Khor Virap: um pouco mais de história!

Pode-se dizer, sem medo de errar, que o principal cartão postal da Armênia, e consequentemente uma das principais atrações turísticas do país, é o mosteiro de Khor Virap, que fica a cerca de 50km do centro de Yerevan. Já teve post aqui no blog sobre a primeira vez que fui visitar este lugar de peregrinação aqui na Armênia, mas hoje quis dedicar mais um tempinho para aprender melhor sobre a história desse lugar e dos personagens que fazem parte dela!

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Uma capela foi inicialmente erguida no ano de 642 em Khor Virap por Nerses III O Construtor como marco de veneração a São Gregório. Ao longo dos séculos, foi constantemente reconstruída. No ano de 1662, a Igreja da Santa Mãe de Deus (Astvatsatsin) foi construída em torno das ruínas da antiga capela, do mosteiro, do refeitório e dos aposentos dos monges. Hoje em dia, atividades normais da Igreja acontecem ali, um dos lugares mais visitados da Armênia pelos peregrinos (e também pelos turistas). É recomendado que as mulheres, ao visitar a Igreja, cubram a cabeça e não usem roupas muito curtas e/ou decotadas.

A colina de Khor Virap e suas adjacências correspondem ao local da primeira capital da Armênia, Artashat (ou Artaxiasata), fundada pelo Rei Artashes I (o primeiro da dinastia Artashesid) por volta de 180 a.C. Artashat permaneceu como capital da dinastia até o reinado do Rei Khosrov III (330-339), quando foi transferida para Dvin. Subsequentemente, Artashat foi destruída pelo Rei Persa Shapur II. Artashat é uma província muito próxima à colina de Khor Virap. Até a construção da capela, Khor Virap era utilizada como prisão real.

Quando o Rei Tiridates III governava a Armenia, seu assistente era o cristão Grigor Lusavorich, que pregava a religião cristã. Entretanto, Tiridates, um seguidor da religião pagã, não estava contente em ter um conselheiro de outra religião, e submeteu Gregório a torturas severas. Quando o rei soube que o pai de Gregório, Anak o Parthian, foi responsável pelo assassinato do pai do rei, o rei Tiridates III ordenou que fossem atadas as mãos e os pés de Gregório, e que ele fosse abandonado em Khor Virap para que morresse na masmorra profunda localizada em Artashat. Além disso, a refusa de Gregório em oferecer sacrifício a deusa Anahita provocou a ira do rei Tiridates, que o torturou e condenou à prisão.

Gregório foi, então, esquecido na prisão, enquanto o Rei Tiridates III comandavas guerras e perseguições às minorias cristãs. Entretanto, Gregório não morreu durante os seus 13 anos de aprisionamento. Sua sobrevivência foi atribuída a uma viúva cristã da província local que, sob a influência de visões em sonhos, alimentava Gregório regularmente com folhas de pão (provavelmente lavash) que ela levava até a beira do poço que dava acesso à masmorra.

Durante este período, o Imperador Romano Diocletian queria se casar com uma mulher bonita, e mandou seus agentes e busca da mulher mais bela que existisse. Eles encontraram uma menina chamada Rhipsime em Roma, que estava sob a tutela da Madre-Superiora Gayane em um convento cristão. Quando Rhipsime soube da proposta de casamento do Imperador, ela fugiu para a Armênia para evitar as bodas. Uma busca foi iniciada para que se encontrasse a garota e punisse quem a tivesse ajudado a escapar, e eventualmente Tiridates encontrou Rhipsime, levando-a à força ao seu palácio. Depois de tentar cortejá-la, sem sucesso, o rei ordenou que ela fosse levada à sua presença usando uma coleira, na esperança de conseguir persuadir Rhipsime a casar-se com ele.

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Entretanto, o que sucedeu foi a perseguição e assassinato de Rhipsime, Gaiane e muitos outros cristãos. Tiridates enlouqueceu e acredita-se que ele passou a agir de maneira descontrolada, enquanto demônios possuíam muitos cidadãos. Foi então que a irmã de Tiridates, Khosrovidhukt, teve uma visão à noite, quando um anjo disse a ela sobre o prisioneiro Gregório na cidade de Artashat, que podia pôr fim no sofrimento causado pelos demônios, e ensinaria a eles os remédios para todas as doenças. As pessoas não confiaram muito nesta visão, pois todos acreditavam que Gregório teria morrido após poucos dias do seu aprisionamento. Khosrovidhukt teve o mesmo sonho repetidas vezes, eventualmente sendo ameaçada de que, caso as instruções dos seus sonhos não fossem seguidas, haveria graves consequências. O príncipe Awtay foi confiado com a missão de resgatar Gregório de Khor Virap. Ele foi até a masmorra e gritou para Gregório que, se ele estivesse em algum lugar ali embaixo, que ele saísse, pois o Deus a quem ele adorava tinha ordenado que ele fosse tirado dali. Gregório foi encontrado em estado miserável, e foi levado até Tiridates. O Rei Tiridates tinha enlouquecido, alimentando-se entre os porcos em Valarshapar e arrancando sua própria pele. Gregório curou o Rei Tiridates, trazendo-o de volta às suas capacidades mentais. Gregório soube de todas as atrocidades que foram cometidas, e viu os corpos de muitos mártires que foram cremados. O Rei, acompanhado de sua corte, aproximou-se de Gregório, procurando perdão por todos os pecados que haviam cometido. Daí pra frente, Gregório passou a pregar o cristianismo ao Rei, a sua corte e ao seu exército.

O Rei Tiridates, que abraçou o Cristianismo como sua religião após a sua cura miraculosa, realizada por meio da intervenção divina de Gregório, proclamou o Cristianismo como religião de Estado da Armênia no ano de 301. Gregório se tornou o Bispo de Cesareia, e permaneceu a serviço do Rei até cerca de 314. Uma outra versão atribuída à conversão do Rei Tiridates ao cristianismo é que foi um movimento estratégico para criar uma unidade nacional e vencer a hegemonia dos Persas Zoroastrianos e da Roma pagã e, desde então, a Igreja Cristã tem exercido uma forte influência na Armênia, sendo parte da identidade nacional.

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Khor Virap fica a cerca de 1h de carro do centro de Yerevan, e o percurso de ida e volta num táxi do tipo conforto (com ar condicionado), contabilizando o tempo de espera do motorista, custa por volta de 15.000 AMDs (cerca de US$31). Algumas empresas turísticas oferecem o passeio para Khor Virap e outros pontos históricos da Armênia em roteiros de um dia (day-trip), e custam por volta de 20.000 AMDs (cerca de US$42) por pessoa.

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Հայոցգրեր, o alfabeto armênio

O alfabeto armênio (em armênio: Հայոցգրեր) é o sistema de escrita usado para escrever a língua armênia. O alfabeto armênio como se conhece hoje foi desenvolvido por volta de 405 d.C. por Mesrop Mashtots, linguista armênio e líder eclesiástico. A palavra armênia para “alfabeto” é “այբուբեն” (lê-se: aybooben), criada a partir das duas primeiras letras do alfabeto armênio: “Ա” e “Բ”. A língua armênia é escrita horizontalmente, da esquerda para a direita.

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Uma das principais histórias sobre a existência de um alfabeto armênio antes do desenvolvimento do linguista Mashtots vem de Fílon de Alexandria (20 a.C. – 50 d.C.), que, nos seus registros, nota que o trabalho do filósofo e historiador grego Metrodorus de Scepsis (145 a.C. – 70 a.C.), “Sobre os Animais”, foi traduzido para o armênio. Metrodorus foi um amigo próximo e historiador da corte do Imperador Tigranes o Grande, e também escreveu a sua biografia. Outro teólogo romano do século III, Hippolytus de Roma (170-235 d.C.), em sua obra “Crônica”, menciona que os armênios estão entre as nações que tinham seu próprio alfabeto distinto ao escrever sobre a sua contemporaneidade. Filóstrato o Ateniense, filósofo sofista dos séculos II e III, escreveu sobre inscrições no alfabeto armênio.

De acordo com Movses Khorenatsi, historiador armênio do século V, Bardesanes de Edessa (154-222 d.C.), que fundou a corrente gnóstica dos Bardaisanites, foi até o castelo armênio de Ani e, lá, leu o trabalho de Voghyump, um sacerdote armênio pré-cristão, registrado no manuscrito de Mithraic dos templos armênios nos quais, entre outras histórias, notava-se o episódio do Rei Armênio Tigranes VII (que reinou entre 144-161 d.C. e novamente entre 164-188 d.C.) erguendo um monumento na tumba do seu irmão, o Alto Sacerdote Mithraic do Reino da Grande Armênia, Mazhan. Khorenatsi notou que Bardesanes traduziu este livro armênio para o aramaico, e depois para o grego. Outra importante evidência da existência de um alfabeto armênio antes de Mashtots é o fato de que o panteão pagão armênio incluiu Tir, o deus da Escrita e da Ciência.

Vardan Areveltsi, historiador armênio do século XIII, notou que, durante o reinado do Rei Armênio Leo o Magnífico (entre 1187 e 1219), foram encontrados artefatos com inscrições em armênio sobre os deuses pagãos antigos. A evidência de que os acadêmicos armênios da Idade Média sabiam da existência de um alfabeto pré-Mashtotsiano também pode ser encontrada em outros trabalhos medievais, incluindo o primeiro livro escrito com o alfabeto Mashtotsiano pelo pupilo de Mashtots, Koriwn, na primeira metade do século V. Koriwn revela que Mashtots foi instruído sobre a existência de letras armênias antigas, que ele inicialmente tentava integrar ao seu próprio alfabeto.

O alfabeto armênio foi introduzido por Mersrop Mashtots e Isaac da Armênia (Sahak Partev) em 405 d.C. As fontes armênias medievais também alegam que Mashtots inventou os alfabetos georgiano e caucasiano-albaniano na mesma época. Entretanto, a maioria dos acadêmicos relaciona a criação dos manuscritos georgianos ao processo de cristianização da Ibéria, centro do reino georgiano de Kartli. O alfabeto foi, portanto, muito provavelmente criado entre a conversão da Ibéria sob o Rei Mirian III e as inscrições Bir el Qutt de 430 d.C., contemporaneamente ao alfabeto armênio. Tradicionalmente, acredita-se que a primeira frase a ter sido escrita em armênio por Mashtots seja “Para se conhecer a sabedoria e a instrução; para se entenderem as palavras da prudência” (Provérbios 1, 2).

Muitos manuscritos foram creditados como protótipos do alfabeto armênio. Pahlavi era o manuscrito sacerdotal em armênio antes da introdução do cristianismo, e siríaco, junto do grego, foi um dos alfabetos da Escritura Cristã. O armênio mostra algumas similaridades com estes alfabetos, mas o consenso geral é de que o alfabeto armênio foi modelado de acordo com o alfabeto grego, suplementado com letras de diferentes fontes para sons armênios que não são encontrados no grego. Algumas evidências sustentam este argumento: a ordem do alfabeto armênio, o conector ow para a vogal u, e as formas de algumas letras que parecem derivar das letras cursivas gregas.

Existem quatro principais caligrafias dos manuscritos. Erkatagir, ou “letras de ferro”, são como as letras originais de Mashtots, usadas nos manuscritos entre os séculos V e XIII, e ainda escolhidas para inscrições epigráficas. Bolrgir, ou “cursiva”, que foi inventada no século X, ficou popular no século XIII, e tem sido a impressão padrão desde o século XVI. Notrgir, ou “minúscula”, inventada inicialmente para ter mais agilidade, foi extensivamente usada pela diáspora armênia nos séculos XVI e XVIII, e depois se tornou popular nas impressões. Sheghagir, ou “escrita inclinada”, é, agora, a forma mais comum.

O exemplo mais antigo sobre o uso do alfabeto armênio foi uma dedicatória inscrita sobre a porta oeste da Igreja de São Sarkis em Tekor, datada 480 d.C. O exemplo vivo mais antigo desses manuscritos fora da Armênia é uma inscrição num mosaico da metade do século XI numa capela em Jerusalém. Agora na Biblioteque Nationale de France, um papiro descoberto em 1892 em Fayyum, contendo palavras gregas escritas com letras armênias foi datado, em termos históricos, para um período anterior a conquista do Egito – ou seja, antes de 640 d.C. – e em termos paleográficos ao século VI. Os mais antigos manuscritos com letras armênias na língua armênia datam dos séculos VII/VIII.

Algumas mudanças na língua não foram refletidas imediatamente na ortografia. O dígrafo աւ(au) seguido por uma consoante era pronunciado como “au” no armênio clássico mas, por conta de uma mudança de sons, passou a ser pronunciado como “o”, e tem sido escrito como “o” desde o século XIII. Por exemplo, a palavra“աւր” (lê-se “awr” e significa “dia”) passou a ser pronunciada “or” e agora é escrita “օր”. Por essa razão, hoje, há palavras armênias nativas que começam com a letra “o” embora esta letra tenha sido adaptada do alfabeto grego para escrever palavras estrangeiras que começavam com “o”.

O número e ordem das letras foram modificados com o tempo. Na Idade Média, duas novas letras (օ [o], ֆ [f])foram introduzidas para melhor representar sons estrangeiros, o que aumentou o número de letras de 36 para 38. Entre 1922 e 1924, a Armênia Soviética adotou uma reforma ortográfica da língua armênia: a reforma transformou o dígrafo “ու” e o conector “և” em duas novas letras. Aqueles fora da esfera soviética (incluindo os armênios ocidentais e os armênios orientais do Irã) rejeitaram as reformas ortográficas, e continuam usando a ortografia tradicional armênia, enquanto criticam alguns aspectos das reformas e alegam motivações políticas por trás delas.

O alfabeto armênio é celebrado em Yerevan na avenida Mesrop Mashtots, que homenageia o linguista armênio, e que também abriga o Mesrop Mashtots Institute of Ancient Manuscripts, também conhecido como Matenadaran.

Quem foi Aram Manukyan?

Na tarde do dia 17 de julho de 2018, uma nova estátua foi inaugurada em Yerevan, com a presença do Primeiro Ministro Nikol Pashinyan, do Presidente da Armênia Armen Sarkissian, e do Patriarca da Igreja Armênia Garegin II (Catholicos of the Armenian Church). A homenagem a Aram Manukyan fica na saída da estação de metrô da Praça da República, na esquina da rua Aram, o que despertou a minha curiosidade em descobrir um pouquinho mais sobre este importante político armênio.

Aram Manukyan (19 março 1879 – 29 janeiro 1919) foi um político armênio revolucionário, membro líder do partido nacionalista Federação Revolucionária Armênia (Dashnaktsutyun). Ele é conhecido como o fundador da Primeira República da Armênia, há 100 anos.

Nos primeiros meses da Primeira Guerra Mundial, Manukyan trabalhou junto aos oficiais Otomanos em Van, uma das maiores cidades da Turquia, para diminuir as crescentes tensões até a metade de abril de 1915, quando as forças turcas sitiaram a cidade. Aram Manukyan então conduziu a auto-defesa civil de Van e, como resultado dessa empreitada, milhares de pessoas não foram deportadas nem massacradas pelo governo turco durante o genocídio armênio.

Depois da Revolução Russa e o colapso do fronte do Cáucaso em 1917-18, Aram Manukyan foi um “ditador popular” da área não-conquistada em torno da cidade de Yerevan. Em maio de 1918, ele organizou a defesa contra o avanço do exército turco, que foi efetivamente contido na Batalha de Sardarabad, prevenindo a destruição completa da nação armênia. Manukyan desempenhou um papel importante no estabelecimento da Primeira República da Armênia, e atuou como Primeiro Ministro dos Assuntos Internos. Ele morreu de febre tifóide em janeiro de 1919.

Aram Manukyan foi um advogado da autoconfiança. Ele era conhecido pela sua habilidade em unir diferentes setores da sociedade por uma causa comum. Ele é considerado por muitos acadêmicos como o fundador da Primeira República da Armênia. Durante o período soviético, ele e outros proeminentes partidários foram negligenciados. Desde 1990, tem sido feitas muitas tentativas de reviver sua memória na Armênia independente, e a inauguração desta belíssima estátua faz parte destes esforços.

A estátua foi idealizada por David Minasyan, e mostra Aram Manukyan, feito de pedra (como a maioria das estátuas e monumentos de Yerevan), envolto na bandeira da Armênia, feita em mármore.

A Armênia e o Futebol, e o Futebol na Armênia

Estamos em plena Copa do Mundo e, embora a seleção da Armênia não tenha se classificado para a competição, o país está tomado pelo espírito futebolístico! A proximidade com a Rússia, país sede do campeonato mundial de 2018, impulsionou o turismo na Armênia, já que muitos dos torcedores que visitam a Rússia nesse período estão aproveitando a oportunidade para conhecer outros países da região.

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Enquanto a bola rola na Rússia, Yerevan está em ritmo de Copa do Mundo, com muitos dos bares, cafés e restaurantes decorados com as bandeiras dos países que estão no campeonato, e muitos deles também estão transmitindo os jogos. Aqui, estamos 1 hora na frente do horário da Rússia, então a última partida do dia (que, no Brasil, acontece às 15h) começa às 22h, terminando pertinho da meia-noite. Se em outros lugares do mundo isso talvez fosse motivo para que a rua estivesse vazia, principalmente se tratando de um país que não está competindo no campeonato mundial, em Yerevan a cidade vibra e pulsa!

A seleção masculina da Armênia está em 100ª posição no ranking da FIFA. Nas eliminatórias para a Copa do Mundo 2018, a Armênia fez parte do Grupo E – o mesmo grupo da Dinamarca e da Polônia, que se classificaram para o mundial. Nos seus 10 jogos das eliminatórias, a Armênia somou (apenas) 7 pontos, e ficou em 5º lugar no grupo, na frente apenas do Cazaquistão. Dos 10 jogos, 5 aconteceram no Estádio Republicano (Republican Stadium) de Yerevan, e a Armênia venceu 2 destes jogos: em 11 de novembro de 2016, na partida contra Montenegro, e em 26 de março de 2017, na partida contra o Cazaquistão, que presenciei ao vivo e a cores!

Ver a seleção da Armênia jogando no Republican Stadium de Yerevan foi mais uma das experiências inesquecíveis entre as tantas que tenho vivido aqui! O jogo foi muito animado; os armênios demonstraram muita paixão pelo esporte vestindo as cores nacionais, carregando bandeiras, cantando muito durante o jogo, gritando HAYASTAN (o nome armênio da Armênia) diversas vezes e, é claro, fumando muito o tempo todo.

Henrikh Mkhitaryan, o craque que é o orgulho nacional

Durante as eliminatórias da Copa, Henrikh Mkhitaryan liderou o time, carregando a braçadeira de capitão. Ele é o grande craque armênio, e é o orgulho nacional: TODAS as camisas da seleção da Armênia que a gente encontra tem o nome dele, além dos bonecos uniformizados que homenageiam o jogador de futebol, que fazem enorme sucesso entre as crianças.

Henrikh Mkhitaryan foi para o Manchester United no meio do ano de 2016 e, em dezembro do mesmo ano, tornou-se o primeiro armênio a marcar um gol na Premier League, quando o Manchester United venceu o Tottenham por 1×0. Em janeiro de 2018, Mkhitaryan assinou com o Arsenal. O curioso é que Mkhitaryan também se tornou o primeiro jogador de futebol a marcar pelo Manchester United e contra o Manchester United numa mesma temporada!

Nascido em Yerevan em 21 de janeiro de 1989, Henrikh Mkhitaryan fez 6 gols com a camisa da seleção da Armênia durante as eliminatórias para a Copa do Mundo, mas infelizmente não conseguiu conduzir o time nacional à Copa do Mundo. A seleção da Armênia nunca jogou uma fase final de Copa do Mundo.

Salvem o futebol armênio!

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Desde 2015, quando a Armênia terminou em último lugar na fase classificatória para o Campeonato Europeu, há um movimento que luta para resgatar o futebol armênio, numa tentativa de impulsionar tanto o time nacional quanto as ligas locais. Naquela época, o First Armenian Front (a maior das torcidas organizadas do país) submeteu à Football Federation of Armenia (a instituição futebolística do país) três demandas: primeiro, que um técnico internacional de alta qualidade fosse contratado para treinar a seleção armênia; segundo, que todos os candidatos ao time nacional tivessem oportunidade de jogar, sem discriminações; e, terceiro, que os preços para os jogos da seleção nacional fossem reduzidos.

O First Armenian Front, fundado em 2007, não só apoia a seleção quando joga em casa, mas também organiza viagens para que os torcedores locais tenham a oportunidade de acompanhar as partidas do time nacional, e também para reunir torcedores armênios de todo o mundo.

O então presidente da Football Federation of Armenia, Ruben Hayrapetyan, respondeu que o First Armenian Front representa um grupo pequeno de torcedores e que as suas demandas não poderiam ser consideradas como a voz de todos os torcedores do time nacional. A reação de Hayrapetyan é característica das lideranças tradicionais armênias; só agora, após a Velvet Revolution, é que começamos a ver algumas mudanças nas respostas às demandas diversas dos cidadãos (mais sobre a Velvet Revolution em breve!).

Os armênios são apaixonados por futebol, e é fácil notar que a vontade da população é de que o time nacional seja impulsionado para participar dos grandes campeonatos internacionais. Os 9 clubes armênios disputam a Copa da Armênia anualmente e, nesse ano, o clube “FC Pyunik” passará a ser chamado “FC Yerevan”, em homenagem à capital da Armênia, que é sua sede, no ano em que a cidade completa 2800 anos. Os outros clubes armênios são: FC Shirak, com sede em Gyumri; FC Lori, com sede em Vanadzor; FC Gandzasar-Kapan, com sede em Kapan; FC Banants, FC Ararat City, FC Alashkert, FC Artsakh, e FC Erebuni, todos estes com sede em Yerevan.

Muito ligados ao futebol e na história futebolística mundial, não é raro que muitos falem sobre os jogadores brasileiros com grande admiração – e não só de Neymar, Ronaldo ou Pelé, mas também Mané Garrincha, Rivaldo, Roberto Carlos, Taffarel, Romário, Bebeto e tantos outros que fizeram história no futebol brasileiro. A campanha “SAVE ARMENIAN FOOTBALL” é um manifesto real da vontade dos torcedores armênios em valorizar o esporte no país e projetar seus jogadores para o mundo, e a admiração que eles tem pelo futebol brasileiro está intimamente ligada a este anseio.

*texto publicado originalmente no Brasileiras pelo Mundo

1 ano na Armênia!

Na noite de 25 de janeiro de 2017, chegamos em Yerevan com as malas cheias das nossas coisas e expectativas. 365 dias se passaram, mas parece que foi ontem!

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a 1ª foto que eu tirei de Yerevan, na manhã do dia 26/01/2017

Honestamente, não tínhamos muita ideia do que iríamos encontrar por aqui. Tínhamos expectativas, mas não fazíamos ideia de como tudo o que esperávamos seria superado! Se eu sabia muito pouco sobre a Armênia quando chegamos, hoje já me sinto um pouco mais íntima de tanta cultura e história que este país guarda.

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“1” bem comemorativo!

Esse tempo morando na Armênia me possibilitou reencontrar uma paz interior que há muito eu tinha perdido. Uma calma me invadiu, talvez porque o ritmo da cidade seja menos acelerado, talvez porque eu tenha me permitido um ritmo menos acelerado pra minha rotina. Graças a Deus, as minhas crises de ansiedade ficaram no passado. Consegui redirecionar meu foco para as coisas realmente importantes, e me dedicar à atividades que eu amo realizar. Descobri talentos nunca antes desenvolvidos, e me vi colocando em prática projetos com os quais eu nem nunca sonhei ou que eu jamais imaginei possíveis. Viajamos muito, e já temos muitas boas histórias, mas ainda temos muita Armênia pra desvendar. Ainda bem que temos tempo pra isso!

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Armênia na mão e pra sempre no coração!

Me apaixonei – e continuo me apaixonando – diariamente por Yerevan, pela culinária armênia e pelo povo simpático e sorridente. Por mais que seja difícil construir laços duradouros quando temos um limite de tempo estabelecido pra morar em cada país, contado a partir do primeiro momento, fiz algumas amizades que me ensinaram muitas coisas – entre elas, algumas palavras em armênio, esse idioma dificílimo!

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por onde for, quero ser seu par!

E, se é difícil construir laços duradouros em países que são a nossa casa temporariamente, os nossos laços ficam cada vez mais profundos. Marido, obrigada por ser o melhor companheiro de vida e de aventuras que eu poderia ter. Desde o primeiro dia, muito mais do que me incentivar, você me dá coragem para seguir sempre em frente. Compartilhar sonhos e ideais com o meu melhor amigo, numa relação de cumplicidade que transcende o que palavras poderiam descrever, faz o meu coração transbordar de alegria. De mãos dadas com você, vou até o fim do mundo, ao infinito e além. O mundo é a nossa casa e todo o meu amor é seu.

Agradecer, agradecer, agradecer. Senhor Deus, receba toda a minha gratidão por ter providenciado coisas tão maravilhosas para nós neste tempo em que estamos morando por aqui. Acordo e vou dormir feliz e tranquila todos os dias, e é graças às muitas bençãos que o Pai do Céu tem derramado sobre nós, pela intercessão da Santíssima Virgem Maria. Que o próximo ano seja tão maravilhoso quanto este que passou!