A saga do fio dental

A Mivó era a pessoa que mais cuidava de dente nessa vida, e sempre dizia: dente é uma praga. E é verdade. Porque a gente tem que cuidar mesmo, e limpar muito, e fazer uma higiene muito boa todo dia.

Eu sempre detestei fio dental. Mesmo. Passei anos usando aparelho e não conseguia usar. Depois que tirei o aparelho, tinha muita dificuldade de usar porque meus dentes ficaram juntos demais e é muito difícil de passar o fio por entre os dentes. Mas aí ano passado eu tive uma crise de sinusite muito feia que eu fiquei com as vias aéreas tão inchadas que inchou até o siso, e eu acabei extraindo o siso pouco tempo depois pra evitar que isso acontecesse outra vez. Nessa história do inchaço, eu não conseguia escovar o dente direito, e foi preciso fazer uma boa limpeza na dentista pra voltar ao normal. Desde então, aprendi que, querendo ou não, tem que passar fio dental todo dia.


Mas aí tem o problema de qual fio dental usar. No Brasil, eu já sabia que só me dava bem com o fio dental do rótulo verde da Colgate. Não adiantava comprar outro porque eu simplesmente não conseguia usar: o fio não passava entre os dentes, ou passava e arrebentava, ou outro problema qualquer. Juro que não é frescura.

Saí do Brasil só com uma caixinha desse fio dental na necessaire. Na minha cabeça, seria fácil encontrá-lo (ou similar) em qualquer lugar do mundo.

Só que não!!

Em Londres já precisei comprar fio dental, porque esse meu Colgate de caixinha verde acabou. Comprei um na Boots que foi um fracasso. Então continuei usando (mais ou menos) um da Colgate com rótulo azul que também tinha vindo na necessarie.

Chegando aqui, comprei um da Sensodine. Achei que tava resolvendo meu problema. Só que não, de novo. Como o da Boots e esse Colgate do rótulo azul, não consegui usar de jeito nenhum. Uma luta pra passar qualquer um deles entre meus dentes.

Eis que hoje no mercado fiz mais uma busca e achei um fio dental da caixinha azul. Juro que não tava botando muita fé, mas resolvi comprar mesmo assim. E agora tô dando graças a Deus porque este foi o mais próximo do fio dental ideal que encontrei desde que saímos do Brasil!!


Então hoje consegui fazer uma higiene adequada nos dentes e estou feliz. Tão feliz que quis compartilhar com vocês a minha alegria!!!

Coisas que aprendemos no primeiro mês em Erevã

1- Saber um pouquinho de russo ajuda muito no dia a dia, mas o que mais ajuda mesmo é a boa vontade das pessoas.

2- Abaixo de 0ºC, a gente se agasalha o máximo que pode e entrega pra Deus.

3- Eu amo frio e a neve é linda, mas cansa muito caminhar na neve carregando as compras do mercado ou as roupas da lavanderia.

4- Este é o inverno mais frio na Armênia em muitos anos (valeu, aquecimento global!).

5- Coisas para casa são caras, principalmente roupas de cama e banho.

6- Banho gelado no inverno de Erevã é muito pior do que banho gelado no Brasil. Mas muito, muito, muito, muito pior mesmo.

7- Tirar a luva na rua é uma das coisas mais desagradáveis do inverno.

8- Para sair de casa, tem muito trabalho envolvido, já que primeiro tem que se arrumar, depois tem que colocar cachecol + casacão + gorro, aí tem que guardar a luva no bolso do casaco (porque só dá pra colocar a luva depois que fechar a porta de casa e guardar as chaves), e só então calçar a bota.

9- Andar na neve requer muito cuidado e sabedoria, principalmente nos dias em que não nevou e fez um solzinho e a neve começou a derreter e virar gelo: nesse quadro, caminhar fica mais perigoso ainda. Cada passo é uma queda em potencial!

10- A culinária da Armênia é excelente. E, como se não bastasse, eles tem um docinho que parece cajuzinho, cujo nome ainda desconheço mas apelidei carinhosamente de primo armênio.

11- Em todo lugar que se chega, rapidamente oferecem chá ou café logo que você chega. Tenho optado sempre pelos chás, que são sempre deliciosos!

12- O povo armênio é super simpático, mas eles andam muito devagar e, quando em grupos, ocupam a calçada inteira. Isso dá muita agonia.

13- Fazer compras no supermercado demora mais do que antes porque tenho que usar o tradutor pra saber o que é cada coisa – exceto para alguns produtos que já vem com descrições em italiano, alemão, espanhol, francês ou inglês.

14- Eu nunca gostei de feijão, mas agora eu sinto saudade de comer feijão. E já comi feijão 2 vezes desde que chegamos!

15- Tô sentindo mais saudade de água de côco do que eu pensava que sentiria. E olha que eu já sabia que eu ia morrer de saudade de água de côco.

16- FaceTime não substitui abraço mas é uma das melhores invenções dos últimos tempos.

17- Aqui tem leite condensado.

Supermercado

Uma das coisas que mais me apavorava antes de virmos pra Armênia era a ideia de ir ao supermercado: como é que eu ia fazer compras sem saber russo direito?!

Graças a Deus, todas as minhas excursões aos mercados até agora tem sido muito bem sucedidas, e eu não confundi amaciante com alvejante! Hihihi

Existe, sim, dificuldade, porque as etiquetas de preços estão todas escritas em armênio(!!) e eu claramente não faço ideia do que está escrito, e nem sempre a etiqueta que está logo abaixo do produto é aquela que indica o preço dele (confusão que já vi igualzinha nos mercados do Brasil). Logo, vez em quando eu tenho que usar meu russo fajuto pra perguntar qual o preço de alguma coisa, mostrando pra etiqueta de preço, etc. Só não digo que tô passando vergonha porque não acho que seja vergonha nenhuma não dominar a língua! Aliás, esse pensamento é o que tá me fazendo ir em frente e fazer tudo o que é necessário por aqui: eu não tenho nenhuma vergonha de dizer que não falo armênio e que sei quase nada de russo, e mesmo assim tô conseguindo me comunicar o suficiente. Amém!

Quanto aos produtos, aqui tem de tudo, e pra falar a verdade tem coisa que eu nunca nem vi no Brasil. Como a maioria das coisas é importada, é comum achar produtos italianos e alemães, com rótulos nestas respectivas línguas. Claro que os produtos russos dominam o mercado, mas também tem itens gregos, franceses, etc. Aqui em casa, por exemplo, já tem produto de limpeza alemão e russo. Em inglês é mais raro, mas acontece – como é o caso, por exemplo, das garrafinhas de café do Starbucks. Imagina a minha felicidade quando eu achei Starbucks no mercado daqui?! Cada excursão ao mercado me rende pelo menos uma garrafinha hihihi

Agora, se tem uma coisa que me deixa boquiaberta toda vez que eu vou aos mercados é a quantidade de vodca à venda! São milhares de rótulos diferentes! Prateleiras e mais prateleiras!! Claro que eu sabia que ia encontrar muita vodca aqui, já que é a bebida tradicional da região, mas ainda assim eu fiquei surpresa! Essa foto é só de uma parte de um corredor inteiro dedicado a estas bebidas, e acho que já tem muito mais rótulos de vodcas do que eu já tinha ouvido falar na minha vida.

E, claro, sucrilho de cosmonauta pro café da manhã, porque é muito mais legal!

Habemus casa!

Bom dia pra você que acordou no apê novo, depois de 38 dias em hotéis!!

A 1ª foto que tirei no nosso novo lar: de pijama e Crocs!

Já tomamos café da manhã – e com fartura!!


Ainda há muito o que arrumar por aqui, a máquina de lavar não pára de trabalhar, aprendi na marra a usar o fogão (que é de uma modernidade que só!), e estamos muito felizes! Graças a Deus!