Adeus ano velho, feliz ano todo!

Meu Deus, eu nem acredito que 2021 já vai chegar ao fim. É impressão minha ou esse ano passou voando?!

Não é que esse ano tenha sido fácil: na verdade, foi extremamente difícil, talvez até mais desafiador do que 2020 já que havia um cansaço acumulado no Ano II da pandemia. Sem contar que, nesse segundo semestre, a minha vida parecia virar de cabeça para baixo diariamente, e eu acabei deixando o blog completamente de lado por conta disso, tentando dar conta minimamente das demandas acadêmicas. Mas a minha sensação é de que ontem mesmo o ano começava, e agora falta muito pouco para acabar.

Algumas coisas que aconteceram no 2º semestre merecem destaques positivos, como o retiro acadêmico de que participei em outubro, a passagem relâmpago por Hamburgo em novembro pra participar de um encontro de doutorandos seguida de uma semaninha em Portugal que quase me fez achar que a vida estava voltando ao normal, e a 3ª dose da vacina contra COVID na semana passada. Eu pretendo escrever um pouquinho mais sobre essa viagem de novembro, talvez um post sobre minhas impressões de Hamburgo depois de caminhar pela cidade uma tarde inteira, talvez um outro post sobre o que fizemos em Portugal (caso você seja leitor novo, eu já tinha ido pra lá em 2017).

boosted!

Na verdade, não fosse a progressiva piora da pandemia na Suíça, talvez eu já tivesse tido ânimo de escrever sobre esse período de quase normalidade. Mas todas as vezes que eu pensava em escrever sobre esses passeios, eu ficava desanimada por ver o aumento consistente no número de casos diários de COVID por aqui. Aliás, justamente por conta dessa piora da pandemia na Suíça e na Europa como um todo, nós passamos as últimas duas semanas em casa – saindo uma única vez para tomar a 3ª dose da vacina – e, agora que marido voltou a trabalhar depois desses pouquinhos dias de férias, eu continuo em casa e não tô pretendendo sair tão cedo (a menos que tenha muita necessidade ou uma emergência, é claro). Antes, nós tínhamos planos de viajar por pelo menos 10 dias nessas 2 semanas, mas consideramos imprudente. Ontem, o Conselho Federal confirmou que a Ômicron é a variante predominante nos casos por aqui.

Pra você que está lendo esse post, o meu sincero agradecimento por não ter desistido de ler este blog mesmo quando eu não o mantive suficientemente atualizado. Eu desejo sinceramente que 2022 seja um ano cheio de alegrias e de muita saúde pra todos nós, e que a gente possa, enfim, vencer essa pandemia. Aqui em casa, 2022 já promete ser um ano cheio de emoções e aventuras, uma vez que, se tudo correr como de costume, devemos sair da Suíça rumo ao próximo posto – que ainda é um mistério até pra nós mesmos, mas que eu tenho muita fé de que será mais um lugar muito legal providenciado por Deus para nós. Vai ser uma loucura preparar mudança fazendo doutorado e ainda enfrentando a pandemia? Vai. Mesmo assim, eu farei o meu melhor não só pra dar conta de tudo isso, mas também de voltar a escrever aqui com mais frequência – algo que me faz tanta falta e que me faz tão bem.

Feliz ano novo! Feliz ano todo!

Tô vacinada! E outras notícias

Gentes, antes de qualquer coisa, quero pedir desculpas pelo meu sumiço. Acontece que os últimos meses foram nada menos do que enlouquecedores e eu não consegui parar pra escrever aqui nem uma única vez. Como vocês já sabem, eu gosto de escrever por aqui com calma e com dedicação; em tudo na minha vida, se não for pra fazer bem feito, eu nem começo.

A primeira grande notícia que quero dividir com vocês é que eu tô vacinada! A vacinação estava bem lenta na Suíça até meados de abril quando, de repente, começou a acelerar muito rápido. Por fazer parte de grupo de risco, pude agendar minha 1ª dose já pra última semana de abril, com a 2ª dose pro final de maio. Aqui no cantão de Berna, o sistema pra agendamento das vacinas foi abrindo de acordo com os grupos, seguindo as prioridades por idade e comorbidades, e já colocava o agendamento pras 2 doses, com um intervalo de 4 semanas, bastando escolher entre os horários disponíveis. Poucos dias depois, eles já abriram o agendamento também para pessoas que moram com quem é de grupos de risco; com isso, meu marido também já tá vacinado, graças a Deus.

Embora tenhamos tomado vacinas diferentes (não por escolha, porque aqui não tem ninguém nem doido de ficar escolhendo qual vacina quer ou não tomar – afinal, vacina boa é a vacina que tá disponível!), nós 2 tivemos reações bem fortes à 2ª dose. Na 1ª dose, eu tive MUITA dor no braço por 3 dias, enquanto meu marido sentiu uma dor mais intensa só no 1º dia. Já na 2ª dose, nós 2 tivemos efeitos colaterais mais fortes: eu tive calafrios e febre baixa na 1ª madrugada, além de sonolência, dor de cabeça, no corpo e no braço, e ele teve os mesmos sintomas, exceto pelo calafrio. Graças a Deus esse mal estar passou em 48h. Agora é esperar que a nossa imunização esteja completa pra que possamos, ainda com muito cuidado, voltar a dar alguns passeios. Continuamos e continuaremos usando máscara e mantendo distanciamento social. Em quase 2 anos de Suíça, nós ficamos 1 ano e meio praticamente sem sair de casa. Do jeito que o tempo tá passando rápido, a gente vai piscar e já vai tá na hora de “levantar o acampamento” pra mudar pro próximo país.

Ainda falando em vacina, tanto os meus pais quanto a minha sogra também já estão vacinados no Brasil. Viva a ciência! Viva o SUS!

O semestre de primavera na Universidade termina oficialmente hoje, o que significa que eu posso tirar uns dias de descanso pra me recuperar das maratonas que enfrentei nesse semestre. Não vai rolar de passar os 3 meses das férias de verão descansando 100% porque tô cheia de coisas pra ler e mais ainda pra escrever, mas meu plano é descansar da vida acadêmica pelo menos essas 2 primeiras semanas, e aí vou organizar meu horário pra estudar algumas horinhas por semana. Na verdade, como minha última atividade acadêmica foi na sexta-feira passada, nessa semana eu já consegui descansar um pouco – ainda que eu tenha feito umas limpezas mais pesadas em casa (tipo limpar as janelas, que é coisa que eu faço 2x no ano e olhe lá). Nesse exato momento, por exemplo, tô assistindo Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban – na segunda-feira eu assisti Pedra Filosofal e na quarta-feira assisti Câmara Secreta. Tinha TANTO TEMPO que eu não assistia Harry Potter que eu nem me lembro qual foi a última vez – prova de que estava realmente muito atolada. Por isso, era uma das minhas prioridades rever os 8 filmes tão logo entrasse de férias, e também quero rever os 2 filmes de Animais Fantásticos.

Por falar em filme, no sábado nós assistimos Cruella no Disney+ (nós pagamos pelo Premier Access; não sei se já falei por aqui mas, pra gente, pelo preço que custa um ingresso de cinema aqui na Suíça, o Premier Access é um ótimo negócio – até porque o filme fica disponível antecipadamente pra todos os perfis da nossa conta). Eu AMEI Cruella, e marido também aprovou! Já quero assistir de novo. Amei todas as referências (e não só ao desenho clássico dos 101 Dálmatas) e o humor ácido. Não vou escrever muito mais sobre porque não quero dar spoiler, mas é definitivamente o meu live action original favorito (ainda não tô preparada para dizer que é O live action favorito porque eu AMO o live action de Aladdin, mas é definitivamente o favorito entre os originais).

Outra notícia é que eu cortei meu cabelo super curtinho na última sexta! Eu aproveitei que meu compromisso acadêmico da sexta passada começava às 18h e consegui um horário no salão às 10h45 – o que me dava tempo suficiente de fazer tudo o que eu precisava no meio tempo. Fazia tempo que eu já tava doida pra cortar o cabelo curto outra vez, mas tava enrolando porque queria cortar no Brasil por 2 motivos: pra doar pro Cabelegria mais uma vez, e porque é bem mais barato do que aqui. Só que eu tava ficando cada vez mais irritada de demorar cerca de 20min por dia secando o cabelo (já que a temperatura ainda não subiu o suficiente), e eu lavo o cabelo pelo menos 1x ao dia, então resolvi cortar aqui mesmo. Vou tentar doar o cabelo aqui na Suíça mesmo, pra ser mais fácil, mas, se não rolar, pretendo levar pra doar quando eu conseguir ir pro Brasil. Tô aliviada demais de ter cortado o cabelo, minha vida já tá bem mais fácil.

Acho que era isso que eu tinha pra registrar hoje por aqui. Prometo que vou me esforçar pra escrever mais e não sumir por tanto tempo!

Coisas que eu aprendi em 1 ano de Suíça

Quando a gente tava na Armênia, eu fiz um post falando um pouquinho das coisas que tinha aprendido nos primeiros 6 meses por lá. Depois de 1 ano na Suíça, mesmo já tendo dado uns spoilers dos meus aprendizados por aqui nesse primeiro ano muito louco, resolvi escrever um post só pra listar as principais coisas que aprendi até agora.

Como qualquer outro lugar do mundo, a Suíça também tem problemas.

Eu sou do time que arranca logo o band-aid, então já trago essa verdade no primeiro tópico. A gente tem o costume de idealizar a vida em alguns lugares, e a Suíça costuma ser citada como um dos lugares mais maravilhosos do mundo. De fato, as belezas naturais desse país são inacreditáveis, beirando a perfeição. A arquitetura também encanta, principalmente nos centros históricos. A Suíça deve ser o único país do mundo em que o cartão-postal é realmente idêntico, retrato fiel da realidade. Mas, como qualquer outro lugar do mundo, o dia a dia é desafiador e apresenta problemas. O setor de serviços é bem ruim de uma maneira geral, desde demorar pra fazer a internet funcionar até atrasos em entregas programadas, passando pela TV a cabo sem tecla SAP. Aqui em casa, por exemplo, demoramos quase 9 meses pra conseguir concluir o processo de troca das persianas de alumínio de enrolar externas de dois dos quartos; foi tão traumático que, há poucas semanas, a persiana externa da sala de TV deu problema e a gente simplesmente comunicou à imobiliária pedindo pelo-amor-de-Deus pra eles deixarem assim porque a gente não quer passar por esse perrengue de novo (pelo menos, não tão cedo). Nem tudo funciona como um reloginho: desde atraso em entrega dos correios, ou entrega de supermercado, ou mesmo atrasos nos ônibus e trens, até marcar de fazerem um serviço em casa e simplesmente não aparecerem, tudo isso pode acontecer aqui como em qualquer outro lugar do mundo.

PS: aqui na Suíça é muito comum que os apartamentos/casas tenham a sala de jantar num cômodo separado da sala de estar; nós optamos por transformar esse cômodo imaginado pra ser a sala de jantar em uma sala de tv, e juntar a área estar com área de jantar no mesmo ambiente.

Pra economizar, é preciso planejamento.

A Suíça é um país muito caro, e isso não é novidade pra ninguém. Sem planejamento, é impossível economizar por aqui. E planejamento, nesse caso, precisa ir muito além de estipular uma meta de gastos mensais e uma meta de poupança: na maior parte das vezes, as maiores economias são feitas quando se consegue comprar um mini-estoque de coisas que estão com desconto. Nos mercados, por exemplo, é preciso ficar de olho nas promoções para aproveitar os preços mais baixos de artigos não-perecíveis (de papel higiênico a detergente, de papel toalha a sabão em pó). O mesmo vale pra dermocosméticos, por exemplo, já que algumas farmácias on-line oferecem descontos de até 20% de tempos em tempos. Outro jeito de economizar é se inscrevendo em todos os tipos de programa de fidelidade das lojas, farmácias, mercados, etc: muitos oferecem cashback de acordo com a quantia gasta, frete grátis, cupons de desconto, entre outros benefícios.

Tudo é correio, tudo é papel.

Eu nunca vou me esquecer de quando estávamos na expectativa de assinar o contrato de aluguel desse apartamento: aparentemente, tinha ficado tudo certo e deveríamos receber o contrato para lermos assinarmos e entregarmos na imobiliária. Passaram-se 2, 3, 4 dias, nada de receber o contrato por email. Resolvemos entrar em contato com o corretor pra saber se houve algum problema, manifestando novamente o nosso interesse no apartamento, ao que ele responde que o contrato tinha sido enviado pelo correio e que deveríamos receber no dia seguinte no hotel residencial onde estávamos hospedados. A partir de então, tivemos que nos acostumar que tudo é feito pelo correio, tudo é feito com muito papel. Recebemos, semanalmente, muitos encartes dos supermercados, mesmo já tendo pedido pra que não nos sejam enviados, já que eu consigo ver todas as ofertas online. Aliás, eu acho que os correios deveriam receber toda uma categoria neste post dedicada a eles, mas eu vou me limitar a dizer que os suíços confiam muito nos correios e dependem muito dos correios pra tudo, e nem sempre tem uma lógica nas entregas: as vezes eles interfonam avisando que chegou alguma coisa, as vezes é um silêncio absoluto e eu que lute pra descobrir se o que eu tô esperando foi entregue (tá, nem é tanta luta assim, é só entrar no rastreio que vai tá lá escrito, mas é que eu acho estranho eles só avisarem pelo interfone as vezes; pra mim, ou avisa sempre ou não avisa nunca! hihihihi).

Você pode pagar (quase) tudo por boleto.

Ah, os boletos. Aqui na Suíça, eles são laranja e devem ser pagos somente nas agências dos correios. Não, você não leu errado: por aqui, não existe a opção de ir no banco pagar um boleto. É possível pagar um boleto pelo internet banking, ou indo até uma agência dos correios. E tudo é boleto. Compra online pode ser paga por boleto. Supermercado pode ser pago por boleto. Aluguel de apartamento e vaga de garagem podem ser pagos por boleto. Dentista e consulta médica podem ser pagos por boleto. Óculos de grau pode ser pago por boleto. Quando eu fui fazer um check up, eu queria pagar na hora, mas simplesmente não consegui porque o sistema de pagamento deles é por envio de boleto, que poderia demorar até 2 meses(!) para chegar. Aqui, a lógica é que, se você tem um endereço na Suíça, o mais conveniente é receber um boleto (via correio, claro) para pagar pelas suas coisas. Você sempre tem, no máximo, 1 mês para pagar o boleto recebido – eu prefiro SEMPRE pagar no mesmo dia que recebo, que é pra não correr risco de ter complicação. E, sabendo como eles adoram um papel, eu nunca me esqueço de imprimir as confirmações de pagamento.

O verão é quente demais.

MEU DEUS DO CÉU. Que calorão!! Eu estava doida pro outono chegar – e chegou com tudo, com temperaturas de 3ºC na primeira semana. Mas, olha, que verão horrível. É lógico que a experiência do verão também foi prejudicada pela pandemia do coronavírus, já que eu mais fiquei em casa do que qualquer outra coisa, e as casas/aptos suíços são projetados para reter calor. Se tivesse sido um verão normal, saindo pra passear, andar na beira do rio, curtir o pôr do sol, sentar nas mesas externas dos restaurantes pra comer, essas coisas assim, talvez eu tivesse gostado um pouquinho. Quem sabe no ano que vem? Porém devo confessar que não tenho muita expectativa de gostar de verão porque eu nunca gostei de calor na minha vida.

Não dá pra evitar (conversas com) os vizinhos.

Vizinhos gostam de conversar, nem que seja parado na escada. É, eu sei, tem dias que a gente sai meio na correria, tem dias que a gente não tá muito pra conversa (o que pode ser potencializado se a conversa é num outro idioma que você não domina). Mas aqui, pelo que eu aprendi, não tem jeito: se eu cruzar com algum dos meus vizinhos na escada, ou na caixa de correio, ou na área da “garagem” (que, aqui, é diferente do conceito de garagem com o qual eu sempre estive acostumada), ou mesmo na lixeira, eu com certeza vou ter que parar e conversar com eles. E os vizinhos apreciam MUITO pequenas gentilezas, tipo um cartãozinho desejando bom final de semana ou coisas assim.

Não existe um “alemão suíço”, mas vários.

Todo mundo sabe que alemão é uma língua cheia das complicações. Geralmente, o alemão que estrangeiros aprendem é o “alemão padrão” (Standarddeutsch/Standardhochdeutsch/Hochdeutsch – tá vendo, uma língua que tem 3 jeitos de chamar a mesma coisa não é nada simples!), que com certeza vai te ajudar a ser compreendido em qualquer lugar onde se fale alemão. MAAAAAAS se, dentro da Alemanha, há vários jeitos diferentes de se falar alemão, a Suíça também não ia ficar de fora e é claro que há vários jeitos de se falar alemão na Suíça, mesmo sendo um país minúsculo, mesmo sendo um país com 4 idiomas oficiais. O alemão que se fala aqui em Berna, por exemplo, é diferente do alemão que se fala em Zurique. O que eu noto é que essas diferenças não impedem a comunicação mas, em geral, os interlocutores adaptam o alemão que estão falando pra que o outro tenha compreensão. E num país com 4 idiomas oficiais….

Tá liberado misturar italiano com francês com alemão (não necessariamente nessa ordem).

Eu nunca vou esquecer do dia que eu tava no ônibus e observei duas senhoras conversando: uma falava em alemão, a outra respondia em francês. E assim elas conversaram muito tranquilamente o trajeto inteiro. De acordo com minhas observações, o costume suíço é se expressar no idioma (oficial) que você se sente mais confortável. O alemão suíço “rouba” várias palavras do francês (e algumas do inglês, mas isso são outros 500), e eu já me liguei que, se eu não souber alguma palavra em alemão, eu posso falar em francês que há uma chance de 95% de ser compreendida, o que facilita bastante a minha vida.

Não é todo mundo que fala inglês.

Isso aí foi uma das coisas mais chocantes pra mim, confesso. Nas duas vezes que eu tinha vindo pra Suíça antes de mudarmos pra cá ano passado, fiquei em Genebra, e eu queria mais era gastar o meu francês. Chegando em Berna, com meu alemão ainda bem capenga (não que hoje esteja tinindo, mas já melhorou consideravelmente), era inevitável que tentássemos falar em inglês com as pessoas, principalmente pra resolver as coisas do apto/carro. E, meu Deus do céu, que dificuldade! Em Berna, era mais fácil eu me resolver em italiano do que em inglês. Lógico que, pensando em estrutura turística, você vai conseguir se comunicar em inglês. Mas, para o dia a dia, eu percebi que o alemão seria ainda mais importante aqui do que o russo era na Armênia.

Viajar não é tão fácil assim.

Uma das coisas que mais nos animava antes de chegarmos aqui era a possibilidade de viajarmos pela Europa – o que a gente não imaginava era que sair de Berna não é tão fácil assim. Pensando num mundo sem coronavírus (afinal de contas, quem podia imaginar?!), nossos planos incluíam viagens aos finais de semana (nem que fosse uma vez no mês) para países vizinhos/próximos. Mas logo logo vimos essa expectativa se frustrar, já que as conexões ferroviárias saindo de Berna são bem poucas e em horários pouco convenientes, e os horários de voos saindo de Zurique (o aeroporto mais próximo, que fica a quase 1h30 de trem) não ajudam quem está na capital da Suíça e quer dar uma escapadinha de fim de semana. Por sua vez, viajar dentro da Suíça é sempre bem fácil, seja pelas excelentes conexões ferroviárias, seja pelas estradas im-pe-cá-veis.

Coronavírus mudou tudo.

Impossível não refletir sobre esse aspecto, que mudou absolutamente TUDO. É claro que isso aconteceu pra todo mundo no mundo todo, mas eu não consigo evitar de pensar no impacto que a pandemia causou em diversas esferas da minha vida, da nossa vida aqui. A começar pela Universidade: por exemplo, eu achava que conseguiria formar um círculo de conhecidos (falar em círculo de amizades é algo complexo quando se mora tão pouco tempo em um lugar, e mais complexo ainda se tratando de uma sociedade mais fechada como é a Suíça), compartilhando as angústias e as alegrias da pesquisa de doutorado nas aulas, e é lógico que eu tive que me conformar com as aulas e seminários virtuais. As viagens, também, foram completamente comprometidas, mesmo dentro da Suíça. Meu Deus, eu mal tenho coragem de ir a pé ali no centro, vê se eu vou ter coragem de viajar pra um lugar turístico, me hospedar num hotel, etc? E não foram só as nossas viagens que foram afetadas: nossos pais ainda não conseguiram vir nos visitar, o que é algo muito, muito esquisito. Em tempos de coronavírus, lidar com a saudade é um desafio diário.

1 ano na Suíça!

Foi no dia 15 de agosto de 2019 que chegamos em Berna. Depois de 366 dias, devo dizer: que ano muito louco!

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Hoje, olhando pra trás, percebo que nós já chegamos aqui meio agitados; queríamos alugar apartamento rápido, queríamos comprar carro rápido, queríamos comprar móveis rápido, queríamos nos habituar ao ritmo da cidade e do país rápido. Pra completar a agitação, eu quis entrar no doutorado rápido.

Toda essa agitação foi boa e ruim; de fato, em pouco mais de 2 semanas aqui já tínhamos nos mudado pra esse apartamento e recebido os primeiros móveis que compramos e montamos sozinhos! Nunca pensei que eu fosse montar um sofá na minha vida! Tendo um endereço fixo, conseguimos também rapidamente abrir conta no banco, e eu pude me candidatar ao doutorado na Universidade de Berna.

Mas hoje consigo ver que a agitação toda do início pode ter feito com que tomássemos algumas decisões precipitadas. Nessas horas, eu sempre tenho que lembrar do que o meu pai sempre diz: “a pressa é inimiga da refeição!”

Além disso, a vontade de nos adaptar rápido ao novo país de nada adiantou – pra falar a verdade, ainda hoje, um ano depois, eu ainda não me sinto completamente adaptada.

Demorou um pouco pra que eu aprendesse a lidar com os nossos vizinhos, por exemplo. Neste prédio, são apenas 6 apartamentos, dos quais 5 tem residentes fixos. Todos eles se conhecem há muito tempo, são amigos, conversam por horas no jardim nas tardes de verão. E eles gostam de conversar. Demorou pra que eu entendesse o ritmo deles, demorou pra que eu entendesse que parar pra conversar na escada faz parte do costume deles, demorou pra que eu entendesse como eu tinha que me comportar quando encontro com eles. E, mesmo depois de um ano, eu ainda não entendo a obsessão deles  (e dos suíços em geral) com jardinagem!

Demorou, também, pra entender que não dá pra ficar comendo na rua todo sábado e domingo, muito menos no meio da semana, porque pesa muito no orçamento. Quando dizem que a Suíça é cara, não estão exagerando; o dia a dia aqui é muito caro mesmo. Restaurante tem que ser coisa de ocasião especial, e olhe lá.

E foi aí que eu comecei a cozinhar mais, a ter mais vontade de aprender a fazer coisas diferentes e gostosas, pra que a gente sentisse prazer em fazer todas as nossas refeições em casa.

Demorou (pouco, mas demorou) pra que eu entendesse que eu seria a minha melhor podóloga nesse país. Qualquer serviço aqui é muito caro, e podologia não seria diferente. Como meus pés são complicadinhos, eu não me incomodaria de pagar caro pra sair satisfeita – afinal, fazer meu próprio pé é absolutamente difícil e cansativo. No entanto, depois de três tentativas frustradas, das quais eu saía ainda com alienígenas precisando ser retirados dos cantinhos das minhas unhas encravadas, eu resolvi comprar todos os apetrechos disponíveis e tratar do meu pé sozinha. A cada 15 dias, a dor nas costas é certa, mas tenho feito cada vez menos barbeiragens.

Não demorou pra gente perceber que nós 2 teríamos que cuidar integralmente da casa, dividindo todas as tarefas: é financeiramente inviável contratar alguém para fazer os serviços domésticos. A gente fica cansado? Muito. Confesso que, pra mim, não é nada fácil acumular todas as atividades acadêmicas com as responsabilidades de organização e limpeza da casa. Mas, graças a Deus, até agora, estamos dando conta, e o apartamento fica um brinco.

Pra completar esse primeiro ano bem louco, veio a pandemia, nos colocando dentro de casa 24 horas por dias por praticamente 1/3 do nosso tempo de Suíça até agora. De repente, nos vimos presos os dois dentro de casa, mudando vários dos nossos planos, mudando as coisas de lugar, comprando (e montando) móveis novos. Nos vimos muito mais na frente da TV, cozinhando muito mais, limpando tudo mais intensamente. De repente, me vi tendo aulas online, enquanto o marido resolvia todas as coisas do trabalho pelo computador e telefone. Nos vimos dividindo o home office, aprendendo diariamente a não atrapalhar o trabalho do outro. Me vi 102 dias sem sair de casa, depois mais duas semanas, depois intercalando períodos longos em casa com saídas curtas quando não posso evitá-las, tendo que ser ainda mais cuidadosa do que sempre fui.

Nas minhas expectativas, em um ano de Suíça, já teríamos ido umas 3 vezes pra Disneyland Paris, pelo menos 1 vez pro WB Studio Tour e assistido a uma partida da NFL em Londres, já teríamos ido muito mais vezes pra Itália e pra Alemanha, já teríamos viajado muito mais dentro e fora da Suíça. Nos nossos planos, meus pais estariam aqui conosco.

Próximo de completar um ano por aqui, me vi tendo que abrir mão do conforto de ir nos meus médicos no Brasil, que me conhecem há tantos anos, que sabem exatamente do meu histórico, pra me consultar com os médicos daqui, falando em alemão e em inglês. Ter que explicar do zero todo o meu histórico (e também o histórico dos meus pais) de saúde não é uma tarefa que me deixa animada. E devo confessar que é sempre um desafio confiar em médicos que nunca vi na vida.

Minha ansiedade voltou com força e eu tô tendo que reaprender a lidar com ela. Os anos de Armênia tinham sido providenciais para que minhas crises de ansiedade tenham ficado sob controle, mas eu não consegui evitar que as crises voltassem nos últimos meses. A pandemia mexeu muito comigo em muitos níveis, resultando em crises frequentes.

Esse primeiro ano de Suíça foi de muito aprendizado, sem dúvida. E com certeza vou continuar aprendendo diariamente. Eu espero que os próximos anos aqui, antes do próximo posto que a gente nem imagina qual é, sejam mais leves do que este ano que passou.

#daytrip de Berna para Zurique

Embora Berna seja a capital da Suíça (e é por isso que as embaixadas ficam aqui), Zurique é a maior cidade do país, além de ser um importantíssimo centro financeiro internacional. Desde que chegamos aqui, fui 2 vezes para Zurique de trem – coincidentemente, duas segundas feiras.

O percurso entre as bahnhofs de Berna e Zurique dura 01h02 (as vezes uns minutinhos menos), e o passe diário, que permite pegar qualquer horário de trem para ir e voltar custa 51 francos. Há trens a cada meia hora ligando as duas cidades.

Enquanto Berna é pequenininha e tem até um clima de interior, Zurique tem mais jeito de cidade grande mesmo, com prédios mais altos que se confundem na paisagem da Altstadt, um comércio mais diversificado (inclusive com flagships das principais marcas de luxo mundiais) e uma vida mais agitada mesmo.

Pra quem vai conhecer Zurique, passear pela cidade velha é uma das principais atividades. O rio Limmat torna a paisagem da cidade velha (Altstadt) de Zurique algo bem lindo de se ver, principalmente em dias claros de sol. Eu dei sorte porque, em ambas days trips que fiz até o momento, os dias foram bem bonitos e agradáveis!

Falando a bem da verdade, ainda não fui pra Zurique com objetivos turísticos, e se Deus quiser não há de faltar oportunidades para visitar a cidade com este fim e, enfim, dividir com vocês as minhas dicas!

Montreux Noël

No último final de semana, pegamos o Bolinha e fomos até Montreux para conhecer um dos principais mercados de Natal da Suíça.

Pra quem nunca visitou um mercado de Natal europeu, a melhor definição possível é “festa junina só que com decoração de Natal”. Até as comidas e bebidas são parecidas (to falando de você, vin chaud).

Montreux Noël completa 25 anos de existência, comemorados com muita comida boa e atrações legais para todas as idades junto ao Lago Leman.

A entrada é gratuita, e a principal atração é, certamente, a enorme roda gigante. Mas a natureza não decepciona, e a vista do Lago Leman e dos Alpes é uma atração à parte.

O mercado funcionará até o dia 24 de dezembro, e todas as informações podem ser encontradas no site oficial.

Maison Cailler

Desde 1898, na região de Gruyère, encontramos uma das mais tradicionais fábricas suíças de chocolates: a Maison Cailler. Fundada por François-Louis Cailler, a Maison Cailler é a marca de chocolates mais antiga da Suíça.

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A sede da Maison Cailler é uma das poucas fábricas de chocolate na Suíça que abrem suas portas aos visitantes. É possível fazer um tour pelas instalações, e o ingresso individual custa 15 CHF por adulto (12 CHF para estudantes e idosos, e também para grupos de 10 a 20 adultos), e a visita é gratuita para crianças acompanhadas por adultos pagantes.

Mas você também pode visitar a loja da Maison Cailler e tomar um cafezinho na cafeteria, pagando só o que consumir por lá – foi isso que nós fizemos. Além dos chocolates que cobrem diversas paredes, a loja oferece diversos souvenires interessantes para todos os gostos e bolsos.

Um domingo em Interlaken

Uma das coisas que estamos tentando fazer semanalmente (ou quase) aqui na Suíça é aproveitar os domingos para dar passeios mais longos de carro, indo almoçar em alguma cidade fora de Berna. No domingo passado, fomos até Interlaken.

“Interlaken” significa, literalmente, “entre lagos”. A cidade recebe este nome porque fica entre os dois lagos de Brienz a leste e Thun a oeste. Interlaken é uma cidade conhecida e importante destino turístico da região montanhosa do cantão de Berna nos Alpes, e o principal hub de transporte para as montanhas e lagos da região.

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Interlaken é muito charmosa, com seu centro antigo preservado, e diversos restaurantes.  Vale notar que, aos domingos, tudo na Suíça está fechado, exceto restaurantes (embora alguns fechem também!) e o comércio dos aeroportos e estações de trem.

Comprando carro em Berna

Nessa vida diplomática itinerante, comprar carro pode ser o céu ou o inferno. Há lugares em que é impossível não ter carro, enquanto há outros em que é impossível tê-lo. Há lugares em que não tê-lo pode ser razão de arrependimento. Há lugares em que os custos altíssimos de ter um carro são tão altos que não compensam as vantagens. Estas questões representam um pouco do que passa na nossa cabeça antes de considerar comprar um carro que durará um período curto de tempo conosco.

Na Armênia, nós optamos por não ter carro como resultado de diversos fatores: quando nós chegamos, as ruas estavam cobertas de neve, o que já nos assustou de cara; táxi lá era muito barato (já contei aqui que custava 4 dólares ir pro aeroporto, que ficava a 15km do nosso apartamento lá); a gente conseguia fazer muita coisa a pé; e assim por diante. Mas, na medida em que o tempo foi passando, nós começamos a nos arrepender um pouco dessa decisão: o carro nos fazia falta na hora de fazer mercado, por exemplo, bem como para viajar pelo país (teria sido muito mais fácil encarar as estradas ruins da Armênia com um carro que fosse nosso e, consequentemente, teríamos conseguido viajar bem mais pelo país).

Desde o momento em que ficou decidido que viríamos pra Suíça, nós definimos que queríamos comprar um carro aqui. Já sabendo que a cidade é razoavelmente pequena e que o transporte público é eficaz, 01 carro seria o suficiente para nós dois, com o propósito de facilitar as compras de mercado, bem como para explorar o país e arredores no nosso tempo livre. Estávamos tão certos disso que, no primeiro sábado que passamos em Berna, visitamos diversas concessionárias para ver carros novos e usados.

No post sobre o nosso cantinho suíço, eu falei que visitamos um outro apartamento, do qual também gostamos, mas que ficava mais afastado do centro e da Embaixada. Um deslocamento diário de 1h20 seria muito custoso para a nossa qualidade de vida, então caso resolvêssemos alugar aquele apartamento, a solução seria comprar 2 carros, ainda que um deles fosse mais simples, porque o trajeto de carro se resumiria a 30min diários de deslocamento.

Como tudo aqui na Suíça, carro é coisa cara. Para além do valor do carro, há o seguro, que é obrigatório por lei e bastante caro. Claramente isso pesou na hora de escolhermos onde queríamos morar, porque não queríamos aumentar tanto a nossa despesa.

Pelo mundo, muitas montadoras oferecem descontos para compras diplomáticas de carros 0km, além da isenção do imposto, mas ainda assim a brincadeira sai muito cara. Aqui na Suíça, especificamente, os carros 0km sofrem uma desvalorização tremenda no momento em que saem da concessionária. É coisa de sair da concessionária e perder CHF10mil de valor de tabela. Chegamos à conclusão de que, mesmo com os descontos, carro 0km aqui na Suíça só valeria a pena se fôssemos passar muitos mais anos aqui – o que não é o caso.

Isto posto, passamos a considerar mais seriamente a possibilidade de comprar um carro usado. Procuramos bastante até encontrar um que nos agradasse e que tivesse um bom custo X benefício. Até que encontramos o Bolinha numa revendedora de carros usados.

Bolinha foi amor a primeira vista pra nós dois. Nascido em 2012, com quase 70mil km rodados, confortável o suficiente para nossas aventuras e, o melhor de tudo, bem dentro do orçamento que tínhamos definido, nós decidimos trazer esse Peugeot 3008 pra nossa vida e planejamos viver muitas aventuras com ele nos próximos anos.

Uma vez decididos a adotar o Bolinha, o processo de compra foi bem simples: em uma semana, a documentação do Bolinha estava toda pronta e pudemos buscá-lo. Uma coisa interessante da Suíça é que, quando você compra uma placa de carro, você fica com ela para o resto da vida – exceto diplomatas, é claro, porque a placa é especial e aí teremos que devolvê-la quando formos embora.

Habemus casa!

E eis que temos, enfim, nossa casinha suíça. Depois de 43 dias em hotéis, muita procura e alguma incerteza, nos instalamos no nosso apê na última semana. Embora tudo ainda esteja bem vazio (e um tanto mais bagunçado do que eu gostaria por conta das caixas que não podemos simplesmente jogar fora, pois reciclagem aqui é coisa séria), já estamos começando a ter aquela sensação boa de estarmos instalados “definitivamente” (as aspas existem porque, como vocês que me acompanham já sabem, nada nessa nossa vida itinerante é definitivo e nós já chegamos aqui com data certa pra deixar a Suíça).

Alugar um imóvel na Suíça (ou, pelo menos, em Berna) não é coisa muito simples. Primeiro, há pouca disponibilidade de imóveis com mais de 1 banheiro para alugar, o que já limita muito a busca. Nós chegamos a ver anunciados apartamentos com 5 quartos e apenas um único banheiro!

Depois de encontrarmos alguns pouquíssimos imóveis com 2 banheiros, vem a luta para conseguir marcar uma visita. Ao dizer que estamos em missão diplomática, muitas imobiliárias nem respondem; pelo que soubemos, parece que há um pouquinho de preconceito em alugar imóveis para diplomatas e suas famílias. Das imobiliárias que nos responderam, várias indicaram que os apartamentos só ficariam disponíveis a partir de outubro, novembro, e até mesmo fevereiro do próximo ano; só aí já tivemos que eliminar mais alguns apartamentos que tinham despertado nosso interesse, pois tínhamos reservado o apart hotel por pouco mais de 2 semanas e estávamos doidos para ter um cantinho para chamar de nosso.

Conseguimos, enfim, visitar 2 apartamentos: este que no fim alugamos, e mais um outro, bastante parecido, só que bem mais longe do centro da cidade e da Embaixada. Berna stricto sensu é bem pequena, com uma população de 140 mil habitantes; lato sensu, a aglomeração de Berna inclui 36 municipalidades, e a população total está acima dos 400 mil habitantes. Todas estas municipalidades estão conectadas à cidade de Berna pelo transporte público, que funciona como um reloginho, mas que pode exigir várias horas de descolamento diário. Numa cidade pequena assim, e tendo encontrado outra opção também dentro da RF bem mais perto, não fazia sentido alugarmos um apartamento que exigiria um deslocamento diário de 1h20 no transporte público (40min pra ir e 40min pra voltar) para que Felipe chegasse ao trabalho, ou então a compra de 2 carros (em outro post eu conto a história automobilística).

Depois de escolhido o apartamento que gostaríamos de alugar, submetemos o pedido à imobiliária, que deveria aprovar o nosso perfil junto do proprietário do apartamento. Uma vez que nós fomos aprovados pela imobiliária e pelo dono do imóvel, nos foi enviado (pelo correio!!!) o contrato de locação, junto dos boletos referentes ao depósito caução e primeiro pagamento de aluguel.

Uma vez que fizemos estes primeiros pagamentos, recebemos as chaves do imóvel e pudemos correr nas lojas de móveis para comprar o básico que precisávamos para mudarmos. Salve a IKEA, que tinha sofá, mesa, rack e cama disponíveis para pronta entrega: fizemos a compra no sábado e os móveis foram entregues na terça feira (03/09). Por “móveis foram entregues”, entendam que caixas com móveis desmontados foram entregues, e nós dois passamos o dia inteiro montando-os, já que a taxa de montagem da IKEA estava beirando os mil francos. Já posso adicionar ao meu curriculum vitae a habilidade “montadora de móveis” hihihihi

Na véspera dessa entrega dos móveis, nós pegamos um carro pelo Mobility (serviço de car sharing) e voltamos na IKEA para comprar as mesas do escritório e coisas básicas como panelas, pratos, canecas, varal, etc. As mesas do escritório nós deixamos para montar no último final de semana, até porque ainda não tínhamos cadeiras. Nós optamos por comprar as cadeiras para a mesa de jantar em outra loja (Pfister) que só poderia entregar nossa compra no dia 09 de setembro. Pelo menos, quando entregaram estas cadeiras, eles mesmos montaram.

Quase diariamente tenho que ir comprar alguma coisinha na rua para nos dar mais conforto em casa, o que é normal nesse comecinho, bem como é normal ainda não ter uma noção certinha do planejamento de compras de alimentos (nossa geladeira aqui é bem menor do que a do apartamento na Armênia, então é mais uma coisa com a qual temos que nos acostumar). Ainda falta muita coisa, até porque ainda não fazemos ideia de quando nossos pertences vindos da Armênia serão entregues. E faltam também coisas básicas como internet e tv por assinatura, porque é claro que isso não é coisa simples por aqui. Até que tenhamos internet em casa, estamos usando os celulares de roteadores para a TV e computadores. Graças a Deus nós conseguimos contratar planos de internet móvel ilimitada, então pelo menos está dando pra assistir Netflix e GloboPlay, e trabalhar com alguma normalidade.

Aos poucos, a vida vai entrando nos eixos e já estamos muito felizes de estarmos instalados no apartamento. Soubemos de colegas da Embaixada que demoraram 4 meses para encontrar um lugar para morar aqui em Berna, bem como colegas das missões em Genebra e Zurique que também demoraram bastante, então nós nos sentimos muito privilegiados e abençoados por já termos um cantinho nosso.

Grüße, Bern!

Chegamos na Suíça, nossa nova morada, no último dia 15. No final de semana, começamos a explorar Berna pra nos situarmos ao mesmo tempo que procuramos um lugar definitivo para morarmos. Marido já está em regime normal de trabalho, e eu tô me desdobrando nas minhas diversas funções. Por enquanto, estamos num hotel residencial bastante confortável, graças a Deus, mas é claro que já estamos doidos pra ter um cantinho pra chamar de nosso. Daqui, temos uma bela vista da capital da Suíça e para os Alpes, já que é um dos prédios mais altos da cidade.

Como eu já contei antes, passamos nossos últimos dias de Yerevan em um hotel. Saímos da Armênia no dia 01 de agosto, dormimos uma noite em Zurique, perto do aeroporto mesmo, e seguimos para Frankfurt, onde passamos nossos dias de trânsito, com direito a day trip para Luxemburgo e uma noite em Basel a caminho de Berna. Depois vou escrever com calma sobre coisas legais que fizemos neste período, embora o nosso foco tenha sido mais no descanso e na compra de coisinhas que o marido estava precisando.

Embora eu já tivesse vindo pra Suíça 2x, não conhecia Berna, e tô encantada com essa cidade. A capital da Suíça tem um feeling de cidade pequena, com construções não muito altas e muitas casinhas que parecem coisa de boneca. Tô conseguindo me virar razoavelmente bem em alemão, e quando necessário me comunico em francês ou mesmo italiano. Surpreendentemente, a galera não fala muito inglês por aqui não, e quando fala é uma coisa meio macarrônica.

Como esperado, o transporte público funciona muito bem, e a cidade é surpreendentemente limpa. Mas nem tudo são flores e a Suíça é caríssima. Muito cara mesmo. Assustadoramente cara, principalmente pra quem acabou de sair de um país tão barato como a Armênia (aliás, aquela região toda é uma pechincha). Já tô com saudade de Yerevan? Sim. Um prato num restaurante/café por aqui dificilmente custa menos do que 15 CHF (algo em torno de R$63 no câmbio de hoje). Há uma tradição de servirem, no almoço, menus que incluem uma saladinha de folhas (já tô ligada que os suíços amam salada e que uma refeição jamais é completa sem um pratinho de alface pra abrir os trabalhos) e provavelmente sopa e pão, além do prato principal, tudo por preços em torno de 20 CHF.

Os preços nos supermercados também vão nas alturas. Embora ainda não tenhamos feito nenhuma compra “de mês”, compramos algumas coisas para comer no hotel, e também já pesquisamos os preços de coisas que passaremos a comprar normalmente; o que mais chama a atenção são os preços das carnes, peixes e frangos que são caríssimos, passando de 34 CHF o quilo. Já tô me preparando psicologicamente pra primeira compra de mercado, que com certeza será um susto. Pra compensar, é fácil de encontrar nos mercados refeições semi-prontas sem aditivos e também refeições prontas (principalmente muitas opções de saladas e também rolls e nigiris) por preços um pouco mais amigos (ainda no padrão Suíça, claro).

Foi bom chegar em Berna e encontrar dias de sol e calorzinho. Aliás, no domingo, fez calor de verdade, com muito sol e passando dos 30˚C. Domingo foi um dia agradabilíssimo, que começou com uma missa ótima e terminou com cineminha ao lado do marido. Ontem e hoje a temperatura caiu e a chuva também veio, fazendo jus a fama da cidade. Marido já perdeu um guarda chuva, como era de se esperar, e eu preciso urgentemente comprar uma galocha porque eu detesto ficar com o pé molhado.