Banff, nossa última parada nas Canadian Rockies

Depois da experiência ligeiramente frustrante em Lake Louise, acordamos no dia seguinte para partir rumo a Banff. O ônibus nos buscaria no Lake Louise Inn às 10h, e a viagem deveria durar 1h30.

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Chegamos ao Banff Caribou Lodge e nossos quartos não estavam prontos. Isso não seria um problema, se não fosse a falta de educação e falta de preparo dos funcionários do hotel para lidar com os hóspedes. Além de muito rudes, mesmo informando que os quartos só ficariam prontos às 16h, relutaram em guardar nossa bagagem para que pudéssemos sair do hotel e não queriam nos dar o bilhete de transporte público a que tínhamos direito. Não consigo entender como eles queriam que nós ficássemos plantados na recepção por 4h30 tomando conta das nossas malas, ou então caminhando pela cidade carregando nossa bagagem.

Depois de difícil negociação, conseguimos guardar nossas malas no bagageiro do hotel e sair pra explorar a cidade. Percebemos, então, que estávamos razoavelmente longe do centro de facto, e o que pode até ser uma caminhada agradável em temperaturas mais amenas, no frio era um lamento. Estávamos a mais de 5 blocos do centro, e não eram quarteirões pequenos; cada um deles abrigava 2 ou 3 hotéis grandes.

Chegando ao centro, conseguimos almoçar, inclusive fizemos uma refeição bem gostosa. Andamos um pouco pelo centro, o tanto quanto o cansaço X frio nos permitiu, e quando passou das 15h nós voltamos (de novo, andando) para o hotel. Ao chegarmos, fomos informados que nosso quarto deveria ficar pronto depois das 16h30 – ou seja, um atraso de meia hora do horário oficial de check in.

Quando finalmente conseguimos fazer o check in e subir pro quarto, encontramos instalações muito velhas e não muito limpas. Eu definitivamente não recomendo esse hotel que, além de tudo isso, tem um café da manhã caríssimo (25 dólares canadenses por adulto) para um buffet apenas razoável, em que é ainda proposto pagar gorjeta(!!!) porque simplesmente serviram suco e café na mesa.

Banff é o principal resort de ski do Canadá, e embora a cidade seja linda e muito simpática, nossa experiência foi manchada por esse hotel ruim com funcionários desagradáveis.

Movimentos migratórios da Armênia

A Armênia não é um país tipicamente procurado por migrantes. O baixo custo de vida por aqui se dá, principalmente, porque os salários são muito baixos; consequentemente, não há um grande movimento migratório para a Armênia. Na verdade, os armênios buscam constantemente imigrar em outros países, aumentando cada vez mais a diáspora armênia.

O processo migratório é um dos indicadores mais importantes da situação de um país, e a questão migratória tem sido constantemente politizada no mundo; na Armênia, isto não é diferente. A razão para que os armênios busquem a migração para outros países refere-se em larga escala aos problemas sociais e econômicos, principalmente os salários muito baixos. Há muitos armênios na Rússia, por exemplo, que enviam dinheiro a partir deste país; nos últimos anos, a situação econômica da Rússia se tornou mais complicada, e isso pode ter tido um impacto negativo na Armênia.

O fluxo migratório dos cidadãos da Armênia se divide em duas categorias principais. O primeiro problema refere-se aos armênios que saem do país e não retornam, e o segundo problema refere-se às migrações temporárias ou migrações trabalhistas, que respondem por 40% a 45% do total migratório anual.

Entretanto, no ano de 2018, notou-se uma mudança significativa neste quadro, com um grande movimento de indianos migrando para a Armênia, bem como refugiados vindos do Azerbaijão (país com o qual a Armênia não mantém relações diplomáticas, sendo fechada a fronteira entre os dois países).

Segundo o Chefe do State Migration Service of Armenia, Armen Ghazaryan, 21.061 cidadãos indianos entraram na Armênia entre janeiro e setembro de 2018, e 18.095 destes cidadãos indianos partiram da Armênia no mesmo ano. Dos 2.966 cidadãos indianos que vieram para a Armênia em 2018, 2.000 receberam o status de residentes, principalmente por buscarem formação educacional neste país.

De acordo com Armen Ghazaryan, este crescimento é notável porque, em 2016, 1.086 cidadãos indianos receberam status de residentes, e no ano seguinte 938 indianos receberam este mesmo status. Mas o chefe dos serviços migratórios notou que há grandes preocupações neste sentido, principalmente quanto ao impacto que isto pode ter no mercado de trabalho armênio, quanto às regras existentes para a chegada e partida de cidadãos indianos do país, quais regras precisam ser revistas neste sentido, e qual é a regulamentação existente quanto aos serviços de saúde. Este movimento migratório também já tem incitado algumas manifestações com características xenófobas, ainda que de maneira fraca e isolada; pode-se dizer que isto é resultado da preocupação dos nacionais armênios que, impossibilitados de migrar, veem suas vagas no mercado de trabalho ameaçadas num cenário que por si só já não seria muito promissor.

No começo de 2017, 191.000 imigrantes viviam na Armênia, o que correspondia a 6,5% da população total do país, e isto era uma surpresa até mesmo para os armênios, muito mais habituados ao movimento inverso. A crise econômica da década de 1990 fez com que um número substancial de armênios deixasse sua terra natal: os registros mostram que mais de 750.000 deixaram o país nos anos 90. Nos últimos 20 anos, 1.200.000 pessoas deixaram o país, o que corresponde a mais de um terço da população da Armênia. É justamente porque há um grande problema de empregabilidade na Armênia que há tamanha preocupação com o fluxo migratório de cidadãos indianos para o país.

A Armênia ainda é um país relativamente pobre, com uma elevada taxa de desemprego, onde esferas importantes da economia continuam em declínio; enquanto outros países do Cáucaso fortalecem suas economias a cada ano, a Armênia tem dificuldades em alcançar este mesmo sucesso. Este quadro pode mudar com o novo governo, sob administração do Primeiro Ministro Nikol Pashinyan, mas ainda é cedo para fazer um prognóstico do cenário. Por enquanto, nesta região, a Geórgia e até mesmo o Azerbaijão seriam, em teoria, países mais atrativos para migrantes quando avaliados os critérios e potencialidades econômicas.

Em 2018, a Armênia já tinha recebido cerca de 400.000 refugiados vindos do Azerbaijão em resultado do conflito em Nagorno-Karabakh, e o país continua recebendo refugiados vindos da Síria. No entanto, ainda há muitas questões a serem resolvidas quanto aos refugiados azeris em território armênio. Para Armen Ghazaryan, é importante que todos os refugiados sejam integrados na sociedade armênia de maneira definitiva, mas, muito mais do que lidar com a questão do status de residentes e cidadania armênia, é reconhecido que o principal problema, hoje, é oferecer moradia adequada a todos os refugiados.

Em situações normais (ou seja, para cidadãos que não são refugiados), aqueles que desejam tornar-se cidadãos armênios precisam atender a pelo menos um dos seguintes critérios: morar na Armênia por 3 anos ou mais, estar casado com um cidadão armênio por dois anos ou mais, realizar serviços excepcionais para a Armênia/na Armênia, ou ter comprovada origem armênia. A Lei de Status Legal de Cidadãos Estrangeiros na Armênia foi promulgada em 1994. A Lei que permite a cidadãos estrangeiros o recebimento do status de Residência Especial na Armênia estabelece que os cidadãos estrangeiros com ancestrais armênios terão este status de Residência Especial conferido pelo Presidente da Armênia, com validade de 10 anos, bem como aqueles indivíduos que contribuírem sobremaneira para a Armênia e também aqueles que promoverem atividades econômicas e culturais no país. Os sobreviventes do genocídio armênio recebem este status de Residência Especial por meio de um procedimento facilitado, e não precisam pagar pela taxa de inscrição. Este processo costuma levar entre 3 e 4 meses, mas pode demorar mais em casos específicos.

*texto de minha autoria originalmente publicado no site Brasileiras pelo Mundo

Um dia em Lake Louise

Depois da nossa super aventura caminhando sobre o Maligne Canyon, nós voltamos pra Jasper e dormimos mais uma noite por lá, acordando super cedo no dia seguinte (5 da manhã!) para seguir rumo a Lake Louise.

A viagem de ônibus, com duração prevista de 3h30, durou um pouco mais de 4h. De acordo com nosso motorista, o percurso pode durar até 7h, dependendo das condições climáticas. Percorremos a Icefield Parkway, passando pelo Crowfoot Glacier e pelos lagos Peyto e Bow.

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now that’s ice!

Ao chegarmos no nosso hotel em Lake Louise, tivemos que esperar um pouquinho até que nosso quarto estivesse pronto. Nós ficamos no Lake Louise Inn, que tem piscina coberta, 2 restaurantes (embora eles estivessem funcionando em horários alternados) e um café, mas eu não recomendo por vários motivos. Além de estarem precisando de uma reforma urgente, a equipe do hotel não foi nada gentil, nem solícita, nem prestativa. E o café da manhã de buffet era um roubo: quase 30 dólares canadenses por pessoa!!!

A programação deste dia era um passeio de sleigh ride na parte da tarde, e foi em Lake Louise que a programação da Canada by Design começou a ficar meio complicada e a nos dar um pouquinho de dor de cabeça. Este blog é muito honesto, e eu gosto de falar toda a verdade por aqui; quando é bom, eu elogio, mas quando é ruim eu também tenho a obrigação de contar pra vocês. Tendo trabalhado como guia, eu sei que muitas coisas fogem do controle da agência, principalmente no caso deles, que não tem uma equipe própria acompanhando os roteiros; a Canada by Design vende os roteiros e nós meio que vamos nos virando pelo caminho, por exemplo confirmando os passeios diretamente com cada operador.

Acontece que, diferente de Jasper ou mesmo Banff (nosso próximo destino), Lake Louise não tem muito o que fazer, muito menos a pé. Pegar táxi não é tarefa fácil, e os ônibus tem rotas estranhas – pelo menos, estranhas pra quem não está habituado. Foi um pouco difícil conseguirmos chegar até o Fairmont Château Lake Louise, onde fica o Brewster Stables Sleigh Ride, responsável pelo nosso passeio. Para conseguirmos chegar até o hotel, tivemos que pegar um táxi (que não era bem um táxi) que nos custou 20 dólares canadenses, e, porque a motorista ficou lerdando no caminho, nós quase chegamos atrasados.

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Tinha nos sido informado que, durante o passeio de sleigh ride, nós teríamos cobertores para ajudar a suportar o frio intenso, mas na verdade os bancos de couro do trenó eram muito frios e as cobertas (uma para ser dividida pelos passageiros de cada banco) eram daquelas tipo de avião, finas, que não resolvem muita coisa, e que ainda estavam bem sujinhas. Outra coisa frustrande foi o passeio não dar a volta no lago, nós fomos e voltamos pelo mesmo lado, então a paisagem foi a mesma. Imagina tudo isso no frio e com cheiro ruim dos cavalos? Eu fiquei meio brava, confesso.

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escultura da rainha de gelo (obviamente apelidada de Elsa) no Fairmont Château, que tinha acabado de promover um concurso de esculturas de gelo

Se algum dia você for para Lake Louise, eu tenho 2 dicas seríssimas: fique no Fairmont Château, e não perca tempo com esse passeio de trenó. De fato, o Fairmont Château é lindo por dentro e por fora (não conseguimos conhecer os quartos, é claro, mas demos umas voltas pelas áreas comuns do hotel), e eles oferecem várias atividades para os hóspedes que fazem a estadia em Lake Louise valer a pena, além de algumas opções de restaurantes e bares que agradam até os paladares mais exigentes.

Jasper: caminhando sobre o Maligne Canyon

Como eu comentei no post anterior, nós chegamos a Jasper de trem e fomos levados para o nosso hotel. Nossa acomodação era o The Crimson Jasper, bem pertinho do centro desse ski resort, o que facilitou para que caminhássemos pelo centrinho no dia em que chegamos. Ficamos muito felizes ao chegarmos no lodge e descobrir que nosso quarto já estava pronto (mesmo algumas horas antes do horário oficial de check in), o que nos permitiu tomar um banho decente e descansar por algumas horinhas antes de sair em busca de alimento.

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A grande atração de Jasper estava guardada para a tarde do dia seguinte: caminhar sobre o canyon congelado. Nós literalmente andamos sobre um canyon congelado, e eu nunca pensei que fosse falar isso na minha vida!

O transfer agendado nos buscou no hotel por volta das 13h, levando-nos, primeiro, para arrumar calçados adequados para caminhar sobre um canyon congelado. Era uma mistura de galocha mais quentinha com sapato de escalada, muito esquisito, mas funcionou. O calçado adequado é mesmo muito importante pra esse tipo de aventura, porque em alguns trechos da caminhada nossos pés ficavam submergidos no gelo. Aliás, a roupa adequada é toda muito importante, o nosso guia não deixava ninguém sair do hotel e entrar no ônibus sem luvas e gorros.

Nós, que já tínhamos enfrentado um inverno com -20C na Armênia, não fazíamos ideia do frio que estava nessa região do Canadá. Depois de quase congelar com o vento cortante de Winnipeg, onde ficamos por 24h de conexão entre Orlando e Vancouver, nós saímos em busca de casacos ainda mais quentes do que os que tínhamos levado; por sorte, conseguimos ir num outlet nas redondezas de Vancouver e achar casacos adequados para temperaturas até -30C. O casaco do Felipe era lindo, com certeza ele vai aproveitar muito pelos próximos invernos; o meu era rosa (tipo roupa da Barbie) e 3 tamanhos maior do que o meu tamanho normal, então logo que voltamos da viagem eu dei de presente para uma amiga armênia – mas lá ele me foi útil e me salvou do frio, e é isso que importa.

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Voltando ao passeio no Maligne Canyon: eu nunca vi tanta neve e tanto gelo na minha vida. Embora seja um passeio razoavelmente tranquilo (no nosso grupo tinha gente de todas as idades), não é recomendável fazê-lo sem um guia. Nosso passeio foi operado pela Sundog Tours e o nosso guia sabia tudo e era cheio das manhas pra andar em cima do gelo. Quando eu comentei com ele que tinha um problema crônico no tornozelo, ele foi super atencioso, tinha o maior cuidado comigo ao longo do percurso, e comemorou comigo e com o marido ao final do passeio por eu ter conseguido fazer a trilha completa, que tem cerca de 3,5km.

O Maligne Canyon é o canyon mais profundo do Jasper National Park, e nós passamos por entre cachoeiras congeladas, dentro de cavernas de gelo, e vimos de perto formações de gelo incríveis. Eu estava me sentindo meio Elsa, meio Anna, meio Kristoff. Embora meus dedinhos do pé tenham ficado ligeiramente congelados (eu sinto frio demais no pé), foi um dos dias mais incríveis de toda a minha vida!

Rumo às Canadian Rockies: no trem de Vancouver para Jasper

Um dos trechos para o qual estávamos mais animados na nossa viagem pro Canadá começou com uma viagem de trem entre Vancouver e Jasper. O percurso, que teoricamente demoraria 14h, acabou levando quase 20h por conta das condições climáticas. Era muita neve, minha gente!

Mas vamos começar do começo.

Essa viagem de trem faz parte de um pacote que fechamos com a Canada by Design. É claro que é possível comprar a passagem de trem de maneira independente mas nós optamos pelo intermédio da agência por um motivo determinante: quando nós decidimos que queríamos ir pras Canadian Rockies, os trens das datas possíveis já estavam lotados; foi graças ao auxílio da Point Travel que nós soubemos que poderíamos comprar pacotes que incluiam o trecho de trem por intermédio dessa agência, que tem bloqueio de cabines do trem.

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Nós optamos pelo pacote “superior grade”, que nos dava direito a uma cabine privativa no trem e acesso ao lounge (com bebidas, snacks e jornais) na estação de trem de Vancouver. A cabine privativa era pequena, mas razoavelmente confortável, principalmente porque seguimos a recomendação de despachar as bagagens maiores e levar somente as mochilas conosco pra dentro da cabine. Nela, tínhamos uma pequena pia e um toalete, mas não chuveiro; nesta classe de viagem, havia um chuveiro compartilhado para cada 5 cabines. Somente os passageiros da primeira classe dispunham de banheiros privativos em suas respectivas cabines. Quando nós estávamos planejando a viagem e vimos as opções de pacotes, não achamos que compensava a diferença de preço para ter um banheiro completo privativo e, de fato, não fez falta pra uma única noite de viagem. Eram fornecidos kit de amenidades e toalhas.

Embora tivesse tomadas suficientes na cabine, o trem tinha um problema substancial: nada de Wi-Fi. Além de não ter Wi-Fi, a conexão móvel parou no meio da noite e nós só fomos recuperar o sinal já chegando em Jasper. Quando embarcamos no trem, encontramos a cabine com 2 poltronas. À noite, quando voltamos do jantar, as poltronas deram lugar à 2 camas, do tipo beliche, com direito à luz de cabeceira. As camas eram surpreendentemente confortáveis: marido dormiu super bem; eu sou chata pra dormir, e o balanço e barulho do trem me atrapalharam muito.

Estavam incluídas três refeições: almoço (que foi servido logo após o embarque) jantar e café da manhã. Para almoço e jantar, era preciso escolher entre 2 horários disponíveis, e nós escolhemos a 2a chamada; o café da manhã era servido de acordo com ordem de chegada, das 06:30 até 08:30. A falta de sinal no trem QUASE nos fez perder o café da manhã.

Mas Letícia, você não disse que quase não dormiu? 

Pois é, minha gente. Acontece que eu fui conseguir dormir JUSTAMENTE quase de manhã, porque o trem ficou empacado na neve (hihihi). Ao ficar empacado na neve, o que mais me atrapalhava a dormir (movimento/barulho do trem) acabou, e eu finalmente consegui dormir um tiquinho. Eu tinha colocado o despertador pras 08h, só que Jasper estava num fuso horário diferente do de Vancouver!!!! Com a falta de sinal, o celular não atualizou o horário e eu já tava achando que tínhamos perdido o café da manhã!! Logo eu, que sou faminta/alucinada por café da manhã.

Pra nossa sorte (obrigada, Deus), por conta do trem ter ficado empacado na neve, o serviço de café da manhã teve seu horário prorrogado, e nós conseguimos comer. Depois de terminarmos, ainda demorou mais umas 2 horas pra conseguirmos chegar até Jasper – tudo por conta da neve. Gentes, era muita neve mesmo.

Além das janelas de cada cabine, o trem tinha algumas cabines panorâmicas no segundo andar, e durante o percurso pudemos admirar o Canyon Fraser, as montanhas costeiras, o Rio Fraser, e até o Hell’s Gate. Também passamos pelo Mt. Robson e pelo Lago Moose pouco antes de chegarmos em Jasper – a esta altura, a vista não era muito clara por conta da quantidade de neve.

Esse percurso de trem foi inesquecível. Foi muito interessante, embora devo confessar que também tenha sido cansativo. Ao chegarmos em Jasper, fomos levados para o nosso lodge, onde passaríamos 2 noites – mas esta história eu deixo pro próximo post!

Capilano Suspension Bridge Park: aventura nas alturas

Se teve uma coisa que me encantou de verdade na nossa passagem pelo Canadá, e mais especificamente por Vancouver neste caso, foi a relação dos locais com a natureza: eles valorizam muito estar ao ar livre, seja correndo, fazendo trilhas ou simplesmente curtindo um sol na grama!

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Localizado a cerca de 10min do centro de Vancouver, o Capilano Suspension Bridge Park é um destes lugares para aproveitar a natureza e se aventurar um pouquinho cruzando as pontes suspensas entre árvores e sobre rios.

Nem preciso dizer que é um lugar lindíssimo. É um passeio muito legal pra fazer com a família, acho que crianças devem curtir demais a ideia de cruzar pontes suspensas por entre árvores em um ambiente altamente controlado.

O acesso ao Capilano Suspension Bridge Park é mais fácil de carro, mas eles disponibilizam um ônibus que faz shuttle entre o centro de Vancouver e o parque em alguns horários ao longo do dia. É importante conferir estes horários para que você não passe muito tempo esperando.

O ingresso eu confesso que achei meio caro: $53,95 dólares canadenses por adulto. Por sua vez, crianças de até 6 anos não pagam. Todas as informações sobre ingressos, shuttle e horário de funcionamento podem ser encontrados aqui.

Granville Island, uma ilha no meio de Vancouver

Um dos passeios mais agradáeis que fizemos em Vancouver foi, certamente, para a Granville Island. Com fácil acesso de balsas que partem de diversos pontos da terra firme, Granville Island é um verdadeiro refúgio no meio da cidade grande.

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Contando com diversas lojinhas que oferecem os mais diversos produtos, desde pequenos souvenires até jogos de tabuleiro, um grande mercado municipal e vários restaurantes e quiosques cheios de delícias, Granville Island ainda tem um charme a mais por conta dos pelicanos que voam livres por ali.

Os restaurantes de Granville Island tem preços muito bons e a qualidade da comida é excelente. Um ticket de ida e volta de balsa custa cerca de 4 dólares canadenses por adulto, e partem em vários horários.

Fomos a um jogo de futebol em Vancouver

Vocês que me acompanham por aqui já devem ter compreendido que eu e o marido somos adeptos de rolês não muito convencionais nas nossas viagens, o que acaba rendendo boas aventuras e memórias únicas. Na nossa passagem por Vancouver não foi diferente: nós acabamos indo a um jogo de futebol do Vancouver Whitecaps FC!

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futebol? eu entendi quadribol! hihihihi

O jogo aconteceu num sábado a tarde no grandioso e moderno estádio BC Place, que fica no centro da cidade e tem fácil acesso para os torcedores. O BC Place é o maior estádio com teto inflável do mundo, sendo um estádio multiesportivo, e o primeiro estádio completamente fechado do Canadá, tornando possível a realização dos mais diversos eventos mesmo sob condições climáticas adversas.

Uma das coisas que eu achei mais impressionantes no BC Place foi o serviço disponível para compra de snacks e bebidas: em algumas seções do estádio, é possível fazer o pedido direto do celular! Eles disponibilizam um aplicativo e, a partir da leitura do QR Code disponível no assento de cada espectador, pode-se fazer o pedido e pagar tudo pelo celular, com a comida/bebida sendo entregues no assento! Eu achei um troço de outro mundo, parabéns aos envolvidos.

 

Stanley Park, o maior parque de Vancouver

O enorme Stanley Park foi o primeiro parque a ser inaugurado em Vancouver, e hoje é também o maior da cidade, com 400 hectares de floresta natural da Costa Oeste e paisagens belíssimas. Pode-se fazer trilhas, descansar nas praias, observar a fauna local, e também conhecer importantes marcos históricos e culturais. O Stanley Park abriga o maior aquário do Canadá, e é uma experiência imperdível para as crianças.

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Outra atividade legal dentro do Stanley Park é andar no trem que cobre 2km do parque, num terreno devastado em 1962 pelo Typhoon Freda, a tempestade mais devastadora da história de Vancouver. Os passageiros da locomotiva podem ver de perto o motor vintage, com oportunidade de tirar fotos antes do início do circuito. A principal peça da coleção de velhas locomotivas da Stanley Park Railway é uma réplica do Canadian Pacific Railway Engine #374, que ficou famoso por puxar o primeiro trem transcontinental de passageiros na década de 1880.

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Ao longo do caminho, podemos ver de perto também algumas obras de arte e totens das “primeiras nações”. A primeira delas é o portal “People Amongst the People“, formado por três portais de cedro vermelho, que dá as boas vindas aos visitantes ao Brockton Point Visitor Centre e ao estilo tradicional dos povos das terras da Costa Salish. A forma dos portais representa ao estilo slant-roof tradicional da arquitetura da Costa Salish, mostrando a história e a vibrante cultura moderna do povo costeiro. Os portais foram construídos num período de três anos e instalados no Stanley Park em 2008, tendo sido criados pela artista Susan Point em colaboração com alguns centros de artes da região.

Por sua vez, os nove totens que ficam no Brockton Point são a atração turística mais visitada em toda a British Columbia. A coleção teve início no Lumberman’s Arch na década de 1920, quando o quadro administrativo do parque comprou quatro totens da Vancouver Island’s Alert Bay. Outros totens vieram de Haida Gwaii (Queen Charlotte Islands) e de Rivers Inlet, para celebrar o Jubileu de Ouro em 1936. No meio dos anos 1960, os totens foram transferidos para o atrativo e acessível Brockton Point.

O Skendans Mortuary Pole é uma réplica, uma vez que o original foi devolvido para sua casa em Haida Gwaii. No final dos anos 1980, os totens remanescentes foram enviados para vários museus com o intuito de preservá-los, e a administração do parque financiou o empréstimo de totens provisórios. O nono, e mais recente totem, esculpido por Robert Yelton (Squamish Nation) foi adicionado ao Brockton Point em 2009.

Depois da tempestade de vento de 2006 que devastou o Stanley Park, pequenos pedaços de madeira foram dados aos marceneiros e artesãos locais. 90 pedaços maiores de madeira ou troncos foram alocados nas Primeira Nações de Musqueam, Squamish e Tsleil-Waututh, cujo território tradicional é o Stanley Park, para serem usados na criação de canoas, vigas estruturais e em peças artísticas e cerimoniais. Representantes das três Primeiras Nações selecionaram suas peças de madeira favoritas. Uma destas peças foi um coto de abeto Douglas, que foi transformado em uma belíssima escultura de corvo, denominada “Raven: Spirit of Transformation“. Esta estátua, criada pelo artista nativo Richard Krentz, está em exibição na Miniature Railway Plaza do Stanley Park.

Refeições com personagens na Disney

Finalmente matei a saudade que tava me matando e voltei ao Walt Disney World depois de 4 anos e meio! Já expliquei tim tim por tim tim aqui como é que se faz pra marcar  Fastpass+ pelo My Disney Experience, e hoje quero contar um pouquinho sobre as experiências de fazer refeições nos restaurantes que oferecem encontros com os personagens da Disney.

A primeira coisa que precisa ser esclarecida sobre o “character dining” é que os personagens não vão sentar na sua mesa e comer com você, mas sim vão se aproximar para que todos que estão na mesa tenham oportunidade de tirar fotos e pegar autógrafos. Embora seja uma experiência cara (US$60 por adulto, US$35 por criança até 8 anos), é uma chance única de ver os personagens da Disney com roupinhas diferentes e criar memórias incríveis tirando fotos sem fila. Nestes preços, além do encontro com os personagens, estão incluídos o buffet ilimitado de comidas e fountain drinks (= refrigerantes, água filtrada). Água mineral e bebidas alcoólicas são pagas à parte, lembrando que somente maiores de 21 anos podem tomar bebidas alcóolicas e é necessário apresentar Passaporte.

Até esta minha última visita ao Walt Disney World, eu só tinha vivenciado a experiência de encontrar os personagens da Disney fora dos parques no ‘Ohana, que é o restaurante do Disney’s Polynesian Village Resort (um dos 3 hotéis de luxo do Walt Disney World Resort).

A Point Travel sempre agenda um brunch com os personagens para o penúltimo dia de viagem, logo antes de repetirmos o Magic Kingdom, no ‘Ohana. Eu amo o ‘Ohana, sempre me diverti muito lá, e a comida é deliciosa; eles oferecem um suco tropical divino! No ‘Ohana, os personagens que circulam pelas mesas são Lilo, Stitch, Mickey e Pluto. No mosaico de fotos acima, tem fotos de 4 das minhas passagens no ‘Ohana, com participação especial do chefinho Marcelo e da Tininha, minha mamãe postiça de quem eu era ajudante nos grupos da Point!

Como eu já tinha ido váááárias vezes ao ‘Ohana, desta vez eu marquei refeições com personagens em outros restaurantes que eu tinha vontade de conhecer: o Tusker House (dentro do parque Animal Kingdom) e o Chef Mickey’s (que fica no Disney’s Contemporary Resort).

Almocei no Tusker House, que oferece comidas inspiradas na culinária africana, no dia em que fui ao Disney’s Animal Kingdom, e eu agendei pelo My Disney Experience para fechar o Rivers of Light Dining Package. O Rivers of Light Dining Package nada mais é do que uma reserva antecipada do seu assento para assistir ao Rivers of Light, o show noturno do Animal Kingdom. Quando se está reservando, pode-se escolher o horário do show (no dia que eu fui no parque, tinha apresentação às 19h e às 20h30, e eu escolhi o das 19h). Tendo reservado o Dining Package com a assessoria da Point Travel, eu podia chegar no Rivers of Light um pouco mais em cima da hora sem me preocupar se eu conseguiria lugar ou não. Por conta disso, consegui assistir 2x ao Festival of the Lion King, que é meu show favorito da vida! No Tusker House, podemos encontrar Mickey, Pateta, Margarida e Pato Donald. Ao reservar o Dining Package, você receberá, durante a sua refeição, um ticket que dá direito à entrada especial no Rivers of Light.

O Chef Mickey’s foi a nossa última atividade em Orlando, já que eu reservei a refeição no jantar da véspera de partirmos para o Canadá. Eu sonhava em ir no Chef Mickey’s desde a primeira vez que fui pra Disney, quando passamos de Monorail por dentro do Disney’s Contemporary Resort a caminho do Magic Kingdom e eu vi o Mickey passando pelo restaurante com sua roupinha de cozinheiro, com direito a chapéu e tudo.

O Chef Mickey’s é um dos restaurantes mais concorridos para character dining e até hoje eu não acredito que consegui fazer uma reserva e realizar esse sonho (valeu Point Travel!)! Uma das razões pra ser tão concorrido é porque este é o único restaurante que tem 5 personagens rodando pelas mesas. Mickey, Minnie, Pluto, Pateta e Pato Donald encantam com suas dólmãs! E o buffet estava uma delícia, cheio de comidas Mickey shaped do jeitinho que eu gosto.

Vários outros restaurantes espalhados pelo Walt Disney World oferecem character dining, e para todos eles é altamente recomendável fazer reserva, já que costumam ficar lotados. Alguns exemplos: o 1900 Park Fare, no Disney’s Grand Floridian Resort & Spa, oferece encontros com Mary Poppins, Alice, Chapeleiro Maluco, Tigrão e Puff (eu sei que agora é Pooh mas eu me recuso! Pra mim será eternamente Ursinho Puff); dentro do Magic Kingdom, o Cinderella’s Royal Table garante a oportunidade de fotos com as princesas da Disney. Todas estas informações estão disponíveis no site da Disney, e você também pode contar com a assessoria da Point Travel para todas as etapas da sua viagem!

A ópera e a tradição musical armênia

A ópera é um gênero musical único, combinando música, poesia, e diversas artes cênicas (habilidades teatrais, pinturas etc). Ao reunir os trabalhos dramáticos e musicais, a ópera foi pautada na síntese da palavra, das representações teatrais e da música. No começo da sua história, o balé também teve importância fundamental nas performances musicais deste gênero. “Eurídice”, a primeira ópera preservada, foi escrita em 1600 pelo compositor italiano Jacopo Peri e estreou em Florença em 06 de outubro daquele ano, no Palazzo Pitti, tendo sido criada em homenagem ao matrimônio entre Henrique IV da França e Maria de Médici.

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A ópera tem um papel importante na história da música clássica armênia. A música armênia tem intrínseca relação com a arte do canto, com seus primeiros registros datando da Idade Média, quando o sistema nacional de gravações foi criado. Os trabalhos eram pautados em khazes. Um khaz é um tipo de neuma (elemento básico do sistema de notação musical, antes da invenção da notação de pautas de cinco linhas), que é um signo especial e usado desde o século VII. A notação musical surgiu, primeiro, com a função de auxiliar quem cantava a recordar-se, e somente muito tempo depois tornou-se algo preciso. O khaz e a música armênia se unem no sistema escrito com a tradição oral. A nova notação armênia surgiu no começo do século XIX e, ao mesmo tempo, exemplos da música folclórica e sagrada começavam a ser gravados.

A música da Armênia tem suas origens nas montanhas, onde as pessoas tradicionalmente entoavam músicas folclóricas. A música folclórica armênia, bem como a música gospel tradicional armênia, não se baseia no sistema europeu tonal, mas no sistema de Tetracordes, em que a última nota de uma tetracorde também serve como a primeira nota da próxima tetracorde. Hoje em dia, o termo tetracorde é usado para qualquer segmento de escala ou série tonal de quatro notas. Por conta desse tipo de segmento de escala ou série tonal, muitas músicas folclóricas armênias são construídas em cima de uma escala teoricamente infinita.

A Armênia tem uma longa tradição musical, primeiramente estudada, coletada e desenvolvida por Komitas, um proeminente padre e musicista (compositor, regente de coral e cantor), no final do século XIX e início do século XX. Komitas nasceu em 26 de setembro de 1869 e morreu em 22 de outubro de 1935, depois de ser uma das vítimas do genocídio armênio, sendo considerado um dos seus principais mártires. Por conta da sua dedicação aos estudos musicais, Komitas é considerado o fundador da Escola Nacional Armênia de Música, e é reconhecido como um dos pioneiros da etnomusicologia.

A música armênia clássica, os gêneros de coral e músicas solo começaram a se desenvolver a partir da segunda metade do século XIX. A criação da primeira ópera armênia, “Arshak II“, em 1868, por Tigran Chukhadzhyan, tem considerável importância histórica, e um cartão-postal comemorativo foi impresso e veiculado em Yerevan em 19 de julho de 2018. A ópera “Anush”, de 1912, escrita por Armen Tigranyan, inaugura uma nova tendência estilística no teatro musical armênio. Por sua vez, a ópera “Almast”, de 1923, escrita por Alexander Spendiarov, foi apresentada pela primeira vez no Teatro Bolshoi de Moscou em 1930. Os balés armênios “Gayane”, de 1942, e “Spartacus”, de 1956, compostos por Aram Khachaturian, ocupam um lugar especial nos clássicos mundiais. Aram Khachaturian é homenageado em Yerevan ao emprestar seu nome ao principal salão de concertos da capital da Armênia.

Na sua tradição musical, a Armênia tem até mesmo seu instrumento genuíno: o duduk, que aos olhos dos desavisados parece uma flauta, mas produz um som diferente e muito potente (principalmente se considerarmos seu tamanho pequeno) por conta da sua construção de único cilindro. O duduk pode ser encontrado, com variações, em outras regiões do Cáucaso e também no Oriente Médio. Este instrumento é comumente tocado em duplas: enquanto um músico toca as melodias, o outro instrumentista toca o dum, um zumbido constante, e os dois duduks juntos criam um som mais rico. A UNESCO proclamou o duduk armênio e sua música como Obra Prima do Patrimônio Imaterial da Humanidade em 2005, tornando o título oficial no ano de 2008. O duduk já foi utilizado, inclusive, na trilha sonora de filmes, entre eles o filme de grande sucesso “Gladiador” (dirigido por Ridley Scott e com Russell Crowe no papel principal).

Em 20 de janeiro de 1933, a cortina da Yerevan Opera House se ergueu pela primeira vez. Idealizada por Alexander Tamanyan, o Teatro de Ópera e Balé é uma obra-prima arquitetônica, que recebeu diversos prêmios pelo mundo, inclusive o prêmio principal da exibição internacional de Paris em 1937. Ao longo de muitas décadas de história, a Ópera de Yerevan recebeu e continua recebendo estrelas internacionais da ópera, companhias de balé de prestígio e músicos reconhecidos no mundo inteiro, que se apresentam orgulhosamente no palco do principal teatro armênio. A música armênia foi apresentada internacionalmente principalmente pelos compositores Aram Khachaturian, Alexander Arutiunian, Arno Babadjanian, Karen Kavaleryan. Além destes artistas clássicos, músicos populares divulgam a tradição da música armênia, entre eles Djivan Gasparian (que faz sucesso pelo mundo apresentando-se com o duduk), a instrumentista e compositora Ara Gevorgyan, os cantores Sirusho e Eva Rivas, entre outros.

*texto de minha autoria originalmente publicado no site Brasileiras pelo Mundo