UN Headquarters

Como boa internacionalista e ex-MUNzeira de carteirinha, eu não podia deixar de dar um pulinho na sede da ONU. A gente acabou não fazendo o tour, porque os horários disponíveis estavam bem ruins, mas não é preciso fazer o tour para entrar lá.

GBRV6039

Eu explico: você pode visitar a sede da ONU simplesmente para ir na “bookshop”, que é mais do que uma livraria, com vários souvenires legais para além dos livros incríveis. Ao fazer o registro de visitante, você pode dizer que quer ir na “bookshop” e isso vai te dar acesso ao andar principal do UN Headquarters e ao subsolo, além da área externa, onde ficam algumas esculturas históricas importantes.

Muito importante: não vá até a sede da ONU achando que vai ser tudo rapidinho, porque não vai. Mesmo se você não quiser fazer o tour, demora um bocadinho pra conseguir entrar porque é preciso fazer o seu registro de visitante, apresentando documento válido  (no caso de estrangeiros visitantes, é o passaporte). No momento do registro, eles tiram a sua foto e emitem uma identificação que permitirá o acesso aos headquarters.

Quando fomos lá, estava tendo uma exposição interessantíssima no hall do andar principal, com fotos e declarações de mulheres de diversas partes do mundo que foram vítimas de mutilação genital e/ou que tem que lutar muito pela sua liberdade e independência.

Broadway sim!

Eu e marido somos fãs de teatro e, principalmente, de musicais. Então é claro que a gente não ia perder a oportunidade de ver algum espetáculo na Broadway. Embora eu tenha argumentado fortemente para assistirmos Harry Potter and the Cursed Child, marido me convenceu de que, por já termos visto em Londres em 2017, deveríamos optar por outro espetáculo. Ou melhor, outros espetáculos!

Como este blog é comprometido com a verdade, eu não posso negar que assistir a estes espetáculos é coisa cara. Porém cada um tem suas prioridades, e nós gostamos muito desse tipo de rolê, então a gente preferiu economizar em outras coisas e assistir a dois espetáculos na Broadway.

Sim, com a TKTS os ingressos ficam mais baratos, mas ainda assim não são diversões baratinhas. Nós fomos 2 vezes ao booth que fica no South Street Seaport (perto de Wall Street) porque, segundo informações colhidas, lá é um pouco mais tranquilo do que o booth da Times Square e eles também vendem ingresso de véspera.

Nós tiramos a quarta feira pra ficar na Broadway e assistimos a dois musicais: Anastasia, que era uma produção temporária, e Frozen. As fotos que ilustram este post foram tiradas durante os agradecimentos, afinal de contas é terminantemente proibido filmar e/ou fotografar os espetáculos.

IMG_8412

Seria até injusto comparar ambas produções, já que Frozen tem toda a estrutura (e magia) Disney por trás. Mas Anastasia nos surpreendeu positivamente, o elenco era muito afiado (e afinado, é claro), e a produção era bem divertida pra contar uma história da qual sempre gostei muito.

IMG_8422

De noite, quando fomos ver Frozen, eu fiquei encantada já entrando no teatro, e a produção era maravilhosa, pura magia Disney. Nós conseguimos ver ambos musicais com o elenco principal, e acho que isso faz toda diferença – principalmente em Frozen, pois dizem que a substituta da Caissie Levy (a Elsa) não chega nem aos pés dela, e a Caissie realmente é um espetáculo.

Além destes musicais na própria Broadway, eu já vi outras produções que existem na Broadway, só que eu assisti em Londres, a saber: Wicked, The Lion King e Aladdin (além de Harry Potter and the Cursed Child, que eu falei ali em cima). Como eu falei ali em cima, Anastasia foi uma produção temporária, e sempre tem produções temporárias, então vale a pena ver o que está em cartaz; em Londres, por exemplo, eu assisti Singin in the Rain, que era produção temporária, e foi incrível.

Eu recomendo fortemente absolutamente todos estes musicais que já assisti; se o orçamento só permitir um, escolhe aquela história que mais toca o seu coraçãozinho e vá ser feliz!

O melhor cookie de Nova Iorque

Se você nunca ouviu falar da Levain Bakery, este post é pra você. E se você já ouviu falar, ou até mesmo já provou uma das delícias dessa padaria única, vamos juntos ficar com água na boca relembrando o melhor cookie de Nova Iorque.

IMG_8398

A Levain Bakery tem 5 unidades em Nova Iorque, e não é incomum testemunhar filas de gentes querendo um cookie delicioso.

Acredite: vale a pena a espera. Mas, se você preferir evitar filas, tente chegar cedo – até porque as fornadas diárias não são eternas, e eventualmente os cookies acabam.

Razões para não deixar de passear pelo Central Park

Nova Iorque é conhecida como a cidade que nunca dorme. Uma amiga minha que mora em Manhattan me disse que, não importa a que horas do dia ou da noite, sempre tem muita coisa acontecendo, sempre tem de tudo acontecendo. E isso é verdade.

IMG_8393

Mas também é verdade que Nova Iorque é uma cidade ultra populosa e a coleta de lixo é insuficiente pra dar conta de tanta gente e de tanto lixo que essa quantidade de gente produz. E aí acontece o inevitável: a cidade que nunca dorme tem cheiro de lixo.

Sim, gentes, eu sinto muito por decepcioná-los, mas Nova Iorque é IMUNDA! Para além dos ratos do metrô (eles existem de verdade), são sacolas e mais sacolas de lixos pelas ruas (em Midtown menos) de Manhattan, e a sensação que eu tinha era de que eu tava andando no meio de um lixão, e não na cidade com o metro quadrado mais caro do mundo.

E é por isso que o título deste post é “razões para não deixar de passear pelo Central Park”. Eu sei que o Central Park é uma atração turística, e é claro que muita gente que vai pra NYC visita o parque, mas pode ser que você tenha considerado deixá-lo de fora do seu roteiro, e é por isso que eu vou te convencer a dar umas voltinhas por esse parque gigantesco durante a sua estadia na cidade.

IMG_8368

Se NYC é a cidade que nunca dorme, com milhares de coisas acontecendo ao mesmo tempo, é bom ter um lugar pra ir e desacelerar, contemplar a natureza de verdade no meio de uma selva de pedra.

O Central Park também é um refúgio para o olfato, já que não há sacos e mais sacos de lixo empilhados, e o cheiro de natureza é um alívio.

Outra razão para passear pelo Central Park: ele é um dos cenários mais famosos de incontáveis filmes e seriados, e a gente acaba se sentindo num filme também.

Quer mais um motivo? Strawberry Fields, com o mosaico Imagine bem no centro da área que homenageia John Lennon, e que é uma zona de silêncio dentro do parque. Pertinho desta área, fica o prédio (Dakota Apartments) onde John e Yoko Ono moraram.

O último motivo que vou listar aqui é um dos meus favoritos: a escultura Alice in Wonderland, que faz parte do Central Park desde 1959. A estátua de bronze retrata Alice e seus amigos numa tea party comandada pelo Chapeleiro Maluco.

E, já que você estará ali pertinho, não deixe de visitar o MET, que tem um dos acervos mais impressionantes do mundo.

O Brooklyn tem o melhor hambúrguer que eu já comi

Uma vez em Nova Iorque, não poderia deixar de cruzar o East River, saindo de Manhattan rumo ao Brooklyn!

CQXP3147

E, já que estávamos no Brooklyn, resolvemos procurar um lugar pra almoçar por lá. E eis que encontramos no Google um restaurante chamado Colônia Verde que despertou a nossa curiosidade, e pra lá nós seguimos.

Como todo bom achado, o Colônia Verde era uma portinha pequena, sem grandes letreiros, sem muito movimento. Um cardápio enxuto apresentava vários pratos que pareciam apetitosos, mas um deles chamou a nossa atenção: hambúrguer no pão de queijo, acompanhado de batata doce frita. Pedimos.

IMG_8357

MEU DEUS DO CÉU. Que hambúrguer, minha gente! Até hoje eu fico com água na boca só de lembrar. E é por isso que ele foi eleito O Melhor Hambúrguer Que Eu Já Comi Na Minha Vida (pelo menos até a presente data).

O hambúrguer era servido exatamente num pão de queijo gigante. Imaginou um pão de queijo imenso? Então, era isso mesmo. E era bom demais. E, desde então, todo mundo que eu conheço que vai pra NYC eu recomendo fortemente que siga rumo ao Brooklyn pra provar esta iguaria.

One World Observatory & Memorial Plaza

Um dos lugares mais legais que visitamos em Nova Ioque foi, certamente, o One World Observatory e a Memorial Plaza do 11 de setembro. Sempre me disseram que todo mundo tem que ver Nova Iorque de cima, e nós escolhemos fazê-lo do topo do observatório mais novo da cidade.

RSTL6272

Ao chegar no November 11 Memorial Plaza, é impossível não sentir uma forte emoção. O memorial é muito bonito, muito sensível e delicado.

SIAO2257

Eu, que me lembro com perfeição daquele 11 de setembro de 2001, confesso que fiquei bastante emocionada de estar ali, de ler os nomes de todos aqueles que não conseguiram sobreviver àquele episódio e, principalmente, por ver as rosas brancas colocadas nos nomes dos aniversariantes daquele dia. O acesso a Memorial Plaza é gratuito.

Para subir no One World Observatory, há diferentes tipos de ingressos, e nós optamos pelo mais simples (USD 35 + imposto, por pessoa), que dá direito ao passeio completo, porém sem audio guia ou fila prioritária (que, naquele dia, era perfeitamente dispensável porque tava bem tranquilo o movimento). A vista lá de cima é realmente incrível: são 360º de tirar o fôlego!

Finalmente, Nova Iorque!

Nosso último destino das férias de fevereiro/março foi Nova Iorque. Sim, eu finalmente conheci a concrete jungle where dreams are made of! Nós fizemos o trajeto Washington D.C. – New York de trem, numa viagem que durou pouco mais de 3 horas com a Amtrak.

Logo depois de almoçarmos em Little Italy, bairro onde ficamos hospedados, nós fomos andando até a 5ª Avenida, avistando o Empire State Building no caminho e a nossa primeira parada foi a St Patrick’s Cathedral.

Eu achei a catedral muito impressionante e aproveitei a oportunidade pra, mais uma vez, agradecer a Deus por poder vivenciar tantas coisas incríveis!

GNNG5891

Depois, passamos pelo Rockfeller Center, e aí aproveitamos que já estávamos por ali mesmo e demos um pulinho na Uniqlo da 5th Avenue, que é gigantesca!

Mais uma atividade esportiva: jogo de basquete em D.C.

Além de termos ido a um jogo de futebol em Vancouver e a um jogo de hóquei em Calgary, nós ainda fomos a um jogo de basquete em Washington D.C.!

IMG_8174

Tanto eu quanto marido já tínhamos ido a jogos da NBA – nos meus anos de guia pra Orlando, eu tive a sorte de levar alguns grupos aos jogos do Orlando Magic, que acabou se tornando meu time do coração! – mas nós quisemos aproveitar a oportunidade para ver o jogo dos Washington Wizards contra os Memphis Grizzlies.

Nós compramos os nossos ingressos pelo SubHub bem em cima da hora – entramos no metrô rumo a Capital One Arena ainda sem os ingressos no email! – mas logo eles chegaram e nós entramos sem problemas.

Aliás, a Capital One Arena tem acesso muito fácil com o metrô de D.C., a gente já sai da estação de metrô praticamente dentro da arena.

GOAQ2485

a piadinha do dia foi: “I thought this was a WIZARDS game!” hihihi

Nós demos MUITA sorte com os ingressos: nossos lugares eram praticamente side court, só que sem o preço de um ingresso desse tipo! Assistimos a partida muito de pertinho, e foi uma vitória emocionante dos Wizards!

Passeando pelo National Mall

Depois de muitas horas de viagem entre Calgary e Washington DC, conseguimos chegar à capital dos EUA! Pra vocês terem uma ideia, nós saímos do nosso hotel em Calgary ainda de manhã cedo, e só conseguimos chegar no hotel de Washington DC quase meia noite. Acontece que, além de termos pegado uma conexão razoavelmente longa em Ottawa, deu uma nevasca absurda naquele dia, e o nosso segundo vôo atrasou muitas e muitas horas. Enfim, conseguimos chegar.

CJKA4845

Marido já tinha ido à Washington DC há alguns anos atrás, mas quis voltar para rever alguns amigos que estão morando por lá. Eu achei ótimo, porque tinha vontade de conhecer a capital dos EUA – acho que as capitais guardam histórias que podem nos explicar melhor porquê determinadas coisas são como são.

DSC01691.JPG

Nosso primeiro passeio em DC foi pelo National Mall, mas não sem antes parar na estátua de Albert Einsten que fica em um dos parques-memoriais. Ao longo da nossa estadia de 5 noites em DC, nós voltamos algumas vezes ao National Mall para conseguir ver tudo – ou tentar ver tudo – o que nos interessava.

Quando se fala em National Mall, geralmente se pensa na área inteira que vai do Lincoln Memorial até o Capitólio, com o monumento de Washington dividindo a área como ponto central. O National Mall inclui e faz fronteira com diversos museus smithsonianos, galerias de arte, instituições culturais, e muitos memoriais, esculturas e estátuas.

Nós visitamos com calma o National Air and Space Museum e o recém-inaugurado (e bastante concorrido) National Museum of African American History and Culture. Nós chegamos a entrar no Holocaust Memorial Museum, mas não conseguimos visitar a exposição permanente, que tem ingressos limitados por dia e já estava lotado por todo o período da nossa visita; por conta disso, tivemos acesso apenas a uma pequena área do museu, que tinha acesso livre para visitantes sem ingresso pré-agendado.

Eu adorei o Air and Space Museum, mas eu amei mesmo o Museum of African American History and Culture. Além de ser muito moderno e cheio de experiências interativas, o museu é muito sutil e delicado ao convidar os visitantes à reflexão sobre o papel dos negros na cultura norte-americana, destacando com sensibilidade diversos momentos basilares da história.

HPAT1990

Quanto aos monumentos a céu aberto, nos demoramos um pouco no memorial Lincoln e no monumento à Martin Luther King Jr, no memorial dos veteranos da Guerra da Coréia,  e no memorial da Segunda Guerra Mundial.

Calgary: a tocha olímpica mais alta do mundo, almoço na churrascaria e hóquei

Calgary é uma das maiores cidades da região de Alberta, cheia de prédios arranha-céus, e foi por lá que ficamos nas nossas 2 últimas noites no Canadá. No dia em que chegamos, resolvemos aproveitar para ir no cinema, descansando um pouco da pauleira que foi a viagem pelas Canadian Rockies.

AOCS4200

Depois de tomar um tradicional café da manhã no Tim Hortons (uma verdadeira instituição canadense!), subimos na Calgary Tower, que é apenas a tocha olímpica mais alta do mundo! A torre, que oferece uma vista panorâmica em 360º da cidade, tem diversos decks de observação, além de um restaurante giratório, e o ingresso para adulto custa 18 dólares canadenses.

LWOH0001

Eu confesso que me deu um pouquinho de agonia andar sobre um vidro numa torre que tem 191 metros de altura! Eu não tenho medo de altura propriamente dito, mas precisei de alguns minutinhos pra me acostumar com a ideia de andar “sobre o nada” antes de fazer graça pros registros fotográficos.

Terminada a nossa visita à Calgary Tower, seguimos caminhando pela cidade, parando na Peace Bridge que fica em cima do Bow River e passando pelo Prince’s Island Park. A fome comecou a apertar, e resolvemos procurar se tinha um restaurante brasileiro ali por perto, onde poderíamos matar a saudade da comida da terrinha.

Para nossa alegria, encontramos a Minas Brazilian Steakhouse que, além de churrascaria, tinha um buffet completo, com direito a coxinha, pão de queijo e strogonoff entre outras delícias.

De noite, fomos para o Scotiabank Saddledome assistir ao nosso primeiro jogo de hóquei!  Ver o Calgary Flames ganhar de virada em casa foi muito incrível. Recomendo fortemente pra quem tiver oportunidade!!

Banff gondola, uma incrível experiência panorâmica

No domingo, nosso dia inteiro e livre em Banff, depois de ir à missa, nós subimos rumo às montanhas mais altas de Banff, tomando a gôndola. Sim, gente, nós passamos por três resorts de ski e não esquiamos em nenhum deles; eu não posso esquiar por conta do meu problema no tornozelo (não consigo nem calçar a bota!) e marido, como é muito legal, não quis esquiar sozinho e preferiu fazer o rolê light comigo.

OKTP9592

O transporte público de Banff deixa os turistas na frente da entrada para a gôndola, e os horários dos ônibus não são os melhores, mas também não deixam ninguém na mão. O ingresso de adulto para a gôndola custa cerca de 60 dólares canadenses na alta temporada, mas é possível agendar com antecedência pelo site e conseguir descontos de até 15%.

Antes de subir, passamos pelo Starbucks pra tomar um café, e também há uma lojinha de souvenires – inclusive com moletons e luvas para os desagasalhados, já que as temperaturas nas alturas podem ser até 15C mais frias do que na cidade.

WVOM0900

A beleza da montanha Sulphur é um negócio impressionante. Há alguns rooftoops panorâmicos, experiências interativas e até mesmo uma trilha (não-guiada) pelas montanhas. Nós fizemos nossa visita com calma, e aproveitamos para almoçar lá em cima. O Sky Bistro, que fica a 7.400 pés de altura, oferece uma ampla variedade de pratos quentes, salgados, e sobremesas deliciosas – e tudo parece ficar mais saboroso por conta da vista incrível.

No dia seguinte, partimos de Banff rumo à Calgary, nossa última parada na aventura canadense!

Banff, nossa última parada nas Canadian Rockies

Depois da experiência ligeiramente frustrante em Lake Louise, acordamos no dia seguinte para partir rumo a Banff. O ônibus nos buscaria no Lake Louise Inn às 10h, e a viagem deveria durar 1h30.

QWWY1051

Chegamos ao Banff Caribou Lodge e nossos quartos não estavam prontos. Isso não seria um problema, se não fosse a falta de educação e falta de preparo dos funcionários do hotel para lidar com os hóspedes. Além de muito rudes, mesmo informando que os quartos só ficariam prontos às 16h, relutaram em guardar nossa bagagem para que pudéssemos sair do hotel e não queriam nos dar o bilhete de transporte público a que tínhamos direito. Não consigo entender como eles queriam que nós ficássemos plantados na recepção por 4h30 tomando conta das nossas malas, ou então caminhando pela cidade carregando nossa bagagem.

Depois de difícil negociação, conseguimos guardar nossas malas no bagageiro do hotel e sair pra explorar a cidade. Percebemos, então, que estávamos razoavelmente longe do centro de facto, e o que pode até ser uma caminhada agradável em temperaturas mais amenas, no frio era um lamento. Estávamos a mais de 5 blocos do centro, e não eram quarteirões pequenos; cada um deles abrigava 2 ou 3 hotéis grandes.

Chegando ao centro, conseguimos almoçar, inclusive fizemos uma refeição bem gostosa. Andamos um pouco pelo centro, o tanto quanto o cansaço X frio nos permitiu, e quando passou das 15h nós voltamos (de novo, andando) para o hotel. Ao chegarmos, fomos informados que nosso quarto deveria ficar pronto depois das 16h30 – ou seja, um atraso de meia hora do horário oficial de check in.

Quando finalmente conseguimos fazer o check in e subir pro quarto, encontramos instalações muito velhas e não muito limpas. Eu definitivamente não recomendo esse hotel que, além de tudo isso, tem um café da manhã caríssimo (25 dólares canadenses por adulto) para um buffet apenas razoável, em que é ainda proposto pagar gorjeta(!!!) porque simplesmente serviram suco e café na mesa.

Banff é o principal resort de ski do Canadá, e embora a cidade seja linda e muito simpática, nossa experiência foi manchada por esse hotel ruim com funcionários desagradáveis.

Um dia em Lake Louise

Depois da nossa super aventura caminhando sobre o Maligne Canyon, nós voltamos pra Jasper e dormimos mais uma noite por lá, acordando super cedo no dia seguinte (5 da manhã!) para seguir rumo a Lake Louise.

A viagem de ônibus, com duração prevista de 3h30, durou um pouco mais de 4h. De acordo com nosso motorista, o percurso pode durar até 7h, dependendo das condições climáticas. Percorremos a Icefield Parkway, passando pelo Crowfoot Glacier e pelos lagos Peyto e Bow.

MPEN9494

now that’s ice!

Ao chegarmos no nosso hotel em Lake Louise, tivemos que esperar um pouquinho até que nosso quarto estivesse pronto. Nós ficamos no Lake Louise Inn, que tem piscina coberta, 2 restaurantes (embora eles estivessem funcionando em horários alternados) e um café, mas eu não recomendo por vários motivos. Além de estarem precisando de uma reforma urgente, a equipe do hotel não foi nada gentil, nem solícita, nem prestativa. E o café da manhã de buffet era um roubo: quase 30 dólares canadenses por pessoa!!!

A programação deste dia era um passeio de sleigh ride na parte da tarde, e foi em Lake Louise que a programação da Canada by Design começou a ficar meio complicada e a nos dar um pouquinho de dor de cabeça. Este blog é muito honesto, e eu gosto de falar toda a verdade por aqui; quando é bom, eu elogio, mas quando é ruim eu também tenho a obrigação de contar pra vocês. Tendo trabalhado como guia, eu sei que muitas coisas fogem do controle da agência, principalmente no caso deles, que não tem uma equipe própria acompanhando os roteiros; a Canada by Design vende os roteiros e nós meio que vamos nos virando pelo caminho, por exemplo confirmando os passeios diretamente com cada operador.

Acontece que, diferente de Jasper ou mesmo Banff (nosso próximo destino), Lake Louise não tem muito o que fazer, muito menos a pé. Pegar táxi não é tarefa fácil, e os ônibus tem rotas estranhas – pelo menos, estranhas pra quem não está habituado. Foi um pouco difícil conseguirmos chegar até o Fairmont Château Lake Louise, onde fica o Brewster Stables Sleigh Ride, responsável pelo nosso passeio. Para conseguirmos chegar até o hotel, tivemos que pegar um táxi (que não era bem um táxi) que nos custou 20 dólares canadenses, e, porque a motorista ficou lerdando no caminho, nós quase chegamos atrasados.

EKSA3963

Tinha nos sido informado que, durante o passeio de sleigh ride, nós teríamos cobertores para ajudar a suportar o frio intenso, mas na verdade os bancos de couro do trenó eram muito frios e as cobertas (uma para ser dividida pelos passageiros de cada banco) eram daquelas tipo de avião, finas, que não resolvem muita coisa, e que ainda estavam bem sujinhas. Outra coisa frustrande foi o passeio não dar a volta no lago, nós fomos e voltamos pelo mesmo lado, então a paisagem foi a mesma. Imagina tudo isso no frio e com cheiro ruim dos cavalos? Eu fiquei meio brava, confesso.

IKET7277

escultura da rainha de gelo (obviamente apelidada de Elsa) no Fairmont Château, que tinha acabado de promover um concurso de esculturas de gelo

Se algum dia você for para Lake Louise, eu tenho 2 dicas seríssimas: fique no Fairmont Château, e não perca tempo com esse passeio de trenó. De fato, o Fairmont Château é lindo por dentro e por fora (não conseguimos conhecer os quartos, é claro, mas demos umas voltas pelas áreas comuns do hotel), e eles oferecem várias atividades para os hóspedes que fazem a estadia em Lake Louise valer a pena, além de algumas opções de restaurantes e bares que agradam até os paladares mais exigentes.

Jasper: caminhando sobre o Maligne Canyon

Como eu comentei no post anterior, nós chegamos a Jasper de trem e fomos levados para o nosso hotel. Nossa acomodação era o The Crimson Jasper, bem pertinho do centro desse ski resort, o que facilitou para que caminhássemos pelo centrinho no dia em que chegamos. Ficamos muito felizes ao chegarmos no lodge e descobrir que nosso quarto já estava pronto (mesmo algumas horas antes do horário oficial de check in), o que nos permitiu tomar um banho decente e descansar por algumas horinhas antes de sair em busca de alimento.

DSC01521

A grande atração de Jasper estava guardada para a tarde do dia seguinte: caminhar sobre o canyon congelado. Nós literalmente andamos sobre um canyon congelado, e eu nunca pensei que fosse falar isso na minha vida!

O transfer agendado nos buscou no hotel por volta das 13h, levando-nos, primeiro, para arrumar calçados adequados para caminhar sobre um canyon congelado. Era uma mistura de galocha mais quentinha com sapato de escalada, muito esquisito, mas funcionou. O calçado adequado é mesmo muito importante pra esse tipo de aventura, porque em alguns trechos da caminhada nossos pés ficavam submergidos no gelo. Aliás, a roupa adequada é toda muito importante, o nosso guia não deixava ninguém sair do hotel e entrar no ônibus sem luvas e gorros.

Nós, que já tínhamos enfrentado um inverno com -20C na Armênia, não fazíamos ideia do frio que estava nessa região do Canadá. Depois de quase congelar com o vento cortante de Winnipeg, onde ficamos por 24h de conexão entre Orlando e Vancouver, nós saímos em busca de casacos ainda mais quentes do que os que tínhamos levado; por sorte, conseguimos ir num outlet nas redondezas de Vancouver e achar casacos adequados para temperaturas até -30C. O casaco do Felipe era lindo, com certeza ele vai aproveitar muito pelos próximos invernos; o meu era rosa (tipo roupa da Barbie) e 3 tamanhos maior do que o meu tamanho normal, então logo que voltamos da viagem eu dei de presente para uma amiga armênia – mas lá ele me foi útil e me salvou do frio, e é isso que importa.

UPUG3789

Voltando ao passeio no Maligne Canyon: eu nunca vi tanta neve e tanto gelo na minha vida. Embora seja um passeio razoavelmente tranquilo (no nosso grupo tinha gente de todas as idades), não é recomendável fazê-lo sem um guia. Nosso passeio foi operado pela Sundog Tours e o nosso guia sabia tudo e era cheio das manhas pra andar em cima do gelo. Quando eu comentei com ele que tinha um problema crônico no tornozelo, ele foi super atencioso, tinha o maior cuidado comigo ao longo do percurso, e comemorou comigo e com o marido ao final do passeio por eu ter conseguido fazer a trilha completa, que tem cerca de 3,5km.

O Maligne Canyon é o canyon mais profundo do Jasper National Park, e nós passamos por entre cachoeiras congeladas, dentro de cavernas de gelo, e vimos de perto formações de gelo incríveis. Eu estava me sentindo meio Elsa, meio Anna, meio Kristoff. Embora meus dedinhos do pé tenham ficado ligeiramente congelados (eu sinto frio demais no pé), foi um dos dias mais incríveis de toda a minha vida!

Rumo às Canadian Rockies: no trem de Vancouver para Jasper

Um dos trechos para o qual estávamos mais animados na nossa viagem pro Canadá começou com uma viagem de trem entre Vancouver e Jasper. O percurso, que teoricamente demoraria 14h, acabou levando quase 20h por conta das condições climáticas. Era muita neve, minha gente!

Mas vamos começar do começo.

Essa viagem de trem faz parte de um pacote que fechamos com a Canada by Design. É claro que é possível comprar a passagem de trem de maneira independente mas nós optamos pelo intermédio da agência por um motivo determinante: quando nós decidimos que queríamos ir pras Canadian Rockies, os trens das datas possíveis já estavam lotados; foi graças ao auxílio da Point Travel que nós soubemos que poderíamos comprar pacotes que incluiam o trecho de trem por intermédio dessa agência, que tem bloqueio de cabines do trem.

DSC01396

Nós optamos pelo pacote “superior grade”, que nos dava direito a uma cabine privativa no trem e acesso ao lounge (com bebidas, snacks e jornais) na estação de trem de Vancouver. A cabine privativa era pequena, mas razoavelmente confortável, principalmente porque seguimos a recomendação de despachar as bagagens maiores e levar somente as mochilas conosco pra dentro da cabine. Nela, tínhamos uma pequena pia e um toalete, mas não chuveiro; nesta classe de viagem, havia um chuveiro compartilhado para cada 5 cabines. Somente os passageiros da primeira classe dispunham de banheiros privativos em suas respectivas cabines. Quando nós estávamos planejando a viagem e vimos as opções de pacotes, não achamos que compensava a diferença de preço para ter um banheiro completo privativo e, de fato, não fez falta pra uma única noite de viagem. Eram fornecidos kit de amenidades e toalhas.

Embora tivesse tomadas suficientes na cabine, o trem tinha um problema substancial: nada de Wi-Fi. Além de não ter Wi-Fi, a conexão móvel parou no meio da noite e nós só fomos recuperar o sinal já chegando em Jasper. Quando embarcamos no trem, encontramos a cabine com 2 poltronas. À noite, quando voltamos do jantar, as poltronas deram lugar à 2 camas, do tipo beliche, com direito à luz de cabeceira. As camas eram surpreendentemente confortáveis: marido dormiu super bem; eu sou chata pra dormir, e o balanço e barulho do trem me atrapalharam muito.

Estavam incluídas três refeições: almoço (que foi servido logo após o embarque) jantar e café da manhã. Para almoço e jantar, era preciso escolher entre 2 horários disponíveis, e nós escolhemos a 2a chamada; o café da manhã era servido de acordo com ordem de chegada, das 06:30 até 08:30. A falta de sinal no trem QUASE nos fez perder o café da manhã.

Mas Letícia, você não disse que quase não dormiu? 

Pois é, minha gente. Acontece que eu fui conseguir dormir JUSTAMENTE quase de manhã, porque o trem ficou empacado na neve (hihihi). Ao ficar empacado na neve, o que mais me atrapalhava a dormir (movimento/barulho do trem) acabou, e eu finalmente consegui dormir um tiquinho. Eu tinha colocado o despertador pras 08h, só que Jasper estava num fuso horário diferente do de Vancouver!!!! Com a falta de sinal, o celular não atualizou o horário e eu já tava achando que tínhamos perdido o café da manhã!! Logo eu, que sou faminta/alucinada por café da manhã.

Pra nossa sorte (obrigada, Deus), por conta do trem ter ficado empacado na neve, o serviço de café da manhã teve seu horário prorrogado, e nós conseguimos comer. Depois de terminarmos, ainda demorou mais umas 2 horas pra conseguirmos chegar até Jasper – tudo por conta da neve. Gentes, era muita neve mesmo.

Além das janelas de cada cabine, o trem tinha algumas cabines panorâmicas no segundo andar, e durante o percurso pudemos admirar o Canyon Fraser, as montanhas costeiras, o Rio Fraser, e até o Hell’s Gate. Também passamos pelo Mt. Robson e pelo Lago Moose pouco antes de chegarmos em Jasper – a esta altura, a vista não era muito clara por conta da quantidade de neve.

Esse percurso de trem foi inesquecível. Foi muito interessante, embora devo confessar que também tenha sido cansativo. Ao chegarmos em Jasper, fomos levados para o nosso lodge, onde passaríamos 2 noites – mas esta história eu deixo pro próximo post!