Jasper: caminhando sobre o Maligne Canyon

Como eu comentei no post anterior, nós chegamos a Jasper de trem e fomos levados para o nosso hotel. Nossa acomodação era o The Crimson Jasper, bem pertinho do centro desse ski resort, o que facilitou para que caminhássemos pelo centrinho no dia em que chegamos. Ficamos muito felizes ao chegarmos no lodge e descobrir que nosso quarto já estava pronto (mesmo algumas horas antes do horário oficial de check in), o que nos permitiu tomar um banho decente e descansar por algumas horinhas antes de sair em busca de alimento.

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A grande atração de Jasper estava guardada para a tarde do dia seguinte: caminhar sobre o canyon congelado. Nós literalmente andamos sobre um canyon congelado, e eu nunca pensei que fosse falar isso na minha vida!

O transfer agendado nos buscou no hotel por volta das 13h, levando-nos, primeiro, para arrumar calçados adequados para caminhar sobre um canyon congelado. Era uma mistura de galocha mais quentinha com sapato de escalada, muito esquisito, mas funcionou. O calçado adequado é mesmo muito importante pra esse tipo de aventura, porque em alguns trechos da caminhada nossos pés ficavam submergidos no gelo. Aliás, a roupa adequada é toda muito importante, o nosso guia não deixava ninguém sair do hotel e entrar no ônibus sem luvas e gorros.

Nós, que já tínhamos enfrentado um inverno com -20C na Armênia, não fazíamos ideia do frio que estava nessa região do Canadá. Depois de quase congelar com o vento cortante de Winnipeg, onde ficamos por 24h de conexão entre Orlando e Vancouver, nós saímos em busca de casacos ainda mais quentes do que os que tínhamos levado; por sorte, conseguimos ir num outlet nas redondezas de Vancouver e achar casacos adequados para temperaturas até -30C. O casaco do Felipe era lindo, com certeza ele vai aproveitar muito pelos próximos invernos; o meu era rosa (tipo roupa da Barbie) e 3 tamanhos maior do que o meu tamanho normal, então logo que voltamos da viagem eu dei de presente para uma amiga armênia – mas lá ele me foi útil e me salvou do frio, e é isso que importa.

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Voltando ao passeio no Maligne Canyon: eu nunca vi tanta neve e tanto gelo na minha vida. Embora seja um passeio razoavelmente tranquilo (no nosso grupo tinha gente de todas as idades), não é recomendável fazê-lo sem um guia. Nosso passeio foi operado pela Sundog Tours e o nosso guia sabia tudo e era cheio das manhas pra andar em cima do gelo. Quando eu comentei com ele que tinha um problema crônico no tornozelo, ele foi super atencioso, tinha o maior cuidado comigo ao longo do percurso, e comemorou comigo e com o marido ao final do passeio por eu ter conseguido fazer a trilha completa, que tem cerca de 3,5km.

O Maligne Canyon é o canyon mais profundo do Jasper National Park, e nós passamos por entre cachoeiras congeladas, dentro de cavernas de gelo, e vimos de perto formações de gelo incríveis. Eu estava me sentindo meio Elsa, meio Anna, meio Kristoff. Embora meus dedinhos do pé tenham ficado ligeiramente congelados (eu sinto frio demais no pé), foi um dos dias mais incríveis de toda a minha vida!

Rumo às Canadian Rockies: no trem de Vancouver para Jasper

Um dos trechos para o qual estávamos mais animados na nossa viagem pro Canadá começou com uma viagem de trem entre Vancouver e Jasper. O percurso, que teoricamente demoraria 14h, acabou levando quase 20h por conta das condições climáticas. Era muita neve, minha gente!

Mas vamos começar do começo.

Essa viagem de trem faz parte de um pacote que fechamos com a Canada by Design. É claro que é possível comprar a passagem de trem de maneira independente mas nós optamos pelo intermédio da agência por um motivo determinante: quando nós decidimos que queríamos ir pras Canadian Rockies, os trens das datas possíveis já estavam lotados; foi graças ao auxílio da Point Travel que nós soubemos que poderíamos comprar pacotes que incluiam o trecho de trem por intermédio dessa agência, que tem bloqueio de cabines do trem.

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Nós optamos pelo pacote “superior grade”, que nos dava direito a uma cabine privativa no trem e acesso ao lounge (com bebidas, snacks e jornais) na estação de trem de Vancouver. A cabine privativa era pequena, mas razoavelmente confortável, principalmente porque seguimos a recomendação de despachar as bagagens maiores e levar somente as mochilas conosco pra dentro da cabine. Nela, tínhamos uma pequena pia e um toalete, mas não chuveiro; nesta classe de viagem, havia um chuveiro compartilhado para cada 5 cabines. Somente os passageiros da primeira classe dispunham de banheiros privativos em suas respectivas cabines. Quando nós estávamos planejando a viagem e vimos as opções de pacotes, não achamos que compensava a diferença de preço para ter um banheiro completo privativo e, de fato, não fez falta pra uma única noite de viagem. Eram fornecidos kit de amenidades e toalhas.

Embora tivesse tomadas suficientes na cabine, o trem tinha um problema substancial: nada de Wi-Fi. Além de não ter Wi-Fi, a conexão móvel parou no meio da noite e nós só fomos recuperar o sinal já chegando em Jasper. Quando embarcamos no trem, encontramos a cabine com 2 poltronas. À noite, quando voltamos do jantar, as poltronas deram lugar à 2 camas, do tipo beliche, com direito à luz de cabeceira. As camas eram surpreendentemente confortáveis: marido dormiu super bem; eu sou chata pra dormir, e o balanço e barulho do trem me atrapalharam muito.

Estavam incluídas três refeições: almoço (que foi servido logo após o embarque) jantar e café da manhã. Para almoço e jantar, era preciso escolher entre 2 horários disponíveis, e nós escolhemos a 2a chamada; o café da manhã era servido de acordo com ordem de chegada, das 06:30 até 08:30. A falta de sinal no trem QUASE nos fez perder o café da manhã.

Mas Letícia, você não disse que quase não dormiu? 

Pois é, minha gente. Acontece que eu fui conseguir dormir JUSTAMENTE quase de manhã, porque o trem ficou empacado na neve (hihihi). Ao ficar empacado na neve, o que mais me atrapalhava a dormir (movimento/barulho do trem) acabou, e eu finalmente consegui dormir um tiquinho. Eu tinha colocado o despertador pras 08h, só que Jasper estava num fuso horário diferente do de Vancouver!!!! Com a falta de sinal, o celular não atualizou o horário e eu já tava achando que tínhamos perdido o café da manhã!! Logo eu, que sou faminta/alucinada por café da manhã.

Pra nossa sorte (obrigada, Deus), por conta do trem ter ficado empacado na neve, o serviço de café da manhã teve seu horário prorrogado, e nós conseguimos comer. Depois de terminarmos, ainda demorou mais umas 2 horas pra conseguirmos chegar até Jasper – tudo por conta da neve. Gentes, era muita neve mesmo.

Além das janelas de cada cabine, o trem tinha algumas cabines panorâmicas no segundo andar, e durante o percurso pudemos admirar o Canyon Fraser, as montanhas costeiras, o Rio Fraser, e até o Hell’s Gate. Também passamos pelo Mt. Robson e pelo Lago Moose pouco antes de chegarmos em Jasper – a esta altura, a vista não era muito clara por conta da quantidade de neve.

Esse percurso de trem foi inesquecível. Foi muito interessante, embora devo confessar que também tenha sido cansativo. Ao chegarmos em Jasper, fomos levados para o nosso lodge, onde passaríamos 2 noites – mas esta história eu deixo pro próximo post!