Por que “O MUNDO É A MINHA CASA”?

Na última sexta feira (25 de janeiro), eu e o marido completamos 2 anos de Armênia. Foram 2 anos que passaram muito rápido; parece que foi ontem que pousamos em Yerevan e encontramos uma cidade toda branquinha, coberta pela neve, com temperaturas que chegavam a -20ºC. Os invernos ficaram mais amenos desde então, os verões foram muito quentes e quase insuportáveis, e o outono e a primavera se tornaram minhas estações preferidas. Nestes 2 anos, graças a Deus nós viajamos bastante, não só pela Armênia (embora ainda falte muita coisa para conhecer) mas também pela região (Irã, Geórgia, Rússia e Emirados Árabes estão na lista de países que conhecemos nesse nosso período aqui), além das viagens de afastamento + férias para destinos um pouco mais distantes porém nem tanto.

No dia 25 de janeiro, eu fiz um post no instagram pra marcar este nosso “aniversário de Armênia” e, porque eu escrevi que a contagem regressiva se tornava mais real a partir de então, eu recebi algumas mensagens perguntando se nós estávamos pretendendo mudar daqui. Ao longo destes 2 anos por aqui, também recebi muitas perguntas que tangenciaram este assunto como, por exemplo, porquê estamos na Armênia, o que fazemos aqui, etc. Eu não sou muito de abrir a minha vida pessoal (principalmente “nas internets”), nem de falar muito sobre a carreira do Felipe e como isso determina a nossa vida, mas acho que chegou a hora de fazer um post explicando exatamente porquê “o mundo é a minha casa“.

O Felipe é diplomata desde 2010, e nós começamos a namorar em 2012, poucos dias antes dele ir para o Zimbábue para sua primeira missão transitória. É, eu sei, se é considerado doideira namorar à distância, imagina começar um namoro com alguém que ia se mudar pra África daí poucos dias? Porém Deus sabe todas as coisas e nosso amor estava escrito nas estrelas. O Zimbábue é um posto D na classificação do Itamaraty, o que significa que ele teria direito a afastamentos de 10 dias a cada 3 ou de 15 dias a cada 4 meses (este regime é determinado pelo chefe de cada posto e autorizado pelo Itamaraty); no caso do Zimbábue, os afastamentos aconteciam segundo o regime quadrimestral, e nós passamos os primeiros 1 ano e 3 meses de namoro driblando a distância e matando a saudade sempre que possível.

Em julho de 2012, eu estava em Londres fazendo um curso de extensão na King’s College e ele foi passar o aniversário dele comigo por lá – mas foi literalmente só o aniversário, porque não era época de afastamento ainda, então ele chegou no sábado de manhãzinha e voltou pra Harare no domingo depois do almoço; em dezembro do mesmo ano, eu embarquei pra Harare, e fiquei por lá 1 mês com ele, aproveitando para conhecer Gaborone e Joanesburgo numa road trip de uma semana que fizemos pela África do Sul e Botsuana. Em maio de 2013, ele tirou férias e, além de passar 15 dias no Brasil, nós fomos juntos para os EUA por 15 dias, passeando pela Califórnia e esticando até Las Vegas. Em julho de 2013, ele voltou ao Brasil, já que sua missão em Harare tinha chegado ao fim. De Harare, o (agora) marido poderia ter pedido remoção para outro posto no mundo, mas ele optou por voltar para a Secretaria de Estado (SERE) em Brasília para podermos ter um namoro um pouco mais normal, já que eu ainda estava no Mestrado na UFF.

Foram, então, mais 1 ano e 7 meses de namoro, lidando apenas com a distância entre RJ e Brasília – o que era infinitamente mais fácil. Nos casamos em fevereiro de 2015, ligando nossas vidas numa só, nos tornando os grandes companheiros que poderiam, juntos, desbravar o mundo e torná-lo a nossa casa a cada remoção.

O processo para realocação dos servidores do Ministério das Relações Exteriores é chamado de “mecanismo de remoções” ou “plano de remoção”; geralmente, o MRE abre dois planos de remoção por ano (um por semestre). A 1ª etapa do plano é a sua abertura, que é feita por portaria publicada no boletim de serviço, restrito à intranet do MRE. Esta portaria declara aberto o plano de remoções, listando suas regras e condições, e podem se inscrever no plano os servidores (há basicamente três carreiras distintas no MRE: diplomatas, oficiais de chancelaria e assistentes de chancelaria) que já tenham completado, pelo menos, 2 anos no posto em que estão lotados. Estas inscrições ficam abertas por alguns dias e, ao final do período de inscrições, é publicada a lista dos servidores que tiveram suas inscrições aceitas e efetivadas. É aí que podemos saber quais serão as vagas livres nos postos, e alguns servidores recebem convites de postos que precisam de pessoal.

A rede de postos, hoje, abrange 139 Embaixadas, 52 Consulados-Gerais, 11 Consulados, 8 Vice-Consulados, 12 Missões ou Delegações e 3 Escritórios, além da SERE. Os postos são classificados em A, B, C e D. São postos A, por exemplo, aqueles localizados nos EUA, Reino Unido, França, Espanha, Argentina, entre outros; alguns exemplos de postos B são México, Chile, Singapura; Armênia, Geórgia, Rússia, Egito e África do Sul são postos C, entre tantos outros; já os postos D são, por exemplo, Zimbábue, Botsuana, Haiti, Filipinas e Palestina. Esta classificação leva em consideração muitos fatores como, por exemplo, as relações com o Brasil, a condição de vida nos postos, a proporção de brasileiros no país, etc. E, como eu falei ali em cima, os postos C e D são contemplados com os afastamentos, que podem ser 10 dias a cada 3 meses ou 15 dias a cada 4 meses; isso acontece porque o MRE reconhece que a vida nestes postos é mais difícil, com mais restrições impostas no dia a dia aos servidores e seus dependentes. Na prática, são 30 dias de férias a mais no ano, além dos 30 dias previstos em lei. Além disso, a classificação dos postos determina o período mínimo e máximo de permanência dos servidores em cada posto; por isso, em todos os lugares do mundo onde morarmos, a contagem regressiva para partir já começa no mesmo dia em que chegarmos.

Alguns dias depois do fim das inscrições no plano de remoções, os servidores recebem, por e-mail, uma lista de oferta de postos, em geral com 1 posto A, 1 posto B, 1 posto C e 1 posto D. O servidor deve responder a esse e-mail ordenando os postos pelo seu interesse e, se quiser, pode adicionar mais dois destinos que não constem nesta lista original. Passados alguns dias (de muita ansiedade, é claro, afinal a gente ainda não sabe pra onde vai e o processo todo é bastante agônico), é publicado o resultado do plano, que não corresponde à remoção oficial, mas que indica aos servidores seus destinos para que, assim, possam decidir se aceitam o posto designado, ou se desistem e voltam para Brasília. A oficialização da remoção se dá pela publicação da portaria de remoção no Diário Oficial da União (DOU), e é a partir desta data que temos 60 dias para partir. Sim, são apenas 60 dias para tomar providências de mudança! A partir da publicação da remoção no DOU, são 60 dias para fazer orçamentos com empresas de mudança e fechar contrato, finalizar os contratos de aluguel, vender e comprar coisas, fechar contas em banco, e tantas outras coisas que pelo menos 2 anos na cidade nos renderam.

Se o servidor estiver com férias marcadas e previamente autorizadas no período compreendido nestes 60 dias, a contagem é suspensa pelos dias correspondentes. Também pode acontecer, por necessidade no posto de origem, uma prorrogação do prazo, que deve ser autorizada pela SERE. Mas, em geral, são 60 dias para partir, 10 dias de desligamento do posto (período dedicado à organização da mudança de facto com a empresa que venceu a licitação), e mais 15 dias de trânsito (uma tradição herdada de tempos mais antigos quando podia-se demorar muitos e muitos dias para se chegar ao destino), que podemos passar em qualquer lugar do mundo que não seja o posto de origem e o novo posto.

Neste sentido, os verbos passam a ser conjugados no plural a partir do momento em que o servidor recebe a lista por e-mail e deve ordená-la de acordo com suas preferências. Afinal de contas, a mudança para um novo país influencia a vida de todos da família. São vários fatores que devem ser levados em consideração (pelo menos, eu e Felipe pensamos juntos em vários fatores), como qualidade e custo de vida no posto, idioma e facilidade de comunicação, mobilidade, liberdade para a mulher, acordo de trabalho para o cônjuge, etc. Nós tentamos pesquisar todos os fatores mais importantes antes de definirmos a resposta ao e-mail, levando em consideração nossas preferências pessoais, mas fato é que só saberemos de fato como será tudo ao chegarmos no novo posto e (re)começarmos a vida.

O MRE custeia a mudança dos seus servidores, mas, para isso, é preciso abrir um processo de licitações, apresentando vários orçamentos para o governo, que escolherá sempre o menos oneroso aos cofres públicos. As empresas devem apresentar um orçamento que incluam o cálculo de cubagem, embalamento e seguro dos itens a serem transportados. Depois que tivermos o vencedor da licitação, marcamos os dias de embalagem, e eles podem embalar absolutamente tudo se assim quisermos. Mas, como eu sou ultra organizada, prefiro deixar alguns itens previamente embalados ou dentro de malas, o que facilita muito a vida dos funcionários da empresa e diminui consideravelmente o número de dias necessários para empacotar tudo. Na nossa mudança de Brasília pra Armênia, por exemplo, a empresa que ficou responsável pela nossa mudança tinha reservado 2 dias para embalar tudo, mas foi preciso pouco mais de 8 horas de um único dia, uma vez que eu (com a ajuda do marido e dos meus pais, que ficaram em Brasília nos dando todo apoio nesta hora) já tinha adiantado muita coisa. Nas próximas mudanças, pretendo fazer o mesmo. No destino, outra empresa (ou a mesma empresa, caso tenha uma filial por lá também) recebe a mudança e faz o trabalho inverso – ou seja, entregar e desembalar tudo – enquanto nós conferimos se tudo chegou em ordem, ou se teremos que acionar o seguro para cobrir itens danificados ou perdidos.

Também neste período de 60 dias são emitidas as nossas passagens para a nossa nova casa, e essa passagem também é paga pelo MRE para os servidores e seus dependentes legais. Por conta disso, as passagens deverão sempre obedecer a alguns critérios: sempre a mais barata, sempre classe econômica, e em geral a mais rápida. Quando se trata de dinheiro público, tudo é sempre bastante burocrático e é preciso gastar o menos possível, sempre apresentando minuciosamente o relato de cada centavo empregado. No geral, quem cuida disso é uma divisão do MRE junto à agências de viagens. O servidor pode, se quiser, alterar a passagem para usar o período de trânsito, sempre respeitando os prazos; neste caso, todos os custos de alteração das passagens ficam por conta do servidor. Quando nós viemos de Brasília pra Armênia, nós alteramos as nossas passagens para passarmos o trânsito na Europa, já que a nossa passagem tinha sido emitida com a Air France e faríamos conexão em Paris; todas as despesas com os trechos internos que fizemos naquele trânsito, bem como os custos com hotel, também foram nossa responsabilidade.

Uma outra coisa com a qual é preciso lidar nestes 60 dias é o visto para o novo posto. Alguns países não exigem visto prévio, outros emitem um visto provisório que deverá ser substituído após a chegada, e outros já emitem logo os vistos correspondentes para o corpo diplomático acreditado e seus dependentes legais. Em caso de necessidade de solicitar os vistos, os procedimentos são um pouco diferentes de quando solicitamos vistos de turismo, pois é preciso apresentar, além de todos os documentos regulares, uma nota diplomática informando sobre a remoção e listando os dependentes legais. Por sua vez, estes procedimentos de vistos diplomáticos costumam ser mais rápidos na prática – pelo menos isso pra facilitar a vida neste período já tão conturbado!

Quando o servidor está saindo da SERE para outro posto no mundo, outro procedimento que é preciso cumprir é o registro de toda e qualquer obra de arte junto ao IPHAN, que emite uma liberação de cada item.

Muita gente tem uma ideia muito glamourosa da vida diplomática, mas a verdade é que nossa vida é 0 glamour, muito trabalho, enormes imprevistos na vida pessoal e profissional, e pouquíssima margem para planejamento. À exemplo do que vivemos até aqui, nossa vida certamente será sempre pautada por muitas mudanças, exigindo muita flexibilidade, muita renúncia e muita organização, bem como muita inteligência emocional, as prioridades bem estabelecidas, numa comunhão íntima com meu parceiro de vida, que nos dá segurança mútua. A gente costuma dizer que o MRE é uma caixinha de surpresas, e os processos de remoção nos fazem ter uma única certeza: nós sempre chegamos num lugar com data pra sair, mas sem saber pra onde.

Graças a Deus, eu e Felipe somos muito parceiros e costumamos tirar de letra os imprevistos diários, lidando muito bem com todos os processos que a carreira dele prevê. Como cônjuge, a minha vida acaba se definindo em grande parte pelas atividades dele, não só porque nós fazemos do mundo a nossa casa mas também por outros fatores variados. Por exemplo, uma vez no posto, a vida do cônjuge se mistura em diversas esferas com as responsabilidades do servidor: embora eu não esteja na Embaixada com o Felipe, há vários eventos (nem sempre em dias convenientes ou atividades estimulantes) nos quais eu devo ir com ele, e eu consequentemente me torno uma representante do Brasil “por tabela”.

Outro exemplo de como a vida do cônjuge se define pela carreira do servidor está diretamente ligado à existência ou não do acordo de trabalho: aqui na Armênia ainda não há acordo de trabalho, e isso significou que eu não posso exercer atividade remunerada durante nossa permanência aqui. Quando decidimos aceitar essa remoção, eu estava ciente disso, e desde que aqui chegamos eu não recebi um centavo por nada que fiz, me dedicando quase exclusivamente à escrita (nos blogs e também dos meus livros, já tendo publicado um deles) e muitas horas de home office; naquele momento, eu não me incomodei com a perspectiva de não poder trabalhar, porque estava saindo de um período muito conturbado no Brasil e precisava desacelerar pra colocar minha cabeça no lugar. No fim das contas, este período de Armênia foi muito terapêutico para mim, possibilitando que eu me dedicasse à atividades que, de outro modo, não poderia ter realizado (como, por exemplo, os cursos de consultoria de estilo e história da moda que fiz em Londres e Paris) e me preparando para os desafios futuros.

Fazer do mundo a minha casa é uma luta diária, que eu só consigo vencer porque tenho uma fé inabalável e o Felipe ao meu lado. Além de enfrentar todas as questões e incertezas da carreira que já listei aqui, lidar com a saudade de tudo e de todos diariamente é sempre muito difícil, quando a distância e o fuso horário existem só pra complicar ainda mais a nossa vida.

2 ou 3 anos é um período muito curto de tempo para adaptar-se a uma rotina completamente nova num país estranho, a acostumar-se com novos sabores, novos idiomas e códigos sociais, e tantas outras coisas novas. Quando nós começamos a nos habituar com um lugar, é hora de empacotar tudo novamente e partir para um novo destino, e começar tudo do zero outra vez. No fim de cada dia, eu e o Felipe só temos a certeza de que temos um ao outro pro que der e vier, e eu dou graças a Deus por tê-lo como meu companheiro de vida, meu par e meu cúmplice em qualquer canto desse mundo.

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Brasília Palace Hotel

Quem me segue no Instagram já viu que estamos no Brasil! Se quando estamos de férias já fica difícil manter o ritmo de postagens aqui no blog, estar no Brasil significa uma lentidão ainda maior! A gente quer aproveitar ao máximo nossa família e nossos amigos, então não sobra muito tempo pra internet! Por esse motivo justo, vocês me perdoam, não é? ❤

Entre tantos compromissos e abraços, quis parar um minutinho pra contar aqui pra vocês sobre a nossa estadia no Brasília Palace Hotel! Nós fomos pra Brasília na última quarta feira, dia 02/05, e ficamos por lá até domingo, e decidimos nos hospedar nesse hotel do Setor de Hotéis de Turismo Norte, que fica pertinho do Palácio da Alvorada e também da Esplanada dos Ministérios.

O Brasília Palace Hotel foi pensado por Oscar Niemayer e conta com um mural de azulejos de Athos Bulcão; só esses 2 fatos já tornam o hotel uma verdadeira instituição na capital federal! Além disso, a Rural que fez parte da comitiva de Juscelino Kubitschek na última visita do Presidente à Brasília está “estacionada” bem na frente do hotel.

Os quartos do Brasília Palace Hotel são bastante confortáveis, e as diárias incluem o café da manhã, que é muito farto. Todos os quartos tem uma varanda que permite ver o Lago Paranoá.

No cardápio da refeição mais importante do dia, frutas, sucos, bolos deliciosos, pão de queijo, e tapiocas feitas na hora. Nas dependências do hotel, que conta com piscina e academia, galinhas d’angola e pavões circulam livremente pelos jardins, encantando a todos os hóspedes.

É neste hotel que fica o restaurante Oscar, aberto a todo o público, e que é um dos destaques gastronômicos de Brasília.

Feliz ano todo!

2017 foi um ano de muitas mudanças, descobertas e novidades. No dia 2 de janeiro, empacotamos tudo o que tínhamos e colocamos em um container rumo à Armênia, sem grandes certezas do que iríamos encontrar, mas certos de que poderíamos fazer de qualquer lugar do mundo a nossa casa desde que estejamos juntos.

Neste ano, visitei 11 novos países, 10 ao lado do marido, e 1 com os meus pais. Realizamos muitos sonhos pelo mundo: tomamos cervejas locais em Berlim, Belfast e Dublin; comi pastéis de Nata em Porto, Fátima e Lisboa; encontrei Nossa Senhora de Aparecida em Praga, Fátima e no Brasil, e finalmente encontrei Nossa Senhora das Graças na Capela da Medalha Milagrosa em Paris; meus pais vieram nos visitar na Armênia, na primeira viagem internacional deles; fui a Moscou muito mais vezes do que eu poderia imaginar, e também conhecemos São Petersburgo num verão fajuto porque tava bem frio; conheci a sede da Agência Internacional de Energia Atômica em Viena; voltei à Disneyland Paris e fui 2 vezes ao WB Studio Tour – The Making of Harry Potter; estudei na London College of Style e me tornei personal stylist; passamos o Natal em Dubai e finalmente conheci uma cidade que povoava meu imaginário desde que eu era criança.

Descobrimos – e continuamos a descobrir – a Armênia, cheia de encantamentos, história e histórias. Aprendemos que a comida do Cáucaso é algo de maravilhoso nesse mundo, ainda que a gente continue sentindo falta da comida do Brasil.

Confirmei que minha maior saudade do Brasil fica mesmo por conta da água de côco, da goiabada, do Guaraná Antártica, do doce de leite e do jiló, porque o FaceTime é o meu melhor amigo pra matar a saudade da minha mãe e do meu pai, e a gente quase nem sente que estamos separados por meio mundo. E, quando se tem amigos richesse como os meus, não há distância que possa nos separar.

Redescobri minha fé mais uma vez, reforçando minhas crenças diariamente a partir da minha necessidade de buscar Deus pelos meus próprios meios em um país onde há muita fé mas a dificuldade do idioma me impede de participar das celebrações da Igreja Apostólica Armênia. Escolher Deus todos os dias, escolher a Liturgia, entregar tudo nas mãos do Pai: tudo isso me dá a certeza diária de que tudo é do Pai, tudo o que eu tenho vem de Deus, toda a minha vida é abençoada por Ele. Redescobri que agradecer nunca é demais e que, quanto mais eu agradeço, mais motivos eu tenho para agradecer.

E foi por causa dessa luz divina que me ilumina que eu descobri uma nova habilidade: a dublagem. Sim, 2017 foi um ano tão maravilhoso que eu até traduzi e dublei um desenho para o português. “A Turma do Téo” é um projeto que despertou em mim uma alegria tão grande, que eu fiz com tanto carinho, e que eu fico muito feliz de poder dividir com o mundo. Foi daquelas coisas que parece que surgem do nada mas que, porque eu creio em Deus, eu tenho certeza de que Ele tava preparando isso pra mim. Valeu, Deus!

Fui pro Brasil e fiquei 40 dias longe do marido, e compreendi que meu lugar é do ladinho dele, onde quer que seja. De nada adianta ter água de côco pra tomar se eu não tiver o amor da minha vida do meu lado.

Andei na rua com -20ºC e +42ºC, só pra descobrir que prefiro -20ºC. Bem, na verdade, eu prefiro mesmo é que a temperatura fique entre +15ºC e +25ºC, mas, com as roupas adequadas, até que dá pra viver bem no frio.

Pude me dedicar à coisas que eu amo e que passei tanto tempo sem tempo pra aproveitar: escrever mais, ler mais, admirar mais a beleza dos dias, dançar. Aprendi a conviver com minhas cicatrizes, internas e externas. Aprendi a me aceitar, psicológica e fisicamente. Aprendi a cozinhar. Aprendi a relativizar o tempo e a distância. Aprendi a valorizar ainda mais o que eu tenho e as oportunidades que eu tenho. Aprendi que eu não preciso de muito pra ser feliz. Aprendi a agradecer ainda mais por tanto, a agradecer ainda mais por tudo. Aprendi. Aprendi muito.

Por mais que 2017 tenha sido um ano difícil pra todo mundo, eu chego a esse dia 31 de dezembro com um sentimento profundo de gratidão. Pra mim, 2017 foi um ano sensacional. E, pra 2018, eu só peço a Deus que Ele continue tomando conta da minha vida, porque, enquanto eu estou entregue nas mãos Dele, eu sei que está tudo bem.

Em 2017, eu fui feliz o ano todo. E é isso que eu desejo pra 2018: continuar sendo feliz o ano todo ao lado do amor da minha vida!

A partir de amanhã, começa mais um ano inteirinho pra muitas viagens e descobertas, com infinitas bençãos!

300 anos de N. Sra. Aparecida

Dia 12 de outubro é dia de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, Padroeira do Brasil, e minha Mãe do Céu muito amada. A Virgem de cor morena nos ama tanto que apareceu no Brasil, nas águas do Rio Paraíba do Sul: a Mãe de Jesus escolheu uma aldeia de pescadores para mostrar o amor infinito de Deus por nós!

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Eu sou muito feliz por ter uma Mãe do Céu que eu sei que está ao meu lado todo o tempo! Que privilégio tão grande poder me colocar no colo da Mãe de Deus e nossa! A serenidade invade meu coração todas as vezes que surgem adversidades porque eu confio na intercessão de Nossa Senhora, e entrego tudo o que me aflige nas mãos dela! Quando a Mãe pede, o Filho atende! E tudo sempre se resolve da melhor forma, que muitas vezes eu não poderia nem imaginar! Pensa se eu não vou aproveitar pra me entregar no colo da Mãe do Céu, esse privilégio imenso que Deus nos deu?!

Eu tenho devoção especial por Nossa Senhora Aparecida desde muito pequena, me entregando sempre nas mãos da Mãe de Deus na sua versão morena, que apareceu para os pobres e humildes pescadores.  Foi numa das primeiras fitas k7 que a Mivó gravou pra mim que eu ouvi ROMARIA pela primeira vez, e desde então é uma das minhas músicas favoritas de todos os tempos. Quando eu fiz 12 anos, pedi de presente uma imagem grande de Nossa Senhora Aparecida, que ganhei na missa celebrada em ação de graças pelo meu aniversário, e essa imagem me acompanha até hoje! Ela foi pra Brasília e agora tá aqui em Ierevan com a gente, nos acompanhando e abençoando de perto.

Neste ano, em que comemoramos 300 anos da aparição da imagem no Rio Paraíba do Sul, as igrejas do Brasil e também do mundo inteiro receberam imagens peregrinas de Nossa Senhora Aparecida, e eu fui abençoada com 3 encontros Marianos pelo mundo no ano do tricentenário!

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O primeiro encontro foi em Praga, na República Tcheca, quando fui rezar aos pés do Menino Jesus na Igreja de Nossa Senhora Vitoriosa (Chrám Panny Marie Vítezné). Foi lá que eu descobri que as imagens peregrinas estavam visitando paróquias de todo o mundo, e eu ainda sou incapaz de descrever a emoção de ter encontrado Minha Mãe Aparecida naquela igreja.

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O segundo encontro foi em Fátima, Portugal, onde a emoção já estava à flor da pele por poder visitar o Santuário de Fátima. Lá, no Santuário, está também em destaque uma imagem peregrina de Nossa Senhora Aparecida, neste ano Mariano em que comemoramos os 300 anos da Senhora de Aparecida e os 100 anos das aparições de Fátima. As emoções que experimentei no Santuário de Fátima transbordaram em mim – ou melhor, ainda transbordam.

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O terceiro encontro foi no Brasil, na paróquia onde eu cresci e desenvolvi minha espiritualidade: a Igreja de Nossa Senhora do Sagrado Coração – Santuário das Almas. Lá, num altar especial, estava a imagem peregrina da Mãe do Brasil, e, nas semanas em que estive por lá, participei da Novena junto com os outros paroquianos, continuando as orações aqui em Ierevan.

Nesta minha visita ao Brasil, não consegui ir de novo ao Santuário de Aparecida, mas aproveitei para comprar uma imagem nova de Nossa Senhora Aparecida, com o manto de tecido e bordado, e que agora está aqui em Ierevan com a gente.

Eu sou muito feliz por sentir o amor maternal de Nossa Senhora e por saber que ela intercede por mim junto à Deus, Nosso Senhor! Já que O MUNDO É A MINHA CASA, nada melhor do que ter a certeza de que eu tenho uma Mãe que me acompanha em todos os lugares! Afinal, nossos pais não podem estar com a gente o tempo todo, mas o Pai do Céu e a Mãe do Céu podem – e estão! São tantas as bênçãos e milagres operados na minha vida que eu preciso mesmo me colocar sempre de joelhos para agradecer e louvar ao Senhor Jesus. E, quanto mais eu agradeço, mais eu sinto a presença forte de Deus na minha vida, e as mãos intercessoras de Nossa Senhora me afagando a cada momento!

Nossa Senhora, com seu olhar meigo e sereno, manifesta a sua presença tenra e materna junto ao povo de Deus. Ela é a celestial cooperadora que nunca abandona os seus filhos! São trezentos anos desde que Nossa Senhora Aparecida saiu das redes para entrar no coração dos humildes, derramando bênçãos e graças sobre os seus filhos! Bendita seja a Senhora Aparecida, Mãe Morena, Mãe de todas as raças e culturas, Mãe do Redentor que se fez Homem para habitar entre nós!

Obrigada, querida Mãe Aparecida, por tanto!