desabafo

Cheguei em Brasília ontem, no vôo errado, mas na hora certa. E hoje já amanheci aqui no MRE, ansiosa por mexer nos arquivos que guardam tantas coisas preciosas pra minha dissertação.

Só que não consegui nada, até agora. Tô aqui há quase 4 horas, e nada. Aparentemente, o que eu preciso fica numa sessão diferente da qual eu tinha pensado – de acordo com as orientações recebidas – e eu ainda preciso de mais formulários e autorizações pra pesquisar.

Burocracia.

E isso só atrasa ainda mais a dissertação e a pesquisa. Falta pouco, mas o que falta é muito importante. E tá tudo aqui, no MRE, (quase) ao meu alcance.

Enquanto isso, a fome aumenta, a bateria do MacBook vai acabando, eu esqueci meu iPod em casa (na casa daqui, pelo menos), e deixei o cartãozinho da academia em Niterói.

Fevereiro, não seja tão cruel comigo assim.

PS:  Pra completar, sonhei que a Malévola tava atrás de mim. Sim, a Malévola da Bela Adormecida, essa mesma. Já é a segunda ou terceira vez que eu sonho que a Malévola tá querendo a minha cabeça. Vai entender.

pousando no SDU

Eu sempre fico meio bipolar quando chega o dia de pegar o vôo SDU>BSB, e mais bipolar ainda quando tenho que pegar o vôo BSB>SDU. Parece que quando eu tô lá, sinto falta daqui; e, quando tô aqui, um pedaço meu ficou por lá. E, em meio à bipolaridade, a emoção fica em alta, e eu começo a filosofar.

Quando o piloto anunciou “tripulação: preparar para o pouso”, eu parei de ler, tirei os fones de ouvido, e me concentrei na paisagem que começaria a surgir na minha janela.

Avistei o Cristo Redentor, e agradeci por mais uma oportunidade de sair de uma casa (em Brasília) pra chegar em outra (em Niterói). Olhei pra baixo, e lá estava o Maracanã, que será palco de grandiosos espetáculos mundiais nesse ano. Contemplei o Cristo mais um pouco, até que ele e o Pão de Açúcar ocuparam a mesma paisagem dentro da minha janela. Logo depois, avistei a enseada de Botafogo, e o Pão de Açúcar de pertinho, majestoso, lindo – o meu lugar favorito no Rio.

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Dando a volta na Baía de Guanabara, contemplei Niterói. É engraçado ver do alto coisas que fazem parte do meu dia a dia, seja do jeito que for: o Plaza Shopping, o campus da UFF, o Museu de Arte Contemporânea (MAC), a Praia de Icaraí, a minha rua. Logo depois, começa a aparecer, grande, magrinha, enorme, a Ponte Rio-Niterói, que logo depois eu deveria atravessar para, enfim, chegar na minha casa niteroiense.

Outra vez, vi o Cristo; e, outra vez, agradeci por estar ali, por estar viva, por ter saúde (mais ou menos), por ter família, por ter tanta coisa pra amar e pra me fazer feliz nessa vida. Agradeci a Cristo por tantas coisas bonitas, por tantas coisas simples, por tantas coisas maravilhosas que Ele criou. Agradeci a Deus pelas graças derramadas na minha vida.

Agradeci a Deus pela teimosia de sempre querer embarcar e desembarcar no Santos Dumont toda vez que pego um vôo nacional, e agradeci por ser recompensada por uma paisagem linda que se forma na minha janela toda vez que eu volto pra casa, aquecendo o meu coração e me fazendo me sentir mais feliz.

O avião, enfim, pousou.

notícias daqui

fiquei muito tempo sem escrever aqui, né? acontece que essas últimas semanas foram bem loucas. voltei pra Niterói no dia 29/out e tô focada na dissertação, tentando adiantar ao máximo. e, mesmo quando tava em Brasília, tava super focada nesse processo de pesquisa e escrita. além disso, tenho escrito bastante lá no the geek land blog, criado há pouco tempo em parceria com amigos do mestrado.

entre desenvolver a pesquisa sobre a política externa e nuclear do Brasil e buscar pauta pro geek land, tenho aproveitado pra matar a saudade dos meus pais, enquanto já morro de saudade do Felipe. passear com a mamãe é dessas coisas que me fazem muita falta quando tô em Brasília, e eu tô aproveitando muito a companhia dela. a do papai, também, enquanto levamos o Neville (pra quem não sabe, o nome do meu carro é Neville) pra acertar as coisas rotineiras de um carro com quase 10 anos de uso.

eles chegaram a me perguntar se eu não preferia trocar de carro ao invés de consertar o Neville, e eu quase chorei só de pensar nessa possibilidade. ainda não tô preparada pra trocar de carro, eu amo muito o Neville pra trocá-lo agora. sei que a hora vai chegar, mas eu vou me dar pelo menos mais um ano de presente na companhia dele.

além de tudo, continuamos na luta da busca por um diagnóstico – ou, se Deus quiser – pela ausência definitiva de um diagnóstico, em consequência da cura do meu pai. já estamos sem entender direito o que está acontecendo há 3 meses, e eu só peço a Deus que tudo fique bem, de acordo com o plano Dele.

novembro é sempre um mês engraçado, complicado, que merece atenção. é o mês que antecede a mudança de mais um número na contagem dos meus anos de vida, então novembro tá sempre marcado por muita auto-avaliação, introspecção, reflexão. como muitos já sabem, não sou muito ligada nessas comemorações de aniversário, mas gosto de aproveitar a oportunidade pra pensar um pouco mais na minha vida, na maneira como estou agindo, na maneira como estou conduzindo os meus dias na Terra, se estou em paz comigo mesma, se sinto que estou cumprindo a vontade de Deus pra minha vida.

esse ano foi marcado por mudanças significativas, bem como os últimos anos (dá pra pensar em mudanças significativas anuais na minha vida desde, pelo menos, o ano de 2010, senão desde 2007 – mas vamos considerar 2010 como um ano-chave de mudanças). e eu sinto que todas as viradas da minha vida estão ligadas diretamente aos meses de novembro e dezembro. como se não bastasse, tem todo esse clima de festas de final de ano que não me deixa mesmo esquecer que, mais do que outro ano se aproximando do fim, eu fico mais velha, e devo abraçar novas responsabilidades, novos desafios.

as escolhas diárias que eu faço definem o que eu sou a cada ano.

o sono e a preguiça

cá estou eu em Brasília, mais uma vez, para mais alguns dias dedicados à dissertação e ao carinho do meu amorzinho. só que, hoje, mesmo tendo vindo pra biblioteca com toda intenção de estudar e produzir coisas úteis, eu simplesmente não consegui. porque eu tô com muito sono.

eu dormi muito muito muito mal essa noite. não sei o que houve, mas eu acordei várias vezes de noite, e tive pesadelo, e senti calor, e senti frio… enfim, não consegui dormir bem. e acordei morta. morta com farofa. minha cara tá toda amassada, meus olhos estão pequenininhos, e eu não consigo me concentrar em uma só coisa por mais de 5min. ou seja: nada de dissertação por hoje.

enquanto isso, tô ouvindo The 20/20 Experience todo na sequência. eu já tinha ouvido os dois álbuns, mas nunca tinha escutado os dois juntos, seguidos. e, olha, pqp você, Justin. você samba na cara da sociedade com esse seu pop de qualidade.

agora é esperar mais uma hora até que o Felipe possa sair do trabalho pra gente almoçar, e eu acho que ainda vou ter que fazer comida, e, quer dizer, fodeu, porque eu só queria dormir.

tempo que escorre pelas mãos

quando eu vi, já era segunda feira, dia 09 de setembro. essa temporada em Brasília passou rápido demais.

em meio à muitos livros, muito trabalho, e o Felipe muito doente, essas duas semanas voaram, como se o tempo escorresse pelas minhas mãos, sem que eu tivesse o menor controle sobre ele, sem que eu pudesse pedir pra ele que esperasse um pouquinho.

tempo, por favor, me dê mais tempo.

não tenho muito mais tempo para terminar a dissertação; março tá aí, batendo à minha porta, sem mesmo pedir licença, querendo chegar correndo.

ainda falta muito pra acabar a dissertação. e cada vez mais parece que vou demorar mais.

tempo.

cadê o tempo?

muitas horas na biblioteca, que não são tempo perdido, mas tempo produtivo. algumas horas dedicadas aos devaneios, necessários, em meio à energia nuclear e à política externa.

amanhã eu volto pra Niterói, pra encontrar meus pais. amanhã eu volto pra Niterói, pra voltar a ser filha – dessa vez por um mês! – e deixar a pseudo-dona-de-casa descansar um pouquinho. amanhã eu volto pra Niterói, pra deixar de escrever 4689423942 páginas por dia e escrever, sei lá, meia página. amanhã eu volto pra Niterói pra aproveitar(?) um Rock in Rio em dois sábados, pra respirar melhor fora dessa seca, e até sentir um friozin mais intenso. amanhã eu volto pra Niterói pra ficar longe do Felipe um pouquinho ): mas só um pouquin, porque ele vai a um sábado do Rock in Rio comigo o/ amanhã eu volto pra Niterói pra curtir os meus pais, a comida da Lu, os confortos de estar em casa e ser filha – filha quase mimada, filha que ama, filha que tá dividida entre continuar criança e crescer.

tô crescendo muito em pouco tempo, e querendo ficar criança, indo na direção contrária ao tempo. é por isso que eu peço ao tempo que ele me dê mais tempo – de novo, e sempre.

em Belém!

estou em Belém-PA! cheguei ontem, depois de um vôo BSB-BEL, recepcionada por relâmpagos e chuva nesse cidade quente e úmida. enquanto o meu nariz agradece o intervalo de secura, meu coração fica batento forte esperando logo a hora de voltar pra BSB, nem que seja só mais um pouquinho antes de voltar pra Niterói de novo.

minha pele também já notou a diferença de clima: o que estava mega seco por dá lugar a um avermelhado esquisito, que, se tiver sinais de alergia, já tá sendo combatido pelo antialérgico que eu já tomei.

ah, sim. por que estou aqui? é hora do Encontro Nacional da Associação Brasileira de Estudos de Defesa. é aquele tipo de viagem que não tem escapatória, e que a gente aceita que dói menos. tenho que apresentar 2 artigos em 2 simpósios aqui, nessa cidade quente.

o hotel escolhido é okzinho, nada demais, nem nada de menos. o que fudeu tudo é que todas as tomadas no quarto são daquelas de três pinos, padrão novo, e eu não trouxe nenhum adaptador. então tô sugando bateria do MacBook pro iPhone, enquanto carrego a bateria da câmera com um adaptador emprestado de um dos amiguinhos que também está hospedado aqui e foi mais prevenido do que eu. já soube que tem uma Lojas Americanas aqui perto, mas tô com preguiça de ir sozinha comprar. os amiguinhos que também estão nesse hotel querem dormir até meio dia, vê se pode.

falta descobrir o que há de bom pra se fazer nessa cidade, porque é claro que eu não anotei nenhuma das dicas que os conhecidos que já vieram aqui me deram. #leticiafail

tô achando esquisito ver um céu cheio de nuvens depois de ficar mais de uma semana vendo só o azul do céu pelas janelas.

a house becomes a home

a ideia de ter uma casa sempre foi muito distante pra mim. nunca pensei que sairia rápido da casa dos meus pais, e nem tenho necessidade disso. viver com eles é uma bênção e eu ainda quero aproveitar bastante essa convivência.

mas, com a volta do Felipe pro Brasil, mais precisamente pra Brasília, como contei no post anterior, foi preciso assumir uma maturidade que eu não sabia que tinha, e desenvolver habilidades que não imaginava ter em mim. os horários dele de trabalho exigiam que eu o ajudasse – e muito – no processo de ter um lugar para morar.

anteontem ele conseguiu uma folga e nós arrumamos juntos a casa, enquanto os móveis e eletrodomésticos começavam a chegar. ontem, esperei a manhã inteira pela instalação do combo tv a cabo + internet + telefone. hoje, tô o dia inteiro trancafiada em casa, esperando por uma equipe que não vem, que deveria montar o rack.

nem tudo está dando certo de primeira, é claro. a inexperiência acaba nos pregando algumas peças: falta uma peça pra poder instalar a máquina de lavar roupas, o telefone ainda não pode funcionar porque o aparelho comprado é pra uso em ramal e não como telefone central, hoje o dia ficou meio perdido (ok, foi bom pra colocar os estudos em dia e preparar apresentações pra conferência da próxima semana) porque a equipe de montagem (ainda) não chegou, e ainda não descobri um método eficiente de organizar o banheiro – que não tem um gabinete embaixo da pia. tudo isso, é claro, há de se resolver com o tempo, e sem muita demora, mas damos algumas risadas com essas situações.

ontem de tarde fiquei hoooooras escolhendo e comprando itens de casa, desde piso anti-derrapante pro banheiro até mesa de canto pra sala. pouco a pouco, esse apê vai tomando forma de casa, forma de lar.

uma frase do U2 sempre ecoou nos meus ouvidos quando pensava numa vida pós-casa-dos-meus-pais: a house doesn’t make a home. é preciso muito mais do que 4 paredes e um teto pra se ter um lar. e eu sempre tive certeza de que faria o máximo pra ter um lar.

um lar é feito dessas pequenas coisas, dessas pequenas doses de amor que ficam em cada objeto de decoração ou móvel escolhido; são pequenas doses de amor que definem qual será o sofá que abrigará corpos cansados que querem ver um filme na tv, ou qual o pano de prato vai enxugar a louça usada numa refeição simples.

é mais ou menos isso que tô tentando fazer aqui: tô tentando fazer dessa casa um verdadeiro lar pro Felipe, um lugar onde ele possa ficar feliz. um lugar pra onde ele queira voltar, porque se sente bem aqui.

é claro que é cedo pra dizer se esse aqui também será o meu lar – só Deus sabe o dia de amanhã – mas eu tô adorando essa experiência de escolher cada detalhe que transforma esse apto num refúgio aconchegante no meio do cerrado, que transforma esse apto num verdadeiro lar.

falta só mais uma horinha pro meu amor chegar do trabalho… cada carro que estaciona aqui na quadra acelera o meu coração, pensando que pode ser ele, que poderia ser ele. essa espera que aquece o coração é a espera de quem ama.

felicidade, enfim, chegou!

escrevo, neste momento, de Brasília, onde estou desde a última quinta feira. queria ter registrado antes o que ora escrevo, mas os últimos dias foram tão corridos que só agora pude parar e corresponder mais ou menos à minha necessidade de escrever.

quinta feira a noite cheguei aqui, poucos minutos depois do meu amor. o tempo dele em Harare, finalmente, acabou!

sim, foi antes do tempo inicialmente previsto – 2 anos – mas ainda assim foi tempo demais. não aguentava mais esperar pela volta dele, pra saber que a distância que vai nos separar por algum tempinho será, agora, muito mais fácil de ser superada. o que é um vôo Rio-Brasília pra quem ficou quase 1 ano e meio tendo que aguentar todas as dificuldades de uma separação Brasil-Zimbabwe? nada!

desde que ele chegou, não paramos um minuto. era preciso comprar logo um carro, porque em Brasília dificilmente se consegue resolver a vida a pé. em seguida, alugar um apartamento – e ainda comprar os principais móveis e eletrodomésticos pra que ele se instale logo.

e conseguimos! foi bem coisa de Deus, de iluminação divina. conseguimos achar um apto ótimo pra ele logo no sábado, e no mesmo dia ele não só alugou o apto como começou a comprar os móveis. ontem fomos no outro shopping pra ele comprar os eletrodomésticos, e agora falta só o fogão, mas acho que vai ser comprado pela internet.

hoje precisamos fazer uma limpeza no apto antes que os móveis e eletros comecem a chegar amanhã. tô morta de cansaço nessa maratona, mas é preciso fazer o máximo possível enquanto tô aqui pra ajudá-lo.

e hoje acordei meio ruinzinha do nariz. ainda não identifiquei se é só alergia ou se pode ser uma gripe chatinha querendo me pegar. se for gripe, fudeu, porque ainda há muito por fazer e eu tenho que ir pra Belém no domingo pro Encontro Nacional da Associação Brasileira de Defesa. Deus me ajude!

o que eu também não entendo

não entendo esse Oceano Atlântico separando a gente. não entendo acordar do seu lado num dia e, no outro, dormir longe de você. não entendo te abraçar num segundo e no outro tomar um avião pra um destino diferente do seu. não entendo a distância. não entendo a separação física. não entendo esse amor que eu sinto por você.

não entendo ficar sem você.

não entendo passar duas semanas maravilhosas viajando com você e, em seguida, ficarmos tão longe. não entendo uma road trip tão maravilhosa acabar com uma separação compulsória assim. não entendo você longe de mim.

não quero mais ficar longe de você.

volta logo, chaveirinho. só assim eu vou parar de quebrar minha cabeça pra entender essa saudade imensa que eu sinto de você.

mas eu te amo. e é só por isso que eu aguento a espera: porque sei que ficar perto de você vale a pena tudo o que essa distância nos obriga a viver.

saí da África, mas a África não saiu de mim

de volta ao Brasil, eu não consigo resumir melhor o que eu estou sentindo desde que pousei aqui, na noite do último domingo.

ontem, ao me preparar pra sair de casa, não pude vestir outra coisa senão minha saia africana. pra onde eu vou, vejo África – em revistas e livros espalhados pela cidade; pra onde vou, sinto a África dentro de mim.

me resta uma saudade que eu não sei que poderia sentir. não é “só” uma saudade do meu amor que ficou lá mais um pouquinho (o “só” está entre aspas porque essa saudade por si mesma é imensa demais pra ser “só”). é uma saudade também de um jeito de viver, de um jeito de andar, de cores que eu vi, de gente com quem eu falei, de coisas que eu vivi.

uma saudade do silêncio e da paz de Harare. uma saudade da contemporaneidade misturada ao jeito antigo de Johannesburgo. uma saudade da secura quente de Gaborone. uma saudade da diversão interminável em Sun City. uma saudade de muita coisa que eu não consigo enumerar.

uma saudade imensa de carinhos intermináveis por tantos lugares onde eu estive na África.

esse interregno de Niterói tá servindo pra matar as saudades do papai e da mamãe, e pra terminar as tarefas do mestrado, antes de embarcar de novo num aeroplano. pois é… depois de amanhã, eu volto pro lugar de onde sinto mais saudade no mundo: Orlando. dizer que eu estou morrendo de saudade dos parques é um understatement imenso! é a primeira vez em muito tempo que eu passei mais de 6 meses sem ir pra lá (já que a última viagem pra lá foi em janeiro do ano passado), e eu estou feliz demais de ter mais essa oportunidade de ir pro lugar que eu amo. é bênção demais pra mim…

mas eu sei que, de agora em diante, eu levo a África em mim, pra onde quer que eu vá.

a parte mais difícil já passou

“a parte mais difícil já passou”. eu não sei exatamente quantas vezes eu repeti essa frase nos últimos dias, mas sei que a repeti demais. isso porque hoje o chaveirinho volta pra Harare pra continuar o trabalho por lá, depois de 12 dias comigo no Brasil.

se dizemos que “a parte mais difícil já passou”, é porque os últimos 5 meses foram de distância e muita saudade, com um pequeno intervalo de pouco mais de 30 horas quando ele foi me encontrar em Londres para passar o aniversário comigo. as perspectivas para os próximos meses não são de tanta distância assim, ainda que ela exista inevitavelmente. mas mais sobre isso mais pra frente.

é certo que tentar registrar tudo o que fizemos nesses dias seria uma tarefa que eu não conseguiria cumprir, fosse pela falta de tempo, ou pela vontade de chorar ao lembrar de tanta alegria junta, que vai fazer tanta falta. mas, um pequeno resumo está em ordem…

enquanto ele esteve no Brasil, fui buscá-lo em São Paulo, onde ficamos por 3 dias com a família dele. depois, viemos pra Niterói, onde ficamos a maior parte do tempo (ai, mestrando sofre, viu), e também atravessamos a poça pra, por exemplo, ver os amiguinhos e ver o show do Snow Patrol (que aliás foi amor verdadeiro no coração, e eu fiquei ainda mais apaixonada pela banda). na última quarta, fomos pra Brasília, e na sexta nos despedimos no aeroporto, quando ele voltou pra SP pra visitar os avós no interior, e eu voltei pra casa pra estudar (eu disse que mestrando sofre).

depois de resumir bem resumido esses dias que passamos juntos, hoje a noite ele volta pro Zimbábue. mais do que às despedidas, temos que nos apegar aos reencontros.

mas não é porque “a parte mais difícil já passou” que eu não vou morrer de saudade.

o dito pelo não dito, e o que ficou por dizer

eu não consigo descrever a alegria de estar em casa! comer comida fresca e quentinha, tomar café da manhã sentada, tomar banho no meu banheiro e dormir na minha cama. tantas coisas simples, coisas simples que nem damos tanta importância no dia a dia, mas que são fundamentais para aproveitarmos o melhor da vida.

desde que cheguei, estou às voltas com os meus trabalhos de final de semestre do mestrado. eu preciso de férias das férias, e não sei quando vou tê-las. mas, mesmo em meio aos trabalhos e muitas responsabilidades, refleti um pouco sobre o que faltou dizer sobre a minha experiência de vida em Londres, e no Reino Unido.

Londres é uma cidade do mundo. eu sempre sonhei em ir a Londres, e a realização do sonho acabou rompendo com muitos paradigmas. a cidade não é muito limpa, e os britânicos, na sua maioria, tem dentes muito feios. a prestação de serviços não é nada boa, e eu costumava dar gorjeta mais por educação do que porque tinha sido realmente bem servida. o serviço de metrô é, de fato, muito eficaz, mas nem mesmo lá não se escapa da confusão das horas de rush. a segurança é um outro problema: eu não conseguia me sentir segura em momento algum, estava sempre apreensiva, sempre pensando que qualquer pessoa perto de mim poderia ser um pickpocket. eu nunca senti essa insegurança toda no Brasil. lógico que aqui os índices de criminalidade são altos, mas os relatos que li antes de ir pra Londres, e o que eu via ou sabia que acontecendo enquanto estava lá me deixava em estado de alerta constante. aliás, alerta era uma palavra que não saía do meu vocabulário: alarmes de incêndio que tocavam e me deixavam surda, trânsito esquisito, e tantas outras coisas. pra não dizer que nunca me sentia em segurança, eu poderia dizer que, enquanto estava em aula na King’s, ficava mais tranquila – mas a tranquilidade passou a ser mais inquieta depois do acidente na cozinha que acabou acionando o alarme de incêndio e fazendo com que todos saíssemos do prédio.

e as pessoas. é lógico que eu sempre soube que o povo brasileiro é um dos mais calorosos do mundo, e que não se deve esperar o mesmo comportamento em outros lugares do mundo, mas eu fiquei surpresa com a frieza dos europeus em geral. eu não consigo entender como uma pessoa consegue ver a outra triste, ou até chorando, e não faz nada, não oferece um abraço, ou um sorriso sequer. a dificuldade deles em expressar as suas emoções me incomodou muito. talvez eu que esteja errada, talvez eu seja transparente demais, honesta demais. em Londres, todos tem um propósito, e parece ser sempre cada um por si.

eu não consegui verdadeiramente “turistar” em Londres, e eu tenho certeza de que isso foi em parte influenciado pela rotina gelada que todo mundo com quem eu convivia vivia por lá, pela rotina gelada que todos vivem por lá.

confesso que fiquei um pouco (ou seja: bastante) deprimida enquanto estava lá, naquele quarto minúsculo, vivendo aquela rotina gelada (e, quando eu digo rotina gelada, é em tantos sentidos, já que em pleno verão era preciso usar scarfs e trench coat, e o sol mal brilhava). foi bom? foi. mas, toda vez que eu tinha que me fechar naquela solidão do cupboard, eu me sentia uma formiga prestes a ser esmagada.

uma vez eu ouvi que if you don’t own the city, the city is gonna eat you. e isso é verdade. num dia em que eu esqueci disso, e saí meio desarmada, eu sentia como se eu estivesse sendo sugada por aquela cidade tão majestosa, cheia de construções tão antigas e bonitas, e outras mais novas e nem sempre tão bonitas assim; parecia que até andar era uma coisa difícil. foi aí que eu percebi que tinha que crescer e sair mesmo do meu casulo: eu tinha que dominar a cidade antes que ela me engolisse, antes que todas as coisas boas que eu podia aproveitar acabassem sendo afetadas por essa dificuldade em lidar com uma realidade tão diferente da minha. a primeira coisa que eu fiz com essa motivação “revolucionária” foi comer enquanto cruzava a Waterloo Bridge, enquanto olhares curiosos me julgavam.

seja aqui, ali, ou em qualquer lugar, você não pode deixar de ser você mesmo. e eu sei muito bem quem eu sou, e é por isso que, sozinha em Londres, eu me sentia uma formiga prestes a ser esmagada: para sobreviver lá, eu tenho que ter alguém por perto que me entenda, que me abrace quando eu quiser chorar, e que aceite as minhas maluquices. acho que isso potencializou a minha alegria no final de semana em que eu visitei o WB Studio Tour e o chaveirinho foi pra lá: enquanto estava sozinha no Studio Tour, eu podia ser a criança que eu sou quem eu sou sem ninguém me julgar, num ambiente que me fazia me sentir em casa; e, quando o Felipe chegou lá, no dia seguinte, eu tinha do meu lado uma das pessoas que eu mais amo na vida, e que me entende do começo ao fim, e que me aceita exatamente do jeito que eu sou, e que me encoraja a seguir em frente, a perseguir os meus sonhos, e a usar meu vestido com meu All Star.

eu não sei nem se o que eu estou escrevendo está fazendo algum sentido – a eterna sina de tentar organizar meus pensamentos em linhas quase uniformes – e eu tenho absoluta certeza de que eu nunca vou de fato conseguir explicar todas as emoções e todo o crescimento que me foi imposto por conta dessa viagem, mas eu precisava dizer algumas coisas que ainda não tinham sido ditas por aqui, pra lembrar sempre delas, e também das coisas que ficarão sempre por dizer.

já coloquei as varinhas do Fred e do George na parede, que ficou completa; já preguei meu novo poster Keep Calm and Carry On no meu quarto, pra não esquecer nunca da importância de manter a calma e seguir em frente. mas a verdade é que foi exatamente em Londres, no seu berço, que esse lema fez mais sentido na minha vida.

e a gente segue em frente.

eu sigo em frente tendo um ataque de ansiedade de cada vez. eu sigo em frente dizendo o que quero dizer, sendo quem sou e quem eu quero e gosto de ser. eu sigo em frente.

no Reino Unido: semana 04

Já estou de volta ao Brasil, mas não é por isso que não vou registrar meus últimos dias de aventuras no Reino Unido por aqui.

Bom, na segunda feira, acordei bem cedinho, terminei de arrumar as coisas de última hora, e fui pra Heathrow.  Me despedi de Londres no caminho pro aeroporto, e me dei conta de que vou mesmo sentir saudade. Enfim… ao fazer o check in, descobri que não poderia simplesmente pagar pelo excesso de peso na bagagem (lógico que isso ia acontecer), mas que tinha que tirar o excesso de peso e colocar numa terceira mala. A sorte é que tinha uma Accessorize (AMO!) bem em frente ao check in e eu comprei uma weekend bag bem fofa. Entrando no Terminal 5, a mocinha da security amou a quantidade de Mickeys nas minhas coisas (capinhas de iPhone, de iPad, chaveiros, adaptador de cartão SD, e por aí vai), e eu disse pra ela que era a primeira vez em muito tempo que não ia pra Disney nas férias e que isso tava quase me matando, mas que, mesmo sem ir pra Disney, a Disney nunca sai de mim. Fiquei impressionada com o Terminal 5, que é o mais moderno do mundo, e mais parece um shopping de tantas lojas e tantas opções de entretenimento pré-embarque. Mas eu tava mesmo doida pra chegar em Edinburgh; e lógico que não seria tão fácil assim: o vôo atrasou mais de 1 hora porque precisavam fazer reparos na aeronave. Tudo bem. Pelo menos, cheguei lá!

Cheguei em Edinburgh sob um pé d’água. O taxista que me levou do aeroporto pro hotel me disse que já tinha levado a JK Rowling em casa várias vezes, e que a casa dela é conhecida em Edinburgh como “a fortaleza Rowling”, de tão bem protegida. Estava ansiosíssima pra ir logo no The Elephant House e, assim que fiz o check in e tomei um banho, saí, mesmo sob a chuva, pelas ruas de Edinburgh, em busca do lugar onde Harry Potter “nasceu”. Lógico que eu não achei. Fiquei andando igual barata tonta, perdidinha, procurando, procurando, e nada. E, lá pelas tantas, eu tava com tanta fome, e tão cansada de pegar chuva, que parei pra comer num pub (fish n chips, claro), e deixei pra procurar The Elephant House no dia seguinte.

E é lógico que foi a primeira coisa que eu fiz na terça feira. E logo logo eu achei! Acontece que no dia anterior eu tinha ido na direção errada. É a minha cara fazer isso mesmo… Enfim. Achei The Elephant House e quase morri de emoção! Só de pensar que a tia Jo sentou lá tantas vezes pra escrever Harry Potter… Inexplicável. Depois disso, subiiiiii mais de 1800 coliiiinaaas fui até o Castelo de Edinburgh, a verdadeira fortaleza da cidade, e passei horas lá explorando o lugar. Tanta coisa pra ver! War Memorial, museu nacional, museu regimentar, … um prato cheio pra mim. Quando minha expedição exploradora no Castelo de Edinburgh acabou, almocei no Bella Italia e depois peguei um daqueles ônibus de turismo pra poder ver logo o máximo da cidade possível, e decidir o que faria no dia seguinte. Antes de voltar pro hotel, passei numa Waterstone’s e comprei mais alguns bons livros de história militar. E, de noite, saí pra jantar com a família do meu colega de mestrado que coincidentemente esteve em Edinburgh nos mesmos dias que eu, e me diverti muito com o filhotinho dele, que completa 8 anos mês que vem. Foi ótimo ter uma noite “em família” depois de tanto tempo! E isso só aumentou minha vontade de voltar logo pra casa.

Quarta feira era o último dia pra explorar Edinburgh. Tomei o ônibus turístico outra vez, e decidi visitar o Holyroodhouse Palace, a residência oficial da Rainha na Escócia. Um primor de lugar! Depois de explorar tudo com bastante calma, almocei (se é que uma refeição às 15h30-16h pode ser chamada de almoço) no Hard Rock Café, porque rock’n’roll faz falta, e finalmente cedi à cólica, e voltei pro hotel.

Andei muito em Edinburgh. Me permiti me perder por lá quantas vezes foi possível naqueles 2 dias e meio, e achei a cidade uma gracinha. Algum dia, se Deus quiser, volto lá.

Ontem era, enfim, dia de voltar pra casa! Acordei cedinho outra vez, e fui pro aeroporto de Edinburgh, dessa vez com excesso de bagagem pago online pra ser mais barato, mesmo que ainda seja um roubo. Rezei um bocado pro vôo não atrasar, porque eu queria chegar logo em casa. Ainda bem que não atrasou! Fiz a conexão tranquilamente no Terminal 5 de Heathrow, e ainda deu tempo de gastar mais umas Rainhas nas lojas de lá (hihihihihi). No avião, vi um monte de filmes, e até chorei com um deles (ridículo, eu sei, mas eu não consegui me conter).

Chegando no Rio, com uns minutinhos de atraso, foi uma alegria só. Poder chegar em casa, e ser recebida pelos meus pais com os braços cheios de saudade, é dessas coisas que não tem comparação na vida. É muito bom estar aqui com eles. É muito bom ter uma casa boa e confortável pra voltar toda vez que eu viajo. É muito bom ter gente que me ama esperando que eu volte!

Hoje me dei conta de que perdi, provavelmente no avião, as minhas lentes de contato.

no Reino Unido: semana 03

Essa semana foi muito, muito corrida (pra não dizer louca).

Segunda feira estava chovendo, pra variar. Saí da aula e, ao invés de me aventurar muito por aí, visitei a Sommerset House pra conferir a exposição de fotografias dos 50 anos dos Rolling Stones. 50 fotografias “resumindo” 50 anos de história. Uma palavra: IRADO. Adoro Rolling Stones, e fico cada vez mais fã quando posso ver algumas coisas sobre a trajetória dos caras. Depois de ver a exposição, naturalmente voltei pro cupboard pra estudar.

A terça feira era o dia da apresentação sobre nuclear deterrence. Eu naturalmente estava uma pilha. Acabou que deu tudo certo, e o professor ficou satisfeito com a nossa apresentação. Quando voltei pro cupboard, eu estava tão cansada mentalmente que eu só queria andar por aí sem rumo, ouvindo música, comendo porcaria. Fui parar lá na Tower Bridge, comi um cachorro quente com Coca Cola, e aproveitei um fim de tarde fresco na beira do rio.

Na quarta, não me senti muito bem de manhã, e acabei resolvendo sair da aula mais cedo, pra descansar e aguentar de noite ir ao Royal Albert Hall pra BBC Proms. Conversei com a mamãe a tarde inteira, e ela mandou(!) que eu saísse no dia seguinte do cupboard e fosse pro hotel.

E eu vim. Na quinta feira, mesmo tendo dormido tarde por conta do BBC Proms (que foi muito bacana), acordei cedinho e vim pro Strand Palace Hotel. Que diferença! Guerra sem conforto é extermínio. Isso é uma verdade incontestável! Não há nada melhor do que tomar um bom banho e dormir numa cama confortável – especialmente depois de quase 3 semanas de perrengue puro. Mas quinta ainda era dia de aula, e foi o dia de entregar o ensaio, e eu logicamente tive que passar por uma mini odisséia pra conseguir imprimir o trabalho. De tarde, tivemos aula no Imperial War Museum, oficialmente eleito meu lugar favorito em Londres. Quando a noite chegou, jantei com meus colegas de turma no Bella Italia e depois fomos pro Waterfront, o pub da King’s College, pro evento de encerramento. Foi divertido, mas eu não aguentei ficar até muito tarde porque estava morta da “mudança” e estava doida pra dormir na minha cama confortável.

Sexta de manhã foi a cerimônia de encerramento da Summer School. Foi bem triste despedir de todo mundo. Perrengues à parte, eu vou sentir falta. Almocei num japonês e decidi que dedicaria esse final de semana a andar poraí, meio sem rumo, e acabei revisitando alguns lugares que gostei de conhecer. Quando dei por mim, estava lá na Harrods. Imagina o problema… Pra evitar estragos muito grandes, resolvi call it a day. Voltei pro hotel, tomei um banho, me ajeitei, e fui jantar num restaurante chinês (que chama Gold Mine mas que será pra sempre lembrado por mim como  “o Chi Fu britânico”) com meus amiguinhos singaporeanos.

Na madrugada de sexta pra sábado, por volta das 3 da manhã, o alarme de incêndio do hotel tocou. Foi uma correria danada. Engraçado pensar na reação que eu tive: assim que me dei conta do que estava acontecendo (uns 3 seg depois de perceber que eu tinha realmente acordado e não estava sonhando e que tinha que sair logo do quarto), eu simplesmente agarrei a Tasha (pra quem não sabe, a Tasha é a minha coelha de pano feita pela minha vó Laércia antes de eu nascer e sem a qual eu não durmo nunca) e desci correndo as escadas; larguei no quarto passaporte, dinheiro, eletrônicos, tudo. Só quando já estava no lobby do hotel é que me dei conta do que tinha deixado pra trás. Ainda bem que não foi nada demais (aparentemente algum hóspede fumou no quarto e aí o alarme foi acionado), e logo pudemos retornar aos quartos e ficou tudo bem. Mas, pra dormir depois do susto, foi um sufuco.

Ontem de manhã duas coisas ruins aconteceram: logo que saí por aí na parte 2 da minha expedição exploradora sem rumo por Londres, com a câmera profissional em punho, me dei conta de que a lente 18-55mm estava com uma parte que conecta a lente ao corpo da câmera solta (a lente ainda funciona, mas não é seguro usá-la desse jeito porque pode forçar e o dano pode ser maior; naturalmente, só vou poder tentar consertar no Brasil, porque aqui não dava mais tempo); e, em seguida dessa descoberta, me dei conta de que tinha largado o guarda chuva da Grifinória no cupboard no alojamento na Stamford Street. Chateada é pouco pro que eu fiquei. Mas, não ia adiantar de nada ficar emburrada no meu último final de semana em Londres, então voltei rapidinho no hotel, deixei a câmera profissional (a outra lente é 55-200mm, então não é muito prática pro tipo de fotografia que eu tenho feito aqui) no quarto, e voltei a me perder pelas ruas. Logo consegui encontrar um lugar que queria muito visitar: Churchil War Rooms. Achei muito interessante poder ver como o então Prime Minister viveu durante os períodos mais difíceis da Segunda Guerra Mundial, além de ver a exposição do Churchill Museum. De lá, resolvi que ia andando até Oxford Street pro que seria uma “última olhadinha” nas lojas, mas fui desencorajada por uma funcionária do Buckingham Palace a andar até lá, então cedi ao metrô. Chegando em Oxford Street, acho que não aguentei nem meia hora, de tão cheia, quase insuportável. Rumei pra Covent Garden, onde encontrei (finalmente!) vaga num pub pra almoçar, e comi mais fish n chips. Logo voltei pro hotel pra descansar um pouco e, mais tarde, jantei no Bella Italia mais próximo antes de começar oficialmente a minha despedida da cidade da melhor forma possível: assisti ao musical The Lion King. Sentada num lugar privilegiado, eu comecei a chorar logo no iniciozinho de Circle of Life. O resto, bem, eu não preciso nem dizer o quanto fiquei emocionada. Eu não saberia mesmo explicar.

Hoje acordei e fui pra St Paul’s Cathedral. Estava com saudade de participar de uma missa, e acabei chegando na Catedral em tempo de participar da missa solene. Foi maravilhoso! E que dia maravilhoso foi hoje… Parecia verão! Depois de almoçar e cruzar a Millenium Bridge para uma tentativa de visitar o Tate Modern, decidi que o dia de hoje não pedia museu, mas sim aproveitar o sol e o céu azul e lindo. Catei um livro e fui pro Hyde Park; sentei na grama, tomei sorvete, agradeci a Deus a oportunidade de estar aqui.

A verdade é que, mesmo aos trancos e barrancos, a minha estada em Londres foi muito bacana. Novas e antigas amizades, um final de semana incrível com o meu amor, uma visita aos estúdios Leavesden, e muitas, muitas histórias pra contar.

A fase Londres da minha viagem acabou (quero dizer, mais ou menos, ainda falta terminar de arrumar as malas…), mas essa semana ainda tem um chorinho de Reino Unido pra aproveitar. Amanhã vou pra Edinburgh, onde fico até quinta, e enfim volto pra casa. Confesso que estou morrendo de saudade, e que não sei quando terei coragem de fazer outra viagem assim, sozinha. Esse mês de julho tem sido muito importante pro meu crescimento e aprendizado de maneira geral, e tenho percebido, a cada dia, que não gosto de conviver com essa solidão que a vida no estrangeiro impõe aos que se acham independentes demais.

Eu sempre me achei independente demais, e olha só o que tá acontecendo: eu não vejo a hora de voltar pra casa.

walk

desde que eu me entendo por gente, eu sonho em ir a Londres. ao longo dos anos, essa vontade foi potencializada por motivos como o rock n’roll, Harry Potter, história das guerras, etc (não necessariamente nessa ordem).

eu acreditei, por muitos anos, que o primeiro lugar na Europa que visitaria seria Londres, por conta dessa minha fascinação. acontece que a vida tem seu próprio curso, e Deus sabe o que faz, e eu acabei indo primeiro à Genebra e a Paris, em 2009, e passando uma noite em Madrid, em 2011. na verdade, eu já viajei muito mais do que eu um dia sonhei, e não dá pra reclamar de não ter ido pra Londres até agora.

acontece que, no ano passado, foi anunciado que, na primavera (do Hemisfério Norte) deste ano Leavesden seria aberto à visitação do público sob o nome de WB Studio Tour: The Making of Harry Potter. imediatamente eu surtei, pulei, gritei: quantas vezes eu tinha sonhado em visitar os estúdios onde, por 10 anos, a magia se tornou real? eu simplesmente tinha que ir lá tão logo fosse possível.

foi no ano passado, mas lembro-me com nitidez: papai, mamãe e eu, os 3, sentados na sala, assistindo tv. entre uma coisa e outra, pedi a eles que me deixassem ir ao Reino Unido em 2012. argumentei que não aguentava mais esperar pra visitar o lugar com o qual tanto sonhei, e que visitar os estúdios onde filmaram Harry Potter era da mais alta importância pra mim. pedi pra deixarem que eu fosse pra Londres, e ficasse uns 3 ou 4 dias por lá, nada muito absurdo, mas que eu queria ir lá em 2012, mais especificamente depois de março (ou seja: teria que ser nas férias do mestrado). eles me olharam com aquela cara que sempre me olham quando eu peço alguma coisa meio absurda, meio possível; disseram que iam pensar. no dia seguinte, no café da manhã, eles me propuseram que, ao invés de ficar 3 ou 4 dias por lá, procurasse um curso que pudesse acrescentar alguma coisa ao meu currículo (lattes e vitae, no sentido mais amplo da palavra), e que eles avaliariam as possibilidades das duas propostas de viagem.

foi aí o turning point da minha história. comecei a procurar cursos e possibilidades em todas as universidades de Londres e redondezas, e logo achei um que casava perfeitamente com meus objetivos e meus interesses: realizado pelo departamento de estudos de guerra da King’s College, seria oferecido nesse verão o curso chamado “Change & Continuity: World Politics since 1945“.

eu fiquei eufórica. apresentei essa proposta pros meus pais, que concordaram – desde que não atrapalhasse nas aulas do mestrado, é claro. mas só de saber que eles queriam deixar que eu passasse não 3 ou 4 dias, mas quase um mês inteiro estudando em Londres, eu chorei de felicidade. uma viagem dos sonhos estava se tornando algo palpável.

comecei as aulas no mestrado, e, pouco tempo depois, abriram-se as inscrições pra summer school. submeti todos os documentos requisitados, e esperei por uma resposta. sem muita demora, ela chegou: eu tinha sido aprovada. conversei com os profs no mestrado pra saber se não perderia nenhuma aula, e todos eles me incentivaram muito a ir. chegando em casa, devo admitir que chorei mais um bocado. era oficial: eu realmente ia vou pra Londres.

eu vou mesmo pra Londres. eu vou mesmo visitar o lugar onde a magia acontecia. eu vou até dar uma esticada até Edinburgh pra conhecer a cidade (e o pub!) onde JK Rowling escreveu o primeiro livro de uma série que há 15 anos é parte da minha vida.

confesso que não foi nada fácil abrir mão do meu posto de guia da Point pra Orlando. desde 2008, eu não sei o que é passar férias sem ir pra Flórida. desde 2008, todas as minhas férias foram de pura diversão, de dias inteiros em montanhas russas, de parques temáticos, de parques aquáticos, de calor em julho, de frio em janeiro (ou dezembro, por muita sorte e puro amor dos meus pais em 2010); desde 2008, minhas férias foram só felicidade. eu não sei o que faria pra poder ir pra Orlando e ainda assim ir pra Londres. mas a verdade é que a vida é uma sequência de escolhas, e eu escolhi realizar mais um sonho de vitae – e, de quebra, melhorar meu lattes (#bolsistasofre). e vamos combinar que eu acho que essas férias, por mais que eu as ocupe com um curso com uma carga horária razoavelmente puxada, serão bem divertidas.

depois de muita preparação (que começou com a compra do ingresso do WB Studio Tour, passou pelo pagamento do curso, da acomodação e das passagens, e terminou com o fechamento das malas), finalmente chegou o dia de ir pro aeroporto pra acordar amanhã na terra da Rainha.

eu devo confessar que a ficha ainda não caiu. mesmo com todas essas informações, mesmo toda hora me beliscando e tentando me convencer de que eu não estou sonhando, tudo parece muito surreal pra mim.

eu tive um semestre de cão, junho foi um mês super tenso, mas isso tudo acaba hoje. hoje eu vou embarcar no avião da British Airways e vou deixar pra trás todas as preocupações e todas as tristezas de um semestre muito louco. tudo bem que, enquanto estiver lá, eu tenho que escrever 3 trabalhos do mestrado; tudo bem que eu terei aulas das 9am as 5pm de segunda a quinta, e ainda terei que escrever um trabalho pra entregar no final das aulas; tá tudo bem, porque hoje eu vou pra Londres. tá tudo bem, porque eu vou passar o mês de julho em Londres. tá tudo bem, porque eu tenho certeza de  que julho será incrível.

learning to walk again. I believe I’ve waited long enough… where do I begin? learning to talk again. can’t you see I’ve waited long enough? where do I begin?