Gyumri: restaurante Cherkezi Dzor

No dia 13 de janeiro, fomos conhecer a cidade de Gyumri, que é a 2ª maior cidade da Armênia e fica a cerca de 130km do centro de Yerevan. A viagem entre as duas cidades leva cerca de 2h30. E, se em Yerevan apenas começou a nevar, Gyumri já está bem mais branquinha!

Depois de visitarmos o centro da cidade e conhecermos a linda catedral, fomos para o restaurante Cherkezi Dzor, que é uma fazenda de peixes onde podemos escolher na hora qual peixe comeremos!

Na hora em que escolhemos o peixe, um dos funcionários do restaurante pesca o eleito, pesa e leva pra cozinha. Pouco tempo depois, o peixe chega lindíssimo e inteiro à mesa, para nosso deleite em uma refeição maravilhosa. Como acompanhamento, escolhemos batatas típicas, arroz pilaf de cogumelos, picles, iogurte (matsoun) e muito pão fresco. De sobremesa, comemos gatah acompanhada de café armênio.

Em Gyumri, a neve já deixou a paisagem bem branquinha!

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Na volta para Yerevan, paramos na estrada pra registrar a paisagem bem branquinha da região montanhosa da Armênia.

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Ano passado, Yerevan estava coberta de neve nesta época mas, neste inverno, o frio está menos intenso e a neve também. Se no inverno do ano passado as temperaturas chegaram a -20ºC, este inverno tem sido bem mais ameno, com as mínimas em torno de -4ºC. Só ontem é que tivemos um pouco mais de neve na cidade, que acabou derretendo ao longo do dia!

Looks de viagem no inverno europeu

É inverno no Hemisfério Norte, e as temperaturas nesta época do ano são bem mais baixas por aqui do que os brasileiros costumam estar acostumados. Nós passamos 1 mês viajando pelo Reino Unido e Irlanda e, embora ainda fosse outono, as temperaturas estavam muito baixas – principalmente no interior da Inglaterra e na Irlanda do Norte! – o que exigia roupas de inverno.

Eu já contei sobre a minha mala de verão e desmistifiquei o glamour que vemos nas redes sociais dos globetrotters: não tem nada de errado a gente querer ficar bonito durante as férias, mas a praticidade e o conforto são fundamentais pra quem caminha pela cidade inteira e/ou anda de metrô e ônibus, e não tem orçamento pra táxis, ubers e/ou motoristas particulares o tempo todo.

E, se já fomos econômicos naquela mala de verão, conseguimos nos superar pra essa viagem invernal: despachamos uma única mala grande, e cada um tinha uma bagagem de mão, além da minha bolsa pessoal Longchamp que acomoda todas as nossas coisas que poderíamos precisar acessar com facilidade durante o vôo.

Dessa vez eu não fiz post sobre a organização da mala por um motivo simples: eu só levei 6 peças de roupas minhas na mala, além do meu pijama, underwear, e a bolsa tiracolo e a mochila Prada. Como eu tinha planejado comprar mais roupas de inverno na Uniqlo (eu não sou ninguém sem a linha Heattech deles), eu não levei nem roupa térmica, só a que já foi no corpo. Pra viajar, eu usei uma tshirt de manga comprida, a calça cinza da GAP, o casaco preto da Zara, um suéter da Stradivarius (que eu usei um monte mas acabou não aparecendo em nenhuma foto aqui), e a bota marrom da UGG, que foi o único sapato que eu levei: depois comprei em Londres mais uma bota e um tênis. Então não seria justo mostrar uma mala arrumada sem nada né?

Numa viagem de 28 dias, nós pegamos trem 2 vezes, avião 1 vez, e viajamos 2 trechos de carro, e sabíamos que não ficaríamos só em perímetros urbanos, o que pedia roupas confortáveis de verdade. Nos organizamos para lavarmos nossas roupas 4 vezes, e nós nos viramos muito bem com uma única mala pra nós dois, que não excedeu 20kg até chegarmos à Irlanda do Norte. Foi só mesmo na Irlanda, nos últimos dias das nossas férias, que precisamos reorganizar a bagagem por conta dos meus livros ilustrados do Harry Potter, que são pesadíssimos!

Acreditem: em algumas dessas fotos, eu estou usando 3 calças, uma por baixo da outra! Consequentemente, a saia da Le Lis Blanc acabou virando peso morto (ainda bem que ela é leve, mas mesmo assim eu detesto carregar peso morto em viagens). E, em viagens de inverno, não tem jeito: o que vai aparecer mesmo é o casaco. A menos que você esteja disposto a ter uma bagagem imensa, é melhor não exagerar: eu fui com um casaco e levei mais um na mala, e acabei comprando mais um da Uniqlo (e acabei achando 3 casacos demais, podia ter me virado bem só com o da Zara e o da Uniqlo). Por mais que todo dia eu trocasse de blusa/camisa e suéter (à disposição, eu tinha 6 camisas, 8 blusas de gola alta, e 3 suéteres), nenhuma delas apareceu nestas fotos! E por quê?! Porque a gente acaba tirando mais fotos ao ar livre e, no frio, não dá pra tirar o casaco!

Os acessórios são, sem dúvida, os melhores amigos pra mudar a cara dos looks de inverno – no dia a dia e em viagens. Eu adoro cachecóis, e aproveitei pra comprar mais alguns de cashmere na Uniqlo (a cashmere deles é ótima!), além do cachecol enorme de lã que o marido me deu no dia do meu aniversário. Acabei comprando também o gorro vinho e as earmuffs da Accessorize, e antes do meio da viagem eu aposentei a boina da Stradivarius porque ela não protegia minhas orelhas.

 

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casaco Zara, cachecol e meia calça Heattech Uniqlo, saia Le Lis Blanc, botas UGG
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casaco e cachecol Zara, calça de veludo Heattech Uniqlo, botas UGG
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casaco e cachecol Zara, bolsa Prada, calça Heattech Uniqlo, tênis Vans
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boina Stradivarius, casaco Zara, calça Heattech Uniqlo, botas UGG, bolsa Prada
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casaco e cachecol Zara, earmuffs Accessorize, calça GAP, botas UGG, bolsa Prada
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mochila Prada, earmuffs Accessorize, casaco Zara, cachecol e calça Heattech Uniqlo, tênis Vans
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cachecol, luvas e calça Heattech Uniqlo, earmuffs Accessorize, óculos Ray Ban, casaco Zara, mochila Prada
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earmuffs Accessorize, casaco Zara, cachecol e calça Uniqlo, mochila Prada, botas UGG
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gorro Aran Tradition, cachecol e casaco Uniqlo, calça John Lewis, bolsa Chanel, botas UGG
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gorro Aran Tradition, cachecol Edinburgh Woolen Mill, casaco Zara, calça John Lewis, mochila Prada
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gorro Aran Tradition, casaco e cachecol Zara, calça Uniqlo, botas UGG, mochila Prada
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earmuffs Accessorize, cachecol Edinburgh Woollen Mill, bolsa Prada, casaco Zara, luvas Uniqlo, calça GAP, botas UGG
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cachecol, blusa de gola alta e calça Heattech Uniqlo, casaco Zara, mochila Prada (embora não esteja na foto, eu estava com o tênis Vans nesse dia) – eu comprei várias cores dessa blusa de gola alta na Uniqlo e, embora não apareça nas outras fotos, foi praticamente o que eu usei durante a viagem!
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gorro Aran Tradition, cachecol Edinburgh Woollen Mill, casaco Zara, mochila Prada, calça GAP, botas UGG
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gorro Aran Tradition, cachecol Edinburgh Woollen Mill, casaco Zara, calça Uniqlo, mochila Prada, botas UGG

 

*esse post foi publicado originalmente no leticiatostes.com mas, como é um tema útil principalmente para viajantes, achei importante postar aqui também!

International Slavery Museum em Liverpool

O International Slavery Museum fica no 3º andar do bloco D do Albert Dock, que também abriga o Merseyside Maritime Museum. Embora eu já tenha feito um post sobre o Merseyside Maritime Museum aqui e ambos ocupem o mesmo prédio, achei que o International Slavery Museum  merecia um post só pra ele, já que museu proporciona uma experiência bem forte e comovente aos seus visitantes, de um assunto muito diferente das questões marítimas.

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O International Slavery Museum foi inaugurado em 23 de agosto de 2007, que é o Dia Internacional em Memória das Vítimas da Escravidão, no mesmo ano em que marcou o 200º aniversário da abolição da escravidão na Grã-Bretanha, e o aniversário de 800 anos da cidade de Liverpool.

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No acervo, algemas e objetos que eram usados para torturar os escravos, peças de roupas e objetos de argila/cerâmica, moedas de ouro e obras de arte que retratam o período da escravidão. Também é possível ver depoimentos em vídeo, gravados para serem exibidos no museu, que tornam a experiência ainda mais forte. Além disso, um acervo musical com mais de 300 músicas de diversos gêneros que foram influenciados pela música africana, como o jazz e o blues, e também a batida local de Liverpool, conhecida como Mersey Beat.

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O museu é dividido em três galerias principais: a vida no oeste da África (Life in West Africa), que explora a história e a cultura africana e dos seus povos; escravidão e a “passagem do meio” (Enslavement and the Middle Passage – “passagem do meio” refere-se ao estágio do comércio triangular em que milhões de africanos eram enviados ao “novo mundo” como parte do comércio de escravos no Atlântico), que revela um pouco da brutalidade a que os escravos africanos eram submetidos e aos traumas que sofriam nas viagens pelo Oceano Atlântico, e a opressão em que se encontravam nas plantations do continente americano; e Legado (Legacy), que destaca a contínua luta por liberdade e igualdade, o impacto contemporâneo da escravidão transatlântica (como racismo e discriminação), e as conquistas da diáspora africana.

Foi um dos museus mais impactantes que já visitei, e confesso que saí de lá muito abalada, pensando ainda mais na maldade humana que permitiu um absurdo como a escravidão e o comércio de escravos, e que é inaceitável que ainda hoje existam pessoas em situação de escravidão no mundo.

Eu ainda tô devendo um post por aqui sobre o mês que passei na África entre 2012 e 2013, visitando o Zimbábue, Botsuana e a África do Sul, e que me fez me apaixonar perdidamente pelo continente africano, e a visita ao International Slavery Museum me lembrou muito das coisas que eu vi e vivi naqueles 3 países; embora tenha sido uma visita curta, foi o suficiente pra África nunca mais sair de mim.

Merseyside Maritime Museum em Liverpool

Liverpool é uma cidade adorável! Há muito tempo eu tinha vontade de conhecer a cidade dos Beatles, e foi muito bom poder passar alguns dias por lá com o marido. Já contei aqui sobre o nosso dia dedicado ao Fab4, e hoje quero contar um pouquinho sobre a nossa visita ao Merseyside Maritime Museum, que também fica no Albert Dock!

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âncora do HMS Conway, recuperada em 1968 e doada ao museu

A entrada no Merseyside Maritime Museum é gratuita, e inclui acesso à exposição Titanic and Liverpool: the untold story (não é permitido fotografar a exposição) e também ao International Slavery Museum, que fica no 3º andar do mesmo prédio.

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O museu tem um acervo muito interessante, e o destaque fica para a exibição permanente Lusitania: life, loss and legacy. O naufrágio do Lusitania foi um dos piores incidentes ocorridos durante a Primeira Guerra Mundial: No começo de 1915, o governo alemão declarou que todos os navios Aliados estariam em perigo de ataque em águas britânicas. O Lusitania era um navio de passageiros que saiu de Nova Iorque no dia 01 de maio de 1915 com 1962 pessoas à bordo e, em 07 de maio de 1915, às 14h10, quando estava próximo do sul da Irlanda, foi atingido por um torpedo do submarino alemão U-20. O Lusitania naufragou em menos de 20 minutos, e 1191 pessoas morreram. Podemos ver alguns objetos recuperados do navio, e até mesmo a reconstrução de algumas cabines com móveis encontrados entre os restos do navio.

O museu também expõe muitas obras de arte relacionadas ao mar, desde pinturas à modelos em escala dos navios, bem como alguns desenhos caricatos. Podemos ver também uniformes de marujos, a origem do casaco peacoat, e até um colete salva vidas recuperado do Titanic. Outra coisa interessante do museu é que há uma seção inteira dedicada ao universo LGBT, reconhecendo a homossexualidade de muitos marinheiros ao longo da história e destacando a importância e participação deles no desenvolvimento da marinha.

A abertura do Merseyside Maritime Museum abriu caminho para a revitalização da área do Albert Dock. Sua inauguração aconteceu em 1980 mas, em 1986, o museu foi realocado para o bloco D do Albert Dock Building, aonde está até hoje. O píer é hoje uma das principais atrações turísticas de Liverpool, com excelentes bares e restaurantes, além de alguns hotéis, dos museus (Merseyside Maritime Museum, Tate Liverpool, International Slavery Museum) e The Beatles Story.

Por que os armênios celebram o Natal em janeiro?

Desde que cheguei na Armênia, o aprendizado tem sido diário, e me surpreendo constantemente com a cultura local e as bases sólidas por trás de tudo o que há de tradicional no país. E não poderia ser diferente quanto ao Natal que, na Armênia,  é celebrado no dia 6 de janeiro!

É claro que a curiosidade surge: se a Armênia observa o calendário gregoriano, por que os armênios comemoram o Natal no dia 6 de janeiro?

Os armênios constituem um povo de muita fé, com algumas peculiaridades e diferenças em relação à Igreja Católica Apostólica Romana. Para a Igreja Apostólica Armênia, a escolha do dia 6 de janeiro para celebrar o nascimento de Cristo está pautada na argumentação de que não se sabe ao certo qual o dia Jesus nasceu e que, de acordo com as tradições muito antigas da igreja, vários eventos aconteciam para comemorar a Incarnação de Deus. Estas festas não eram chamadas de Natal, e sim de Teofania, que significa “revelação de Deus”.

No calendário Gregoriano, há 2 datas que observam e celebram o nascimento de Cristo: 25 de dezembro e 6 de janeiro. No antigo calendário Juliano, estas datas equivalem aos dias 7 e 19 de janeiro. O dia 25 de dezembro do calendário Gregoriano é o dia 7 de janeiro do calendário Juliano, e o dia 6 de janeiro do calendário Gregoriano é o dia 19 de janeiro do calendário Juliano. De todo modo, a Epifania do Batismo de Jesus é celebrada 12 dias após o Natal, período dedicado pela Igreja ao aprofundamento, contemplação e assimilação do Mistério da Encarnação do Filho de Deus.

Os armênios observam o calendário Gregoriano, exceto aqueles que moram em Jerusalém. Celebrar o Natal no dia 6 de janeiro é uma opção da Igreja Armênia que comemora tanto o nascimento quanto o batismo de Jesus no mesmo dia, quando todos os principais eventos relacionados à Teofania são relembrados, desde a revelação de Jesus como o Filho de Deus, o Verbo Encarnado, o Príncipe da Paz e Rei dos Céus. Portanto, esta celebração abrange desde a Natividade de Cristo em Belém, a visita e a visão dos Reis Magos que foram testemunhar o nascimento de Cristo como revelação Divina, a narrativa da infância de Jesus (a fuga para o Egito, a apresentação no Templo, a circuncisão de Cristo) e a Epifania ou o Batismo no Rio Jordão, onde é inaugurada a redenção do Povo de Deus pela abertura dos céus, a revelação de Deus por meio do Espírito Santo na forma de uma pomba, e a Voz de Deus Pai proclamando que Aquele era o Seu Filho muito amado.

A Teofania (ou Epifania) era celebrada em 6 de janeiro até o século V, quando o Concílio de Calcedônia (451 d.C.) declarou formalmente que o dia 25 de dezembro comemoraria o nascimento de Jesus Cristo, separando a natividade do batismo pelos 12 dias de Natal. A Igreja, sob a liderança do Papa Libério, marcou, desde o século IV, o “Dies Natalis” ou “Natalis Domini” no dia 25 de dezembro.

Embora sejam muitas as teorias sobre os motivos para os 4 Concílios Ecumênicos de Niceia, Éfeso, Calcedônia e Constantinopla terem decidido mudar a celebração da Natividade para o dia 25 de dezembro, acredita-se em geral que a data foi modificada para suprimir as festas e práticas pagãs que celebravam o solstício de inverno, porque, naquele tempo, os cristãos também observavam as festas pagãs. Os pagãos chamavam esta celebração do solstício de inverno de Saturnália, honrando o deus pagão Saturno, com uma festa que durava desde o dia 17 de dezembro até o dia 25, cultivando com o nascimento do sol invencível (Dies natalis invicti solis), na medida em que os dias começavam a ficar mais longos, porque, entre os pagãos, acreditava-se que o sol que morria durante o solstício de inverno renascia em seguida. A Igreja Católica quis ressaltar que a verdadeira luz que ilumina a humanidade é Cristo, e é a celebração do Seu nascimento é a solenidade própria que afirma a fé autêntica no mistério da Encarnação do Verbo, afastando os fiéis da prática de festas idolátricas.

Uma vez que a data da Epifania ou Batismo era mais antiga, e tinha importância litúrgica primordial, não podia-se modificá-la, ao passo que uma adição da data para celebrar exclusivamente a Natividade poderia ser feita sem grandes problemas. A origem da palavra Natal também é discutida, e há quem acredite que a palavra derivou da tradição pagã de celebrar o “Noio hel“, que significa Novo Sol. A árvore, que antes era adorada como símbolo de vida, passou a ser associada também à celebração cristã.

Entretanto, na Armênia, cujo Cristianismo tem origem nos antigos Apóstolos, não se adotou esta mudança pelo simples fato de que não mais existiam tais práticas pagãs na Armênia no século V, o que permitia que eles se mantivessem fiéis às tradições dos seus antepassados.

É por isso que, até hoje, os armênios celebram a Natividade no dia 6 de janeiro, junto da Epifania. Segundo a tradição, há uma benção das águas, com a imersão de uma cruz na água como sinal do Mistério Salvífico de Deus por meio da vida de Cristo, do útero à tumba. A água benta é, então, oferecida a todos como sinal da manifestação Divina nas águas gloriosas do rio Jordão, o local onde Jesus Cristo foi revelado como Salvador da Humanidade, trazendo nova vida para todos que n’Ele creem.

*este meu texto foi originalmente publicado no blog Brasileiras pelo Mundo.