Um domingo em Interlaken

Uma das coisas que estamos tentando fazer semanalmente (ou quase) aqui na Suíça é aproveitar os domingos para dar passeios mais longos de carro, indo almoçar em alguma cidade fora de Berna. No domingo passado, fomos até Interlaken.

“Interlaken” significa, literalmente, “entre lagos”. A cidade recebe este nome porque fica entre os dois lagos de Brienz a leste e Thun a oeste. Interlaken é uma cidade conhecida e importante destino turístico da região montanhosa do cantão de Berna nos Alpes, e o principal hub de transporte para as montanhas e lagos da região.

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Interlaken é muito charmosa, com seu centro antigo preservado, e diversos restaurantes.  Vale notar que, aos domingos, tudo na Suíça está fechado, exceto restaurantes (embora alguns fechem também!) e o comércio dos aeroportos e estações de trem.

Um domingo em Barcelona

Era dia 22 de setembro, um belo domingo de sol, e nós estávamos em Barcelona para encontrar minha cunhada e minha sogra. Infelizmente, por conta da agenda apertada de trabalho, nós só tivemos o domingo pra conhecer a capital cosmopolita da região da Catalunha, mas nós tentamos aproveitar ao máximo em família!

Começamos o dia na Sagrada Família, passamos pela Casa Gaudí e pelo Monumento a Cristóvão Colombo, andamos pela orla e também por ruas desconhecidas, terminando nossos passeios no Arco do Triunfo.

Este nosso dia de caminhada nos revelou que Barcelona é uma cidade bem fácil de explorar a pé, e nós queremos voltar em breve com mais calma pra, por exemplo, poder ver a Sagrada Família por dentro, bem como a Casa Gaudí, e conhecer melhor a cidade e poder dividir as dicas aqui com vocês!

Comprando carro em Berna

Nessa vida diplomática itinerante, comprar carro pode ser o céu ou o inferno. Há lugares em que é impossível não ter carro, enquanto há outros em que é impossível tê-lo. Há lugares em que não tê-lo pode ser razão de arrependimento. Há lugares em que os custos altíssimos de ter um carro são tão altos que não compensam as vantagens. Estas questões representam um pouco do que passa na nossa cabeça antes de considerar comprar um carro que durará um período curto de tempo conosco.

Na Armênia, nós optamos por não ter carro como resultado de diversos fatores: quando nós chegamos, as ruas estavam cobertas de neve, o que já nos assustou de cara; táxi lá era muito barato (já contei aqui que custava 4 dólares ir pro aeroporto, que ficava a 15km do nosso apartamento lá); a gente conseguia fazer muita coisa a pé; e assim por diante. Mas, na medida em que o tempo foi passando, nós começamos a nos arrepender um pouco dessa decisão: o carro nos fazia falta na hora de fazer mercado, por exemplo, bem como para viajar pelo país (teria sido muito mais fácil encarar as estradas ruins da Armênia com um carro que fosse nosso e, consequentemente, teríamos conseguido viajar bem mais pelo país).

Desde o momento em que ficou decidido que viríamos pra Suíça, nós definimos que queríamos comprar um carro aqui. Já sabendo que a cidade é razoavelmente pequena e que o transporte público é eficaz, 01 carro seria o suficiente para nós dois, com o propósito de facilitar as compras de mercado, bem como para explorar o país e arredores no nosso tempo livre. Estávamos tão certos disso que, no primeiro sábado que passamos em Berna, visitamos diversas concessionárias para ver carros novos e usados.

No post sobre o nosso cantinho suíço, eu falei que visitamos um outro apartamento, do qual também gostamos, mas que ficava mais afastado do centro e da Embaixada. Um deslocamento diário de 1h20 seria muito custoso para a nossa qualidade de vida, então caso resolvêssemos alugar aquele apartamento, a solução seria comprar 2 carros, ainda que um deles fosse mais simples, porque o trajeto de carro se resumiria a 30min diários de deslocamento.

Como tudo aqui na Suíça, carro é coisa cara. Para além do valor do carro, há o seguro, que é obrigatório por lei e bastante caro. Claramente isso pesou na hora de escolhermos onde queríamos morar, porque não queríamos aumentar tanto a nossa despesa.

Pelo mundo, muitas montadoras oferecem descontos para compras diplomáticas de carros 0km, além da isenção do imposto, mas ainda assim a brincadeira sai muito cara. Aqui na Suíça, especificamente, os carros 0km sofrem uma desvalorização tremenda no momento em que saem da concessionária. É coisa de sair da concessionária e perder CHF10mil de valor de tabela. Chegamos à conclusão de que, mesmo com os descontos, carro 0km aqui na Suíça só valeria a pena se fôssemos passar muitos mais anos aqui – o que não é o caso.

Isto posto, passamos a considerar mais seriamente a possibilidade de comprar um carro usado. Procuramos bastante até encontrar um que nos agradasse e que tivesse um bom custo X benefício. Até que encontramos o Bolinha numa revendedora de carros usados.

Bolinha foi amor a primeira vista pra nós dois. Nascido em 2012, com quase 70mil km rodados, confortável o suficiente para nossas aventuras e, o melhor de tudo, bem dentro do orçamento que tínhamos definido, nós decidimos trazer esse Peugeot 3008 pra nossa vida e planejamos viver muitas aventuras com ele nos próximos anos.

Uma vez decididos a adotar o Bolinha, o processo de compra foi bem simples: em uma semana, a documentação do Bolinha estava toda pronta e pudemos buscá-lo. Uma coisa interessante da Suíça é que, quando você compra uma placa de carro, você fica com ela para o resto da vida – exceto diplomatas, é claro, porque a placa é especial e aí teremos que devolvê-la quando formos embora.

Habemus casa!

E eis que temos, enfim, nossa casinha suíça. Depois de 43 dias em hotéis, muita procura e alguma incerteza, nos instalamos no nosso apê na última semana. Embora tudo ainda esteja bem vazio (e um tanto mais bagunçado do que eu gostaria por conta das caixas que não podemos simplesmente jogar fora, pois reciclagem aqui é coisa séria), já estamos começando a ter aquela sensação boa de estarmos instalados “definitivamente” (as aspas existem porque, como vocês que me acompanham já sabem, nada nessa nossa vida itinerante é definitivo e nós já chegamos aqui com data certa pra deixar a Suíça).

Alugar um imóvel na Suíça (ou, pelo menos, em Berna) não é coisa muito simples. Primeiro, há pouca disponibilidade de imóveis com mais de 1 banheiro para alugar, o que já limita muito a busca. Nós chegamos a ver anunciados apartamentos com 5 quartos e apenas um único banheiro!

Depois de encontrarmos alguns pouquíssimos imóveis com 2 banheiros, vem a luta para conseguir marcar uma visita. Ao dizer que estamos em missão diplomática, muitas imobiliárias nem respondem; pelo que soubemos, parece que há um pouquinho de preconceito em alugar imóveis para diplomatas e suas famílias. Das imobiliárias que nos responderam, várias indicaram que os apartamentos só ficariam disponíveis a partir de outubro, novembro, e até mesmo fevereiro do próximo ano; só aí já tivemos que eliminar mais alguns apartamentos que tinham despertado nosso interesse, pois tínhamos reservado o apart hotel por pouco mais de 2 semanas e estávamos doidos para ter um cantinho para chamar de nosso.

Conseguimos, enfim, visitar 2 apartamentos: este que no fim alugamos, e mais um outro, bastante parecido, só que bem mais longe do centro da cidade e da Embaixada. Berna stricto sensu é bem pequena, com uma população de 140 mil habitantes; lato sensu, a aglomeração de Berna inclui 36 municipalidades, e a população total está acima dos 400 mil habitantes. Todas estas municipalidades estão conectadas à cidade de Berna pelo transporte público, que funciona como um reloginho, mas que pode exigir várias horas de descolamento diário. Numa cidade pequena assim, e tendo encontrado outra opção também dentro da RF bem mais perto, não fazia sentido alugarmos um apartamento que exigiria um deslocamento diário de 1h20 no transporte público (40min pra ir e 40min pra voltar) para que Felipe chegasse ao trabalho, ou então a compra de 2 carros (em outro post eu conto a história automobilística).

Depois de escolhido o apartamento que gostaríamos de alugar, submetemos o pedido à imobiliária, que deveria aprovar o nosso perfil junto do proprietário do apartamento. Uma vez que nós fomos aprovados pela imobiliária e pelo dono do imóvel, nos foi enviado (pelo correio!!!) o contrato de locação, junto dos boletos referentes ao depósito caução e primeiro pagamento de aluguel.

Uma vez que fizemos estes primeiros pagamentos, recebemos as chaves do imóvel e pudemos correr nas lojas de móveis para comprar o básico que precisávamos para mudarmos. Salve a IKEA, que tinha sofá, mesa, rack e cama disponíveis para pronta entrega: fizemos a compra no sábado e os móveis foram entregues na terça feira (03/09). Por “móveis foram entregues”, entendam que caixas com móveis desmontados foram entregues, e nós dois passamos o dia inteiro montando-os, já que a taxa de montagem da IKEA estava beirando os mil francos. Já posso adicionar ao meu curriculum vitae a habilidade “montadora de móveis” hihihihi

Na véspera dessa entrega dos móveis, nós pegamos um carro pelo Mobility (serviço de car sharing) e voltamos na IKEA para comprar as mesas do escritório e coisas básicas como panelas, pratos, canecas, varal, etc. As mesas do escritório nós deixamos para montar no último final de semana, até porque ainda não tínhamos cadeiras. Nós optamos por comprar as cadeiras para a mesa de jantar em outra loja (Pfister) que só poderia entregar nossa compra no dia 09 de setembro. Pelo menos, quando entregaram estas cadeiras, eles mesmos montaram.

Quase diariamente tenho que ir comprar alguma coisinha na rua para nos dar mais conforto em casa, o que é normal nesse comecinho, bem como é normal ainda não ter uma noção certinha do planejamento de compras de alimentos (nossa geladeira aqui é bem menor do que a do apartamento na Armênia, então é mais uma coisa com a qual temos que nos acostumar). Ainda falta muita coisa, até porque ainda não fazemos ideia de quando nossos pertences vindos da Armênia serão entregues. E faltam também coisas básicas como internet e tv por assinatura, porque é claro que isso não é coisa simples por aqui. Até que tenhamos internet em casa, estamos usando os celulares de roteadores para a TV e computadores. Graças a Deus nós conseguimos contratar planos de internet móvel ilimitada, então pelo menos está dando pra assistir Netflix e GloboPlay, e trabalhar com alguma normalidade.

Aos poucos, a vida vai entrando nos eixos e já estamos muito felizes de estarmos instalados no apartamento. Soubemos de colegas da Embaixada que demoraram 4 meses para encontrar um lugar para morar aqui em Berna, bem como colegas das missões em Genebra e Zurique que também demoraram bastante, então nós nos sentimos muito privilegiados e abençoados por já termos um cantinho nosso.

Grüße, Bern!

Chegamos na Suíça, nossa nova morada, no último dia 15. No final de semana, começamos a explorar Berna pra nos situarmos ao mesmo tempo que procuramos um lugar definitivo para morarmos. Marido já está em regime normal de trabalho, e eu tô me desdobrando nas minhas diversas funções. Por enquanto, estamos num hotel residencial bastante confortável, graças a Deus, mas é claro que já estamos doidos pra ter um cantinho pra chamar de nosso. Daqui, temos uma bela vista da capital da Suíça e para os Alpes, já que é um dos prédios mais altos da cidade.

Como eu já contei antes, passamos nossos últimos dias de Yerevan em um hotel. Saímos da Armênia no dia 01 de agosto, dormimos uma noite em Zurique, perto do aeroporto mesmo, e seguimos para Frankfurt, onde passamos nossos dias de trânsito, com direito a day trip para Luxemburgo e uma noite em Basel a caminho de Berna. Depois vou escrever com calma sobre coisas legais que fizemos neste período, embora o nosso foco tenha sido mais no descanso e na compra de coisinhas que o marido estava precisando.

Embora eu já tivesse vindo pra Suíça 2x, não conhecia Berna, e tô encantada com essa cidade. A capital da Suíça tem um feeling de cidade pequena, com construções não muito altas e muitas casinhas que parecem coisa de boneca. Tô conseguindo me virar razoavelmente bem em alemão, e quando necessário me comunico em francês ou mesmo italiano. Surpreendentemente, a galera não fala muito inglês por aqui não, e quando fala é uma coisa meio macarrônica.

Como esperado, o transporte público funciona muito bem, e a cidade é surpreendentemente limpa. Mas nem tudo são flores e a Suíça é caríssima. Muito cara mesmo. Assustadoramente cara, principalmente pra quem acabou de sair de um país tão barato como a Armênia (aliás, aquela região toda é uma pechincha). Já tô com saudade de Yerevan? Sim. Um prato num restaurante/café por aqui dificilmente custa menos do que 15 CHF (algo em torno de R$63 no câmbio de hoje). Há uma tradição de servirem, no almoço, menus que incluem uma saladinha de folhas (já tô ligada que os suíços amam salada e que uma refeição jamais é completa sem um pratinho de alface pra abrir os trabalhos) e provavelmente sopa e pão, além do prato principal, tudo por preços em torno de 20 CHF.

Os preços nos supermercados também vão nas alturas. Embora ainda não tenhamos feito nenhuma compra “de mês”, compramos algumas coisas para comer no hotel, e também já pesquisamos os preços de coisas que passaremos a comprar normalmente; o que mais chama a atenção são os preços das carnes, peixes e frangos que são caríssimos, passando de 34 CHF o quilo. Já tô me preparando psicologicamente pra primeira compra de mercado, que com certeza será um susto. Pra compensar, é fácil de encontrar nos mercados refeições semi-prontas sem aditivos e também refeições prontas (principalmente muitas opções de saladas e também rolls e nigiris) por preços um pouco mais amigos (ainda no padrão Suíça, claro).

Foi bom chegar em Berna e encontrar dias de sol e calorzinho. Aliás, no domingo, fez calor de verdade, com muito sol e passando dos 30˚C. Domingo foi um dia agradabilíssimo, que começou com uma missa ótima e terminou com cineminha ao lado do marido. Ontem e hoje a temperatura caiu e a chuva também veio, fazendo jus a fama da cidade. Marido já perdeu um guarda chuva, como era de se esperar, e eu preciso urgentemente comprar uma galocha porque eu detesto ficar com o pé molhado.

Um domingo em Sochii

Aos 48 do segundo tempo, pouquíssimos dias antes de empacotarem nossa mudança na Armênia, nós demos um “pulinho” na Rússia pra conhecer a cidade litorânea de Sochii.

Sochii fica localizada junto ao Mar Negro, e foi cidade sede dos XXII Jogos Olímpicos de Inverno e os XI Jogos Paralímpicos de Inverno de 2014, bem como uma das cidades sede da Copa do Mundo de 2018.

Em Sochi, pudemos visitar uma das mais famosas Dachas de Josef Stalin, onde o líder soviético costumava passar alguns dias cuidando da sua frágil saúde longe dos olhares curiosos.

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Mas uma das coisas que eu mais gostei de ver em Sochi foi o enorme e belíssimo mosaico em homenagem a Lenin! Se Deus quiser, um dia voltaremos nesta bela cidade para aproveitá-la por mais tempo!

 

Onde comer em Istambul?

Istambul tem uma oferta imensa de restaurantes incríveis para todos os gostos e bolsos. Enquanto Dubai se tornou a verdadeira Mecca do luxo e dos chefes estrelados no Oriente Médio, Istambul não quis ficar muito atrás, e alguns dos restaurantes da cidade figuram nas principais listas gastronômicas do mundo.

Em mais um post da série “Onde comer em…?”, quero registrar duas dicas preciosas para quem procura comida excelente em Istambul a preços que não vão quebrar o banco: os restaurantes Alancha e Mikla.

  • Alancha Restaurant

O Alancha entrou no nosso radar por acaso, nós quase desistimos da reserva, mas graças a Deus acabamos indo e ficamos impressionados com a qualidade e a apresentação dos deliciosos pratos.

O Alancha só abre para o jantar, e os pratos custam a partir de 40 Liras Turcas.

  • Mikla Restaurant

O Mikla foi eleito um dos 50 melhores restaurantes do mundo, e só este fato já nos deu vontade de conferir o que é que o Mikla tem. E, olha, a gente recomenda!

O Mikla também só abre para o jantar (a partir das 18h), e o esquema é de menu fechado por 385 Liras Turcas, com 3 pratos à escolha.

A hora da mudança

O ritmo dos posts andou bem lento por aqui por um motivo que vocês já devem suspeitar qual é desde que postei esse texto em janeiro deste ano: estamos de mudança da Armênia para o nosso próximo posto.

Desde abril, antes mesmo de sair o resultado do plano de remoções, nós começamos a organizar a vida em preparação para a mudança. A primeira coisa que fizemos foi fechar uma mala com todos os casacos de inverno hard, pois em abril as temperaturas já estavam mais amenas em Yerevan, todos os casacos já estavam devidamente limpos, e adiantava o processo deixá-los prontos para a mudança, que já sabíamos que seria no verão. As roupas térmicas também foram logo guardadas dentro de malas e, na medida em que a temperatura ia subindo, as “roupas de frio” iam encontrando espaço dentro de malas que iriam pro container.

A partir de então, começamos a adiantar tudo quanto fosse possível relacionado a estes procedimentos de mudança, já que sabíamos que, inevitavelmente, muita coisa ficaria pra última hora – como, por exemplo, fechar conta em banco. Compramos várias caixas organizadoras, e passamos a guardar roupa de cama e banho nelas, além de caixas organizadoras plásticas para guardar material de escritório e pastas documentos.

No meio de todo esse processo, ainda passamos 15 dias no Brasil em maio, com direito a escalas de 1 dia em Dubai na ida e na volta. Pra completar, viajamos no primeiro e no terceiro finais de semana de julho, o que me deixou um pouquinho ansiosa além da conta (confesso), já que o empacotamento da mudança estava marcado para os dias 25 e 26 de julho.

Quando saiu o resultado do plano de remoção, demos início à parte burocrática da mudança, que eu já relatei mais ou menos como se dá em outro post. Reforço aqui que, a partir da publicação do resultado no Diário Oficial da União, tínhamos 60 dias para deixar Yerevan. O primeiro passo concreto é a licitação e contratação da empresa de mudança; após o resultado da licitação, o contrato precisa ser autorizado pelo MRE. Somente após esta autorização de contrato é que pudemos pedir a passagem que nos levará para o próximo posto.

O dia que me bateu de verdade que faltava muito pouco para deixarmos a Armênia foi quando embalei e guardei todos os nossos ímãs de geladeira. Depois de 2 anos e meio de Armênia, colecionamos viagens e histórias inesquecíveis (como vocês puderam acompanhar por aqui, mesmo que com um pouquinho de atraso), e cada cantinho por onde passamos estava representado por um ímã. Pra mim, foi um choque esvaziar a geladeira, tirar dela todos os ímãs que a coloriam e vê-la tão branquinha.

Na última semana, nos mudamos para um hotel em Yerevan, compramos os últimos souvenires que queríamos levar da Armênia, e recebemos a empresa contratada para embalar nossas coisas e transportá-las até nossa próxima cidade. Foram 2 dias intensos de “empacotamento da nossa vida”, como eu gosto de dizer, em 113 caixas (o que é um número considerado baixo; demorou 2 dias porque o povo era lento mesmo, risos). Desde então, tudo o que temos a nossa disposição pelos próximos meses está em 4 malas.

É bastante esquisito ver todos os nossos pertences empacotados. Dentro de mim, é como se eu também empacotasse todos os sentimentos e experiências destes últimos 2 anos e meio, embalando-os com cuidado para que fiquem sempre dentro de mim.

Sair de um lugar que a gente gosta para um outro que a gente não conhece e recomeçar a vida tem um gosto bittersweet; eu amei morar na Armênia e vou sentir muita saudade daqui, mas também estou muito feliz com as possibilidades que o próximo posto abre pra gente. A ansiedade que me deixava agoniada já passou, e agora só ficou a ansiedade boa, que me deixa animada para as próximas aventuras ao lado do amor da minha vida.

Enquanto vocês leem este post, nós estamos começando o nosso trânsito e escrevendo mais páginas no nosso livro de aventuras. Que Deus nos acompanhe todo o tempo, amém.

Datas comemorativas e Feriados na Armênia

Já contei aqui sobre as comemorações de final de ano na Armênia (ou melhor, de começo de ano!) e a explicação do porquê celebrarem o Natal no dia 6 de janeiro. Hoje, quero contar para vocês um pouquinho mais sobre as outras datas comemorativas da Armênia.

Ano Novo

As celebrações de ano novo começam na noite de 31 de dezembro e vão até 7 de janeiro, após a celebração do Natal. Nos dias 01 e 02 de janeiro, nada funciona. A partir do dia 03, alguns estabelecimentos comercias passam a retomar suas atividades. Os armênios trocam presentes após a ceia de 31 de dezembro, que é composta de pratos como peixes cozidos ou grelhados, espinafre com ovos, arroz pilaf (preparado com frutas secas).

Dia do Exército

No dia 28 de janeiro, celebra-se o dia do exército. A capital da Armênia é totalmente decorada com bandeiras do país, comemorando aqueles que fazem parte das forças armadas e defendem o país.

Dia de São Valentim

Como na maior parte do mundo, o dia dos namorados é comemorado em 14 de fevereiro, no dia de São Valentim. Os restaurantes organizam jantares especiais, e a cidade fica cheia de flores vermelhas e balões em formato de coração.

Dia da Mulher

No dia 08 de março, a celebração do dia da mulher é feriado nacional, abrindo o mês da mulher. É tradição que todas as mulheres recebam flores e chocolates neste dia. O papel da mulher na sociedade armênia já foi analisado por mim neste post, e o machismo continua tão forte (ou mais) quanto na época em que o escrevi.

Dia da Maternidade e da Beleza

No dia 07 de abril, celebra-se o dia da maternidade e da beleza. É uma celebração que fecha o mês das mulheres.

Páscoa

As celebrações da Páscoa começam na Sexta Feira da Paixão e terminam na Segunda Feira, que pode ser feriado ou não (em 2017 e 2018 foi feriado, mas em 2019 não foi). No Domingo de Páscoa, há uma grande celebração em Etchmiadzin com o Patriarca da Fé da Igreja Apostólica Armênia e, neste dia, abre-se a cortina que revela o altar. No almoço, os armênios se reúnem para comer ovos cozidos, representando o renascimento, e também peixes, pães, espinafre com ovos, e arroz pilaf.

Dia da Memória do Genocídio

No dia 24 de abril, é solene lembrar os mortos no genocídio perpetrado pelos turcos durante a Primeira Guerra Mundial. Autoridades se reúnem no Memorial e Museu do Genocídio, depositando flores junto à Chama Eterna. Muitos armênios também aproveitam para visitar o memorial neste dia e lembrar dos seus antepassados.

Dia da Cidadania

O dia 27 de abril é o dia da cidadania na Armênia. Próximo a este dia, os armênios costumam celebrar a amizade com a União Européia.

Dia do Trabalhador

Como no restante do mundo, o dia 01 de maio é dia do trabalhador e feriado na Armênia.

Dia da Vitória

No dia 09 de maio, celebra-se o Dia da Vitória da Grande Guerra Patriótica (como é conhecida na Rússia e em todas as ex-repúblicas soviéticas), marcando a capitulação da Alemanha Nazista pela União Soviética. Este feriado tem grande importância em todas as ex-repúblicas soviéticas.

Dia da República

O dia da República é celebrado na Armênia em 28 de maio, e este dia é feriado nacional. Para as autoridades do país, há uma importante cerimônia marcando a celebração da Primeira República da Armênia, instaurada em 1918. Esta celebração coincide com o aniversário da Batalha de Sardarabad, que expulsou o Exército do Imperío Otomano da Armênia. Todos os anos, o Presidente da Armênia, o Primeiro Ministro e o Presidente de Artsakh visitam o Memorial de Sardarapat, acompanhados de outras autoridades locais e representantes das Embaixadas.

Dia das Crianças

O dia das crianças na Armênia é celebrado no dia 01 de junho, e todos comemoram bastante a data com muitos balões coloridos.

Dia dos Pais

No dia 16 de junho, é celebrado o dia dos pais na Armênia.

Solstício de Verão

No dia 21 de junho, celebra-se o Solstício de Verão, com a noite mais curta do ano.

Dia da Constituição

O dia da Constituição da Armênia é celebrado com feriado nacional no dia 05 de julho.

Vardavar

No último domingo de julho (coincidentemente, hoje), os armênios têm uma das suas celebrações mais peculiares: Vardavar é o dia da água, em que eles jogam água uns nos outros no meio da rua. Neste dia, as temperaturas costumam passar dos 40ºC e, por conta dessa peculiar forma de lidar com o calor, é um dos poucos dias do ano em que todos os estabelecimentos comerciais fecham as suas portas.

Dia do Conhecimento e da Literatura

No dia 01 de setembro, dia de volta às aulas na grande maioria das escolas e universidades da Armênia, celebra-se o dia do Conhecimento e da Literatura. Neste dia, os estudantes costumam desfilar pelas ruas de Yerevan com calças ou saias pretas e camisas brancas.

Dia da Independência

O dia da independência da Armênia é comemorado no dia 21 de setembro. Esta é a principal data nacional da Armênia, marcando o dia quando o povo armênio votou um referendo para proclamar a independência da Armênia com relação à União Soviética, no ano de 1991. Em novembro de 1991, Levon Ter-Petrosyan foi eleito o primeiro presidente da Armênia, e em 21 de dezembro de 1991 a Armênia entrou na Commonwealth de Estados Independentes. A Armênia tornou-se formalmente independente em 26 de dezembro, coincidindo com a dissolução da União Soviética.

Equinócio de Setembro

O dia 23 de setembro marca o Equinócio na Armênia, correspondendo formalmente ao final do verão.

Dia do Tradutor

Embora não seja feriado nacional, no dia 12 de outubro celebra-se o dia do tradutor na Armênia.

Halloween

Como grande parte da diáspora Armênia está nos Estados Unidos, é apenas natural que esta celebração norte-americana faça parte do calendário de festas armênio. Os jovens aproveitam a data para usar maquiagens e máscaras “assustadoras”!

Dia da Memória de Spitak

Os armênios se lembram do terremoto de magnitude 6.9 na escala Richter que atingiu o noroeste da Armênia em 07 de dezembro de 1988. Este terremoto danificou muito da infraestrutura do país, principalmente as cidades de Spitak, Leninakan (hoje Gyumri), Kirovakan (hoje Vanadzor) e Stepanavan, além de outras pequenas vilas nas imediações.

Solstício de Dezembro

Marcando oficialmente o início do inverno, o dia 22 de dezembro tem a noite mais longa do ano na Armênia.

*texto de minha autoria originalmente publicado no site Brasileiras pelo Mundo

Passeio pelo Bósforo

Dizem que nenhuma viagem para Istambul é completa sem um passeio de barco pelo Bósforo. Há muitas maneiras de realizar esse passeio: diversas empresas organizam tours em grupo (com preços mais atrativos) até tours particulares em embarcações luxuosas.

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Como eu já tinha contado por aqui, nós usamos o Big Bus Tour para explorar a capital da Turquia no final de semana que passamos por lá, e compramos um ticket que incluía um passeio pelo Bósforo. Eu confesso que fiquei positivamente surpresa com o barco e com a organização do passeio, já que eles não lotaram o barco de gente e foi possível aproveitar com tranquilidade o percurso.

Estava um dia MUITO QUENTE quando fizemos esse passeio e, mesmo com o ventinho agradável que soprava, o calor era quase insuportável. Então é muito importante usar roupas leves, preferencialmente de tecidos respiráveis (= fibras naturais), e ter água à mão!

O passeio é interessantíssimo, e é muito legal ver a capital da Turquia de uma perspectiva “de dentro da água”, observando o lado “europeu” e o lado “asiático”, tentando notar todas as diferenças arquitetônicas que separam a cidade que está em dois continentes.

Yerebatan Sarnıcı

Localizadas a apenas 150m da Ayasofya, as Cisternas Subterrâneas (Yerebatan Sarnıcı) são o maior complexo entre as centenas de cisternas antigas que se encontram sob a cidade de Istambul (outrora Constantinopla).

Estas cisternas foram construídas durante o século VI, sob o reinado do Imperador Bizantino Justinian I. Hoje em dia, estas cisternas são esvaziadas para que o público possa caminhar por elas. Mas atenção: ainda há um pouco de água no local, e você pode se molhar com os pingos que caem sem aviso.

O ingresso individual custa 20 Liras Turcas (cerca de R$14), e crianças com menos de 8 anos não pagam. Atenção: não é aceito cartão de crédito para pagamento do ingresso!

Ayasofya Müzesi

Localizada em frente à Mesquita Azul, o Museu Ayasofya ocupa a antiga Catedral Patriarcal Grega Cristã Ortodoxa, que também foi Mesquita Imperial Otomana. Ayasofya, ou Hagia Sophia, ou ainda, em Latim, Sancta Sophia ou Sancta Sapientia, significa “Santa Sabedoria”.

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Construída em 537 AD, antes da Idade Média, se tornou famosa principalmente por sua enorme doma; era a maior construção do mundo, e uma maravilha da engenharia para o seu tempo. É considerada a principal obra da arquitetura Bizantina, e acredita-se que ela mudou a história da arquitetura.

Em 1453, com a Conquista de Constantinopla pelo Império Otomano, Mehmed o Conquistador ordenou que a principal igreja do Cristianismo Ortodoxo Oriental fosse convertida em mesquita. Embora algumas partes da cidade de Constantinopla tenham sido completamente destruídas por falta de investimento em manutenção, a catedral foi mantida com fundos especiais destinados exclusivamente a este fim, e a catedral cristã impressionou fortemente os novos governantes otomanos.

Os sinos, o altar, imagens e outras relíquias cristãs foram destruídos, e os mosaicos representando Jesus, Nossa Senhora, santos cristãos e anjos também foram destruídos ou cobertos. Símbolos e traços islâmicos, como o mihrab (um nicho na parede que indica a direção de Mecca) e 4 minarets, foram adicionados à Ayasofya, que permaneceu até 1931 como uma mesquita.

Em 1935, após 4 anos fechada ao público, Ayasofya foi reaberta como um museu pela República da Turquia e, de acordo com os dados do Ministério da Cutura e Turismo da Turquia, é a atração turística mais visitada do país.

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Desde a sua conversão até a construção da Mesquita do Sultan Ahmed (a Mesquita Azul de Istambul) em 1616, Ayasofya foi a principal mesquita de Istambul. A arquitetura Bizantina da Ayasofya serviu de inspiração para muitas outras mesquitas otomanas, incluindo a Mesquita Şehzade, a Mesquita Süleymaniye, a Mesquita Rüstem Pasha, o Complexo Kılıç Ali Pasha, e a própria Mesquita Azul.

Como eu contei no post sobre a nossa visita ao Palácio Topkapi, nós compramos por lá um ingresso que dava direito a visita também à Ayasofya, e isso nos economizou uma boa hora de fila para entrar nesse museu imperdível.

Sultanahmet Camii, a Mesquita Azul

A Mesquita do Sultão Ahmed (Sultanahmet Camii), ou Mesquita Azul, fica no centro histórico de Istambul, junto ao parque Sultanahmet, onde também está a Aya Sofia.

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Para visitar a Mesquita Azul, é necessário respeitar o código de vestimenta muçulmano: tanto homens quanto mulheres devem estar com os joelhos e pernas cobertos; as mulheres devem ter os braços e o colo cobertos, e também usar um véu sobre a cabeça, cobrindo os cabelos. Para aqueles que chegarem à Mesquita Azul despreparados, eles emprestam roupas adequadas.

Ao entrar na Mesquita, todos são obrigados a tirar os sapatos. Diferentemente da Mesquita do Sheik Zayed, em Abu Dhabi, onde há um local específico para se deixar os sapatos, na Mesquita Azul são disponibilizados saquinhos plásticos transparentes para colocarmos os calçados e carregá-los conosco.

A visita à Mesquita Azul é gratuita.

Topkapı Sarayi

O Palácio Topkapi (Topkapı Sarayı), ou Seraglio, é um enorme museu em Istambul, que outrora serviu de residência e sede administrativa dos sultões Otomanos no século XV.

As construções foram iniciadas em 1459 por ordem de Mehmed o Conquistador, 6 anos depois da conquista de Constantinopla. Para distingui-lo do Palácio Antigo, localizado na Praça Beyazit, o Palácio Topkapi foi originalmente chamado de “Novo Palácio” (Yeni Saray, ou Saray-i Cedîd-i Âmire), recebendo o nome de Topkapi (que significa Portão de Canhão) no século XIX. O complexo foi sendo expandido durante décadas, passando por grandes reformas depois do terremoto de 1509 e do incêndio de 1665.

O complexo do palácio consiste de 4 jardins principais e muitos prédios pequenos. As mulheres da família do Sultão viviam no harém, e os principais oficiais de Estado, incluindo o Grand Vizier (a mesma função do Jafar) tinham suas reuniões no prédio do Conselho Imperial.

Depois do século XVII, o palácio Topkapi perdeu gradualmente a sua importância, porque os sultões daquele período preferiam passar mais tempo nos seus novos palácios às margens do Bósforo. Em 1856, o Sultão Abdulmejid I decidiu transferir a corte para o recém construído Palácio Dolmabahçe.

Após o fim do Império Otomano em 1923, o palácio Topkapi foi transformado em museu por um decreto governamental emitido em 3 de abril de 1924, sendo administrado pelo Ministério da Cultura e do Turismo. O complexo do palácio tem centenas de câmaras e aposentos, mas apenas os mais importantes são abertos ao público, incluindo o Harém Imperial Otomano e o tesouro (hazine), que inclui o Kaşıkçı Elması (um diamante de 86 quilates em formato de pêra, considerado o quarto maior diamante do mundo) e a adaga de Topkapi. No museu, também podemos ver roupas, armas, armaduras, miniaturas, relíquias religiosas e manuscritos do período Otomano. O Palácio Topkapi faz parte das Áreas Históricas de Istambul, que reunidos principais lugares da capital turca que foram reconhecidos pela UNESCO como patrimônio mundial da humanidade em 1985.

O Palácio Topkapi é uma atração turística altamente popular, então é bom programar-se com antecedência para visitá-la e comprar ingressos. Para aqueles que desejarem visitar o Harém do Sultão, será preciso comprar um ingresso suplementar. Nós compramos o ingresso que dava direito a visitar o Palácio, a Hagia Sofia, e o Museu Arqueológico. Esse tipo de ingresso nos economizou um bom tempo de fila quando fomos visitar a Hagia Sofia.

Os Mercados de Istambul

Istambul tem dois mercados principais que atraem os locais e turistas de todo o mundo: o mercado de especiarias e o Grand Bazaar.

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Construído em 1461, o Grand Bazaar (Kapali Çarşi) abriga 5.000 lojas e é um dos maiores mercados cobertos do mundo. Se outrora o Grand Bazaar foi um local vibrante de comércio local e internacional, hoje os seus labirintos atraem as carteiras recheadas de turistas em buscado uma experiência de compra oriental autêntica. É possível encontrar têxteis, temperos, joias, lanternas e souvenires, que convidam à negociação de preços, ao mesmo tempo que há muitos objetos falsificados – então é sempre bom ter cautela. O destaque fica para os grandes arcos (são 22!) que marcam as entradas e saídas.

Próximo ao Grand Bazaar, está o mercado de especiarias egípcio Eminönü, que está aberto 7 dias por semana. Um verdadeiro paraíso gastronômico, que foi inaugurado em 1664, é lá onde se encontram os melhores temperos, azeites e azeitonas, frutas secas, doces turcos, óleos e essências.