O que fazer em Edimburgo?

Eu já contei por aqui que sou apaixonada por Edimburgo desde 2012, quando fui pra lá pela primeira vez. A cidade velha de Edimburgo foi tombada como patrimônio mundial da UNESCO, tendo sido preservadas as suas características medievais. Se o Castelo de Edimburgo e a Milha Real (Royal Mile) não forem o suficiente para convencer você a visitar a bela capital da Escócia, hoje fiz um apanhado de vários pontos turísticos (óbvios ou não tão óbvios) que você não pode deixar de conhecer!

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Calton Hill é uma atração por si só: o topo da colina oferece uma vista linda do Mar do Norte! E lá estão alguns monumentos importantes: Nelson Monument, National Monument, Playfair Monument, Monument to Scottish Parliament, Dugald Stewart Monument.

A estação de trens Edinburgh Waverley conecta a capital da Escócia a outras cidades escocesas e também do Reino Unido, inclusive Londres, Manchester e Birmingham. Foi de lá que pegamos o trem para Glasgow!

Edinburgh Waverley fica na Princes Street, que é uma das principais ruas da cidade, e concentra, além dos monumentos Scott Monument e The Royal Scots Greys Monument, muitas lojas – ou seja, se você quiser fazer umas comprinhas enquanto estiver em Edimburgo, a Princes Street será parada obrigatória!

Palace of HolyroodhouseQueen’s Gallery são imperdíveis, e o ingresso que dá acesso aos dois locais custa £17,50 (o ingresso para visitar somente o palácio custa £14,00). Fundado em 1128 por David I da Escócia como um mosteiro, o Palácio de Holyroodhouse serviu como principal residência dos reis e rainhas da Escócia desde o século XV. Hoje em dia, é a residência oficial da Rainha Elizabeth II na Escócia, e é possível visitar os aposentos reais, bem como os aposentos usados por Maria Rainha dos Escoceses. Os jardins do Palácio são belíssimos, e as ruínas da Abadia de Holyrood (Holyrood Abbey) são impressionantes.

Em frente ao Palácio de Holyroodhouse, o Edifício do Parlamento Escocês (Scottish Parliament) pode ser visitado gratuitamente, e também é possível agendar tours guiados.

Na Royal Mile, a belíssima St. Gile’s Cathedral é a igreja histórica da cidade de Edimburgo, e o pináculo de coroa chama a atenção no horizonte de Edimburgo, e pode ser vista tanto do Castelo quanto de Calton Hill. A Catedral de St. Giles é a Igreja Mãe do Presbitarianismo, e é nela que fica a Chapel of the Order of the Thistle.

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Para os fãs de Harry Potter, em George IV Bridge, The Elephant House foi o lugar onde J.K. Rowling passou boa parte do tempo escrevendo o primeiro livro da série, com uma bela vista para o Castelo de Edimburgo. Por isso, este café é considerado o lugar do nascimento de Harry Potter.

Além de tudo isso, para quem gosta de galerias de arte, Edinburgh abriga a Scottish National Gallery of Modern Art, a Scottish National Portrait Gallery e a Scottish National Gallery. Para os apaixonados por uísque, a Scotch Whisky Experience fica coladinha no Castelo de Edimburgo.

Mesmo já tendo visitado a cidade em 2012 e 2017, ainda quero voltar outras vezes para aproveitar mais e continuar descobrindo as maravilhas da capital da Escócia!

Edinburgh Castle, a fortaleza no topo de Castle Rock

Ah, Edinburgh! Como eu amo essa cidade! Desde que nos conhecemos em 2012, tenho um caso de amor por esta cidade, que foi a eleita para passarmos o meu aniversário! As comemorações começaram bem cedo, quando acordei pra ir à missa na St Mary’s Catholic Cathedral, e depois subimos a Royal Mile até chegarmos ao Castelo de Edimburgo, que fica no topo de Castle Rock.

Para visitar o Edinburgh Castle é preciso adquirir o ingresso, que custa £17 para adultos (de 16 a 59 anos), £10.20 para crianças (de 5 a 15 anos) e £13.60 para maiores de 60 anos. Crianças com menos de 5 anos podem visitar a fortaleza gratuitamente, mas sempre acompanhadas por um adulto. Áudio-guias estão disponíveis para aluguel por £3.50, e tours guiados estão incluídos no ingresso.

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O Castelo de Edimburgo é, na verdade, uma grande fortaleza, que também abriga o National War Museum, os Regimental Museums e o Scottish National War Memorial, além do palácio real, das prisões de guerra e da capela de Santa Margaret, que é a construção mais antiga de Edimburgo! Uma parte da fortaleza ainda é usada como base militar.

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Durante a Idade do Ferro, os guerreiros compreendiam o potencial militar da rocha, e construíram um forte no seu topo. A poesia mais antiga da Escócia conta a história de um esquadrão de guerra que passou um ano festejando no Castelo de Edimburgo antes de encararem a morte nas batalhas. Já no período das Guerras de Independência, o Castelo mudou de liderança muitas vezes. Em 1314, foi retomado pelos ingleses numa batida comandada por Thomas Randolph. O Castelo foi a casa de reis e rainhas; a Rainha Margaret (mais tarde, Santa Margaret) faleceu lá, em 1093, e Maria Rainha dos Escoceses deu a luz à James VI no palácio real em 1566. Em 1996, a Pedra do Destino (Stone of Destino), sobre a qual os reis foram coroados por muitos séculos, foi devolvida à Escócia, e está exposta na Sala da Coroa.

 

Uma tarde em Carlisle

No mesmo dia em que visitamos alguns dos lugares históricos da Muralha de Adriano, fomos almoçar e conhecer o centro de Carlisle, cidade que é o principal centro comercial, cultural e industrial do norte do condado de Cumbria. Almoçamos no Old Bank, restaurante bem aconchegante que fica bem pertinho do Castelo de Carlisle.

A história antiga de Carlisle é marcada pela sua condição como assentamento Romano, fundado para servir aos fortes da Muralha de Adriano. Durante a Idade Média, por conta da sua proximidade ao Reino da Escócia, Carlisle se tornou uma importante fortaleza militar.

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Carlisle Castle

O Castelo de Carlisle foi construído em 1092 por William Rufus e serviu de prisão para Maria, Rainha dos Escoceses. Hoje, o Castelo abriga o Regimento do Duque de Lancaster e o Museu do Regimento de Fronteira (Border Regiment Museum). No começo do século XII, o Rei Henrique I permitiu a fundação de um monastério (priory) em Carlisle. A vila passou a ser cidade quando a diocese foi formada em 1133, e o monastério passou a ser a Catedral de Carlisle.

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Catedral de Carlisle

Quando estávamos voltando para nossa pousada em Lanercost, paramos para lanchar no Lanercost Priory Tea Room, um lugarzinho super fofo com uma seleção de delícias.

No dia seguinte, seguiríamos viagem para a Escócia!

Hadrian’s Wall: a fronteira norte do Império Romano

Fizemos uma road trip muito bacana pelo Reino Unido, quando alugamos um carro em Liverpool e seguimos até Edimburgo, parando no distrito de Lannercost (perto de Carlisle) por 2 noites para explorar a região entre Newcastle upon Tyne e Carlisle: nós queríamos ver de perto a fronteira norte do Império Romano!

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A Muralha de Adriano (Hadrian’s Wall) era um forte defensivo na província romana de Britânia, desde 122aC no reino do imperador Adriano. A muralha se estendia desde as margens do rio Tyne, perto do Mar Norte, até o Solway Firth no Mar Irlandês, e era a fronteira norte do Império Romano, imediatamente ao norte de onde ficavam as terras dos Britânicos Antigos do Norte, inclusive os Picts. A muralha de Adriano tinha uma base de pedra e uma muralha de pedra, com castelos e 2 torres de observação ao longo de sua extensão. Havia um forte a cada 5 milhas romanas. De norte a sul, a muralha compreendia uma trincheira, uma passagem militar, uma outra trincheira com montanhas adjacentes, além da própria muralha. Além do papel defensivo da muralha, há estudos que indicam que seus portões eram também usados como postos de alfândega.

Em 1987, a UNESCO declarou a Muralha de Adriano como Patrimônio Cultural da Humanidade, além de ser considerada um ícone cultural britânico. Algumas pessoas pensam que a Muralha de Adriano marca a fronteira entre a Inglaterra e a Escócia, mas isso não é verdade: a Muralha de Adriano está completamente localizada na Inglaterra, e jamais constituiu fronteira anglo-escocesa. O caminho da Muralha de Adriano permite que os viajantes percorram o trajeto a pé: é a maior ruína Romana do mundo, com quase 118km.

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Como nós não somos tão aventureiros assim, optamos por conhecer só um pouquinho da Muralha, percorrendo os trechos de carro. Nossa primeira parada foi Vindolanda, e o ingresso para adultos custa £7.90; há uma opção de ingresso que dá acesso tanto à Vindolanda quanto ao Roman Army Museum, por £11.60, e nós optamos por este ingresso.

Vindolanda fica no sul da cortina formada pela Muralha de Adriano, e fica na primeira fronteira Romana ao norte (Stanegate Road). Vindolanda foi construída pelo Império Romano antes mesmo da Muralha de Adriano, e se tornou uma importante base para a Muralha, uma fortaleza por natureza. Ao longo daquele período, Vindolanda foi demolida e completamente reconstruída por 9 vezes: a cada reconstrução, cada comunidade que lá viveu deixou suas próprias marcas na paisagem e arqueologia. Depois que a Muralha de Adriano e a ocupação romana foi abandonada pelos exércitos imperiais, Vindolanda continuou em uso por mais de 400 anos antes de finalmente ser abandonada no século IX. No museu de Vindolanda, é possível ver muitos dos artefatos encontrados no local ao longo das escavações arqueológicas.

Já no Roman Army Museum, que fica ao lado de um dos mais altos resquícios da Muralha de Adriano (Walltown Crags), a experiência é mais tecnológica e interativa, onde podemos assistir à exibição do curta-metragem 3D Edge of Empire e também explorar a história. É neste museu que aprendemos um pouco mais sobre o papel do exército no Império Romano, vemos as expansões e perdas territoriais do Império, aprendemos sobre os papéis dos soldados, além de descobrirmos detalhes sobre a vida de Adriano desde que era um menino até tornar-se Imperador. Neste museu, também são exibidos alguns artefatos encontrados em Vindolanda.

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Nossa terceira parada ao longo da Muralha de Adriano foi em Birdoswald, outro forte remanescente do Império Romano. O ingresso para adulto custa £7.20, mas nós não fizemos a visita à galeria, pois estava fechada para reformas.

 

International Slavery Museum em Liverpool

O International Slavery Museum fica no 3º andar do bloco D do Albert Dock, que também abriga o Merseyside Maritime Museum. Embora eu já tenha feito um post sobre o Merseyside Maritime Museum aqui e ambos ocupem o mesmo prédio, achei que o International Slavery Museum  merecia um post só pra ele, já que museu proporciona uma experiência bem forte e comovente aos seus visitantes, de um assunto muito diferente das questões marítimas.

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O International Slavery Museum foi inaugurado em 23 de agosto de 2007, que é o Dia Internacional em Memória das Vítimas da Escravidão, no mesmo ano em que marcou o 200º aniversário da abolição da escravidão na Grã-Bretanha, e o aniversário de 800 anos da cidade de Liverpool.

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No acervo, algemas e objetos que eram usados para torturar os escravos, peças de roupas e objetos de argila/cerâmica, moedas de ouro e obras de arte que retratam o período da escravidão. Também é possível ver depoimentos em vídeo, gravados para serem exibidos no museu, que tornam a experiência ainda mais forte. Além disso, um acervo musical com mais de 300 músicas de diversos gêneros que foram influenciados pela música africana, como o jazz e o blues, e também a batida local de Liverpool, conhecida como Mersey Beat.

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O museu é dividido em três galerias principais: a vida no oeste da África (Life in West Africa), que explora a história e a cultura africana e dos seus povos; escravidão e a “passagem do meio” (Enslavement and the Middle Passage – “passagem do meio” refere-se ao estágio do comércio triangular em que milhões de africanos eram enviados ao “novo mundo” como parte do comércio de escravos no Atlântico), que revela um pouco da brutalidade a que os escravos africanos eram submetidos e aos traumas que sofriam nas viagens pelo Oceano Atlântico, e a opressão em que se encontravam nas plantations do continente americano; e Legado (Legacy), que destaca a contínua luta por liberdade e igualdade, o impacto contemporâneo da escravidão transatlântica (como racismo e discriminação), e as conquistas da diáspora africana.

Foi um dos museus mais impactantes que já visitei, e confesso que saí de lá muito abalada, pensando ainda mais na maldade humana que permitiu um absurdo como a escravidão e o comércio de escravos, e que é inaceitável que ainda hoje existam pessoas em situação de escravidão no mundo.

Eu ainda tô devendo um post por aqui sobre o mês que passei na África entre 2012 e 2013, visitando o Zimbábue, Botsuana e a África do Sul, e que me fez me apaixonar perdidamente pelo continente africano, e a visita ao International Slavery Museum me lembrou muito das coisas que eu vi e vivi naqueles 3 países; embora tenha sido uma visita curta, foi o suficiente pra África nunca mais sair de mim.