados e com fome. Descemos, então, no Cais do Porto e jantamos no Café do Cais, bem ali na beirinha do Rio Douro. O Café do Cais tem um ambiente bacana e o preço é bem justo. Eu e meu pai comemos carne acompanhada de batatas portuguesas, e minha mãe comeu um sanduíche leve de frango grelhado. Minha sobremesa foi pastel de nata, é claro.

Ali perto do Café do Cais também tem várias lojinhas de lembrancinhas, e nós aproveitamos pra arrematar mais algumas coisinhas – mas juro que não foi nem perto do suficiente!! Decidimos ir andando para Vila Nova de Gaia, atravessando a Ponte de D. Luís a pé. De lá, pedimos um Uber para nos levar até o hotel. Cada trecho desse entre o Cais e o hotel dava entre 7-10 euros. Foi quando entramos no Uber que descobrimos que, naquele dia, estava acontecendo a festa de São Pedro da Afurada, ali bem pertinho! Infelizmente não fomos lá conferir pois já estávamos bem cansados e o domingo prometia ser especial – precisávamos, então, descansar!

No domingo, acordamos cedo e fomos à missa na Igreja da Paróquia do Amial. Que gracinha de Igreja! E que missa maravilhosa! Foi minha primeira missa em português em meses e isso contribuiu pra que eu me emocionasse bastante. Depois da missa, voltamos pro hotel, terminamos de ajeitar as coisas, fizemos nosso check-out e almoçamos por lá mesmo. O almoço no Novotel era ótimo, com um farto buffet e 2 opções: buffet frio e de sobremesas a 12,50 euros por pessoa, e buffet completo (frio, quente e sobremesas) a 25 euros por pessoa. Não foi nosso almoço mais barato, mas foi uma excelente opção para economizar tempo, já que tínhamos hora pra ir pra estação de trem.

Pegamos o trem Alfa Pendular e descemos em Coimbra para tomar outro trem que nos levaria, enfim, ao nosso destino: Fátima! Confesso que essa viagem de trem entre Porto e Fátima não foi a melhor opção: além de termos que trocar de trem em Coimbra, a estação de trem em Fátima fica MUITO longe do Santuário. São mais de 40 minutos de táxi, que custa um pouco mais de 30 euros! E o trem de Coimbra pra Fátima ainda atrasou… realmente não recomendo. O melhor jeito de chegar e sair de Fátima é de ônibus – e vou dar mais detalhes sobre isso no post sobre este lugar santo que pudemos visitar.

 

Conexão de 11h em Paris

“Oh, but Paris isn’t for changing planes, it’s for changing your outlook!”

– do filme “Sabrina”, de 1954

Comecei a escrever este post no CDG, enquanto esperava meu voo pro RJ. Cheguei no Brasil anteontem (19/08) pra ver a família e cuidar da saúde, e isso me rendeu uma conexão de 11 horas em Paris!

E aí o que a gente faz? Vai pra cidade, é claro!

Considerando que o CDG fica à cerca de 1h do centro da cidade (tanto de trem quanto de carro), acho que, numa conexão longa, vale a pena dar um pulinho na cidade pra fazer algumas coisas bacanas e matar o tempo da melhor forma possível. Afinal, a rotina de aeroporto é muito muito chata, e fica pior ainda sozinha (já tô com saudade do marido, and I’m not even sorry).

Meu plano inicial era pegar o RER pra cidade, em direção a Saint-Germain, mas, logo quando estava chegando na estação aqui do aeroporto, fecharam o acesso à plataforma porque alguém deixou alguma bagagem desacompanhada!! Era um aglomerado tão grande de gente que não consegui nem chegar no guichê de guardar bagagem (queria deixar minha bagagem de mão pra não ficar andando com a malinha a tarde toda; a bagagem despachada em Ierevan eu só vou pegar no RJ). E aí eu tomei a decisão de chamar um uber: são 50 euros (ouch!) no uber x, mas me garantiu chegar na cidade.

Minha primeira parada foi a Capela da Medalha Milagrosa. Das outras 2 vezes em que estive em Paris, não tinha conseguido entrar lá e eu sofria muito com isso. Pra hoje, eu conferi mil vezes que estaria aberta, e finalmente consegui entrar naquele lugar santo! É claro que eu sou incapaz de descrever toda a emoção de estar diante da imagem de Nossa Senhora das Graças no local em que ela apareceu para Santa Catarina. Desde muito pequena eu sou muito devota de Nossa Senhora e sempre faço a novena da Medalha Milagrosa, então eu sonhava muito em ir até a Capela. Só posso agradecer a Deus por este dia ter finalmente chegado!! A Capela da Medalha Milagrosa fica na 140 Rue du Bac, em Saint-Germain.

Quando saí da Capela da Medalha Milagrosa, já passava das 15h e eu ainda não tinha almoçado. Estava chovendo, e eu carregando a bagagem de mão. Decidi entrar na La Grande Épicerie mesmo, que fica coladinha na Capela, e comi uma empanada (não foi um super almoço mas é que eu não tava mais com fome de almoço mesmo).

La Grande Épicerie é conectada ao Le Bon Marché, e foi pra lá que eu fui. Andei bastante pelos vários andares da loja de departamentos e acabei parando mesmo na seção da livraria! Comprei 2 livros novos que acho que serão úteis pra mim.

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Depois dessa comprinha, parei no café Primo Piano que fica coladinho na seção dos livros e pedi o café gourmand deles. Confesso que fiquei decepcionada: dos doces que foram servidos, só o bolinho de chocolate era gostoso. Das outras vezes que fui pra Paris, em todos os lugares onde pedi café gourmand, serviam creme brulée, macarons e um bolinho de chocolate. Mas lá eles serviram uns doces de berries que eu não gosto. Não dá pra acertar sempre na vida né!

Já passava das 16h quando os amigos Guilherme e Thomás foram me encontrar, e, como já tinha parado de chover, ficamos nas mesinhas do lado de fora do café Le Babylone, no melhor jeito parisiense. Pouco depois das 17h, minha querida amiga Rebecca juntou-se a nós. Tomamos café e batemos papinho até 18h30, quando chamei outro uber x pra voltar pro aeroporto (mais 50 euros… ouch de novo!).

Cheguei no aeroporto umas 19h30 e fui pegar o reembolso de imposto das compras que tinha feito na viagem de Portugal e que não tinha aquela agência de reembolso no aeroporto da Grécia. Tava uma fila imensa e só depois das 20h é que eu consegui finalmente passar pela imigração, mas que acabou sendo bem rápida, graças a Deus.

Aproveitei o lounge da Airfrance pra tomar um banho, trocar de roupa e jantar. Depois de um dia inteiro entre aeroportos, avião e passear na rua, poder tomar banho e me trocar antes de entrar no avião foi maravilhoso.

Acho que, numa conexão superior a 6h, em que não seja preciso pegar e despachar bagagem novamente, vale muito a pena dar um passeio pela cidade em que se está! Pode ser que não dê pra fazer muita coisa, mas só de sair do aeroporto já é muito bom! O importante é sempre ficar atento ao tempo de deslocamento entre o aeroporto e a cidade, e também se programar pra chegar de volta ao aeroporto com pelo menos 2h de antecedência, principalmente em voos internacionais.

Khachkars, as cruzes de pedra da Armênia

No primeiro post sobre cultura e história da Armênia, mencionei as Khachkars – as cruzes de pedra da Armênia, que receberam atenção numa matéria bacana da edição de verão da revista Armenia Tourism Magazine (nº18). Elas são tão interessantes que merecem de fato que nós saibamos um pouco mais sobre esta forma de arte!

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Acredita-se que os protótipos das khachkars eram vishaps, criaturas mitológicas, deidades e espíritos da água que, desde os tempos antigos, eram cravadas em pedra sólida. A altura das vishaps eram de 5 metros de altura, segundo os arqueólogos que as descobriram. Entre as imagens esculpidas, encontram-se peixes, pássaros, e outros animais. Depois, o significado das vishaps foi transformado e associado à dragões. A palavra vishap significa dragão. No livro “The Art of Armenia”, de Nonna Stepanyan, descreve-se como, ao longo do tempo, as vishaps foram gradualmente substituídas por monumentos de pedra refletindo a iconografia Cristã. Mais tarde, adotou-se a forma de lápides, que se tornaram a base para criar uma nova forma decorativa, as khachkars.

Em 301, os armênios adotaram oficialmente o Cristianismo, que se tornou a religião do Estado. Isso foi não só um importante evento para a vida espiritual do povo armênio, mas também um prenúncio da identidade escultural. O verdadeiro desenvolvimento e distribuição das khachkars aconteceu muitos séculos depois, quando finalmente tomaram sua forma única. As khachkars se tornaram um símbolo da fé Cristã, um modo de evidenciar o pertencimento dos habitantes ao novo mundo Cristão.

Cada khachkar, feita à mão por talentosos artistas, é única: nenhuma é igual a outra, ainda que todas elas obedeçam a um estilo.

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Desde os tempos antigos, as khachkars não apenas decoraram cemitérios, mas também passaram a ser esculpidas em honra à construção das catedrais e igrejas, construção de novas vilas e em outras ocasiões especiais. Os lugares onde as khachkars são colocadas são considerados santos. Muitas khachkars foram preservadas em antigos cemitérios armênios, onde podem ser admiradas tanto por residentes da Armênia quanto por turistas interessados na cultura do país.

Em muitos aspectos, devido à distribuição das khachkars, a Armênia é, por muitas vezes, considerada um museu a céu aberto, por conta das muitas cruzes de pedra que podem ser encontradas não só em lugares importantes mas também por diversos lugares nas cidades.

A estrutura clássica das khachkars é um bloco de pedra monolítico, com uma cruz esculpida no meio, geralmente a partir de um círculo de galhos ou flores. As imagens ornamentais se ondulam em torno da cruz, por muitas vezes com romãs e videiras, que são os símbolos principais da arte decorativa da Armênia.

O Museu Estatal de História da Armênia, na Praça da República, tem vários exemplares de khachkars expostas. Nelas, pode-se observar a história das khachkars e a evolução das suas formas desde que começaram a ser esculpidas até os dias atuais. Se, nos tempos antigos, os padrões circundavam a cruz, mais tarde as khachkars passaram a se parecer cada vez mais com uma renda feita na pedra, nas quais a cruz se integra perfeitamente ao ornamento. Mais tarde, no lugar das cruzes, começaram também a esculpir letras do alfabeto armênio.

Tradicionalmente, a khachkar é feita de tuff, uma pedra densa, formada de produtos sólidos de erupções vulcânicas, que depois são compactadas e cimentadas. De acordo com Varazdat Hambardzumyan, um grande escultor de Yerevan, é impossível imaginar uma oração armênia em frente à mármore ou granito. Há muitos séculos, as cruzes armênias são feitas de pedra tuff, e os armênios acreditam que esta pedra vulcânica pode absorver todas as coisas negativas como, por exemplo, doenças, das mãos do seu escultor ou de alguém que a tenha tocado.

A pedra tuff é encontrada em diversas cores. Para criar os padrões, os escultores primeiro desenham e depois esculpem a pedra com ferramentas específicas. O polimento das khachkars, quando estão quase prontas, é gentilmente chamado de massagem pelos artistas armênios.

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As khachkars ainda retém sua característica artística principal: apresentar a beleza da pedra. É graças a este princípio que algumas pedras parecem pequenos pedaços de paredes esculpidas, que por vezes são montadas em blocos únicos, tornando-se elementos decorativos da fachada como, por exemplo, em catedrais. As khachkars são um fenômeno original da memória escultural armênia.

Vou terminar este post com um fun fact: quando o marido estava trabalhando no Zimbábue, um armênio que trabalhava com ele deu de presente pra ele uma Khachkars e uma garrafa de conhaque Ararat! Infelizmente a cruz não foi adequadamente transportada entre o Zimbábue e o Brasil e, ao chegar em Brasília, estava absolutamente danificada. Mas o que eu acho mais bacana nesta história toda é que isso aconteceu em 2013, e a gente não fazia ideia de que viríamos morar na Armênia!

 

Quem foi Alexander Tamanyan?

Dando continuidade ao aprendizado sobre a Armênia, sua história e cultura, é impossível não falar de grandes personalidades armênias. Aproveitando a edição de verão da revista Armenia Tourism Magazine (nº18), pude aprender um pouco mais sobre Alexander Tamanyan, e vou dividir com vocês um pouquinho do que aprendi sobre o fundador da arquitetura de Yerevan.

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Tamanyan nasceu em 1878, na cidade de Ekaterinodar (hoje, Krasnodar). Sua educação em São Petersburgo garantiu seu sucesso como arquiteto, Tamanyan não hesitou em voltar para sua pátria histórica, que tinha, então, conquistado sua independência. Em 1919, pela primeira vez ele veio para a Armênia, na época da Primeira República (1918-1920). Por muitos anos antes disso, Tamanyan tinha interesse na arquitetura armênia. Em 1908, Nikolai Marr, que conduziu escavações em Ani, comissionou a Tamanyan um projeto de museu na capital do reino medieval armênio. Pouco tempo depois, Tamanyan disse a seus amigos que iria mudar-se para a Armênia e realizar planos arquitetônicos por aqui.

De fato, Tamanyan não conseguiu construir nada durante a Primeira República. No fim de 1920, a república foi submetida às tropas soviéticas, e o arquiteto se viu forçado a deixar o país com sua família, indo para a cidade de Tabriz no Irã.

Entretanto, o desejo de criar na sua pátria ainda tomava Tamanyan – afinal, a Armênia ainda existia, mesmo como uma República Socialista Soviética. Como resultado, sob garantias pessoais do Conselho dos Comissários do Povo para a Armênia, o arquiteto retornou para Yerevan em 1923. Já em 1924, ele apresentou para o governo um plano geral de arquitetura para a cidade, cheio de ideias inovadoras e soluções de planejamento urbano. Mais tarde, este plano foi revogado, mas seus principais pontos foram mantidos intactos.

De acordo com a ideia de Tamanyan, Yerevan deveria ser dividida em diversas zonas – administrativa, universitária, industrial, cultural – conectadas umas as outras e ao centro. Duas praças – a praça do Teatro e a praça de Lenin -, ligadas pela Northern Ave, se tornariam os centros da cidade. A principal vantagem do plano de Tamanyan era a disposição das ruas e prédios da cidade, de modo que muitos deles teriam vista livre para o Monte Ararat.

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vista pro Ararat daqui de casa: valeu, Tamanyan!

Graças ao plano arquitetônico de Alexander Tamanyan, Yerevan se tornou uma cidade compacta e confortável. O projeto inicial era para uma cidade com 150 mil habitantes, mas o projeto de Tamanyan prova-se bom até para a Yerevan de hoje acomodar um milhão de pessoas. Observando a cidade como herdeira das capitais antigas da Armênia, o arquiteto teve cuidado no design dos prédios, buscando conectar as tradições nacionais do país com soluções modernas.

A produção de Alexander Tamanyan é surpreendente: além do projeto original de Yerevan, muitos dos objetos arquitetônicos da cidade, que datam de 1925 a 1932, foram desenhados por ele. Além disso, Tamanyan não só criou Yerevan, mas também fez o desenho geral de Leninakan – hoje, Gyumri -, Etchmiadzin, Gavar e outras cidades armênias.

Tamanyan presidiu o Comitê para Proteção dos Monumentos Históricos da Armênia Soviética, o que, no contexto da agressiva renovação e destruição de estruturas religiosas e culturais do passado – característico dos primeiros anos de Repúblicas Soviéticas -, era uma questão difícil e insegura.

O projeto de Tamanyan para o prédio do governo, localizado na praça Lenin, que hoje é a praça da República, é singular. Este prédio, executado em estilo neoclássico, deu pontapé inicial para o desenvolvimento de toda a arquitetura armênia moderna.

Também é muito importante o projeto da Casa do Povo, o primeiro teatro de Yerevan. Conhecida, hoje, como a Ópera, o teatro imenso pode acomodar até 3 mil espectadores. Na Casa do Povo, foram planejadas muitas inovações técnicas – por exemplo, duas salas semicirculares, que poderiam, em ocasiões especiais, serem unidas para formar um único grande palco. Infelizmente, o projeto de Tamanyan não foi inteiramente implementado: finalizada em 1953, o National Theater of Opera and Ballet after A. Spendiarian (ou, apenas, Ópera) é apenas uma realização parcial das ideias do arquiteto.

Este não foi o único projeto que Tamanyan não viu pronto. A Casa do Governo e a Praça Central só ficaram prontas depois de décadas, e a Northern Avenue só foi implementada em 2007. Além disso, outras ideias do arquiteto permanecem no papel.

Membro do Comitê Executivo Central da Armênia Soviética, entitulado Arquiteto do Povo, Alexander Tamanyan vivia modestamente. Seus amigos repetidas vezes pediram ao governo por melhores condições de vida para o arquiteto, que jamais pediu coisas do tipo para si mesmo. Apesar das condições modestas em que vivia, a casa de Tamanyan sempre recebia artistas proeminentes da Armênia, que também eram seus amigos. Entre eles, Martiros Saryan, Avetik Isahakyan, Alexander Spendiarian, e muitos outros.

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Próximo do Cascade, na praça que leva o nome de Tamanyan, está o grande monumento ao arquiteto. O mestre se debruça sobre três pedras: a da esquerda simboliza a arquitetura antiga, a da direita simboliza a nova arquitetura, e o próprio Tamanyan, com seus trabalhos, parece estar lançando uma ponte entre as duas.

Tamanyan transformou Yerevan de uma pequena cidade provinciana na verdadeira capital da Armênia – uma cidade moderna, em constante desenvolvimento e crescimento, que ao mesmo tempo reflete toda a herança cultural do povo armênio. As capitais antigas da Armênia – Tigranakert, Ani, Dvin, entre outras – eram cidades esplendorosas, e Tamanyan fez com que Yerevan também o seja, enquanto a capital do presente e do futuro.

O que é que Yerevan tem?

Yerevan é uma cidade incrível. Já falei e repito que fico constantemente impressionada pela beleza da cidade, e pelo tanto de coisas que a capital da Armênia oferece. Na edição de verão da Armenia Tourism Magazine (nº18), são apontados alguns aspectos que fazem a cidade se destacar entre os turistas, e que também são pontos extremamente positivos pra quem mora por aqui.

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  • Paisagens

É possível ver a cidade inteira (ou quase) de alguns dos principais pontos turísticos da cidade, como o Cascade, o Parque da Vitória, e o Museu do Genocídio. As paisagens são incríveis, tanto no verão quanto no inverno, e também há sempre um cantinho lindo pra se observar. A cidade tem muitos parques, é bastante arborizada e, na primavera, tudo fica florido!

  • Monumentos históricos e culturais

Há tantos monumentos históricos e culturais em Ierevan que pode ser que nós terminemos nosso tempo aqui sem conhecer tudo – Deus me livre! Prometo me esforçar pra conhecer tudo! A capital da Armênia é um tesouro em si mesma, com material histórico e cultural diverso, como o Museu Nacional de História, o Museu dos Manuscritos Antigos Matenadaran, as galerias de arte, etc.

  • Cafés, bares e restaurantes (muito) bons e baratos

Já destaquei aqui no blog várias vezes que, aqui em Ierevan, nós comemos muito bem, geralmente gastando pouco – principalmente quando comparamos a restaurantes do mesmo nível em outras capitais, como Moscou, Berlin, Milão, etc. Os bares e pubs também tem preços convidativos para deliciosas bebidas.

  • Segurança

Sem dúvida, este é uma das melhores características da cidade (e do país). Comparada com os indicadores de outros países europeus e até mesmo das antigas repúblicas soviéticas, não há crime na Armênia. Podemos sair tranquilamente a qualquer hora do dia e da noite sem medo, usar as passagens subterrâneas (geralmente vazias) sem temer, e caminhar felizes pela cidade. Deus conserve!

  • Água

A água aqui na Armênia é muito limpa, e a cidade de Ierevan conta com diversas fontes (Tsaytaghbyur) espalhadas para que os transeuntes possam se refrescar.

  • Serviços de saúde

A Armênia é conhecida na região por ter ótimos Gastroenterologistas, e as consultas médicas aqui não custam muito caro. Outro dia, fui numa clínica próxima aqui de casa e a consulta com um Ortopedista que custou 7.000AMD (cerca de USD15,00). Os remédios aqui também são bem baratos, e há muitas farmácias pela cidade. A Armênia tem se tornado um destino de turismo médico justamente pela alta qualidade dos serviços médicos oferecidos a preços competitivos. Eu confesso que acho turismo médico uma coisa meio esquisita, mas, já que eu moro aqui, fico feliz em saber que é um destino, pois isso significa que os tratamentos oferecidos realmente tem qualidade. Entre outros, cirurgia plástica, tratamentos e implantes dentários, cardiologia e oftalmologia compõem a lista de especialidades oferecidas para quem quer ficar mais saudável na Armênia.

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Estes fatores, entre outros, contribuem pra que a qualidade de vida aqui seja muito muito boa. Pra não dizer que só falei de flores, uma coisa que me irrita profundamente por aqui é que as pessoas fumam muito, e é permitido fumar nos restaurantes, mesmo nos ambientes fechados. Outra coisa que tem me incomodado bastante por aqui é o calor intenso do verão, que também é extremamente seco.

Aniversário da Mivó

Hoje eu queria poder voltar no tempo, só pra poder ter você de novo do meu lado, andar de braço dado com você, e celebrar o seu dia que pra mim sempre foi importante, porque você me escolheu pra ser sua neta antes mesmo de eu nascer. 

Você nasceu no dia de Santa Clara e eu sei que você queria que seu nome fosse Maria Clara, e não Maria Aparecida. Mas eu amo tanto o seu nome! É o nome da Mãe do Nosso Senhor Jesus Cristo, é o nome da Padroeira do Brasil, é o nome da Mãe do Céu que está sempre do meu lado, que me abençoa, me guarda e intercede por mim. 

Hoje eu queria poder te falar o quanto eu sinto saudade de você, e que, mesmo 2.552 dias depois de você ter ido pro céu, eu ainda não aprendi a conviver com a falta que você me faz, e que você continua sendo a minha maior certeza de que as pessoas são insubstituíveis. 

Hoje eu queria que você estivesse aqui com a gente na Arménia, chamando o Felipe de “Felipão” como eu tenho certeza de que você faria, do jeito que eu consigo ouvir sua voz dizendo, e que me faz acreditar que, de algum jeito, você ainda tá por aqui. A saudade é mesmo uma forma de ficar.

Hoje eu queria ter podido viajar com você mais vezes, no Brasil mesmo e pelo mundo todo também. Queria que seu passaporte estivesse cheio de carimbos de todos os lugares por onde já passei, e pra onde levei um pouquinho de você comigo por causa de tudo o que você me ensinou. 

Hoje eu queria poder me aninhar no seu colo, queria poder mexer nas cicatrizes dos seus braços enquanto você enrola seu cabelo com os dedos, e ouvir você cantando todas as músicas que me ensinou. 

Hoje eu queria poder ir de novo com você no Canecão, e poder ver de novo o Milton, o Caetano, a Betânia, o Chico, a Maria Rita, o Toquinho. Queria poder ouvir de novo todas as fitas K7 que você gravou pra mim, no Walkman que você me deu. 

Queria ser criança de novo pra você poder me levar pro ballet e pra natação, pra você cortar minha franja, pra você reclamar do shampoo do Snoopy. 

Hoje eu queria que você me ensinasse um pouco mais sobre música, sobre política, sobre fotografia. Queria que você me ensinasse a ser mais gente, mais humana, mais cristã. Você não era perfeita, mas era a personificação do amor incondicional. 

Hoje eu queria poder olhar de novo nos seus olhos azuis e entender tudo o que eles queriam dizer, queria que você pudesse me olhar de novo nos olhos pra poder ler meus pensamentos e saber tudo o que tá na minha cabeça sem que eu precisasse falar, porque foi assim desde 05/12/1989 até 16/08/2010. 

Hoje, e todos os dias, eu queria que há 7 anos atrás já tivessem descoberto a cura pra Esclerose Lateral Amiotrófica, porque só assim eu poderia ter você ainda do meu lado. 

Este será pra sempre o seu dia, Mivó. E pra sempre você estará viva no meu coração. Eu amo você ao infinito e além! 

Armênia, quem é você?

Já estamos na Armênia há quase 7 meses e eu ainda não tinha dedicado um post exclusivamente à história e características deste país! Me dei conta disso quando recebi essa semana a revista Armenia Tourism Magazine que tá cheia de conteúdo bacana. Inspirada pelas matérias que estão publicadas na edição de verão da revista (nº18), resolvi dividir aqui com vocês um pouco do conteúdo que eles publicaram, falar um pouquinho mais das nossas vivências por aqui, e aproveitar pra aprender um pouquinho mais desse lugar tão rico culturalmente!

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  • Território

A área total do país é de 29.743km², referente a 1/10 do tamanho da Armênia Histórica. A Armênia é um país sem acesso ao mar, localizada nas montanhas do Cáucaso Menor, no noroeste do Planalto Armênio da Armênia Histórica. Localizada entre os mares Negro e Cáspio, o país faz fronteira com a Geórgia, o Azerbaijão, o Irã e a Turquia. As fronteiras com Azerbaijão e Turquia são fechadas, embora haja vôos diretos entre Ierevan e Istambul (operados pela Atlas Global).

  • Brasão de Armas

Em 19 de abril de 1922, o brasão de armas da Primeira República da Armênia (1918-1920) foi restaurado. Os autores foram Alexander Tamanyan e Hakob Kodjoyan.

  • Bandeira

A bandeira nacional da Armênia tem três listras horizontais de igual tamanho: vermelho no topo, azul no meio, e laranja. O vermelho simboliza o Planalto Armênio, a luta contínua do povo armênio para sobrevivência e manutenção da fé cristã, e a independência e liberdade da Armênia. O azul simboliza a vontade do povo armênio de viver sob céus de paz. O laranja simboliza o talento criativo e a natureza trabalhadora do povo armênio.

  • Língua

O idioma nacional é o Armênio, mas a maioria da população também fala russo. No interior, pode-se enfrentar alguma dificuldade de comunicação idiomática. Inglês e francês geralmente são as segundas línguas faladas pela população mais jovem, mas as gerações mais antigas são mais conservadoras com relação à idiomas estrangeiros. De todo jeito, se um estrangeiro se aproximar, as pessoas costumam ter boa vontade de entender e ajudar, como já destaquei aqui no blog algumas vezes.

  • Governo

A política da Armênia se desenvolve num quadro de república democrática semi-presidencial, em que o presidente é o Chefe de Estado em um sistema multipartidário. O atual presidente da Armênia é Serzh Sargsyan, e o atual primeiro ministro é Karen Karapetyan.

  • População

De acordo com diversas fontes, o número de armênios no mundo varia entre 6 e 11 milhões, dos quais apenas 1/3 mora na Armênia (cerca de 3 milhões de pessoas).

  • Moeda, câmbio e cartões

A moeda do país chama Dram Armênio, com sigla AMD. Estão em circulação moedas de 10, 50, 100, 200 e 500 Drams, e notas de 1.000, 5.000, 20.000. Dizem que existem notas de 50.000 e 100.000 mas eu nunca vi. Em geral, 1USD equivale a 478AMD, 1EUR equivale a 567AMD, e 1 Rublo equivale a 8,3AMD – o câmbio oscila um pouquinho, mas bem pouquinho mesmo. Quando chegamos, eu me assustava um pouco com tudo custando mais de mil, mas depois habituei que é só o jeito deles, e faltam os centavos. É possível fazer câmbio em diversos lugares da cidade, inclusive nos principais supermercados do centro, o que eu achei muito esquisito quando chegamos, e ainda acho bastante curioso! Praticamente todos os lugares aceitam cartões, mas as vezes o sistema falha e pode demorar muito a funcionar, então eu aprendi que é sempre bom ter drams na carteira.

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  • Ierevan

A capital do país é Ierevan (Yerevan na grafia em inglês), que pode facilmente ser considerada uma das cidades mais seguras do mundo. Podemos andar tarde da noite na rua sem medo, coisa que não é comum na maioria dos países europeus. O centro da cidade de Ierevan não é muito grande, o que facilita a locomoção – mesmo sem um mapa. As opções de transporte em Ierevan são miniônibus, ônibus e táxis, mas é fácil caminhar pela cidade admirando as ruas. Nós, por exemplo, não compramos carro e não temos a menor intenção de comprar um, já que conseguimos fazer quase tudo a pé – só pegamos táxi pra ir aos shoppings e cinemas, e táxi é muito muito barato aqui. As outras 2 grandes cidades da Armênia são Gyumri e Vanadzor. A voltagem no país inteiro é de 220v. A Armênia está no fuso GMT+4 (diferença de +7h pro Brasil, e +6h quando o Brasil está no horário de verão).

  • Clima

O clima da Armênia é continental de montanhas, com longos e frios invernos e verões quentes. Geralmente, as temperaturas em janeiro ficam entre -12ºC e -15ºC, podendo chegar a -30ºC. Neste ano, chegamos algumas vezes a -21ºC. Em julho, a temperatura média nas montanhas é de 10ºC, e de 25ºC nas regiões de planície, mas a verdade é que este mês de julho e agora em agosto estamos sofrendo com temperaturas que jamais baixam dos 30ºC e chegam todos os dias a 40ºC, com clima muito muito seco. A precipitação anual é de 20-80cm, e os topos das montanhas mais altas da Armênia ficam cobertos de neve o ano todo.

  • Topogafia

O terreno é montanhoso, e 90% das montanhas está a mais de 1000m acima do nível do mar, com média de 1800m. O ponto mais alto do país é o Monte Aragats (4095m) e o mais baixo é a margem do rio Debet (380m). O ponto mais alto da região é o símbolo histórico da Armênia, o Monte Ararat (5165m), que está no território da Turquia desde os anos 1920.

  • Comida e Água

Em Ierevan, pode-se tomar água da torneira e também das pequenas fontes (bebedouros) espalhadas pela cidade, chamadas Tsaytaghbyur. As tsaytaghbyur são pedras memoriais únicas, geralmente com 1m de altura, com água pura. Na cidade há muitos restaurantes, com culinária armênia e internacional (chinesa, árabe, georgiana, etc). Os restaurantes aqui são muito mais baratos do que a média das grandes cidades, inclusive quando comparados a Moscou.

  • Compras

O comércio em Ierevan é ótimo. Há 2 grandes shopping centers que abrigam marcas internacionais (Zara, GAP, TopShop, Pandora, Bershka, Parfois, Promod, Steve Madden, Mango, Levi’s, etc). No centro da cidade, as ruas Northern Ave, Mashtots, Abovyan e Tumanyan também são tomadas por lojas locais e internacionais (Burberry, Armani, Zegna, MaxMara, MontBlanc, L’Occitane, etc), bem como lojas multimarcas. Para artigos de casa, gosto principalmente da Matalan, da Basic Center, e da Good’s House. Além destas, muitas lojas vendem lembrancinhas e presentinhos típicos da Armênia, inclusive os famosos conhaques.

O lugar favorito dos turistas para comprar souvenirs é a Vernissage, a feira ao ar livre que fica aqui em frente da nossa casa, pertinho da Praça da República. Aos finais de semana, a Vernissage fica lotada de vendedores oferecendo tapetes feitos à mão, peças em madeira e pedra talhadas, cerâmicas, pinturas, entre outros. O que eu mais gosto na Vernissage, além dos estandes com objetos da época da União Soviética, são os bonequinhos narigudos, que fazem piada carinhosa com essa característica dos armênios. A Vernissage também funciona durante a semana, porém com menos expositores. No verão, há gente o dia inteiro; no inverno, o movimento é naturalmente menor.

  • Religião

Acho que já contei aqui que a religião predominante na Armênia é o Cristianismo, e que a Armênia foi o primeiro país do mundo a adotar o Cristianismo como religião do Estado em 301d.C. 94% da população segue a Igreja Apostólica Armênia.

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  • Khachkars: cruzes de pedra armênias

Se perguntarmos a qualquer armênio qual é o símbolo mais importante do país, a resposta certamente será Khachkars, as cruzes talhadas em pedra. Por todo o país, encontramos muitas delas, e em qualquer lugar onde houver um armênio, será possível achar este símbolo, que é, para eles, um monumento, uma obra de arte, a face da Armênia: os padrões e ornamentos tradicionais das Khachkars refletem a história e o tempo.

O dia em que Anitta tocou na Armênia

Estava eu hoje de manhã no shopping quando começou a tocar PARADINHA, música sucesso da cantora brasileira Anitta. Enquanto eu escrevia o Tweet printado abaixo, já começou a tocar logo SUA CARA, outro sucesso de Anitta, em parceria com Pabllo Vittar e Major Lazer.

Aí eis que a própria me retuíta minutos depois:

Juro que, enquanto ouvia estas músicas tocando no shopping, não só fiquei cheia de orgulho mas também me deu uma vontade imensa de sair cantando e dançando pelos corredores.

Claro que o objetivo é mesmo fazer sucesso internacional, mas daí ouvir estas músicas tocarem em lugar público aqui na Arménia foi incrível e surpreendente! You go girl!

Até hoje, a maior referência de Brasil que os armênios com quem eu conversei disseram ter eram os jogadores de futebol (de Pelé a Neymar, passando por Garrincha e Nilton Santos) e as novelas (principalmente O Clone).

Não podemos esquecer que aqui é Eurásia. Estamos longe pra caramba do Brasil! Além disso, a Arménia é um país consideravelmente conservador.

Se o sucesso SUA CARA já representa uma quebra de paradigmas no Brasil e em países ocidentais, imagina nestes lados de cá.

Anitta e Pabllo, continuem por favor quebrando tudo mundo afora. Dá um orgulho danado ver artistas brasileiros bombando assim!

São Petersburgo e as noites brancas

Conhecer a Rússia era sonho antigo, e hoje eu me sinto verdadeiramente abençoada por já ter podido ir a este país algumas vezes nos últimos meses. De Ierevan a Moscou, são apenas 2h30 de vôo, e os preços são bastante convidativos. São Petersburgo fica um pouquinho mais longe, então nós aproveitamos o finzinho destas férias pra ir conhecer esta cidade incrível.

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Se Moscou é a capital da revolução, São Petersburgo (ou “Peter”) definitivamente manteve-se como a capital do império em cada uma das suas ruas e construções. Chamada por muitos de “Veneza do Norte”, é verdadeiramente encantador andar pelas ruas e pontes de Peter, desbravando cada cantinho e encantando-se com tanta beleza.

Nós chegamos na estação de trem pouco antes do meio dia, então seguimos a pé até o restaurante Банщики (Banshiki), que ficava ali pertinho. Chovia, e mesmo assim nós chegamos lá em 7 minutos. Lá, degustamos algumas entradinhas muito saborosas, e comi o melhor frango à Kiev que já provei desde que chegamos ao Cáucaso.

Às 14h, nós nos dirigimos para o apartamento onde nos hospedaríamos, alugado por meio do AirBnB, como eu já contei aqui. Deixamos nossas malas lá em cima e saímos pra começar a conhecer a cidade. Como o apartamento era na rua Zhukovskogo, no  bairro Tsentralny, ele ficava bem próximo de algumas das principais atrações da cidade, então saímos caminhando por Peter sob uma chuva fininha. Ao contrário das outras cidades por onde tínhamos passado, fazia frio em São Petersburgo!

Nossa primeira parada foi para admirar a majestosa Catedral de Nossa Senhora de Cazã (Казанский кафедральный собо) na avenida Nevskiy (Невский). Nesta avenida também está a Paróquia Católica de Santa Catarina (Приход Святой Екатерины Римско-католической Церкви в Санкт-Петербурге). Atravessamos a ponte Fontanka (Река Фонтанка), famosa pelas estátuas de cavalos e seus respectivos cavaleiros. E aí começou a chover de novo, então aproveitamos pra tomar um café no Biblioteca.

A chuva teimou em permanecer, ora mais forte, ora mais fraca. Na avenida Nevskiy (Невский) também fica a maior Dom Knigi (Дом книги) da cidade, então fomos até ela e aproveitamos pra comprar alguns livros que queríamos. Quando a chuva deu uma trégua, tomamos o rumo do Bureau Burguer & Bar (Бюро бургеры и бар) pra jantarmos um bom hambúrguer acompanhado de bons drinks. E já começamos, naquele mesmo dia, a ter um gostinho do que são as noites brancas: o céu fica de uma cor inexplicável, e que nenhuma câmera conseguiu capturar.

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No dia seguinte, seguimos cedo rumo à Estação Finlândia (Станция Санкт-Петербург-Финля ндский)! Lá está o vagão no qual Lenin viajou em 1917, quando voltava do exílio.

De lá, seguimos andando para o navio Aurora, que é um museu desde 1956. O batismo do Aurora foi na batalha de Tsushima em maio de 1905; durante a Primeira Guerra Mundial, o Aurora fez parte do segundo esquadrão, atuando ativamente nas ações militares no Báltico; ao final de 1916, o navio foi ancorado em São Petersburgo (então Petrogrado) para reparações; em 1917, o Aurora participou das atividades revolucionárias de fevereiro e outubro; entre 1922-1923, o Aurora se tornou um dos primeiros navios de guerra do Báltico a servir como espaço para treinamento especializado. O ingresso para o Aurora custa 600 rublos.

Quando terminamos nossa visita ao Aurora, tomamos um táxi até a Fortaleza de Pedro e Paulo (Петропавловская крепость) para almoçarmos no excelente Koryushka(Корюшка), certamente uma das melhores refeições das nossas férias. Almoçamos com calma, e saímos de lá caminhando pelas pontes que atravessam os belíssimos canais da cidade, passando pelo Jardim de Verão (Летний сад), pelo Castelo Mikhailovsky(Михайловский замок) e pelo Museu Russo (Русский музей), até chegarmos ao Cavaleiro de Bronze (Медный всадник) que fica no Parque Aleksandrovsky Sad(Александровский сад).

Fizemos um lanchinho na Schastye (Счастье), e em seguida fui visitar a incrível Catedral de São Isaac (Исаакиевский собор), que é a maior igreja ortodoxa de São Petersburgo, e a quarta maior catedral do mundo. A Catedral abriga inúmeras obras de arte que encantam quem as vê, mas o que eu mais amei mesmo foi a escultura do Espírito Santo na doma da Catedral. O ingresso para a Catedral de S. Isaac custa 250 rublos. Ao sair de lá, seguimos para o nosso jantar no exótico restaurante vietnamita Pagoda Mot Kot (Пагода Мот Кот).

Na sexta feira, fomos cedo para o Cais do Palácio para tomarmos um barco em direção a Peterhof (Петергоф)! Chovia bastante, mas confiamos na previsão do tempo de que o sol apareceria, e compramos nossos bilhetes de barco. Enquanto esperávamos, fizemos um lanche no Fernando (Фернандо), que oferece cafés, sanduíches, nuggets, etc, pois nosso barco só sairia 11h30 e o tempo de viagem é de cerca de 40min. O Palácio de Peterhof é tombado pela UNESCO como patrimônio mundial, e eu não consigo nem começar a dizer qual foi a nossa frustração por não conseguir tickets para entrar no Palácio. Aproveitamos, então, para passear nos jardins belíssimos que circundam o enorme Palácio, apreciar a Grande Cascata e a Fonte Sansão, e almoçamos no Standart (Штандарт), a stalovaya (o bandejão estilo soviético) de Peterhof. Depois de almoçarmos, caminhamos um pouco mais pelos jardins, com suas majestosas fontes, e ficamos verdadeiramente encantados. O dia estava lindo, parecia coisa de cinema!

Ao voltarmos para São Petersburgo, fomos até a Catedral do Sangue Derramado, mas já estava fechada para visitação. Caminhamos calmamente então até a rua Malaya Morskaya, desviando das multidões que se acumulavam para comemorar a formatura dos jovens naquela que seria a noite mais curta do ano. A tradicional festa das Velas Escarlates, que começou a ser celebrada em 1969, quando 25 mil graduandos saíram nas ruas para celebrar, e foi a primeira vez que um veleiro com velas cor escarlate passou pelo Rio Neva. Esta festa celebra os graduandos, desejando a eles boa viagem para a vida adulta e para a materialização das suas ambições. Paramos para um chá no Gosti (Гости) e antes do nosso jantar no Gogol (Гоголь), um restaurante tradicional que oferece uma experiência gastronômica de comida russa.

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Quando saímos do Gogol, já era bem tarde, e as ruas não só estavam abarrotadas de gente como também o céu estava com cores como jamais tinha visto na minha vida. A festa das velas escarlates estava apenas começando, já que as comemorações tem início no fim da tarde e se espalham por São Petersburgo por toda a noite: a Nevskiy Prospekt é fechada para que os pedestres possam andar livremente por ela, há um baile de formatura na Praça do Palácio exclusivo para os graduandos, e, ao mesmo tempo, concertos abertos ao público acontecem na Ilha de Vasilievsky. Depois da 1 da manhã, começa o show de águas, luzes e pirotecnia no Neva, se espalhando da ponte Troitskiy até a ponte Dvortsoviy,  num percurso de cerca de 2km, e é aí que o veleiro com velas escarlates aparece e flutua pelo rio Neva.

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Nosso sábado seria bastante especial em São Petersburgo, começando pela visita à Catedral do Sangue Derramado – ou Igreja da Ressurreição do Salvador sobre o Sangue Derramado – (Спас на Крови), que fica na margem do canal Griboedov. Construída onde o Czar Alexandre II foi assassinado em 1881, a igreja hoje é um museu estatal, e o ingresso custa 250 rublos.

De lá, fomos, finalmente, para o Museu Hermitage (Эрмитаж)! Já estávamos com nossos ingressos comprados pela internet, o que teria economizado nosso tempo se não fosse um pouquinho de desorganização do Museu para a entrada: como o Palácio é imenso, não é muito claro qual entrada se pode usar, e nem mesmo os funcionários externos sabem explicar direito pra onde temos que ir (e olha que nós estávamos com o Rodrigo, que já foi ao Эрмитаж incontáveis vezes!).

O Hermitage é IMENSO. Eu acho que precisaria de umas três vidas inteiras pra poder explorar cada cantinho e observar cada obra exposta. São 7 prédios: o Palácio de Menshikov, o prédio do General Staff, o Great Old Hermitage, o Teatro Hermitage, o Novo Hermitage, o Pequeno Hermitage, e o Palácio de Inverno. Como nós só tínhamos uma manhã e o comecinho da tarde, optamos por fazer uma visita rápida, caminhando ligeiramente e parando pra olhar só o que realmente nos interessava, e priorizando as salas do Palácio de Inverno, a residência oficial dos monarcas russos e que, por um pequeno período depois da revolução de fevereiro de 1971, foi a sede do governo provisório russo, liderado por Alexandre Kerensky. No mesmo ano de 1971, o Palácio de Inverno foi tomado por soldados e marinheiros do Exército Vermelho, um dos momentos definitivos do nascimento do Estado Soviético. Também aproveitamos pra visitar com um pouquinho mais de calma o prédio do General Staff, que abriga obras de artistas como Matisse e Picasso.

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Saímos do Hermitage e fomos almoçar no Curry House, um dos bons indianos da cidade, e que fica pertinho do Teatro Mariinski (Мариинский театр), onde mais tarde assistiríamos à ópera! Às 18h30 teve início o espetáculo “The Sicilian Vespers” no novo Teatro Mariinski, como parte do evento The Stars of the White Nights. A ópera durou mais de 3h, com dois intervalos, e, quando saímos do Mariinski, o céu ainda estava claro! Foi o final perfeito pras nossas férias.

São Petersburgo foi a cidade mais fria do nosso verão, e as temperaturas não passaram dos 16ºC nenhum dia, com um vento gelado que nos obrigava a ficar de casaco o dia todo, e até desejar ter levado uma calça térmica (sério, tava frio, especialmente considerando que era o solstício de verão). No domingo, fomos cedinho pro aeroporto de São Petersburgo, que fica um pouco afastado da cidade, para começarmos nossa jornada de volta pra Ierevan. Fato é que nossas férias foram incríveis!!

Ierevan 40ºC

É oficial: o verão em Ierevan é quente demais!

Há várias semanas que os termômetros só marcam temperaturas acima dos 30ºC, e chegam diariamente aos 40ºC! A sensação térmica já chegou, inclusive, aos 42ºC. É um calor que sufoca a gente, difícil de aguentar até pra carioca! Neste exato momento, a temperatura está 40ºC e a sensação térmica 41ºC.

E a secura?! Gente, que verão mais seco!! Não chove há 1 mês! E, da última vez que choveu, não melhorou muita coisa não… Outro dia tivemos 7% de humidade. Hoje, neste exato momento, a humidade está em 8%. OITO!!! O ar tá tão seco que mal dá pra ver o Ararat, já que a poluição tá acumulada no ar.

Em casa, só mesmo com o ar condicionado ligado. Pra ajudar a sobreviver a esse calorão, estamos tentando aproveitar ao máximo a piscina externa da nossa academia, que não deixa de ser um clube. Graças a Deus tem isso aqui bem pertinho de casa! O problema é quando tá tão calor que a gente não aguenta sair nem pra ir pra piscina hihihihi

Esse clima exige que a gente redobre o cuidado com a saúde: temos que beber MUITA MUITA MUITA água, e optar sempre por comidas mais leves. E quando a gente esquece de ter esse cuidado, bebe menos água do que devia, e/ou exagera em alguma comidinha mais pesada?! O corpo paga o preço! Na verdade, isso acontece em qualquer estação do ano… a gente precisa viver em vigilância constante!

De Moscou pra São Petersburgo no trem

Nossa última parada das férias foi a cidade de São Petersburgo, e tivemos a sorte de ir pra lá justo no período das noites brancas!

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Mas, antes de falar sobre nossos dias em São Petersburgo, quero contar pra vocês sobre a viagem de trem expresso entre Moscou e São Petersburgo. Nós voamos entre Vienna e Moscou no dia 20 de junho, e dia 21 de junho pegamos o trem cedinho pra São Petersburgo. Já tínhamos comprado o bilhete na nossa passagem por Moscou no comecinho das férias, e recomenda-se comprar estes bilhetes com antecedência; pode-se usar as máquinas disponíveis na estação de Leningradsky.

Como nosso trem saía bem cedinho, reservamos o Sukharevsky Design Hotel, que tem localização ideal pra quem precisar chegar rápido na Leningradsky. Este hotel também fica próximo de estações de metrô, então considero uma boa opção pra quem vai passear em Moscou!

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Ali perto, jantamos no Burguer & Fries do Miratorg na Avenida Acadêmico Sakharov. A região do hotel está em obras (como quase toda a cidade de Moscou), mas não é tão difícil de se locomover a pé na região. Esse Burguer & Fries fica dentro do supermercado, e eu acho que não daria nada por ele se não fosse a fome que estávamos sentindo! Ainda bem que testamos e ficamos satisfeitos, pois os hambúrgueres são bem gostosos e o preço é muito justo. E ainda aproveitamos pra comprar uns biscoitinhos pra beliscar no trem no dia seguinte!

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A estação de Leningradsky é bem grande, e tem algumas opções de cafés e restaurantes, além de lojinhas dos mais diversos produtos.

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A viagem de trem pra São Petersburgo foi super agradável, e dura 4h no trem expresso. O ticket do trem expresso custa mais caro do que o ticket do trem normal, mas a viagem leva 8h! Por isso nós optamos por ganhar tempo, mesmo gastando um pouquinho mais, pra podermos aproveitar melhor a tarde em São Petersburgo. Mas vou contar sobre o que fizemos em São Petersburgo em outro post!

Bate e volta pra Bratislava!

Como contei no post sobre Vienna, aproveitamos a tarde do domingo para conhecer Bratislava, a capital da Eslováquia!

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Chegamos na Wien Hauptbahnhof por volta de 11h30 e compramos lá mesmo o ticket de ida e volta para Bratislava, que custou 16 euros por pessoa. Os trens partem de hora em hora e, uma vez que o nosso trem sairia somente 12h27, almoçamos no McDonald’s que fica do lado da estação. Esse bilhete de trem é do tipo open ticket, e é valido por 72h.

A viagem entre Vienna e Bratislava dura menos de 1h, e podemos observar no trajeto os amplos campos austríacos, bem como os famosos moinhos de vento. Ao chegarmos em Bratislava, decidimos caminhar pela cidade, embora tivessem nos explicado em Vienna que os nossos tickets de trem também nos permitiam usar o transporte público da capital da Eslováquia.

Caminhamos até o centro histórico de Bratislava, Staré mesto (Cidade Velha), e este percurso nos tomou cerca de 15min. Hviezdoslavovo námestie é a principal praça do centro antigo, e o Palácio dos Primados (Primaciálny palác) é uma belezinha. A Catedral de São Martin (Dom sv Martina) impressiona pela sua arquitetura, e ficamos andando por Hlavné námestie boa parte do tempo. Nós não subimos até o Castelo (Bratslavsky Hrad) por conta do meu pé doente: eram incontáveis degraus e a dificuldade que eu tenho para descer escadas acabou nos privando deste passeio. Mas é claro que este é o passeio mais recomendado de todos e, se você for a Bratislava e não tiver nenhum impedimento de saúde, por favor vá até lá e aproveite a visita por mim!!

Caminhamos, caminhamos, e caminhamos. Passamos pelo Old Town Hall, e também pelo Man at Work, uma estátua de ferro saindo de um bueiro. Parte do nosso percurso na cidade foi às margens do Rio Danúbio. Fizemos uma parada estratégica no shopping Eurovea a caminho da Opera House e do Teatro Nacional Eslovaco (Slovenské národné divadlo), e em seguida fomos até a Igreja de Santa Isabel, que fica em Kamenné námestie. Embora a gente tenha ficado menos de 10 minutos no shopping Eurovea, deu pra ver que ele é enorme e tem grandes lojas, o que pode ser uma boa opção para quem quiser fazer compras.

Como queríamos pegar o trem de volta pra Vienna às 16h37, começamos nossa caminhada de volta para a estação, admirando a cidade pelo caminho e felizes por termos tido a oportunidade de conhecer um pouquinho de mais uma capital do Leste Europeu num passeio de 3 horas!

Recomendamos fortemente esse passeio pra quem estiver em Vienna e não tiver muito tempo. Basta planejar direitinho que é possível fazer o dia render pra conhecer Bratislava! Vale destacar que enquanto a estação de trem de Vienna é muito bonita, bastante ampla e moderna, cheia de lojas e restaurantes, a estação de trem de Bratislava é bem simples, e tem apenas algumas minúsculas lanchonetes e uma pequenina lojinha de souvenires. Acho que este é o tipo de informação importante pra quem planeja essa viagem bate e volta num mesmo dia, já que não dá pra contar muito com uma grande estrutura na estação de Bratislava, que foi de fato a mais simples das estações por onde passamos nestas férias.

Viena, você é jóia!

Neste último mês, o ritmo dos posts aqui no blog foi meio lento, mas por uma boa causa: meus pais estavam aqui em Ierevan com a gente, e também recebemos a visita de 3 amigos muito queridos! Ainda há muito conteúdo pra postar e quero retomar o ritmo das postagens! Espero que vocês gostem do conteúdo que é preparado com muito carinho!

Chegamos em Viena no fim da tarde do dia 16 de junho, na estação de trem Wien Westbahnhof. Decidimos ir para o hotel de metrô, e lá mesmo adquirimos o ticket válido por 72h e que custava EUR7,20 por pessoa. Como já contei aqui, nosso hotel em Viena foi o Leonardo, que ficava super bem localizado, do ladinho da Mariahilfer Straße, a maior rua comercial da cidade.

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Como chegamos cansadinhos da viagem de trem, nada melhor do que aproveitar a localização do nosso hotel para jantarmos ali pertinho mesmo. Na rua Barnabitengasse, (uma rua perpendicular à Mariahilfer Straße, do lado da igreja Mariahilferkirche), encontramos 2 restaurantes que nos chamaram a atenção: o Lokal 1060 e o Der Grieche. Para esta primeira refeição, optamos pelo Lokal 1060, que se revelou ótima escolha: Felipe comeu um bom chili, que ele ama, e eu comi um ótimo schnitzel!

No nosso hotel, o café da manhã não estava incluído e custava EUR13 por pessoa. Nós achamos melhor aproveitar a proximidade de um McDonald’s pra tomarmos nosso café da manhã no McCafé, e gastamos menos de 8 euros pra nós dois.

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Nosso primeiro passeio foi tomar o metrô até o Vienna International Centre, porque eu sempre sonhei em ver de perto a sede da Agência Internacional de Energia Atômica. Fiquei emocionadíssima e já quero voltar pra Vienna pra poder fazer a visita guiada por todos os prédios da ONU que ficam lá!

 

De lá, voltamos para o centro da cidade e fomos até o Museu Albertina, que fica bem próximo do palácio de Hofburg, da Biblioteca Nacional Austríaca, e do Tesouro Imperial de Vienna. Ali pertinho também está o Museumsquartier, que abriga os museus de História Natural (Naturhistorisches), o Kunsthistorisches, o Zoom Kindermuseum (dedicado às crianças), entre outros.

 

Seguimos caminhando até o Rathausmann Kopie, o majestoso prédio do Parlamento austríaco. Ali pertinho decidimos tomar o metrô na estação Schottentor até a estação de Praterstern para conhecer o parque Prater, o mais antigo parque de diversões do mundo!

 

A entrada no parque é gratuita, enquanto cada atração tem um preço por pessoa, variando entre E1,50 e E5,00. A principal atração do parque é a famosa Wiener Riesenrad, uma enorme roda gigante construída em 1897. Além disso, para quem curte museus de cera, o parque Prater abriga um Madame Tussauds. Nós decidimos almoçar lá no Prater mesmo, no restaurante ao lado da roda gigante (que também chama Wiener Riesenrad Restaurant).

 

Nossos passeios continuaram, nos levando até o Schloß Schönbrunn, o palácio dos Habsburgo com seus belos jardins. A estação de metrô Schönbrunn (linha verde) oferece fácil acesso ao palácio. Estão disponíveis dois tipos de tours pelo palácio: o Imperial Tour e o Grand Tour. Infelizmente, quando chegamos ao palácio, todos os tickets do dia estavam esgotados, então fica a dica importante de reservar os ingressos com antecedência pelo site oficial! Esta impossibilidade de visitarmos o palácio não nos desanimou e aproveitamos para explorar com calma os enormes e belíssimos jardins que circundam o palácio. Aproveitei o fim da tarde para fazer algumas comprinhas na Mariahilfer Straße, inclusive a minha mochila FjällRaven Kanken amarela que já fez sucesso no instagram desde a primeira vez que apareceu. À noite, fomos jantar no Der Grieche, restaurante grego que ganhou nosso coração com uma comida deliciosa e farta.

 

No domingo, acordei cedo e fui à missa na Catedral de São Estéfano (Domkirche St. Stephan), que fica ao lado da estação de metrô Stephansplatz. É impossível não se impressionar com a majestosa construção com a qual nos deparamos ao subir as escadas do metrô! Por dentro, a Catedral também é belíssima, e tudo emociona. Decidimos aproveitar o dia para ir até Bratislava, mas este passeio merece um post exclusivo! Ao voltarmos pra Vienna, fomos encontrar os amigos Helena e Gustavo no agradável Palmenhaus, café/brasserie/bar que fica no Parque Burggarten, ao lado do Museu Albertina.

 

Se no sábado e no domingo Viena estava sob forte ventania, o que deixava o clima ameno e agradável, a segunda feira nos ofereceu um dia muito, muito, muito quente. Começamos o dia com um café da manhã no Starbucks mais próximo do hotel e fomos caminhando até o palácio Belvedere, parando pelo caminho para conhecer a Catedral em Karlsplatz (Vorplatz der Karlskirche) e o monumento aos heróis soviéticos na Schwarzenbergplatz. Dali, seguimos para o Museu da Guerra. Almoçamos no Café Salut, que fica no próprio Museu, e só aí desbravamos o acervo das guerras desde o século XIX.

 

Mais tarde, tomamos o caminho de volta pro hotel, aproveitando a tarde para fazer nossas últimas comprinhas na Mariahilfer Straße. Para o nosso último jantar em Vienna, o restaurante Mini foi uma excelente escolha: o menu oferecia opções incríveis, e eu comi um bacalhau suculento, tão delicioso que consigo até sentir o gosto dele só de pensar!

 

Na terça, acordamos cedo e tomamos o rumo do aeroporto usando o Uber. O aeroporto de Vienna fica a cerca de 40min do centro da cidade, então é importante programar-se para sair com antecedência. O Uber custou cerca de 40 euros; não é barato, mas considerando o conforto, eu sempre acho que vale a pena planejar este gasto. Este foi um dos bons aeroportos que conhecemos, oferecendo serviço completamente informatizado de check in e despacho de bagagem. Também foi fácil cumprir com os procedimentos de Tax Free, uma vez que estão disponíveis guichês de alfândega antes (para as bagagens despachadas) e depois (bagagem de mão) do controle de passaporte.