O Bärenpark de Berna

A relação de Berna com os ursos é muito forte, já que Bärn (grafia do alemão bernense; lê-se “Bern”) significa “urso”.

Há várias versões sobre a origem desse nome mas, de acordo com a lenda local, Berchtold V von Zähringen, fundador de Berna, prometeu batizar a cidade com o nome do primeiro animal que encontrasse quando saiu pra caçar. Por ter encontrado um urso, a cidade ganhou o nome de Bärn, que também está representado no brasão da capital da Suíça e deste cantão.

A mais antiga referência à presença de ursos vivos na Bärengraben data de 1513! Até 1857, os ursos ficavam livres pela cidade, até serem colocados no poço dos ursos. A partir de 2009, houve uma expansão do Bärengraben, que se tornou o Bärenpark (ou “parque dos ursos”).

São 3 os ursos morando no Bärenpark: Finn (pai), Björk (mãe) e Ursina (filha). Durante o verão e o outono, os ursos se preocupam em buscar comida e encontrar o suficiente para sua alimentação. A vida dos ursos também inclui banhos regulares (no caso de Finn, Björk e Ursina, em uma faixa do rio Aare) e cochilos na parte da tarde, de preferência na sombra.

Os ursos que ficam no Bärenpark são alimentados de acordo com as estações, com muitos legumes e verduras, algumas frutas, e as vezes carnes ou peixes. Na medida em que o outono se aproxima, eles são alimentados com mais frutas e berres, que tem açúcar, bem como com castanhas que contém alto teor de gordura, para que os animais possam ficar bem nutridos para o inverno.

Os ursos não são alimentados em horários fixos; geralmente, a comida é distribuída e escondida no poço, sempre em lugares diferentes e horários diferentes. Desse modo, os animais podem procurar pelos alimentos e ficam constantemente ocupados por muitas horas, como é adequado para a espécie.

O Bärenpark fica bem próximo da cidade velha de Berna, onde o comércio da cidade se mistura à construções medievais, e o acesso é gratuito. É terminantemente proibido que os visitantes alimentem os ursos.

Segundo as minhas observações nas minhas idas a pé para o centro, a melhor época para ver os ursos é na primavera e no verão, principalmente na parte da manhã. Lembro de vê-los raramente no outono passado, que já foi bem fresquinho e chuvoso, e os ursos ficavam mais “escondidos”.

#daytrip de Berna para Zurique

Embora Berna seja a capital da Suíça (e é por isso que as embaixadas ficam aqui), Zurique é a maior cidade do país, além de ser um importantíssimo centro financeiro internacional. Desde que chegamos aqui, fui 2 vezes para Zurique de trem – coincidentemente, duas segundas feiras.

O percurso entre as bahnhofs de Berna e Zurique dura 01h02 (as vezes uns minutinhos menos), e o passe diário, que permite pegar qualquer horário de trem para ir e voltar custa 51 francos. Há trens a cada meia hora ligando as duas cidades.

Enquanto Berna é pequenininha e tem até um clima de interior, Zurique tem mais jeito de cidade grande mesmo, com prédios mais altos que se confundem na paisagem da Altstadt, um comércio mais diversificado (inclusive com flagships das principais marcas de luxo mundiais) e uma vida mais agitada mesmo.

Pra quem vai conhecer Zurique, passear pela cidade velha é uma das principais atividades. O rio Limmat torna a paisagem da cidade velha (Altstadt) de Zurique algo bem lindo de se ver, principalmente em dias claros de sol. Eu dei sorte porque, em ambas days trips que fiz até o momento, os dias foram bem bonitos e agradáveis!

Falando a bem da verdade, ainda não fui pra Zurique com objetivos turísticos, e se Deus quiser não há de faltar oportunidades para visitar a cidade com este fim e, enfim, dividir com vocês as minhas dicas!

Maison Cailler

Desde 1898, na região de Gruyère, encontramos uma das mais tradicionais fábricas suíças de chocolates: a Maison Cailler. Fundada por François-Louis Cailler, a Maison Cailler é a marca de chocolates mais antiga da Suíça.

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A sede da Maison Cailler é uma das poucas fábricas de chocolate na Suíça que abrem suas portas aos visitantes. É possível fazer um tour pelas instalações, e o ingresso individual custa 15 CHF por adulto (12 CHF para estudantes e idosos, e também para grupos de 10 a 20 adultos), e a visita é gratuita para crianças acompanhadas por adultos pagantes.

Mas você também pode visitar a loja da Maison Cailler e tomar um cafezinho na cafeteria, pagando só o que consumir por lá – foi isso que nós fizemos. Além dos chocolates que cobrem diversas paredes, a loja oferece diversos souvenires interessantes para todos os gostos e bolsos.

Um domingo em Interlaken

Uma das coisas que estamos tentando fazer semanalmente (ou quase) aqui na Suíça é aproveitar os domingos para dar passeios mais longos de carro, indo almoçar em alguma cidade fora de Berna. No domingo passado, fomos até Interlaken.

“Interlaken” significa, literalmente, “entre lagos”. A cidade recebe este nome porque fica entre os dois lagos de Brienz a leste e Thun a oeste. Interlaken é uma cidade conhecida e importante destino turístico da região montanhosa do cantão de Berna nos Alpes, e o principal hub de transporte para as montanhas e lagos da região.

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Interlaken é muito charmosa, com seu centro antigo preservado, e diversos restaurantes.  Vale notar que, aos domingos, tudo na Suíça está fechado, exceto restaurantes (embora alguns fechem também!) e o comércio dos aeroportos e estações de trem.

Comprando carro em Berna

Nessa vida diplomática itinerante, comprar carro pode ser o céu ou o inferno. Há lugares em que é impossível não ter carro, enquanto há outros em que é impossível tê-lo. Há lugares em que não tê-lo pode ser razão de arrependimento. Há lugares em que os custos altíssimos de ter um carro são tão altos que não compensam as vantagens. Estas questões representam um pouco do que passa na nossa cabeça antes de considerar comprar um carro que durará um período curto de tempo conosco.

Na Armênia, nós optamos por não ter carro como resultado de diversos fatores: quando nós chegamos, as ruas estavam cobertas de neve, o que já nos assustou de cara; táxi lá era muito barato (já contei aqui que custava 4 dólares ir pro aeroporto, que ficava a 15km do nosso apartamento lá); a gente conseguia fazer muita coisa a pé; e assim por diante. Mas, na medida em que o tempo foi passando, nós começamos a nos arrepender um pouco dessa decisão: o carro nos fazia falta na hora de fazer mercado, por exemplo, bem como para viajar pelo país (teria sido muito mais fácil encarar as estradas ruins da Armênia com um carro que fosse nosso e, consequentemente, teríamos conseguido viajar bem mais pelo país).

Desde o momento em que ficou decidido que viríamos pra Suíça, nós definimos que queríamos comprar um carro aqui. Já sabendo que a cidade é razoavelmente pequena e que o transporte público é eficaz, 01 carro seria o suficiente para nós dois, com o propósito de facilitar as compras de mercado, bem como para explorar o país e arredores no nosso tempo livre. Estávamos tão certos disso que, no primeiro sábado que passamos em Berna, visitamos diversas concessionárias para ver carros novos e usados.

No post sobre o nosso cantinho suíço, eu falei que visitamos um outro apartamento, do qual também gostamos, mas que ficava mais afastado do centro e da Embaixada. Um deslocamento diário de 1h20 seria muito custoso para a nossa qualidade de vida, então caso resolvêssemos alugar aquele apartamento, a solução seria comprar 2 carros, ainda que um deles fosse mais simples, porque o trajeto de carro se resumiria a 30min diários de deslocamento.

Como tudo aqui na Suíça, carro é coisa cara. Para além do valor do carro, há o seguro, que é obrigatório por lei e bastante caro. Claramente isso pesou na hora de escolhermos onde queríamos morar, porque não queríamos aumentar tanto a nossa despesa.

Pelo mundo, muitas montadoras oferecem descontos para compras diplomáticas de carros 0km, além da isenção do imposto, mas ainda assim a brincadeira sai muito cara. Aqui na Suíça, especificamente, os carros 0km sofrem uma desvalorização tremenda no momento em que saem da concessionária. É coisa de sair da concessionária e perder CHF10mil de valor de tabela. Chegamos à conclusão de que, mesmo com os descontos, carro 0km aqui na Suíça só valeria a pena se fôssemos passar muitos mais anos aqui – o que não é o caso.

Isto posto, passamos a considerar mais seriamente a possibilidade de comprar um carro usado. Procuramos bastante até encontrar um que nos agradasse e que tivesse um bom custo X benefício. Até que encontramos o Bolinha numa revendedora de carros usados.

Bolinha foi amor a primeira vista pra nós dois. Nascido em 2012, com quase 70mil km rodados, confortável o suficiente para nossas aventuras e, o melhor de tudo, bem dentro do orçamento que tínhamos definido, nós decidimos trazer esse Peugeot 3008 pra nossa vida e planejamos viver muitas aventuras com ele nos próximos anos.

Uma vez decididos a adotar o Bolinha, o processo de compra foi bem simples: em uma semana, a documentação do Bolinha estava toda pronta e pudemos buscá-lo. Uma coisa interessante da Suíça é que, quando você compra uma placa de carro, você fica com ela para o resto da vida – exceto diplomatas, é claro, porque a placa é especial e aí teremos que devolvê-la quando formos embora.

Habemus casa!

E eis que temos, enfim, nossa casinha suíça. Depois de 43 dias em hotéis, muita procura e alguma incerteza, nos instalamos no nosso apê na última semana. Embora tudo ainda esteja bem vazio (e um tanto mais bagunçado do que eu gostaria por conta das caixas que não podemos simplesmente jogar fora, pois reciclagem aqui é coisa séria), já estamos começando a ter aquela sensação boa de estarmos instalados “definitivamente” (as aspas existem porque, como vocês que me acompanham já sabem, nada nessa nossa vida itinerante é definitivo e nós já chegamos aqui com data certa pra deixar a Suíça).

Alugar um imóvel na Suíça (ou, pelo menos, em Berna) não é coisa muito simples. Primeiro, há pouca disponibilidade de imóveis com mais de 1 banheiro para alugar, o que já limita muito a busca. Nós chegamos a ver anunciados apartamentos com 5 quartos e apenas um único banheiro!

Depois de encontrarmos alguns pouquíssimos imóveis com 2 banheiros, vem a luta para conseguir marcar uma visita. Ao dizer que estamos em missão diplomática, muitas imobiliárias nem respondem; pelo que soubemos, parece que há um pouquinho de preconceito em alugar imóveis para diplomatas e suas famílias. Das imobiliárias que nos responderam, várias indicaram que os apartamentos só ficariam disponíveis a partir de outubro, novembro, e até mesmo fevereiro do próximo ano; só aí já tivemos que eliminar mais alguns apartamentos que tinham despertado nosso interesse, pois tínhamos reservado o apart hotel por pouco mais de 2 semanas e estávamos doidos para ter um cantinho para chamar de nosso.

Conseguimos, enfim, visitar 2 apartamentos: este que no fim alugamos, e mais um outro, bastante parecido, só que bem mais longe do centro da cidade e da Embaixada. Berna stricto sensu é bem pequena, com uma população de 140 mil habitantes; lato sensu, a aglomeração de Berna inclui 36 municipalidades, e a população total está acima dos 400 mil habitantes. Todas estas municipalidades estão conectadas à cidade de Berna pelo transporte público, que funciona como um reloginho, mas que pode exigir várias horas de descolamento diário. Numa cidade pequena assim, e tendo encontrado outra opção também dentro da RF bem mais perto, não fazia sentido alugarmos um apartamento que exigiria um deslocamento diário de 1h20 no transporte público (40min pra ir e 40min pra voltar) para que Felipe chegasse ao trabalho, ou então a compra de 2 carros (em outro post eu conto a história automobilística).

Depois de escolhido o apartamento que gostaríamos de alugar, submetemos o pedido à imobiliária, que deveria aprovar o nosso perfil junto do proprietário do apartamento. Uma vez que nós fomos aprovados pela imobiliária e pelo dono do imóvel, nos foi enviado (pelo correio!!!) o contrato de locação, junto dos boletos referentes ao depósito caução e primeiro pagamento de aluguel.

Uma vez que fizemos estes primeiros pagamentos, recebemos as chaves do imóvel e pudemos correr nas lojas de móveis para comprar o básico que precisávamos para mudarmos. Salve a IKEA, que tinha sofá, mesa, rack e cama disponíveis para pronta entrega: fizemos a compra no sábado e os móveis foram entregues na terça feira (03/09). Por “móveis foram entregues”, entendam que caixas com móveis desmontados foram entregues, e nós dois passamos o dia inteiro montando-os, já que a taxa de montagem da IKEA estava beirando os mil francos. Já posso adicionar ao meu curriculum vitae a habilidade “montadora de móveis” hihihihi

Na véspera dessa entrega dos móveis, nós pegamos um carro pelo Mobility (serviço de car sharing) e voltamos na IKEA para comprar as mesas do escritório e coisas básicas como panelas, pratos, canecas, varal, etc. As mesas do escritório nós deixamos para montar no último final de semana, até porque ainda não tínhamos cadeiras. Nós optamos por comprar as cadeiras para a mesa de jantar em outra loja (Pfister) que só poderia entregar nossa compra no dia 09 de setembro. Pelo menos, quando entregaram estas cadeiras, eles mesmos montaram.

Quase diariamente tenho que ir comprar alguma coisinha na rua para nos dar mais conforto em casa, o que é normal nesse comecinho, bem como é normal ainda não ter uma noção certinha do planejamento de compras de alimentos (nossa geladeira aqui é bem menor do que a do apartamento na Armênia, então é mais uma coisa com a qual temos que nos acostumar). Ainda falta muita coisa, até porque ainda não fazemos ideia de quando nossos pertences vindos da Armênia serão entregues. E faltam também coisas básicas como internet e tv por assinatura, porque é claro que isso não é coisa simples por aqui. Até que tenhamos internet em casa, estamos usando os celulares de roteadores para a TV e computadores. Graças a Deus nós conseguimos contratar planos de internet móvel ilimitada, então pelo menos está dando pra assistir Netflix e GloboPlay, e trabalhar com alguma normalidade.

Aos poucos, a vida vai entrando nos eixos e já estamos muito felizes de estarmos instalados no apartamento. Soubemos de colegas da Embaixada que demoraram 4 meses para encontrar um lugar para morar aqui em Berna, bem como colegas das missões em Genebra e Zurique que também demoraram bastante, então nós nos sentimos muito privilegiados e abençoados por já termos um cantinho nosso.

Grüße, Bern!

Chegamos na Suíça, nossa nova morada, no último dia 15. No final de semana, começamos a explorar Berna pra nos situarmos ao mesmo tempo que procuramos um lugar definitivo para morarmos. Marido já está em regime normal de trabalho, e eu tô me desdobrando nas minhas diversas funções. Por enquanto, estamos num hotel residencial bastante confortável, graças a Deus, mas é claro que já estamos doidos pra ter um cantinho pra chamar de nosso. Daqui, temos uma bela vista da capital da Suíça e para os Alpes, já que é um dos prédios mais altos da cidade.

Como eu já contei antes, passamos nossos últimos dias de Yerevan em um hotel. Saímos da Armênia no dia 01 de agosto, dormimos uma noite em Zurique, perto do aeroporto mesmo, e seguimos para Frankfurt, onde passamos nossos dias de trânsito, com direito a day trip para Luxemburgo e uma noite em Basel a caminho de Berna. Depois vou escrever com calma sobre coisas legais que fizemos neste período, embora o nosso foco tenha sido mais no descanso e na compra de coisinhas que o marido estava precisando.

Embora eu já tivesse vindo pra Suíça 2x, não conhecia Berna, e tô encantada com essa cidade. A capital da Suíça tem um feeling de cidade pequena, com construções não muito altas e muitas casinhas que parecem coisa de boneca. Tô conseguindo me virar razoavelmente bem em alemão, e quando necessário me comunico em francês ou mesmo italiano. Surpreendentemente, a galera não fala muito inglês por aqui não, e quando fala é uma coisa meio macarrônica.

Como esperado, o transporte público funciona muito bem, e a cidade é surpreendentemente limpa. Mas nem tudo são flores e a Suíça é caríssima. Muito cara mesmo. Assustadoramente cara, principalmente pra quem acabou de sair de um país tão barato como a Armênia (aliás, aquela região toda é uma pechincha). Já tô com saudade de Yerevan? Sim. Um prato num restaurante/café por aqui dificilmente custa menos do que 15 CHF (algo em torno de R$63 no câmbio de hoje). Há uma tradição de servirem, no almoço, menus que incluem uma saladinha de folhas (já tô ligada que os suíços amam salada e que uma refeição jamais é completa sem um pratinho de alface pra abrir os trabalhos) e provavelmente sopa e pão, além do prato principal, tudo por preços em torno de 20 CHF.

Os preços nos supermercados também vão nas alturas. Embora ainda não tenhamos feito nenhuma compra “de mês”, compramos algumas coisas para comer no hotel, e também já pesquisamos os preços de coisas que passaremos a comprar normalmente; o que mais chama a atenção são os preços das carnes, peixes e frangos que são caríssimos, passando de 34 CHF o quilo. Já tô me preparando psicologicamente pra primeira compra de mercado, que com certeza será um susto. Pra compensar, é fácil de encontrar nos mercados refeições semi-prontas sem aditivos e também refeições prontas (principalmente muitas opções de saladas e também rolls e nigiris) por preços um pouco mais amigos (ainda no padrão Suíça, claro).

Foi bom chegar em Berna e encontrar dias de sol e calorzinho. Aliás, no domingo, fez calor de verdade, com muito sol e passando dos 30˚C. Domingo foi um dia agradabilíssimo, que começou com uma missa ótima e terminou com cineminha ao lado do marido. Ontem e hoje a temperatura caiu e a chuva também veio, fazendo jus a fama da cidade. Marido já perdeu um guarda chuva, como era de se esperar, e eu preciso urgentemente comprar uma galocha porque eu detesto ficar com o pé molhado.