Conhecer a Rússia era sonho antigo, e hoje eu me sinto verdadeiramente abençoada por já ter podido ir a este país algumas vezes nos últimos meses. De Ierevan a Moscou, são apenas 2h30 de vôo, e os preços são bastante convidativos. São Petersburgo fica um pouquinho mais longe, então nós aproveitamos o finzinho destas férias pra ir conhecer esta cidade incrível.

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Se Moscou é a capital da revolução, São Petersburgo (ou “Peter”) definitivamente manteve-se como a capital do império em cada uma das suas ruas e construções. Chamada por muitos de “Veneza do Norte”, é verdadeiramente encantador andar pelas ruas e pontes de Peter, desbravando cada cantinho e encantando-se com tanta beleza.

Nós chegamos na estação de trem pouco antes do meio dia, então seguimos a pé até o restaurante Банщики (Banshiki), que ficava ali pertinho. Chovia, e mesmo assim nós chegamos lá em 7 minutos. Lá, degustamos algumas entradinhas muito saborosas, e comi o melhor frango à Kiev que já provei desde que chegamos ao Cáucaso.

Às 14h, nós nos dirigimos para o apartamento onde nos hospedaríamos, alugado por meio do AirBnB, como eu já contei aqui. Deixamos nossas malas lá em cima e saímos pra começar a conhecer a cidade. Como o apartamento era na rua Zhukovskogo, no  bairro Tsentralny, ele ficava bem próximo de algumas das principais atrações da cidade, então saímos caminhando por Peter sob uma chuva fininha. Ao contrário das outras cidades por onde tínhamos passado, fazia frio em São Petersburgo!

Nossa primeira parada foi para admirar a majestosa Catedral de Nossa Senhora de Cazã (Казанский кафедральный собо) na avenida Nevskiy (Невский). Nesta avenida também está a Paróquia Católica de Santa Catarina (Приход Святой Екатерины Римско-католической Церкви в Санкт-Петербурге). Atravessamos a ponte Fontanka (Река Фонтанка), famosa pelas estátuas de cavalos e seus respectivos cavaleiros. E aí começou a chover de novo, então aproveitamos pra tomar um café no Biblioteca.

A chuva teimou em permanecer, ora mais forte, ora mais fraca. Na avenida Nevskiy (Невский) também fica a maior Dom Knigi (Дом книги) da cidade, então fomos até ela e aproveitamos pra comprar alguns livros que queríamos. Quando a chuva deu uma trégua, tomamos o rumo do Bureau Burguer & Bar (Бюро бургеры и бар) pra jantarmos um bom hambúrguer acompanhado de bons drinks. E já começamos, naquele mesmo dia, a ter um gostinho do que são as noites brancas: o céu fica de uma cor inexplicável, e que nenhuma câmera conseguiu capturar.

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No dia seguinte, seguimos cedo rumo à Estação Finlândia (Станция Санкт-Петербург-Финля ндский)! Lá está o vagão no qual Lenin viajou em 1917, quando voltava do exílio.

De lá, seguimos andando para o navio Aurora, que é um museu desde 1956. O batismo do Aurora foi na batalha de Tsushima em maio de 1905; durante a Primeira Guerra Mundial, o Aurora fez parte do segundo esquadrão, atuando ativamente nas ações militares no Báltico; ao final de 1916, o navio foi ancorado em São Petersburgo (então Petrogrado) para reparações; em 1917, o Aurora participou das atividades revolucionárias de fevereiro e outubro; entre 1922-1923, o Aurora se tornou um dos primeiros navios de guerra do Báltico a servir como espaço para treinamento especializado. O ingresso para o Aurora custa 600 rublos.

Quando terminamos nossa visita ao Aurora, tomamos um táxi até a Fortaleza de Pedro e Paulo (Петропавловская крепость) para almoçarmos no excelente Koryushka(Корюшка), certamente uma das melhores refeições das nossas férias. Almoçamos com calma, e saímos de lá caminhando pelas pontes que atravessam os belíssimos canais da cidade, passando pelo Jardim de Verão (Летний сад), pelo Castelo Mikhailovsky(Михайловский замок) e pelo Museu Russo (Русский музей), até chegarmos ao Cavaleiro de Bronze (Медный всадник) que fica no Parque Aleksandrovsky Sad(Александровский сад).

Fizemos um lanchinho na Schastye (Счастье), e em seguida fui visitar a incrível Catedral de São Isaac (Исаакиевский собор), que é a maior igreja ortodoxa de São Petersburgo, e a quarta maior catedral do mundo. A Catedral abriga inúmeras obras de arte que encantam quem as vê, mas o que eu mais amei mesmo foi a escultura do Espírito Santo na doma da Catedral. O ingresso para a Catedral de S. Isaac custa 250 rublos. Ao sair de lá, seguimos para o nosso jantar no exótico restaurante vietnamita Pagoda Mot Kot (Пагода Мот Кот).

Na sexta feira, fomos cedo para o Cais do Palácio para tomarmos um barco em direção a Peterhof (Петергоф)! Chovia bastante, mas confiamos na previsão do tempo de que o sol apareceria, e compramos nossos bilhetes de barco. Enquanto esperávamos, fizemos um lanche no Fernando (Фернандо), que oferece cafés, sanduíches, nuggets, etc, pois nosso barco só sairia 11h30 e o tempo de viagem é de cerca de 40min. O Palácio de Peterhof é tombado pela UNESCO como patrimônio mundial, e eu não consigo nem começar a dizer qual foi a nossa frustração por não conseguir tickets para entrar no Palácio. Aproveitamos, então, para passear nos jardins belíssimos que circundam o enorme Palácio, apreciar a Grande Cascata e a Fonte Sansão, e almoçamos no Standart (Штандарт), a stalovaya (o bandejão estilo soviético) de Peterhof. Depois de almoçarmos, caminhamos um pouco mais pelos jardins, com suas majestosas fontes, e ficamos verdadeiramente encantados. O dia estava lindo, parecia coisa de cinema!

Ao voltarmos para São Petersburgo, fomos até a Catedral do Sangue Derramado, mas já estava fechada para visitação. Caminhamos calmamente então até a rua Malaya Morskaya, desviando das multidões que se acumulavam para comemorar a formatura dos jovens naquela que seria a noite mais curta do ano. A tradicional festa das Velas Escarlates, que começou a ser celebrada em 1969, quando 25 mil graduandos saíram nas ruas para celebrar, e foi a primeira vez que um veleiro com velas cor escarlate passou pelo Rio Neva. Esta festa celebra os graduandos, desejando a eles boa viagem para a vida adulta e para a materialização das suas ambições. Paramos para um chá no Gosti (Гости) e antes do nosso jantar no Gogol (Гоголь), um restaurante tradicional que oferece uma experiência gastronômica de comida russa.

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Quando saímos do Gogol, já era bem tarde, e as ruas não só estavam abarrotadas de gente como também o céu estava com cores como jamais tinha visto na minha vida. A festa das velas escarlates estava apenas começando, já que as comemorações tem início no fim da tarde e se espalham por São Petersburgo por toda a noite: a Nevskiy Prospekt é fechada para que os pedestres possam andar livremente por ela, há um baile de formatura na Praça do Palácio exclusivo para os graduandos, e, ao mesmo tempo, concertos abertos ao público acontecem na Ilha de Vasilievsky. Depois da 1 da manhã, começa o show de águas, luzes e pirotecnia no Neva, se espalhando da ponte Troitskiy até a ponte Dvortsoviy,  num percurso de cerca de 2km, e é aí que o veleiro com velas escarlates aparece e flutua pelo rio Neva.

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Nosso sábado seria bastante especial em São Petersburgo, começando pela visita à Catedral do Sangue Derramado – ou Igreja da Ressurreição do Salvador sobre o Sangue Derramado – (Спас на Крови), que fica na margem do canal Griboedov. Construída onde o Czar Alexandre II foi assassinado em 1881, a igreja hoje é um museu estatal, e o ingresso custa 250 rublos.

De lá, fomos, finalmente, para o Museu Hermitage (Эрмитаж)! Já estávamos com nossos ingressos comprados pela internet, o que teria economizado nosso tempo se não fosse um pouquinho de desorganização do Museu para a entrada: como o Palácio é imenso, não é muito claro qual entrada se pode usar, e nem mesmo os funcionários externos sabem explicar direito pra onde temos que ir (e olha que nós estávamos com o Rodrigo, que já foi ao Эрмитаж incontáveis vezes!).

O Hermitage é IMENSO. Eu acho que precisaria de umas três vidas inteiras pra poder explorar cada cantinho e observar cada obra exposta. São 7 prédios: o Palácio de Menshikov, o prédio do General Staff, o Great Old Hermitage, o Teatro Hermitage, o Novo Hermitage, o Pequeno Hermitage, e o Palácio de Inverno. Como nós só tínhamos uma manhã e o comecinho da tarde, optamos por fazer uma visita rápida, caminhando ligeiramente e parando pra olhar só o que realmente nos interessava, e priorizando as salas do Palácio de Inverno, a residência oficial dos monarcas russos e que, por um pequeno período depois da revolução de fevereiro de 1971, foi a sede do governo provisório russo, liderado por Alexandre Kerensky. No mesmo ano de 1971, o Palácio de Inverno foi tomado por soldados e marinheiros do Exército Vermelho, um dos momentos definitivos do nascimento do Estado Soviético. Também aproveitamos pra visitar com um pouquinho mais de calma o prédio do General Staff, que abriga obras de artistas como Matisse e Picasso.

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Saímos do Hermitage e fomos almoçar no Curry House, um dos bons indianos da cidade, e que fica pertinho do Teatro Mariinski (Мариинский театр), onde mais tarde assistiríamos à ópera! Às 18h30 teve início o espetáculo “The Sicilian Vespers” no novo Teatro Mariinski, como parte do evento The Stars of the White Nights. A ópera durou mais de 3h, com dois intervalos, e, quando saímos do Mariinski, o céu ainda estava claro! Foi o final perfeito pras nossas férias.

São Petersburgo foi a cidade mais fria do nosso verão, e as temperaturas não passaram dos 16ºC nenhum dia, com um vento gelado que nos obrigava a ficar de casaco o dia todo, e até desejar ter levado uma calça térmica (sério, tava frio, especialmente considerando que era o solstício de verão). No domingo, fomos cedinho pro aeroporto de São Petersburgo, que fica um pouco afastado da cidade, para começarmos nossa jornada de volta pra Ierevan. Fato é que nossas férias foram incríveis!!

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