Banff gondola, uma incrível experiência panorâmica

No domingo, nosso dia inteiro e livre em Banff, depois de ir à missa, nós subimos rumo às montanhas mais altas de Banff, tomando a gôndola. Sim, gente, nós passamos por três resorts de ski e não esquiamos em nenhum deles; eu não posso esquiar por conta do meu problema no tornozelo (não consigo nem calçar a bota!) e marido, como é muito legal, não quis esquiar sozinho e preferiu fazer o rolê light comigo.

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O transporte público de Banff deixa os turistas na frente da entrada para a gôndola, e os horários dos ônibus não são os melhores, mas também não deixam ninguém na mão. O ingresso de adulto para a gôndola custa cerca de 60 dólares canadenses na alta temporada, mas é possível agendar com antecedência pelo site e conseguir descontos de até 15%.

Antes de subir, passamos pelo Starbucks pra tomar um café, e também há uma lojinha de souvenires – inclusive com moletons e luvas para os desagasalhados, já que as temperaturas nas alturas podem ser até 15C mais frias do que na cidade.

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A beleza da montanha Sulphur é um negócio impressionante. Há alguns rooftoops panorâmicos, experiências interativas e até mesmo uma trilha (não-guiada) pelas montanhas. Nós fizemos nossa visita com calma, e aproveitamos para almoçar lá em cima. O Sky Bistro, que fica a 7.400 pés de altura, oferece uma ampla variedade de pratos quentes, salgados, e sobremesas deliciosas – e tudo parece ficar mais saboroso por conta da vista incrível.

No dia seguinte, partimos de Banff rumo à Calgary, nossa última parada na aventura canadense!

Banff, nossa última parada nas Canadian Rockies

Depois da experiência ligeiramente frustrante em Lake Louise, acordamos no dia seguinte para partir rumo a Banff. O ônibus nos buscaria no Lake Louise Inn às 10h, e a viagem deveria durar 1h30.

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Chegamos ao Banff Caribou Lodge e nossos quartos não estavam prontos. Isso não seria um problema, se não fosse a falta de educação e falta de preparo dos funcionários do hotel para lidar com os hóspedes. Além de muito rudes, mesmo informando que os quartos só ficariam prontos às 16h, relutaram em guardar nossa bagagem para que pudéssemos sair do hotel e não queriam nos dar o bilhete de transporte público a que tínhamos direito. Não consigo entender como eles queriam que nós ficássemos plantados na recepção por 4h30 tomando conta das nossas malas, ou então caminhando pela cidade carregando nossa bagagem.

Depois de difícil negociação, conseguimos guardar nossas malas no bagageiro do hotel e sair pra explorar a cidade. Percebemos, então, que estávamos razoavelmente longe do centro de facto, e o que pode até ser uma caminhada agradável em temperaturas mais amenas, no frio era um lamento. Estávamos a mais de 5 blocos do centro, e não eram quarteirões pequenos; cada um deles abrigava 2 ou 3 hotéis grandes.

Chegando ao centro, conseguimos almoçar, inclusive fizemos uma refeição bem gostosa. Andamos um pouco pelo centro, o tanto quanto o cansaço X frio nos permitiu, e quando passou das 15h nós voltamos (de novo, andando) para o hotel. Ao chegarmos, fomos informados que nosso quarto deveria ficar pronto depois das 16h30 – ou seja, um atraso de meia hora do horário oficial de check in.

Quando finalmente conseguimos fazer o check in e subir pro quarto, encontramos instalações muito velhas e não muito limpas. Eu definitivamente não recomendo esse hotel que, além de tudo isso, tem um café da manhã caríssimo (25 dólares canadenses por adulto) para um buffet apenas razoável, em que é ainda proposto pagar gorjeta(!!!) porque simplesmente serviram suco e café na mesa.

Banff é o principal resort de ski do Canadá, e embora a cidade seja linda e muito simpática, nossa experiência foi manchada por esse hotel ruim com funcionários desagradáveis.

Um dia em Lake Louise

Depois da nossa super aventura caminhando sobre o Maligne Canyon, nós voltamos pra Jasper e dormimos mais uma noite por lá, acordando super cedo no dia seguinte (5 da manhã!) para seguir rumo a Lake Louise.

A viagem de ônibus, com duração prevista de 3h30, durou um pouco mais de 4h. De acordo com nosso motorista, o percurso pode durar até 7h, dependendo das condições climáticas. Percorremos a Icefield Parkway, passando pelo Crowfoot Glacier e pelos lagos Peyto e Bow.

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now that’s ice!

Ao chegarmos no nosso hotel em Lake Louise, tivemos que esperar um pouquinho até que nosso quarto estivesse pronto. Nós ficamos no Lake Louise Inn, que tem piscina coberta, 2 restaurantes (embora eles estivessem funcionando em horários alternados) e um café, mas eu não recomendo por vários motivos. Além de estarem precisando de uma reforma urgente, a equipe do hotel não foi nada gentil, nem solícita, nem prestativa. E o café da manhã de buffet era um roubo: quase 30 dólares canadenses por pessoa!!!

A programação deste dia era um passeio de sleigh ride na parte da tarde, e foi em Lake Louise que a programação da Canada by Design começou a ficar meio complicada e a nos dar um pouquinho de dor de cabeça. Este blog é muito honesto, e eu gosto de falar toda a verdade por aqui; quando é bom, eu elogio, mas quando é ruim eu também tenho a obrigação de contar pra vocês. Tendo trabalhado como guia, eu sei que muitas coisas fogem do controle da agência, principalmente no caso deles, que não tem uma equipe própria acompanhando os roteiros; a Canada by Design vende os roteiros e nós meio que vamos nos virando pelo caminho, por exemplo confirmando os passeios diretamente com cada operador.

Acontece que, diferente de Jasper ou mesmo Banff (nosso próximo destino), Lake Louise não tem muito o que fazer, muito menos a pé. Pegar táxi não é tarefa fácil, e os ônibus tem rotas estranhas – pelo menos, estranhas pra quem não está habituado. Foi um pouco difícil conseguirmos chegar até o Fairmont Château Lake Louise, onde fica o Brewster Stables Sleigh Ride, responsável pelo nosso passeio. Para conseguirmos chegar até o hotel, tivemos que pegar um táxi (que não era bem um táxi) que nos custou 20 dólares canadenses, e, porque a motorista ficou lerdando no caminho, nós quase chegamos atrasados.

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Tinha nos sido informado que, durante o passeio de sleigh ride, nós teríamos cobertores para ajudar a suportar o frio intenso, mas na verdade os bancos de couro do trenó eram muito frios e as cobertas (uma para ser dividida pelos passageiros de cada banco) eram daquelas tipo de avião, finas, que não resolvem muita coisa, e que ainda estavam bem sujinhas. Outra coisa frustrande foi o passeio não dar a volta no lago, nós fomos e voltamos pelo mesmo lado, então a paisagem foi a mesma. Imagina tudo isso no frio e com cheiro ruim dos cavalos? Eu fiquei meio brava, confesso.

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escultura da rainha de gelo (obviamente apelidada de Elsa) no Fairmont Château, que tinha acabado de promover um concurso de esculturas de gelo

Se algum dia você for para Lake Louise, eu tenho 2 dicas seríssimas: fique no Fairmont Château, e não perca tempo com esse passeio de trenó. De fato, o Fairmont Château é lindo por dentro e por fora (não conseguimos conhecer os quartos, é claro, mas demos umas voltas pelas áreas comuns do hotel), e eles oferecem várias atividades para os hóspedes que fazem a estadia em Lake Louise valer a pena, além de algumas opções de restaurantes e bares que agradam até os paladares mais exigentes.

Jasper: caminhando sobre o Maligne Canyon

Como eu comentei no post anterior, nós chegamos a Jasper de trem e fomos levados para o nosso hotel. Nossa acomodação era o The Crimson Jasper, bem pertinho do centro desse ski resort, o que facilitou para que caminhássemos pelo centrinho no dia em que chegamos. Ficamos muito felizes ao chegarmos no lodge e descobrir que nosso quarto já estava pronto (mesmo algumas horas antes do horário oficial de check in), o que nos permitiu tomar um banho decente e descansar por algumas horinhas antes de sair em busca de alimento.

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A grande atração de Jasper estava guardada para a tarde do dia seguinte: caminhar sobre o canyon congelado. Nós literalmente andamos sobre um canyon congelado, e eu nunca pensei que fosse falar isso na minha vida!

O transfer agendado nos buscou no hotel por volta das 13h, levando-nos, primeiro, para arrumar calçados adequados para caminhar sobre um canyon congelado. Era uma mistura de galocha mais quentinha com sapato de escalada, muito esquisito, mas funcionou. O calçado adequado é mesmo muito importante pra esse tipo de aventura, porque em alguns trechos da caminhada nossos pés ficavam submergidos no gelo. Aliás, a roupa adequada é toda muito importante, o nosso guia não deixava ninguém sair do hotel e entrar no ônibus sem luvas e gorros.

Nós, que já tínhamos enfrentado um inverno com -20C na Armênia, não fazíamos ideia do frio que estava nessa região do Canadá. Depois de quase congelar com o vento cortante de Winnipeg, onde ficamos por 24h de conexão entre Orlando e Vancouver, nós saímos em busca de casacos ainda mais quentes do que os que tínhamos levado; por sorte, conseguimos ir num outlet nas redondezas de Vancouver e achar casacos adequados para temperaturas até -30C. O casaco do Felipe era lindo, com certeza ele vai aproveitar muito pelos próximos invernos; o meu era rosa (tipo roupa da Barbie) e 3 tamanhos maior do que o meu tamanho normal, então logo que voltamos da viagem eu dei de presente para uma amiga armênia – mas lá ele me foi útil e me salvou do frio, e é isso que importa.

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Voltando ao passeio no Maligne Canyon: eu nunca vi tanta neve e tanto gelo na minha vida. Embora seja um passeio razoavelmente tranquilo (no nosso grupo tinha gente de todas as idades), não é recomendável fazê-lo sem um guia. Nosso passeio foi operado pela Sundog Tours e o nosso guia sabia tudo e era cheio das manhas pra andar em cima do gelo. Quando eu comentei com ele que tinha um problema crônico no tornozelo, ele foi super atencioso, tinha o maior cuidado comigo ao longo do percurso, e comemorou comigo e com o marido ao final do passeio por eu ter conseguido fazer a trilha completa, que tem cerca de 3,5km.

O Maligne Canyon é o canyon mais profundo do Jasper National Park, e nós passamos por entre cachoeiras congeladas, dentro de cavernas de gelo, e vimos de perto formações de gelo incríveis. Eu estava me sentindo meio Elsa, meio Anna, meio Kristoff. Embora meus dedinhos do pé tenham ficado ligeiramente congelados (eu sinto frio demais no pé), foi um dos dias mais incríveis de toda a minha vida!

Rumo às Canadian Rockies: no trem de Vancouver para Jasper

Um dos trechos para o qual estávamos mais animados na nossa viagem pro Canadá começou com uma viagem de trem entre Vancouver e Jasper. O percurso, que teoricamente demoraria 14h, acabou levando quase 20h por conta das condições climáticas. Era muita neve, minha gente!

Mas vamos começar do começo.

Essa viagem de trem faz parte de um pacote que fechamos com a Canada by Design. É claro que é possível comprar a passagem de trem de maneira independente mas nós optamos pelo intermédio da agência por um motivo determinante: quando nós decidimos que queríamos ir pras Canadian Rockies, os trens das datas possíveis já estavam lotados; foi graças ao auxílio da Point Travel que nós soubemos que poderíamos comprar pacotes que incluiam o trecho de trem por intermédio dessa agência, que tem bloqueio de cabines do trem.

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Nós optamos pelo pacote “superior grade”, que nos dava direito a uma cabine privativa no trem e acesso ao lounge (com bebidas, snacks e jornais) na estação de trem de Vancouver. A cabine privativa era pequena, mas razoavelmente confortável, principalmente porque seguimos a recomendação de despachar as bagagens maiores e levar somente as mochilas conosco pra dentro da cabine. Nela, tínhamos uma pequena pia e um toalete, mas não chuveiro; nesta classe de viagem, havia um chuveiro compartilhado para cada 5 cabines. Somente os passageiros da primeira classe dispunham de banheiros privativos em suas respectivas cabines. Quando nós estávamos planejando a viagem e vimos as opções de pacotes, não achamos que compensava a diferença de preço para ter um banheiro completo privativo e, de fato, não fez falta pra uma única noite de viagem. Eram fornecidos kit de amenidades e toalhas.

Embora tivesse tomadas suficientes na cabine, o trem tinha um problema substancial: nada de Wi-Fi. Além de não ter Wi-Fi, a conexão móvel parou no meio da noite e nós só fomos recuperar o sinal já chegando em Jasper. Quando embarcamos no trem, encontramos a cabine com 2 poltronas. À noite, quando voltamos do jantar, as poltronas deram lugar à 2 camas, do tipo beliche, com direito à luz de cabeceira. As camas eram surpreendentemente confortáveis: marido dormiu super bem; eu sou chata pra dormir, e o balanço e barulho do trem me atrapalharam muito.

Estavam incluídas três refeições: almoço (que foi servido logo após o embarque) jantar e café da manhã. Para almoço e jantar, era preciso escolher entre 2 horários disponíveis, e nós escolhemos a 2a chamada; o café da manhã era servido de acordo com ordem de chegada, das 06:30 até 08:30. A falta de sinal no trem QUASE nos fez perder o café da manhã.

Mas Letícia, você não disse que quase não dormiu? 

Pois é, minha gente. Acontece que eu fui conseguir dormir JUSTAMENTE quase de manhã, porque o trem ficou empacado na neve (hihihi). Ao ficar empacado na neve, o que mais me atrapalhava a dormir (movimento/barulho do trem) acabou, e eu finalmente consegui dormir um tiquinho. Eu tinha colocado o despertador pras 08h, só que Jasper estava num fuso horário diferente do de Vancouver!!!! Com a falta de sinal, o celular não atualizou o horário e eu já tava achando que tínhamos perdido o café da manhã!! Logo eu, que sou faminta/alucinada por café da manhã.

Pra nossa sorte (obrigada, Deus), por conta do trem ter ficado empacado na neve, o serviço de café da manhã teve seu horário prorrogado, e nós conseguimos comer. Depois de terminarmos, ainda demorou mais umas 2 horas pra conseguirmos chegar até Jasper – tudo por conta da neve. Gentes, era muita neve mesmo.

Além das janelas de cada cabine, o trem tinha algumas cabines panorâmicas no segundo andar, e durante o percurso pudemos admirar o Canyon Fraser, as montanhas costeiras, o Rio Fraser, e até o Hell’s Gate. Também passamos pelo Mt. Robson e pelo Lago Moose pouco antes de chegarmos em Jasper – a esta altura, a vista não era muito clara por conta da quantidade de neve.

Esse percurso de trem foi inesquecível. Foi muito interessante, embora devo confessar que também tenha sido cansativo. Ao chegarmos em Jasper, fomos levados para o nosso lodge, onde passaríamos 2 noites – mas esta história eu deixo pro próximo post!