“E a Palavra se fez carne e habitou entre nós. E nós contemplamos a sua glória, glória que recebe do Pai como Filho unigênito, cheio de graça e de verdade.” (João 1, 14)

Alegremo-nos n’Ele, por Ele e com Ele, porque o Senhor veio para ser o nosso Salvador! Hoje, é o dia da graça, da alegria e de cantar as maravilhas do Senhor, pois nasceu para nós Jesus, o nosso Salvador!

A alegria que celebramos hoje não é a alegria que vem das futilidades humanas. É a alegria que vem como um dom divino e celeste. É a alegria de ter a certeza de que não estamos abandonados nem fomos esquecidos: mais do que lembrados, fomos e somos inteiramente amados por Deus. Nada poderia ser tão divino como esse amor que Deus tem por nós: amor encarnado, amor que assume a nossa humanidade, que se faz um de nós naquilo que vivemos e somos.

Bendito seja Deus! Bendito seja seu divino Filho Jesus Cristo, Nosso Senhor e Salvador, Deus vivo e presente no meio de nós!

O Filho de Deus nasce da Virgem Maria, que entra na história para ficar no meio de nós. Renova a esperança, entrega-se como pão. Sua Palavra aquece o coração. E quem n’Ele crê, com seus olhos verá: “Ele é o Caminho, a Verdade e a Vida”. O anjo se colocou na presença daquela jovem e disse: “Alegra-te cheia de graça! […]. Conceberás e darás à luz a um filho, e lhe porás o nome de Jesus” (cf. Lc. 1, 28.31). Este foi o maior e mais importante anúncio que o mundo poderia testemunhar: o anúncio do Anjo Gabriel fez com que a Virgem Maria ficasse grávida do próprio Filho do Deus Altíssimo. Realizou-se, naquele momento, o Mistério da Encarnação, aquilo que fora profetizado por inúmeros profetas do Antigo Testamento.

A partir desse anúncio do anjo Gabriel à Virgem Maria a humanidade tomou conhecimento de uma grande novidade: Deus é Pai, ou seja, Ele tem um Filho e o amor entre Eles é o Espírito Santo. Santo Agostinho afirma que o Espírito Santo é um ato de amor que o Pai e o Filho têm em comum, pelo qual se amam reciprocamente: o amor une o amante ao amado.

Portanto, o anúncio do Anjo Gabriel à Virgem Maria nos deu a consciência da existência da Santíssima Trindade. Até então se sabia que Deus existia, mas não se sabia desveladamente que esse único Deus era, também, trino. O véu se rasgou! Os nossos olhos e a nossa consciência se abriram! A Virgem Maria foi a primeira pessoa a conhecer essa luminosa verdade. Por meio do Anjo, Deus Pai anunciou o nascimento do Filho que foi gerado no ventre de Maria por obra do Espírito Santo (cf. Lc. 1, 35). Ela é a primeira que colaborou de forma plena e total com o desígnio salvador de Deus, que é a encarnação de Jesus no meio de nós. Humanamente, não é fácil de entender: os desígnios divinos estão muito além da nossa compreensão humana, e nem mesmo José entendeu, mas ele aceitou assumir a missão de fazer parte da Sagrada Família e cumprir os planos de Deus.

Aquilo que se realizou “na” e “com” a Virgem Maria é, de certa forma, a prefiguração daquilo que iremos contemplar, um dia, no céu. Lá, iremos contemplar a Deus Pai que gera o Filho no amor do Espírito Santo.

Maria nos aproxima de Deus. Não há presença de Jesus no meio de nós sem a presença de Maria, a Mãe que O gerou e O trouxe até nós. Maria é a portadora de Deus, ela é a portadora do Verbo divino. Deus foi o primeiro a amar Maria profundamente a ponto de querer fazer morada nela. Amar Maria é amar os desígnios de Deus que se manifestam no ventre dela.

O ventre da Virgem Maria não apenas representa o ambiente celeste, mas trata-se propriamente do Céu. O ventre de Maria é a porta que permitiu que cada um de nós tivesse a possibilidade de acesso a Deus. Deus não veio direto a nós, Ele veio a nós por meio da Virgem Maria. Foi Deus quem escolheu esse caminho: Deus tudo pode e nada é impossível para Ele, e Ele poderia ter escolhido qualquer outro caminho. Mas Deus escolheu a mediação humana, e essa mediação tem nome: a Imaculada e Santíssima Virgem Maria. A humilde serva do Senhor foi e é a medianeira do Mediador, e é por isso que temos a graça de recorrer à intercessão da Bem-Aventurada.

Humildade é reconhecer a grandeza do Senhor e a nossa pequenez, é depender de Deus, é confiar n’Ele e saber que em todas as coisas Ele cuida de nós. Ser humilde é fazermo-nos servos de Deus no serviço aos outros. Por isso, Maria é a humilde serva do Senhor e ela existe para servir; ela não existe para ser servida nem para ser engrandecida. Nós exaltamos a Virgem Maria por aquilo que ela foi em toda a sua vida: um serviço pleno a Deus em todo o seu ser.

Hoje, mais do que nunca, precisamos descobrir e redescobrir diariamente a graça de servir. No mundo que valoriza e exalta, acima de tudo, o individualismo, Deus tem dificuldade para encontrar servos humildes, pessoas que tenham almas realmente abertas para o outro, que não estejam simplesmente focados em si, nas suas coisas, nas suas necessidades, mas que sabem fazer isso para além de suas próprias ocupações, que estão abertas para servir a Deus, para obedecer-Lhe, para ir ao encontro do outro.

Com Maria, exaltamos o Deus poderoso, grande, que olha para Seus humildes servos e faz, no coração de cada um, a Sua obra divina acontecer. Deus quer realizar no coração de cada um de nós aquilo que Ele realizou no coração de Maria. A graça de Deus permanecerá em nós quando formos humildes e servos.

Eu recebi Maria em minha vida, e me consagro a ela todos os dias. Maria é a discípula perfeita, é aquela que faz de nós presépios vivos no processo divino salvífico. A discípula perfeita me ensinou e me direciona todos os dias a buscar ser inteira de Deus, a amá-Lo, a abrir meu coração para que Ele faça morada em mim como Ele habitou nela. Ao recebermos a Virgem Maria em nossa vida, ela nos aponta a direção do Céu, nos aponta o caminho e a direção para amarmos a Deus sobre todas as coisas.

Por causa do “sim” dessa grande mulher, o que era temporal foi alargado pelo que era eterno. Celebrar o nascimento de Jesus é celebrar o Céu que se fez presente aqui na terra. Fomos visitados pelo Céu, e esse mesmo Céu está aberto para nós. É por esse motivo que a Virgem Maria é a “cheia de graça”, como o Anjo Gabriel proclamou.

Hoje, mais do que desejar Feliz Natal, quero, do fundo do meu coração, propor que nos coloquemos em torno de Jesus, que O celebremos e O amemos, que reconheçamos Jesus como grande dom e dádiva, como o grande presente que podemos oferecer uns aos outros neste dia. Quero que o Menino Jesus realmente nasça em nossos corações de uma maneira nova, que Ele nos renove inteiramente, e que possamos sempre caminhar na luz solidária do Deus Único e Verdadeiro. Quero que sejamos todos morada de Cristo Jesus, que O recebamos e acolhamos em nossos corações, que sejamos verdadeiras manjedouras para o Menino Deus, e que sejamos servos do Senhor seguindo o exemplo da Virgem Maria.

Glória a Deus no mais alto dos céus!

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