Sultanahmet Camii, a Mesquita Azul

A Mesquita do Sultão Ahmed (Sultanahmet Camii), ou Mesquita Azul, fica no centro histórico de Istambul, junto ao parque Sultanahmet, onde também está a Aya Sofia.

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Para visitar a Mesquita Azul, é necessário respeitar o código de vestimenta muçulmano: tanto homens quanto mulheres devem estar com os joelhos e pernas cobertos; as mulheres devem ter os braços e o colo cobertos, e também usar um véu sobre a cabeça, cobrindo os cabelos. Para aqueles que chegarem à Mesquita Azul despreparados, eles emprestam roupas adequadas.

Ao entrar na Mesquita, todos são obrigados a tirar os sapatos. Diferentemente da Mesquita do Sheik Zayed, em Abu Dhabi, onde há um local específico para se deixar os sapatos, na Mesquita Azul são disponibilizados saquinhos plásticos transparentes para colocarmos os calçados e carregá-los conosco.

A visita à Mesquita Azul é gratuita.

Sergei Parajanov, o principal cineasta armênio

Sergei Parajanov é um dos principais mestres do cinema do século XX, armênio nascido na Geórgia, em 09 de janeiro de 1924. Parajanov nunca se permitiu conformar seu trabalho ao realismo socialista estrito, preferido pelas autoridades Soviéticas. Depois de estudar cinegrafia e música, Parajanov tornou-se diretor assistente dos estúdios Dovzhenko em Kiev, estreando como diretor cinematográfico em 1954. A partir daquele ano, Parajanov dirigiu inúmeros curtas-metragens e longas-metragens, todos dispensados por ele, por tê-los considerado verdadeiros lixos.

Em 1945, Parajanov viajou para Moscou e se inscreveu no departamento de direção de cinema do VGIK, uma das escolas cinematográficas mais antigas e respeitadas da Europa, estudando sob a tutela dos diretores Igor Savchenko e Aleksandr Dovzhenko.

Em 1948, Parajanov foi condenado a cinco anos de prisão por homossexualidade, que era ilegal naquela época, na União Soviética, mas foi solto sob anistia depois de três meses. Em entrevistas, amigos e parentes contestam estas acusações e as apontam como mentirosas, especulando que a punição era algum tipo de retaliação política por conta das suas visões rebeldes.

Em 1950, Sergei Parajanov casou-se em Moscou pela primeira vez, com Nigyar Kerimova, que vinha de uma família tártaro-muçulmana e converteu-se ao Cristianismo Ortodoxo Ocidental para casar-se com Parajanov, o que motivou seu assassinato por seus parentes. Depois da morte de Kerimova, Parajanov deixou a Rússia para morar em Kiev, onde produziu os documentários “Dumka”, “Mãos Douradas”e “Natalia Uzhvy” e os filmes “Andriesh” (baseado num conto de fadas do escritor moldavo Emilian Bukov), “The Top Guy” (um musical kolkhoz), “Ukrainian Rhapsody” (um melodrama de tempos de guerra), e “Flower on the Stone” (sobre um culto religioso que se infiltrava numa cidade mineradora na região de Donets Basin). Em 1956, casou-se com Svitlana Ivanivna Shcherbatiuk, e teve um filho com ela em 1958, que recebeu o nome de Suren.

O primeiro filme de Andrei Tarkovsky, “A infância de Ivan”, causou um enorme impacto na auto-descoberta de Parajanov como diretor de cinema. Mais tarde, a influência tornou-se mútua, e eles se tornaram muito amigos. Em 1965, Parajanov abandonou o realismo socialista de uma vez, dirigindo o poético “Shadows of Forgotten Ancestors”, o seu primeiro filme com completo controle criativo. Este filme recebeu inúmeros prêmios e foi relativamente bem recebido pelas autoridades Soviéticas. O Quadro Editorial de Roteiros em Goskino, na Ucrânia, exaltou o filme por juntar a qualidade poética com a profundidade filosófica do conto de Kotsiubynsky por meio da linguagem cinematográfica, qualificando o filme como um brilhante sucesso criativo do estúdio Dovzhenko. As autoridades Soviéticas concordaram em lançar o filme com sua trilha sonora ucraniana original, sem modificações ou dublagem dos diálogos para o russo, objetivando a preservação das suas características ucranianas.

Em 1964, Parajanov dirigiu “Os Cavalos de Fogo”, uma celebração rapsódia da cultura folclórica ucraniana, e o mundo passou a conhecer um talento surpreendente e idiossincrático. Assim, Parajanov inventava seu próprio estilo cinematográfico e tornava-se uma celebridade internacional. Simultaneamente à fama, seguiram-se os ataques das autoridades conservadoras da União Soviética.

Pouco tempo depois, Parajanov deixou Kiev para vir morar na Armênia, sua terra ancestral. Em 1969, ele começou a produzir “Sayat Nova”, filme considerado por muitos como seu principal trabalho, embora tenha sido filmado sob condições relativamente precárias e com um orçamento pequeno. As autoridades soviéticas intervieram e baniram “Sayat Nova” por conta do seu conteúdo supostamente inflamatório. Parajanov reeditou suas filmagens e renomeou o filme como “A Cor da Romã”, que foi ainda mais inovadora, explorando a arte e a poesia da sua terra nativa Armênia com uma série de incríveis e belíssimas imagens, e aclamado por críticos como Alexei Korotyukov e Mikhail Vartnov.

Mas, àquela altura, as autoridades Soviéticas já não suportavam mais tanta ousadia. Somando-se ao fato de que Parajanov não se conformava ao estilo artístico realista da União Soviética, seu estilo de vida e comportamento controversos fez com que as autoridades Soviéticas condenassem Parajanov repetidas vezes e censurassem seus filmes. Quase todos os filmes e projetos de Parajanov entre 1965 e 1973 foram banidos ou encerrados pelas administrações cinematográficas Soviéticas, tanto locais (em Kiev e Yerevan) e federal. Parajanov foi preso em 1973 sob acusações de homossexualidade, estupro, suborno e tráfico ilegal de ícones religiosos.

Parajanov foi preso três vezes, e a última delas foi em 1982. Mesmo depois de ser liberto, ele continuou sendo persona non grata no cinema Soviético. Com a chegada da Perestroika e o relaxamento político, ele voltou a trabalhar como diretor e conseguiu produzir “A Lenda da Fortaleza Suram” em 1985, contando com a ajuda e influência do ator georgiano Dodo Abashidze e de outros amigos. Parajanov ainda dirigiu “O Trovador Kerib” em 1988, e A Confissão, que tornou-se conhecida como “A Última Primavera”, lançada em 1992.

A saúde de Parajanov ficou seriamente comprometida pelos quatro anos de trabalho forçado e mais nove meses na prisão em Tbilisi. “A Última Primavera” foi sua última obra, conhecida pelo público dois anos depois da sua morte na Armênia em 20 de julho de 1990, vítima de câncer de pulmão. Naquela época, suas obras estavam voltando a ser conhecidas pelo público, apresentadas em grandes festivais internacionais. Os filmes da Parajanov foram premiados no Festival de Cinema de Mar del Plata, no Festival Internacional de Cinema de Istambul, no Nika Awards, no Festival Internacional de Cinema de Rotterdam, no Festival Internacional de Cinema de Sitges – Catalan, no Festival Internacional de Cinema de São Paulo, entre outros.

Em janeiro de 1988, Parajanov disse em uma entrevista que ele tinha três terras natais, pois tinha nascido na Geórgia, trabalhado na Ucrânia e iria morrer na Armênia. Seu corpo está enterrado no Panteão Komitas, em Yerevan.

texto de minha autoria originalmente publicado no site Brasileiras pelo Mundo

Broadway sim!

Eu e marido somos fãs de teatro e, principalmente, de musicais. Então é claro que a gente não ia perder a oportunidade de ver algum espetáculo na Broadway. Embora eu tenha argumentado fortemente para assistirmos Harry Potter and the Cursed Child, marido me convenceu de que, por já termos visto em Londres em 2017, deveríamos optar por outro espetáculo. Ou melhor, outros espetáculos!

Como este blog é comprometido com a verdade, eu não posso negar que assistir a estes espetáculos é coisa cara. Porém cada um tem suas prioridades, e nós gostamos muito desse tipo de rolê, então a gente preferiu economizar em outras coisas e assistir a dois espetáculos na Broadway.

Sim, com a TKTS os ingressos ficam mais baratos, mas ainda assim não são diversões baratinhas. Nós fomos 2 vezes ao booth que fica no South Street Seaport (perto de Wall Street) porque, segundo informações colhidas, lá é um pouco mais tranquilo do que o booth da Times Square e eles também vendem ingresso de véspera.

Nós tiramos a quarta feira pra ficar na Broadway e assistimos a dois musicais: Anastasia, que era uma produção temporária, e Frozen. As fotos que ilustram este post foram tiradas durante os agradecimentos, afinal de contas é terminantemente proibido filmar e/ou fotografar os espetáculos.

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Seria até injusto comparar ambas produções, já que Frozen tem toda a estrutura (e magia) Disney por trás. Mas Anastasia nos surpreendeu positivamente, o elenco era muito afiado (e afinado, é claro), e a produção era bem divertida pra contar uma história da qual sempre gostei muito.

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De noite, quando fomos ver Frozen, eu fiquei encantada já entrando no teatro, e a produção era maravilhosa, pura magia Disney. Nós conseguimos ver ambos musicais com o elenco principal, e acho que isso faz toda diferença – principalmente em Frozen, pois dizem que a substituta da Caissie Levy (a Elsa) não chega nem aos pés dela, e a Caissie realmente é um espetáculo.

Além destes musicais na própria Broadway, eu já vi outras produções que existem na Broadway, só que eu assisti em Londres, a saber: Wicked, The Lion King e Aladdin (além de Harry Potter and the Cursed Child, que eu falei ali em cima). Como eu falei ali em cima, Anastasia foi uma produção temporária, e sempre tem produções temporárias, então vale a pena ver o que está em cartaz; em Londres, por exemplo, eu assisti Singin in the Rain, que era produção temporária, e foi incrível.

Eu recomendo fortemente absolutamente todos estes musicais que já assisti; se o orçamento só permitir um, escolhe aquela história que mais toca o seu coraçãozinho e vá ser feliz!

Musée Yves Saint Laurent

Estava devendo este post faz tempo! Em março, visitei o Musée Yves Saint Laurent, inaugurado recentemente em Paris. Desde outubro de 2017, o endereço 5 avenue Marceau abriga um museu dedicado à vida e aos trabalhos desse verdadeiro artista da moda, no lugar onde, outrora, funcionava a maison de couture de Saint Laurent.

Yves Mathieu-Saint-Laurent nasceu em 1º de agosto de 1936 em Oran, na Argélia. Filho de Lucienne e Charles Mathieu-Saint-Laurent, que dirigia uma companhia de seguros e era dono de uma cadeia de cinemas. Yves e suas duas irmãs, Michèle e Brigitte, cresceram no coração da brilhante sociedade de Oran.

Yves Saint Laurent foi e permanece sendo um dos nomes mais importantes da moda mundial, tendo revolucionado o guarda-roupa feminino ao inspirar-se em peças masculinas para criar suas peças com silhuetas femininas, como no caso do trench coat, do caban, da saharienne e do smoking.

Saint Laurent também foi o primeiro couturier a abrir uma loja prêt-à-porter com seu próprio nome, a SAINT LAURENT rive gauche, em 1966, atendendo às demandas do pós-guerra numa sociedade em constante movimento.

Não se pode falar em Yves Saint Laurent e não lembrar da coleção escandalosa de 1971. Em 29 de janeiro daquele ano, Saint Laurent apresenta a coleção chamada “Libération” ou “Quarante”, inspirada pela moda dos anos 1940, marcada pela guerra. Paloma Picasso inspira o couturier, porque ela se vestia com roupas mais velhas e de brechó. Vestidos curtos, solas baixas, ombros quadrados, maquiagem borrada, referencias à Paris da época da ocupação: tudo isso foi um escândalo. Violentamente criticado pela imprensa, a coleção dá eco à corrente retrô que tomará rapidamente as ruas.

Em 1974, a maison de couture Yves Saint Laurent, situada desde a sua criação em 1961 na rue Spontini, se muda para um hôtel particulier no número 5 da avenue Marceau. Este endereço vivia de acordo com o ritmo das coleções. A maison abrigava o estúdio onde trabalhava Yves Saint Laurent com seis ou sete colaboradores, e os ateliês de couture onde as criações eram realizadas por cerca de 200 costureiros e costureiras. No piso térreo, nos salões, as clientes eram recebidas individualmente para encomendar os modelos que desejavam.

Em 7 de janeiro de 2002, Yves Saint Laurent anuncia, numa coletiva de imprensa, que ele encerrava ali a sua carreira e fecha a maison de couture. Dois anos mais tardes, depois de muitos trabalhos, a Fundation Pierre Bergé – Yves Saint Laurent abre suas portas naquele mesmo endereço, abrigando o Musée Yves Saint Laurent Paris a partir de outubro de 2017.

O Musée Yves Saint Laurent fica aberto de terças a domingos, entre 11h e 18h, com horário estendido (até as 21h) nas quintas feiras. A exposição inaugural fica até o dia 09/09, quando o museu fechará para se preparar para a exposição “L’Asie rêvée d’Yves Saint Laurent”, que será aberta ao público em 02 de outubro. Os ingressos com hora marcada custam a partir de 7 euros.

Magical Mystery Tour em Liverpool

Ainda tem tanta coisa pra contar sobre as últimas férias que eu nem acredito que não contei aqui sobre o Magical Mystery Tour que fizemos em Liverpool!

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Como já contei por aqui, passamos alguns dias na cidade dos Beatles, e é claro que não poderíamos deixar de fazer o famoso Magical Mystery Tour, organizado pelo Cavern Club. O tour começa no Albert Dock, onde há um escritório para compra de bilhetes e/ou souvenires dos Beatles. Os bilhetes também podem ser comprados no Cavern Club da Mathew Street, ou mesmo online. O tour começava às 11h, e nós optamos por chegar cedo lá no Albert Dock e comprar os bilhetes no escritório mesmo. O bilhete individual custa £18.95. É importante checar os horários dos tours, porque eles podem mudar.

O passeio, que dura aproximadamente 2h, nos leva pelos subúrbios de Liverpool, e podemos ver a casa onde Ringo passou sua infância, o lugar onde George nasceu, St Peter’s Church Hall (onde John e Paul se encontraram pela primeira vez), a casa onde John passou sua infância, as escolas e faculdades onde os Fab4 estudaram, a casa onde Paul passou sua infância, Penny Lane e Strawberry Field, além de outros lugares relacionados à história dos Beatles. O tour termina no Cavern Club e o bilhete inclui a vista ao lendário pub no mesmo dia (exceto em dias de shows/eventos especiais), bem como um souvenir que pode ser resgatado por lá.

No dia em que fizemos o tour, estava um frio de rachar em Liverpool, mas o céu estava muito azul, o que garantiu um passeio por Penny Lane “beneath the blue suburban skies“.

Pessoalmente, eu adorei o Magical Mystery Tour! Achei a experiência muito legal, e é muito interessante passear pelos subúrbios de Liverpool ouvindo as mais diversas histórias sobre os Beatles, ao som das músicas do Fab4. Vale notar que as casas onde John Lennon e Paul McCartney passaram suas infâncias podem ser visitadas pelo público entre os meses de março e outubro, em datas selecionadas. Estas visitas são organizadas pelo National Trust e é altamente recomendável agendar com antecedência pelo site oficial. Tais visitas não estão incluídas no Magical Mystery Tour; e, quando nós estávamos em Liverpool, o período de visitação de 2017 já tinha se encerrado.

Ao final do nosso passeio beatlemaníaco, fomos almoçar no Bill’s do Liverpool ONE e acabamos aproveitando pra ir ao cinema também, já que pegaríamos a estrada no dia seguinte rumo ao countryside inglês!

Renée Fleming em Ierevan

No último sábado, 7 de outubro, tivemos a oportunidade de ver Renée Fleming cantando ao vivo na Ópera de Ierevan, acompanhada pela orquestra regida pelo maestro Constantine Orbelian, que é o Diretor Geral e Artístico do Teatro Nacional de Ópera e Ballet da Armênia.

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Renée Fleming é uma das principais cantoras do mundo, que encanta as platéias com sua voz suntuosa, seu dom artístico e sua presença de palco contagiante. A cantora soprano, conhecida como “a diva do povo”, ganhou o Grammy Award for Best Classical Vocal Solo em 2013. Em 2014, Renée foi a primeira artista clássica a cantar o hino dos Estados Unidos da América no Super Bowl. Em 2016, Renée foi indicada como Conselheira Artística Geral para o John F. Kennedy Center for the Performing Arts, e faz parte do Quadro de Curadores da Carnegie Hall Corporation, entre outros.

O repertório da apresentação de Renée em Ierevan contemplou obras de Joseph Canteloube, Jules Massenet, Giuseppe Verdi, Arrigo Boito, Francesco Cila, Ruggero Leoncavallo, Sergei Rachmaninoff e Antoninos Leopold Dvorák. Mas Renée também mostrou seu lado pop ao interpretar I Could Have Danced All Night, imortalizada na voz de Julie Andrews em My Fair Lady, e emocionou a todos ao cantar a Ave Maria de Franz Schubert acompanhada da orquestra e do coral. Ambas músicas não estavam previstas no programa do concerto!

Renée mostrou-se emocionada e muito empolgada com a apresentação, e não parecia querer sair do palco de Ierevan! Quem me segue no instagram teve a oportunidade de acompanhar alguns trechinhos do concerto ao vivo. Foi uma noite memorável e me senti muito feliz e privilegiada por ter podido assistir a uma apresentação tão maravilhosa!

Quem foi Martiros Saryan?

Pra continuarmos aprendendo mais sobre a Armênia, sua história e cultura, é impossível não falar de grandes personalidades armênias. Já conversamos um pouquinho sobre Alexander Tamanyan, e agora é a vez de Martiros Saryan ser o nosso “objeto de estudo”. Ele é, sem dúvida, a figura mais importante da arte moderna armênia. Aproveitando a edição de verão da revista Armenia Tourism Magazine (nº18), pude aprender um pouco mais sobre esta personalidade armênia, e vou dividir com vocês um pouquinho do que aprendi sobre este artista. Ele, que nasceu no sul da Rússia, estudou em Moscou e mudou-se para a Armênia em 1921, desempenhando papel importantíssimo no reavivamento da cultura armênia na sua terra natal histórica.

Martiros Saryan nasceu na cidade de Nakhichevan-on-Don (hoje, Rostov-on-Don) em uma grande família armênia: seus ancestrais saíram da antiga capital armênia Ani. Os pais de Martiros eram agricultores, e ele passou sua infância no interior, às margens do rio Sambek. Martiros compreendia a vida da natureza de maneira muito colorida, o que contribuiu para sua escolha de se tornar pintor. Durante seus estudos na escola Armênia-Russa de Novonakhichevan, ele fez aulas particulares de desenho e, aos 15 anos, recebeu um prêmio escolar. Hovhannes, irmão mais velho de Martiros, incentivou sua vocação para a arte e o ajudou a continuar seus estudos em Moscou. É verdade de que a mãe deles não aprovava a escolha do filho, duvidando de que ele pudesse se manter sendo artista. O artista Hmayak Artsatpanyan, amigo de Hovhannes que estudava em Moscou, preparou Martiros para os exames de admissão por um ano. Em 1897, Saryan se tornou aluno da Escola de Pintura, Escultura e Arquitetura de Moscou. Depois da formatura, ele participou de workshops e, graças a seus professores, Saryan conheceu as tendências avançadas da arte francesa, como o impressionismo e o pós-impressionismo, e conheceu a elite da inteligência russa.

Notando a importância das habilidades profissionais desenvolvidas na academia, Saryan, tendo embarcado no caminho de criar livre e independentemente, sentiu a necessidade de superar a academia. O artista foi conduzido por seu instinto por um caminho ainda novo na arte, com sua imaginação clamando por novas impressões, que ele conquistou em suas viagens pelo Cáucaso e pela Armênia Ocidental. Em 1902, ele visitou sua cidade natal histórica, Ani. Já na obra “Evening in the Armenian Village”, criada em 1903, uma paleta colorida do futuro pintor começou a tomar forma, suas linhas angulares mostrando o início de um estilo independente.

Entre 1904-1907, Saryan viveu o ciclo da aquarela de “Fairy Tales and Dreams”, cheio de lirismo e harmonia. O artista começou a ganhar fama com as exposições “Scarlet Rose”de 1904 em Saratov, e “Blue Rose” de 1907 em Moscou. Saryan gradualmente mudou da técnica da aquarela e guache para pintura à têmpera, e em 1905 ele criou “The Enchantment of the Sun”. O ano desta criação coincidiu com a primeira exposição de artistas fauvistas, conduzida por Henri Matisse em Paris. Em 1906, tendo visto o trabalho dos pós-impressionistas em Moscou, na coleção de S.I. Shchukin, Saryan percebeu que o caminho que ele tinha escolhido na arte estava certo e, nos anos seguintes, ele continuou a desenvolver seu estilo nesta direção. Depois de conhecer os franceses, ele não foi para Paris, mas sim pra Turquia (1910), Egito (1911) e Pérsia (1913).

Ele pintava o comum, a vida diária destes países, surpreendendo os conhecedores de arte com cores vivas e com uma visão singular das coisas. Saryan mostrou as obras de seus ciclos no Leste nas mais famosas exposições de Moscou e São Petersburgo, como “Mir iskusstva (World of Art)”, “Union of Russian Artists”, “Association of Moscow Artists”. Em 1910, dois trabalhos de Saryan foram comprados pela Galeria Tretyakov. Exibido em Roma em 1911, suas pinturas egípcias – “Egyptian Masks”, “Night Landscape Egypt”, “The Walking Woman” e outras – causaram fortes impressões nos círculos dos amantes de arte. Em 1912, em Londres, na segunda exposição pós-impressionista, foi apresentada a obra “Constantinople Dogs”.

Em 1914, Martiros Saryan foi para Tiflis, onde, junto com membros da Sociedade Etnográfica da Armênia, ele trabalhou na organização da filial transcaucasiana da “Society of Zealots of Armenian Antiquities”, fundada em Moscou sob o Instituto Lazarevsky. Ele viajou muito pelo Cáucaso Sul, manteve anotações e estudou sobre monumentos históricos, desenhou esboços e, novamente, exibiu suas pinturas em Moscou.

Os eventos sanguinolentos que começaram em 1915 no Império Otomano mudam sua vida por completo. O artista fechou seu ateliê em Moscou e foi para Echmiadzin participar da organização para assistência dos milhares de armênios refugiados que milagrosamente escaparam da morte certeira. Tendo chegado ao vale do Ararat, muitos deles morreram de fome e epidemias. Não conseguindo suportar o que viu, Saryan adoeceu e estava à beira de desenvolver problemas mentais, e então seus amigos o levaram para Tiflis. Lá, ele encontrou força para, lentamente, retomar sua vida normal e recomeçou a pintar.

Saryan retomou seu interesse na vida graças a Lusik Aghayan, a filha do famoso escritor armênio Ghazaros Aghayan, por quem se apaixonou à primeira vista e assim ficou o resto da vida. Em 1916, Lusik e Saryan se casaram, e ela se tornou a eterna musa do artista, sendo o ideal de beleza feminina do pintor.

Depois da Revolução de Outubro em Rostov-on-Don, Saryan se tornou diretor do Museu Armênio de História Local. A criatividade artística continuou sendo a principal esfera das suas atividades. Em 1919, ele mostrou 45 dos seus trabalhos em Rostov, na exibição “Lotus”.

Em 1921, à convite de Alexander Myasnikyan, o Presidente do Conselho do Comissariado do Povo na Armênia, Martiros Saryan e sua família se mudaram definitivamente para Yerevan, atuando ativamente no processo de reavivamento do país. Ele desenvolveu esboços para o emblema e a bandeira da Armênia, participou da fundação do Primeiro Museu Estatal da Armênia e encabeçou seus trabalhos, organizou a Associação dos Trabalhadores de Arte e a Faculdade de Arte de Yerevan, criou uma cortina para o Primeiro Teatro Dramático da Armênia, com quem colaborou ativamente.

Em 1926, Saryan foi para Paris, onde ele viveu e trabalhou por um ano e meio, e organizou sua exposição pessoal. Entretanto, a maioria das pinturas parisienses de Saryan pegaram fogo no caminho de volta para a Armênia, num incêndio que começou no Porto de Constantinopla. As únicas pinturas que sobreviveram foram aquelas que ele tinha vendido em Paris, ou aquelas que ele trouxe com ele.

A Grande Guerra Patriótica de 1941-1945 teve um impacto tremendo nos trabalhos de Martiros Saryan: ele vivenciou este evento não apenas de maneira global, mas também pessoalmente, uma vez que seu filho Ghazar foi para o front, mas o artista deu continuidade aos seus trabalhos. Depois da vitória, a vida de Saryan não ficou mais fácil: ele foi acusado de falta de ideologia, adesão à arte burguesa francesa, e formalismo anti-popular. Saryan só respirou livremente depois que Khrushchev assumiu o poder e o descongelamento da URSS começou.

Em 1965, os 85 anos de Martiros foram celebrados com grande festa, e exibições especiais em Moscou, Leningrado, Tbilisi e Yerevan. Naquela época, ele recebeu o título de Herói do Trabalho Socialista. No estúdio Armenfilm, o diretor Laert Vagharshyan fez um documentário dedicado à Saryan, com texto escrito por Ilya Ehrenburg. Em 1966, a memória do artista, “From my Life”, foi publicada. Em 1967, foi aberta sua casa-museu em Yerevan. Saryan não parou de trabalhar até o fim da sua vida: seu último desenho foi feito um mês antes de sua morte. Saryan morreu em 5 de maio de 1972, com 92 anos, e foi enterrado no Panteão de Komitas.

Martiros Saryan é um grande artista, mas sua contribuição para a cultura do povo armênio e para o mundo como um todo não se limitou a isso. Ele provou ser um ótimo organizador e incansável lutador pela preservação da herança cultural. Muitos monumentos no território da Armênia Soviética – por exemplo, a igreja de São Zoravor – foram preservados por esforço de Saryan. Além disso, o artista conseguiu defender a Catedral Armênia de Surb Khach em Rostov, que não só foi destruída, mas em 1958 foi restaurada, algo jamais visto na URSS. Como suplente do Soviete Supremo da URSS e depois da Armênia Soviética, ele apoiou jovens talentos, ajudando-os a entrar nas melhores universidades do país, e cuidou deles de todas as formas que pôde. A magnitude de Saryan não está refletida somente na sua arte brilhante, mas em toda a sua vida.

Khachkars, as cruzes de pedra da Armênia

No primeiro post sobre cultura e história da Armênia, mencionei as Khachkars – as cruzes de pedra da Armênia, que receberam atenção numa matéria bacana da edição de verão da revista Armenia Tourism Magazine (nº18). Elas são tão interessantes que merecem de fato que nós saibamos um pouco mais sobre esta forma de arte!

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Acredita-se que os protótipos das khachkars eram vishaps, criaturas mitológicas, deidades e espíritos da água que, desde os tempos antigos, eram cravadas em pedra sólida. A altura das vishaps eram de 5 metros de altura, segundo os arqueólogos que as descobriram. Entre as imagens esculpidas, encontram-se peixes, pássaros, e outros animais. Depois, o significado das vishaps foi transformado e associado à dragões. A palavra vishap significa dragão. No livro “The Art of Armenia”, de Nonna Stepanyan, descreve-se como, ao longo do tempo, as vishaps foram gradualmente substituídas por monumentos de pedra refletindo a iconografia Cristã. Mais tarde, adotou-se a forma de lápides, que se tornaram a base para criar uma nova forma decorativa, as khachkars.

Em 301, os armênios adotaram oficialmente o Cristianismo, que se tornou a religião do Estado. Isso foi não só um importante evento para a vida espiritual do povo armênio, mas também um prenúncio da identidade escultural. O verdadeiro desenvolvimento e distribuição das khachkars aconteceu muitos séculos depois, quando finalmente tomaram sua forma única. As khachkars se tornaram um símbolo da fé Cristã, um modo de evidenciar o pertencimento dos habitantes ao novo mundo Cristão.

Cada khachkar, feita à mão por talentosos artistas, é única: nenhuma é igual a outra, ainda que todas elas obedeçam a um estilo.

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Desde os tempos antigos, as khachkars não apenas decoraram cemitérios, mas também passaram a ser esculpidas em honra à construção das catedrais e igrejas, construção de novas vilas e em outras ocasiões especiais. Os lugares onde as khachkars são colocadas são considerados santos. Muitas khachkars foram preservadas em antigos cemitérios armênios, onde podem ser admiradas tanto por residentes da Armênia quanto por turistas interessados na cultura do país.

Em muitos aspectos, devido à distribuição das khachkars, a Armênia é, por muitas vezes, considerada um museu a céu aberto, por conta das muitas cruzes de pedra que podem ser encontradas não só em lugares importantes mas também por diversos lugares nas cidades.

A estrutura clássica das khachkars é um bloco de pedra monolítico, com uma cruz esculpida no meio, geralmente a partir de um círculo de galhos ou flores. As imagens ornamentais se ondulam em torno da cruz, por muitas vezes com romãs e videiras, que são os símbolos principais da arte decorativa da Armênia.

O Museu Estatal de História da Armênia, na Praça da República, tem vários exemplares de khachkars expostas. Nelas, pode-se observar a história das khachkars e a evolução das suas formas desde que começaram a ser esculpidas até os dias atuais. Se, nos tempos antigos, os padrões circundavam a cruz, mais tarde as khachkars passaram a se parecer cada vez mais com uma renda feita na pedra, nas quais a cruz se integra perfeitamente ao ornamento. Mais tarde, no lugar das cruzes, começaram também a esculpir letras do alfabeto armênio.

Tradicionalmente, a khachkar é feita de tuff, uma pedra densa, formada de produtos sólidos de erupções vulcânicas, que depois são compactadas e cimentadas. De acordo com Varazdat Hambardzumyan, um grande escultor de Yerevan, é impossível imaginar uma oração armênia em frente à mármore ou granito. Há muitos séculos, as cruzes armênias são feitas de pedra tuff, e os armênios acreditam que esta pedra vulcânica pode absorver todas as coisas negativas como, por exemplo, doenças, das mãos do seu escultor ou de alguém que a tenha tocado.

A pedra tuff é encontrada em diversas cores. Para criar os padrões, os escultores primeiro desenham e depois esculpem a pedra com ferramentas específicas. O polimento das khachkars, quando estão quase prontas, é gentilmente chamado de massagem pelos artistas armênios.

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As khachkars ainda retém sua característica artística principal: apresentar a beleza da pedra. É graças a este princípio que algumas pedras parecem pequenos pedaços de paredes esculpidas, que por vezes são montadas em blocos únicos, tornando-se elementos decorativos da fachada como, por exemplo, em catedrais. As khachkars são um fenômeno original da memória escultural armênia.

Vou terminar este post com um fun fact: quando o marido estava trabalhando no Zimbábue, um armênio que trabalhava com ele deu de presente pra ele uma Khachkars e uma garrafa de conhaque Ararat! Infelizmente a cruz não foi adequadamente transportada entre o Zimbábue e o Brasil e, ao chegar em Brasília, estava absolutamente danificada. Mas o que eu acho mais bacana nesta história toda é que isso aconteceu em 2013, e a gente não fazia ideia de que viríamos morar na Armênia!

 

O que é que Yerevan tem?

Yerevan é uma cidade incrível. Já falei e repito que fico constantemente impressionada pela beleza da cidade, e pelo tanto de coisas que a capital da Armênia oferece. Na edição de verão da Armenia Tourism Magazine (nº18), são apontados alguns aspectos que fazem a cidade se destacar entre os turistas, e que também são pontos extremamente positivos pra quem mora por aqui.

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  • Paisagens

É possível ver a cidade inteira (ou quase) de alguns dos principais pontos turísticos da cidade, como o Cascade, o Parque da Vitória, e o Museu do Genocídio. As paisagens são incríveis, tanto no verão quanto no inverno, e também há sempre um cantinho lindo pra se observar. A cidade tem muitos parques, é bastante arborizada e, na primavera, tudo fica florido!

  • Monumentos históricos e culturais

Há tantos monumentos históricos e culturais em Ierevan que pode ser que nós terminemos nosso tempo aqui sem conhecer tudo – Deus me livre! Prometo me esforçar pra conhecer tudo! A capital da Armênia é um tesouro em si mesma, com material histórico e cultural diverso, como o Museu Nacional de História, o Museu dos Manuscritos Antigos Matenadaran, as galerias de arte, etc.

  • Cafés, bares e restaurantes (muito) bons e baratos

Já destaquei aqui no blog várias vezes que, aqui em Ierevan, nós comemos muito bem, geralmente gastando pouco – principalmente quando comparamos a restaurantes do mesmo nível em outras capitais, como Moscou, Berlin, Milão, etc. Os bares e pubs também tem preços convidativos para deliciosas bebidas.

  • Segurança

Sem dúvida, este é uma das melhores características da cidade (e do país). Comparada com os indicadores de outros países europeus e até mesmo das antigas repúblicas soviéticas, não há crime na Armênia. Podemos sair tranquilamente a qualquer hora do dia e da noite sem medo, usar as passagens subterrâneas (geralmente vazias) sem temer, e caminhar felizes pela cidade. Deus conserve!

  • Água

A água aqui na Armênia é muito limpa, e a cidade de Ierevan conta com diversas fontes (Tsaytaghbyur) espalhadas para que os transeuntes possam se refrescar.

  • Serviços de saúde

A Armênia é conhecida na região por ter ótimos Gastroenterologistas, e as consultas médicas aqui não custam muito caro. Outro dia, fui numa clínica próxima aqui de casa e a consulta com um Ortopedista que custou 7.000AMD (cerca de USD15,00). Os remédios aqui também são bem baratos, e há muitas farmácias pela cidade. A Armênia tem se tornado um destino de turismo médico justamente pela alta qualidade dos serviços médicos oferecidos a preços competitivos. Eu confesso que acho turismo médico uma coisa meio esquisita, mas, já que eu moro aqui, fico feliz em saber que é um destino, pois isso significa que os tratamentos oferecidos realmente tem qualidade. Entre outros, cirurgia plástica, tratamentos e implantes dentários, cardiologia e oftalmologia compõem a lista de especialidades oferecidas para quem quer ficar mais saudável na Armênia.

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Estes fatores, entre outros, contribuem pra que a qualidade de vida aqui seja muito muito boa. Pra não dizer que só falei de flores, uma coisa que me irrita profundamente por aqui é que as pessoas fumam muito, e é permitido fumar nos restaurantes, mesmo nos ambientes fechados. Outra coisa que tem me incomodado bastante por aqui é o calor intenso do verão, que também é extremamente seco.

Armênia, quem é você?

Já estamos na Armênia há quase 7 meses e eu ainda não tinha dedicado um post exclusivamente à história e características deste país! Me dei conta disso quando recebi essa semana a revista Armenia Tourism Magazine que tá cheia de conteúdo bacana. Inspirada pelas matérias que estão publicadas na edição de verão da revista (nº18), resolvi dividir aqui com vocês um pouco do conteúdo que eles publicaram, falar um pouquinho mais das nossas vivências por aqui, e aproveitar pra aprender um pouquinho mais desse lugar tão rico culturalmente!

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  • Território

A área total do país é de 29.743km², referente a 1/10 do tamanho da Armênia Histórica. A Armênia é um país sem acesso ao mar, localizada nas montanhas do Cáucaso Menor, no noroeste do Planalto Armênio da Armênia Histórica. Localizada entre os mares Negro e Cáspio, o país faz fronteira com a Geórgia, o Azerbaijão, o Irã e a Turquia. As fronteiras com Azerbaijão e Turquia são fechadas, embora haja vôos diretos entre Ierevan e Istambul (operados pela Atlas Global).

  • Brasão de Armas

Em 19 de abril de 1922, o brasão de armas da Primeira República da Armênia (1918-1920) foi restaurado. Os autores foram Alexander Tamanyan e Hakob Kodjoyan.

  • Bandeira

A bandeira nacional da Armênia tem três listras horizontais de igual tamanho: vermelho no topo, azul no meio, e laranja. O vermelho simboliza o Planalto Armênio, a luta contínua do povo armênio para sobrevivência e manutenção da fé cristã, e a independência e liberdade da Armênia. O azul simboliza a vontade do povo armênio de viver sob céus de paz. O laranja simboliza o talento criativo e a natureza trabalhadora do povo armênio.

  • Língua

O idioma nacional é o Armênio, mas a maioria da população também fala russo. No interior, pode-se enfrentar alguma dificuldade de comunicação idiomática. Inglês e francês geralmente são as segundas línguas faladas pela população mais jovem, mas as gerações mais antigas são mais conservadoras com relação à idiomas estrangeiros. De todo jeito, se um estrangeiro se aproximar, as pessoas costumam ter boa vontade de entender e ajudar, como já destaquei aqui no blog algumas vezes.

  • Governo

A política da Armênia se desenvolve num quadro de república democrática semi-presidencial, em que o presidente é o Chefe de Estado em um sistema multipartidário. O atual presidente da Armênia é Serzh Sargsyan, e o atual primeiro ministro é Karen Karapetyan.

  • População

De acordo com diversas fontes, o número de armênios no mundo varia entre 6 e 11 milhões, dos quais apenas 1/3 mora na Armênia (cerca de 3 milhões de pessoas).

  • Moeda, câmbio e cartões

A moeda do país chama Dram Armênio, com sigla AMD. Estão em circulação moedas de 10, 50, 100, 200 e 500 Drams, e notas de 1.000, 5.000, 20.000. Dizem que existem notas de 50.000 e 100.000 mas eu nunca vi. Em geral, 1USD equivale a 478AMD, 1EUR equivale a 567AMD, e 1 Rublo equivale a 8,3AMD – o câmbio oscila um pouquinho, mas bem pouquinho mesmo. Quando chegamos, eu me assustava um pouco com tudo custando mais de mil, mas depois habituei que é só o jeito deles, e faltam os centavos. É possível fazer câmbio em diversos lugares da cidade, inclusive nos principais supermercados do centro, o que eu achei muito esquisito quando chegamos, e ainda acho bastante curioso! Praticamente todos os lugares aceitam cartões, mas as vezes o sistema falha e pode demorar muito a funcionar, então eu aprendi que é sempre bom ter drams na carteira.

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  • Ierevan

A capital do país é Ierevan (Yerevan na grafia em inglês), que pode facilmente ser considerada uma das cidades mais seguras do mundo. Podemos andar tarde da noite na rua sem medo, coisa que não é comum na maioria dos países europeus. O centro da cidade de Ierevan não é muito grande, o que facilita a locomoção – mesmo sem um mapa. As opções de transporte em Ierevan são miniônibus, ônibus e táxis, mas é fácil caminhar pela cidade admirando as ruas. Nós, por exemplo, não compramos carro e não temos a menor intenção de comprar um, já que conseguimos fazer quase tudo a pé – só pegamos táxi pra ir aos shoppings e cinemas, e táxi é muito muito barato aqui. As outras 2 grandes cidades da Armênia são Gyumri e Vanadzor. A voltagem no país inteiro é de 220v. A Armênia está no fuso GMT+4 (diferença de +7h pro Brasil, e +6h quando o Brasil está no horário de verão).

  • Clima

O clima da Armênia é continental de montanhas, com longos e frios invernos e verões quentes. Geralmente, as temperaturas em janeiro ficam entre -12ºC e -15ºC, podendo chegar a -30ºC. Neste ano, chegamos algumas vezes a -21ºC. Em julho, a temperatura média nas montanhas é de 10ºC, e de 25ºC nas regiões de planície, mas a verdade é que este mês de julho e agora em agosto estamos sofrendo com temperaturas que jamais baixam dos 30ºC e chegam todos os dias a 40ºC, com clima muito muito seco. A precipitação anual é de 20-80cm, e os topos das montanhas mais altas da Armênia ficam cobertos de neve o ano todo.

  • Topogafia

O terreno é montanhoso, e 90% das montanhas está a mais de 1000m acima do nível do mar, com média de 1800m. O ponto mais alto do país é o Monte Aragats (4095m) e o mais baixo é a margem do rio Debet (380m). O ponto mais alto da região é o símbolo histórico da Armênia, o Monte Ararat (5165m), que está no território da Turquia desde os anos 1920.

  • Comida e Água

Em Ierevan, pode-se tomar água da torneira e também das pequenas fontes (bebedouros) espalhadas pela cidade, chamadas Tsaytaghbyur. As tsaytaghbyur são pedras memoriais únicas, geralmente com 1m de altura, com água pura. Na cidade há muitos restaurantes, com culinária armênia e internacional (chinesa, árabe, georgiana, etc). Os restaurantes aqui são muito mais baratos do que a média das grandes cidades, inclusive quando comparados a Moscou.

  • Compras

O comércio em Ierevan é ótimo. Há 2 grandes shopping centers que abrigam marcas internacionais (Zara, GAP, TopShop, Pandora, Bershka, Parfois, Promod, Steve Madden, Mango, Levi’s, etc). No centro da cidade, as ruas Northern Ave, Mashtots, Abovyan e Tumanyan também são tomadas por lojas locais e internacionais (Burberry, Armani, Zegna, MaxMara, MontBlanc, L’Occitane, etc), bem como lojas multimarcas. Para artigos de casa, gosto principalmente da Matalan, da Basic Center, e da Good’s House. Além destas, muitas lojas vendem lembrancinhas e presentinhos típicos da Armênia, inclusive os famosos conhaques.

O lugar favorito dos turistas para comprar souvenirs é a Vernissage, a feira ao ar livre que fica aqui em frente da nossa casa, pertinho da Praça da República. Aos finais de semana, a Vernissage fica lotada de vendedores oferecendo tapetes feitos à mão, peças em madeira e pedra talhadas, cerâmicas, pinturas, entre outros. O que eu mais gosto na Vernissage, além dos estandes com objetos da época da União Soviética, são os bonequinhos narigudos, que fazem piada carinhosa com essa característica dos armênios. A Vernissage também funciona durante a semana, porém com menos expositores. No verão, há gente o dia inteiro; no inverno, o movimento é naturalmente menor.

  • Religião

Acho que já contei aqui que a religião predominante na Armênia é o Cristianismo, e que a Armênia foi o primeiro país do mundo a adotar o Cristianismo como religião do Estado em 301d.C. 94% da população segue a Igreja Apostólica Armênia.

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  • Khachkars: cruzes de pedra armênias

Se perguntarmos a qualquer armênio qual é o símbolo mais importante do país, a resposta certamente será Khachkars, as cruzes talhadas em pedra. Por todo o país, encontramos muitas delas, e em qualquer lugar onde houver um armênio, será possível achar este símbolo, que é, para eles, um monumento, uma obra de arte, a face da Armênia: os padrões e ornamentos tradicionais das Khachkars refletem a história e o tempo.