Khachkars, as cruzes de pedra da Armênia

No primeiro post sobre cultura e história da Armênia, mencionei as Khachkars – as cruzes de pedra da Armênia, que receberam atenção numa matéria bacana da edição de verão da revista Armenia Tourism Magazine (nº18). Elas são tão interessantes que merecem de fato que nós saibamos um pouco mais sobre esta forma de arte!

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Acredita-se que os protótipos das khachkars eram vishaps, criaturas mitológicas, deidades e espíritos da água que, desde os tempos antigos, eram cravadas em pedra sólida. A altura das vishaps eram de 5 metros de altura, segundo os arqueólogos que as descobriram. Entre as imagens esculpidas, encontram-se peixes, pássaros, e outros animais. Depois, o significado das vishaps foi transformado e associado à dragões. A palavra vishap significa dragão. No livro “The Art of Armenia”, de Nonna Stepanyan, descreve-se como, ao longo do tempo, as vishaps foram gradualmente substituídas por monumentos de pedra refletindo a iconografia Cristã. Mais tarde, adotou-se a forma de lápides, que se tornaram a base para criar uma nova forma decorativa, as khachkars.

Em 301, os armênios adotaram oficialmente o Cristianismo, que se tornou a religião do Estado. Isso foi não só um importante evento para a vida espiritual do povo armênio, mas também um prenúncio da identidade escultural. O verdadeiro desenvolvimento e distribuição das khachkars aconteceu muitos séculos depois, quando finalmente tomaram sua forma única. As khachkars se tornaram um símbolo da fé Cristã, um modo de evidenciar o pertencimento dos habitantes ao novo mundo Cristão.

Cada khachkar, feita à mão por talentosos artistas, é única: nenhuma é igual a outra, ainda que todas elas obedeçam a um estilo.

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Desde os tempos antigos, as khachkars não apenas decoraram cemitérios, mas também passaram a ser esculpidas em honra à construção das catedrais e igrejas, construção de novas vilas e em outras ocasiões especiais. Os lugares onde as khachkars são colocadas são considerados santos. Muitas khachkars foram preservadas em antigos cemitérios armênios, onde podem ser admiradas tanto por residentes da Armênia quanto por turistas interessados na cultura do país.

Em muitos aspectos, devido à distribuição das khachkars, a Armênia é, por muitas vezes, considerada um museu a céu aberto, por conta das muitas cruzes de pedra que podem ser encontradas não só em lugares importantes mas também por diversos lugares nas cidades.

A estrutura clássica das khachkars é um bloco de pedra monolítico, com uma cruz esculpida no meio, geralmente a partir de um círculo de galhos ou flores. As imagens ornamentais se ondulam em torno da cruz, por muitas vezes com romãs e videiras, que são os símbolos principais da arte decorativa da Armênia.

O Museu Estatal de História da Armênia, na Praça da República, tem vários exemplares de khachkars expostas. Nelas, pode-se observar a história das khachkars e a evolução das suas formas desde que começaram a ser esculpidas até os dias atuais. Se, nos tempos antigos, os padrões circundavam a cruz, mais tarde as khachkars passaram a se parecer cada vez mais com uma renda feita na pedra, nas quais a cruz se integra perfeitamente ao ornamento. Mais tarde, no lugar das cruzes, começaram também a esculpir letras do alfabeto armênio.

Tradicionalmente, a khachkar é feita de tuff, uma pedra densa, formada de produtos sólidos de erupções vulcânicas, que depois são compactadas e cimentadas. De acordo com Varazdat Hambardzumyan, um grande escultor de Yerevan, é impossível imaginar uma oração armênia em frente à mármore ou granito. Há muitos séculos, as cruzes armênias são feitas de pedra tuff, e os armênios acreditam que esta pedra vulcânica pode absorver todas as coisas negativas como, por exemplo, doenças, das mãos do seu escultor ou de alguém que a tenha tocado.

A pedra tuff é encontrada em diversas cores. Para criar os padrões, os escultores primeiro desenham e depois esculpem a pedra com ferramentas específicas. O polimento das khachkars, quando estão quase prontas, é gentilmente chamado de massagem pelos artistas armênios.

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As khachkars ainda retém sua característica artística principal: apresentar a beleza da pedra. É graças a este princípio que algumas pedras parecem pequenos pedaços de paredes esculpidas, que por vezes são montadas em blocos únicos, tornando-se elementos decorativos da fachada como, por exemplo, em catedrais. As khachkars são um fenômeno original da memória escultural armênia.

Vou terminar este post com um fun fact: quando o marido estava trabalhando no Zimbábue, um armênio que trabalhava com ele deu de presente pra ele uma Khachkars e uma garrafa de conhaque Ararat! Infelizmente a cruz não foi adequadamente transportada entre o Zimbábue e o Brasil e, ao chegar em Brasília, estava absolutamente danificada. Mas o que eu acho mais bacana nesta história toda é que isso aconteceu em 2013, e a gente não fazia ideia de que viríamos morar na Armênia!

 

Quem foi Alexander Tamanyan?

Dando continuidade ao aprendizado sobre a Armênia, sua história e cultura, é impossível não falar de grandes personalidades armênias. Aproveitando a edição de verão da revista Armenia Tourism Magazine (nº18), pude aprender um pouco mais sobre Alexander Tamanyan, e vou dividir com vocês um pouquinho do que aprendi sobre o fundador da arquitetura de Yerevan.

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Tamanyan nasceu em 1878, na cidade de Ekaterinodar (hoje, Krasnodar). Sua educação em São Petersburgo garantiu seu sucesso como arquiteto, Tamanyan não hesitou em voltar para sua pátria histórica, que tinha, então, conquistado sua independência. Em 1919, pela primeira vez ele veio para a Armênia, na época da Primeira República (1918-1920). Por muitos anos antes disso, Tamanyan tinha interesse na arquitetura armênia. Em 1908, Nikolai Marr, que conduziu escavações em Ani, comissionou a Tamanyan um projeto de museu na capital do reino medieval armênio. Pouco tempo depois, Tamanyan disse a seus amigos que iria mudar-se para a Armênia e realizar planos arquitetônicos por aqui.

De fato, Tamanyan não conseguiu construir nada durante a Primeira República. No fim de 1920, a república foi submetida às tropas soviéticas, e o arquiteto se viu forçado a deixar o país com sua família, indo para a cidade de Tabriz no Irã.

Entretanto, o desejo de criar na sua pátria ainda tomava Tamanyan – afinal, a Armênia ainda existia, mesmo como uma República Socialista Soviética. Como resultado, sob garantias pessoais do Conselho dos Comissários do Povo para a Armênia, o arquiteto retornou para Yerevan em 1923. Já em 1924, ele apresentou para o governo um plano geral de arquitetura para a cidade, cheio de ideias inovadoras e soluções de planejamento urbano. Mais tarde, este plano foi revogado, mas seus principais pontos foram mantidos intactos.

De acordo com a ideia de Tamanyan, Yerevan deveria ser dividida em diversas zonas – administrativa, universitária, industrial, cultural – conectadas umas as outras e ao centro. Duas praças – a praça do Teatro e a praça de Lenin -, ligadas pela Northern Ave, se tornariam os centros da cidade. A principal vantagem do plano de Tamanyan era a disposição das ruas e prédios da cidade, de modo que muitos deles teriam vista livre para o Monte Ararat.

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vista pro Ararat daqui de casa: valeu, Tamanyan!

Graças ao plano arquitetônico de Alexander Tamanyan, Yerevan se tornou uma cidade compacta e confortável. O projeto inicial era para uma cidade com 150 mil habitantes, mas o projeto de Tamanyan prova-se bom até para a Yerevan de hoje acomodar um milhão de pessoas. Observando a cidade como herdeira das capitais antigas da Armênia, o arquiteto teve cuidado no design dos prédios, buscando conectar as tradições nacionais do país com soluções modernas.

A produção de Alexander Tamanyan é surpreendente: além do projeto original de Yerevan, muitos dos objetos arquitetônicos da cidade, que datam de 1925 a 1932, foram desenhados por ele. Além disso, Tamanyan não só criou Yerevan, mas também fez o desenho geral de Leninakan – hoje, Gyumri -, Etchmiadzin, Gavar e outras cidades armênias.

Tamanyan presidiu o Comitê para Proteção dos Monumentos Históricos da Armênia Soviética, o que, no contexto da agressiva renovação e destruição de estruturas religiosas e culturais do passado – característico dos primeiros anos de Repúblicas Soviéticas -, era uma questão difícil e insegura.

O projeto de Tamanyan para o prédio do governo, localizado na praça Lenin, que hoje é a praça da República, é singular. Este prédio, executado em estilo neoclássico, deu pontapé inicial para o desenvolvimento de toda a arquitetura armênia moderna.

Também é muito importante o projeto da Casa do Povo, o primeiro teatro de Yerevan. Conhecida, hoje, como a Ópera, o teatro imenso pode acomodar até 3 mil espectadores. Na Casa do Povo, foram planejadas muitas inovações técnicas – por exemplo, duas salas semicirculares, que poderiam, em ocasiões especiais, serem unidas para formar um único grande palco. Infelizmente, o projeto de Tamanyan não foi inteiramente implementado: finalizada em 1953, o National Theater of Opera and Ballet after A. Spendiarian (ou, apenas, Ópera) é apenas uma realização parcial das ideias do arquiteto.

Este não foi o único projeto que Tamanyan não viu pronto. A Casa do Governo e a Praça Central só ficaram prontas depois de décadas, e a Northern Avenue só foi implementada em 2007. Além disso, outras ideias do arquiteto permanecem no papel.

Membro do Comitê Executivo Central da Armênia Soviética, entitulado Arquiteto do Povo, Alexander Tamanyan vivia modestamente. Seus amigos repetidas vezes pediram ao governo por melhores condições de vida para o arquiteto, que jamais pediu coisas do tipo para si mesmo. Apesar das condições modestas em que vivia, a casa de Tamanyan sempre recebia artistas proeminentes da Armênia, que também eram seus amigos. Entre eles, Martiros Saryan, Avetik Isahakyan, Alexander Spendiarian, e muitos outros.

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Próximo do Cascade, na praça que leva o nome de Tamanyan, está o grande monumento ao arquiteto. O mestre se debruça sobre três pedras: a da esquerda simboliza a arquitetura antiga, a da direita simboliza a nova arquitetura, e o próprio Tamanyan, com seus trabalhos, parece estar lançando uma ponte entre as duas.

Tamanyan transformou Yerevan de uma pequena cidade provinciana na verdadeira capital da Armênia – uma cidade moderna, em constante desenvolvimento e crescimento, que ao mesmo tempo reflete toda a herança cultural do povo armênio. As capitais antigas da Armênia – Tigranakert, Ani, Dvin, entre outras – eram cidades esplendorosas, e Tamanyan fez com que Yerevan também o seja, enquanto a capital do presente e do futuro.

O que é que Yerevan tem?

Yerevan é uma cidade incrível. Já falei e repito que fico constantemente impressionada pela beleza da cidade, e pelo tanto de coisas que a capital da Armênia oferece. Na edição de verão da Armenia Tourism Magazine (nº18), são apontados alguns aspectos que fazem a cidade se destacar entre os turistas, e que também são pontos extremamente positivos pra quem mora por aqui.

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  • Paisagens

É possível ver a cidade inteira (ou quase) de alguns dos principais pontos turísticos da cidade, como o Cascade, o Parque da Vitória, e o Museu do Genocídio. As paisagens são incríveis, tanto no verão quanto no inverno, e também há sempre um cantinho lindo pra se observar. A cidade tem muitos parques, é bastante arborizada e, na primavera, tudo fica florido!

  • Monumentos históricos e culturais

Há tantos monumentos históricos e culturais em Ierevan que pode ser que nós terminemos nosso tempo aqui sem conhecer tudo – Deus me livre! Prometo me esforçar pra conhecer tudo! A capital da Armênia é um tesouro em si mesma, com material histórico e cultural diverso, como o Museu Nacional de História, o Museu dos Manuscritos Antigos Matenadaran, as galerias de arte, etc.

  • Cafés, bares e restaurantes (muito) bons e baratos

Já destaquei aqui no blog várias vezes que, aqui em Ierevan, nós comemos muito bem, geralmente gastando pouco – principalmente quando comparamos a restaurantes do mesmo nível em outras capitais, como Moscou, Berlin, Milão, etc. Os bares e pubs também tem preços convidativos para deliciosas bebidas.

  • Segurança

Sem dúvida, este é uma das melhores características da cidade (e do país). Comparada com os indicadores de outros países europeus e até mesmo das antigas repúblicas soviéticas, não há crime na Armênia. Podemos sair tranquilamente a qualquer hora do dia e da noite sem medo, usar as passagens subterrâneas (geralmente vazias) sem temer, e caminhar felizes pela cidade. Deus conserve!

  • Água

A água aqui na Armênia é muito limpa, e a cidade de Ierevan conta com diversas fontes (Tsaytaghbyur) espalhadas para que os transeuntes possam se refrescar.

  • Serviços de saúde

A Armênia é conhecida na região por ter ótimos Gastroenterologistas, e as consultas médicas aqui não custam muito caro. Outro dia, fui numa clínica próxima aqui de casa e a consulta com um Ortopedista que custou 7.000AMD (cerca de USD15,00). Os remédios aqui também são bem baratos, e há muitas farmácias pela cidade. A Armênia tem se tornado um destino de turismo médico justamente pela alta qualidade dos serviços médicos oferecidos a preços competitivos. Eu confesso que acho turismo médico uma coisa meio esquisita, mas, já que eu moro aqui, fico feliz em saber que é um destino, pois isso significa que os tratamentos oferecidos realmente tem qualidade. Entre outros, cirurgia plástica, tratamentos e implantes dentários, cardiologia e oftalmologia compõem a lista de especialidades oferecidas para quem quer ficar mais saudável na Armênia.

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Estes fatores, entre outros, contribuem pra que a qualidade de vida aqui seja muito muito boa. Pra não dizer que só falei de flores, uma coisa que me irrita profundamente por aqui é que as pessoas fumam muito, e é permitido fumar nos restaurantes, mesmo nos ambientes fechados. Outra coisa que tem me incomodado bastante por aqui é o calor intenso do verão, que também é extremamente seco.

Aniversário da Mivó

Hoje eu queria poder voltar no tempo, só pra poder ter você de novo do meu lado, andar de braço dado com você, e celebrar o seu dia que pra mim sempre foi importante, porque você me escolheu pra ser sua neta antes mesmo de eu nascer. 

Você nasceu no dia de Santa Clara e eu sei que você queria que seu nome fosse Maria Clara, e não Maria Aparecida. Mas eu amo tanto o seu nome! É o nome da Mãe do Nosso Senhor Jesus Cristo, é o nome da Padroeira do Brasil, é o nome da Mãe do Céu que está sempre do meu lado, que me abençoa, me guarda e intercede por mim. 

Hoje eu queria poder te falar o quanto eu sinto saudade de você, e que, mesmo 2.552 dias depois de você ter ido pro céu, eu ainda não aprendi a conviver com a falta que você me faz, e que você continua sendo a minha maior certeza de que as pessoas são insubstituíveis. 

Hoje eu queria que você estivesse aqui com a gente na Arménia, chamando o Felipe de “Felipão” como eu tenho certeza de que você faria, do jeito que eu consigo ouvir sua voz dizendo, e que me faz acreditar que, de algum jeito, você ainda tá por aqui. A saudade é mesmo uma forma de ficar.

Hoje eu queria ter podido viajar com você mais vezes, no Brasil mesmo e pelo mundo todo também. Queria que seu passaporte estivesse cheio de carimbos de todos os lugares por onde já passei, e pra onde levei um pouquinho de você comigo por causa de tudo o que você me ensinou. 

Hoje eu queria poder me aninhar no seu colo, queria poder mexer nas cicatrizes dos seus braços enquanto você enrola seu cabelo com os dedos, e ouvir você cantando todas as músicas que me ensinou. 

Hoje eu queria poder ir de novo com você no Canecão, e poder ver de novo o Milton, o Caetano, a Betânia, o Chico, a Maria Rita, o Toquinho. Queria poder ouvir de novo todas as fitas K7 que você gravou pra mim, no Walkman que você me deu. 

Queria ser criança de novo pra você poder me levar pro ballet e pra natação, pra você cortar minha franja, pra você reclamar do shampoo do Snoopy. 

Hoje eu queria que você me ensinasse um pouco mais sobre música, sobre política, sobre fotografia. Queria que você me ensinasse a ser mais gente, mais humana, mais cristã. Você não era perfeita, mas era a personificação do amor incondicional. 

Hoje eu queria poder olhar de novo nos seus olhos azuis e entender tudo o que eles queriam dizer, queria que você pudesse me olhar de novo nos olhos pra poder ler meus pensamentos e saber tudo o que tá na minha cabeça sem que eu precisasse falar, porque foi assim desde 05/12/1989 até 16/08/2010. 

Hoje, e todos os dias, eu queria que há 7 anos atrás já tivessem descoberto a cura pra Esclerose Lateral Amiotrófica, porque só assim eu poderia ter você ainda do meu lado. 

Este será pra sempre o seu dia, Mivó. E pra sempre você estará viva no meu coração. Eu amo você ao infinito e além! 

Armênia, quem é você?

Já estamos na Armênia há quase 7 meses e eu ainda não tinha dedicado um post exclusivamente à história e características deste país! Me dei conta disso quando recebi essa semana a revista Armenia Tourism Magazine que tá cheia de conteúdo bacana. Inspirada pelas matérias que estão publicadas na edição de verão da revista (nº18), resolvi dividir aqui com vocês um pouco do conteúdo que eles publicaram, falar um pouquinho mais das nossas vivências por aqui, e aproveitar pra aprender um pouquinho mais desse lugar tão rico culturalmente!

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  • Território

A área total do país é de 29.743km², referente a 1/10 do tamanho da Armênia Histórica. A Armênia é um país sem acesso ao mar, localizada nas montanhas do Cáucaso Menor, no noroeste do Planalto Armênio da Armênia Histórica. Localizada entre os mares Negro e Cáspio, o país faz fronteira com a Geórgia, o Azerbaijão, o Irã e a Turquia. As fronteiras com Azerbaijão e Turquia são fechadas, embora haja vôos diretos entre Ierevan e Istambul (operados pela Atlas Global).

  • Brasão de Armas

Em 19 de abril de 1922, o brasão de armas da Primeira República da Armênia (1918-1920) foi restaurado. Os autores foram Alexander Tamanyan e Hakob Kodjoyan.

  • Bandeira

A bandeira nacional da Armênia tem três listras horizontais de igual tamanho: vermelho no topo, azul no meio, e laranja. O vermelho simboliza o Planalto Armênio, a luta contínua do povo armênio para sobrevivência e manutenção da fé cristã, e a independência e liberdade da Armênia. O azul simboliza a vontade do povo armênio de viver sob céus de paz. O laranja simboliza o talento criativo e a natureza trabalhadora do povo armênio.

  • Língua

O idioma nacional é o Armênio, mas a maioria da população também fala russo. No interior, pode-se enfrentar alguma dificuldade de comunicação idiomática. Inglês e francês geralmente são as segundas línguas faladas pela população mais jovem, mas as gerações mais antigas são mais conservadoras com relação à idiomas estrangeiros. De todo jeito, se um estrangeiro se aproximar, as pessoas costumam ter boa vontade de entender e ajudar, como já destaquei aqui no blog algumas vezes.

  • Governo

A política da Armênia se desenvolve num quadro de república democrática semi-presidencial, em que o presidente é o Chefe de Estado em um sistema multipartidário. O atual presidente da Armênia é Serzh Sargsyan, e o atual primeiro ministro é Karen Karapetyan.

  • População

De acordo com diversas fontes, o número de armênios no mundo varia entre 6 e 11 milhões, dos quais apenas 1/3 mora na Armênia (cerca de 3 milhões de pessoas).

  • Moeda, câmbio e cartões

A moeda do país chama Dram Armênio, com sigla AMD. Estão em circulação moedas de 10, 50, 100, 200 e 500 Drams, e notas de 1.000, 5.000, 20.000. Dizem que existem notas de 50.000 e 100.000 mas eu nunca vi. Em geral, 1USD equivale a 478AMD, 1EUR equivale a 567AMD, e 1 Rublo equivale a 8,3AMD – o câmbio oscila um pouquinho, mas bem pouquinho mesmo. Quando chegamos, eu me assustava um pouco com tudo custando mais de mil, mas depois habituei que é só o jeito deles, e faltam os centavos. É possível fazer câmbio em diversos lugares da cidade, inclusive nos principais supermercados do centro, o que eu achei muito esquisito quando chegamos, e ainda acho bastante curioso! Praticamente todos os lugares aceitam cartões, mas as vezes o sistema falha e pode demorar muito a funcionar, então eu aprendi que é sempre bom ter drams na carteira.

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  • Ierevan

A capital do país é Ierevan (Yerevan na grafia em inglês), que pode facilmente ser considerada uma das cidades mais seguras do mundo. Podemos andar tarde da noite na rua sem medo, coisa que não é comum na maioria dos países europeus. O centro da cidade de Ierevan não é muito grande, o que facilita a locomoção – mesmo sem um mapa. As opções de transporte em Ierevan são miniônibus, ônibus e táxis, mas é fácil caminhar pela cidade admirando as ruas. Nós, por exemplo, não compramos carro e não temos a menor intenção de comprar um, já que conseguimos fazer quase tudo a pé – só pegamos táxi pra ir aos shoppings e cinemas, e táxi é muito muito barato aqui. As outras 2 grandes cidades da Armênia são Gyumri e Vanadzor. A voltagem no país inteiro é de 220v. A Armênia está no fuso GMT+4 (diferença de +7h pro Brasil, e +6h quando o Brasil está no horário de verão).

  • Clima

O clima da Armênia é continental de montanhas, com longos e frios invernos e verões quentes. Geralmente, as temperaturas em janeiro ficam entre -12ºC e -15ºC, podendo chegar a -30ºC. Neste ano, chegamos algumas vezes a -21ºC. Em julho, a temperatura média nas montanhas é de 10ºC, e de 25ºC nas regiões de planície, mas a verdade é que este mês de julho e agora em agosto estamos sofrendo com temperaturas que jamais baixam dos 30ºC e chegam todos os dias a 40ºC, com clima muito muito seco. A precipitação anual é de 20-80cm, e os topos das montanhas mais altas da Armênia ficam cobertos de neve o ano todo.

  • Topogafia

O terreno é montanhoso, e 90% das montanhas está a mais de 1000m acima do nível do mar, com média de 1800m. O ponto mais alto do país é o Monte Aragats (4095m) e o mais baixo é a margem do rio Debet (380m). O ponto mais alto da região é o símbolo histórico da Armênia, o Monte Ararat (5165m), que está no território da Turquia desde os anos 1920.

  • Comida e Água

Em Ierevan, pode-se tomar água da torneira e também das pequenas fontes (bebedouros) espalhadas pela cidade, chamadas Tsaytaghbyur. As tsaytaghbyur são pedras memoriais únicas, geralmente com 1m de altura, com água pura. Na cidade há muitos restaurantes, com culinária armênia e internacional (chinesa, árabe, georgiana, etc). Os restaurantes aqui são muito mais baratos do que a média das grandes cidades, inclusive quando comparados a Moscou.

  • Compras

O comércio em Ierevan é ótimo. Há 2 grandes shopping centers que abrigam marcas internacionais (Zara, GAP, TopShop, Pandora, Bershka, Parfois, Promod, Steve Madden, Mango, Levi’s, etc). No centro da cidade, as ruas Northern Ave, Mashtots, Abovyan e Tumanyan também são tomadas por lojas locais e internacionais (Burberry, Armani, Zegna, MaxMara, MontBlanc, L’Occitane, etc), bem como lojas multimarcas. Para artigos de casa, gosto principalmente da Matalan, da Basic Center, e da Good’s House. Além destas, muitas lojas vendem lembrancinhas e presentinhos típicos da Armênia, inclusive os famosos conhaques.

O lugar favorito dos turistas para comprar souvenirs é a Vernissage, a feira ao ar livre que fica aqui em frente da nossa casa, pertinho da Praça da República. Aos finais de semana, a Vernissage fica lotada de vendedores oferecendo tapetes feitos à mão, peças em madeira e pedra talhadas, cerâmicas, pinturas, entre outros. O que eu mais gosto na Vernissage, além dos estandes com objetos da época da União Soviética, são os bonequinhos narigudos, que fazem piada carinhosa com essa característica dos armênios. A Vernissage também funciona durante a semana, porém com menos expositores. No verão, há gente o dia inteiro; no inverno, o movimento é naturalmente menor.

  • Religião

Acho que já contei aqui que a religião predominante na Armênia é o Cristianismo, e que a Armênia foi o primeiro país do mundo a adotar o Cristianismo como religião do Estado em 301d.C. 94% da população segue a Igreja Apostólica Armênia.

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  • Khachkars: cruzes de pedra armênias

Se perguntarmos a qualquer armênio qual é o símbolo mais importante do país, a resposta certamente será Khachkars, as cruzes talhadas em pedra. Por todo o país, encontramos muitas delas, e em qualquer lugar onde houver um armênio, será possível achar este símbolo, que é, para eles, um monumento, uma obra de arte, a face da Armênia: os padrões e ornamentos tradicionais das Khachkars refletem a história e o tempo.