Mudanças de rotina que melhoraram minha vida

Eu sempre fui uma pessoa muito, muito, muito ansiosa. Isso sempre me atrapalhou muito nas minhas atividades, principalmente acadêmicas. Já perdi a conta de quantas noites passei em claro por sentir uma angústia intensa, por sofrer antecipadamente, por sofrer em consequência da falta de comprometimento de outras pessoas com quem eu convivia, por querer fazer mais do que as 24 horas de um dia me permitiam.

Na terapia desde os 10 anos, aumentei a frequência no período em que eu viajava semanalmente entre RJ e Brasília, fazendo até 2 sessões por semana quando a coisa estava muito tensa. Minha saúde estava tão prejudicada que, além das muitas crises de sinusite terríveis que eu tive, consegui a proeza de ter caxumba e pedras na vesícula em menos de 6 meses.

Mudar para a Armênia me forçou a mudar a minha rotina, pois me tirou do espaço que eu já conhecia e me levou para um lugar completamente novo, colocando a administração do meu tempo toda nas minhas mãos, e me permitindo, enfim, ter controle absoluto da minha vida.

Eu sabia que eu precisava reformular completamente a minha rotina, mas eu não imaginava que isso teria tantos efeitos positivos pra mim: eu não sinto mais uma ansiedade constante, e percebo que me tornei uma pessoa mais calma, e até minha saúde melhorou. Eu, que sempre tomei incontáveis remédios pra rinite, sinusite, asma, etc quase não tenho mais crises alérgicas – e olha que aqui todo mundo fuma muito em tudo quanto é lugar, o que sempre foi um gatilho pra sérias crises.

Resolvi, então, compartilhar aqui algumas das coisas que mudei na minha rotina desde que chegamos em Ierevan e que eu noto que fizeram muita diferença na minha qualidade de vida.

  • Escrever diariamente

Eu sempre gostei muito de escrever, mas há muito tempo que eu não conseguia fazer isso diariamente ou mesmo por prazer.

  • Movimentar o corpo diariamente

Eu nunca gostei de academia e continuo não gostando, mas eu sempre gostei de andar. Em Niterói, eu andava muito; em Brasília, é impossível não ficar refém do carro. Aqui em Ierevan, eu tento ir a academia pelo menos 3 vezes na semana, mas não me culpo quando não vou. Se eu não vou até a academia me exercitar, eu ando pela cidade pra resolver pendências, ou danço em casa, ou arrumo coisas em casa. Já gastei mais calorias organizando armários do que indo pra academia.

  • Me permitir ficar a toa

Eu nunca consegui ficar parada, sempre tive necessidade de ocupar minha cabeça com alguma coisa. Agora que o tempo é todo meu, eu me permito também ficar a toa: se eu não quiser fazer nada produtivo hoje, tudo bem, eu agora consigo lidar bem com o ócio. E, pra falar a verdade, é nos momentos em que eu fico a toa que surgem boas ideias pra colocar em prática.

  • Desconectar

Ao longo do dia, é importante tentar não ficar conectada o tempo todo. Pelo menos durante as refeições, e principalmente 1h antes de dormir, eu deixo de lado computadores e celulares, e qualquer outra coisa que possa tirar minha concentração na comida ou meu sono. Comer apreciando a refeição é muito melhor.

  • Tomar sol

Pra completar o pacote das doenças que me assolaram em 2015 e 2016, eu estava com insuficiência de vitamina D. Os exames mostravam resultados preocupantes, e as recomendações médicas iam além da suplementação: eu precisava tomar sol. Mas eu não tinha tempo pra tomar sol. Mesmo quando estava em Niterói, eu quase não tomava sol, nunca ia na praia, nunca tinha tempo pra cuidar disso. Agora faz parte da minha rotina tomar pelo menos 15 minutos de sol, ao menos enquanto o inverno não chega, nem que seja na varanda.

  • Beber muita água

Desde que tivemos acompanhamento nutricional em Brasília, eu percebi que nunca bebi água suficiente. Mesmo quando o clima tava muito seco, ou quando fazia muito calor, eu quase não bebia água. Essa mudança de hábito começou lá em 2014, e eu persisto até hoje pra não esquecer de beber, pelo menos, 2l de água por dia. Faz bem pra pele, faz bem pro corpo, faz bem pra tudo.

  • Diminuir a quantidade de coisas na minha bolsa

Eu sempre carreguei o mundo dentro da minha bolsa, e isso não é bom nem pra coluna nem pra rotina diária. Afinal, bolsa cheia geralmente significa bagunça. Graças a Deus eu consegui reduzir muito a quantidade de coisas que eu carregou e ainda assim me sentir tranquila para enfrentar qualquer adversidade do dia a dia, já que eu não abro mão do gel antisséptico e dos lenços umedecidos.

  • Evitar a reatividade e ceder mais

Sempre tive personalidade forte, mas ser assim não significa que eu preciso reagir veemente e imediatamente a qualquer situação. A gente não precisa responder a tudo e a todos. Evitar atrito deixa a vida mais leve, e simplesmente respirar antes de falar pode fazê-lo desaparecer. É preciso ter sabedoria para escolher nossas batalhas, e isso traz mais leveza pra nossa vida.

  • Buscar inspirações boas e editar o conteúdo que se consome

Tenho buscado cada vez mais me aprofundar na fé porque, pra mim, isto tem grande importância, e as coisas do alto me inspiram positivamente. Também tenho tentado editar o conteúdo que eu consumo: menos tragédia e mais coisas boas. A gente não precisa ser alienado, mas podemos focar no que de fato traz positividade pro dia a dia. O que não acrescenta, fica de fora.

  • Reeducação alimentar sem paranóias

Desde 2014 até o ano passado, fui acompanhada por uma nutricionista que traçou um plano alimentar pra mim que me reeducou. Eu sempre me alimentei bem, mas também sempre adorei uma porcaria. Eu já cheguei a ir 4 vezes ao Outback em uma única semana, sempre consumindo alimentos gordurosos. Depois da reeducação alimentar, eu aprendi a valorizar mais os alimentos que trazem benefícios pro meu corpo e me tornam uma pessoa mais saudável. Ao mesmo tempo, eu aprendi a não ficar paranóica e a desfrutar mais dos meus momentos em que eu escolho comer porcaria, que ficaram mais raros por conta da consciência que eu desenvolvi, e ainda mais raros depois que eu tirei a vesícula.

  • Ler mais

Desde muito criancinha, sempre fui ávida leitora (basta dizer que aprendi a ler e a escrever sozinha porque decorava os livros infantis que meus pais e Mivó liam pra mim). Infelizmente, durante alguns anos, eu me privei das leituras que me davam prazer porque eu já lia tantas coisas relacionadas à minha vida acadêmica que eu não tinha mais gás pra ler nenhuma outra coisa. Graças a Deus este período passou e eu retomei meu ritmo intenso de leitura, variando os títulos e assuntos.

  • Respeitar o meu EU

Quanto mais eu aprofundo meu autoconhecimento, mais eu entendo as vontades mais profundas do meu EU. E quanto mais eu entendo os meus desejos mais profundos, mais livre eu me sinto pra correr atrás dos meus sonhos, transformando-os em objetivos reais.

  • Transformar vontades em hábitos

Quando uma nova atividade vira hábito, a rotina fica muito mais leve, e é muito mais fácil de cumprir com todas as atividades. A gente pode criar tempo pra tudo no nosso dia a dia, basta ter um pouquinho de foco.

  • Respeitar meu horário de dormir

Isso não foi propriamente uma mudança de hábito, porque eu sempre prezei muito pela qualidade do meu sono, mas eu reforcei o meu respeito pelo meu horário de dormir. Meu organismo funciona muito melhor se eu tenho pelo menos 8h de sono, então eu dificilmente vou dormir depois das 22h. Quando acordo às 6 ou as 7 da manhã, estou bem disposta pra viver meu dia tranquila e feliz!

  • Aprender a cozinhar

Eu costumo brincar que estou treinando pro MasterChef dois mil e nunca! Eu não sabia fazer absolutamente nada na cozinha e, quando tentava, sempre fazia besteira. Ultimamente, tenho me arriscado cada vez mais no forno e no fogão, bem concentrada, e quase sempre dá certo. Cozinhar é tão bacana!

A saga do fio dental

A Mivó era a pessoa que mais cuidava de dente nessa vida, e sempre dizia: dente é uma praga. E é verdade. Porque a gente tem que cuidar mesmo, e limpar muito, e fazer uma higiene muito boa todo dia.

Eu sempre detestei fio dental. Mesmo. Passei anos usando aparelho e não conseguia usar. Depois que tirei o aparelho, tinha muita dificuldade de usar porque meus dentes ficaram juntos demais e é muito difícil de passar o fio por entre os dentes. Mas aí ano passado eu tive uma crise de sinusite muito feia que eu fiquei com as vias aéreas tão inchadas que inchou até o siso, e eu acabei extraindo o siso pouco tempo depois pra evitar que isso acontecesse outra vez. Nessa história do inchaço, eu não conseguia escovar o dente direito, e foi preciso fazer uma boa limpeza na dentista pra voltar ao normal. Desde então, aprendi que, querendo ou não, tem que passar fio dental todo dia.


Mas aí tem o problema de qual fio dental usar. No Brasil, eu já sabia que só me dava bem com o fio dental do rótulo verde da Colgate. Não adiantava comprar outro porque eu simplesmente não conseguia usar: o fio não passava entre os dentes, ou passava e arrebentava, ou outro problema qualquer. Juro que não é frescura.

Saí do Brasil só com uma caixinha desse fio dental na necessaire. Na minha cabeça, seria fácil encontrá-lo (ou similar) em qualquer lugar do mundo.

Só que não!!

Em Londres já precisei comprar fio dental, porque esse meu Colgate de caixinha verde acabou. Comprei um na Boots que foi um fracasso. Então continuei usando (mais ou menos) um da Colgate com rótulo azul que também tinha vindo na necessarie.

Chegando aqui, comprei um da Sensodine. Achei que tava resolvendo meu problema. Só que não, de novo. Como o da Boots e esse Colgate do rótulo azul, não consegui usar de jeito nenhum. Uma luta pra passar qualquer um deles entre meus dentes.

Eis que hoje no mercado fiz mais uma busca e achei um fio dental da caixinha azul. Juro que não tava botando muita fé, mas resolvi comprar mesmo assim. E agora tô dando graças a Deus porque este foi o mais próximo do fio dental ideal que encontrei desde que saímos do Brasil!!


Então hoje consegui fazer uma higiene adequada nos dentes e estou feliz. Tão feliz que quis compartilhar com vocês a minha alegria!!!

Coisas que aprendemos no primeiro mês em Erevã

1- Saber um pouquinho de russo ajuda muito no dia a dia, mas o que mais ajuda mesmo é a boa vontade das pessoas.

2- Abaixo de 0ºC, a gente se agasalha o máximo que pode e entrega pra Deus.

3- Eu amo frio e a neve é linda, mas cansa muito caminhar na neve carregando as compras do mercado ou as roupas da lavanderia.

4- Este é o inverno mais frio na Armênia em muitos anos (valeu, aquecimento global!).

5- Coisas para casa são caras, principalmente roupas de cama e banho.

6- Banho gelado no inverno de Erevã é muito pior do que banho gelado no Brasil. Mas muito, muito, muito, muito pior mesmo.

7- Tirar a luva na rua é uma das coisas mais desagradáveis do inverno.

8- Para sair de casa, tem muito trabalho envolvido, já que primeiro tem que se arrumar, depois tem que colocar cachecol + casacão + gorro, aí tem que guardar a luva no bolso do casaco (porque só dá pra colocar a luva depois que fechar a porta de casa e guardar as chaves), e só então calçar a bota.

9- Andar na neve requer muito cuidado e sabedoria, principalmente nos dias em que não nevou e fez um solzinho e a neve começou a derreter e virar gelo: nesse quadro, caminhar fica mais perigoso ainda. Cada passo é uma queda em potencial!

10- A culinária da Armênia é excelente. E, como se não bastasse, eles tem um docinho que parece cajuzinho, cujo nome ainda desconheço mas apelidei carinhosamente de primo armênio.

11- Em todo lugar que se chega, rapidamente oferecem chá ou café logo que você chega. Tenho optado sempre pelos chás, que são sempre deliciosos!

12- O povo armênio é super simpático, mas eles andam muito devagar e, quando em grupos, ocupam a calçada inteira. Isso dá muita agonia.

13- Fazer compras no supermercado demora mais do que antes porque tenho que usar o tradutor pra saber o que é cada coisa – exceto para alguns produtos que já vem com descrições em italiano, alemão, espanhol, francês ou inglês.

14- Eu nunca gostei de feijão, mas agora eu sinto saudade de comer feijão. E já comi feijão 2 vezes desde que chegamos!

15- Tô sentindo mais saudade de água de côco do que eu pensava que sentiria. E olha que eu já sabia que eu ia morrer de saudade de água de côco.

16- FaceTime não substitui abraço mas é uma das melhores invenções dos últimos tempos.

17- Aqui tem leite condensado.

Supermercado

Uma das coisas que mais me apavorava antes de virmos pra Armênia era a ideia de ir ao supermercado: como é que eu ia fazer compras sem saber russo direito?!

Graças a Deus, todas as minhas excursões aos mercados até agora tem sido muito bem sucedidas, e eu não confundi amaciante com alvejante! Hihihi

Existe, sim, dificuldade, porque as etiquetas de preços estão todas escritas em armênio(!!) e eu claramente não faço ideia do que está escrito, e nem sempre a etiqueta que está logo abaixo do produto é aquela que indica o preço dele (confusão que já vi igualzinha nos mercados do Brasil). Logo, vez em quando eu tenho que usar meu russo fajuto pra perguntar qual o preço de alguma coisa, mostrando pra etiqueta de preço, etc. Só não digo que tô passando vergonha porque não acho que seja vergonha nenhuma não dominar a língua! Aliás, esse pensamento é o que tá me fazendo ir em frente e fazer tudo o que é necessário por aqui: eu não tenho nenhuma vergonha de dizer que não falo armênio e que sei quase nada de russo, e mesmo assim tô conseguindo me comunicar o suficiente. Amém!

Quanto aos produtos, aqui tem de tudo, e pra falar a verdade tem coisa que eu nunca nem vi no Brasil. Como a maioria das coisas é importada, é comum achar produtos italianos e alemães, com rótulos nestas respectivas línguas. Claro que os produtos russos dominam o mercado, mas também tem itens gregos, franceses, etc. Aqui em casa, por exemplo, já tem produto de limpeza alemão e russo. Em inglês é mais raro, mas acontece – como é o caso, por exemplo, das garrafinhas de café do Starbucks. Imagina a minha felicidade quando eu achei Starbucks no mercado daqui?! Cada excursão ao mercado me rende pelo menos uma garrafinha hihihi

Agora, se tem uma coisa que me deixa boquiaberta toda vez que eu vou aos mercados é a quantidade de vodca à venda! São milhares de rótulos diferentes! Prateleiras e mais prateleiras!! Claro que eu sabia que ia encontrar muita vodca aqui, já que é a bebida tradicional da região, mas ainda assim eu fiquei surpresa! Essa foto é só de uma parte de um corredor inteiro dedicado a estas bebidas, e acho que já tem muito mais rótulos de vodcas do que eu já tinha ouvido falar na minha vida.

E, claro, sucrilho de cosmonauta pro café da manhã, porque é muito mais legal!