A volta dos que foram!

Meu Deus, faz um século que eu não escrevo por aqui.

Aconteceu TANTA coisa nos últimos 3 meses que, na verdade, parece ter passado mais tempo do que realmente passou. 3 meses pode ser pouco ou muito tempo, dependendo do referencial; pra mim, os últimos 3 meses foram super intensos e passaram rápido demais.

Mas vamos começar do começo, aproveitando que minhas férias de verão ainda não chegaram ao fim.

Logo depois de ter completado 2 semanas que marido tinha sido vacinado, eu fui à Zurique de trem; além de ter enrolado tempo demais pra levar alguns eletrônicos pra reciclagem na Apple e precisar deixar um sapato pra consertar numa loja que não tem mais em Berna, essa day trip foi um exercício pra me preparar pra viagem que viria em seguida, já que eu estava ligeiramente em pânico de entrar em aeroporto e pegar avião pra ir pro Brasil. Logo eu, sempre tão desenvolta pra viajar, tão acostumada a voar por aí sozinha, tava com um cagaço danado de viajar no meio da pandemia!

Graças a Deus, meses de terapia me ajudaram a me preparar pra enfrentar esse desafio, e agora posso dizer: sim, nós fomos ao Brasil! Depois de 19 meses sem ver meus pais, eu enfrentei todo o medo que eu tava de viajar em plena pandemia para poder, finalmente, revê-los, e também cuidar de umas questões de saúde que eu vinha adiando há algum tempo não só por conta da pandemia, mas porque eu precisava poder ficar mais tempo no Brasil pra resolver.

Foram 47 dias por lá, com direito à uma cirurgia no ouvido. Graças a Deus correu tudo bem na timpanotomia, e já faz 1 mês que eu não sei mais o que é dor no ouvido, que era uma coisa que me deixava absolutamente LOUCA pelos últimos 3 anos. Meu nariz é tão ruim que tava fazendo uma pressão absurda nos meus ouvidos, e eu sentia dor 24h por dia, então meu otorrino achou por bem fazermos a timpanotomia para colocar os tubos de ventilação pra tentar solucionar esse problema. Por enquanto, tá dando ótimo resultado; eu não senti nenhuma pressão no ouvido nem enquanto tava nos aviões dos voos de volta!

Além da cirurgia, fiz tooooodas as consultas e exames de rotina, e ainda consegui começar meu tratamento com o Invisalign. Já fazia um tempo que eu queria MUITO acertar os meus dentes, principalmente o apinhamento na arcada inferior, mas com a vida nômade ficava bem difícil fazer esse tratamento – dificultado, ainda, pela pandemia. Aí eu conversei com a minha ortodontista e ela me disse que daria pra fazer o tratamento à distância com o Invisalign, já que os alinhadores são todos entregues no início do tratamento, e o negócio é tão tecnológico que ela consegue acompanhar o meu progresso pelo aplicativo e pelas fotos. O treco é realmente um avanço gigantesco pra tratamentos ortodônticos, mas não vou negar que é bastante incômodo.

Eu gostaria de dizer que conseguir passear bastante, que fui à praia, e que me diverti muito nesse período que fiquei em Nikity city, mas a verdade é que eu só “passeava” entre um médico e outro exame, e só vi as praias passando de carro mesmo. Nos raros momentos que não tava correndo de um compromisso pra outro, eu aproveitei pra arrumar um bocado os armários lá de casa – não só os do meu quarto, mas também de outros cômodos – pra dar uma força pra mamãe, que tá investigando umas questões de saúde, enquanto meu pai faz fisioterapia diariamente pra tentar se recuperar do acidente que sofreu em março. É difícil demais acompanhar, à distância, essas pequenas coisinhas que vão mostrando o quanto a vida é frágil e que nossos pais não são eternos, e que a gente tem mesmo que valorizar cada segundo junto.

Marido só teve 3 semanas de férias, das quais ele só passou 2 dias em Niterói, então nós articulamos tudo para conseguirmos voltar no mesmo dia; voamos juntos de Lisboa pra Zurique. Voltamos pra Berna dia 28/08 e, desde que chegamos, eu tô tentando colocar a vida em ordem; tinha TANTA coisa pra ajeitar em casa (e ainda tem), e as férias de verão já estão quase no fim. Anteontem, dia da Independência do Brasil (o único feriado brasileiro no qual marido tem folga), nós fomos pra Lausanne, e depois eu vou escrever em detalhes os highlights desse passeio. Nós nos demos conta de que nosso tempo na Suíça tá quase se esgotando e nós ainda não conhecemos nem metade das coisas que gostaríamos, já que ficamos praticamente trancados dentro de casa nos primeiros 15 meses de pandemia. Agora que, além de vacinados, já fomos ao Brasil, decidimos tentar aproveitar o máximo que pudermos, ainda que com muita prudência.

Eu quero MUITO conseguir me organizar melhor a partir de agora pra conseguir escrever com mais frequência aqui e no leticiatostes.com. O doutorado ainda tem que ser a minha prioridade, e urge que eu comece a escrever a tese com afinco, mas tá me parecendo que esse semestre na Universidade será “um pouquinho mais light” (com bastante aspas), então eu vou realmente me esforçar pra não deixar de fazer meus registros aqui – já que, além de tudo, escrever me faz muito bem.

Um dia em Brugge

Quando estávamos definindo nosso roteiro de férias, acabamos optando por fazer de Bruxelas nossa base e, de lá, fazer day trips para outras cidades da Bélgica que nos interessavam – como, por exemplo, Bruges. Você, que é leitor assíduo desse blog, já se ligou que a gente gosta bastante de uma day trip.

Eu perdi a conta de quantas pessoas me disseram que Bruges é uma cidade lindíssima, um destino imperdível na Bélgica. Realmente, a cidade é uma gracinha, cortada pelos seus canais, caracterizada pelas ruas de paralelepípedos, cheia de construções medievais.

Bruges é a capital da província de Flandres Ocidental, e é bastante fácil viajar entre Bruxelas e Bruges: partindo da Estação Central de Bruxelas, a agradável viagem de trem dura 1h. Mesmo quando estamos de carro, como era o caso dessa viagem, por vezes nós achamos mais vantajoso fazer day trips de trem, seja pela comodidade de ir descansando no percurso ou por não precisarmos nos preocupar com estacionamento, por exemplo.

A sensação que eu tive é que realmente dá pra conhecer Brugge inteira em um dia de passeio. Nós caminhamos bastante pela cidade e as paisagens realmente são encantadoras.

Entre os destinos que visitamos na Bélgica, creio que Brugge foi o mais caro: os cafés e restaurantes não tinham opções muito acessíveis para o almoço, e nós acabamos comendo no Burguer King mesmo.

Lembro que o bilhete de trem que compramos dava direito a parar em Gant, o que fizemos no trecho de volta para Bruxelas, mas talvez já estivéssemos cansados e acabamos não achando nada demais. Talvez um dia voltaremos pra explorar com mais cuidado!

Porque você não deve visitar o Beer Museum em Bruxelas

Com tanta coisa acontecendo, parece que faz um século que nós viajamos de férias e passamos uns dias na Bélgica. Eu perdi a conta de quantas vezes ensaiei escrever os posts sobre nossos passeios por lá e acabava desanimada por conta do contexto pandêmico no qual estamos inseridos. Mas hoje resolvi aproveitar que tô numa crise de sinusite danada e, consequentemente, não existe a menor possibilidade de estudar pra, finalmente, contar um pouco do que fizemos naquelas férias.

A bela e grandiosa Grand-Place de Bruxelas.

Isto posto, não é novidade pra ninguém que a Bélgica é muito conhecida pelas suas cervejas – que são, de fato, muito saborosas. E, localizado no centro de Bruxelas, mais precisamente na Grand-Place, está o Belgian Brewers Museum, também conhecido como Beer Museum ou, em bom português, Museu da Cerveja. Como este blog é comprometido com a realidade, eu sou obrigada a dizer: é uma cilada, Bino!

O prédio da Maison des Brasseurs, que abriga o Museu da Cerveja.

Talvez nossa expectativa fosse muito alta por já termos visitado a Guinness Storehouse na Irlanda, mas tanto eu quanto o marido achamos o Museu da Cerveja de Bruxelas bastante decepcionante: além de ser muito pequeno, a impressão que tivemos é que não há um verdadeiro esforço pra contar a história da tradição belga em fazer cerveja. Pra completar, as poucas informações disponíveis são coladas nas paredes numas folhas A4 amadoramente impressas.

Fato é que, depois de olhar o museu, está incluído no ingresso a degustação de uma cervejinha. Se eu fosse você, quando estivesse em Bruxelas, economizaria tempo e dinheiro, pulava esse museu fajuto e tomava uma cervejinha direto em algum bar ou restaurante mais legal na cidade.

Coisas que eu aprendi em 1 ano de Suíça

Quando a gente tava na Armênia, eu fiz um post falando um pouquinho das coisas que tinha aprendido nos primeiros 6 meses por lá. Depois de 1 ano na Suíça, mesmo já tendo dado uns spoilers dos meus aprendizados por aqui nesse primeiro ano muito louco, resolvi escrever um post só pra listar as principais coisas que aprendi até agora.

Como qualquer outro lugar do mundo, a Suíça também tem problemas.

Eu sou do time que arranca logo o band-aid, então já trago essa verdade no primeiro tópico. A gente tem o costume de idealizar a vida em alguns lugares, e a Suíça costuma ser citada como um dos lugares mais maravilhosos do mundo. De fato, as belezas naturais desse país são inacreditáveis, beirando a perfeição. A arquitetura também encanta, principalmente nos centros históricos. A Suíça deve ser o único país do mundo em que o cartão-postal é realmente idêntico, retrato fiel da realidade. Mas, como qualquer outro lugar do mundo, o dia a dia é desafiador e apresenta problemas. O setor de serviços é bem ruim de uma maneira geral, desde demorar pra fazer a internet funcionar até atrasos em entregas programadas, passando pela TV a cabo sem tecla SAP. Aqui em casa, por exemplo, demoramos quase 9 meses pra conseguir concluir o processo de troca das persianas de alumínio de enrolar externas de dois dos quartos; foi tão traumático que, há poucas semanas, a persiana externa da sala de TV deu problema e a gente simplesmente comunicou à imobiliária pedindo pelo-amor-de-Deus pra eles deixarem assim porque a gente não quer passar por esse perrengue de novo (pelo menos, não tão cedo). Nem tudo funciona como um reloginho: desde atraso em entrega dos correios, ou entrega de supermercado, ou mesmo atrasos nos ônibus e trens, até marcar de fazerem um serviço em casa e simplesmente não aparecerem, tudo isso pode acontecer aqui como em qualquer outro lugar do mundo.

PS: aqui na Suíça é muito comum que os apartamentos/casas tenham a sala de jantar num cômodo separado da sala de estar; nós optamos por transformar esse cômodo imaginado pra ser a sala de jantar em uma sala de tv, e juntar a área estar com área de jantar no mesmo ambiente.

Pra economizar, é preciso planejamento.

A Suíça é um país muito caro, e isso não é novidade pra ninguém. Sem planejamento, é impossível economizar por aqui. E planejamento, nesse caso, precisa ir muito além de estipular uma meta de gastos mensais e uma meta de poupança: na maior parte das vezes, as maiores economias são feitas quando se consegue comprar um mini-estoque de coisas que estão com desconto. Nos mercados, por exemplo, é preciso ficar de olho nas promoções para aproveitar os preços mais baixos de artigos não-perecíveis (de papel higiênico a detergente, de papel toalha a sabão em pó). O mesmo vale pra dermocosméticos, por exemplo, já que algumas farmácias on-line oferecem descontos de até 20% de tempos em tempos. Outro jeito de economizar é se inscrevendo em todos os tipos de programa de fidelidade das lojas, farmácias, mercados, etc: muitos oferecem cashback de acordo com a quantia gasta, frete grátis, cupons de desconto, entre outros benefícios.

Tudo é correio, tudo é papel.

Eu nunca vou me esquecer de quando estávamos na expectativa de assinar o contrato de aluguel desse apartamento: aparentemente, tinha ficado tudo certo e deveríamos receber o contrato para lermos assinarmos e entregarmos na imobiliária. Passaram-se 2, 3, 4 dias, nada de receber o contrato por email. Resolvemos entrar em contato com o corretor pra saber se houve algum problema, manifestando novamente o nosso interesse no apartamento, ao que ele responde que o contrato tinha sido enviado pelo correio e que deveríamos receber no dia seguinte no hotel residencial onde estávamos hospedados. A partir de então, tivemos que nos acostumar que tudo é feito pelo correio, tudo é feito com muito papel. Recebemos, semanalmente, muitos encartes dos supermercados, mesmo já tendo pedido pra que não nos sejam enviados, já que eu consigo ver todas as ofertas online. Aliás, eu acho que os correios deveriam receber toda uma categoria neste post dedicada a eles, mas eu vou me limitar a dizer que os suíços confiam muito nos correios e dependem muito dos correios pra tudo, e nem sempre tem uma lógica nas entregas: as vezes eles interfonam avisando que chegou alguma coisa, as vezes é um silêncio absoluto e eu que lute pra descobrir se o que eu tô esperando foi entregue (tá, nem é tanta luta assim, é só entrar no rastreio que vai tá lá escrito, mas é que eu acho estranho eles só avisarem pelo interfone as vezes; pra mim, ou avisa sempre ou não avisa nunca! hihihihi).

Você pode pagar (quase) tudo por boleto.

Ah, os boletos. Aqui na Suíça, eles são laranja e devem ser pagos somente nas agências dos correios. Não, você não leu errado: por aqui, não existe a opção de ir no banco pagar um boleto. É possível pagar um boleto pelo internet banking, ou indo até uma agência dos correios. E tudo é boleto. Compra online pode ser paga por boleto. Supermercado pode ser pago por boleto. Aluguel de apartamento e vaga de garagem podem ser pagos por boleto. Dentista e consulta médica podem ser pagos por boleto. Óculos de grau pode ser pago por boleto. Quando eu fui fazer um check up, eu queria pagar na hora, mas simplesmente não consegui porque o sistema de pagamento deles é por envio de boleto, que poderia demorar até 2 meses(!) para chegar. Aqui, a lógica é que, se você tem um endereço na Suíça, o mais conveniente é receber um boleto (via correio, claro) para pagar pelas suas coisas. Você sempre tem, no máximo, 1 mês para pagar o boleto recebido – eu prefiro SEMPRE pagar no mesmo dia que recebo, que é pra não correr risco de ter complicação. E, sabendo como eles adoram um papel, eu nunca me esqueço de imprimir as confirmações de pagamento.

O verão é quente demais.

MEU DEUS DO CÉU. Que calorão!! Eu estava doida pro outono chegar – e chegou com tudo, com temperaturas de 3ºC na primeira semana. Mas, olha, que verão horrível. É lógico que a experiência do verão também foi prejudicada pela pandemia do coronavírus, já que eu mais fiquei em casa do que qualquer outra coisa, e as casas/aptos suíços são projetados para reter calor. Se tivesse sido um verão normal, saindo pra passear, andar na beira do rio, curtir o pôr do sol, sentar nas mesas externas dos restaurantes pra comer, essas coisas assim, talvez eu tivesse gostado um pouquinho. Quem sabe no ano que vem? Porém devo confessar que não tenho muita expectativa de gostar de verão porque eu nunca gostei de calor na minha vida.

Não dá pra evitar (conversas com) os vizinhos.

Vizinhos gostam de conversar, nem que seja parado na escada. É, eu sei, tem dias que a gente sai meio na correria, tem dias que a gente não tá muito pra conversa (o que pode ser potencializado se a conversa é num outro idioma que você não domina). Mas aqui, pelo que eu aprendi, não tem jeito: se eu cruzar com algum dos meus vizinhos na escada, ou na caixa de correio, ou na área da “garagem” (que, aqui, é diferente do conceito de garagem com o qual eu sempre estive acostumada), ou mesmo na lixeira, eu com certeza vou ter que parar e conversar com eles. E os vizinhos apreciam MUITO pequenas gentilezas, tipo um cartãozinho desejando bom final de semana ou coisas assim.

Não existe um “alemão suíço”, mas vários.

Todo mundo sabe que alemão é uma língua cheia das complicações. Geralmente, o alemão que estrangeiros aprendem é o “alemão padrão” (Standarddeutsch/Standardhochdeutsch/Hochdeutsch – tá vendo, uma língua que tem 3 jeitos de chamar a mesma coisa não é nada simples!), que com certeza vai te ajudar a ser compreendido em qualquer lugar onde se fale alemão. MAAAAAAS se, dentro da Alemanha, há vários jeitos diferentes de se falar alemão, a Suíça também não ia ficar de fora e é claro que há vários jeitos de se falar alemão na Suíça, mesmo sendo um país minúsculo, mesmo sendo um país com 4 idiomas oficiais. O alemão que se fala aqui em Berna, por exemplo, é diferente do alemão que se fala em Zurique. O que eu noto é que essas diferenças não impedem a comunicação mas, em geral, os interlocutores adaptam o alemão que estão falando pra que o outro tenha compreensão. E num país com 4 idiomas oficiais….

Tá liberado misturar italiano com francês com alemão (não necessariamente nessa ordem).

Eu nunca vou esquecer do dia que eu tava no ônibus e observei duas senhoras conversando: uma falava em alemão, a outra respondia em francês. E assim elas conversaram muito tranquilamente o trajeto inteiro. De acordo com minhas observações, o costume suíço é se expressar no idioma (oficial) que você se sente mais confortável. O alemão suíço “rouba” várias palavras do francês (e algumas do inglês, mas isso são outros 500), e eu já me liguei que, se eu não souber alguma palavra em alemão, eu posso falar em francês que há uma chance de 95% de ser compreendida, o que facilita bastante a minha vida.

Não é todo mundo que fala inglês.

Isso aí foi uma das coisas mais chocantes pra mim, confesso. Nas duas vezes que eu tinha vindo pra Suíça antes de mudarmos pra cá ano passado, fiquei em Genebra, e eu queria mais era gastar o meu francês. Chegando em Berna, com meu alemão ainda bem capenga (não que hoje esteja tinindo, mas já melhorou consideravelmente), era inevitável que tentássemos falar em inglês com as pessoas, principalmente pra resolver as coisas do apto/carro. E, meu Deus do céu, que dificuldade! Em Berna, era mais fácil eu me resolver em italiano do que em inglês. Lógico que, pensando em estrutura turística, você vai conseguir se comunicar em inglês. Mas, para o dia a dia, eu percebi que o alemão seria ainda mais importante aqui do que o russo era na Armênia.

Viajar não é tão fácil assim.

Uma das coisas que mais nos animava antes de chegarmos aqui era a possibilidade de viajarmos pela Europa – o que a gente não imaginava era que sair de Berna não é tão fácil assim. Pensando num mundo sem coronavírus (afinal de contas, quem podia imaginar?!), nossos planos incluíam viagens aos finais de semana (nem que fosse uma vez no mês) para países vizinhos/próximos. Mas logo logo vimos essa expectativa se frustrar, já que as conexões ferroviárias saindo de Berna são bem poucas e em horários pouco convenientes, e os horários de voos saindo de Zurique (o aeroporto mais próximo, que fica a quase 1h30 de trem) não ajudam quem está na capital da Suíça e quer dar uma escapadinha de fim de semana. Por sua vez, viajar dentro da Suíça é sempre bem fácil, seja pelas excelentes conexões ferroviárias, seja pelas estradas im-pe-cá-veis.

Coronavírus mudou tudo.

Impossível não refletir sobre esse aspecto, que mudou absolutamente TUDO. É claro que isso aconteceu pra todo mundo no mundo todo, mas eu não consigo evitar de pensar no impacto que a pandemia causou em diversas esferas da minha vida, da nossa vida aqui. A começar pela Universidade: por exemplo, eu achava que conseguiria formar um círculo de conhecidos (falar em círculo de amizades é algo complexo quando se mora tão pouco tempo em um lugar, e mais complexo ainda se tratando de uma sociedade mais fechada como é a Suíça), compartilhando as angústias e as alegrias da pesquisa de doutorado nas aulas, e é lógico que eu tive que me conformar com as aulas e seminários virtuais. As viagens, também, foram completamente comprometidas, mesmo dentro da Suíça. Meu Deus, eu mal tenho coragem de ir a pé ali no centro, vê se eu vou ter coragem de viajar pra um lugar turístico, me hospedar num hotel, etc? E não foram só as nossas viagens que foram afetadas: nossos pais ainda não conseguiram vir nos visitar, o que é algo muito, muito esquisito. Em tempos de coronavírus, lidar com a saudade é um desafio diário.

1 ano na Suíça!

Foi no dia 15 de agosto de 2019 que chegamos em Berna. Depois de 366 dias, devo dizer: que ano muito louco!

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Hoje, olhando pra trás, percebo que nós já chegamos aqui meio agitados; queríamos alugar apartamento rápido, queríamos comprar carro rápido, queríamos comprar móveis rápido, queríamos nos habituar ao ritmo da cidade e do país rápido. Pra completar a agitação, eu quis entrar no doutorado rápido.

Toda essa agitação foi boa e ruim; de fato, em pouco mais de 2 semanas aqui já tínhamos nos mudado pra esse apartamento e recebido os primeiros móveis que compramos e montamos sozinhos! Nunca pensei que eu fosse montar um sofá na minha vida! Tendo um endereço fixo, conseguimos também rapidamente abrir conta no banco, e eu pude me candidatar ao doutorado na Universidade de Berna.

Mas hoje consigo ver que a agitação toda do início pode ter feito com que tomássemos algumas decisões precipitadas. Nessas horas, eu sempre tenho que lembrar do que o meu pai sempre diz: “a pressa é inimiga da refeição!”

Além disso, a vontade de nos adaptar rápido ao novo país de nada adiantou – pra falar a verdade, ainda hoje, um ano depois, eu ainda não me sinto completamente adaptada.

Demorou um pouco pra que eu aprendesse a lidar com os nossos vizinhos, por exemplo. Neste prédio, são apenas 6 apartamentos, dos quais 5 tem residentes fixos. Todos eles se conhecem há muito tempo, são amigos, conversam por horas no jardim nas tardes de verão. E eles gostam de conversar. Demorou pra que eu entendesse o ritmo deles, demorou pra que eu entendesse que parar pra conversar na escada faz parte do costume deles, demorou pra que eu entendesse como eu tinha que me comportar quando encontro com eles. E, mesmo depois de um ano, eu ainda não entendo a obsessão deles  (e dos suíços em geral) com jardinagem!

Demorou, também, pra entender que não dá pra ficar comendo na rua todo sábado e domingo, muito menos no meio da semana, porque pesa muito no orçamento. Quando dizem que a Suíça é cara, não estão exagerando; o dia a dia aqui é muito caro mesmo. Restaurante tem que ser coisa de ocasião especial, e olhe lá.

E foi aí que eu comecei a cozinhar mais, a ter mais vontade de aprender a fazer coisas diferentes e gostosas, pra que a gente sentisse prazer em fazer todas as nossas refeições em casa.

Demorou (pouco, mas demorou) pra que eu entendesse que eu seria a minha melhor podóloga nesse país. Qualquer serviço aqui é muito caro, e podologia não seria diferente. Como meus pés são complicadinhos, eu não me incomodaria de pagar caro pra sair satisfeita – afinal, fazer meu próprio pé é absolutamente difícil e cansativo. No entanto, depois de três tentativas frustradas, das quais eu saía ainda com alienígenas precisando ser retirados dos cantinhos das minhas unhas encravadas, eu resolvi comprar todos os apetrechos disponíveis e tratar do meu pé sozinha. A cada 15 dias, a dor nas costas é certa, mas tenho feito cada vez menos barbeiragens.

Não demorou pra gente perceber que nós 2 teríamos que cuidar integralmente da casa, dividindo todas as tarefas: é financeiramente inviável contratar alguém para fazer os serviços domésticos. A gente fica cansado? Muito. Confesso que, pra mim, não é nada fácil acumular todas as atividades acadêmicas com as responsabilidades de organização e limpeza da casa. Mas, graças a Deus, até agora, estamos dando conta, e o apartamento fica um brinco.

Pra completar esse primeiro ano bem louco, veio a pandemia, nos colocando dentro de casa 24 horas por dias por praticamente 1/3 do nosso tempo de Suíça até agora. De repente, nos vimos presos os dois dentro de casa, mudando vários dos nossos planos, mudando as coisas de lugar, comprando (e montando) móveis novos. Nos vimos muito mais na frente da TV, cozinhando muito mais, limpando tudo mais intensamente. De repente, me vi tendo aulas online, enquanto o marido resolvia todas as coisas do trabalho pelo computador e telefone. Nos vimos dividindo o home office, aprendendo diariamente a não atrapalhar o trabalho do outro. Me vi 102 dias sem sair de casa, depois mais duas semanas, depois intercalando períodos longos em casa com saídas curtas quando não posso evitá-las, tendo que ser ainda mais cuidadosa do que sempre fui.

Nas minhas expectativas, em um ano de Suíça, já teríamos ido umas 3 vezes pra Disneyland Paris, pelo menos 1 vez pro WB Studio Tour e assistido a uma partida da NFL em Londres, já teríamos ido muito mais vezes pra Itália e pra Alemanha, já teríamos viajado muito mais dentro e fora da Suíça. Nos nossos planos, meus pais estariam aqui conosco.

Próximo de completar um ano por aqui, me vi tendo que abrir mão do conforto de ir nos meus médicos no Brasil, que me conhecem há tantos anos, que sabem exatamente do meu histórico, pra me consultar com os médicos daqui, falando em alemão e em inglês. Ter que explicar do zero todo o meu histórico (e também o histórico dos meus pais) de saúde não é uma tarefa que me deixa animada. E devo confessar que é sempre um desafio confiar em médicos que nunca vi na vida.

Minha ansiedade voltou com força e eu tô tendo que reaprender a lidar com ela. Os anos de Armênia tinham sido providenciais para que minhas crises de ansiedade tenham ficado sob controle, mas eu não consegui evitar que as crises voltassem nos últimos meses. A pandemia mexeu muito comigo em muitos níveis, resultando em crises frequentes.

Esse primeiro ano de Suíça foi de muito aprendizado, sem dúvida. E com certeza vou continuar aprendendo diariamente. Eu espero que os próximos anos aqui, antes do próximo posto que a gente nem imagina qual é, sejam mais leves do que este ano que passou.

O Bärenpark de Berna

A relação de Berna com os ursos é muito forte, já que Bärn (grafia do alemão bernense; lê-se “Bern”) significa “urso”.

Há várias versões sobre a origem desse nome mas, de acordo com a lenda local, Berchtold V von Zähringen, fundador de Berna, prometeu batizar a cidade com o nome do primeiro animal que encontrasse quando saiu pra caçar. Por ter encontrado um urso, a cidade ganhou o nome de Bärn, que também está representado no brasão da capital da Suíça e deste cantão.

A mais antiga referência à presença de ursos vivos na Bärengraben data de 1513! Até 1857, os ursos ficavam livres pela cidade, até serem colocados no poço dos ursos. A partir de 2009, houve uma expansão do Bärengraben, que se tornou o Bärenpark (ou “parque dos ursos”).

São 3 os ursos morando no Bärenpark: Finn (pai), Björk (mãe) e Ursina (filha). Durante o verão e o outono, os ursos se preocupam em buscar comida e encontrar o suficiente para sua alimentação. A vida dos ursos também inclui banhos regulares (no caso de Finn, Björk e Ursina, em uma faixa do rio Aare) e cochilos na parte da tarde, de preferência na sombra.

Os ursos que ficam no Bärenpark são alimentados de acordo com as estações, com muitos legumes e verduras, algumas frutas, e as vezes carnes ou peixes. Na medida em que o outono se aproxima, eles são alimentados com mais frutas e berres, que tem açúcar, bem como com castanhas que contém alto teor de gordura, para que os animais possam ficar bem nutridos para o inverno.

Os ursos não são alimentados em horários fixos; geralmente, a comida é distribuída e escondida no poço, sempre em lugares diferentes e horários diferentes. Desse modo, os animais podem procurar pelos alimentos e ficam constantemente ocupados por muitas horas, como é adequado para a espécie.

O Bärenpark fica bem próximo da cidade velha de Berna, onde o comércio da cidade se mistura à construções medievais, e o acesso é gratuito. É terminantemente proibido que os visitantes alimentem os ursos.

Segundo as minhas observações nas minhas idas a pé para o centro, a melhor época para ver os ursos é na primavera e no verão, principalmente na parte da manhã. Lembro de vê-los raramente no outono passado, que já foi bem fresquinho e chuvoso, e os ursos ficavam mais “escondidos”.

40 dias sem sair de casa

Quando eu era criança, eu lembro que o número 40 me impressionava na liturgia. Pensava nos 40 dias e 40 noites que Jesus passou no deserto. Achava a Quaresma, os 40 dias que separam a Quarta-Feira de Cinzas da Semana Santa, um período longuíssimo. E hoje eu completo 40 dias sem sair de casa – coincidentemente, hoje é Sexta-feira Santa.

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tirei essa foto no 38º dia em casa, mas a frase estampada na blusa (by Coletivo Lírico) se torna mais importante a cada dia dessa quarentena.

Quando estávamos Armênia, fiz uma viagem sozinha pro Brasil de 40 dias. Naqueles 40 dias, senti saudade do marido. Naqueles 40 dias, fui a vários médicos, fiz vários exames, visitei minha sogra e minha cunhada em SP, visitei meus tios no interior do RJ. Nos últimos 40 dias, os visitei pela internet.

Eu não estaria sendo sincera se dissesse que estes últimos 40 dias foram fáceis. A tristeza de ver as consequências de uma pandemia e a sensação de impotência diante de tudo o que está acontecendo são potencializadas por ser uma pessoa ansiosa. Tenho dias melhores, e tenho dias piores. Mas, há cerca de 2 semanas, meu coração tem ficado mais tranquilo, os picos de ansiedade tem sido menores, e eu tenho conseguido lidar melhor com as oscilações inevitáveis deste período de confinamento. Coincidentemente ou não, há duas semanas o Papa Francisco deu a benção urbi et orbi, após 1 hora de oração transmitida ao vivo para o mundo inteiro, com uma Praça São Pedro vazia, debaixo de chuva.

A minha fé tem sido um baluarte importante neste período. É a minha fé que me mantém com os pés no chão, e também com a certeza de que tudo isso vai passar. É a minha fé que me dá esperança de que o mundo não vai “voltar ao normal”, mas que caminharemos em direção a um mundo mais humano, mais solidário, mais irmão.

Além das minhas orações diárias, outra coisa que tem me ajudado bastante no controle da ansiedade é fazer exercícios físicos (quase) diariamente. Durante 1 hora, eu mexo meu corpo, seja dançando, fazendo alongamentos ou algum exercício funcional de que eu me lembro.

Manter-me ocupada também é fundamental. Até 31/03, estava muito atarefada escrevendo uma versão do projeto de tese. Ontem tive o último de 2 seminários sobre filosofia (em alemão!) com 4 horas de duração cada, ministrados online. Continuo tendo minhas aulas de alemão online 2x na semana. E já estou inscrita para mais um seminário, também online, com 2 dias de duração na metade de maio. As atividades acadêmicas não param e preenchem meu tempo, até demais.

Foi só nos últimos dias que consegui me dar umas horinhas de folga durante a semana – coisa necessária em tempos tão difíceis. Assisti Harry Potter, e também comecei a ver algumas séries do Disney+ que muito me interessam. Me transportar um pouquinho para meus universos mágicos favoritos também colaboram para manter minha sanidade.

Hoje é meu 40º dia sem sair de casa e, sinceramente, não sei quantos dias mais passarei entre essas paredes, sem poder sair por ser parte de um dos grupos de risco. Reconheço que sou privilegiada por morarmos num apartamento bom, que nos permite circular e não surtar, com janelas que possibilitam a entrada do sol e que vejamos o céu azul (aliás, nunca antes na história desse país fez tantos dias de sol e céu azul), com um home office bem estruturado pra dar continuidade as minhas atividades acadêmicas e todas as responsabilidades do marido.

O governo da Suíça já anunciou uma prorrogação da quarentena até (pelo menos) 26 de abril. A Universidade suspendeu todas as atividades presenciais deste semestre. Especula-se que, em junho, a situação comece a normalizar. Enquanto isso, eu fico em casa.

O Museu dos Instrumentos Musicais em Bruxelas

Conhecido como “MIM”, o Museu dos Instrumentos Musicais em Bruxelas (Musical Instruments Museum) reúne uma impressionante coleção dos mais variados instrumentos musicais de diferentes épocas e lugares do mundo.

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Criado em 01 de Fevereiro de 1877, o MIM era ligado ao Conservatório Real de Música de Bruxelas. Desde 11 de janeiro de 1992, o MIM faz parte dos Museus Reais de Arte e História, tendo sido reconhecido, por decreto real, o caráter científico das atividades do museu.

O Museu dispõe de 4 galerias, e cada uma delas ocupa um dos seus andares. A primeira galeria, “Musicus mechanicus”, corresponde a coleção de instrumentos mecânicos, elétricos e eletrônicos. O principal objeto desta exposição é o componium do século XIX, um grande instrumento musical que imita o som de uma orquestra inteira e automaticamente compõe diferentes músicas.

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A segunda galeria é a sala dedicada aos instrumentos musicais tradicionais, começando pela Bélgica, passando por uma série de tradições culturais europeias e chegando as diferentes manifestações culturais pelo mundo todo. Nesta galeria, podemos ver de perto gaitas de fole da Escócia e também de outros lugares do mundo, além de instrumentos musicais feitos por monges do Tibet com ossos, e também tambores africanos dos mais variados.

A terceira galeria conta com uma exibição temática, cronologicamente organizada da música clássica ocidental, explorando desde os anos medievais, passando pela renascença e chegando ao século XIX.

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A quarta e útlima galeria é uma sala inteiramente dedicada a contar a história dos pianos e teclados no mundo ocidental, com peças bastante impressionantes.

Particularmente, eu achei o MIM bastante interessante. Acho que é o tipo de museu que encanta principalmente quem tem algum tipo de conexão com a música, seja profissional ou afetiva (que é o meu caso). De todo modo, acho que vale a visita.

O ingresso para adulto custa €10, e a entrada é gratuita para crianças e adolescentes até os 18 anos de idade.

Você sabe o que é Disney bounding?

Nesta nossa última visita a Disneyland Paris, eu acabei fazendo um Disney bounding acidental do Woody. Mas você sabe o que é Disney bounding?

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O termo “Disney bounding” define uma maneira mais sutil e fashion dos #disneyfreaks mostrarem seu amor pela Disney. Ao invés de usar uma fantasia completa de algum personagem (como os cosplayers fazem), os Disneybounders se vestem no dia a dia de uma maneira estilosa inspiradas por um personagem em particular.

Essa é uma maneira bastante inteligente de homenagear seu personagem favorito inclusive numa visita a um dos parques da Disney pelo mundo, já que, exceto nas noites de festa de Halloween (a Mickey’s Not-So-Scary Halloween Party), é terminantemente proibido que qualquer pessoa com mais de 14 anos entre nos parques fantasiados.

Desse modo, os Disneybounders se inspiram em personagens do mundo Disney para criar seus #looksdodia de uma maneira fashion e criativa, porém pouco óbvia, porque não é de fato uma fantasia, e pode até passar despercebido pra quem não é tão ligado nos personagens da Disney assim.

O termo foi criado por Leslie Key em 2011, de uma maneira acidental. Ela criou o blog DisneyBoundcomo mais um blog de fãs da Disney, onde ela contava sobre sua alegria antecipando uma visita ao Walt Disney World – seria a sua primeira viagem para o complexo desde a infância. Ela estava se preparando pra ir pra Disney, ou seja, Disney bound.

Em um determinado final de semana, Leslie começou a criar looks inspirados nos seus personagens favoritos da Disney. A resposta dos leitores foi tamanha que ela transformou o foco do seu blog em criar looks Disneybounding.

Hoje em dia, o termo é adotado por fãs da Disney do mundo inteiro que se inspiram nos personagens para criar looks interessantes tanto no dia a dia quanto para ir aos parques.

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E aí que, acidentalmente, eu fui pra Disneyland Paris com um lookinho Disneybound, inspirado no Woody, o caubói de Toy Story! Eu tinha separado outro lookinho pra ir pro parque e acabei modificando poucos minutos antes de sair do hotel pra poder atender a previsão do tempo (temperaturas oscilantes e chuva)!

Eu acho que já falei algumas vezes por aqui que roupa de parque tem que ser prática e confortável, e é óbvio que eu sigo a risca esse meu próprio conselho. Geralmente eu gosto de ir pros parques com T-Shirt da Disney (na maioria das vezes, comprada em algum dos parques mesmo) e orelhinhas (óbvio), mas a previsão de temperatura não permitia deixar os bracinhos de fora, e meus casacos da Disney não eram quentes o suficiente pra enfrentar o dia de inverno. Aliás, os parques da Disneyland Paris costumam ser bem frescos, mesmo no verão (na minha última visita com meus pais, em setembro de 2018, tive até que comprar um moletom do Darth Vader pro meu pai!), então é preciso vestir-se adequadamente pra não passar perrengue.

Meu Disneybounding foi acidental mesmo: eu só percebi que tava a cara do Woody quando cheguei no parque e coloquei minha mochila (que também era estampada com os personagens de Toy Story!) na esteira do raio x (para entrar nos parques da Disney, é um procedimento comum).

Reparem só: os tons da minha camisa xadrez (Uniqlo) eram muito parecidos com a camisa do Woody! E a calça de veludo azul (COS) fez as vezes da calça do caubói. E aí, como bom Disneybounding, o colete de estampa de vaca do Woody foi substituído por esse casaco mostarda quentinho e impermeável (Esprit). Eu também estava de bota, porém minha bota ortopédica era preta, e não marrom como é a do Woody – a famosa licença poética. Ao longo do dia, comprei o gorro do Mickey pra proteger minhas orelhas do vento gelado, e o tom terroso lembra o chapéu do nosso caubói favorito.

Gostaram do meu primeiro Disneybound?

Tudo o que você precisa saber sobre o FastPass da Disneyland Paris

Nós estamos de férias e começamos (mais) essa nossa road trip pela Europa por Paris por um motivo muito especial: desfrutar do meu presente de aniversário! Não fosse a greve dos transportes (que continua) na França, nós teríamos ido pra Paris no dia 06/12 para comemorar meu aniversário com apenas 2 dias de atraso na Disneyland Paris. Mas Deus sabe o que faz, e a gente conseguiu remarcar tudo o que já estava pago para o primeiro final de semana de fevereiro, dando start nas nossas férias de um jeitinho bem mágico.

Nesta nossa visita ao complexo Disneyland Paris, nós decidimos testar uma das modalidades de Fastpass (eu já expliquei como funciona o Fastpass do Walt Disney World Resort aqui) que estão disponíveis na divisão européia do lugar mais feliz do mundo. Na Disneyland Paris, os visitantes podem optar por comprar uma das categorias do Super Fastpass ou do Ultimate Fastpass.

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pulseira do Ultimate Fastpass (os charms e a pulseira são Pandora, coleção exclusiva dos parques da Disney)

Como nada nos parques, o Fastpass não sai barato, mas ele ajuda a otimizar bastante o tempo, principalmente para quem não suporta filas e/ou está visitando ambos os parques em um único dia. Além dessas opções de Fastpass pago, as atrações da Disneyland Paris e do Walt Disney Studios oferecem Fastpasses normais, nas maquinas ao lado dos brinquedos, mas estes requerem um pouco de organização pra que você não se embole nos parques e acabe não desfrutando bem da sua visita.

Os Super e os Ultimate Fastpasses são oferecidos em quantidade limitada, e custam a partir de €30 por pessoa (adulto ou criança) até €120 por pessoa na baixa temporada. Por sua vez, na alta temporada, esse “fura filas autorizado” custa a partir de €45 por pessoa podendo chegar até €150. Lembrando que estes bilhetes Super & Ultimate Fastpass são adicionais aos ingressos normais dos parques, que custam a partir de €80 (preço do ingresso de criança de 3 a 11 anos para visitar 1 parque) até €107 (preço do ingresso individual para pessoa a partir dos 11 anos para visitar os 2 parques em um único dia).

Mas o que são, de fato, os Super e os Ultimate Fastpass? Eu te explico.

O Super Fastpass pode garantir um acesso rápido às atrações “para a família” e/ou um acesso rápido às atrações “grandes emoções”.

Já o Ultimate Fastpass garante um acesso rápido a todas as atrações Fastpass listadas (“para a família” e “grandes emoções”), ou acessos rápidos ilimitados a todas as atrações Fastapass listadas.

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tabela atual dos preços e atrações de Super Fastpass e Ultimate Fastpass na Disneyland Paris

Ou seja: há dois tipos diferentes de Super Fastpass e outros dois tipos diferentes de Ultimate Fastpass. Consequentemente, há quatro preços diferentes.

Nós optamos por comprar o Ultimate Fastpass ilimitado, porque meu plano era aproveitar beeem o meu presente de aniversário e eu queria repetir algumas das minhas atrações favoritas (tipo Tower of Terror, Space Mountain e Star Tours) sem filas. Compramos online, junto com o ingresso dos parques e, chegando ao complexo Disneyland Paris, fomos até um dos guichês para trocar o voucher pelo Fastpass propriamente dito.

A diferença da compra online do Fastpass para o ingresso é que o ingresso comprado online já é um ingresso válido, que deve ser obrigatoriamente impresso e apresentado na entrada dos parques (de acordo com as informações disponíveis no site da Disney). Por sua vez, o Fastpass comprado online gera um voucher, que deve ser trocado por um ticket Fastpass no guichê, acompanhado de uma pulseira indicativa da categoria de Fastpass comprada.

Nesse ticket Fastpass, são impressas as atrações com acesso rápido incluídas na sua experiência, bem como a data de uso e o tipo de Fastpass escolhido. No caso das opções Super Fastpass e Ultimate Fastpass de um acesso rápido, os funcionários dos parques (os famosos cast members) fazem uma anotação de que você já usou seu Fastpass naquele brinquedo, evitando assim o uso indevido. Na opção Ultimate Fastpass acesso ilimitado, os cast members apenas conferem a data impressa no ticket Fastpass e a pulseira individual.

E o que eu achei do Ultimate Fastpass ilimitado?

Bem, pra começar, é um serviço caro sim. Mas devo reconhecer que é uma opção bastante eficaz que a Disney implementou, garantindo que vamos otimizar o passeio nos parques, principalmente considerando que os parques Disneyland Paris e Walt Disney Studios não só podem facilmente ser conhecidos num único dia como a maioria das pessoas que os visitam fazem justamente isso. Diferente do complexo Walt Disney World, os parques da divisão européia costumam ser um destino “consequência” de uma viagem para Paris (a menos que você seja Disney freak assumido como eu) e os visitantes em geral dedicam mesmo um só dia para ambos os parques.

#daytrip de Berna para Zurique

Embora Berna seja a capital da Suíça (e é por isso que as embaixadas ficam aqui), Zurique é a maior cidade do país, além de ser um importantíssimo centro financeiro internacional. Desde que chegamos aqui, fui 2 vezes para Zurique de trem – coincidentemente, duas segundas feiras.

O percurso entre as bahnhofs de Berna e Zurique dura 01h02 (as vezes uns minutinhos menos), e o passe diário, que permite pegar qualquer horário de trem para ir e voltar custa 51 francos. Há trens a cada meia hora ligando as duas cidades.

Enquanto Berna é pequenininha e tem até um clima de interior, Zurique tem mais jeito de cidade grande mesmo, com prédios mais altos que se confundem na paisagem da Altstadt, um comércio mais diversificado (inclusive com flagships das principais marcas de luxo mundiais) e uma vida mais agitada mesmo.

Pra quem vai conhecer Zurique, passear pela cidade velha é uma das principais atividades. O rio Limmat torna a paisagem da cidade velha (Altstadt) de Zurique algo bem lindo de se ver, principalmente em dias claros de sol. Eu dei sorte porque, em ambas days trips que fiz até o momento, os dias foram bem bonitos e agradáveis!

Falando a bem da verdade, ainda não fui pra Zurique com objetivos turísticos, e se Deus quiser não há de faltar oportunidades para visitar a cidade com este fim e, enfim, dividir com vocês as minhas dicas!

Montreux Noël

No último final de semana, pegamos o Bolinha e fomos até Montreux para conhecer um dos principais mercados de Natal da Suíça.

Pra quem nunca visitou um mercado de Natal europeu, a melhor definição possível é “festa junina só que com decoração de Natal”. Até as comidas e bebidas são parecidas (to falando de você, vin chaud).

Montreux Noël completa 25 anos de existência, comemorados com muita comida boa e atrações legais para todas as idades junto ao Lago Leman.

A entrada é gratuita, e a principal atração é, certamente, a enorme roda gigante. Mas a natureza não decepciona, e a vista do Lago Leman e dos Alpes é uma atração à parte.

O mercado funcionará até o dia 24 de dezembro, e todas as informações podem ser encontradas no site oficial.

De volta pra Milano!

No primeiro final de semana de novembro, demos um pulinho em Milão. O objetivo da viagem era abastecer o guarda roupa de inverno (mesmo contabilizando a passagem de trem e o hotel, saiu muito mais barato do que comprar roupa de inverno na Suíça!) e comer comida japonesa (é, eu sei, parece doideira, mas comida japonesa em Milão é absurdamente mais barato do que comida japonesa na Suíça).

Mesmo debaixo de chuva, é claro que também desfrutamos um pouquinho da cidade, inclusive revisitando lugares que já tínhamos conhecido na primeira vez que fomos pra lá. Passeamos pela Galeria Vittorio Emanuele, pela praça da Duomo, pelos jardins do Castello Sforzesco, pelo parque Indro Montanelli, entre outros.

Voltamos, também, nas Colunas de San Lorenzo. Interessante que, dessa vez, nós prestamos muito mais atenção na Basílica de San Lorenzo e na estátua do Imperador Constantino, que promulgou o Édito de Milão, determinando que o Império Romano seria neutro em relação às crenças religiosas, acabando com as perseguições. Em tempos de intolerância religiosa, voltar ao passado pode nos ensinar lições valiosas.

Pra não dizer que não dei dicas gastronômicas, a pizza do Nápiz é divina e o atendimento é nota mil.

Maison Cailler

Desde 1898, na região de Gruyère, encontramos uma das mais tradicionais fábricas suíças de chocolates: a Maison Cailler. Fundada por François-Louis Cailler, a Maison Cailler é a marca de chocolates mais antiga da Suíça.

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A sede da Maison Cailler é uma das poucas fábricas de chocolate na Suíça que abrem suas portas aos visitantes. É possível fazer um tour pelas instalações, e o ingresso individual custa 15 CHF por adulto (12 CHF para estudantes e idosos, e também para grupos de 10 a 20 adultos), e a visita é gratuita para crianças acompanhadas por adultos pagantes.

Mas você também pode visitar a loja da Maison Cailler e tomar um cafezinho na cafeteria, pagando só o que consumir por lá – foi isso que nós fizemos. Além dos chocolates que cobrem diversas paredes, a loja oferece diversos souvenires interessantes para todos os gostos e bolsos.

O que fazer em Frankfurt am Main?

Nós passamos o nosso trânsito (um período de 15 dias – uma tradição herdada de tempos mais antigos quando podia-se demorar muitos e muitos dias para se chegar ao destino – que podemos passar em qualquer lugar do mundo que não seja o posto de origem e o novo posto) na Alemanha. Tem post sobre o nosso trânsito na ida pra Armênia aqui.

Nós viajamos de Zurique até Frankfurt de carro, e o percurso durou quase 6 horas por conta das obras nas estradas alemãs. Dessa vez, nós decidimos fazer a cidade natal de Anne Frank de base, e sair apenas para day trips, porque o objetivo era ficar mais tranquilo e relaxar um pouco.

Frankfurt é o centro financeiro da Alemanha, e o maior centro financeiro da Europa continental. Nesta cidade, que tem o custo de vida mais elevado da Alemanha e é a 10ª cidade mais cara do mundo, encontramos as sedes do Banco Central Europeu, do Banco Federal Alemão e da Bolsa de Valores de Frankfurt.

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Um dos pontos turísticos de Frankfurt é a Goetheplatz, em homenagem a Johann Wolfgang von Goethe, nascido em Frankfurt no dia 28 de agosto de 1749. Até hoje, Goethe é considerado o mais importante escritor alemão.

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Outra atração turística de Frankfurt é a ponte de ferro (Eiserner Steg), que foi erguida em 1869 para ligar o centro antigo ao bairro de Sachsenhausen. Essa ponte exclusiva para pedestres tem cerca de 174 metros de extensão, e é tomada por “cadeados do amor”, que estão pendurados praticamente nela toda.

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A região de Römerberg atrai muitos turistas. Nesta área, provavelmente no século I, foram estabelecidos assentamentos romanos, e é possível até hoje encontrar alguns objetos daquela época. O complexo de prédios Römer, sede da administração da cidade de Frankfurt desde o século XV, fica nesta praça. Neste local, inúmeras coroações imperais aconteceram, além de várias feiras de comércio e um tradicional mercado de Natal que acontece até os dias de hoje. Por conta disso, essa praça é o coração histórico da cidade antiga (Altstadt) medieval. Nesta mesma região, se encontra o Museu Histórico de Frankfurt (Historisches Museum Frankfurt), que nós visitamos. O ingresso de adulto para a exibição permanente do Museu Histórico de Frankfurt custa €8, e demais informações (como, por exemplo, horário de funcionamento) podem ser encontradas no site oficial.

Mesmo considerando as outras atrações turísticas que nós não visitamos (como, por exemplo, a Catedral de Frankfurt), eu acredito que 2 dias em Frankfurt são mais do que suficientes para fazer todos os passeios turísticos – 3 se você pretender ir um pouco mais devagar e/ou tiver planos de fazer compras.