Sejamos manjedouras!

“E a Palavra se fez carne e habitou entre nós. E nós contemplamos a sua glória, glória que recebe do Pai como Filho unigênito, cheio de graça e de verdade.” (João 1, 14)

Alegremo-nos n’Ele, por Ele e com Ele, porque o Senhor veio para ser o nosso Salvador! Hoje, é o dia da graça, da alegria e de cantar as maravilhas do Senhor, pois nasceu para nós Jesus, o nosso Salvador!

A alegria que celebramos hoje não é a alegria que vem das futilidades humanas. É a alegria que vem como um dom divino e celeste. É a alegria de ter a certeza de que não estamos abandonados nem fomos esquecidos: mais do que lembrados, fomos e somos inteiramente amados por Deus. Nada poderia ser tão divino como esse amor que Deus tem por nós: amor encarnado, amor que assume a nossa humanidade, que se faz um de nós naquilo que vivemos e somos.

Bendito seja Deus! Bendito seja seu divino Filho Jesus Cristo, Nosso Senhor e Salvador, Deus vivo e presente no meio de nós!

O Filho de Deus nasce da Virgem Maria, que entra na história para ficar no meio de nós. Renova a esperança, entrega-se como pão. Sua Palavra aquece o coração. E quem n’Ele crê, com seus olhos verá: “Ele é o Caminho, a Verdade e a Vida”. O anjo se colocou na presença daquela jovem e disse: “Alegra-te cheia de graça! […]. Conceberás e darás à luz a um filho, e lhe porás o nome de Jesus” (cf. Lc. 1, 28.31). Este foi o maior e mais importante anúncio que o mundo poderia testemunhar: o anúncio do Anjo Gabriel fez com que a Virgem Maria ficasse grávida do próprio Filho do Deus Altíssimo. Realizou-se, naquele momento, o Mistério da Encarnação, aquilo que fora profetizado por inúmeros profetas do Antigo Testamento.

A partir desse anúncio do anjo Gabriel à Virgem Maria a humanidade tomou conhecimento de uma grande novidade: Deus é Pai, ou seja, Ele tem um Filho e o amor entre Eles é o Espírito Santo. Santo Agostinho afirma que o Espírito Santo é um ato de amor que o Pai e o Filho têm em comum, pelo qual se amam reciprocamente: o amor une o amante ao amado.

Portanto, o anúncio do Anjo Gabriel à Virgem Maria nos deu a consciência da existência da Santíssima Trindade. Até então se sabia que Deus existia, mas não se sabia desveladamente que esse único Deus era, também, trino. O véu se rasgou! Os nossos olhos e a nossa consciência se abriram! A Virgem Maria foi a primeira pessoa a conhecer essa luminosa verdade. Por meio do Anjo, Deus Pai anunciou o nascimento do Filho que foi gerado no ventre de Maria por obra do Espírito Santo (cf. Lc. 1, 35). Ela é a primeira que colaborou de forma plena e total com o desígnio salvador de Deus, que é a encarnação de Jesus no meio de nós. Humanamente, não é fácil de entender: os desígnios divinos estão muito além da nossa compreensão humana, e nem mesmo José entendeu, mas ele aceitou assumir a missão de fazer parte da Sagrada Família e cumprir os planos de Deus.

Aquilo que se realizou “na” e “com” a Virgem Maria é, de certa forma, a prefiguração daquilo que iremos contemplar, um dia, no céu. Lá, iremos contemplar a Deus Pai que gera o Filho no amor do Espírito Santo.

Maria nos aproxima de Deus. Não há presença de Jesus no meio de nós sem a presença de Maria, a Mãe que O gerou e O trouxe até nós. Maria é a portadora de Deus, ela é a portadora do Verbo divino. Deus foi o primeiro a amar Maria profundamente a ponto de querer fazer morada nela. Amar Maria é amar os desígnios de Deus que se manifestam no ventre dela.

O ventre da Virgem Maria não apenas representa o ambiente celeste, mas trata-se propriamente do Céu. O ventre de Maria é a porta que permitiu que cada um de nós tivesse a possibilidade de acesso a Deus. Deus não veio direto a nós, Ele veio a nós por meio da Virgem Maria. Foi Deus quem escolheu esse caminho: Deus tudo pode e nada é impossível para Ele, e Ele poderia ter escolhido qualquer outro caminho. Mas Deus escolheu a mediação humana, e essa mediação tem nome: a Imaculada e Santíssima Virgem Maria. A humilde serva do Senhor foi e é a medianeira do Mediador, e é por isso que temos a graça de recorrer à intercessão da Bem-Aventurada.

Humildade é reconhecer a grandeza do Senhor e a nossa pequenez, é depender de Deus, é confiar n’Ele e saber que em todas as coisas Ele cuida de nós. Ser humilde é fazermo-nos servos de Deus no serviço aos outros. Por isso, Maria é a humilde serva do Senhor e ela existe para servir; ela não existe para ser servida nem para ser engrandecida. Nós exaltamos a Virgem Maria por aquilo que ela foi em toda a sua vida: um serviço pleno a Deus em todo o seu ser.

Hoje, mais do que nunca, precisamos descobrir e redescobrir diariamente a graça de servir. No mundo que valoriza e exalta, acima de tudo, o individualismo, Deus tem dificuldade para encontrar servos humildes, pessoas que tenham almas realmente abertas para o outro, que não estejam simplesmente focados em si, nas suas coisas, nas suas necessidades, mas que sabem fazer isso para além de suas próprias ocupações, que estão abertas para servir a Deus, para obedecer-Lhe, para ir ao encontro do outro.

Com Maria, exaltamos o Deus poderoso, grande, que olha para Seus humildes servos e faz, no coração de cada um, a Sua obra divina acontecer. Deus quer realizar no coração de cada um de nós aquilo que Ele realizou no coração de Maria. A graça de Deus permanecerá em nós quando formos humildes e servos.

Eu recebi Maria em minha vida, e me consagro a ela todos os dias. Maria é a discípula perfeita, é aquela que faz de nós presépios vivos no processo divino salvífico. A discípula perfeita me ensinou e me direciona todos os dias a buscar ser inteira de Deus, a amá-Lo, a abrir meu coração para que Ele faça morada em mim como Ele habitou nela. Ao recebermos a Virgem Maria em nossa vida, ela nos aponta a direção do Céu, nos aponta o caminho e a direção para amarmos a Deus sobre todas as coisas.

Por causa do “sim” dessa grande mulher, o que era temporal foi alargado pelo que era eterno. Celebrar o nascimento de Jesus é celebrar o Céu que se fez presente aqui na terra. Fomos visitados pelo Céu, e esse mesmo Céu está aberto para nós. É por esse motivo que a Virgem Maria é a “cheia de graça”, como o Anjo Gabriel proclamou.

Hoje, mais do que desejar Feliz Natal, quero, do fundo do meu coração, propor que nos coloquemos em torno de Jesus, que O celebremos e O amemos, que reconheçamos Jesus como grande dom e dádiva, como o grande presente que podemos oferecer uns aos outros neste dia. Quero que o Menino Jesus realmente nasça em nossos corações de uma maneira nova, que Ele nos renove inteiramente, e que possamos sempre caminhar na luz solidária do Deus Único e Verdadeiro. Quero que sejamos todos morada de Cristo Jesus, que O recebamos e acolhamos em nossos corações, que sejamos verdadeiras manjedouras para o Menino Deus, e que sejamos servos do Senhor seguindo o exemplo da Virgem Maria.

Glória a Deus no mais alto dos céus!

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300 anos de N. Sra. Aparecida

Dia 12 de outubro é dia de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, Padroeira do Brasil, e minha Mãe do Céu muito amada. A Virgem de cor morena nos ama tanto que apareceu no Brasil, nas águas do Rio Paraíba do Sul: a Mãe de Jesus escolheu uma aldeia de pescadores para mostrar o amor infinito de Deus por nós!

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Eu sou muito feliz por ter uma Mãe do Céu que eu sei que está ao meu lado todo o tempo! Que privilégio tão grande poder me colocar no colo da Mãe de Deus e nossa! A serenidade invade meu coração todas as vezes que surgem adversidades porque eu confio na intercessão de Nossa Senhora, e entrego tudo o que me aflige nas mãos dela! Quando a Mãe pede, o Filho atende! E tudo sempre se resolve da melhor forma, que muitas vezes eu não poderia nem imaginar! Pensa se eu não vou aproveitar pra me entregar no colo da Mãe do Céu, esse privilégio imenso que Deus nos deu?!

Eu tenho devoção especial por Nossa Senhora Aparecida desde muito pequena, me entregando sempre nas mãos da Mãe de Deus na sua versão morena, que apareceu para os pobres e humildes pescadores.  Foi numa das primeiras fitas k7 que a Mivó gravou pra mim que eu ouvi ROMARIA pela primeira vez, e desde então é uma das minhas músicas favoritas de todos os tempos. Quando eu fiz 12 anos, pedi de presente uma imagem grande de Nossa Senhora Aparecida, que ganhei na missa celebrada em ação de graças pelo meu aniversário, e essa imagem me acompanha até hoje! Ela foi pra Brasília e agora tá aqui em Ierevan com a gente, nos acompanhando e abençoando de perto.

Neste ano, em que comemoramos 300 anos da aparição da imagem no Rio Paraíba do Sul, as igrejas do Brasil e também do mundo inteiro receberam imagens peregrinas de Nossa Senhora Aparecida, e eu fui abençoada com 3 encontros Marianos pelo mundo no ano do tricentenário!

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O primeiro encontro foi em Praga, na República Tcheca, quando fui rezar aos pés do Menino Jesus na Igreja de Nossa Senhora Vitoriosa (Chrám Panny Marie Vítezné). Foi lá que eu descobri que as imagens peregrinas estavam visitando paróquias de todo o mundo, e eu ainda sou incapaz de descrever a emoção de ter encontrado Minha Mãe Aparecida naquela igreja.

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O segundo encontro foi em Fátima, Portugal, onde a emoção já estava à flor da pele por poder visitar o Santuário de Fátima. Lá, no Santuário, está também em destaque uma imagem peregrina de Nossa Senhora Aparecida, neste ano Mariano em que comemoramos os 300 anos da Senhora de Aparecida e os 100 anos das aparições de Fátima. As emoções que experimentei no Santuário de Fátima transbordaram em mim – ou melhor, ainda transbordam.

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O terceiro encontro foi no Brasil, na paróquia onde eu cresci e desenvolvi minha espiritualidade: a Igreja de Nossa Senhora do Sagrado Coração – Santuário das Almas. Lá, num altar especial, estava a imagem peregrina da Mãe do Brasil, e, nas semanas em que estive por lá, participei da Novena junto com os outros paroquianos, continuando as orações aqui em Ierevan.

Nesta minha visita ao Brasil, não consegui ir de novo ao Santuário de Aparecida, mas aproveitei para comprar uma imagem nova de Nossa Senhora Aparecida, com o manto de tecido e bordado, e que agora está aqui em Ierevan com a gente.

Eu sou muito feliz por sentir o amor maternal de Nossa Senhora e por saber que ela intercede por mim junto à Deus, Nosso Senhor! Já que O MUNDO É A MINHA CASA, nada melhor do que ter a certeza de que eu tenho uma Mãe que me acompanha em todos os lugares! Afinal, nossos pais não podem estar com a gente o tempo todo, mas o Pai do Céu e a Mãe do Céu podem – e estão! São tantas as bênçãos e milagres operados na minha vida que eu preciso mesmo me colocar sempre de joelhos para agradecer e louvar ao Senhor Jesus. E, quanto mais eu agradeço, mais eu sinto a presença forte de Deus na minha vida, e as mãos intercessoras de Nossa Senhora me afagando a cada momento!

Nossa Senhora, com seu olhar meigo e sereno, manifesta a sua presença tenra e materna junto ao povo de Deus. Ela é a celestial cooperadora que nunca abandona os seus filhos! São trezentos anos desde que Nossa Senhora Aparecida saiu das redes para entrar no coração dos humildes, derramando bênçãos e graças sobre os seus filhos! Bendita seja a Senhora Aparecida, Mãe Morena, Mãe de todas as raças e culturas, Mãe do Redentor que se fez Homem para habitar entre nós!

Obrigada, querida Mãe Aparecida, por tanto!

Fátima, uma experiência de fé

Chegamos em Fátima cansados da viagem de trem, como já contei no post sobre Porto. Mas nenhum cansaço foi maior do que a nossa vontade de ir logo até o Santuário!

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Fizemos nosso check in no hotel Cova da Iria, que, na sua simplicidade, é fantástico. O quarto era bastante confortável, o banheiro era muito bom, e o café da manhã era delicioso! E o que falar da equipe do hotel?! Só temos elogios! Todos muito simpáticos e prestativos, já na nossa chegada nos indicaram que, para seguirmos viagem no dia seguinte, a melhor opção seria comprar bilhetes de ônibus na rodoviária de Fátima. O hotel fica muito pertinho da rodoviária, e, mesmo perdendo os bilhetes de trem que já tínhamos comprado, gastaríamos menos comprando as passagens de ônibus.

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Depois de nos acomodarmos no quarto e nos refrescarmos da viagem super cansativa de trem, saímos em direção ao Santuário, e eu tava quase desmaiando de fome. No caminho, paramos pra comer no Apollo Café, que tem um ambiente simpático. Comi um cachorro quente excelente e, o melhor de tudo, Guaraná Antártica! Meu pai comeu uma francesinha (sanduíche tradicional português) que ele disse que tava muito bom.

Devidamente abastecidos, chegamos até o Santuário, e eu sou incapaz de descrever o que eu senti desde o primeiro momento em que lá chegamos. Foi mais do que uma experiência de fé, foi mais do que uma visita a um lugar santo. Eu me senti verdadeiramente encontrando Nossa Senhora de Fátima, sentindo a presença da Mãe do Senhor naquela imagem que representa as suas aparições naquela terra.

Neste ano, em 13 de maio, completaram-se 100 anos desde a aparição de Nossa Senhora, e houve grande festa com presença do Papa Francisco. Infelizmente não pudemos estar presentes nesta ocasião, mas fomos um pouquinho atrasados, quase 2 meses depois. Mas, ainda assim, foi emocionante poder celebrar este centenário naquele lugar santo. E qual foi a minha surpresa em encontrar também lá, em comemoração aos 300 anos da Sua aparição, Nossa Senhora Aparecida!

Desde o momento em que lá chegamos, eu andei muito vagarosamente, porque eu era incapaz de fazer qualquer movimento mais brusco ou rápido. Eu queria absorver cada segundo daquele lugar, sentir a presença de Nossa Senhora ali, me sentir na presença dela e do Filho dela.

Na Igreja, participamos da missa e rezei no túmulo de Francisco e Jacinta. Rezei, rezei, rezei, e rezei mais um pouco. Saindo da Igreja, nós voltamos para próximo da capela da aparição, primeiro acendendo velas no velário normal e no eletrônico, e depois esperando para participar da oração do terço.

Se eu achava que já estava vivendo um dos dias mais especiais da minha vida, eu ainda tinha uma surpresa por vir. Quando o terço começou, a noite começou a chegar também, e o céu foi tomado de lindas cores, como uma pintura. A oração do terço no Santuário é absolutamente incrível, já que há sempre muitas nacionalidades reunidas, e cada mistério é rezado em uma língua. Naquele dia, além de brasileiros e portugueses, estavam lá irmãos italianos, húngaros, russos, franceses, poloneses, chineses, entre outros. Nessas horas, a fé sem fronteiras se torna palpável.

Depois do terço, teve início a procissão das velas, que acontece todos os dias entre a Páscoa e o Natal às 21h30 (entre o Natal e a Páscoa, somente aos domingos). A procissão das velas está, sem a menor dúvida, entre as 10 coisas mais bonitas que eu já testemunhei na minha vida. E que alegria tão grande não só poder testemunhar mas também participar! Toda aquela gente rezando junto, cantando junto, louvando junto, caminhando pelo Santuário honrando Nossa Mãe do Céu. É impossível não ficar emocionada só de lembrar.

Saímos do Santuário bem tarde, cansados e felizes. Meu coração transbordava e ainda transborda só de pensar em tudo o que vivi naquele fim de tarde!

No dia seguinte, segunda feira, acordamos cedo, aproveitamos o delicioso café da manhã do hotel (quem comi um monte de pastel de nata levanta a mão!) e fomos pro Santuário mais uma vez. É claro que eu não ia perder a oportunidade de ir a mais uma missa!

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Depois da missa, fomos até a rodoviária e compramos nossos bilhetes de ônibus para irmos para Lisboa, que seria nosso último destino em Portugal. Os ônibus entre Lisboa e Fátima saem a cada 30 minutos. As três passagens custaram 31 euros, e nós agendamos pro horário das 14h30, tendo sido informados de que, caso chegássemos mais cedo na rodoviária e quiséssemos adiantar a viagem, poderíamos, desde que tivesse vaga no ônibus.

Com as passagens compradas, fui em busca das lembrancinhas e imagens de Nossa Senhora. Eu pensava que, como no Santuário de Aparecida do Norte, encontraria uma lojinha no Santuário de Fátima, mas não. No Santuário mesmo, não há souvenires à venda, mas há muitas, muitas, muitas lojinhas com imagens de todos os tamanhos e preços, terços de todos os tipos, etc. Comprei muitos tercinhos pra usar nas minhas bolsas, uma Nossa Senhora de Fátima pra ficar na sala aqui de casa, e uma outra com os três pastorinhos juntos e que tá aqui no meu escritório, me acompanhando em tudo o que eu escrevo.

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Voltamos pro hotel pra terminarmos de ajeitar as coisas, fizemos nosso check out e fomos almoçar no restaurante Polo Norte, que fica muito muito pertinho do hotel Cova da Iria. Gente, que bacalhau delicioso! Foi o melhor bacalhau que comemos em Portugal. Depois de me fartar no almoço, pegamos nossa bagagem no hotel e fomos andando pra rodoviária. Mesmo com as malas, não demoramos nem 10 minutos. Então, chegando na rodoviária, pedimos pra adiantar o ônibus. Tivemos muita sorte porque o ônibus de 13h15 ainda tinha exatamente 3 lugares vazios!

O ônibus que faz este percurso é bem confortável, e a viagem é super rápida: 1h30. A rodoviária de Lisboa fica pertinho do zoológico da cidade, e conseguimos ir rapidinho pro nosso hotel.

Eu quero MUITO voltar a Fátima, e de preferência em breve. Se eu puder escolher, vou querer ficar 2 noites na cidade, pra poder aproveitar com mais calma e passar um dia inteirinho lá no Santuário, louvando Nossa Senhora e agradecendo à minha Mãezinha do Céu por ela ser minha intercessora junto à Jesus!!

Khachkars, as cruzes de pedra da Armênia

No primeiro post sobre cultura e história da Armênia, mencionei as Khachkars – as cruzes de pedra da Armênia, que receberam atenção numa matéria bacana da edição de verão da revista Armenia Tourism Magazine (nº18). Elas são tão interessantes que merecem de fato que nós saibamos um pouco mais sobre esta forma de arte!

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Acredita-se que os protótipos das khachkars eram vishaps, criaturas mitológicas, deidades e espíritos da água que, desde os tempos antigos, eram cravadas em pedra sólida. A altura das vishaps eram de 5 metros de altura, segundo os arqueólogos que as descobriram. Entre as imagens esculpidas, encontram-se peixes, pássaros, e outros animais. Depois, o significado das vishaps foi transformado e associado à dragões. A palavra vishap significa dragão. No livro “The Art of Armenia”, de Nonna Stepanyan, descreve-se como, ao longo do tempo, as vishaps foram gradualmente substituídas por monumentos de pedra refletindo a iconografia Cristã. Mais tarde, adotou-se a forma de lápides, que se tornaram a base para criar uma nova forma decorativa, as khachkars.

Em 301, os armênios adotaram oficialmente o Cristianismo, que se tornou a religião do Estado. Isso foi não só um importante evento para a vida espiritual do povo armênio, mas também um prenúncio da identidade escultural. O verdadeiro desenvolvimento e distribuição das khachkars aconteceu muitos séculos depois, quando finalmente tomaram sua forma única. As khachkars se tornaram um símbolo da fé Cristã, um modo de evidenciar o pertencimento dos habitantes ao novo mundo Cristão.

Cada khachkar, feita à mão por talentosos artistas, é única: nenhuma é igual a outra, ainda que todas elas obedeçam a um estilo.

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Desde os tempos antigos, as khachkars não apenas decoraram cemitérios, mas também passaram a ser esculpidas em honra à construção das catedrais e igrejas, construção de novas vilas e em outras ocasiões especiais. Os lugares onde as khachkars são colocadas são considerados santos. Muitas khachkars foram preservadas em antigos cemitérios armênios, onde podem ser admiradas tanto por residentes da Armênia quanto por turistas interessados na cultura do país.

Em muitos aspectos, devido à distribuição das khachkars, a Armênia é, por muitas vezes, considerada um museu a céu aberto, por conta das muitas cruzes de pedra que podem ser encontradas não só em lugares importantes mas também por diversos lugares nas cidades.

A estrutura clássica das khachkars é um bloco de pedra monolítico, com uma cruz esculpida no meio, geralmente a partir de um círculo de galhos ou flores. As imagens ornamentais se ondulam em torno da cruz, por muitas vezes com romãs e videiras, que são os símbolos principais da arte decorativa da Armênia.

O Museu Estatal de História da Armênia, na Praça da República, tem vários exemplares de khachkars expostas. Nelas, pode-se observar a história das khachkars e a evolução das suas formas desde que começaram a ser esculpidas até os dias atuais. Se, nos tempos antigos, os padrões circundavam a cruz, mais tarde as khachkars passaram a se parecer cada vez mais com uma renda feita na pedra, nas quais a cruz se integra perfeitamente ao ornamento. Mais tarde, no lugar das cruzes, começaram também a esculpir letras do alfabeto armênio.

Tradicionalmente, a khachkar é feita de tuff, uma pedra densa, formada de produtos sólidos de erupções vulcânicas, que depois são compactadas e cimentadas. De acordo com Varazdat Hambardzumyan, um grande escultor de Yerevan, é impossível imaginar uma oração armênia em frente à mármore ou granito. Há muitos séculos, as cruzes armênias são feitas de pedra tuff, e os armênios acreditam que esta pedra vulcânica pode absorver todas as coisas negativas como, por exemplo, doenças, das mãos do seu escultor ou de alguém que a tenha tocado.

A pedra tuff é encontrada em diversas cores. Para criar os padrões, os escultores primeiro desenham e depois esculpem a pedra com ferramentas específicas. O polimento das khachkars, quando estão quase prontas, é gentilmente chamado de massagem pelos artistas armênios.

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As khachkars ainda retém sua característica artística principal: apresentar a beleza da pedra. É graças a este princípio que algumas pedras parecem pequenos pedaços de paredes esculpidas, que por vezes são montadas em blocos únicos, tornando-se elementos decorativos da fachada como, por exemplo, em catedrais. As khachkars são um fenômeno original da memória escultural armênia.

Vou terminar este post com um fun fact: quando o marido estava trabalhando no Zimbábue, um armênio que trabalhava com ele deu de presente pra ele uma Khachkars e uma garrafa de conhaque Ararat! Infelizmente a cruz não foi adequadamente transportada entre o Zimbábue e o Brasil e, ao chegar em Brasília, estava absolutamente danificada. Mas o que eu acho mais bacana nesta história toda é que isso aconteceu em 2013, e a gente não fazia ideia de que viríamos morar na Armênia!

 

Missa de Páscoa em Etchmiadzin

Nosso domingo de Páscoa foi muito especial: participamos da Missa na Catedral de Etchmiadzin, que é a igreja mãe da Igreja Católica Armênia, e é considerada a igreja mais antiga do mundo!

IMG_2726A igreja original foi construída no começo do Século IV pelo patrono da Armênia, São Gregório o Iluminador, em seguida da adoção do Cristianismo como religião do Estado pelo Rei Tirídates III, substituindo um templo pré-existente, simbolizando a conversão do paganismo para o Cristianismo. O centro do atual prédio foi construído em 483/4 por Vahan Mamikonian depois que a catedral foi severamente danificada pela invasão Persa. Desde a sua fundação até a segunda metade do Século V, Etchmiadzin foi a sede dos Catholicos, a suprema liderança da Igreja Armênia.

IMG_2727Ainda que jamais tenha perdido sua importância, a catedral passou por séculos de negligência, sendo restaurada em 1441. Desde então, a Santa Catedral de Etchmiadzin é a sede administrativa da Igreja Armênia, e foi listada pela UNESCO como Patrimônio Histórico da Humanidade no ano 2000.

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A missa solene, com duração de mais de 2h, foi celebrada pelo Patriarca Karekin II, e, embora eu não entenda a língua armênia, meu coração entendeu tudo o que a fé transmite. Foi emocionante e inesquecível, tornando a nossa primeira Páscoa fora do Brasil super especial!

Ainda precisamos voltar a Etchmiadzin para conhecer tudo com calma, já que o propósito da nossa visita no Domingo de Páscoa não era turístico, mas não poderia deixar de registrar aqui um dia tão especial.