Auschwitz-Birkenau, memória viva do Holocausto

Já estamos em Budapeste! Estávamos em Cracóvia até anteontem, dormimos uma noite em Brno (a 2a. maior cidade da República Tcheca), e chegamos hoje na Hungria! Quem está acompanhando #letíciadeférias no instagram está vendo todas as nossas aventuras em tempo real (ou quase!). Mas é claro que não vou deixar de escrever detalhes sobre o que estamos fazendo por aqui!

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a famosa entrada do campo de concentração Auschwitz I, com os dizeres “arbeit macht frei” (o trabalho liberta)

Enquanto estávamos em Cracóvia, fomos visitar os campos de concentração e exterminação nazista Auschwitz-Birkenau, que ficam a cerca de 65km do centro de Cracóvia. Mesmo tendo alugado um carro pra essa viagem (já passamos dos 1000km!), optamos por fazer o tour guiado com a empresa Escape2Poland. Foi uma visita muito emocionante e intensa.

Auschwitz se tornou um símbolo do terror, do genocídio e do Holocausto. Foi criado em 1940 pelos alemães nos subúrbios de Oswiecim, uma cidade polonesa que tinha sido anexada ao Terceiro Reich pelos Nazistas. O seu nome foi modificado para Auschwitz, que também se tornou o nome do campo de concentração (Konzentrationslager Auschwitz). A principal razão para criação desse campo de concentração foi o aumento das prisões em massa dos poloneses, que excediam as capacidades das prisões locais existentes. O primeiro transporte de poloneses chegou até Auschwitz da prisão de Tarnów em 14 de junho de 1940. Inicialmente, Auschwitz seria mais um dos campos de concentração que os nazistas estavam estabelecendo desde o começo da década de 1930, funcionando de acordo com seu papel por todos os anos em que foi usado, mesmo quando, em 1942, se tornou o maior dos campos de extermínio.

O primeiro e mais antigo campo de concentração e extermínio era o chamado “campo principal”, mais tarde conhecido como Auschwitz I (o número de prisioneiros flutuava em torno de 15 mil, às vezes ficando acima de 20 mil), estabelecido nas terras e prédios dos quartéis pré-guerra.

A segunda parte era o campo de Birkenau (que abrigou mais de 90 mil prisioneiros em 1944), também conhecido como Auschwitz II. Este era o maior terreno do complexo de Auschwitz. Os nazistas começaram a construí-lo em 1941 na vila de Brzezinka, a 3km de Oswiecim. A população civil polonesa foi despejada, e suas casas confiscadas e demolidas. A maior parte do aparato de exterminação em massa foi construído em Birkenau, e a maioria das vítimas era assassinada ali: 1 em cada 6 vítimas do Holocausto foi morta neste campo de concentração.

Mais de 40 sub-campos, explorando os prisioneiros e trabalhadores escravos, foram fundados, muitos na forma de diversas indústrias e fazendas alemãs, entre 1942 e 1944. O maior deles era chamado Buna (Monowitz, com 10 mil prisioneiros) e foi aberto pela administração do campo em 1942 nas terras de Buna-Werke à 6km do campo de Auschwitz. Em novembro de 1943, o sub-campo de Buna se tornou o centro de comando da terceira parte do campo, Auschwitz III, ao qual alguns outros sub-campos de Auschwitz eram subordinados.

Os alemães isolaram todos os campos e sub-campos do mundo exterior, e os cercavam com arame farpado. Todo contato com o mundo exterior era proibido. Entretanto, a área administrada pelo comandante e patrulhada pela tropa da SS ia além das terras cercadas por arame farpado, incluindo uma área adicional de aproximadamente 40 quilômetros quadrados (a chamada “Interessengebiet”, a área de interesse), que fica em torno dos campos de Auschwitz I e Auschwitz II-Birkenau.

A população local, os poloneses e judeus vivendo perto do campo recém-fundado, foi despejada entre 1940-1941. Aproximadamente mil das suas casas foram demolidas. Outros prédios foram designados para oficiais e oficiais não-comissionados da tropa da SS do campo, que as vezes estavam acompanhados de todos das suas respectivas famílias. As instalações industriais do pré-guerra na área, tomada pelos alemães, era expandida em alguns casos e, em outro, demolidas para abrir espaço para novas instalações associadas às necessidades militares do Terceiro Reich. A administração do campo usava a zona em torno dele para apoio técnico, workshop, depósitos, escritórios e quartéis para a SS.

Ao chegar no campo de concentração de Auschwitz, os prisioneiros eram selecionados entre aqueles aptos para trabalhar, e aqueles que sediam mortos imediatamente. Os médicos pediam aos prisioneiros que deixassem seus pertences, e entregavam a eles um sabonete para que fossem “tomar banho”; os prisioneiros eram, então, encaminhados para as câmaras de gás. Outros prisioneiros eram assassinados por meio de injeções letais. Estas práticas tinham sido suspendidas temporariamente durante a primavera de 1943, mas foi retomada em seguida para matar prisioneiros judeus.

Registros documentais dos Campos (Zugangslisten Jugen) indicam que, dos 973 judeus provindos da Eslováquia em 17/abril/1942, apenas 88 ainda estavam vivos menos de 4 meses depois. A maioria dos prisioneiros judeus tinha o mesmo destino; eles constituíam a categoria mais baixa na população multiétnica do campo de concentração, que também consistia de poloneses, russos, tchecos, bielorrussos, alemães, franceses, iugoslavos, ucranianos, entre tantas outras nacionalidades e minorias como homossexuais, ciganos, testemunhas de Jeová, etc.

As punições eram aplicadas em Auscwitz de acordo com ordens escritas do comandante ou do diretor do campo, bem como por relatórios dos oficiais da SS e prisioneiros funcionários. As infrações mais comumente punidas incluíam todos os tipos de tentativas de conseguir comida, várias formas de tentar fugir do trabalho ou trabalho de forma insatisfatória, fumar ou até mesmo atender às necessidades fisiológicas em horas impróprias, usar roupas diferentes dos uniformes, ou tentativas de suicídio. As punições eram completamente arbitrárias. Os prisioneiros recebiam penas diferentes para as mesmas infrações. As punições mais frequentes eram as flagelações, confinamento no bloco 11 do campo principal, e tortura por enforcamento.

A participação de inúmeros médicos alemães em experimentos médicos criminosos nos prisioneiros dos campos de concentração era uma instância particularmente drástica do atropelo da ética médica. Os iniciadores e facilitadores destes experimentos eram o Reichsführer SS Heinrich Himmler, o médico chefe, junto do SS-Obergruppenführer Ernst Grawitz, o chefe de polícia, e do SS-Standartenführer Wolfram Sievers, o secretário geral da Associação de Herança (Ahnenerbe Association) e diretor do Waffen SS Instituto Militar-Científico de Pesquisa.

O SS-WVHA (Escritório Principal de Economia e Administração da SS, responsável pelos campos de concentração desde março de 1942) tinha autoridade administrativa e financeira. O apoio na forma de estudos analíticos especializados veio do Waffenn SS Instituto de Higiene, dirigido pelo SS-Oberführer Joachim Mrugowsky, professor mestre de bacteriologia na Escola de Medicina da Universidade de Berlim.

Os experimentos eram planejados nos mais altos níveis para atender às necessidades do exército (alguns pretendiam melhorar a saúde dos soldados) ou planos pós-guerra (incluindo políticas populacionais), ou para reforçar as bases da ideologia racial (incluindo visões avançadas quando à superioridade da “raça nórdica”). Além dos experimentos planejados nos níveis mais altos, muitos médicos nazistas experimentavam nos prisioneiros em nome das companhias farmacêuticas ou institutos médicos alemães. Outros o faziam por interesse pessoal, ou para avançar em suas carreiras acadêmicas.

Durante a Segunda Guerra Mundial, os médicos nazistas se apoiavam nas expectativas das lideranças do Terceiro Reich, apoiando as políticas demográficas do regime. Eles iniciaram uma ampla pesquisa em métodos de esterilização em massa que seriam aplicados aos povos que eram vistos como inferiores.

Quando o Exército Vermelho chegou à linha de Vistula-Wisłoka em julho/agosto de 1944, a menos de 200km de Oświęcim, a liderança germânica considerava duas opções para o campo: liquidação, no caso de sucesso contínuo do Exército Vermelho, ou manter o campo de pé sob circunstâncias favoráveis. Os alemães, então, começaram uma série de passos de evacuação/liquidação, que durou até o meio de janeiro de 1945, mas evitaram fazer qualquer coisa que pudesse impedir que o campo continuasse funcionando.

Na segunda metade de 1944 e nas duas primeiras semanas de janeiro de 1945, cerca de 65 mil prisioneiros, incluindo quase todos os poloneses, russos e tchecos que restavam no campo (cerca de 15 mil homens e mulheres) foram evacuados para várias plantas industriais nas profundezas do Reich. Entretanto, cerca de 65 mil outros prisioneiros foram mantidos em Auschwitz até o último segundo. A maioria deles foi empregada nas plantas da região industrial da Silesia do Norte e outros centros próximos que eram importantes para manter o potencial de guerra germânico. Em dezembro de 1944, oficiais germânicos da indústria química se encontraram em Katowice para discutir meios de aumentar a produtividade dos prisioneiros de Auschwitz que trabalhariam nas suas plantas industriais no ano seguinte. No começo de janeiro, poucas semanas antes do Exército Vermelho chegar até o norte da Silesia, o trabalho continuou a equipar o recém-fundado sub-campo de Hubertshütte, num moinho de aço em Bytom-Łagiewniki.

A exterminação em massa dos judeus nas câmaras de gás terminou em novembro de 1944. A maioria dos prisioneiros judeus que trabalhavam no crematório e nas câmaras de gás foram liquidados em setembro, outubro e novembro como testemunhas da exterminação. Mais de 400 judeus morreram durante um motim realizado por uma equipe do crematório (Sonderkommando) em 7 de outubro de 1944. Muitos membros do Sonderkommando foram mantidos vivos até a liquidação final do campo.

O Crematório IV, avariado durante o motim do Sonderkommando, foi destruído no fim de 1944. Em novembro e dezembro, os alemães fizeram preparações para explodir os outros 3 prédios de crematórios. Eles desinstalaram o equipamento técnico das câmaras de gás e o salão de fornalha dos crematórios II e III, e enviaram a maioria desses equipamentos para as profundezas da Alemanha. Entretanto, deixaram o crematório V e suas câmaras de gás funcionando até a segunda metade de janeiro de 1945.

Ao fim de 1944, como parte dos esforços de remover as evidências dos crimes cometidos em Auschwitz, eles rapidamente liquidaram os fossos cheios de cinzas humanas (os fossos onde eles queimavam corpos e outros onde eles despejavam as cinzas dos crematórios) em Auschwitz-Birkenau. Eles intensificaram a rotina de destruição dos registros que não eram mais necessários, incluindo arquivos e listas de prisioneiros. Eles também passaram a queimar as listas com os nomes dos judeus deportados para morrer em Auschwitz.

Nos últimos meses em que o campo de concentração de Auschwitz esteve em operação, os alemães enviaram uma grande quantidade de material de construção e itens saqueados dos judeus vítimas das exterminações em massa. Na metade de janeiro de 1945, pouco antes da ofensiva Vistula-Oder do Exército Vermelho, os alemães começaram a evacuação final e liquidação do campo.

Entre 17 e 21 de janeiro, os alemães marcharam aproximadamente 56 mil prisioneiros para fora de Auschwitz e seus sub-campos nas colunas de evacuação, em sua maioria na direção oeste, pela Silesia do norte e do sul. 2 dias depois, eles evacuaram 2 mil prisioneiros em trens dos sub-campos de Świętochłowice e Siemianowice. As principais rotas de evacuação levavam a Wodzisław Sląski e Gliwice, onde as muitas colunas de evacuação eram fundidas em transportes ferroviários. Do sub-campo de Jaworzno, 3.200 prisioneiros fizeram uma das maiores marchas: 250km até o Campo de Concentração Gross-Rosen na Silesia do sul.

As colunas de evacuação deveriam ser formadas somente pelas pessoas saudáveis com força suficiente para marchar muitos quilômetros. Entretanto, na prática, prisioneiros doentes e enfraquecidos também se voluntariaram, porque pensaram (e com alguma razão) que os alemães iriam matar aqueles que ficassem pra trás. Crianças judias e polonesas também marcharam com os adultos.

Ao longo de todas as rotas, os guardas da SS atiravam nos prisioneiros que tentavam escapar e aqueles que estavam fisicamente exaustos para continuar no mesmo ritmo dos seus companheiros desafortunados. Milhares de corpos dos prisioneiros que foram assassinados ou que morreram de fatiga ou exposição ao frio ficavam alinhados ao longo das rotas por onde todos os outros prisioneiros passavam a pé ou de trem. Apenas na Silesia do norte, cerca de 3 mil prisioneiros morreram. Estima-se que pelo menos 9 mil (e mais provavelmente 15 mil) prisioneiros de Auschwitz perderam suas vidas nas operações de evacuação. Depois da guerra, estas rotas ficaram conhecidas como “Marchas da Morte”. Um dos poucos documentos nazistas existentes sobre as Marchas da Morte é um relatório da SS de 13 de março de 1945 na chegada no campo de Leitmeritz na Boêmia, de 58 prisioneiros evacuados do sub-campo Hubertushütte de Auschwitz. O relatório indica que 144 prisioneiros (a maioria judeus) morreram na rota.

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Massacres de prisioneiros aconteceram em alguns lugares ao longo das rotas de evacuação. Na estação de trem Leszczyny/Rzędówka perto de Rybnik, na noite de 21 para 22 de janeiro de 1945, um trem carregando cerca de 2.500 prisioneiros de Gliwice parou. Na tarde de 22 de janeiro, os prisioneiros receberam a ordem de desembarcar. Alguns deles estavam muito exaustos para fazê-lo. Homens da SS da comitiva e a polícia nazista local dispararam tiros contra as portas abertas dos vagões dos trens. Os alemães então conduziram os prisioneiros remanescentes na direção oeste. Depois que eles marcharam, mais de 300 corpos de prisioneiros que tinham sido atingidos pelos tiros ou tinham morrido de exaustão foram recolhidos da estação e suas imediações. Muitos residentes poloneses e tchecos de lugarejos ao longo da rota de evacuação procuravam ajudar os prisioneiros. Em grande parte, davam a eles água e comida, e também abrigavam aqueles que conseguiam escapar.

Caminhar por aqueles lugares onde tanto sofrimento e tanto sangue foi derramado foi uma experiência indescritível, que certamente ficará marcada para sempre em mim. As consequências do nazi-fascismo parecem estar vivas até hoje em Auschwitz, para que não nos esqueçamos e jamais permitamos que este horror se repita em nenhum lugar do mundo. Fascismo nunca mais!

Musée des Arts Décoratifs: Margiela, les années Hermès

Localizado na Rue de Rivoli em Paris, o Musée des Arts Décoratifs exibe, até o dia 22 de setembro de 2018, a exposição “Margiela, les années Hermès” celebra os anos em que Martin Margiela esteve à frente de uma das principais maisons francesas.

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Entre 1997 e 2003, Margiela comandou a direção criativa da Hermès, e esta homenagem apresenta, pela primeira vez na França, as coleções femininas de prêt-à-porter que o estilista desenhou para a célebre maison parisiense, sem perder a identidade das criações da sua própria maison. É interessantíssimo comparar as peças expostas no Musée des Arts Décoratifs com aquelas que em exposição no Pallais Galliera (até 15 de julho!).

Entre a desconstrução inovadora e o luxo atemporal, 98 silhuetas dialogam entre si, expressando e dando voz à visão particular de Martin Margiela. Estes dois universos, muito próprios desse designer, constituem o ponto de partida da exposição, cuja direção artística é do próprio Margiela.

Considerado um dos criadores mais atípicos e misteriosos da sua geração, Martin Margiela faz parte do seleto grupo de estilistas que radicalizou e renovou bruscamente o universo da moda. Depois de fundar sua própria marca, a Maison Martin Margiela, em 1988, ele decidiu, desde o início, que faria do anonimato uma das suas características essenciais, recusando o aparecimento do seu nome nas suas criações, adotando a etiqueta branca costurada nos quatro cantos como sua marca registrada. O famoso “blanc de Meudon” é escolhido como assinatura dos seus desfiles. Desde o início, Margiela desenvolve um trabalho contra a corrente da época da logomania e da padronização, e se destaca em seu meio. Ele surpreende com seus cortes construídos-desconstruídos, suas silhuetas oversize, seus materiais reciclados, ou mesmo os tecidos monocromáticos, que destacam o aspecto artesanal das suas criações.

Foi em outubro de 1997 que Jean-Louis Dumas, então presidente e diretor artístico da Hermès, convidou Martin Margiela a desenhar as coleções de prêt-à-porter femininas, quando este já era considerado, depois de quase uma década, como uma das figuras vanguardistas mais influentes. Era uma escolha audaciosa, que rompia com as tendências do universo da moda de escolher estilistas estrelados. A maison Hermès tem, então, um fator surpresa ao convidar este criador iconoclasta que ninguém (ou quase ninguém) conhece o rosto, e que dispensa os holofotes e o mundo do entretenimento.

Entre 1997 e 2003, acompanhado da expertise do estúdio e dos ateliês da maison Hermès, da qual compartilhava seus valores, Martin Margiela instaura, por meio de 12 coleções consecutivas, uma visão coerente e profunda de um luxo contemporâneo. Conforto, atemporalidade, sensualidade e autenticidade são as palavras-chave para definir a visão de Margiela da mulher Hermès, associada a um estilo apurado. A nova paleta de cores sóbrias e monocromáticas que ele apresenta estão alinhadas ao universo colorido das estampas da Hermès, suscitando a surpresa da imprensa.

Desde a entrada da exposição, o visitante descobre dois estilos distintos que propõem um diálogo apaixonado entre as roupas que Margiela criou para a Hermès e aquelas que ele criou para sua própria Maison. O conjunto se desenvolve com uma sucessão de sequências temáticas de mais de 100 silhuetas, de fotos e de vídeos num percurso que alterna entre o laranja inconfundível da maison Hermès e o branco da Maison Martin Margiela.

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Desse modo, o visitante aprende um pouco do processo criativo que navega sem confusão entre as duas maisons e de cada um dos seus códigos. É a primeira vez que o Musée des Arts Décoratifs se dedica a destacar um ícone da história da moda, com um criador que se desdobra entre as colaborações para as outras Maisons e a sua própria.

Conceitual e subversivo, Martin Margiela revolucionou totalmente o sistema da moda no fim dos anos 1980, e suas criações continuam sendo importantes impressões no universo da moda contemporânea, com uma silhueta vanguardista pautada na desconstrução, a reciclagem e recuperação de materiais. Margiela introduz na Hermès um esboço de cortes e colores com base nos materiais excepcionais da selaria parisiense, e integra numerosas inovações.

A exposição no Musée des Arts Décoratifs homenageia esta figura única da moda, dentro do período “Saison Margiela 2018 à Paris“, que celebra o estilista em comunhão com a retrospectiva “Margiela/Galliera, 1989-2009” e, até o dia 15 de julho, é possível comprar o 2º bilhete com tarifa reduzida na apresentação do bilhete da outra exposição. O bilhete integral (plein tarif) para o Musée des Arts Décoratifs custa €11, e o museu está aberto de terças a domingos das 11h às 18h (a bilheteria fecha às 17h15), e às quintas-feiras fica aberto até as 21h (a bilheteria fecha às 20h15).

 

Tudo o que você precisa saber sobre a Disneyland Paris

Se tem alguém que ainda não sabe disso, eu sou #disneyfreak, com muito orgulho, com muito amor, e eu não perco nenhuma chance de visitar e vivenciar o mundo mágico pelo mundo!

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Se meu destino certeiro de férias por muitos anos foi Orlando, pra aproveitar a Disney World ao máximo, nesses últimos tempos eu fui 2 vezes pra Disneyland Paris em pouco mais de um ano, em meio à tantos outros destinos que vocês tem acompanhado por aqui! Eu já tinha ido à Disneyland Paris em 2009, quando estive em Paris pela 1ª vez, e tinha gostado bastante dos parques mais “compactos”, que podem ser facilmente desfrutados em um único dia. Por isso, não deixei passar nenhuma das outras chances de voltar pra esse pequeno complexo mágico na Europa!

Se em 2017 eu já contei rapidamente por aqui sobre o dia que eu e marido passamos nos parques, hoje decidi fazer um post bem completo, explicando tudinho pra quem quiser aproveitar a Disneyland Paris e o Walt Disney Studios.

COMO CHEGAR

A Disneyland Paris fica em Marne la Vallée, a cerca de 40km do centro de Paris. Para quem estiver em Paris, o jeito mais simples de chegar é tomando o RER A (vermelho), descendo na estação final, Gare de Marne la Vallée Chéssy, que já é praticamente dentro da Disney. O bilhete de RER custa €7,60 por adulto/por trecho. Eu nunca usei o shuttle da Disney, mas sei que ele existe e que o transporte de ida e volta do centro de Paris custa cerca de €30. Também é possível ir de carro, mas eu também nunca tentei. O percurso em RER leva cerca de 45min, e sempre foi essa a minha opção escolhida.

INGRESSOS

Você pode optar por ingressos de 1 dia ou vários dias, e os preços variam de acordo com a sua opção. O ingresso de 1 dia para 2 parques, comprado no guichê, custa €99 para adultos e €83 para crianças. O pulo do gato na hora de comprar os ingressos é usar os guichês que ficam na entrada do Walt Disney Studios ao invés dos guichês principais da entrada da Disneyland, que estão sempre mais cheios!

PARQUES

O complexo europeu da Disney conta com dois parques: Disneyland Paris e Walt Disney Studios. Os horários de funcionamento de cada parque variam, então vale a pena conferir no site antes de planejar a sua visita, bem como conferir os horários atualizados do dia quando já estiver por lá. Eu costumo preferir começar o dia pelo Walt Disney Studios e depois seguir pra Disneyland Paris porque, em geral, o Walt Disney Studios fecha mais cedo do que a Disneyland. Como nas duas últimas vezes em que eu fui pra lá estava um frio congelante, eu não consegui ficar até tarde, então não fiquei pulando de um parque pro outro: aproveitei o Walt Disney Studios até umas 14h, e depois fui pra Disneyland, onde fiquei até umas 17h. Quando eu fui pra lá pela primeira vez, em 2009, era verão, então anoitecia mais tarde, estava calor, e era um quadro completamente diferente; naquele dia eu aproveitei até o último segundo!

BRINQUEDOS/RIDES

Eu falei ali em cima que esses parques são mais “compactos”, e agora é hora de explicar porquê: eles concentram, em um espaço menor, os principais brinquedos (inclusive “radicais”) que se encontram espalhados pela Disney World e pela Disneyland (a original, da Califórnia). É claro que não são todos os brinquedos, mas no Walt Disney World e na Disneyland Paris podemos brincar na Rock n Roller Coaster, na Tower of Terror, na Big Thunder Mountain e no Buzz Lightyear Laser Blast.

Pra quem já foi pra Disneyland ou pro Magic Kingdom, andar pela Disneyland Paris será muito fácil e familiar, porque a disposição do parque é praticamente idêntica àquela encontrada nos seus irmãos mais velhos. Mas não pense que os 3 parques são irmãos gêmeos: cada um tem as suas particularidades! O Castelo da Bela Adormecida de Paris tem várias surpresas para os visitantes, e vale a pena gastar alguns minutos do seu dia explorando cada cantinho dos 3 andares desse lindo Castelo. O Labirinto de Alice (Alice’s Curious Labyrinth) também merece a sua atenção. As atrações tradicionais como Piratas do Caribe, Mansão Mal Assombrada e It’s a Small World estão por lá para os fãs mais sedentos. E a montanha russa Indiana Jones and the Temple of Peril é uma das atrações exclusivas desse parque! Mas, pra mim, o melhor brinquedo do parque Disneyland Paris é a Star Wars Hyperspace Mountain, que é a versão mais nerd e super turbinada da Space Mountain!

Já o Walt Disney Studios seria a versão europeia do Hollywood Studios (que fica na Disney World, em Orlando), só que bem menor. Além disso, no Walt Disney Studios encontramos uma área inteirinha dedicada ao Ratatouille, enquanto apenas uma atração similar à existente em Paris será inaugurada no EPCOT de Orlando até 2021 (em tempo de comemorar os 50 anos de Walt Disney World). Outra área super legal do Walt Disney Studios é a Toy Story Playland, que já dá um gostinho da Toy Story Land que será inaugurada no final desse mês de junho de 2018 em Orlando.

PERSONAGENS

Mesmo em dias cheios (dessa última vez que eu fui, em março, os parques estavam bem cheios mesmo!), acho que os parques de Paris são menos alvoroçados do que os de Orlando, e vale a pena aproveitar a oportunidade para tirar fotos com seus personagens preferidos. Mickey, Minnie, Pluto, Darth Vader, princesas… todos estão por lá!

Pra não perder o seu personagem preferido, é importante pegar o timetable do parque assim que chegar (é também nesse folheto que você vai conferir os horários dos shows e atrações) e programar suas fotos especiais.

FASTPASS, SINGLE RIDER & WI-FI

O famoso “fura fila” da Disney está evoluindo muito rapidamente pelo mundo, e em Orlando o sistema já é todo digital, sendo possível agendar com antecedência pela internet. No complexo europeu, essa modernidade ainda não chegou, e o fastpass continua sendo o bom e velho papelzinho que a gente tem que ir na máquina buscar e planejar o dia de acordo. Estando sozinha, não usei nenhum dessas últimas vezes, até porque quase todas as rides tem fila de single rider. O wi-fi para guests foi instalado recentemente, e ainda não tava funcionando muito bem não.

MAGICAL MOMENT

Há uns anos atrás, a Walt Disney World lançou uma campanha que promovia “magical moments” para os guests: podia ser desde uma experiência com um personagem até mesmo passar uma noite na suíte do Castelo da Cinderella. Mesmo essa campanha tendo durado pouco tempo, eu adotei o termo pra vida, e não foram raras as vezes que vi “magical moments” acontecendo nos parques da Disney – fosse um fastpass ou uma foto especial capturada no momento perfeito. Dessa última vez, em março, meu magical moment foi uma situação inteira que se desenrolou na frente do Castelo da Bela Adormecida, proporcionada por uns cast members super atentos!

Como vocês já viram nas fotos, eu fui pro parque com o gorro mais legal do mundo, que é o Yoda usando orelinhas de Mickey. Naquele período, a Disneyland Paris estava celebrando a “Season of the Force“, e os parques estavam tomados por réplicas das naves de Star Wars. Não bastasse o sucesso que o meu gorro fez nos parques (sério: 1 em cada 3 pessoas me perguntava onde eu tinha achado aquele gorro, que eu comprei há uns 5 anos no Hollywood Studios), quando eu fui tirar aquela foto tradicional na frente do Castelo da Bela Adormecida, um cast member muito atento saiu correndo na minha direção, com um sabre de luz e gritando “YODA! YODA!”, me fazendo cair na risada. Isso originou uma sequência de fotos sensacional, que pode ser vista acima, na qual eu tentava equilibrar os risos com as poses remetentes ao universo de Star Wars.

A magia da Disney é contagiante, e eu amo esse universo! Se vocês tiverem alguma dúvida ou pergunta sobre o complexo da Disneyland Paris, deixem aí nos comentários que eu respondo com alegria!

O que fazer em Dublin?

Dublin é uma cidade muito rica culturalmente e muito jovem. Além da Guinness Storehouse, há atividades para todos os gostos, bolsos e idades, e neste post vou fazer um super apanhado de coisas legais para se fazer em Dublin.

St. Patrick’s Cathedral

Pensar em Irlanda é pensar no São Patrício, que tem seu dia celebrado em 17 de março. St. Patrick é o padroeiro da Irlanda, e a catedral de St. Patrick passou a ser um lugar santo e de encontro espiritual por muitas gerações, desde que este Santo batizou cristãos convertidos há mais de 1500 anos. Esta catedral é a Catedral Nacional da Igreja da Irlanda. A catedral de St. Patrick está no coração de Dublin e da história e cultura da Irlanda por mais de 800 anos, e é a maior catedral da Irlanda, bem como um dos mais importantes lugares de peregrinação. A história dessa catedral é um microcosmo da história da Irlanda, e o ingresso para adultos custa €7.00. Maiores informações podem ser encontradas aqui.

Christ Church Cathedral 

A Catedral da Santíssima Trindade é uma catedral medieval, fundada em 1028, com uma arquitetura impressionante e uma cripta medieval fascinante. O ingresso que dá acesso às criptas medievais custa €7.00. A Christ Church Cathedral já foi um lugar de peregrinação, e abrigou importantes relíquias religiosas. Devo confessar que o que mais me impressionou e mexeu com o meu coração foi a imagem do Cristo rejeitado, deitado no banco em frente à igreja. Minha garganta dá um nó só de lembrar naquela imagem tão profunda.

Dublin Castle & The Chapel Royal

Aberto todos os dias da semana, é possível visitar o Castelo de Dublin entre 9h45 e 17h45. Os tours guiados duram aproximadamente 1h10 e custam €10 por adulto. Embora haja a opção de visitar os State Apartments sem a visita guiada (neste caso, o ingresso custa €7), somente o tour guiado oferece a oportunidade de ver as escavações vikings e a Capela Real. O Castelo de Dublin foi a sede do governo inglês/britânico na Irlanda entre 1204 e 1922, servindo como residência para o representante irlandês do monarca britânico, e centro administrativo e cerimonial. Em 16 de janeiro de 1922, o último Vice-rei da Irlanda entregou o Castelo de Dublin a Michael Collins e ao governo da Irlanda recém-independente. Desde então, é mantida a tradição de realizar cerimônias de Estado no Castelo, e os governos irlandeses usam estas instalações para eventos nacionais importantes. E, desde 1938, todos os presidentes da Irlanda tomaram posse no St. Patrick’s Hall, o maior dos State Apartments. No dia em que fomos visitar o Castelo de Dublin, o ingresso teve preço reduzido porque uma das alas do Castelo estava fechada para a realização de um evento nacional. Outras informações sobre o Dublin Castle podem ser encontradas aqui.

Temple Bar

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O famoso bairro de Temple Bar é o reduto boêmio da cidade de Dublin. É lá, perto da Trinity College e da Grafton Street, que há uma enorme concentração de pubs, cafés e restaurantes que são frequentados por locais e turistas. Naturalmente, a região fica ainda mais animada à noite, mas durante o dia também é possível desfrutar dos bons restaurantes que ficam na região.

Molly Malone statue

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A estátua de Molly Malone fica na Suffolk Street, inaugurada em 1988, durante as comemorações do milênio de Dublin. Molly Malone é uma música popular sobre uma história que se passa em Dublin, e que se tornou um hino não-oficial da cidade. Quando a estátua foi inaugurada, foi declarado que o dia 13 de junho seria o dia de Molly Malone.

Trinity College Dublin

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A Universidade de Dublin foi inaugurada em 1592, e abriga uma das bibliotecas mais bonitas do mundo. A exibição The Book of Kells permite que os visitantes façam uma viagem de volta ao século XVIII ao caminhar pela Trinity College. O livro de Kells é um dos principais tesouros culturais da Irlanda, e manuscrito medieval mundialmente famoso. O livro do século IX é uma cópia muito decorada dos 4 Evangelhos que contam a vida de Jesus Cristo. Os preços dos ingressos variam entre €11 e €28, e maiores informações podem ser encontradas aqui.

 

Para fazer compras: Grafton Street, Henry Street & Mary Street, Liffey Street Upper, Jervis Street

Grafton Street é a rua que mais concentra lojas na cidade, para todos os gostos e bolsos. As ruas perpendiculares também são recheadas de boas lojas para fazer compras e também bons cafés para descansar. São muitas opções: Cath Kiddston, Waterstones, Boots, Starbucks, H&M, Zara, Disney Store, entre outras. Além das lojas da “high street”, a grande loja de departamentos Brown Thomas também abriga muitas importantes marcas de moda. Do outro lado do rio Liffey, nas ruas Henry e Mary, Liffey Street Upper e Jervis Street, outras muitas lojas se concentram, como Forever 21, Game Stop, River Island, entre outras. Nessa região há duas grandes lojas de departamento: a Debenhams, e a tradicional Arnott’s, inaugurada em 1843 e que mantém desde então uma arquitetura inconfundível. Como nós estávamos em Dublin poucos dias antes do Natal, as ruas estavam todas lotadas, e muitas lojas faziam eventos especiais para atrair ainda mais clientes!

Hadrian’s Wall: a fronteira norte do Império Romano

Fizemos uma road trip muito bacana pelo Reino Unido, quando alugamos um carro em Liverpool e seguimos até Edimburgo, parando no distrito de Lannercost (perto de Carlisle) por 2 noites para explorar a região entre Newcastle upon Tyne e Carlisle: nós queríamos ver de perto a fronteira norte do Império Romano!

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A Muralha de Adriano (Hadrian’s Wall) era um forte defensivo na província romana de Britânia, desde 122aC no reino do imperador Adriano. A muralha se estendia desde as margens do rio Tyne, perto do Mar Norte, até o Solway Firth no Mar Irlandês, e era a fronteira norte do Império Romano, imediatamente ao norte de onde ficavam as terras dos Britânicos Antigos do Norte, inclusive os Picts. A muralha de Adriano tinha uma base de pedra e uma muralha de pedra, com castelos e 2 torres de observação ao longo de sua extensão. Havia um forte a cada 5 milhas romanas. De norte a sul, a muralha compreendia uma trincheira, uma passagem militar, uma outra trincheira com montanhas adjacentes, além da própria muralha. Além do papel defensivo da muralha, há estudos que indicam que seus portões eram também usados como postos de alfândega.

Em 1987, a UNESCO declarou a Muralha de Adriano como Patrimônio Cultural da Humanidade, além de ser considerada um ícone cultural britânico. Algumas pessoas pensam que a Muralha de Adriano marca a fronteira entre a Inglaterra e a Escócia, mas isso não é verdade: a Muralha de Adriano está completamente localizada na Inglaterra, e jamais constituiu fronteira anglo-escocesa. O caminho da Muralha de Adriano permite que os viajantes percorram o trajeto a pé: é a maior ruína Romana do mundo, com quase 118km.

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Como nós não somos tão aventureiros assim, optamos por conhecer só um pouquinho da Muralha, percorrendo os trechos de carro. Nossa primeira parada foi Vindolanda, e o ingresso para adultos custa £7.90; há uma opção de ingresso que dá acesso tanto à Vindolanda quanto ao Roman Army Museum, por £11.60, e nós optamos por este ingresso.

Vindolanda fica no sul da cortina formada pela Muralha de Adriano, e fica na primeira fronteira Romana ao norte (Stanegate Road). Vindolanda foi construída pelo Império Romano antes mesmo da Muralha de Adriano, e se tornou uma importante base para a Muralha, uma fortaleza por natureza. Ao longo daquele período, Vindolanda foi demolida e completamente reconstruída por 9 vezes: a cada reconstrução, cada comunidade que lá viveu deixou suas próprias marcas na paisagem e arqueologia. Depois que a Muralha de Adriano e a ocupação romana foi abandonada pelos exércitos imperiais, Vindolanda continuou em uso por mais de 400 anos antes de finalmente ser abandonada no século IX. No museu de Vindolanda, é possível ver muitos dos artefatos encontrados no local ao longo das escavações arqueológicas.

Já no Roman Army Museum, que fica ao lado de um dos mais altos resquícios da Muralha de Adriano (Walltown Crags), a experiência é mais tecnológica e interativa, onde podemos assistir à exibição do curta-metragem 3D Edge of Empire e também explorar a história. É neste museu que aprendemos um pouco mais sobre o papel do exército no Império Romano, vemos as expansões e perdas territoriais do Império, aprendemos sobre os papéis dos soldados, além de descobrirmos detalhes sobre a vida de Adriano desde que era um menino até tornar-se Imperador. Neste museu, também são exibidos alguns artefatos encontrados em Vindolanda.

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Nossa terceira parada ao longo da Muralha de Adriano foi em Birdoswald, outro forte remanescente do Império Romano. O ingresso para adulto custa £7.20, mas nós não fizemos a visita à galeria, pois estava fechada para reformas.