Um dia em Brugge

Quando estávamos definindo nosso roteiro de férias, acabamos optando por fazer de Bruxelas nossa base e, de lá, fazer day trips para outras cidades da Bélgica que nos interessavam – como, por exemplo, Bruges. Você, que é leitor assíduo desse blog, já se ligou que a gente gosta bastante de uma day trip.

Eu perdi a conta de quantas pessoas me disseram que Bruges é uma cidade lindíssima, um destino imperdível na Bélgica. Realmente, a cidade é uma gracinha, cortada pelos seus canais, caracterizada pelas ruas de paralelepípedos, cheia de construções medievais.

Bruges é a capital da província de Flandres Ocidental, e é bastante fácil viajar entre Bruxelas e Bruges: partindo da Estação Central de Bruxelas, a agradável viagem de trem dura 1h. Mesmo quando estamos de carro, como era o caso dessa viagem, por vezes nós achamos mais vantajoso fazer day trips de trem, seja pela comodidade de ir descansando no percurso ou por não precisarmos nos preocupar com estacionamento, por exemplo.

A sensação que eu tive é que realmente dá pra conhecer Brugge inteira em um dia de passeio. Nós caminhamos bastante pela cidade e as paisagens realmente são encantadoras.

Entre os destinos que visitamos na Bélgica, creio que Brugge foi o mais caro: os cafés e restaurantes não tinham opções muito acessíveis para o almoço, e nós acabamos comendo no Burguer King mesmo.

Lembro que o bilhete de trem que compramos dava direito a parar em Gant, o que fizemos no trecho de volta para Bruxelas, mas talvez já estivéssemos cansados e acabamos não achando nada demais. Talvez um dia voltaremos pra explorar com mais cuidado!

Porque você não deve visitar o Beer Museum em Bruxelas

Com tanta coisa acontecendo, parece que faz um século que nós viajamos de férias e passamos uns dias na Bélgica. Eu perdi a conta de quantas vezes ensaiei escrever os posts sobre nossos passeios por lá e acabava desanimada por conta do contexto pandêmico no qual estamos inseridos. Mas hoje resolvi aproveitar que tô numa crise de sinusite danada e, consequentemente, não existe a menor possibilidade de estudar pra, finalmente, contar um pouco do que fizemos naquelas férias.

A bela e grandiosa Grand-Place de Bruxelas.

Isto posto, não é novidade pra ninguém que a Bélgica é muito conhecida pelas suas cervejas – que são, de fato, muito saborosas. E, localizado no centro de Bruxelas, mais precisamente na Grand-Place, está o Belgian Brewers Museum, também conhecido como Beer Museum ou, em bom português, Museu da Cerveja. Como este blog é comprometido com a realidade, eu sou obrigada a dizer: é uma cilada, Bino!

O prédio da Maison des Brasseurs, que abriga o Museu da Cerveja.

Talvez nossa expectativa fosse muito alta por já termos visitado a Guinness Storehouse na Irlanda, mas tanto eu quanto o marido achamos o Museu da Cerveja de Bruxelas bastante decepcionante: além de ser muito pequeno, a impressão que tivemos é que não há um verdadeiro esforço pra contar a história da tradição belga em fazer cerveja. Pra completar, as poucas informações disponíveis são coladas nas paredes numas folhas A4 amadoramente impressas.

Fato é que, depois de olhar o museu, está incluído no ingresso a degustação de uma cervejinha. Se eu fosse você, quando estivesse em Bruxelas, economizaria tempo e dinheiro, pulava esse museu fajuto e tomava uma cervejinha direto em algum bar ou restaurante mais legal na cidade.

Coisas que eu aprendi em 1 ano de Suíça

Quando a gente tava na Armênia, eu fiz um post falando um pouquinho das coisas que tinha aprendido nos primeiros 6 meses por lá. Depois de 1 ano na Suíça, mesmo já tendo dado uns spoilers dos meus aprendizados por aqui nesse primeiro ano muito louco, resolvi escrever um post só pra listar as principais coisas que aprendi até agora.

Como qualquer outro lugar do mundo, a Suíça também tem problemas.

Eu sou do time que arranca logo o band-aid, então já trago essa verdade no primeiro tópico. A gente tem o costume de idealizar a vida em alguns lugares, e a Suíça costuma ser citada como um dos lugares mais maravilhosos do mundo. De fato, as belezas naturais desse país são inacreditáveis, beirando a perfeição. A arquitetura também encanta, principalmente nos centros históricos. A Suíça deve ser o único país do mundo em que o cartão-postal é realmente idêntico, retrato fiel da realidade. Mas, como qualquer outro lugar do mundo, o dia a dia é desafiador e apresenta problemas. O setor de serviços é bem ruim de uma maneira geral, desde demorar pra fazer a internet funcionar até atrasos em entregas programadas, passando pela TV a cabo sem tecla SAP. Aqui em casa, por exemplo, demoramos quase 9 meses pra conseguir concluir o processo de troca das persianas de alumínio de enrolar externas de dois dos quartos; foi tão traumático que, há poucas semanas, a persiana externa da sala de TV deu problema e a gente simplesmente comunicou à imobiliária pedindo pelo-amor-de-Deus pra eles deixarem assim porque a gente não quer passar por esse perrengue de novo (pelo menos, não tão cedo). Nem tudo funciona como um reloginho: desde atraso em entrega dos correios, ou entrega de supermercado, ou mesmo atrasos nos ônibus e trens, até marcar de fazerem um serviço em casa e simplesmente não aparecerem, tudo isso pode acontecer aqui como em qualquer outro lugar do mundo.

PS: aqui na Suíça é muito comum que os apartamentos/casas tenham a sala de jantar num cômodo separado da sala de estar; nós optamos por transformar esse cômodo imaginado pra ser a sala de jantar em uma sala de tv, e juntar a área estar com área de jantar no mesmo ambiente.

Pra economizar, é preciso planejamento.

A Suíça é um país muito caro, e isso não é novidade pra ninguém. Sem planejamento, é impossível economizar por aqui. E planejamento, nesse caso, precisa ir muito além de estipular uma meta de gastos mensais e uma meta de poupança: na maior parte das vezes, as maiores economias são feitas quando se consegue comprar um mini-estoque de coisas que estão com desconto. Nos mercados, por exemplo, é preciso ficar de olho nas promoções para aproveitar os preços mais baixos de artigos não-perecíveis (de papel higiênico a detergente, de papel toalha a sabão em pó). O mesmo vale pra dermocosméticos, por exemplo, já que algumas farmácias on-line oferecem descontos de até 20% de tempos em tempos. Outro jeito de economizar é se inscrevendo em todos os tipos de programa de fidelidade das lojas, farmácias, mercados, etc: muitos oferecem cashback de acordo com a quantia gasta, frete grátis, cupons de desconto, entre outros benefícios.

Tudo é correio, tudo é papel.

Eu nunca vou me esquecer de quando estávamos na expectativa de assinar o contrato de aluguel desse apartamento: aparentemente, tinha ficado tudo certo e deveríamos receber o contrato para lermos assinarmos e entregarmos na imobiliária. Passaram-se 2, 3, 4 dias, nada de receber o contrato por email. Resolvemos entrar em contato com o corretor pra saber se houve algum problema, manifestando novamente o nosso interesse no apartamento, ao que ele responde que o contrato tinha sido enviado pelo correio e que deveríamos receber no dia seguinte no hotel residencial onde estávamos hospedados. A partir de então, tivemos que nos acostumar que tudo é feito pelo correio, tudo é feito com muito papel. Recebemos, semanalmente, muitos encartes dos supermercados, mesmo já tendo pedido pra que não nos sejam enviados, já que eu consigo ver todas as ofertas online. Aliás, eu acho que os correios deveriam receber toda uma categoria neste post dedicada a eles, mas eu vou me limitar a dizer que os suíços confiam muito nos correios e dependem muito dos correios pra tudo, e nem sempre tem uma lógica nas entregas: as vezes eles interfonam avisando que chegou alguma coisa, as vezes é um silêncio absoluto e eu que lute pra descobrir se o que eu tô esperando foi entregue (tá, nem é tanta luta assim, é só entrar no rastreio que vai tá lá escrito, mas é que eu acho estranho eles só avisarem pelo interfone as vezes; pra mim, ou avisa sempre ou não avisa nunca! hihihihi).

Você pode pagar (quase) tudo por boleto.

Ah, os boletos. Aqui na Suíça, eles são laranja e devem ser pagos somente nas agências dos correios. Não, você não leu errado: por aqui, não existe a opção de ir no banco pagar um boleto. É possível pagar um boleto pelo internet banking, ou indo até uma agência dos correios. E tudo é boleto. Compra online pode ser paga por boleto. Supermercado pode ser pago por boleto. Aluguel de apartamento e vaga de garagem podem ser pagos por boleto. Dentista e consulta médica podem ser pagos por boleto. Óculos de grau pode ser pago por boleto. Quando eu fui fazer um check up, eu queria pagar na hora, mas simplesmente não consegui porque o sistema de pagamento deles é por envio de boleto, que poderia demorar até 2 meses(!) para chegar. Aqui, a lógica é que, se você tem um endereço na Suíça, o mais conveniente é receber um boleto (via correio, claro) para pagar pelas suas coisas. Você sempre tem, no máximo, 1 mês para pagar o boleto recebido – eu prefiro SEMPRE pagar no mesmo dia que recebo, que é pra não correr risco de ter complicação. E, sabendo como eles adoram um papel, eu nunca me esqueço de imprimir as confirmações de pagamento.

O verão é quente demais.

MEU DEUS DO CÉU. Que calorão!! Eu estava doida pro outono chegar – e chegou com tudo, com temperaturas de 3ºC na primeira semana. Mas, olha, que verão horrível. É lógico que a experiência do verão também foi prejudicada pela pandemia do coronavírus, já que eu mais fiquei em casa do que qualquer outra coisa, e as casas/aptos suíços são projetados para reter calor. Se tivesse sido um verão normal, saindo pra passear, andar na beira do rio, curtir o pôr do sol, sentar nas mesas externas dos restaurantes pra comer, essas coisas assim, talvez eu tivesse gostado um pouquinho. Quem sabe no ano que vem? Porém devo confessar que não tenho muita expectativa de gostar de verão porque eu nunca gostei de calor na minha vida.

Não dá pra evitar (conversas com) os vizinhos.

Vizinhos gostam de conversar, nem que seja parado na escada. É, eu sei, tem dias que a gente sai meio na correria, tem dias que a gente não tá muito pra conversa (o que pode ser potencializado se a conversa é num outro idioma que você não domina). Mas aqui, pelo que eu aprendi, não tem jeito: se eu cruzar com algum dos meus vizinhos na escada, ou na caixa de correio, ou na área da “garagem” (que, aqui, é diferente do conceito de garagem com o qual eu sempre estive acostumada), ou mesmo na lixeira, eu com certeza vou ter que parar e conversar com eles. E os vizinhos apreciam MUITO pequenas gentilezas, tipo um cartãozinho desejando bom final de semana ou coisas assim.

Não existe um “alemão suíço”, mas vários.

Todo mundo sabe que alemão é uma língua cheia das complicações. Geralmente, o alemão que estrangeiros aprendem é o “alemão padrão” (Standarddeutsch/Standardhochdeutsch/Hochdeutsch – tá vendo, uma língua que tem 3 jeitos de chamar a mesma coisa não é nada simples!), que com certeza vai te ajudar a ser compreendido em qualquer lugar onde se fale alemão. MAAAAAAS se, dentro da Alemanha, há vários jeitos diferentes de se falar alemão, a Suíça também não ia ficar de fora e é claro que há vários jeitos de se falar alemão na Suíça, mesmo sendo um país minúsculo, mesmo sendo um país com 4 idiomas oficiais. O alemão que se fala aqui em Berna, por exemplo, é diferente do alemão que se fala em Zurique. O que eu noto é que essas diferenças não impedem a comunicação mas, em geral, os interlocutores adaptam o alemão que estão falando pra que o outro tenha compreensão. E num país com 4 idiomas oficiais….

Tá liberado misturar italiano com francês com alemão (não necessariamente nessa ordem).

Eu nunca vou esquecer do dia que eu tava no ônibus e observei duas senhoras conversando: uma falava em alemão, a outra respondia em francês. E assim elas conversaram muito tranquilamente o trajeto inteiro. De acordo com minhas observações, o costume suíço é se expressar no idioma (oficial) que você se sente mais confortável. O alemão suíço “rouba” várias palavras do francês (e algumas do inglês, mas isso são outros 500), e eu já me liguei que, se eu não souber alguma palavra em alemão, eu posso falar em francês que há uma chance de 95% de ser compreendida, o que facilita bastante a minha vida.

Não é todo mundo que fala inglês.

Isso aí foi uma das coisas mais chocantes pra mim, confesso. Nas duas vezes que eu tinha vindo pra Suíça antes de mudarmos pra cá ano passado, fiquei em Genebra, e eu queria mais era gastar o meu francês. Chegando em Berna, com meu alemão ainda bem capenga (não que hoje esteja tinindo, mas já melhorou consideravelmente), era inevitável que tentássemos falar em inglês com as pessoas, principalmente pra resolver as coisas do apto/carro. E, meu Deus do céu, que dificuldade! Em Berna, era mais fácil eu me resolver em italiano do que em inglês. Lógico que, pensando em estrutura turística, você vai conseguir se comunicar em inglês. Mas, para o dia a dia, eu percebi que o alemão seria ainda mais importante aqui do que o russo era na Armênia.

Viajar não é tão fácil assim.

Uma das coisas que mais nos animava antes de chegarmos aqui era a possibilidade de viajarmos pela Europa – o que a gente não imaginava era que sair de Berna não é tão fácil assim. Pensando num mundo sem coronavírus (afinal de contas, quem podia imaginar?!), nossos planos incluíam viagens aos finais de semana (nem que fosse uma vez no mês) para países vizinhos/próximos. Mas logo logo vimos essa expectativa se frustrar, já que as conexões ferroviárias saindo de Berna são bem poucas e em horários pouco convenientes, e os horários de voos saindo de Zurique (o aeroporto mais próximo, que fica a quase 1h30 de trem) não ajudam quem está na capital da Suíça e quer dar uma escapadinha de fim de semana. Por sua vez, viajar dentro da Suíça é sempre bem fácil, seja pelas excelentes conexões ferroviárias, seja pelas estradas im-pe-cá-veis.

Coronavírus mudou tudo.

Impossível não refletir sobre esse aspecto, que mudou absolutamente TUDO. É claro que isso aconteceu pra todo mundo no mundo todo, mas eu não consigo evitar de pensar no impacto que a pandemia causou em diversas esferas da minha vida, da nossa vida aqui. A começar pela Universidade: por exemplo, eu achava que conseguiria formar um círculo de conhecidos (falar em círculo de amizades é algo complexo quando se mora tão pouco tempo em um lugar, e mais complexo ainda se tratando de uma sociedade mais fechada como é a Suíça), compartilhando as angústias e as alegrias da pesquisa de doutorado nas aulas, e é lógico que eu tive que me conformar com as aulas e seminários virtuais. As viagens, também, foram completamente comprometidas, mesmo dentro da Suíça. Meu Deus, eu mal tenho coragem de ir a pé ali no centro, vê se eu vou ter coragem de viajar pra um lugar turístico, me hospedar num hotel, etc? E não foram só as nossas viagens que foram afetadas: nossos pais ainda não conseguiram vir nos visitar, o que é algo muito, muito esquisito. Em tempos de coronavírus, lidar com a saudade é um desafio diário.

1 ano na Suíça!

Foi no dia 15 de agosto de 2019 que chegamos em Berna. Depois de 366 dias, devo dizer: que ano muito louco!

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Hoje, olhando pra trás, percebo que nós já chegamos aqui meio agitados; queríamos alugar apartamento rápido, queríamos comprar carro rápido, queríamos comprar móveis rápido, queríamos nos habituar ao ritmo da cidade e do país rápido. Pra completar a agitação, eu quis entrar no doutorado rápido.

Toda essa agitação foi boa e ruim; de fato, em pouco mais de 2 semanas aqui já tínhamos nos mudado pra esse apartamento e recebido os primeiros móveis que compramos e montamos sozinhos! Nunca pensei que eu fosse montar um sofá na minha vida! Tendo um endereço fixo, conseguimos também rapidamente abrir conta no banco, e eu pude me candidatar ao doutorado na Universidade de Berna.

Mas hoje consigo ver que a agitação toda do início pode ter feito com que tomássemos algumas decisões precipitadas. Nessas horas, eu sempre tenho que lembrar do que o meu pai sempre diz: “a pressa é inimiga da refeição!”

Além disso, a vontade de nos adaptar rápido ao novo país de nada adiantou – pra falar a verdade, ainda hoje, um ano depois, eu ainda não me sinto completamente adaptada.

Demorou um pouco pra que eu aprendesse a lidar com os nossos vizinhos, por exemplo. Neste prédio, são apenas 6 apartamentos, dos quais 5 tem residentes fixos. Todos eles se conhecem há muito tempo, são amigos, conversam por horas no jardim nas tardes de verão. E eles gostam de conversar. Demorou pra que eu entendesse o ritmo deles, demorou pra que eu entendesse que parar pra conversar na escada faz parte do costume deles, demorou pra que eu entendesse como eu tinha que me comportar quando encontro com eles. E, mesmo depois de um ano, eu ainda não entendo a obsessão deles  (e dos suíços em geral) com jardinagem!

Demorou, também, pra entender que não dá pra ficar comendo na rua todo sábado e domingo, muito menos no meio da semana, porque pesa muito no orçamento. Quando dizem que a Suíça é cara, não estão exagerando; o dia a dia aqui é muito caro mesmo. Restaurante tem que ser coisa de ocasião especial, e olhe lá.

E foi aí que eu comecei a cozinhar mais, a ter mais vontade de aprender a fazer coisas diferentes e gostosas, pra que a gente sentisse prazer em fazer todas as nossas refeições em casa.

Demorou (pouco, mas demorou) pra que eu entendesse que eu seria a minha melhor podóloga nesse país. Qualquer serviço aqui é muito caro, e podologia não seria diferente. Como meus pés são complicadinhos, eu não me incomodaria de pagar caro pra sair satisfeita – afinal, fazer meu próprio pé é absolutamente difícil e cansativo. No entanto, depois de três tentativas frustradas, das quais eu saía ainda com alienígenas precisando ser retirados dos cantinhos das minhas unhas encravadas, eu resolvi comprar todos os apetrechos disponíveis e tratar do meu pé sozinha. A cada 15 dias, a dor nas costas é certa, mas tenho feito cada vez menos barbeiragens.

Não demorou pra gente perceber que nós 2 teríamos que cuidar integralmente da casa, dividindo todas as tarefas: é financeiramente inviável contratar alguém para fazer os serviços domésticos. A gente fica cansado? Muito. Confesso que, pra mim, não é nada fácil acumular todas as atividades acadêmicas com as responsabilidades de organização e limpeza da casa. Mas, graças a Deus, até agora, estamos dando conta, e o apartamento fica um brinco.

Pra completar esse primeiro ano bem louco, veio a pandemia, nos colocando dentro de casa 24 horas por dias por praticamente 1/3 do nosso tempo de Suíça até agora. De repente, nos vimos presos os dois dentro de casa, mudando vários dos nossos planos, mudando as coisas de lugar, comprando (e montando) móveis novos. Nos vimos muito mais na frente da TV, cozinhando muito mais, limpando tudo mais intensamente. De repente, me vi tendo aulas online, enquanto o marido resolvia todas as coisas do trabalho pelo computador e telefone. Nos vimos dividindo o home office, aprendendo diariamente a não atrapalhar o trabalho do outro. Me vi 102 dias sem sair de casa, depois mais duas semanas, depois intercalando períodos longos em casa com saídas curtas quando não posso evitá-las, tendo que ser ainda mais cuidadosa do que sempre fui.

Nas minhas expectativas, em um ano de Suíça, já teríamos ido umas 3 vezes pra Disneyland Paris, pelo menos 1 vez pro WB Studio Tour e assistido a uma partida da NFL em Londres, já teríamos ido muito mais vezes pra Itália e pra Alemanha, já teríamos viajado muito mais dentro e fora da Suíça. Nos nossos planos, meus pais estariam aqui conosco.

Próximo de completar um ano por aqui, me vi tendo que abrir mão do conforto de ir nos meus médicos no Brasil, que me conhecem há tantos anos, que sabem exatamente do meu histórico, pra me consultar com os médicos daqui, falando em alemão e em inglês. Ter que explicar do zero todo o meu histórico (e também o histórico dos meus pais) de saúde não é uma tarefa que me deixa animada. E devo confessar que é sempre um desafio confiar em médicos que nunca vi na vida.

Minha ansiedade voltou com força e eu tô tendo que reaprender a lidar com ela. Os anos de Armênia tinham sido providenciais para que minhas crises de ansiedade tenham ficado sob controle, mas eu não consegui evitar que as crises voltassem nos últimos meses. A pandemia mexeu muito comigo em muitos níveis, resultando em crises frequentes.

Esse primeiro ano de Suíça foi de muito aprendizado, sem dúvida. E com certeza vou continuar aprendendo diariamente. Eu espero que os próximos anos aqui, antes do próximo posto que a gente nem imagina qual é, sejam mais leves do que este ano que passou.

O Bärenpark de Berna

A relação de Berna com os ursos é muito forte, já que Bärn (grafia do alemão bernense; lê-se “Bern”) significa “urso”.

Há várias versões sobre a origem desse nome mas, de acordo com a lenda local, Berchtold V von Zähringen, fundador de Berna, prometeu batizar a cidade com o nome do primeiro animal que encontrasse quando saiu pra caçar. Por ter encontrado um urso, a cidade ganhou o nome de Bärn, que também está representado no brasão da capital da Suíça e deste cantão.

A mais antiga referência à presença de ursos vivos na Bärengraben data de 1513! Até 1857, os ursos ficavam livres pela cidade, até serem colocados no poço dos ursos. A partir de 2009, houve uma expansão do Bärengraben, que se tornou o Bärenpark (ou “parque dos ursos”).

São 3 os ursos morando no Bärenpark: Finn (pai), Björk (mãe) e Ursina (filha). Durante o verão e o outono, os ursos se preocupam em buscar comida e encontrar o suficiente para sua alimentação. A vida dos ursos também inclui banhos regulares (no caso de Finn, Björk e Ursina, em uma faixa do rio Aare) e cochilos na parte da tarde, de preferência na sombra.

Os ursos que ficam no Bärenpark são alimentados de acordo com as estações, com muitos legumes e verduras, algumas frutas, e as vezes carnes ou peixes. Na medida em que o outono se aproxima, eles são alimentados com mais frutas e berres, que tem açúcar, bem como com castanhas que contém alto teor de gordura, para que os animais possam ficar bem nutridos para o inverno.

Os ursos não são alimentados em horários fixos; geralmente, a comida é distribuída e escondida no poço, sempre em lugares diferentes e horários diferentes. Desse modo, os animais podem procurar pelos alimentos e ficam constantemente ocupados por muitas horas, como é adequado para a espécie.

O Bärenpark fica bem próximo da cidade velha de Berna, onde o comércio da cidade se mistura à construções medievais, e o acesso é gratuito. É terminantemente proibido que os visitantes alimentem os ursos.

Segundo as minhas observações nas minhas idas a pé para o centro, a melhor época para ver os ursos é na primavera e no verão, principalmente na parte da manhã. Lembro de vê-los raramente no outono passado, que já foi bem fresquinho e chuvoso, e os ursos ficavam mais “escondidos”.

O Museu dos Instrumentos Musicais em Bruxelas

Conhecido como “MIM”, o Museu dos Instrumentos Musicais em Bruxelas (Musical Instruments Museum) reúne uma impressionante coleção dos mais variados instrumentos musicais de diferentes épocas e lugares do mundo.

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Criado em 01 de Fevereiro de 1877, o MIM era ligado ao Conservatório Real de Música de Bruxelas. Desde 11 de janeiro de 1992, o MIM faz parte dos Museus Reais de Arte e História, tendo sido reconhecido, por decreto real, o caráter científico das atividades do museu.

O Museu dispõe de 4 galerias, e cada uma delas ocupa um dos seus andares. A primeira galeria, “Musicus mechanicus”, corresponde a coleção de instrumentos mecânicos, elétricos e eletrônicos. O principal objeto desta exposição é o componium do século XIX, um grande instrumento musical que imita o som de uma orquestra inteira e automaticamente compõe diferentes músicas.

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A segunda galeria é a sala dedicada aos instrumentos musicais tradicionais, começando pela Bélgica, passando por uma série de tradições culturais europeias e chegando as diferentes manifestações culturais pelo mundo todo. Nesta galeria, podemos ver de perto gaitas de fole da Escócia e também de outros lugares do mundo, além de instrumentos musicais feitos por monges do Tibet com ossos, e também tambores africanos dos mais variados.

A terceira galeria conta com uma exibição temática, cronologicamente organizada da música clássica ocidental, explorando desde os anos medievais, passando pela renascença e chegando ao século XIX.

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A quarta e útlima galeria é uma sala inteiramente dedicada a contar a história dos pianos e teclados no mundo ocidental, com peças bastante impressionantes.

Particularmente, eu achei o MIM bastante interessante. Acho que é o tipo de museu que encanta principalmente quem tem algum tipo de conexão com a música, seja profissional ou afetiva (que é o meu caso). De todo modo, acho que vale a visita.

O ingresso para adulto custa €10, e a entrada é gratuita para crianças e adolescentes até os 18 anos de idade.

Montreux Noël

No último final de semana, pegamos o Bolinha e fomos até Montreux para conhecer um dos principais mercados de Natal da Suíça.

Pra quem nunca visitou um mercado de Natal europeu, a melhor definição possível é “festa junina só que com decoração de Natal”. Até as comidas e bebidas são parecidas (to falando de você, vin chaud).

Montreux Noël completa 25 anos de existência, comemorados com muita comida boa e atrações legais para todas as idades junto ao Lago Leman.

A entrada é gratuita, e a principal atração é, certamente, a enorme roda gigante. Mas a natureza não decepciona, e a vista do Lago Leman e dos Alpes é uma atração à parte.

O mercado funcionará até o dia 24 de dezembro, e todas as informações podem ser encontradas no site oficial.

Um dia em Luxemburgo

Quando estávamos no nosso trânsito em Frankfurt, nós fomos passar um dia em Luxemburgo – ou melhor, no Grande Ducado de Luxemburgo. Cada trecho da viagem durou cerca de 3 horas de carro. Luxemburgo tem uma área de aproximadamente 2586 km², e uma população de pouco mais de meio milhão de pessoas.

 

Nós estacionamos o carro aos pés da cidade histórica, e subimos caminhando. Basicamente, ficamos andando pelo centro histórico por algumas horas. Almoçamos no Bistro Art Scene, passamos em frente da Catedral de Notre Dame de Luxemburgo e do Palácio Grão-Ducal, observamos o monumento Gëlle Fra e a Ponte Adolphe, e passeamos pela Praça Guillaume II.

Luxemburgo é bem pequenininha, porém muito simpática.

Grüße, Bern!

Chegamos na Suíça, nossa nova morada, no último dia 15. No final de semana, começamos a explorar Berna pra nos situarmos ao mesmo tempo que procuramos um lugar definitivo para morarmos. Marido já está em regime normal de trabalho, e eu tô me desdobrando nas minhas diversas funções. Por enquanto, estamos num hotel residencial bastante confortável, graças a Deus, mas é claro que já estamos doidos pra ter um cantinho pra chamar de nosso. Daqui, temos uma bela vista da capital da Suíça e para os Alpes, já que é um dos prédios mais altos da cidade.

Como eu já contei antes, passamos nossos últimos dias de Yerevan em um hotel. Saímos da Armênia no dia 01 de agosto, dormimos uma noite em Zurique, perto do aeroporto mesmo, e seguimos para Frankfurt, onde passamos nossos dias de trânsito, com direito a day trip para Luxemburgo e uma noite em Basel a caminho de Berna. Depois vou escrever com calma sobre coisas legais que fizemos neste período, embora o nosso foco tenha sido mais no descanso e na compra de coisinhas que o marido estava precisando.

Embora eu já tivesse vindo pra Suíça 2x, não conhecia Berna, e tô encantada com essa cidade. A capital da Suíça tem um feeling de cidade pequena, com construções não muito altas e muitas casinhas que parecem coisa de boneca. Tô conseguindo me virar razoavelmente bem em alemão, e quando necessário me comunico em francês ou mesmo italiano. Surpreendentemente, a galera não fala muito inglês por aqui não, e quando fala é uma coisa meio macarrônica.

Como esperado, o transporte público funciona muito bem, e a cidade é surpreendentemente limpa. Mas nem tudo são flores e a Suíça é caríssima. Muito cara mesmo. Assustadoramente cara, principalmente pra quem acabou de sair de um país tão barato como a Armênia (aliás, aquela região toda é uma pechincha). Já tô com saudade de Yerevan? Sim. Um prato num restaurante/café por aqui dificilmente custa menos do que 15 CHF (algo em torno de R$63 no câmbio de hoje). Há uma tradição de servirem, no almoço, menus que incluem uma saladinha de folhas (já tô ligada que os suíços amam salada e que uma refeição jamais é completa sem um pratinho de alface pra abrir os trabalhos) e provavelmente sopa e pão, além do prato principal, tudo por preços em torno de 20 CHF.

Os preços nos supermercados também vão nas alturas. Embora ainda não tenhamos feito nenhuma compra “de mês”, compramos algumas coisas para comer no hotel, e também já pesquisamos os preços de coisas que passaremos a comprar normalmente; o que mais chama a atenção são os preços das carnes, peixes e frangos que são caríssimos, passando de 34 CHF o quilo. Já tô me preparando psicologicamente pra primeira compra de mercado, que com certeza será um susto. Pra compensar, é fácil de encontrar nos mercados refeições semi-prontas sem aditivos e também refeições prontas (principalmente muitas opções de saladas e também rolls e nigiris) por preços um pouco mais amigos (ainda no padrão Suíça, claro).

Foi bom chegar em Berna e encontrar dias de sol e calorzinho. Aliás, no domingo, fez calor de verdade, com muito sol e passando dos 30˚C. Domingo foi um dia agradabilíssimo, que começou com uma missa ótima e terminou com cineminha ao lado do marido. Ontem e hoje a temperatura caiu e a chuva também veio, fazendo jus a fama da cidade. Marido já perdeu um guarda chuva, como era de se esperar, e eu preciso urgentemente comprar uma galocha porque eu detesto ficar com o pé molhado.

A Fortaleza de Hohensalzburg em Salzburgo

A Fortaleza de Hohensalzburg está localizada em Festungsberg, acima dos rooftops do distrito histórico barroco de Salzburgo. Este é o maior castelo totalmente preservado da Europa Central.

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No ano de 1077, o arcebispo Gebhard mandou construir a fortaleza e mudou a cidade de Salzburgo para sempre. Nos anos seguintes, seus sucessores deram continuidade ao desenvolvimento arquitetônico da fortaleza. O complexo adquiriu a aparência que conhecemos hoje sob a administração do arcebispo Leonhard von Keutschach, em 1500. O propósito inicial da fortaleza era proteger o principado e os arcebispos de ataques hostis e, em todos os seus anos de existência, nunca foi tomada por tropas inimigas.

A Fortaleza de Hohensalzburg tem vários museus. O Museu da Fortaleza tem uma exibição histórica focada na vida da corte conduzida pelos arcebispos. Os outros museus (Marionette Museum, Altes Zeughaus e Museum do Regimento de Rainer) convidam os visitantes a embarcar numa viagem ao passado.

Também é possível visitar os aposentos reais, que compreendem o Salão dos Príncipes, a Câmara Dourada e o Salão Dourado. Os móveis de todos estes aposentos são originais e nunca foram modificados desde 1501/1502.

O ingresso que dá direito a visitar todos os museus e aposentos reais da Hohensalzburg Festung custa €16,30 por adulto.

As principais atrações do centro de Liubliana

O centro de Liubliana é uma gracinha e tem muitas atrações para além do castelo histórico.

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A Praça Preseren é a principal praça de Liubliana, dedicada ao grande poeta eslovênio Dr. France Preseren. A estátua de Dr. Preseren fica no centro da praça, rodeada por diversas construções do início do século XX. A cidade antiga, o mercado e o rio ficam próximos da praça e também da Ponte Tripla de Plecnik.

A Igreja Franciscana, construída pelos Agostinianos, é um dos principais símbolos da cidade de Liubliana por conta da sua localização central na praça Preseren e sua cor inconfundível.

As três pontes de Liubliana (Tromostovje) são provavelmente as pontes mais conhecidas da cidade, e também as mais bonitas. As Tromostovje constituem um popular ponto de encontro para locais e turistas, reunindo também muitos músicos e artistas de rua.

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A ponte do Dragão é um dos pontos turísticos mais conhecidos de Liubliana, já que o símbolo da cidade é exatamente o dragão. Quatro dragões verdes, dois de cada lado, foram esculpidos como guardiões da ponte e da própria cidade. Esta ponte foi construída em 1901, dedicada a Franc Josef, Imperador de Hapsburg.

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O principal mercado de Liubliana é o Mestna trznica (ou, em bom português, mercado municipal), onde podemos encontrar frutas e verduras frescos, souvenires, artesanatos, pães artesanais e muitos artistas de rua.

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A Catedral de São Nicholas é a principal igreja de Liubliana, e também a maior da cidade. Por conta da sua altura, suas duas torres de sinos e sua doma é possível vê-la a partir de diversos pontos da cidade. Esta Catedral fica na Praça Vodnik trg, próxima ao mercado Central e do outro lado da Tromostovje.

Neboticnik, ou “arranha-céu” é um dos prédios mais conhecidos e icônicos de Liubliana. Quando ele foi construído em 1933, Neboticnik era o prédio residencial mais alto da Eslovênia, e o 9˚ prédio mais alto da Europa. Hoje, Neboticnik é um ponto de referência na cidade, mantendo-se como prédio residencial com algumas lojas e escritórios nos andares mais baixos. Além disso, Neboticnik abriga um restaurante e um sky bar no seu topo.

O castelo de Liubliana

O Castelo de Liubliana (Ljubljana Grad), que tem cerca de 900 anos, é a principal atração da cidade, e fica localizado numa colina. Pode-se observar a cidade pela Torre de Observação e pelas muralhas do castelo, ao passo que o castelo abriga diversas exibições, entre elas um museu que conta a história da Eslovênia e um museu de marionetes, além de muitos salões históricos como a Capela de São Jorge.

É fácil subir até o Castelo de Liubliana usando o teleférico, e o ingresso que inclui esta modalidade de transporte custa €13 por adulto, ou €9 para crianças, adolescentes até 18 anos, estudantes, idosos e grupos de mais de 15 pessoas. Há também um ingresso promocional de €31 para famílias com até 2 adultos e pelo menos uma criança/adolescente de até 18 anos. O Castelo fica aberto diariamente, e seu horário de funcionamento varia de acordo com o mês do ano.

Praça da República em Liubliana

A Praça da República (TRG Republike) é o centro político da Eslovênia, uma vez que fica localizado nesta praça o edifício que abriga o Parlamento Esloveno.

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Esta praça foi erguida em 1960, com design do arquiteto Edvard Ravnikar, no local outrora ocupado pelos enormes jardins do Mosteiro Ursuline.

No centro da praça, foi construída uma grande plataforma para facilitar grandes reuniões públicas, e esta mesma plataforma serviu de palco para o anúncio da independência da Eslovênia em 25 de junho de 1991.

Ao seu redor, além do edifício do Parlamento Esloveno, encontra-se o edifício TR3 e os escritórios do Ljubljanska banka, o centro cultural Cankarjev dom, e a loja de departamento Maximarket.

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O principal monumento da praça é o Monumento à Revolução (Spomenik Revolucije), inaugurado em 1975 e idealizado por Drago Tršar.

Metelkova e arte em Liubliana

Os 7 prédios de Metelkova, outrora sede militar do exército do Império Austro-Húngaro e, posteriormente, sede eslovena do Exército Nacional da Iugoslávia, estão ocupados por arte desde o começo da década de 1990.

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O Centro Cultural Autônomo de Metelkova (em eslovênio, Avtonomni kulturni center Metelkova mesto), também conhecido pela sigla AKC, fica no centro da cidade de Liubliana com uma área total de 12.500m² ocupada desde setembro de 1993. A área recebeu esse nome por conta da rua Metelko (em eslovênio, Metelkova ulica) que, por sua vez, homenageia o padre da Igreja Católica Romana Fran Metelko.

A história de Metelkova como um centro de arte começa em 25 de junho de 1991, com a declaração da independência da Croácia e da Eslovênia. Esse data é considerada uma das muitas que marcam o fim da República Socialista Federativa da Iugoslávia. Depois da dissolução da Iugoslávia naquele ano, o Exército Iugoslavo deixou Metelkova, que rapidamente se tornou um brownfield militar com seus quartéis abandonados. (Browfield é um termo usado para definir áreas com potencial de desenvolvimento e que antes eram usadas para fins militares.)

 

 

Em 1991, a Rede de Metelkova, formada por 200 organizações jovens e alternativas, pediu à prefeitura de Ljubljana que permitisse o uso daqueles quartéis para fins pacíficos e criativos. A prefeitura, então, cedeu à Rede de Metelkova a permissão formal de usar a área; entretanto, tais promessas não foram de fato cumpridas, e a prefeitura não queria que a área fosse efetivamente ocupada. Esse papel ambíguo se manteve por muitos anos, até que em 1993 Metelkova passou a ocupar ilegalmente a região, sendo redefinida como uma zona autônoma e auto-organizada em 1995. Desde então, o centro se tornou um lugar de aceitação para as minorias, embora ainda existam ameaças por parte das autoridades municipais e do Estado.

Outro exemplo da ambiguidade das ações do Estado Esloveno e da prefeitura com relação à Rede de Metelkova e à região são os subsídios da administração municipal para a construção de um pequeno abrigo de verão, conhecido como Mala Šola (ou Pequena Escola). Este abrigo, planejado e construído em 2001 por voluntários, foi imediatamente classificado como abusivo. À construção, seguiu-se o pedido de demolição, imediatamente depois de outro escritório municipal denunciá-lo para um órgão governamental. Depois de muitas tentativas frustradas, o prédio foi enfim demolido em 2 de agosto de 2006. Embora haja planos para reconstruí-lo, o projeto não saiu do papel.

Nos anos 2000, novos atores se envolveram na zona autônoma de Metelkova como, por exemplo, a comunidade LGBT, outras organizações não-governamentais e até mesmo a UNESCO. Embora não tenha ajudado Metelkova a receber seu status legal, a área foi reconhecida como Patrimônio Cultural Nacional em 2005.

Tivoli Park em Liubliana

O Parque Tivoli é o maior e mais bonito parque de Liubliana, que se estende até o centro da cidade e foi idealizado em 1813 pelo engenheiro francês Jean Blanchard. Blanchard uniu os parques que ficavam em torno das Mansões Podturn e Cekin, criando uma área de cerca de 5km².

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Cruzando o parque Tivoli, encontramos três largas vias de pedestres margeadas por muitas castanheiras e ornamentadas por flores, inúmeras árvores e numerosas estátuas e fontes, com a área do parque se misturando às colinas de Rožnik.

Jakopičevo sprehajališče (ou Passeio Jakopič, ou mesmo Jakopič Promenade), idealizado pelo arquiteto Jože Plečnik no centro do parque Tivoli, é uma área popular para a exibição de grandes fotografias e fica aberto o ano inteiro com exposições temporárias.

Desde a sua idealização em 1813, o Parque Tivoli passou por diversas expansões e projetos de re-paisagismo, incluindo a construção de um lago para peixes na margem oeste em 1880. Próximo ao lago, fica localizado um pequeno jardim botânico com uma estufa de vidro, cuja administração foi confiado ao Jardim Botânico de Liubliana em 2010, quando completou 200 anos. Dentro da estufa de vidro, há uma exibição permanente de plantas tropicais e carnívoras. Do outro lado do lago para peixes, há um playground infantil, que foi construído em 1942 e renovado em 1994.

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Entre 1921 e 1939, um extensivo projeto de atualização foi colocado em prática pelo arquiteto Jože Plečnik, que idealizou a ampla Jakopič Promenade, que termina aos pés da escadaria que conduz à Mansão Tivoli, e que homenageia o pintor impressionista esloveno Rihard Jakopič.

Em 1929, foi construída a piscina externa Letno Kopališče Ilirija em uma das pontas do parque Tivoli, com design de Stanko Bloudek. Quando foi construída, era a piscina mais moderna de todo o Reino da Iugoslávia. Em memória a Bloudek, um parque desportivo foi construído em frente à Mansão Cekin (Cekinov grad), incluindo quadras de tênis e basquete, um rink de patinação e skate, e um playground infantil idealizado pelo arquiteto Marjan Božič. Em 1965, Božič também criou o Dvorana Tivoli, um hall dedicado a eventos desportivos e concertos. Em 1973, foi construído um centro esportivo e recreativo com piscina interna e pistas de boliche, com design de Fedja Košir.