Diário de Viagens: Moscou

Foi rápido, foi. Mas foi a realização de um sonho antigo!

Neste último final de semana, tomamos o avião rumo à Moscou para encontrar nossos amigos e finalmente conhecer a capital da Rússia.

Seria pretensioso demais dizer que conhecemos a cidade inteira em um final de semana, porém conseguimos fazer bastante coisa e voltamos pra casa cheios de fotos e histórias.

Chegamos em Moscou quase às 22h, já que nosso voo atrasou. Passamos na casa dos nossos amigos Helen e Bruno pra deixar nossas coisas, e fomos, junto com nosso outro amigo Thomaz que também estava por lá, para o restaurante 24h Dr Jivago (Dr. Живаго), que fica praticamente em frente à Praça Vermelha. Nosso late dinner foi glorioso, e com vista pro Kremlin!

Ao acabarmos o jantar, atravessamos a rua rumo à Praça Vermelha. Infelizmente, o acesso estava fechado, por conta da preparação para as comemorações do Dia da Vitória, mas já deu pra ver a Catedral e a torre do relógio, e chegar bem perto do Kremlin. Jamais esquecerei que vi a Praça Vermelha pela primeira vez beirando as 3 da manhã!

No sábado, saímos para tomar brunch no Uilliam’s, um restaurante moderninho, aconchegante e com comida deliciosa. Depois do brunch, fomos para a livraria Дом книги (Casa dos Livros) e eu me senti no paraíso, porque é uma livraria e papelaria enorme! Poderia ter ficado o dia inteiro lá. img_2887-2

De lá, seguimos para o Музеон парк искусств (Museu/Parque de Artes), que nada mais é do que um grande museu de estátuas e esculturas soviéticas a céu aberto! Infelizmente estava chovendo, mas nem isso atrapalhou nosso glorioso passeio. Coladinho no Музеон, está a Третьяковская галерея (Galeria Tretyakov), onde pudemos conferir a exposição Оттепель (Degelo). Esta interessantíssima exposição está aberta ao público até o dia 11/06 e, se alguém que lê este blog estiver com viagem marcada para Moscou até esta data, recomendo fortemente agendar uma visita, uma vez que é uma grande exposição cultural dedicada a um dos períodos da história nacional russa, rotulado pelos acadêmicos como “Degelo”, e a exposição mostra não só as conquistas do período mas também os desafios e conflitos da época.

O domingo amanheceu meio estranho, e enquanto tomávamos café da manhã no Хлеб Насущный (“O Pão de Cada Dia”), choveu, nevou, aí choveu de novo, nevou de novo. Tomamos o metrô na gloriosa estação Mayakovskaya (Маяковская), admirando os belos mosaicos, rumo à outra gloriosa estação, a Tverskaya (Тверская), próxima ao Teatro Bolshoi (Большой театр), o que nos deu a oportunidade de ver o exterior do lendário teatro. Depois, fomos ao mirante da incrível Центральный Детский Магазин на Лубянке (Loja central para crianças na Lubianka), que tem uma vista absolutamente encantadora da cidade! Eu poderia ter ficado o dia inteiro por lá, encantada com a loja de Lego e tantas outras coisas que eu adoro do universo infantil (criança interior livre sempre!), tipo uma vitrine lindíssima d’A Bela e a Fera.

img_3120img_3131

Ali pertinho, uma grande estátua de Karl Marx nos esperava, e foi aí que o tempo começou a abrir.

Ao chegarmos na Praça Vermelha (Красная площадь), o céu estava azul, muito azul, com poucas nuvens, só pra deixar tudo ainda mais lindo. E que emoção indescritível andar por ela, beirando o Kremlin (Московский Кремль), observando a montagem dos preparativos para o Dia da Vitória, e vendo cada detalhe se revelar na nossa frente. Pra mim, o mais emocionante mesmo foi ver tão de perto a Catedral de São Basílio (Собор Василия Блаженногo), que é, sem sombra de dúvidas, uma das construções mais bonitas que já vi na minha vida. Almoçamos na ГУМ (GUM), bem ali mesmo, na Столовая 57, definido pelos nossos amigos como “o bandejão deles”. Mas eta bandejão chique, que tinha até salmão com caviar!

Eu confesso que não queria sair da Praça Vermelha, queria só sentar ali e ficar esperando o dia acabar, a vida passar, morar ali pra sempre junto do Lênin hihihi mas seguimos nosso passeio (ainda bem!) e paramos pra tomar um lanchinho na шоколадница, e eu provei um dos melhores chás de limão + gengibre + mel de todos os tempos. Continuamos caminhando e, mais tarde, jantamos no Burguer Heroes/Bad Bro Bar, que tem um ambiente bacana, boa cerveja e hambúrguer decente.

Na segunda feira, tomamos o trem para o aeroporto Sheremetyevo, o que é coisa muito fácil de se fazer: o bilhete pode ser comprado online (com desconto!) e descemos já praticamente dentro do aeroporto, depois de viagem confortável de 35min no Aeroexpress.

Foi uma visita muito muito rápida, e ainda temos muito mais Moscou e Rússia pra conhecer, mas já foi o suficiente pra transformar o amor platônico de muitos anos em amor eterno e verdadeiro!

Yerevan Brandy Factory & Ararat Museum

O conhaque armênio é produzido desde 1887 a partir de uvas brancas de 5 variedades diferentes, e o cheiro delicioso já invade nossos sentidos no momento em que entramos na Fábrica do Ararat, um prédio monumental à beira do rio Hrazdan.

IMG_2579Para realizar a visita, é preciso agendar com antecedência, e são 2 opções de preços: 4500 AMDs (com degustação de 2 tipos de conhaque Ararat) ou 9000 AMDs (com degustação de 3 tipos de conhaque Ararat). É possível fazer os tours com explicações em arêmio, russo, inglês, francês, alemão e espanhol.

IMG_2530Além de todos os tipos de conhaque já produzidos pela fábrica, podemos ver no museu diversos barris autografados por dignatários que já fizeram a visita, bem como o “Peace Barrel” (ou “barril da paz”), que será aberto quando a Armênia e o Azerbaijão chegarem a um acordo de paz sobre Nagorno-Karabakh.

IMG_2532A sala do Peace Barrel é uma das partes mais interessantes do museu, onde podemos deixar nossas assinaturas e mensagens de paz.

IMG_2537Também podemos apreciar os dois primeiros barris onde foram fabricados os famosos conhaques armênios, com algumas relíquias que datam desde a abertura da fábrica.

IMG_2557Nessa parte do passeio, ouvimos a anedota que conta a principal jogada de marketing da fábrica no começo da produção: contratavam-se atores para ir aos principais restaurantes europeus pedir o conhaque Ararat. Quando os garçons respondiam que não tinham Ararat, os homens pediam desculpas às suas companheiras por as terem levado a um lugar tão ruim que não tinha Ararat! Com isso, o conhaque começou a se tornar famoso por toda a Europa, uma vez que os bares e restaurantes passaram a estocar algumas garrafas no caso de algum cliente pedir.

IMG_2560

Ao final do passeio pelo museu, vamos para a sala da degustação, aprender como se toma conhaque da maneira certa e como podemos reconhecer as diferenças de envelhecimento. Aprendi, por exemplo, que dá-se o nome de “lágrimas” àquela parte do conhaque que fica no copo depois de bebido, e que corresponde a um teste de qualidade: quanto mais tempo as lágrimas ficam no copo, maior a qualidade. Também aprendi que o conhaque deve ser tomado com a mão esquerda, para que ele fique mais perto do coração. Além disso, aprendi a distinguir as cores do conhaque e sentir seus diferentes aromas!

Eu, que provei o conhaque Ararat pela primeira vez em 2013, quando nem imaginava que ia acabar vindo morar na Armênia e ainda ia conhecer a fábrica, tô quase uma connoisseur de conhaque depois dessa visita!

Haghtanak Zbosaygi (Victory Park)

Haghtanak Zbosaygi (Victory Park, ou, em bom português, Parque da Vitória) é um enorme parque localizado no topo do Cascade aqui em Erevã. O nome do parque teve origem na comemoração da participação da Armênia Soviética na Segunda Guerra Mundial.

IMG_2419

Eu e Felipe estávamos curiosíssimos pra ir conhecer o parque, que tem uma ampla área arborizada, um lago artificial, brinquedos, cafés, uma vista incrível do centro de Erevã, um monumento em homenagem aos filhos, e a estátua da Mãe Armênia (Mayr Hayastan) sobre o museu.

20170402_19095120170402_183916

O parque é inteiro muito interessante e nós ficamos encantados! Mas o principal ponto de interesse é a estátua da Mãe Armênia, que substituiu uma estátua monumental de Stalin, que foi criada como um memorial da vitória da Grande Guerra Patriótica. Durante o governo Stalinista da União Soviética, o primeiro secretário do Comitê do Partido Comunista Central da Armênia e membros do governo supervisionaram a construção do monumento, apresentada ao público em 29 de novembro de 1950. Em 1967, a estátua de Stalin foi removida e substituída pela Mãe Armênia, com design de Ara Harutyunyan.

IMG_2459

A Mãe Armênia é a personificação feminina da Armênia, que simboliza a paz por meio da força, e também relembra os importantes valores atribuídos às mulheres mais velhas das famílias armênias, e seu papel de relevância. A Mãe Armênia segura uma espada, e eu fiquei emocionada com essa obra majestosa, com significado tão profundo.

20170402_185152(0)

A posição estratégica da Mãe Armênia, olhando para a cidade de Erevã, faz com que ela pareça a guardiã da capital da Armênia. A cada 9 de maio, milhares de pessoas visitam a estátua para celebrar os armênios mortos em guerras.

IMG_2456

Próximo à estátua da Mãe Armênia, podemos observar de pertinho o lançador de foguetes soviético Katyusha e o míssil S-75. A luz do entardecer de um dia nublado contribuiu pra deixar o passeio ainda mais encantador, e a nossa primeira visita ao Victory Park foi mesmo inesquecível!

 

Монастырь Хор Вирап

No último domingo, tomamos um táxi rumo a Khor Virap, o Monastério que é uma das principais atrações turísticas da Armênia. “Khor Virap” significa “masmorra profunda”, e fica muito muito próximo do monte Ararat.

20170402_143724img_2261.jpgFoi em Khor Virap que Grigor Luisavorich, ou São Gregório o Iluminador, ficou preso por 13 anos, antes de curar o Rei Tirídates III de uma doença. Isso causou a conversão do rei ao cristianismo, e tornou a Armênia, no ano de 301, o primeiro país oficialmente cristão.

IMG_2272IMG_2285IMG_2290É possível visitar a câmara subterrânea onde São Gregório ficou preso, localizada na capela de São Gevorg, que fica separada da igreja principal.

IMG_229320170402_14530120170402_150230A escada que dá acesso à câmara é um tanto quanto assustadora, e só o marido teve coragem e força pra descer! Esta câmara subterrânea tem um tamanho impressionante, e, por conta das velas e falta de circulação de ar, é um ambiente muito abafado.

20170402_144640A grande Igreja de São Astvatsatsin em Khor Virap foi construída no século XVII, e as mulheres que visitam a Igreja devem cobrir a cabeça. A colina de Khor Virap e suas adjacências correspondem ao local da importante primeira capital da Armênia – a antiga Artashat ou Artaxiasata, construída pelo Rei Artashes I, fundador da dinastia Artashesid, por volta de 180 A.C.

IMG_2317O dia estava um tanto quanto nublado, mas mesmo assim foi um passeio muito agradável!!20170402_143910Khor Virap fica a cerca de 1h de carro do centro de Erevã, e ida e volta num táxi do tipo conforto, já contabilizando o tempo de espera do motorista, nos custaram 15000 AMDs (cerca de US$30,00).

Matenadaran

Ontem de tarde eu e o Léo visitamos o Mesrop Mashtots Institute of Ancient Manuscripts, também conhecido como Matenadaran, que nada mais é do que um museu incrível de manuscritos antiquíssimos e belíssimos! Fiquei encantada com a beleza dos manuscritos e dos desenhos, bem como das encadernações riquíssimas.

O museu fica localizado no prédio antigo e original do instituto, com exibição de manuscritos, fragmentos de manuscritos, documentos, livros impressos antigos, encadernações preciosas, miniaturas individuais, etc. O primeiro hall de exibições foi inaugurado em 1957, quando o prédio principal do Matenadaran ficou pronto. Depois da construção das novas instalações do Matenadaran em 2011, o número de halls de exibições foi aumentado; entretanto, estas novas instalações abrigam, principalmente, os departamentos científicos.

A exibição do hall central é dedicado ao desenvolvimento das ciências medievais, da literatura e da arte da Armênia ao longo dos séculos, mapeando a cultura armênia desde a criação do alfabeto armênio por Mesrop Mashtots em 405AD até o século XVIII, e apresentando antigas traduções e trabalhos armênios. Também estão exibidos manuscritos das homilias de Msho Charentir, os evangelhos de Zeytun, miniaturas dos manuscritos da escola siciliana, os evangelhos de Dashunahar e Hrashagorts, o livro das lamentações de São Gregório de Narek, além de manuscritos de livros médicos e amostras das especiarias utilizadas para o preparo de medicamentos naturais. O hall dos mapas exibe reimpressões da época medieval.

O museu funciona de terças a sábados, entre 10h e 17h; não é permitido fotografar dentro do museu. O ingresso individual custa 1000 AMD, e é possível agendar visitas guiadas em armênio, russo, inglês, francês, alemão, italiano, espanhol, português e árabe. Certamente voltarei a este museu interessantíssimo – até porque o marido estava trabalhando e não pôde ir “turistar” conosco!!