1 ano na Armênia!

Na noite de 25 de janeiro de 2017, chegamos em Yerevan com as malas cheias das nossas coisas e expectativas. 365 dias se passaram, mas parece que foi ontem!

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a 1ª foto que eu tirei de Yerevan, na manhã do dia 26/01/2017

Honestamente, não tínhamos muita ideia do que iríamos encontrar por aqui. Tínhamos expectativas, mas não fazíamos ideia de como tudo o que esperávamos seria superado! Se eu sabia muito pouco sobre a Armênia quando chegamos, hoje já me sinto um pouco mais íntima de tanta cultura e história que este país guarda.

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“1” bem comemorativo!

Esse tempo morando na Armênia me possibilitou reencontrar uma paz interior que há muito eu tinha perdido. Uma calma me invadiu, talvez porque o ritmo da cidade seja menos acelerado, talvez porque eu tenha me permitido um ritmo menos acelerado pra minha rotina. Graças a Deus, as minhas crises de ansiedade ficaram no passado. Consegui redirecionar meu foco para as coisas realmente importantes, e me dedicar à atividades que eu amo realizar. Descobri talentos nunca antes desenvolvidos, e me vi colocando em prática projetos com os quais eu nem nunca sonhei ou que eu jamais imaginei possíveis. Viajamos muito, e já temos muitas boas histórias, mas ainda temos muita Armênia pra desvendar. Ainda bem que temos tempo pra isso!

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Armênia na mão e pra sempre no coração!

Me apaixonei – e continuo me apaixonando – diariamente por Yerevan, pela culinária armênia e pelo povo simpático e sorridente. Por mais que seja difícil construir laços duradouros quando temos um limite de tempo estabelecido pra morar em cada país, contado a partir do primeiro momento, fiz algumas amizades que me ensinaram muitas coisas – entre elas, algumas palavras em armênio, esse idioma dificílimo!

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por onde for, quero ser seu par!

E, se é difícil construir laços duradouros em países que são a nossa casa temporariamente, os nossos laços ficam cada vez mais profundos. Marido, obrigada por ser o melhor companheiro de vida e de aventuras que eu poderia ter. Desde o primeiro dia, muito mais do que me incentivar, você me dá coragem para seguir sempre em frente. Compartilhar sonhos e ideais com o meu melhor amigo, numa relação de cumplicidade que transcende o que palavras poderiam descrever, faz o meu coração transbordar de alegria. De mãos dadas com você, vou até o fim do mundo, ao infinito e além. O mundo é a nossa casa e todo o meu amor é seu.

Agradecer, agradecer, agradecer. Senhor Deus, receba toda a minha gratidão por ter providenciado coisas tão maravilhosas para nós neste tempo em que estamos morando por aqui. Acordo e vou dormir feliz e tranquila todos os dias, e é graças às muitas bençãos que o Pai do Céu tem derramado sobre nós, pela intercessão da Santíssima Virgem Maria. Que o próximo ano seja tão maravilhoso quanto este que passou!

Gyumri: restaurante Cherkezi Dzor

No dia 13 de janeiro, fomos conhecer a cidade de Gyumri, que é a 2ª maior cidade da Armênia e fica a cerca de 130km do centro de Yerevan. A viagem entre as duas cidades leva cerca de 2h30. E, se em Yerevan apenas começou a nevar, Gyumri já está bem mais branquinha!

Depois de visitarmos o centro da cidade e conhecermos a linda catedral, fomos para o restaurante Cherkezi Dzor, que é uma fazenda de peixes onde podemos escolher na hora qual peixe comeremos!

Na hora em que escolhemos o peixe, um dos funcionários do restaurante pesca o eleito, pesa e leva pra cozinha. Pouco tempo depois, o peixe chega lindíssimo e inteiro à mesa, para nosso deleite em uma refeição maravilhosa. Como acompanhamento, escolhemos batatas típicas, arroz pilaf de cogumelos, picles, iogurte (matsoun) e muito pão fresco. De sobremesa, comemos gatah acompanhada de café armênio.

Em Gyumri, a neve já deixou a paisagem bem branquinha!

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Na volta para Yerevan, paramos na estrada pra registrar a paisagem bem branquinha da região montanhosa da Armênia.

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Ano passado, Yerevan estava coberta de neve nesta época mas, neste inverno, o frio está menos intenso e a neve também. Se no inverno do ano passado as temperaturas chegaram a -20ºC, este inverno tem sido bem mais ameno, com as mínimas em torno de -4ºC. Só ontem é que tivemos um pouco mais de neve na cidade, que acabou derretendo ao longo do dia!

Por que os armênios celebram o Natal em janeiro?

Desde que cheguei na Armênia, o aprendizado tem sido diário, e me surpreendo constantemente com a cultura local e as bases sólidas por trás de tudo o que há de tradicional no país. E não poderia ser diferente quanto ao Natal que, na Armênia,  é celebrado no dia 6 de janeiro!

É claro que a curiosidade surge: se a Armênia observa o calendário gregoriano, por que os armênios comemoram o Natal no dia 6 de janeiro?

Os armênios constituem um povo de muita fé, com algumas peculiaridades e diferenças em relação à Igreja Católica Apostólica Romana. Para a Igreja Apostólica Armênia, a escolha do dia 6 de janeiro para celebrar o nascimento de Cristo está pautada na argumentação de que não se sabe ao certo qual o dia Jesus nasceu e que, de acordo com as tradições muito antigas da igreja, vários eventos aconteciam para comemorar a Incarnação de Deus. Estas festas não eram chamadas de Natal, e sim de Teofania, que significa “revelação de Deus”.

No calendário Gregoriano, há 2 datas que observam e celebram o nascimento de Cristo: 25 de dezembro e 6 de janeiro. No antigo calendário Juliano, estas datas equivalem aos dias 7 e 19 de janeiro. O dia 25 de dezembro do calendário Gregoriano é o dia 7 de janeiro do calendário Juliano, e o dia 6 de janeiro do calendário Gregoriano é o dia 19 de janeiro do calendário Juliano. De todo modo, a Epifania do Batismo de Jesus é celebrada 12 dias após o Natal, período dedicado pela Igreja ao aprofundamento, contemplação e assimilação do Mistério da Encarnação do Filho de Deus.

Os armênios observam o calendário Gregoriano, exceto aqueles que moram em Jerusalém. Celebrar o Natal no dia 6 de janeiro é uma opção da Igreja Armênia que comemora tanto o nascimento quanto o batismo de Jesus no mesmo dia, quando todos os principais eventos relacionados à Teofania são relembrados, desde a revelação de Jesus como o Filho de Deus, o Verbo Encarnado, o Príncipe da Paz e Rei dos Céus. Portanto, esta celebração abrange desde a Natividade de Cristo em Belém, a visita e a visão dos Reis Magos que foram testemunhar o nascimento de Cristo como revelação Divina, a narrativa da infância de Jesus (a fuga para o Egito, a apresentação no Templo, a circuncisão de Cristo) e a Epifania ou o Batismo no Rio Jordão, onde é inaugurada a redenção do Povo de Deus pela abertura dos céus, a revelação de Deus por meio do Espírito Santo na forma de uma pomba, e a Voz de Deus Pai proclamando que Aquele era o Seu Filho muito amado.

A Teofania (ou Epifania) era celebrada em 6 de janeiro até o século V, quando o Concílio de Calcedônia (451 d.C.) declarou formalmente que o dia 25 de dezembro comemoraria o nascimento de Jesus Cristo, separando a natividade do batismo pelos 12 dias de Natal. A Igreja, sob a liderança do Papa Libério, marcou, desde o século IV, o “Dies Natalis” ou “Natalis Domini” no dia 25 de dezembro.

Embora sejam muitas as teorias sobre os motivos para os 4 Concílios Ecumênicos de Niceia, Éfeso, Calcedônia e Constantinopla terem decidido mudar a celebração da Natividade para o dia 25 de dezembro, acredita-se em geral que a data foi modificada para suprimir as festas e práticas pagãs que celebravam o solstício de inverno, porque, naquele tempo, os cristãos também observavam as festas pagãs. Os pagãos chamavam esta celebração do solstício de inverno de Saturnália, honrando o deus pagão Saturno, com uma festa que durava desde o dia 17 de dezembro até o dia 25, cultivando com o nascimento do sol invencível (Dies natalis invicti solis), na medida em que os dias começavam a ficar mais longos, porque, entre os pagãos, acreditava-se que o sol que morria durante o solstício de inverno renascia em seguida. A Igreja Católica quis ressaltar que a verdadeira luz que ilumina a humanidade é Cristo, e é a celebração do Seu nascimento é a solenidade própria que afirma a fé autêntica no mistério da Encarnação do Verbo, afastando os fiéis da prática de festas idolátricas.

Uma vez que a data da Epifania ou Batismo era mais antiga, e tinha importância litúrgica primordial, não podia-se modificá-la, ao passo que uma adição da data para celebrar exclusivamente a Natividade poderia ser feita sem grandes problemas. A origem da palavra Natal também é discutida, e há quem acredite que a palavra derivou da tradição pagã de celebrar o “Noio hel“, que significa Novo Sol. A árvore, que antes era adorada como símbolo de vida, passou a ser associada também à celebração cristã.

Entretanto, na Armênia, cujo Cristianismo tem origem nos antigos Apóstolos, não se adotou esta mudança pelo simples fato de que não mais existiam tais práticas pagãs na Armênia no século V, o que permitia que eles se mantivessem fiéis às tradições dos seus antepassados.

É por isso que, até hoje, os armênios celebram a Natividade no dia 6 de janeiro, junto da Epifania. Segundo a tradição, há uma benção das águas, com a imersão de uma cruz na água como sinal do Mistério Salvífico de Deus por meio da vida de Cristo, do útero à tumba. A água benta é, então, oferecida a todos como sinal da manifestação Divina nas águas gloriosas do rio Jordão, o local onde Jesus Cristo foi revelado como Salvador da Humanidade, trazendo nova vida para todos que n’Ele creem.

*este meu texto foi originalmente publicado no blog Brasileiras pelo Mundo.

Mercado de Natal em Ierevan

Como em muitas outras cidades européias, Ierevan também tem seu mercado de Natal!

Organizado em plena Northern Avenue, o mercado de Natal de Ierevan oferece muitos artigos festivos e também quitutes deliciosos para aquecer os corações e estômagos de todos os que celebram o Natal e o Ano Novo!

Além da decoração de Natal linda que tem tomado conta da cidade, a Northern Avenue abriga diversos stands, entre eles alguns dos cafés locais com opções especiais para a época festiva.

O calendário de festas cristãs aqui na Armênia é um pouco diferente, e o Natal é celebrado por aqui no dia 6 de janeiro! Na verdade, as celebrações começam no dia 31 de dezembro, com o ano novo, e terminam no dia 6 de janeiro com o Natal, totalizando 7 dias de celebrações. Confesso que estou ansiosa pra viver tudo isso pela primeira vez!

Armênia entre os 10 países para visitar em 2018

Chegamos em Ierevan na segunda feira e já tivemos uma excelente notícia sobre este país que tem sido a nossa casa neste ano: os especialistas da Fodor’s, agência de publicações turísticas, incluíram a Armênia entre os 10 países mais interessantes para se visitar em 2018!

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Mãe da Armênia no Parque da Vitória: um dos meus lugares favoritos em Ierevan!

No artigo, lê-se que o pequeno país do Cáucaso é enorme em riqueza histórica e cultural, além de muito hospitaleiro, destacando as montanhas e os vales férteis da Armênia, bem  como os muitos mosteiros e vilas tradicionais. E, é claro, a culinária armênia também foi mencionada, com o devido destaque para os churrascos armênios e a dolma (que, como vocês já sabem, é um dos meus pratos favoritos!).

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Noravank, um dos antigos mosteiros da Armênia

Além disso, o artigo indica que, apesar de seus quase 3000 anos, a capital Ierevan tem uma energia jovem, recheada de bons cafés, wine bars, lojas e restaurantes. Os especialistas da Fodor’s notam que as melhores épocas para visitar a Armênia são a primavera e o outono, períodos nos quais há muitos festivais a céu aberto – e, devo adicionar, as temperaturas são mais agradáveis!

Ocupando a 7ª posição na lista que contempla 52 destinos, há muito o que se ver na Armênia, como vocês tem podido acompanhar aqui no blog! Desde que chegamos aqui, vivemos muitas experiências incríveis, mas ainda não desfrutamos nem da metade do que esse pequeno grande país tem a oferecer. Que venha um ano novo de muitas aventuras!