mais um post sobre amor e Harry Potter

como o título já diz, esse é mais um post sobre Harry Potter.

acontece que hoje completam-se 6 anos do lançamento de Harry Potter and the Deathly Hallows. ou seja: 6 anos desde que li pela última vez linhas inéditas sobre o mundo que me fascina, me alucina, me faz cometer loucuras.

6 anos se passaram sem uma linha nova (mentira, teve um dia que a tia Jo soltou uma folha frente e verso escritas sobre uma aventura de Sirius e James na juventude) sobre esse universo, e o meu amor pela história só cresce.

aqueles boatos de livros novos ficaram mesmo só nos boatos. o que é novidade é que tia Jo lançou em abril/2013 um livro com um pseudônimo e ninguém sabia disso até semana passada. quer dizer, já tô pirando querendo ler.

é muito amor, Brasil. e é muita saudade. é muita vontade de ler coisas novas dentro desse universo que me acompanha há tantos anos. é muita saudade de abraçar as aventuras de Harry, Ron e Hermione. é muita vontade de saber do Neville, do Fred e do George. é muita saudade de ver novidade.

é muita vontade de ver a tia Jo (ainda não desisti! se não deu pra encontrá-la em Edinburgh ano passado, a oportunidade há de vir!) e agradecer pela história maravilhosa que ela inventou e que me deixa tão feliz, que me causa um misto de emoções que nem sei explicar.

ai, Harry.

vamos falar do que está acontecendo, parte 2

Eu não vou começar este texto dizendo que há algo de estranho no ar, porque seria uma constatação um pouco óbvia demais.

Desde que escrevi o outro texto sobre o que está acontecendo, muito mais aconteceu. E, se antes eu tinha algumas dúvidas, alguns sentimentos difíceis de explicar, agora as dúvidas só aumentaram, e os sentimentos ficaram ainda mais confusos.

Ontem teve muito mais gente na rua do que qualquer outro dia de manifestação. Mas até que ponto eu me senti representada por aquela gente?

Eu não me senti representada.

Eu não consigo me sentir representada por uma massa que está indo às ruas reprimindo bandeiras partidárias que estão na rua há muito mais tempo do que nós. Não consigo me sentir representada por uma gente que grita palavras de ordem vazias, sem saber direito as consequências do que faz. Não me sinto representada por uma gente que quer invadir a Prefeitura do Rio, ou o Palácio do Itamaraty em Brasília.

Aliás, aqui cabe um ponto muito pessoal: as cenas da “quase invasão” ao Itamaraty, com gente em cima do Meteoro, nadando no espelho d’água, quebrando vidros e colocando fogo no prédio, me causou sentimentos e sensações que eu não consigo explicar. Parece que estavam invadido a minha casa (que, espero, assim será, um dia – de preferência num futuro próximo). Parece que estavam destruindo um pedaço de mim. Eu senti uma coisa horrível dentro de mim – do mesmo jeito que me sinto quando algo de ruim está pra acontecer.

Enquanto isso, tem gente pedindo nulidade das eleições. Outros  pedem o impeachment da Presidenta. O Congresso está preparado pra substituir a Presidência com novas eleições rapidamente.

De alguma forma muito hábil, uma massa foi convencida de que o mensalão foi o maior escândalo político da história. De alguma forma muito hábil, uma massa foi convencida de que a culpa é do PT, única e irrestritamente. De alguma forma muito hábil, querem fazer a massa acreditar que todas as movimentações são apartidárias.

Mas como uma manifestação política pode ser apartidária? Como podemos achar natural que em uma manifestação política os partidos políticos não podem se expressar? Como aceitar uma manifestação popular que não é verdadeiramente uma festa da democracia?

Querem o monopólio do grito? Querem o totalitarismo? Querem o Estado de Sítio?

De repente, as manifestações, que sempre foram coisas de “socialista”, da “esquerda”,  se tornaram palco para discursos conservadores e reacionários. De repente, as manifestações se tornaram ações nacionalistas – no pior sentido da coisa.

De repente, os meios de comunicação passaram a exaltar o caráter pacífico e apartidário das manifestações.

De repente, não me dá mais orgulho em ver a massa mobilizada. Ao contrário, me dá vontade de gritar aos quatro cantos que parem de ir às ruas. E, de novo, quando muito se grita, fica difícil de escutar o que as vozes pedem. Se o movimento é tão grande e com tantas causas defendidas, na prática não conseguimos identificar suas verdadeiras causas. É aquela falta de ideologia que eu já tinha sinalizado no outro post.

Enquanto não vemos nenhuma reivindicação concreta nos gritos da população, o consenso só existe na entoação do Hino Nacional, na agressão moral aos políticos, e na convocação de mais pessoas pra rua. Ou seja: há ufanismo, prega-se o ódio, e o movimento é retroalimentado. Os nacionalistas que se unem sob a desculpa da independência de partidos ou vínculos políticos podem deixar escorrer pelas suas próprias mãos a democracia, a lei e a ordem pela qual tantos lutaram há pouco mais de duas décadas.

Pode ser só o início, mas eu estou começando a ficar com medo do final.

vamos falar do que está acontecendo

Já tem um tempo que eu procuro ser mais espectadora das redes sociais do que mais uma pessoa tentando formar as opiniões alheias. Eu não sei até que ponto isso é bom ou ruim, mas eu me sinto mais confortável assim. Não gosto de discussões acaloradas via internet, muito menos de ficar recebendo notificações a cada segundo no meu celular porque alguém comentou isso ou aquilo sobre o que eu falei.

Frente a frente, é outra história – embora a minha (quase) timidez e a minha (pseudo) insegurança deixem quase sempre os argumentos adversários se tornarem vencedores. Por preguiça ou por tédio.

Mas os acontecimentos recentes, desencadeados pelo aumento nos preços das passagens, estão fazendo com que eu mude levemente este meu comportamento nas redes sociais. Não a ponto de gerar discussões, mas o suficiente pra me colocar junto da gente que luta por um Brasil melhor.

E, enquanto (ainda!) estudante de relações internacionais, é preciso manifestar(!!) o que eu penso da política e disso tudo – nem que seja aqui, onde sei que tenho pouco alcance de divulgação.

De repente, parece que muitas gerações acordaram e resolveram demonstrar o quão inconformados est(amos)ão com o que está acontecendo há muito tempo no Brasil. Não se trata só da política, da corrupção, ou de problemas aos quais um ou mais partidos políticos dão cara. A manifestação não é sobre 20 centavos, embora os “líderes” do “movimento” ainda digam que esta é a principal bandeira do movimento.

Mas que bandeira?

Tenho visto nas redes sociais – principalmente nas páginas dos eventos que se criam para divulgar a hora e o local do próximo manifesto – muita gente dizendo que os movimentos não correspondem a nenhum partido, e que não se devem levar bandeiras para as demonstrações – a menos que sejam bandeiras do Brasil.

Então estamos todos lutando sob as 27 estrelas? Sob a ordem e o progresso?

E, sobre a ordem: os mais de 100 mil manifestantes que foram ontem para o Centro do Rio revestiram-se do caráter pacífico que uma manifestação deve ter. Aí meia dúzia de gatos pingados (números indicam cerca de 300 vândalos) resolvem aproveitar o momento de mobilização para vandalizar e depredar o patrimônio público. Isso sem levar em conta um sem número de estabelecimentos privados que também pagaram a conta de gente que, ao invés de respeitar o movimento pela GARANTIA DOS DIREITOS DE TODOS, saqueia lojas, farmácias, etc.

Mas eu não quero ficar criticando quem faz o que eu considero errado. Não quero gastar minhas linhas com esse tipo de análise.

Eu quero falar do orgulho de ser brasileiro, e da alegria de viver este momento. As imagens das manifestações de ontem causaram emoção até no mais duro dos corações. Ver aquele mar de gente reunido na Avenida Rio Branco, em plena segunda feira, sem a desculpa do carnaval ou do futebol, fez o coração bater mais forte. É inegável que nós estamos fazendo história.

Outras cidades do Brasil, como SP, BH, e Brasília também viram seus manifestantes na rua. Sobre Brasília, ver aquela galera subindo no Congresso Nacional foi uma coisa que mexeu profundamente comigo. Eu não sabia se me preocupava com as consequências daquilo, ou se achava lindo demais o povo tomando o seu lugar, com aquelas sombras refletidas na arquitetura de Niemeyer. Dá arrepio só de lembrar!

Esses sentimentos dúbios que os acontecimentos em Brasília me despertaram acompanham os sentimentos diversificados que se formam dentro de mim ao ver tudo o que está acontecendo.

Ao mesmo tempo em que dá um orgulho danado de ser brasileiro e de participar desse despertar no outono, não concordo com o que metade do povo aproveita o momento para dizer/fazer. Uma das coisas que me causa profunda dor é ver uma gente que mama nas tetas do governo se aproveita dos benefícios que o governo coloca à disposição do povo criticar a Presidenta Dilma como se ela fosse culpada de tudo o que acontece de ruim no Brasil. É claro que tem muita coisa errada, e que a Presidenta tem muito poder para colocar mais ordem na casa. Mas não é só isso. Combater o governo e o sistema político abstratamente, sem saber o que poderia substituí-lo, pode ser simplista e até mesmo perigoso.

O povo brasileiro tem uma patologia que me assusta: a mania de colocar a culpa no sistema, a mania de colocar a culpa no governante. A culpa não é da Dilma, ou do Feliciano, ou do Datena, ou de quem quer que seja. A culpa é nossa.

A culpa é de quem fura a fila, de quem dá sempre o seu jeitinho pra tirar vantagem em tudo, de quem não respeita a vaga do idoso na rua ou no shopping, de quem leva 11 produtos pra caixa de 10 itens no mercado, de quem dá troco errado, de quem não age com honestidade nas pequenas coisas. A culpa é de quem não escolheu com consciência os seus candidatos a governador, prefeito, deputados, senadores. A culpa é de quem não acompanha de perto os mandatos de quem elegeu para os postos governantes.

O uso indevido do dinheiro público e os atos de corrupção são reflexos do que a gente faz no nosso dia a dia. E eu sinto que, a menos que todas as muitas vozes que gritam por mudança se unam sob uma bandeira clara e um pedido honesto, toda a mobilização será em vão.

Isso porque fica difícil entender as manifestações quando são muitos os gritos. Fica difícil de entender o que se quer quando até mesmo quem está gritando nas ruas não sabe direito pelo que grita. Fica difícil entender o que se grita quando não tem uma voz de comando que leva a pauta de reivindicações para as mesas de negociação.

A única voz uníssona que eu tenho ouvido e visto por aí é a que pede que as manifestações sejam pacíficas. Com isso, estou, é claro, de acordo. Mas me parece que nos falta um ingrediente principal pra que tudo isso faça, de fato, sentido: ideologia.

Não é que o movimento tenha que ser de esquerda ou de direita. Mas as manifestações precisam sim ter uma cara mais clara, e uma voz límpida que possa ser ouvida. Do mesmo modo, não adianta uma direita reacionária querer se valer das manifestações para atacar de maneira feroz quem está no poder, como estou vendo acontecer por aí. Se a manifestação é séria, há que se assumir a sua verdadeira identidade, banindo aqueles que vandalizam bem como aqueles que ofendem.

O futuro está nas nossas mãos. Resta-nos descobrir, sem demora, a melhor forma de conduzir a mudança que já está batendo na porta.

sabedoria Rowling

Que eu sou fã incondicional de Harry Potter, todo mundo já sabe. Mas ser fã de Harry Potter me levou a me tornar fã da autora de Harry Potter, a Joanne Rowling, aka tia Jo.

E eu sou fã dela desde que ganhei a biografia dela, no meu aniversário de 13 anos. Foi descobrindo um pouco mais da vida da tia Jo que eu me tornei mais fã ainda dela e da série que ela escreveu. Não vou ficar aqui, agora, contando da vida dela pra vocês, mas logo logo – eu acho – vocês vão entender o porquê de tamanha admiração.

De vez em quando (ok, sempre), eu descubro alguma coisa que a tia Jo escreveu e/ou disse e que posso trazer pra minha vida.

Hoje, curiosamente, eu comecei o dia postando no instagram uma imagem contendo uma das muitas frases de sabedoria que a tia Jo escreveu em um dos livros de Harry Potter. E, agora, na minha última olhadinha na internet antes de dormir, descobri esse discurso que a tia Jo fez para a classe que se formou em Harvard no ano de 2008.

Pra quem quiser – e pra mim mesma, em futura consulta – ler o texto do discurso na íntegra, o link é este aqui. Reproduzo aqui apenas um trecho, no seu original, seguido de uma versão em português, pra que #reflitamos nesta noite de quinta feira:

So given a Time Turner, I would tell my 21-year-old self that personal happiness lies in knowing that life is not a check-list of acquisition or achievement. Your qualifications, your CV, are not your life, though you will meet many people of my age and older who confuse the two. Life is difficult, and complicated, and beyond anyone’s total control, and the humility to know that will enable you to survive its vicissitudes.

TRADUÇÃO LIVRE: Se me dessem um Vira-Tempo, eu diria ao meu eu de 21 anos que a felicidade pessoal está em saber que a vida não é uma checklist de aquisições ou realizações. As suas qualificações, o seu currículo, não são a sua vida, embora vocês conhecerão muitas pessoas da minha idade e mais velhas que confundem as duas coisas. A vida é difícil, e complicada, e além do total controle de qualquer um, e a humildade de saber isso irá capacitar-lhes para sobreviver às suas inconstâncias.

Essa mulher, minha gente, me ensinou – e me ensina – muita coisa muito importante pra minha vida. E é incrível como eu descubro mais e mais motivos para amá-la e admirá-la em momentos cirúrgicos da minha vida.

o final de semana e mais um pouco sobre o cabelo

meu final de semana foi bacana, e o tema “cabelo” continuou em pauta. já que este assunto está me incomodando muito, preciso escrever um pouco mais sobre isso.

no sábado, lá pelas tantas da tarde, depois de muito penar pra escrever mais umas linhas da dissertação, resolvi tomar coragem e fui tentar cortar o cabelo. mas é claro que a Jô não tinha horário! dert. tarde de sábado, todo o high society e o down down down no high society tá no salão se preparando né? e eu nem me dei conta disso até que cheguei no dito salão e vi tudo cheio. interpretei como um sinal divino de que deveria esperar.

aí ontem eu fui no Plaza ver “Somos Tão Jovens” – a estreia cinematográfica brasileira da semana – e aproveitei pra perguntar sobre hidratação no salão que abriu recentemente pertinho do Starbucks e das Lojas Americanas. quando a moça disse o preço, eu quase caí dura. gente, que louco gastar uma grana pra passar uns trecos no cabelo.

resolvi que não vou fazer nada disso não. a hora que der pra cortar, vou lá e corto, e pronto. eu hein. pra passar condicionador no meu cabelo, passo eu mesma o meu Johnson’s Baby! e ainda taco o cheirinho prolongado!

ah! gostei bastante do filme! não sou lá grande fã de Legião Urbana nem de Renato Russo pra saber o quanto é verdade ou não, mas achei bacana a interpretação dos atores (o cara que faz o Herbert Vianna chega dar nervoso de tão parecido com o próprio!) e, principalmente, adorei ouvir um rock n roll nacional no cinema.

minha história de amor e ódio com o meu cabelo

esse post é tudo menos um post fútil. se você tiver paciência pra ler tudo, com certeza vai entender.

quem me conhece minimamente bem sabe que eu tenho a maior preguiça do mundo de me cuidar. ok, cuidados mínimos eu tenho, fazem parte da minha rotina, tipo tirar a maquiagem antes de dormir, essas coisas. mas eu tenho muita preguiça de cremes, esfoliantes, hidratação de cabelo, secador de cabelo, etc, etc.

ou seja: tenho preguiça de coisas de mulherzinha.

a verdade é que eu acabei ficando acomodada, principalmente com o meu cabelo. o meu cabelo é o que mais sofre nessas horas, coitado. a falta de cuidado com ele é uma coisa assustadora.

criei o hábito de simplesmente lavar o meu cabelo e sair. a pseudo-salvação dele foi quando surgiu o tal do Moroccanoil: eu decidi aumentar esse produtinho na minha rotina diária pós-lavar o cabelo. o combo shampoo e condicionador Johnson’s Baby (true story) + Moroccanoil garantiu que meu cabelo crescesse longo e feliz.

ah é. eu gosto de lavar a cabeleira com Johnson’s Baby Shampoo. acho que não tem nada igual, e quem já dividiu quarto comigo em alguma viagem ou visitou meu banheiro constatou que a linha Johnson’s Baby reina absoluta na minha vida. agora que tem spray de cheirinho prolongaaaadoo então… nossa! não quero outra vida!!

mas eu não quero contar aqui só a minha displicência com o meu cabelo ou a minha rotina de pseudo cuidados capilares. quero contar as consequências desse pseudo cuidado.

há uns anos eu tenho tido um apego muito forte pelo meu cabelo. eu nunca fui muito apegada não, a vida inteira tive o cabelo de médio pra curto, e até arrisquei um corte chanelzinho aos 6 e aos 10 anos, respectivamente. só por volta dos 15 ou 16 anos que eu deixei meu cabelo maior, e acho que isso foi uma consequência inconsciente da falta de tempo pra ir no cabeleireiro cortar de tanto que eu estudava pro vestibular.

logo depois que acabei o Ensino Médio e passei no vestibular (ou seja: com 17 anos), eu quis uma mudança no meu cabelo, e fui dar um corte novo nele. só que ele estava enorme e eu já tinha me acostumado com ele grandão, né. e aí o cabeleireiro que me atendeu naquele dia cortou meu cabelo demais. da noite pro dia, meu cabelo deixou de chegar na cintura pra mal bater nos ombros.

eu tenho certeza de que, naquele dia, nasceu toda a minha história de amor e ódio com o meu cabelo.

os primeiros dias foram muito, muito difíceis. o cara que cortou meu cabelo naquela vez não entendeu que eu não cuido do meu cabelo e não tenho paciência pra fazer escova e tal. e ele fez um corte que não era nada prático! o tal corte deixava meu cabelo de dois tamanhos: uma camada mais curta em cima de outra camada mais comprida. era um corte que só funcionava se eu tivesse muito cuidado pra pentear e escovar. o que eu nunca fiz, é óbvio.

e aí eu fiquei 1 ano sem cortar o cabelo, pra ver se ele chegava num lugar em que eu pudesse dar um corte reto pra ser displicente e feliz de novo. foi nesse ano que começou todo o apego, e que eu desenvolvi o medo de encarar a tesoura no cabeleireiro. foi nesse ano eu aprendi a cortar minha franja direitinho, sem fazer caquinha, e eu cultivo esse hábito até hoje. ok, as vezes eu faço caquinha, mas eu já aprendi a lidar com isso também.

com 18 anos, o cabelo ficou reto de novo, mas ainda razoavelmente curto. só com quase 19 que ele começou a chegar no lugar que eu gostava de novo, o médio que não dava muito trabalho.

e desde então eu cultivo o cabelo mais comprido. até que com 21 anos e meio, numa dessas de cortar a franja, eu quis tentar cortar todo o cabelo sozinha, fiz caquinha, e aí ele deixou de ser comprido pra ficar médio-longo de novo.

hoje, aos 23, ele tá bem grande, bem ok. das últimas vezes que cortei, não quis nem repicar muito, de tanto trauma capilar acumulado nessa vida. mas há um tempo venho pensando em tentar mudar isso.

acontece que toda a minha displicência capilar – essa falta de hábito de fazer hidratação no salão, de não gostar de secador e de deixar o cabelo secar sozinho, e de prender muito o cabelo – tá me fazendo ver que tô destruindo o meu cabelo pouco a pouco.

acho que o pior de tudo tem sido prender ele demais. quando tô em casa, dificilmente eu fico de cabelo solto, porque ele fica caindo na minha frente, me atrapalha a estudar, me incomoda e tal. no mestrado, a mesma coisa. e na rua, se estiver quente, na mesma hora eu pego um daqueles elásticos de dentro da minha bolsa e faço um coque na mesma hora.

esse hábito, combinado com a displicência, tá me dando um cabelo com vários fios arrebentados e muitas pontas duplas. e o pior é que eu não largo a preguiça!

tô chegando à conclusão de que, se quiser continuar com o cabelo grande assim, vou ter que mudar meus hábitos. ou então aceitar a tesoura e fazer uma limpeza boa nesses fios.

será que eu tenho coragem?

mas o problema vai além. eu fui detectar esse estrago capilar logo agora que tô de aparelho. a minha auto-estima tá bem mexida com isso, é claro, e eu já falei isso aqui. é bem estranho ter que usar isso de novo, aos 23 anos, e lembrar da época emblemática que usei isso antes. o corte de cabelo certo poderia resolver isso, e até quebrar essa imagem de “igualdade” da Letícia que usou aparelho dos 9 aos 14 anos com a Letícia que usa aparelho aos 23 anos. mas o corte de cabelo certo poderia levar muitos muitos muitos centímetros de cabelo embora muito muito rápido.

e agora?

comprando um presente de aniversário pra mamãe

de todas as pessoas que eu conheço, a mais difícil de se comprar um presente é a minha mãe. quando vai chegando o aniversário dela (que é hoje!!), ou dia das mães, ou Natal, eu sempre fico doida. o que raios eu vou comprar pra ela?

pro meu pai, é sempre muito mais fácil: toda vez que eu viajo, trago uns uísques bacanas pra ele do Duty Free e ele já toma isso como presente. tá ótimo, ele diz. ele não liga pra presente, mas não liga mesmo. aliás, ele prefere não ganhar nada. ou então ganhar meias, escovas de dentes, essas coisas que são fundamentais.

mas a mamãe gosta de um mimo. e não seria pra menos. e ela merece. e eu fico sempre querendo agradar, e comprar alguma coisa bem bacana pra ela. mas é difícil, viu.

perguntei pro meu pai o que ele ia dar de presente pra ela. ele disse “não sei”. ficou semanas matutando, até que resolveu comprar uma rosa. ele disse que não conseguia pensar em nada mais singelo e delicado pra ela.

a mamãe já tem tudo, e não faz questão de nada. ela não é muito fã de acessórios, e eu tenho que insistir bastante pra ela usar as jóias e relógios comprados ao longo dos anos. ela não liga muito pra roupas, porque prefere as que já estão no armário. são atemporais, ela diz. ela diz que não precisa seguir os “modismos”, as tendências – ela deixa tudo isso pra mim.

pra esse aniversário, eu quebrei a cabeça, mas acho que vai dar certo. escolhi um livro pelo qual ela demonstrou interesse numa das nossas muitas idas à Saraiva, um suéter de tricot com aplicação de pérolas, uma blusa azul ~klein~, e alguns outros pequenos mimos que tomam significado com o bilhetinho de aniversário que escrevi pra ela.

nem a mamãe nem o papai gostam que eu gaste dinheiro com cartões; preferem os bilhetes em qualquer pedacinho de papel sobrando em casa. eles dizem que tem muito mais valor.

bilhetinho escrito em 22/01/1995, quando eu tinha 5 anos e 1 mês de vida

bilhetinho escrito em 22/01/1995, quando eu tinha 5 anos e 1 mês de vida

crises

é claro que eu tô em crise.

em época de plena preparação do meu projeto de pesquisa, e já com foco total na dissertação, tive que colocar esse aparelho, de novo, e aprender a conviver com essa cara de teenager. parece que eu voltei no tempo sem querer.

ao mesmo tempo, o aparelho exige que eu aprenda a controlar a fome e a vontade desenfreada de comer tudo o que tá na frente, porque eu simplesmente não aguento mastigar quase nada direito.

sem poder comer direito, a ansiedade só aumenta. eu me acostumei mesmo a descontar na comida toda a minha ansiedade – e falo isso abertamente. basta dizer que, numa das épocas mais difíceis da minha vida, eu comia um pacote de biscoito recheado por dia.

e aí, porque não dá pra comer tudo, eu passo pra minha segunda válvula de escape favorita: comprar. compro pela internet, corro numa loja perto de casa (e não falta loja que eu gosto por perto), ou mesmo no mercado ou hortifruti próximo.

as aulas no mestrado voltaram, e é lógico que isso também tá me dando crise. voltei a ter horários determinados pra ficar fora de casa, desfocar da dissertação pra atender às exigências de cada uma das disciplinas desse semestre, e ainda por cima tenho que aguentar uma disciplina que eu detesto não gosto muito.

com tudo isso, é lógico que me falta tempo, então não dá pra ler um livro por relax. só leio coisas sobre energia nuclear, o programa nuclear paralelo, a diplomacia brasileira, etc. tenho dito que ultimamente tô respirando urânio enriquecido – e tem gente que ri disso.

tem um mês que eu não vou ao cinema. tem noção do quanto isso é horrível pra mim???

pra completar, dia sim e outro também tô dando crise de saudade.

já passou uma semana desde que eu coloquei o aparelho e eu ainda não comprei a escova de dente que a minha dentista recomendou. já tá mais do que na hora de parar de ir na farmácia e comprar só coisas inúteis e tratar logo de lembrar de comprar a tal escova de dente.

tô num tight schedule sem fim lá no mestrado, com a corda no pescoço pra acabar esse projeto e fazer logo a qualificação. quanto mais eu escrevo, mais parece que preciso escrever, e mais parece que eu preciso ler, e eu não consigo terminar, e eu já nem durmo direito mais por conta disso.

e o aparelho ainda machuca minha boca e meus lábios, e eu já acabei com uns 2 tubos de carmex nos últimos dias pra tentar proteger um pouquinho dos machucados.

além disso, não faço ideia de onde foi parar a minha tesoura de cortar a franja. rola toda uma técnica especial pra eu mesma cortar a minha franja e aquele tesoura era a minha melhor aliada nessas horas. aí enquanto eu não acho a minha franja fica enorme e na frente dos meus olhos.

a miopia e o astigmatismo aumentaram. tô mais cegueta do que nunca.

são muitas, muitas, muitas emoções juntas. muita coisa acontecendo ao mesmo tempo. e eu fico achando que a minha cabeça vai explodir a qualquer momento.

tá foda.

a teoria dos elásticos de cabelo e o seu mundo paralelo

que eu coloquei aparelho nessa semana, vocês já sabem. e que eu criei um blog pra contar a minha saga de aparelho, bem, não sei se vocês já sabem, mas, se não sabiam, agora já sabem.

no post de hoje de lá, eu dei uma pista da minha teoria de que todos os elásticos para cabelo do mundo moram num mundo paralelo. e resolvi que aqui era um bom lugar para registrá-la.

afinal, não é porque eu vou contar a minha saga de aparelho por lá que eu vou parar de escrever meus devaneios por aqui!

então. à teoria!

todo mundo sabe que meu cabelo é liso escorrido – ainda bem que eu tenho bastante cabelo, então não fica ralo na minha cabeça. sendo o meu cabelo liso escorrido, eu tenho muita dificuldade de usar acessórios no cabelo.

grampo não pára no lugar, arcos e faixas deslizam, e elásticos escorregam.

mas eu tenho andado numa fase de prender bastante o cabelo. esse negócio de estudar muito, combinado ao calor que faz por aqui, acaba me deixando irritada com o meu cabelo. como eu não tenho coragem de cortar ele bem beeem beeeeem curtinho, amarro ele com elástico.

o problema é que, como eu disse, os elásticos cismam em deslizar cabelo abaixo.

e aí eu sempre perco vários elásticos sem perceber!

eu tenho um estoque em casa. só que o estoque sempre diminui muito porque eu nunca consigo achar os elásticos fujões!

foi aí que eu formulei a teoria dos elásticos de cabelo e o seu mundo paralelo. já que eu perco um monte de elásticos e nunca consigo encontrá-los de novo, tenho certeza de que eles caem num mundo paralelo só deles!

só pra contar um pouco do que aconteceu nos últimos dias

nessa última semana, algumas coisas que aconteceram merecem ser registradas, seja pelo motivo que for.

como já contei aqui, apliquei uma prova na graduação, e aquela experiência ainda ficou martelando na minha cabeça uns dias. porque eu sou dessas que passa dias refletindo sobre uma determinada coisa.

no final de semana, meu tio avô fechou os olhos pela última vez, depois de 103 anos de vida muito bem vividos. já sabíamos que a hora estava chegando por conta não só da idade dele, mas também da saúde bem frágil – o que não significa que os nossos corações estejam cheios da tristeza da perda e da saudade que já começa a apertar. agora só podemos continuar cuidando da minha tia avó, enquanto ela aguentar ficar sem o amor da vida dela. imagina só: quase 80 anos de casados; quase 80 anos dormindo de mãos dadas.

é difícil.

mas, a vida segue, né? e a gente tem que continuar a encarar a rotina, e também aquelas pequenas alegrias que transformam dias difíceis em memórias felizes.

ontem foi um dia desses: aproveitei que tinha que ir na UFF, e fui mais cedo pro Centro pra conferir a C&A Collection da Santa Lolla. achei que seria uma boa oportunidade pra incrementar minha sapateira, já que eu sou meio mão de vaca pra comprar sapatos. tá, nem tanto. mas é que eu sou bem relutante quanto aos gastos com sapatos, porque nunca consigo evitar pensar que tô gastando uma grana pra colocar a parada no chão.

enfim. cheguei dentro da C&A exatamente às 10h07, apenas 07 minutos depois da loja abrir, e fiquei assustada com o que vi. a mulherada tava enlouquecida! tinha gente com sacolas e mais sacolas entupidas de sapatos, mulheres brigando por bolsas (que já tinham acabado), e os funcionários da loja lá, no meio de tudo, meio chocados com a situação. eu fiquei absolutamente chocada. eu sabia que dia de lançamento de Collections na C&A eram bem assim – a Maria Filó no ano passado também causou frisson – mas o que eu vi ontem estava fora de qualquer padrão aceitável de normalidade.

mulher é foda!

acabou que comprei 2 sandálias, 1 sapatilha e 1 slipper. umas outras peças também me chamaram a atenção, mas eu não tava disposta a encarar aquela mulherada doida. fiquei feliz com as minhas aquisições. os sapatinhos que escolhi são bem fofos e achei que o preço tá bem justo. só fiquei meio chateada porque eu queria muito uma bolsa vermelha e não teve jeito de conseguir uma (porque eu sou essa pessoa que tem bolsa de tudo quanto é jeito e marca mas fica #chatiada de não comprar uma bolsa na C&A). se rolar de achar alguma coisa ainda na próxima ida ao Plaza, quem sabe…

fora isso, tenho estudado demais; mas, pra escrever, ainda tá difícil. aquela velha história do desafio da folha em branco… tô esperando também os meus livros novos chegarem pra cair dentro deles. aproveitei um momentinho de folga no último final de semana e fui assistir Duro de Matar – Um Bom Dia para Morrer, crente crente que ia apenas relaxar e me encher de pipoca e Coca Cola vendo muitas explosões e brigas na telona, mas eis que o enredo é todo focado em urânio enriquecido e essas coisas que poderiam causar uma guerra nuclear. bolsista sofre!

ainda essa semana preciso decidir se vou ou não pra SP na páscoa pra fazer jus ao meu ingresso do Lollapalooza e ver o Pearl Jam (<3) ou se sossego o facho e fico aqui mesmo estudando. tô naquele conflito de vontade de ver o Eddie MUSO Vedder com preguiça de viajar com vontade de encontrar os amiguinhos com revolta pelos preços dos hotéis, e assim por diante. o que farei? não sei. só sei que meu tempo pra decidir tá acabando, e me impus o deadline de sexta feira pra decidir. a verdade é que esse ano eu não tô tão empolgada pro festival como no ano passado. claro, ano passado tinha chaveirinho comigo, e esse ano não tem.

queria amanhã ver o Barão Vermelho no Circo Voador, mas acho que não vai rolar por falta de companhia. vou chorar.

mentira. não rola chorar. tenho que voltar pros estudos. porque, né, bolsista sofre.

a primeira vez em que eu apliquei uma prova

não é surpresa para os (três) leitores desse blog que eu faço mestrado e que, como parte da minha formação, eu preciso fazer uma coisa chamada estágio docência. e, hoje, dentro dessa experiência, eu apliquei a prova aos alunos da disciplina Política Externa Brasileira II.

eu já dei muita aula nessa vida, e já sabia bem a sensação que é ficar diante de uma turma que – atenta ou não – ouve o que você está falando. a primeira vez que eu oficialmente dei aula na vida eu tinha 12 anos, quando fui chamada pra ser professora de religião. e não venha me dizer que não conta, porque conta sim! eu preparava aula, tinha que corrigir as atividades dos alunos, escrever no quadro com pilot (o que, na época, eu achava o máximo! até porque lá se vão 11 anos, e há 11 anos um quadro branco de pilot não era tããão comum assim nas salas de aula).

mas eu nunca tinha aplicado uma prova antes!

a sensação inicial foi muito estranha. primeiro, eu achava que todo mundo tava colando. qualquer barulho – até do vento do ar condicionado – me dava susto, porque eu fiquei muito concentrada na tarefa de não deixar ninguém colar. depois, eu achei bastante engraçado os alunos irem me pedir permissão pra ir no banheiro antes da prova – porque eu também sempre achava que eles tavam mesmo é ir dar uma olhadinha em algum papelzinho escondido dentro dos bolsos. lá pelas tantas, eu comecei a controlar o tempo, porque conheço bem aluno em dia de prova, que fica pedindo mais e mais tempo, e, se o professor deixar, fica lá escrevendo até tarde. finalmente, comecei a recolher as provas, organizar dentro do envelope, não deixando nenhuma folha se perder.

acho que tive tantos sentimentos e reações porque, não faz muito tempo, eu era aluna; não faz muito tempo, eu tava ali, no lugar onde eles estavam hoje, escrevendo, escrevendo, escrevendo tudo e mais um pouco. como muitos que estavam ali, eu também não colei, e não colava. pois é, eu sempre passei cola, mas eu nunca colei. talvez isso não me isente da culpa, já que fui conivente várias vezes com amiguinhos que burlavam os meios pra fazer as provas… mas eu, eu mesma, nunca colei. nunca gostei da ideia de me enganar só pra tirar uma nota um pouco maior. desde que eu estudasse bastante, o que tirasse, tava ok!

hoje eu me vi um pouco naquela sala, e voltei há tempos não tão distantes, e que deixaram saudade. as avaliações ainda fazem parte da minha vida, e acho que continuarão sendo por um bom tempo, mas aquele frescor da graduação, hoje, me fez falta.

ah! só mais uma coisa: estou compulsivamente comprando livros sobre política nuclear brasileira desde ontem. já são 7 até agora. só queria registrar isso aqui. agora posso voltar a estudar. ai ai ai

fazendo uma limpeza no armário

de vez em quando, é importante dar uma olhada com atenção nas coisas que habitam o nosso armário. desse olhar atencioso, surge a necessidade de desapegar de algumas coisas, de desenterrar outras, de achar o velho novo, e abrir espaço para coisas mais novas entre coisas antigas. e foi mais ou menos isso que eu fiz nessa semana.

há alguns meses eu ensaiava uma limpeza geral do meu armário, e a mudança de quartos me pareceu uma ocasião propícia pra isso. foi um tal de veste-tira-veste-de-novo-pensa-um-pouquinho-separa-volta-desapega-de-vez que parecia não ter fim. percebi que tinha peça comprada há 6 ou 7 anos que não usava há tempos, ou peças compradas na última estação que já não tinha certeza de que usaria de novo.

separei os vestidos de festa que já dançaram muito por aí, ou que nunca foram usados; as calças jeans grandes demais, ou pequenas demais, ou que simplesmente já me vestiram por tempo suficiente; os shorts que já passearam tantos verões comigo, e merecem passear mais verões em outros lugares; as blusas e camisetas que podem fazer bonito em outras pessoas; as bolsas que podem carregar coisas de outras pessoas; os casacos que podem aquecer outros braços no próximo inverno; os sapatos que trilharão outros caminhos, diferentes ou semelhantes aos que já pisaram comigo.

e, no meio de tanto desapego, vem aquilo que talvez seja a melhor parte de qualquer limpeza de armário: o redescobrimento de roupas que estavam lá no fundo, quase esquecidas, quase escondidas por coisas novas que nunca param de chegar, e que voltarão a passear comigo nos próximos dias.

com o armário menos cheio, dá pra ver melhor tudo o que mora lá dentro. decidi organizar todas roupas de calor (porque não dá pra usar a classificação de “roupas de verão” morando no Rio/Niterói, já que, por aqui, é verão quase o ano inteiro) num lado do armário, e as roupas de frio em outro, pra facilitar as escolhas de acordo com a temperatura. os sapatos também estão mais organizados, trazendo as rasteirinhas, as sapatilhas e os tênis All Stars pro destaque, as botinhas em seguida, e os saltos lá pro fundo (porque eu não gosto mesmo de salto e não escondo isso de ninguém).

organizando o armário, a gente acaba organizando a vida da gente. eu acredito que cada peça de roupa é como uma parte da nossa história. mas desapegar de uma roupa não significa deixar um pedaço da gente de lado; é deixar que ela possa ser parte da história de outra pessoa também.

esse é só mais um post

tem mais de meia hora que eu tô com vontade de escrever, mas sem saber muito bem o que falar. e por que raios eu não fechei a aba, desliguei o computador, e fui fazer outra coisa? sei lá. talvez a desculpa mais estúpida seja a de carregar o iPod shuffle (batizado recentemente de Nikolai Ivanovich Bukharin, pra combinar com a cor vermelha dele), ou mesmo de aproveitar enquanto o MacBook tá carregando pra conferir as novas.

enfim, não sei. só sei que a vontade de escrever foi maior do que a falta de assunto.

eu poderia contar o que fiz nos últimos dias, ou o que fiz só no dia de hoje. no sábado passado, o meu amor voltou pro Zimbábue pra continuar a missão dele. dizer que eu chorei muito e que eu já não aguento de saudade é um understatement. no domingo, tive uma enxaqueca horrível. na segunda, um pouco de pressão baixa. hoje, arrastei a mamãe pro cinema comigo, e assistimos “Silver Linings Playbook“.

sobre o filme: gostei o suficiente pra ficar curiosa pra ler o livro. aí eu lembrei que eu quero ler também “The Perks of Being a Wallflower“, que eu ainda nem comprei. e logo lembrei que eu ainda tenho um monte de coisas pra ler do mestrado, e mais alguns livros “extracurriculares” que eu ainda não consegui terminar.

também acabei de lembrar que ainda não batizei esse MacBook, e nem o iPad mini. isso é um problema sério. preciso cuidar logo disso.

fevereiro tá acabando e, com o seu fim, chegarão mais uns dias de mini férias, antes do início das aulas do mestrado. só que nessas mini férias eu preciso tomar vergonha na cara e escrever bastante pra minha dissertação. ai Jesus.

chegamos pro cinema em cima da hora e o meu plano era passar na C&A depois do filme pra conferir a collection da 284, lançada hoje. só que deu uma chuva tão terrível que destruiu sabe Deus o que lá no Plaza que por pouco não impediu que assistíssemos ao filme, e, quando saímos, tava tudo fechado. parecia meia noite no shopping, depois daquelas sessões tardias de filmes que as vezes a gente gosta de assistir, mas era só 18h40 da noite! nem o banheiro estava aberto, e tivemos que encarar um trânsito horrível na volta pra casa – enquanto controlava uma vontade incontrolável de fazer pipi pra conseguir dirigir o Neville.

por um lado, o dia de hoje foi bom pra ser mais um passo em direção ao controle da ansiedade. além disso, eu já comprei tanto nos últimos dias que deveria tomar vergonha na cara e não comprar mais nada até março. he he he!

ah! já ia esquecendo! depois de 3 anos, voltei a Búzios! antes do chaveirinho ir embora, nós demos uma escapadinha até Búzios e curtimos alguns poucos dias de sol e alegria pertinho do mar. ele, que nunca tinha ido lá, adorou. eu, que estava com saudade, mas não sabia como reagiria ao voltar lá sem a Mivó, senti que consigo aproveitar Búzios do lado de quem eu amo, mas sem forçar a barra – por exemplo, não dá pra ficar mais na Pousada dos Gravatás sem a Mivó, mas dá pra ir na praia de Geribá. dá pra entender?

acho que minha vontade de escrever tá passando. vai ver que é porque eu escrevi um monte de coisa, sem querer, querendo.

notícias do mundo de lá de quem já está aqui

voltei, Brasil!

depois de praticamente um mês e meio fora de casa, acho que vou sossegar nessas terras um pouquinho.

essa viagem pra Orlando foi muito bacana, mas deu trabalho! e não foi pouco trabalho não!

por conta do mestrado (e da greve), demorei uns 2 meses pra conseguir de fato a liberação dos profs pra viajar, e, de lá, tive que enviar três trabalhos. os trabalhos estavam prontos, já que tinha feito tudo no período em que estava na África, e arrematado nos 3 dias e meio que fiquei em casa entre Zimbabwe-EUA. um dos trabalhos estava com uma introdução medonha, e eu só me dei conta disso na hora de mandar por email pro professor. ainda bem que me sobrava uns 20min antes de ir pro parque do dia e consegui escrever uma introdução ok. posso imaginar a cara desse professor lendo aquela introdução e depois o restante do trabalho…

o grupo foi bacana, mas não foi bacana o suficiente pra me deixar com vontade de continuar sendo guia. eu finalmente percebi que tá mesmo na hora de parar de brincar de guia. eu preciso mesmo focar no que eu quero de verdade pra minha vida. já era hora.

isso não significa que eu nunca mais vá voltar pra Orlando. isso está fora de cogitação! eu quero muito voltar muitas vezes pra lá, só não mais como guia. de agora em diante, quero só curtir e não ser responsável por mais ninguém além de mim mesma. quero escolher os brinquedos em que quero ir, quais brinquedos quero repetir; quero poder ignorar completamente aqueles brinquedos dos quais já cansei, ou os que sempre detestei.

fiz a minha despedida de guia, e aposentei a bandeirinha. de agora em diante, esses dias ficarão somente na memória. os tempos de guia serão memórias de um tempo feliz mas que precisou ter seu fim. agora é foco na tarefa e olho na missão!

as malas chegaram cheias – de histórias e de achados – e assim continuam mesmo 2 dias depois de ter “desembarcado” em casa. acontece que, enquanto fiquei fora,  meus pais decidiram reformar um dos banheiros daqui de casa, o que também resultou em reforma dos quartos e mudanças. a obra deveria ter terminado antes da minha chegada, mas é claro que atrasou. os gloriosos trabalhadores que estão aqui juram juradinho que terminam amanhã. Deus queira que sim. esse cheiro de cimento e de tinta não me faz nada bem. e a casa está uma bagunça sem fim!

sem contar que eu quero logo abrir minhas malas e tirar delas todas as tranqueiras (incríveis ou não) que eu comprei, pra mostrar pros meus pais e ver aquela cara de não-acredito-que-você-comprou-isso que só eles dois sabem fazer.

e o carnaval tá chegando! e isso é super motivo pra ficar feliz! carnaval é muito bacana! a UFF vai parar por uma semana, o que significa que, depois da próxima quinta, eu tô livre pra curtir a folia da melhor maneira possível. mais sobre isso num próximo post. sem spoilers!

“Redescobrir” e o dia da consciência negra

Hoje é dia da consciência negra, feriado em muitas cidades brasileiras. Embora seja feriado aqui também em Niterói, pra mim não foi feriado, porque a greve fodeu o calendário da UFF e nós não tivemos direito a esse descanso, como não teremos direito ao feriado no dia da cidade, depois de amanhã.
Mas não é sobre a minha falta de folga no dia de hoje que eu quero escrever. Eu quero escrever sobre uma música, uma coincidência, uma coisa que ficou latejando na minha cabeça o dia inteiro.
Eu não sou negra. Na mistura da minha família, que me teve como resultado, tem sangue de índio e de europeu, mas (pelo menos até onde eu sei), não há sangue negro, pelo menos em umas 4 ou 5 gerações. Eu sou branca feito leite, cor que fica ainda mais evidente pela minha deliberada falta de disposição pra pegar sol.
Mesmo assim, eu comemoro o dia da consciência negra. E por quê? Porque eu sei reconhecer o preconceito e o sofrimento destes meus irmãos que carregam na pele as lembranças de uma época em que se tratava as pessoas “de cor” com diferença. Como se branco também não fosse uma cor!
É fato que eu não vivo na pele esse preconceito infeliz que insiste em se perpetuar nas sociedades. E, embora eu procure fazer a minha parte, sei que só a partir da conscientização de todos é que essas amarras do passado serão anuladas, e poderemos, enfim, seguir e, frente.
Passei o dia inteiro hoje pensando na força do negro – de maneira particular, é claro, na sociedade brasileira. A nossa cultura do samba, ou mesmo da capoeira, traz a marca da negritude em cada linha ou em cada jogo. Falando de samba, alguns me vieram à cabeça no dia de hoje: “Kizomba, festa da Raça” (Vila Isabel, 1988); “Liberdade, liberdade! Abre as Asas Sobre nós!” (Imperatriz Leopoldinense, 1989); e o mais recente “Você Semba de lá… que eu sambo de cá: o canto livre de Angola” (Vila Isabel, 2012). Eu não sou uma grande conhecedora de causa, e certamente o meu amigo Príncipe Regente seria capaz de listar muitos mais sambas que versam sobre o tema, mas foram esses três sambas que, especificamente, me acompanharam no dia de hoje, como que me lembrando o tempo todo de que não poderia deixar de prestar minha humilde homenagem aos tantos heróis (anônimos ou não) do dia a dia, que são obrigados a superar discriminações e preconceitos indiscriminados de tantos.
Coincidentemente, hoje chegaram às minhas mãos o CD e o DVD “Redescobrir”, em que a Maria Rita, cantora bacanuda, homenageia a rainha Elis Regina, sua mãe, e minha cantora favorita. Enquanto terminava de estudar meus textos de política externa brasileira (bolsista sofre), embalada pelo novo disco que agora faz parte da minha coleção, me lembrei da Mivó – sempre ela.
A Mivó é mesmo a minha grande referência em assuntos de música, de samba, de MPB. A Mivó me apresentou à Elis Regina; foi ela que me ensinou a ouvir e a apreciar a maior cantora que o Brasil já viu. E eu lembro, como se fosse hoje, como se ela ainda estivesse aqui do meu lado, da Mivó dizendo que o show “Saudades do Brasil” foi uma das coisas mais bonitas que ela já tinha visto na vida dela.
A Mivó me contava que, nesse show, “a Elis chorava preto, por conta do rímel, quando cantava ‘Atrás da Porta'”, e que terminava o show cantando “Redescobrir” rodeada de lindos negros(as) dançarinos(as) e cantores(as) que, junto com ela, emocionavam a todos que os assistiam àquela “brincadeira de roda“.
Infelizmente, não vi Elis ao vivo. Sou fã única e exclusivamente porque tive a sorte de ter a Mivó na minha vida pra me mostrar o legado maravilhoso que a pimentinha deixou. Tive a sorte da Mivó me dar, entre tantos presentes, um DVD da Elis em que “Redescobrir” é a última música.
“Redescobrir”, composição de Gonzaguinha, me faz pensar nessa negritude por conta da Elis. Ela, mulher branca, de cor branca como eu, que teve filhos brancos como eu, dava as mãos aos negros, que representavam ali todos os negros do Brasil, numa homenagem sensível.
Vinicius de Morais cantou que ele era o branco mais preto do Brasil, na linha direta de xangô. Saravá!
Nesse momento, a emoção já toma conta de mim de forma que não consigo mais traduzir os meus pensamentos em palavras. Fica registrada aqui, então, a minha homenagem e o meu reconhecimento pela força de quem luta contra as amarras que impedem que a “igualdade seja sempre a nossa voz“.