Հայոցգրեր, o alfabeto armênio

O alfabeto armênio (em armênio: Հայոցգրեր) é o sistema de escrita usado para escrever a língua armênia. O alfabeto armênio como se conhece hoje foi desenvolvido por volta de 405 d.C. por Mesrop Mashtots, linguista armênio e líder eclesiástico. A palavra armênia para “alfabeto” é “այբուբեն” (lê-se: aybooben), criada a partir das duas primeiras letras do alfabeto armênio: “Ա” e “Բ”. A língua armênia é escrita horizontalmente, da esquerda para a direita.

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Uma das principais histórias sobre a existência de um alfabeto armênio antes do desenvolvimento do linguista Mashtots vem de Fílon de Alexandria (20 a.C. – 50 d.C.), que, nos seus registros, nota que o trabalho do filósofo e historiador grego Metrodorus de Scepsis (145 a.C. – 70 a.C.), “Sobre os Animais”, foi traduzido para o armênio. Metrodorus foi um amigo próximo e historiador da corte do Imperador Tigranes o Grande, e também escreveu a sua biografia. Outro teólogo romano do século III, Hippolytus de Roma (170-235 d.C.), em sua obra “Crônica”, menciona que os armênios estão entre as nações que tinham seu próprio alfabeto distinto ao escrever sobre a sua contemporaneidade. Filóstrato o Ateniense, filósofo sofista dos séculos II e III, escreveu sobre inscrições no alfabeto armênio.

De acordo com Movses Khorenatsi, historiador armênio do século V, Bardesanes de Edessa (154-222 d.C.), que fundou a corrente gnóstica dos Bardaisanites, foi até o castelo armênio de Ani e, lá, leu o trabalho de Voghyump, um sacerdote armênio pré-cristão, registrado no manuscrito de Mithraic dos templos armênios nos quais, entre outras histórias, notava-se o episódio do Rei Armênio Tigranes VII (que reinou entre 144-161 d.C. e novamente entre 164-188 d.C.) erguendo um monumento na tumba do seu irmão, o Alto Sacerdote Mithraic do Reino da Grande Armênia, Mazhan. Khorenatsi notou que Bardesanes traduziu este livro armênio para o aramaico, e depois para o grego. Outra importante evidência da existência de um alfabeto armênio antes de Mashtots é o fato de que o panteão pagão armênio incluiu Tir, o deus da Escrita e da Ciência.

Vardan Areveltsi, historiador armênio do século XIII, notou que, durante o reinado do Rei Armênio Leo o Magnífico (entre 1187 e 1219), foram encontrados artefatos com inscrições em armênio sobre os deuses pagãos antigos. A evidência de que os acadêmicos armênios da Idade Média sabiam da existência de um alfabeto pré-Mashtotsiano também pode ser encontrada em outros trabalhos medievais, incluindo o primeiro livro escrito com o alfabeto Mashtotsiano pelo pupilo de Mashtots, Koriwn, na primeira metade do século V. Koriwn revela que Mashtots foi instruído sobre a existência de letras armênias antigas, que ele inicialmente tentava integrar ao seu próprio alfabeto.

O alfabeto armênio foi introduzido por Mersrop Mashtots e Isaac da Armênia (Sahak Partev) em 405 d.C. As fontes armênias medievais também alegam que Mashtots inventou os alfabetos georgiano e caucasiano-albaniano na mesma época. Entretanto, a maioria dos acadêmicos relaciona a criação dos manuscritos georgianos ao processo de cristianização da Ibéria, centro do reino georgiano de Kartli. O alfabeto foi, portanto, muito provavelmente criado entre a conversão da Ibéria sob o Rei Mirian III e as inscrições Bir el Qutt de 430 d.C., contemporaneamente ao alfabeto armênio. Tradicionalmente, acredita-se que a primeira frase a ter sido escrita em armênio por Mashtots seja “Para se conhecer a sabedoria e a instrução; para se entenderem as palavras da prudência” (Provérbios 1, 2).

Muitos manuscritos foram creditados como protótipos do alfabeto armênio. Pahlavi era o manuscrito sacerdotal em armênio antes da introdução do cristianismo, e siríaco, junto do grego, foi um dos alfabetos da Escritura Cristã. O armênio mostra algumas similaridades com estes alfabetos, mas o consenso geral é de que o alfabeto armênio foi modelado de acordo com o alfabeto grego, suplementado com letras de diferentes fontes para sons armênios que não são encontrados no grego. Algumas evidências sustentam este argumento: a ordem do alfabeto armênio, o conector ow para a vogal u, e as formas de algumas letras que parecem derivar das letras cursivas gregas.

Existem quatro principais caligrafias dos manuscritos. Erkatagir, ou “letras de ferro”, são como as letras originais de Mashtots, usadas nos manuscritos entre os séculos V e XIII, e ainda escolhidas para inscrições epigráficas. Bolrgir, ou “cursiva”, que foi inventada no século X, ficou popular no século XIII, e tem sido a impressão padrão desde o século XVI. Notrgir, ou “minúscula”, inventada inicialmente para ter mais agilidade, foi extensivamente usada pela diáspora armênia nos séculos XVI e XVIII, e depois se tornou popular nas impressões. Sheghagir, ou “escrita inclinada”, é, agora, a forma mais comum.

O exemplo mais antigo sobre o uso do alfabeto armênio foi uma dedicatória inscrita sobre a porta oeste da Igreja de São Sarkis em Tekor, datada 480 d.C. O exemplo vivo mais antigo desses manuscritos fora da Armênia é uma inscrição num mosaico da metade do século XI numa capela em Jerusalém. Agora na Biblioteque Nationale de France, um papiro descoberto em 1892 em Fayyum, contendo palavras gregas escritas com letras armênias foi datado, em termos históricos, para um período anterior a conquista do Egito – ou seja, antes de 640 d.C. – e em termos paleográficos ao século VI. Os mais antigos manuscritos com letras armênias na língua armênia datam dos séculos VII/VIII.

Algumas mudanças na língua não foram refletidas imediatamente na ortografia. O dígrafo աւ(au) seguido por uma consoante era pronunciado como “au” no armênio clássico mas, por conta de uma mudança de sons, passou a ser pronunciado como “o”, e tem sido escrito como “o” desde o século XIII. Por exemplo, a palavra“աւր” (lê-se “awr” e significa “dia”) passou a ser pronunciada “or” e agora é escrita “օր”. Por essa razão, hoje, há palavras armênias nativas que começam com a letra “o” embora esta letra tenha sido adaptada do alfabeto grego para escrever palavras estrangeiras que começavam com “o”.

O número e ordem das letras foram modificados com o tempo. Na Idade Média, duas novas letras (օ [o], ֆ [f])foram introduzidas para melhor representar sons estrangeiros, o que aumentou o número de letras de 36 para 38. Entre 1922 e 1924, a Armênia Soviética adotou uma reforma ortográfica da língua armênia: a reforma transformou o dígrafo “ու” e o conector “և” em duas novas letras. Aqueles fora da esfera soviética (incluindo os armênios ocidentais e os armênios orientais do Irã) rejeitaram as reformas ortográficas, e continuam usando a ortografia tradicional armênia, enquanto criticam alguns aspectos das reformas e alegam motivações políticas por trás delas.

O alfabeto armênio é celebrado em Yerevan na avenida Mesrop Mashtots, que homenageia o linguista armênio, e que também abriga o Mesrop Mashtots Institute of Ancient Manuscripts, também conhecido como Matenadaran.

Quem foi Aram Manukyan?

Na tarde do dia 17 de julho de 2018, uma nova estátua foi inaugurada em Yerevan, com a presença do Primeiro Ministro Nikol Pashinyan, do Presidente da Armênia Armen Sarkissian, e do Patriarca da Igreja Armênia Garegin II (Catholicos of the Armenian Church). A homenagem a Aram Manukyan fica na saída da estação de metrô da Praça da República, na esquina da rua Aram, o que despertou a minha curiosidade em descobrir um pouquinho mais sobre este importante político armênio.

Aram Manukyan (19 março 1879 – 29 janeiro 1919) foi um político armênio revolucionário, membro líder do partido nacionalista Federação Revolucionária Armênia (Dashnaktsutyun). Ele é conhecido como o fundador da Primeira República da Armênia, há 100 anos.

Nos primeiros meses da Primeira Guerra Mundial, Manukyan trabalhou junto aos oficiais Otomanos em Van, uma das maiores cidades da Turquia, para diminuir as crescentes tensões até a metade de abril de 1915, quando as forças turcas sitiaram a cidade. Aram Manukyan então conduziu a auto-defesa civil de Van e, como resultado dessa empreitada, milhares de pessoas não foram deportadas nem massacradas pelo governo turco durante o genocídio armênio.

Depois da Revolução Russa e o colapso do fronte do Cáucaso em 1917-18, Aram Manukyan foi um “ditador popular” da área não-conquistada em torno da cidade de Yerevan. Em maio de 1918, ele organizou a defesa contra o avanço do exército turco, que foi efetivamente contido na Batalha de Sardarabad, prevenindo a destruição completa da nação armênia. Manukyan desempenhou um papel importante no estabelecimento da Primeira República da Armênia, e atuou como Primeiro Ministro dos Assuntos Internos. Ele morreu de febre tifóide em janeiro de 1919.

Aram Manukyan foi um advogado da autoconfiança. Ele era conhecido pela sua habilidade em unir diferentes setores da sociedade por uma causa comum. Ele é considerado por muitos acadêmicos como o fundador da Primeira República da Armênia. Durante o período soviético, ele e outros proeminentes partidários foram negligenciados. Desde 1990, tem sido feitas muitas tentativas de reviver sua memória na Armênia independente, e a inauguração desta belíssima estátua faz parte destes esforços.

A estátua foi idealizada por David Minasyan, e mostra Aram Manukyan, feito de pedra (como a maioria das estátuas e monumentos de Yerevan), envolto na bandeira da Armênia, feita em mármore.

1 ano na Armênia!

Na noite de 25 de janeiro de 2017, chegamos em Yerevan com as malas cheias das nossas coisas e expectativas. 365 dias se passaram, mas parece que foi ontem!

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a 1ª foto que eu tirei de Yerevan, na manhã do dia 26/01/2017

Honestamente, não tínhamos muita ideia do que iríamos encontrar por aqui. Tínhamos expectativas, mas não fazíamos ideia de como tudo o que esperávamos seria superado! Se eu sabia muito pouco sobre a Armênia quando chegamos, hoje já me sinto um pouco mais íntima de tanta cultura e história que este país guarda.

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“1” bem comemorativo!

Esse tempo morando na Armênia me possibilitou reencontrar uma paz interior que há muito eu tinha perdido. Uma calma me invadiu, talvez porque o ritmo da cidade seja menos acelerado, talvez porque eu tenha me permitido um ritmo menos acelerado pra minha rotina. Graças a Deus, as minhas crises de ansiedade ficaram no passado. Consegui redirecionar meu foco para as coisas realmente importantes, e me dedicar à atividades que eu amo realizar. Descobri talentos nunca antes desenvolvidos, e me vi colocando em prática projetos com os quais eu nem nunca sonhei ou que eu jamais imaginei possíveis. Viajamos muito, e já temos muitas boas histórias, mas ainda temos muita Armênia pra desvendar. Ainda bem que temos tempo pra isso!

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Armênia na mão e pra sempre no coração!

Me apaixonei – e continuo me apaixonando – diariamente por Yerevan, pela culinária armênia e pelo povo simpático e sorridente. Por mais que seja difícil construir laços duradouros quando temos um limite de tempo estabelecido pra morar em cada país, contado a partir do primeiro momento, fiz algumas amizades que me ensinaram muitas coisas – entre elas, algumas palavras em armênio, esse idioma dificílimo!

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por onde for, quero ser seu par!

E, se é difícil construir laços duradouros em países que são a nossa casa temporariamente, os nossos laços ficam cada vez mais profundos. Marido, obrigada por ser o melhor companheiro de vida e de aventuras que eu poderia ter. Desde o primeiro dia, muito mais do que me incentivar, você me dá coragem para seguir sempre em frente. Compartilhar sonhos e ideais com o meu melhor amigo, numa relação de cumplicidade que transcende o que palavras poderiam descrever, faz o meu coração transbordar de alegria. De mãos dadas com você, vou até o fim do mundo, ao infinito e além. O mundo é a nossa casa e todo o meu amor é seu.

Agradecer, agradecer, agradecer. Senhor Deus, receba toda a minha gratidão por ter providenciado coisas tão maravilhosas para nós neste tempo em que estamos morando por aqui. Acordo e vou dormir feliz e tranquila todos os dias, e é graças às muitas bençãos que o Pai do Céu tem derramado sobre nós, pela intercessão da Santíssima Virgem Maria. Que o próximo ano seja tão maravilhoso quanto este que passou!

Por que os armênios celebram o Natal em janeiro?

Desde que cheguei na Armênia, o aprendizado tem sido diário, e me surpreendo constantemente com a cultura local e as bases sólidas por trás de tudo o que há de tradicional no país. E não poderia ser diferente quanto ao Natal que, na Armênia,  é celebrado no dia 6 de janeiro!

É claro que a curiosidade surge: se a Armênia observa o calendário gregoriano, por que os armênios comemoram o Natal no dia 6 de janeiro?

Os armênios constituem um povo de muita fé, com algumas peculiaridades e diferenças em relação à Igreja Católica Apostólica Romana. Para a Igreja Apostólica Armênia, a escolha do dia 6 de janeiro para celebrar o nascimento de Cristo está pautada na argumentação de que não se sabe ao certo qual o dia Jesus nasceu e que, de acordo com as tradições muito antigas da igreja, vários eventos aconteciam para comemorar a Incarnação de Deus. Estas festas não eram chamadas de Natal, e sim de Teofania, que significa “revelação de Deus”.

No calendário Gregoriano, há 2 datas que observam e celebram o nascimento de Cristo: 25 de dezembro e 6 de janeiro. No antigo calendário Juliano, estas datas equivalem aos dias 7 e 19 de janeiro. O dia 25 de dezembro do calendário Gregoriano é o dia 7 de janeiro do calendário Juliano, e o dia 6 de janeiro do calendário Gregoriano é o dia 19 de janeiro do calendário Juliano. De todo modo, a Epifania do Batismo de Jesus é celebrada 12 dias após o Natal, período dedicado pela Igreja ao aprofundamento, contemplação e assimilação do Mistério da Encarnação do Filho de Deus.

Os armênios observam o calendário Gregoriano, exceto aqueles que moram em Jerusalém. Celebrar o Natal no dia 6 de janeiro é uma opção da Igreja Armênia que comemora tanto o nascimento quanto o batismo de Jesus no mesmo dia, quando todos os principais eventos relacionados à Teofania são relembrados, desde a revelação de Jesus como o Filho de Deus, o Verbo Encarnado, o Príncipe da Paz e Rei dos Céus. Portanto, esta celebração abrange desde a Natividade de Cristo em Belém, a visita e a visão dos Reis Magos que foram testemunhar o nascimento de Cristo como revelação Divina, a narrativa da infância de Jesus (a fuga para o Egito, a apresentação no Templo, a circuncisão de Cristo) e a Epifania ou o Batismo no Rio Jordão, onde é inaugurada a redenção do Povo de Deus pela abertura dos céus, a revelação de Deus por meio do Espírito Santo na forma de uma pomba, e a Voz de Deus Pai proclamando que Aquele era o Seu Filho muito amado.

A Teofania (ou Epifania) era celebrada em 6 de janeiro até o século V, quando o Concílio de Calcedônia (451 d.C.) declarou formalmente que o dia 25 de dezembro comemoraria o nascimento de Jesus Cristo, separando a natividade do batismo pelos 12 dias de Natal. A Igreja, sob a liderança do Papa Libério, marcou, desde o século IV, o “Dies Natalis” ou “Natalis Domini” no dia 25 de dezembro.

Embora sejam muitas as teorias sobre os motivos para os 4 Concílios Ecumênicos de Niceia, Éfeso, Calcedônia e Constantinopla terem decidido mudar a celebração da Natividade para o dia 25 de dezembro, acredita-se em geral que a data foi modificada para suprimir as festas e práticas pagãs que celebravam o solstício de inverno, porque, naquele tempo, os cristãos também observavam as festas pagãs. Os pagãos chamavam esta celebração do solstício de inverno de Saturnália, honrando o deus pagão Saturno, com uma festa que durava desde o dia 17 de dezembro até o dia 25, cultivando com o nascimento do sol invencível (Dies natalis invicti solis), na medida em que os dias começavam a ficar mais longos, porque, entre os pagãos, acreditava-se que o sol que morria durante o solstício de inverno renascia em seguida. A Igreja Católica quis ressaltar que a verdadeira luz que ilumina a humanidade é Cristo, e é a celebração do Seu nascimento é a solenidade própria que afirma a fé autêntica no mistério da Encarnação do Verbo, afastando os fiéis da prática de festas idolátricas.

Uma vez que a data da Epifania ou Batismo era mais antiga, e tinha importância litúrgica primordial, não podia-se modificá-la, ao passo que uma adição da data para celebrar exclusivamente a Natividade poderia ser feita sem grandes problemas. A origem da palavra Natal também é discutida, e há quem acredite que a palavra derivou da tradição pagã de celebrar o “Noio hel“, que significa Novo Sol. A árvore, que antes era adorada como símbolo de vida, passou a ser associada também à celebração cristã.

Entretanto, na Armênia, cujo Cristianismo tem origem nos antigos Apóstolos, não se adotou esta mudança pelo simples fato de que não mais existiam tais práticas pagãs na Armênia no século V, o que permitia que eles se mantivessem fiéis às tradições dos seus antepassados.

É por isso que, até hoje, os armênios celebram a Natividade no dia 6 de janeiro, junto da Epifania. Segundo a tradição, há uma benção das águas, com a imersão de uma cruz na água como sinal do Mistério Salvífico de Deus por meio da vida de Cristo, do útero à tumba. A água benta é, então, oferecida a todos como sinal da manifestação Divina nas águas gloriosas do rio Jordão, o local onde Jesus Cristo foi revelado como Salvador da Humanidade, trazendo nova vida para todos que n’Ele creem.

*este meu texto foi originalmente publicado no blog Brasileiras pelo Mundo.

Mercado de Natal em Ierevan

Como em muitas outras cidades européias, Ierevan também tem seu mercado de Natal!

Organizado em plena Northern Avenue, o mercado de Natal de Ierevan oferece muitos artigos festivos e também quitutes deliciosos para aquecer os corações e estômagos de todos os que celebram o Natal e o Ano Novo!

Além da decoração de Natal linda que tem tomado conta da cidade, a Northern Avenue abriga diversos stands, entre eles alguns dos cafés locais com opções especiais para a época festiva.

O calendário de festas cristãs aqui na Armênia é um pouco diferente, e o Natal é celebrado por aqui no dia 6 de janeiro! Na verdade, as celebrações começam no dia 31 de dezembro, com o ano novo, e terminam no dia 6 de janeiro com o Natal, totalizando 7 dias de celebrações. Confesso que estou ansiosa pra viver tudo isso pela primeira vez!

Armênia entre os 10 países para visitar em 2018

Chegamos em Ierevan na segunda feira e já tivemos uma excelente notícia sobre este país que tem sido a nossa casa neste ano: os especialistas da Fodor’s, agência de publicações turísticas, incluíram a Armênia entre os 10 países mais interessantes para se visitar em 2018!

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Mãe da Armênia no Parque da Vitória: um dos meus lugares favoritos em Ierevan!

No artigo, lê-se que o pequeno país do Cáucaso é enorme em riqueza histórica e cultural, além de muito hospitaleiro, destacando as montanhas e os vales férteis da Armênia, bem  como os muitos mosteiros e vilas tradicionais. E, é claro, a culinária armênia também foi mencionada, com o devido destaque para os churrascos armênios e a dolma (que, como vocês já sabem, é um dos meus pratos favoritos!).

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Noravank, um dos antigos mosteiros da Armênia

Além disso, o artigo indica que, apesar de seus quase 3000 anos, a capital Ierevan tem uma energia jovem, recheada de bons cafés, wine bars, lojas e restaurantes. Os especialistas da Fodor’s notam que as melhores épocas para visitar a Armênia são a primavera e o outono, períodos nos quais há muitos festivais a céu aberto – e, devo adicionar, as temperaturas são mais agradáveis!

Ocupando a 7ª posição na lista que contempla 52 destinos, há muito o que se ver na Armênia, como vocês tem podido acompanhar aqui no blog! Desde que chegamos aqui, vivemos muitas experiências incríveis, mas ainda não desfrutamos nem da metade do que esse pequeno grande país tem a oferecer. Que venha um ano novo de muitas aventuras!

Moda tradicional Georgiana

A Geórgia, país vizinho da Armênia, também tem uma cultura riquíssima (e uma culinária deliciosa!). Embora ainda não tenhamos visitado o país, a proximidade entre eles nos permite conhecer bastante da cultura georgiana mesmo do lado de cá da fronteira. E foi um pouquinho disso que aconteceu dia desses, quando fomos a uma exibição de roupas tradicionais georgianas, organizado pela Embaixada da Geórgia na Armênia.

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Na exibição, pude aprender um pouquinho mais sobre os trajes tradicionais georgianos, de acordo com as regiões históricas do país.

Mtskheta-Mitianeti

As roupas femininas eram relativamente lisas, com predominância da cor preta, e o tecido tingido naturalmente. O padrão de costura dos vestidos era em formato de túnica, com a frente decorada com longas peças prateadas, e o conjunto das roupas femininas era inimaginável sem acessórios prateados. Na cabeça, um lenço duplo de lã; para sobreposição, uma capa quente com mangas falsas; nos pés, meias listradas de lã.

As roupas masculinas, por sua vez, consistiam de uma blusa (juba) e um casaco, que parece uma túnica do Cáucaso. A vestimenta é decorada com bordados. Tecidos coloridos, com apliques, listras e cruzes. No inverno, os pachiches eram usados para aquecer e proteger os joelhos, costurados com lã e decorados com bordados. Na cabeça, um chapéu de pele de ovelhas, típico dos pastores.

Os criadores deste tipo de roupa tentaram fazê-las de uma maneira prática, bonita e que refletisse o seu espírito de mundo e a natureza que os cercava.

Kakheti

As roupas da região de Kakheti, tradicionalmente de viticultura e vinícolas, é caracterizada principalmente pelas saias masculinas relativamente curtas, ajustada logo abaixo da cintura, e presas por um cinto. Na cabeça, um pequeno chapéu preto. Era a roupa dos habitantes de uma região fazendeira, adequada para os trabalhos na vinícola.

Samtskhe-Javakheti

As roupas tradicionais são inspiradas nos retratos seculares preservados nas pinturas medievais Georgianas, com pedaços característicos de plásticos, e as roupas da corte real da Geórgia, principalmente da Rainha Tamar, registrada em afrescos.

Achara

A silhueta dos vestidos femininos é simples, ajustada ao corpo, marcando a cintura, com uma ampla saia, e frente triangular. A estampa do vestido é tipicamente Georgiana, mas abaixo da cintura é enrolado decorativamente de modo efetivo, amarrado na cintura com uma longa corda multicolorida. Na cabeça, o bashlyk (qabalakhi) é usado amarrado em torno da cabeça. Este tipo de adereço é usado pelos homens nas regiões de Achara e Guria.

Guria

Os homens usavam, em geral, a chakura, uma túnica curta, e calças com um amplo gancho, e peças especiais para os joelhos costurados nesta altura. A estampa tradicional é parecida com as roupas tradicionais dos homens na região de Achara. As roupas eram costuradas a partir de lã, linho ou veludo. Estas roupas eram sempre usadas com um bakhlyk, decorado com outro e prata.

Samegrelo-Zemo Svaneti

As roupas das mulheres de Megrelian consistiam de duas partes: um colete curto de veludo, com longas mangas falsas e fechos prateados (chaprastes) eram usados com uma longa saia, com mais tecido na parte de trás. Nas cabeças, em geral usavam apenas um véu, livremente colocado sobre a cabeça.

Kvemo Kartli

A chokha também era muito usada nessa região, e pode ser considerada a sucessora dos vestidos masculinos. Na Geórgia, existem variedades de chokhas, diferenciadas de acordo com as regiões, seus comprimentos, número de lapelas, formato das mangas, bolsos de pólvora decorativos, etc. O material das chokhas é a lã, geralmente nas cores preta, terra, azul, ou outros tons escuros. Em Kartli, a chokha era costurada com uma estampa mais festiva. Era usada com o cinto de couro, decorado com prata, e atributos necessários como espada ou adaga.

Os vestidos femininos tinham uma frente lisa que, para ocasiões festivas ou casamentos, eram ajustados na cintura e decorados com bordados ou pedras preciosas. A principal decoração do vestido é o cinto. Uma jaqueta curta, feita basicamente de veludo, com mangas falsas, era por vezes usada sobre o vestido. Um dos principais elementos dos vestidos femininos era a chikhiti-kopi, uma peça usada na cabeça como uma faixa, geralmente feita de veludo e brocados. Acima desta feita, usava-se um lenço ou véu, comumente feito de seda ou outro tecido fino.

Imereti

Um grande casaco chokha era o tipo de roupa mais comumente usado em todo o Cáucaso. Tornou-se uma roupa secular no século 17. Na Geórgia Ocidental, as chokhas eram mais compridas, usadas com um cinto prateado ou de couro para ajustada-las. Alguns acessórios necessários para o casaco eram bolsos para cartuchos, que, antigamente, eram usados para armazenar pólvora e, posteriormente, se tornaram apenas adereço decorativo das chokhas. Por baixo das chokhas, usava-se uma túnica com botões e ajustada ao corpo.

Shida Kartli 

Diversas peças compunham os trajes femininos. Uma saia e uma jaqueta longa e com mangas falsas; as mãos eram cobertas com um fino tecido transparente; nas cabeças, um chapéu alto, decorado com bordados, e um véu ou um longo pedaço de seda ou cetim, decorado com pedras aplicadas ou bordados. Acessórios de prata eram sempre usados com esse tipo de roupa na região.

 

 

 

 

Mais restaurantes de Ierevan!

Tem bastante tempo que não rola um post gastronômico de Ierevan por aqui, né? O último post sobre nossas descobertas gastronômicas da cidade foi em maio!! Acontece que, depois de 9 meses(!) morando por aqui, nós já elegemos os nossos favoritos e acaba rolando uma preguicinha de visitar lugares novos (#sinceridades).

Mas, quando conseguimos vencer essa preguiça, sair da zona de conforto e explorar cafés e restaurantes que ainda não tínhamos visitado, somos constantemente surpreendidos!

  • Avenue by L’Orange

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Nós descobrimos esse restaurante ainda em maio, e ele rapidamente se tornou um dos nossos favoritos – principalmente pra comida japonesa! Com 2 andares bem espaçosos no ambiente interno, nós aproveitamos bastante a varanda na primavera e no verão – e também na nossa última visita semana passada. Agora que esfriou (hoje os termômetros chegaram a marcar -1ºC!!), certamente desfrutaremos das instalações internas do restaurante. No menu, uma diversidade de pratos como massas, carnes de porco, saladas, entre outros. Mas, como eu já falei, eu gosto mesmo é da comida japonesa de lá! Eles tem um sushi bar muito bom (principalmente pros padrões de Ierevan), e acho que o meu prato favorito são os rolls cobertos de caviar (esqueci de anotar o nome! Mas prometo fazer o update na próxima visita!). A comida japonesa sempre vem servida em cima do gelo seco, que não só ajuda a conservar a comida mas também dá um efeito muito bacana e eu sempre fico encantada hehehehehe

  • Rossini

O restaurante anexo ao Grand Hotel Yerevan, na praça Charles Aznavour, oferece um cardápio sucinto de delícias italianas. Mas, pra mim, o destaque ficou por conta do café expresso acompanhado de petit fours diversos. É um dos restaurantes mais chiques da cidade, portanto, não é tão baratinho quanto a média.

  • Tsirani Home Restaurant

Comida armênia da melhor qualidade num ambiente super aconchegante, que parece mesmo a casa da gente. A gente tentou umas 3 vezes ir nesse restaurante, e sempre tava lotado! Até que um belo dia conseguimos chegar bem cedo pro almoço, e ainda estava bem vazio, então finalmente conseguimos degustar alguns dos pratos servidos por eles! Felipe comeu o frango tabaka, que já é um dos nossos favoritos, e eu comi um churrasco de cordeiro acompanhado de batatas. Depois, pakhlava de sobremesa, pra fechar com chave de ouro!

  • Santa  Fé

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Eu fui 2 vezes ao Santa Fé nesse verão, e minha experiência por lá é meio duvidosa. Embora o ambiente seja dos mais agradáveis da cidade pro verão, minha mãe teve infecção alimentar ao comer o croque madame de lá. Nesse mesmo dia, eu comi o mil folhas, e estava espetacular. No outro dia em que voltei lá, fui com o Felipe e nossos amigos Ana e Ricardo que estavam nos visitando, e degustamos uma diversidade de queijos, com direito a Aperol Spritz. Isso aconteceu em 2 dias seguidos e minha mãe só começou a passar mal quando a gente já tinha voltado lá, e eu confesso que não voltei mais lá não. Pode ter sido só azar, mas sei lá.

  • Tiziano

Além do ambiente super fofo, o Tiziano tem uma parede toda decorada com macarons, o que já seria o suficiente pra ganhar o meu amor. Como se não bastasse, ainda tem o melhor risoto que já comi aqui em Ierevan, e um frango à parmigiana que mais parece uma torre de suculência. Eles servem o café expresso da maneira correta: acompanhado de copinho de água e mini cookie. Foi outra descoberta recente mas que já visitamos mais de uma vez, e que já entrou pra lista dos favoritos.

  • Cheesy Café

Um restaurante especializado em queijos, com um ambiente super fofo. No cardápio, bolinhas de queijo. Sim, bolinhas de queijo!! Claro que não são exatamente iguais às bolinhas de queijo brasileiras, e também não acho que se propusessem a ser, mas são deliciosas e serviram pra matar bem a saudade dessa delícia da nossa pátria amada. Nós repetimos a dose poucos dias depois na hora do almoço e eu comi um tagliatelle com queijo brie e bacon que também tava muito bom.

  • Mané Restaurant

Não, vocês não leram errado: o nome desse restaurante é mesmo Mané! Esse restaurante fica bem pertinho aqui de casa e eu honestamente não sei porquê demoramos tanto pra ir conhecê-lo. Pedi o estrogonofe, e estava um espetáculo. Certamente vai entrar pra lista dos “restaurantes da preguiça” – aqueles que ficam bem pertinho de casa, e acabam sendo os mais frequentados!

Fazendo compras nos shoppings de Ierevan

Uma das grandes curiosidades/preocupações que eu tinha antes de chegarmos na Armênia era quanto às compras de supermercado, de coisas de casa, de itens pessoais, de roupas e acessórios, etc. Lá no comecinho do blog, eu contei sobre minhas primeiras excursões aos supermercados. De lá pra cá, me familiarizei ainda mais com os produtos e também comecei a fazer as compras semanais online, já que a taxa de entrega é de 500 AMDs (pouco mais de 1 dólar) e evita que eu fique carregando peso pela rua, uma vez que não temos carro.

Mas hoje eu não vou falar sobre supermercados, e sim sobre os shoppings de Ierevan que nós frequentamos e onde fazemos nossas comprinhas! Ou melhor, onde eu faço comprinhas pra nós dois, porque o marido não gosta de fazer compras hehehe

Além da rua Abovyan, da Avenida Mashtots e da Avenida Northern (que ainda vão ganhar seus posts por aqui!), os shoppings Dalma Garden Mall e Yerevan Mall são os principais destinos de compras na cidade. Tanto o Dama Garden Mall quanto o Yerevan Hall oferecem um mix de entretenimento com boas lojas locais e marcas internacionais.

Dalma Garden Mall

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O Dalma Garden Hall acabou de completar 5 anos desde a sua inauguração, e, nesta ocasião, foi anunciada a sua expansão: o shopping, que hoje tem 2 andares, ganhará um terceiro andar em breve! Este foi o primeiro complexo de entretenimento familiar na Armênia, inaugurado em 2012, e que conta com bastante luz natural já que tem grande parte do seu teto em vidro.

Com 116 lojas (incluindo uma grande JYSK), 1 hipermercado (o City, que acabou de passar por uma reforma/expansão e praticamente dobrou de tamanho), 18 restaurantes e cafés, um complexo de boliche e 6 salas de cinema geridas pelo grupo CinemaStar, o shopping fica bem próximo do complexo que abriga o Museu do Genocídio, na Tsitsernakaberd Highway.

Entre as lojas, encontramos as únicas TopShop, TopMan e GAP da cidade, além de Mango, Stradivarius, Bershka, Accessorize, Monsoon Accessorize, Pandora, Pull&Bear, Levi’s, Aldo, Carpisa, New Balance, Women’s Secret, Massimo Dutti, etc. Em breve, o shopping também receberá uma unidade da Lacoste, que já tem uma loja na rua Sayat Nova aqui na capital da Armênia. As lojas locais TIME (joalheria), ZigZag Megastore (a grande loja de eletroeletrônicos), a perfumaria Rouge e a multimarcas Rio Galleria também estão presentes no shopping.

Yerevan Mall

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O shopping, inaugurado em 2014, tem cerca de 130 lojas e atrações diversas, incluindo a maior Zara na região, e, com exclusividade na Armênia, a Zara Home, a Mango Man e o Carrefour. Na praça de alimentação do shopping, várias opções de comida local e fast food pra todos os gostos, inclusive uma unidade do Black Angus, que faz o meu hambúrguer favorito no mundo (até agora).

No mix de lojas, além das já citadas, também encontramos as internacionais Mango, Stradivarius, Bershka, Parfois, Accessorize, Monsoon Accessorize, Pandora, MAC, Pull&Bear, Levi’s, New Yorker, Aldo, Carpisa, United Colors of Benneton, entre outras. Das lojas locais, merecem destaque a joalheria TIME, a grande loja de eletroeletrônicos ZigZag Megastore, e a perfumaria Rouge. No quesito entretenimento, contamos com o Kino Park, que tem 6 salas de cinema, sendo uma delas premium.

Confesso que, em geral, minhas compras no Yerevan Mall são mais produtivas do que no Dalma, mas eu gosto MUITO dos dois shoppings!

É claro que não citei todas as lojas que podemos encontrar neles, mas devo dizer que foi um alívio muito grande ver que não nos faltam opções para compras na cidade! Aliás, eu já perdi a conta de quantas vezes as lojas desses shoppings me salvaram nos looks pros eventos – e também pro dia a dia! – daqui.

Erebuni-Yerevan 2799

No dia 14 de outubro, a cidade de Yerevan comemorou 2799 anos desde a sua fundação! Por motivos de sinusite, só hoje consegui sentar no computador e escrever com carinho sobre o aniversário desta cidade que tem sido a nossa casa desde janeiro deste ano.

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O nome da cidade de Yerevan tem origem no nome “Erebuni”, do período Urartu: o som urartiano de “B” tem som de “V” em armênio, tendo o nome se transformado para Yerevan. Localizada à beira do vale do Ararat, nas duas margens do rio Hrazdan, numa altitude de 900 – 1200m acima do nível no mar.

Na ocasião do aniversário de 2799 da cidade, o prefeito Taron Margaryan publicou uma mensagem oficial congratulando a todos pelo evento, celebrado por armênios de todo o mundo. Sob o slogan “City of Love”, a capital da Armênia é celebrada por suas conquistas como uma das capitais mais estáveis, seguras e com desenvolvimento sustentável do mundo.

Os eventos festivos que celebraram o aniversário da cidade começaram com o tradicional desfile de caminhões de água, em que estas máquinas desfilam decoradas desde a France Square até a Praça da República, lavando todo o caminho.

No parque Saryan, o evento YerevanART abriu espaço aos estudantes de arte, aos centros culturais e aos artistas modernos da Armênia de diferentes gerações que foram inspirados pelas cores festivas de Yerevan. Além disso, o evento também ofereceu aulas magnas para todos aqueles interessados em arte, com exibições artísticas.

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Muitos eventos aconteceram ao longo do dia 14 de outubro para festejar a importante data, e também nos dias subsequentes. Além de uma meia maratona na cidade, a experiência “Discover Armenia from the sky” foi oferecida pelo Festival Internacional de Balões entre 14 e 17 de outubro.

Ao final do dia 14 de outubro, muitos fogos coloriram o céu da capital da Armênia, preparando o início das celebrações pelos 2800 anos desde a fundação da cidade!

Desde o dia 15 de outubro, a cidade está em contagem regressiva para esta nova celebração, e o clima de festa ainda toma conta da cidade.

Mais uma crise de sinusite pra conta!

Vocês lembram que em abril eu tive uma crise de sinusite homérica? Pois é. Agora tô passando por outra crise! E essa tá durando, viu?!

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Dia 01 de outubro eu tive febre alta, de mais de 38ºC, o que pra mim é mais do que incomum. Eu nunca fui de ter febre, mesmo nas piores crises! Por conta disso, eu já iniciei logo o antibiótico que eu tava habituada a usar. Tive uma melhora ao longo dos 10 dias em que tomei, e já tava toda feliz e serelepe, dando andamento a várias coisas bacanas, quando, na última terça feira, eu acordei super mal de novo.

Fiquei chateadíssima porque percebi que só podia ser mesmo a continuação da crise de sinusite, e então procurei o consultório médico mais próximo pra ser orientada – afinal, eu já tinha usado 10 dias de antibiótico.

E não é que eu tava com febre de novo?! 37,8ºC!

A médica então me receitou mais 7 dias de um outro antibiótico, e mais 4 remedinhos entre sprays nasais e analgésicos.

Diminuí o ritmo das atividades o quanto pude, e pulei a exibição de um filme do Glauber Rocha na terça (esse mês tá rolando por aqui um festival de filmes do Glauber Rocha no The Club, sempre às terças feiras). Ontem teve jantar na Residência Oficial do Embaixador porque eles tão indo embora no final do mês devido à aposentadoria dele (sofrência! #ficadonagrace! #ficaembaixadoredson! #mredeixaelesficaremaquicomagente!), e hoje teremos concerto na Ópera em comemoração aos 25 anos de relações diplomáticas entre o Brasil e a Armênia. Então lá vou eu de novo levando meu antibiótico na bolsa!

Graças a Deus estou me sentindo melhor, sinal de que estes novos remédios estão fazendo efeito. Ao mesmo tempo, estou me sentindo bem cansada – afinal, é muito remédio junto pra um organismo só!

O lado bom foi que eu finalmente experimentei em primeira mão os serviços médicos aqui de Ierevan! A consulta custou 7.000 AMDs (cerca de 15 dólares) e eu não só fui super bem atendida, como também a médica me deu o telefone dela pra que eu entre em contato diretamente com ela em caso de necessidade, além de ter deixado aberta a possibilidade de retorno, caso precise. Gastei 16.000 AMDs com todos os remédios, e fiquei felicíssima porque aqui existe antibiótico solúvel!

Esse foi o update sobre meu quadro respiratório nesse blog. Espero poder voltar com a programação normal em breve!

Renée Fleming em Ierevan

No último sábado, 7 de outubro, tivemos a oportunidade de ver Renée Fleming cantando ao vivo na Ópera de Ierevan, acompanhada pela orquestra regida pelo maestro Constantine Orbelian, que é o Diretor Geral e Artístico do Teatro Nacional de Ópera e Ballet da Armênia.

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Renée Fleming é uma das principais cantoras do mundo, que encanta as platéias com sua voz suntuosa, seu dom artístico e sua presença de palco contagiante. A cantora soprano, conhecida como “a diva do povo”, ganhou o Grammy Award for Best Classical Vocal Solo em 2013. Em 2014, Renée foi a primeira artista clássica a cantar o hino dos Estados Unidos da América no Super Bowl. Em 2016, Renée foi indicada como Conselheira Artística Geral para o John F. Kennedy Center for the Performing Arts, e faz parte do Quadro de Curadores da Carnegie Hall Corporation, entre outros.

O repertório da apresentação de Renée em Ierevan contemplou obras de Joseph Canteloube, Jules Massenet, Giuseppe Verdi, Arrigo Boito, Francesco Cila, Ruggero Leoncavallo, Sergei Rachmaninoff e Antoninos Leopold Dvorák. Mas Renée também mostrou seu lado pop ao interpretar I Could Have Danced All Night, imortalizada na voz de Julie Andrews em My Fair Lady, e emocionou a todos ao cantar a Ave Maria de Franz Schubert acompanhada da orquestra e do coral. Ambas músicas não estavam previstas no programa do concerto!

Renée mostrou-se emocionada e muito empolgada com a apresentação, e não parecia querer sair do palco de Ierevan! Quem me segue no instagram teve a oportunidade de acompanhar alguns trechinhos do concerto ao vivo. Foi uma noite memorável e me senti muito feliz e privilegiada por ter podido assistir a uma apresentação tão maravilhosa!

Abovyan, a rua boêmia de Ierevan

Khachatur Abovyan, foi um escritor armênio e figura pública nacional do início do século 19. Abovyan, que desapareceu misteriosamente em 1848 e foi, eventualmente, dado como morto, foi um educador, poeta e defensor da modernização. Conhecido como o pai da literatura armênia moderna, escreveu Verk Hayastani (As feridas da Armênia). Este livro foi escrito em 1841, com publicação póstuma em 1858, e foi o primeiro romance publicado sob o sígnio da língua armênia moderna. O escritor estava à frente do seu tempo, e praticamente nenhum dos seus trabalhos foi publicado enquanto estava vivo; apenas após o estabelecimento da Armênia Soviética é que Abovyan recebeu o devido reconhecimento por sua obra. Khachatur Abovyan é visto como uma das principais figuras não só da literatura armênia mas também da história da Armênia como um todo.

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selo soviético de 1956 em homenagem a Khachatur Abovyan

Uma das ruas mais movimentadas de Ierevan é nomeada em homenagem a esta importante figura histórica armênia. A rua Abovyan, que corta o centro da cidade desde a Praça da República até a estátua de Khachatur Abovyan, foi a primeira rua planejada da capital da Armênia.

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Cinema Moscou

Localizada no Kentron e conhecida como reduto boêmio de Ierevan, a rua Abovyan é muito arborizada e super agradável para passear e fazer compras, principalmente em dias de sol e temperatura amena. Esta rua abriga instituições culturais e educacionais, galerias de arte, prédios residenciais luxuosos, lojas de grandes marcas, escritórios comerciais, cafés, hotéis, restaurantes e casas noturnas.

A Yerevan State University tem 2 campi na rua Abovyan: um abriga as faculdades de Teologia, de História, e de Economia e Administração; o outro, a faculdade de Medicina.

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Igrejas Katoghike Santa Mãe de Deus e Santa Anna

Um importante marco arquitetônico e local histórico de Yerevan também está na rua Abovyan: as Igrejas Katoghike Santa Mãe de Deus e Santa Anna. A Igreja Santa Mãe de Deus data da época medieval e, de acordo com as inscrições em uma das suas paredes, as estruturas sobreviventes datam de 1264. Por ser muito pequena, a Igreja Katoghike serve apenas como casa de oração. Já a Igreja de Santa Anna começou a ser construída em 2009 e foi inaugurada em 30 de abril de 2015, consagrada por Catholicos Karekin II, com projeto arquitetônico de Vahagn Movsisyan, que manteve características tradicionais da arquitetura armênia, como a pedra tuff, na criação de uma igreja moderna e ampla.

Além de dar nome à rua, Khachatur Abovyan também foi homenageado pela Universidade Estatal Armênia de Pedagogia, que leva o nome do escritor. Ademais, há um museu em Ierevan em memória do escritor.

Começou o outono em Ierevan!

Quem me segue no Instagram acompanhou minha ida ao Brasil, que foi super intensa e acabou interferindo no meu ritmo de postagens aqui no blog! Deus é testemunha da quantidade de posts que estão na pasta de rascunhos e que eu espero terminar de escrever/revisar/editar em breve pra publicar aqui!

Cheguei em Ierevan terça feira de noite, com as malas cheias de lembranças e muito amor brasileiro. Não deu pra ver todas as pessoas queridas, mas graças a Deus consegui encontrar grande parte dos meus familiares e alguns amigos, e até fiz novas amizades!

Por aqui, a mudança na paisagem já começou: o Ararat não tem mais nem um pouquinho de neve, e as árvores já estão mudando de cor!

E hoje fui almoçar na rua com o marido e pude constatar oficialmente que começou o outono em Ierevan! Fomos almoçar no La Piazza, que é um dos nossos restaurantes preferidos por aqui, e eu pedi o risotto clássico que eu adoro.

As temperaturas já não passam dos 20ºC, e já não dá pra ficar sem um casaquinho. Todo mundo já tá andando mais agasalhado, e até o restaurante já oferece mantinhas para aqueles que optam ficar nas mesinhas externas. Pelo menos as mesinhas externas ainda estão sendo ocupadas!!

Já que esfriou, declarei aberta a temporada de Cinnabon! Eu adoro Cinnabon, mas não consigo comer no calor. Acho que é uma coisa muito quente e muito gorda pros dias de verão, então eu tava sem comer Cinnabon há vários meses – acho que o último que comi foi em abril! Então hoje já parei por ali pra comer um clássico acompanhado de expresso duplo – afinal de contas, se é pra encarar o frio, que seja com bastante café e gordices maravilhosas! Seja bem vindo, outono! Que seja lindo!

Quem foi Martiros Saryan?

Pra continuarmos aprendendo mais sobre a Armênia, sua história e cultura, é impossível não falar de grandes personalidades armênias. Já conversamos um pouquinho sobre Alexander Tamanyan, e agora é a vez de Martiros Saryan ser o nosso “objeto de estudo”. Ele é, sem dúvida, a figura mais importante da arte moderna armênia. Aproveitando a edição de verão da revista Armenia Tourism Magazine (nº18), pude aprender um pouco mais sobre esta personalidade armênia, e vou dividir com vocês um pouquinho do que aprendi sobre este artista. Ele, que nasceu no sul da Rússia, estudou em Moscou e mudou-se para a Armênia em 1921, desempenhando papel importantíssimo no reavivamento da cultura armênia na sua terra natal histórica.

Martiros Saryan nasceu na cidade de Nakhichevan-on-Don (hoje, Rostov-on-Don) em uma grande família armênia: seus ancestrais saíram da antiga capital armênia Ani. Os pais de Martiros eram agricultores, e ele passou sua infância no interior, às margens do rio Sambek. Martiros compreendia a vida da natureza de maneira muito colorida, o que contribuiu para sua escolha de se tornar pintor. Durante seus estudos na escola Armênia-Russa de Novonakhichevan, ele fez aulas particulares de desenho e, aos 15 anos, recebeu um prêmio escolar. Hovhannes, irmão mais velho de Martiros, incentivou sua vocação para a arte e o ajudou a continuar seus estudos em Moscou. É verdade de que a mãe deles não aprovava a escolha do filho, duvidando de que ele pudesse se manter sendo artista. O artista Hmayak Artsatpanyan, amigo de Hovhannes que estudava em Moscou, preparou Martiros para os exames de admissão por um ano. Em 1897, Saryan se tornou aluno da Escola de Pintura, Escultura e Arquitetura de Moscou. Depois da formatura, ele participou de workshops e, graças a seus professores, Saryan conheceu as tendências avançadas da arte francesa, como o impressionismo e o pós-impressionismo, e conheceu a elite da inteligência russa.

Notando a importância das habilidades profissionais desenvolvidas na academia, Saryan, tendo embarcado no caminho de criar livre e independentemente, sentiu a necessidade de superar a academia. O artista foi conduzido por seu instinto por um caminho ainda novo na arte, com sua imaginação clamando por novas impressões, que ele conquistou em suas viagens pelo Cáucaso e pela Armênia Ocidental. Em 1902, ele visitou sua cidade natal histórica, Ani. Já na obra “Evening in the Armenian Village”, criada em 1903, uma paleta colorida do futuro pintor começou a tomar forma, suas linhas angulares mostrando o início de um estilo independente.

Entre 1904-1907, Saryan viveu o ciclo da aquarela de “Fairy Tales and Dreams”, cheio de lirismo e harmonia. O artista começou a ganhar fama com as exposições “Scarlet Rose”de 1904 em Saratov, e “Blue Rose” de 1907 em Moscou. Saryan gradualmente mudou da técnica da aquarela e guache para pintura à têmpera, e em 1905 ele criou “The Enchantment of the Sun”. O ano desta criação coincidiu com a primeira exposição de artistas fauvistas, conduzida por Henri Matisse em Paris. Em 1906, tendo visto o trabalho dos pós-impressionistas em Moscou, na coleção de S.I. Shchukin, Saryan percebeu que o caminho que ele tinha escolhido na arte estava certo e, nos anos seguintes, ele continuou a desenvolver seu estilo nesta direção. Depois de conhecer os franceses, ele não foi para Paris, mas sim pra Turquia (1910), Egito (1911) e Pérsia (1913).

Ele pintava o comum, a vida diária destes países, surpreendendo os conhecedores de arte com cores vivas e com uma visão singular das coisas. Saryan mostrou as obras de seus ciclos no Leste nas mais famosas exposições de Moscou e São Petersburgo, como “Mir iskusstva (World of Art)”, “Union of Russian Artists”, “Association of Moscow Artists”. Em 1910, dois trabalhos de Saryan foram comprados pela Galeria Tretyakov. Exibido em Roma em 1911, suas pinturas egípcias – “Egyptian Masks”, “Night Landscape Egypt”, “The Walking Woman” e outras – causaram fortes impressões nos círculos dos amantes de arte. Em 1912, em Londres, na segunda exposição pós-impressionista, foi apresentada a obra “Constantinople Dogs”.

Em 1914, Martiros Saryan foi para Tiflis, onde, junto com membros da Sociedade Etnográfica da Armênia, ele trabalhou na organização da filial transcaucasiana da “Society of Zealots of Armenian Antiquities”, fundada em Moscou sob o Instituto Lazarevsky. Ele viajou muito pelo Cáucaso Sul, manteve anotações e estudou sobre monumentos históricos, desenhou esboços e, novamente, exibiu suas pinturas em Moscou.

Os eventos sanguinolentos que começaram em 1915 no Império Otomano mudam sua vida por completo. O artista fechou seu ateliê em Moscou e foi para Echmiadzin participar da organização para assistência dos milhares de armênios refugiados que milagrosamente escaparam da morte certeira. Tendo chegado ao vale do Ararat, muitos deles morreram de fome e epidemias. Não conseguindo suportar o que viu, Saryan adoeceu e estava à beira de desenvolver problemas mentais, e então seus amigos o levaram para Tiflis. Lá, ele encontrou força para, lentamente, retomar sua vida normal e recomeçou a pintar.

Saryan retomou seu interesse na vida graças a Lusik Aghayan, a filha do famoso escritor armênio Ghazaros Aghayan, por quem se apaixonou à primeira vista e assim ficou o resto da vida. Em 1916, Lusik e Saryan se casaram, e ela se tornou a eterna musa do artista, sendo o ideal de beleza feminina do pintor.

Depois da Revolução de Outubro em Rostov-on-Don, Saryan se tornou diretor do Museu Armênio de História Local. A criatividade artística continuou sendo a principal esfera das suas atividades. Em 1919, ele mostrou 45 dos seus trabalhos em Rostov, na exibição “Lotus”.

Em 1921, à convite de Alexander Myasnikyan, o Presidente do Conselho do Comissariado do Povo na Armênia, Martiros Saryan e sua família se mudaram definitivamente para Yerevan, atuando ativamente no processo de reavivamento do país. Ele desenvolveu esboços para o emblema e a bandeira da Armênia, participou da fundação do Primeiro Museu Estatal da Armênia e encabeçou seus trabalhos, organizou a Associação dos Trabalhadores de Arte e a Faculdade de Arte de Yerevan, criou uma cortina para o Primeiro Teatro Dramático da Armênia, com quem colaborou ativamente.

Em 1926, Saryan foi para Paris, onde ele viveu e trabalhou por um ano e meio, e organizou sua exposição pessoal. Entretanto, a maioria das pinturas parisienses de Saryan pegaram fogo no caminho de volta para a Armênia, num incêndio que começou no Porto de Constantinopla. As únicas pinturas que sobreviveram foram aquelas que ele tinha vendido em Paris, ou aquelas que ele trouxe com ele.

A Grande Guerra Patriótica de 1941-1945 teve um impacto tremendo nos trabalhos de Martiros Saryan: ele vivenciou este evento não apenas de maneira global, mas também pessoalmente, uma vez que seu filho Ghazar foi para o front, mas o artista deu continuidade aos seus trabalhos. Depois da vitória, a vida de Saryan não ficou mais fácil: ele foi acusado de falta de ideologia, adesão à arte burguesa francesa, e formalismo anti-popular. Saryan só respirou livremente depois que Khrushchev assumiu o poder e o descongelamento da URSS começou.

Em 1965, os 85 anos de Martiros foram celebrados com grande festa, e exibições especiais em Moscou, Leningrado, Tbilisi e Yerevan. Naquela época, ele recebeu o título de Herói do Trabalho Socialista. No estúdio Armenfilm, o diretor Laert Vagharshyan fez um documentário dedicado à Saryan, com texto escrito por Ilya Ehrenburg. Em 1966, a memória do artista, “From my Life”, foi publicada. Em 1967, foi aberta sua casa-museu em Yerevan. Saryan não parou de trabalhar até o fim da sua vida: seu último desenho foi feito um mês antes de sua morte. Saryan morreu em 5 de maio de 1972, com 92 anos, e foi enterrado no Panteão de Komitas.

Martiros Saryan é um grande artista, mas sua contribuição para a cultura do povo armênio e para o mundo como um todo não se limitou a isso. Ele provou ser um ótimo organizador e incansável lutador pela preservação da herança cultural. Muitos monumentos no território da Armênia Soviética – por exemplo, a igreja de São Zoravor – foram preservados por esforço de Saryan. Além disso, o artista conseguiu defender a Catedral Armênia de Surb Khach em Rostov, que não só foi destruída, mas em 1958 foi restaurada, algo jamais visto na URSS. Como suplente do Soviete Supremo da URSS e depois da Armênia Soviética, ele apoiou jovens talentos, ajudando-os a entrar nas melhores universidades do país, e cuidou deles de todas as formas que pôde. A magnitude de Saryan não está refletida somente na sua arte brilhante, mas em toda a sua vida.