O coliseu de Pula

A cidade de Pula/Pola é uma das maiores e mais importantes desde os tempos romanos (dividindo a atenção apenas com Porec/Parenza e Rovinj), e é lá que encontramos a 6ª maior arena romana preservada do mundo.

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O coliseu de Pula é um anfiteatro construído integralmente em pedra entre 29 e 27 a.C.. Este coliseu tem impressionantes 132m de largura, 105m de comprimento e 33m de altura. Há dois mil anos atrás, a arena de Pula era palco de lutas entre leões e gladiadores, que chegavam a atrair até 23 mil espectadores; hoje, são os festivais de cinema, música e dança, e outros grandes espetáculos musicais que atraem o público. Entre os muitos artistas que já se apresentaram nesta arena, figuram Luciano Pavarotti, David Gilmour, e Michel Teló!

A construção do anfiteatro e arena de Pula começou durante o reinado do Imperador Augustus, no início do século I, e foi expandida durante o reinado da dinastia Flavian, quando sua capacidade passou a ser de 23 mil espectadores. Construída com pedras do estilo da Toscana, o anfiteatro consiste de 4 níveis, com seu ponto mais alto chegando a 33m de altura. Como foi construída numa colina elevada, sua parte leste fica num terreno naturalmente elevado, que aumenta a área em dois níveis. São 72 arcos semi-circulares, com 64 janelas quadradas no seu último nível. No caso de mau tempo, a área dos espectadores poderia ser coberta com linho.

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Os arcos do eixo principal são um pouco mais amplos para enfatizar as entradas principais; no entanto, o mais importante dos arcos é aquele na entrada sul, de frente para a cidade. A parte central do anfiteatro é a área de luta (ou seja, arena), que era usada para organizar lutas entre gladiadores, caça de animais e até mesmo tribunais públicos. Embora a entrada fosse gratuita, os lugares seguiam um arranjo que seguia de modo estrito a hierarquia social de riqueza e reputação; os mais pobres ficavam sentados no nível com a pior visão da arena. Panem et circenses (pão e circo) era o lema Romano, na medida em que o Império entretinha o povo com a organização de jogos e distribuíam pães antes do início das apresentações. Abaixo da arena de lutas, ficava localizado uma sala no subsolo onde as feras eram mantidas em suas jaulas; hoje, neste mesmo espaço, encontramos a exibição permanente sobre produção de vinho, azeite e azeitona na região da Ístria.

Por conta do seu tamanho impressionante, a Arena de Pula foi construída fora dos limites estabelecidos pela muralha da Pula Romana. O ingresso para adultos custa 50 kuna e 25 kuna para crianças.

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O centro histórico de Pula

Nossas aventuras da road trip continuaram na região da Ístria, que é dividida entre Itália, Croácia e Eslovênia. Por lá, nossa primeira parada foi Pula, a charmosa cidade do lado croata da região. A península da Ístria é a maior península no mar Adriático, com cerca de 3600 km², localizada entre o Golfo de Trieste, os Alpes Dináricos e o Golfo de Carnaro. A península já pertenceu aos impérios Romano, Bizantino e Austro-Húngaro, depois fez parte do território italiano no pós-Primeira Guerra Mundial, e mais tarde foi incorporada à antiga Iugoslávia no pós-Segunda Guerra. A maior parte da Ístria pertence à Croácia, e uma pequena área – que corresponde às cidades costeiras de Izola (Isola), Portorož (Portorose), Piran (Pirano) e Koper (Capodistria) – fica no território da Eslovênia, enquanto uma parte minúscula da península (as comunas de Muggia e San Dorligo della Valle) está em território Italiano.

Titov Park

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No Parque Tito em Pula, muitas estátuas e bustos prestam homenagem aos heróis nacionais que faziam parte do Movimento de Libertação Nacional, e que lutaram contra o fascismo na região de Istria. A peça central do Parque Tito é um impressionante monumento do escultor Vanja Radauš em homenagem aos soldados mortos. Além das homenagens aos partigiani, encontramos ali uma grande maquete da cidade.

Templo de Augustus e o Forum

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Além do templo dedicado à Tríade Capitoline no Fórum Romano de Pula, havia outros dois templos, mas o único visível hoje em dia é o Templo de Augustus, dedicado ao imperador romano de mesmo nome. Este templo foi construído em algum momento da vida de Augustus, o primeiro imperador romano, entre 27 a.C. e 14 d.C. O Forum, uma praça central da antiga e medieval Pula, está localizado na parte ocidental da cidade e foi construído durante o século I a.C. e seguia as estruturas de qualquer outro fórum romano dedicado à Tríade de Júpiter, Juno e Minerva. Além do templo centra, havia outros dois templos laterais no Fórum de Pula: o Templo de Augustos é o único que se mantém integralmente preservado, enquanto do outro só podemos ver a parede do fundo. Tal parede foi usada durante a construção da nova sede da prefeitura. O segundo templo, idêntico ao preservado Templo de Augusto, foi construído no mesmo estilo e era chamado Templo de Diana; originalmente dedicado à deusa Roma e ao Imperador Augustus, o templo foi erguido entre os anos 2 a.C. e 14 a.C. Ao longo da história, o templo teve suas funções modificadas:  primeiro, foi usado como uma Igreja Cristã; depois, como depósito de grãos; no século XIX, foi transformado em um museu de monumentos de pedra, até que foi bombardeado durante a Segunda Guerra Mundial e, então, completamente destruído. O Templo foi reconstruído entre 1945 e 1947, sendo restaurada sua função de lapidário.

Arco Triunfal dos Sergii

O Arco dos Sergii, um antigo arco do triunfo romano em Pula, conhecido também como Portão Dourado, foi erguido em comemoração aos três irmãos da família Sergii, uma poderosa família Romana que tinha mantido seu poder e glória por muitos séculos. Foi chamada Porta Aurea (ou Portão Dourado) por conta da decoração no topo do arco, que dava apoio às muralhas da cidade. O portão e as muralhas foram destruídas no século XIX quando foi adotado um novo plano urbanístico para a expansão da cidade. O Arco Triunfal é um exemplo maravilhoso das conquistas arquitetônicas da engenharia romano-helênica, com 8 metros de altura, erguido em algum momento entre os anos 29 e 27 a.C. Hoje, o Arco dos Sergii fica no centro da Praça Portarata.

Basílica Santa Maria Formosa

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Localizada ao sul do centro histórico, a Basílica Santa Maria Formosa é um dos mais significativos monumentos Cristãos da arte e arquitetura Bizantina na região da Istria, e também em toda a Croácia. A Basílica foi construída no século VI. A Basílica Santa Maria Formosa ficou destruída depois do incêndio de 1242, quando os venezianos conquistaram Pula. Ao final do século XVI, a Basília estava em ruínas.

Porta Gemina

 

Pula era cercada por muralhas, com cerca de 10 portões para a entrada na cidade, e um dos poucos portões ainda preservados é a Porta Gemina, bem como parte da muralha no entorno. A Porta Gemina fica na Praça Giardin, e ganhou este nome por conta de suas duas aberturas semi-circulares que conduziam à cidade. Estes arcos/portões foram construídos entre os séculos II e III. Hoje, ao atravessar a Porta Gemina, encontramos o Museu Arqueológico, o Castelo e o pequeno Teatro Romano.

Pequeno Teatro Romano

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A arquitetura e as ruínas de Pula atestam para o excepcional desenvolvimento cultural da cidade nos tempos antigos, confirmados pelo coliseu de Pula e dois teatros. O Grande Teatro Romano ficava fora das muralhas da cidade, e infelizmente não foi preservado. Por sua vez, o chamado Pequeno Teatro Romano, localizado na colina abaixo do Castelo, ainda está razoavelmente preservado; na Antiguidade, o teatro ocupava uma área maior, e estima-se que sua capacidade era de 4 a 5 mil espectadores, correspondendo à população de Pula naquela época.

Portão de Hércules

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O Portão de Hércules em Pula fica entre duas torres (provavelmente medievais). Com uma arquitetura modesta, foi erguido com blocos de pedra acima dos quais, embora seja difícil de notar, está cravada a cabeça de Hércules com sua barba e cabelo encaracolado. É possível que tenha sido uma marca da cidade, como atesta o nome completo da Pula Romana: Colonia Iulia Pollentia Herculanea. Hoje, este portão marca a entrada da área onde se concentra a Comunidade Italiana em Pula.

Centro de Zagreb

Zagrebe nos encantou por muitos motivos, e há muita coisa interessante para se fazer na cidade. Para além da região de Kaptol, o centro tem várias atrações bacanas, e vou destacar algumas delas neste post.

Teatro Nacional da Croácia

O Hrvatsko narodno kazalište u Zagrebu (comumente conhecido como HNK Zagreb) é o principal palco de espetáculos de ópera, balé e teatro da Croácia. Este teatro foi uma evolução do primeiro teatro da cidade, construído em 1836 e que, hoje, é a antiga sede da prefeitura. O teatro foi criado em 1860, e no ano seguinte ganhou o apoio do governo para que fosse igualado a outros teatros nacionais da Europa. Em 1870, uma companhia de ópera foi criada no teatro, e em 1895 finalmente mudou-se para o prédio que conhecemos hoje como Teatro Nacional da Croácia. O Imperador Austro-Húngaro Francisco José I participou da inauguração desta construção quando visitou Zagrebe em 1895. A arquitetura foi projetada pelos vienenses Ferdinand Fellner e Herman Helmer, cuja firma tinha construído muitos dos teatros de Viena. Na entrada do teatro, está localizada a fonte Zdenac života (ou “fonte da vida”), idealizada pelo artista e escultor croata Ivan Meštrović em 1905.

Museu Mimara

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O Muzej Mimara é um museu de arte localizado na Praça Roosevelt, abrigando a coleção de Wiltrud e e Ante Topić Mimara (por conta disso, seu nome oficial e completo é Art Collection of Ante and Wiltrud Topić Mimara). Ao todo, são 3.700 obras de arte, das quais 1.500 compõem a exibição permanente do museu, que foi inaugurado em 1987 numa instalação original do século XIX.

Jardim Botânico

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O Botanički vrt PMF-a u Zagrebu é um jardim botânico fundado em 1889 por Antun Heinz, professor da Universidade de Zagrebe. Aberto ao público em 1891, é parte da Faculdade de Ciências da Universidade de Zagrebe. Com uma área de 5 hectares, o jardim é situado numa altitude de 120 metros acima do nível do mar, e abriga mais de 10 mil espécies de plantas de todo o mundo – das quais 1.800 são exóticas -, com direito a grandes lagos para as plantas aquáticas.

Parque Zrinjevac

O parque Zrinjevac foi o primeiro parque da Donji grad (parte baixa, ou centro), trazendo um frescor dos tempos modernos para Zagrebe. Antes de 1886, era conhecido como Novi terg (ou “nova praça”), porque estava localizado fora dos limites da cidade. Hoje, este nome soa irônico, pois Zrinjevac é a praça planejada mais antiga de Zagrebe. Hoje em dia, Zrinjevac é uma das partes favoritas da cidade tanto dos locais quanto dos turistas. Por conta dos prédios que o circundam, o parque é, hoje, como uma porta de entrada para a história e arte da Croácia: a Suprema Corte, o Museu Arqueológico de Zagrebe, a Academia de Artes e Ciências da Croácia, o Ministério das Relações Exteriores e Integração Européia, e a Corte Regional de Zagrebe estão localizados em torno deste parque.

Onde comer em Cracóvia?

Nos nossos dias em Cracóvia, comemos muito bem, e é por isso que vou deixar registradas aqui as nossas recomendações, indicando os 5 lugares que mais gostamos!

  • Boscaiola

Se você procura uma boa comida italiana num ambiente aconchegante, com atendimento excelente, Boscaiola é o lugar pra ir em Cracóvia. Pedimos a focaccia de alho como entrada, e depois provei o nhoque aos 4 queijos. Tudo muito bem feito e delicioso, com preço justo.

  • Trattoria La Campana

Quase em frente à Igreja de São Pedro e São Paulo, está a Trattoria La Campana. Indicado no Guia Michelin de 2010 a 2017, foi uma das boas descobertas em Cracóvia. Sem quebrar o orçamento, eu provei a saltimbocca (filé com prosciutto parma, batatas e legumes) e o marido pediu o risotto con guanciale di manzo (filé de bochecha com risoto, purê, óleo de trufa negra e queijo parmesão). Ambos os pratos estavam excelentes, e o serviço foi espetacular.

  • Musso Sushi & Ramen

Se tem uma coisa da qual sentimos muita falta em Yerevan é de uma boa culinária japonesa. Por isso, sempre que viajamos, tentamos matar essa saudade o maior número de vezes possível. O Musso Sushi & Ramen foi a nossa escolha em Cracóvia. O restaurante, que foi aberto recentemente, oferece um menu recheado de delícias, tudo muito fresco nos pratos bem fartos, com um atendimento excelente num ambiente super cool.

  • Kawiarnia Santos

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Pierogi é uma massa recheada e cozida, parecido com um ravioli mas no formato de pastel, originário da Polônia. Naturalmente, não poderíamos deixar de provar este prato típico! Quando provei o da Kawiarnia Santos, já tinha provado em um outro estabelecimento localizado na praça Rynek Główny que estava muito ruim. Ao invés de desistir, insisti, em parte porque meu amigo Léo, de origem polonesa, tinha falado que esse prato ia mudar minha vida. Eu acho que o pierogi que a mãe dele (que é uma cozinheira de mão cheia) prepara deve ser ainda mais gostoso e provavelmente mudará minha vida mesmo, mas o pierogi da Kawiarnia Santos estava bem gostoso. Lá, eu comi a versão recheada com queijo, que vem com cebolas caramelizadas por cima. Preço bom e ambiente externo muito agradável.

  • Café Lisboa – Casa de Pastéis de Nata

Eu sou a louca do pastel de nata e juro que chorei de felicidade quando, nas primeiras horas em Cracóvia, passamos na frente do Café Lisboa a caminho do centro histórico. Cara, que felicidade indescritível comer meu docinho português preferido bem quentinho acompanhado de um cafezinho! Fiz questão de passar por lá todos os dias, e confesso que cheguei a comer mais de um por dia.

Passeios pelo centro histórico de Cracóvia e pelo bairro Kazimierz

Além do Castelo Real de Wawel em Cracóvia, há muitas outras coisas interessantes para se ver no centro histórico dessa cidade linda, bem como no tradicional bairro judeu de Kazimierz!

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placa no centro histórico de Cracóvia indicando a distância para as principais cidades que receberam imigrantes poloneses no mundo!

O mercado de roupas (Sukiennice) e a torre Wieża Ratuszowa ficam muito próximas da praça Rynek Główny, e todos são destaques do centro histórico da charmosa cidade polonesa. Em todo o centro histórico, somente é permitido o trânsito de pedestres, o que é mais um atrativo para passeios deliciosos por ali.

Na mesma praça Rynek Główny, está a Bazylika Mariacka (Basílica de Santa Maria) no estilo gótico, que foi construída no século XIV e serve como um dos melhores exemplos da arquitetura gótica polonesa com seus 80m de altura. A Basílica de Santa Maria é famosa pelo seu altar de madeira esculpido por Wit Stwosz e, a cada hora, um sinal de trompete (chamado de Hejnał mariacki) é emitido do alto da torre mais alta, e o hejnał do meio-dia é ouvido por toda a Polônia por meio da transmissão da rádio nacional polonesa. A Basílica também é conhecida pelos leitores da obra The Trumpeter of Krakow, escrito por Eric P. Kelly.

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A Igreja de São Pedro e São Paulo é um dos destaques do centro histórico de Cracóvia, por ser o primeiro prédio no estilo barroco da Polônia. Localizada na rua Grodzka nº 54, a Igreja de São Pedro e São Paulo foi construída entre 1597 e 1619, e foi nomeada pequena Basílica em 1960.

Ao sul do centro histórico de Cracóvia, está Kazimierz, conhecido como bairro judeu porque, por muitos séculos, foi um lugar de coexistência e interação histórica entre as culturas judaica e polonesa. A parte noroeste de Kazimierz era historicamente judaica, e seus habitantes judeus foram forçadamente realocados em 1941 pela ocupação alemã para o gueto de Cracóvia, do outro lado do rio Vistula, em Podgórze. Hoje, Kazimierz é um dos principais destinos turísticos de Cracóvia e um importante centro de vida cultural da cidade.

Depois da Segunda Guerra Mundial, Kazimierz foi negligenciada pelas autoridades comunistas. No entanto, desde 1988 acontece anualmente o Festival de Cultura Judaica, reintroduzindo os poloneses à cultura judaica que uma geração inteira desconhecia. Em 1993, Steven Spielberg gravou grande parte do filme A Lista de Schindler em Kazimierz, e desde então houve um maior desenvolvimento e restauração de importantes lugares históricos deste bairro. Os grandes destaques de Kazimierz são, sem dúvida, a Basílica de Corpus Christi (Bazylika Bożego Ciała) e a Plac Wolnica, onde fica o Museu Etnográfico.