Semana passada o blog ficou paradinho por motivos de: carnaval. Eu, como grande entusiasta dos desfiles das escolas de samba na Sapucaí, frustrada por passar mais um ano longe da passarela do samba, fiquei acompanhando os desfiles à distância, aproveitando a única vantagem que essa distância me proporciona: a diferença de fuso horário fazia com que os desfiles fossem transmitidos ao vivo aqui pela manhã.

Agora que o carnaval acabou, começa o ano de verdade no Brasil, e eu não vejo nada de errado nisso! Muito pelo contrário, até desejei feliz ano novo pra todo mundo no tuíter. E, no último domingo, nós fomos conhecer mais um importante local aqui de Erevã: o Museu do Genocídio Armênio.

Mais do que turismo, ir ao Museu do Genocídio Armênio foi pra mim uma verdadeira aula de história, fazendo com que minha ficha caísse mais uma vez porque percebi o quão ignorante eu ainda sou.

O Genocídio Armênio corresponde ao extermínio dos armênios entre 1915-1923 no Império Otomano e nas regiões adjacentes. A história conta que os massacres foram planejados e perpetrados pelo governo Young Turks, finalizado pelo governo Kemalist. A Primeira Guerra Mundial deu aos Young Turks a oportunidade de acertar as contas com os armênios que viviam no Império Otomano, implementando a decisão do encontro secreto de Thessaloniki em 1911: o plano era “turquificar” os muçulmanos e exterminar os armênios que viviam no Império Otomano. A Armênia e os armênios eram um obstáculo no caminho de implementação do projeto dos Young Turks, que sonhavam em estender o império do Bósforo até Altai. Durante a Primeira Guerra Mundial, os Young Turks perpetraram massacres contra sírios, gregos e árabes que viviam no Império Otomano.

Fogo Eterno

Em fevereiro de 1915, o ministro militar Enver Pasha ordenou a eliminação dos soldados armênios que serviam ao Exército. Em 24 de abril e nos dias que se seguiram, 800 armênios foram presos em Constantinopla e exilados em Anatolia: uma parte deles morreu no caminho para o exílio, enquanto outros morreram ao chegar lá. A primeira resposta internacional à violência foi um comunicado conjunto entre França, Rússia e Reino Unido em maio de 1915, onde as atrocidades turcas contra os armênios foram definidas como um crime contra a humanidade e contra a civilização. Segundo este comunicado, o governo turco era responsável pela implementação do crime.

Cerca de 2 milhões de armênios viviam no Império Otomano antes da Primeira Guerra Mundial, e aproximadamente 1,5 milhão de armênios foram mortos entre 1915-1923; o restante foi exilado ou islamizado.

Neste período, as mulheres foram submetidas à todo tipo de humilhação, desde abusos diversos até o assassinato dos bebês sendo gestados. Aquelas que sobreviviam às humilhações e abusos eram sujeitas a outras diversas ações revoltantes, como terem seus rostos tatuados como forma de identificação da sua inferioridade.

Além disso, aprendemos também um pouco sobre o genocídio cultural armênio. O genocídio cultural correspondente às ações e medidas adotadas para destruir a cultura de qualquer nação ou grupo étnico. O museu apresenta fatos concomitantes aos massacres e deportações que mostram que o governo Young Turk premeditou e planejou um método sistemático que objetivava a destruição material de tudo o que testemunhava a civilização armênia, massacrando membros do clérigo, destruindo igrejas, monastérios e outras propriedades da igreja, além de diversos manuscritos medievais. Até hoje, os monumentos armênios que estão em território turco sofrem ataques de destruição.

Nós passamos boa parte da tarde de domingo aprendendo um pouco sobre este caso que mancha a história mundial. Em diversos momentos, foi impossível conter as lágrimas. Já tendo visitado o Yad Vashem e o Museu do Apartheid, posso afirmar que o Museu do Genocídio Armênio tem a mesma importância histórica. Cada vez que faço uma visita dessas, percebo que a gente ainda tem muito o que aprender sobre o nosso mundo e sobre a humanidade, e que ainda temos muito o que corrigir das atrocidades históricas que foram perpetradas – principalmente contra as minorias.

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