Topkapı Sarayi

O Palácio Topkapi (Topkapı Sarayı), ou Seraglio, é um enorme museu em Istambul, que outrora serviu de residência e sede administrativa dos sultões Otomanos no século XV.

As construções foram iniciadas em 1459 por ordem de Mehmed o Conquistador, 6 anos depois da conquista de Constantinopla. Para distingui-lo do Palácio Antigo, localizado na Praça Beyazit, o Palácio Topkapi foi originalmente chamado de “Novo Palácio” (Yeni Saray, ou Saray-i Cedîd-i Âmire), recebendo o nome de Topkapi (que significa Portão de Canhão) no século XIX. O complexo foi sendo expandido durante décadas, passando por grandes reformas depois do terremoto de 1509 e do incêndio de 1665.

O complexo do palácio consiste de 4 jardins principais e muitos prédios pequenos. As mulheres da família do Sultão viviam no harém, e os principais oficiais de Estado, incluindo o Grand Vizier (a mesma função do Jafar) tinham suas reuniões no prédio do Conselho Imperial.

Depois do século XVII, o palácio Topkapi perdeu gradualmente a sua importância, porque os sultões daquele período preferiam passar mais tempo nos seus novos palácios às margens do Bósforo. Em 1856, o Sultão Abdulmejid I decidiu transferir a corte para o recém construído Palácio Dolmabahçe.

Após o fim do Império Otomano em 1923, o palácio Topkapi foi transformado em museu por um decreto governamental emitido em 3 de abril de 1924, sendo administrado pelo Ministério da Cultura e do Turismo. O complexo do palácio tem centenas de câmaras e aposentos, mas apenas os mais importantes são abertos ao público, incluindo o Harém Imperial Otomano e o tesouro (hazine), que inclui o Kaşıkçı Elması (um diamante de 86 quilates em formato de pêra, considerado o quarto maior diamante do mundo) e a adaga de Topkapi. No museu, também podemos ver roupas, armas, armaduras, miniaturas, relíquias religiosas e manuscritos do período Otomano. O Palácio Topkapi faz parte das Áreas Históricas de Istambul, que reunidos principais lugares da capital turca que foram reconhecidos pela UNESCO como patrimônio mundial da humanidade em 1985.

O Palácio Topkapi é uma atração turística altamente popular, então é bom programar-se com antecedência para visitá-la e comprar ingressos. Para aqueles que desejarem visitar o Harém do Sultão, será preciso comprar um ingresso suplementar. Nós compramos o ingresso que dava direito a visitar o Palácio, a Hagia Sofia, e o Museu Arqueológico. Esse tipo de ingresso nos economizou um bom tempo de fila quando fomos visitar a Hagia Sofia.

Os 150 anos do nascimento de Hovhannes Tumanyan

Os escritores estão destinados a desempenhar um papel na história literária dos seus países, e alguns poucos também desempenham um papel especial na vida espiritual das suas nações: na literatura armênia, Hovhannes Tumanyan o fez, retratando o perfil do povo armênio, sua história, seus sonhos e seus ideais mais sagrados com profundidade e clareza em seus escritos. Neste ano, a Armênia comemora os 150 anos do nascimento de seu principal poeta.

No norte da Armênia, há uma região chamada Lori, com montanhas muito altas e, aos pés delas, vilas à beira do rio Debet. Hovhannes Tumanyan nasceu em 19 de fevereiro de 1869 em Dsegh, uma das vilas do Lori. Desde a juventude, Tumanyan percebia quão amarga era a vida de um camponês armênio, compreendendo seus sonhos e fardos. Tumanyan cresceu com as lendas e parábolas do seu povo, e o folclore e a beleza da região Lori virou parte integral do seu trabalho.

Este frutífero laço entre o poeta e o seu povo persistiu até a sua morte, ainda que ele tenha morado longe de Lori por quase toda a sua vida, tendo mudado em 1883 para Tíflis, um centro cultural e político na Transcaucásia.

Tumanyan começou seus estudos em Lori, e depois ingressou em uma das melhores escolas armênias de seu tempo, a Escola Nersisyan. Infelizmente, Hovhannes teve que deixar seus estudos quando seu pai adoeceu, e depois morreu. Aos 16 anos, pouco antes de formar-se, encerrou seus estudos formais e retornou para Dsegh para cuidar da sua família.

Aos 19 anos, Tumanyan casou-se e teve 10 filhos. Necessitando de recursos para sustentar sua família, foi obrigado a exercer funções muito aquém dos seus talentos intelectuais, numa atmosfera que o sufocava a ponto de, mais tarde, lembrar-se daqueles dias como um verdadeiro inferno. Na metade da década de 1890, Tumanyan deixou de exercer tais funções que lhe causavam tanto desprazer para focar completamente na escrita.

Tumanyan era persistente e educou-se por meio de ávida leitura; reverenciava os trabalhos de Shakespeare, Byron, Pushkin e Lermontov. Ele tinha muito interesse pelo folclore e, com a sensibilidade que lhe era peculiar, registrou integralmente a história cultural da Armênia, esquivando-se de influências externas na sua escrita, prezando pela sua intuição.

Tumanyan começou a escrever ainda criança, mas só se tornou conhecido como poeta em 1890, quando sua primeira coleção de poesias foi publicada; nestes escritos, já pode-se observar todo o frescor que Tumanyan trouxe para a literatura armênia.

No começo do século XX, Tumanyan tinha reescrito e desenvolvido seus primeiros trabalhos e escrito novas poesias e prosas. Ele consagrou-se como artista, trazendo muita qualidade para a literatura armênia por conta da sua maneira de escrever poesia, e não necessariamente da forma poética que ele escolhia, uma vez que Tumanyan mantinha-se tradicional na forma: na verdade, ele trouxe a poesia para mais perto do povo. Essa etapa do desenvolvimento na literatura armênia é conhecida como “Fase Tumanyan”.

A inspiração de Tumanyan vinha das atividades cotidianas das pessoas, e os heróis dos seus trabalhos eram, em geral, simples camponeses. Tumanyan revelava suas qualidades desenvolvendo textos fortes, com linhas de raciocínio claras, descrevendo rica e profundamente os sentimentos.

A vida era difícil para os camponeses que viviam sob um regime patriarcal de leis não-escritas, muito preconceito e opressão: em face destas dificuldades, os heróis de Tumanyan quase sempre morriam de modo trágico. Ao passo que descrevia estas tristes realidades, Tumanyan expunha a pureza dos sentimentos, da integridade e uma determinação inextinguível dos seus heróis em atingir a justiça. As imagens criadas por Tumanyan conduziam (e ainda conduzem) os leitores as suas verdades mais profundas, mas principalmente moviam (e movem) os leitores delicadamente a uma profunda compaixão pela beleza e verdade na experiência humana.

Entre os trabalhos que retratam os tempos em que Tumanyan viveu, destacam-se o poema “Anush” e a história “Gikor”, trabalhos celebrados pelos leitores contemporâneos como os pináculos da poesia e prosa de Tumanyan, respectivamente.

“Anush” conta a história trágica de amor de um jovem pastor de ovelhas (Saro) por uma jovem (Anush). Este poema descreve a riqueza espiritual dos personagens, seus sentimentos mais profundos, sua devoção infinita um pelo outro, seu altruísmo e sua disposição pelo sacrifício. Ao mesmo tempo em que Tumanyan descrevia os sentimentos, também retratava amplamente a vida cultural do povo, destacando atividades e costumes diários, as alegrias e tristezas do povo, e suas percepções de mundo. Em essência, ele revelava o caráter nacional do povo armênio.

Por sua vez, “Gikor” é o conto de um camponês de 12 anos que vai para a cidade e sucumbe à crueldade daqueles que lá o cercam. Toda a história é extremamente dramática, abundante em qualidade lírica com toques simultâneos de alegria e tristeza.

A contribuição de Tumanyan para a poesia épica armênia tem valor inestimável. A poesia armênia tem uma tradição muito rica e antiga, e seus aspectos líricos são poderosos. Os talentos poéticos de Tumanyan são revelados em ambientes épicos, retratando situações críticas e/ou dramáticas, com personagens fortes e destemidos. Suas inúmeras baladas e poemas estão entre as principais obras épicas mundiais, com forma poética perfeita, principalmente por conta da riqueza descritiva e filosófica da vida que ele retratava.

Os trabalhos de Tumanyan estão permeados pelo pensamento filosófico, já que o escritor se preocupava muitíssimo com as questões de vida e morte, o propósito da vida humana, e a ligação do ser humano com a natureza. Tumanyan buscava na eternidade as respostas para as questões que o preocupavam, tentando penetrar os segredos do universo, como em seu poema “No infinito”. Toda a experiência pessoal e artística de Tumanyan está concentrada nestas questões, expressando suas emoções e pensamentos sobre as pessoas e seus destinos.

Tumanyan escreveu que “cada poeta, antes de tudo, deve ser o coração de seu povo”, e seu trabalho atesta para esta virtude. O povo armênio pode carregar eternamente no seu coração a imagem de Tumanyan e suas sábias palavras. A cada novo leitor encantado com os tesouros inesgotáveis de sua alma e mente, Tumanyan torna-se verdadeiramente imortal.

*texto de minha autoria originalmente publicado no site Brasileiras pelo Mundo

UN Headquarters

Como boa internacionalista e ex-MUNzeira de carteirinha, eu não podia deixar de dar um pulinho na sede da ONU. A gente acabou não fazendo o tour, porque os horários disponíveis estavam bem ruins, mas não é preciso fazer o tour para entrar lá.

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Eu explico: você pode visitar a sede da ONU simplesmente para ir na “bookshop”, que é mais do que uma livraria, com vários souvenires legais para além dos livros incríveis. Ao fazer o registro de visitante, você pode dizer que quer ir na “bookshop” e isso vai te dar acesso ao andar principal do UN Headquarters e ao subsolo, além da área externa, onde ficam algumas esculturas históricas importantes.

Muito importante: não vá até a sede da ONU achando que vai ser tudo rapidinho, porque não vai. Mesmo se você não quiser fazer o tour, demora um bocadinho pra conseguir entrar porque é preciso fazer o seu registro de visitante, apresentando documento válido  (no caso de estrangeiros visitantes, é o passaporte). No momento do registro, eles tiram a sua foto e emitem uma identificação que permitirá o acesso aos headquarters.

Quando fomos lá, estava tendo uma exposição interessantíssima no hall do andar principal, com fotos e declarações de mulheres de diversas partes do mundo que foram vítimas de mutilação genital e/ou que tem que lutar muito pela sua liberdade e independência.

Passeando pelo National Mall

Depois de muitas horas de viagem entre Calgary e Washington DC, conseguimos chegar à capital dos EUA! Pra vocês terem uma ideia, nós saímos do nosso hotel em Calgary ainda de manhã cedo, e só conseguimos chegar no hotel de Washington DC quase meia noite. Acontece que, além de termos pegado uma conexão razoavelmente longa em Ottawa, deu uma nevasca absurda naquele dia, e o nosso segundo vôo atrasou muitas e muitas horas. Enfim, conseguimos chegar.

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Marido já tinha ido à Washington DC há alguns anos atrás, mas quis voltar para rever alguns amigos que estão morando por lá. Eu achei ótimo, porque tinha vontade de conhecer a capital dos EUA – acho que as capitais guardam histórias que podem nos explicar melhor porquê determinadas coisas são como são.

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Nosso primeiro passeio em DC foi pelo National Mall, mas não sem antes parar na estátua de Albert Einsten que fica em um dos parques-memoriais. Ao longo da nossa estadia de 5 noites em DC, nós voltamos algumas vezes ao National Mall para conseguir ver tudo – ou tentar ver tudo – o que nos interessava.

Quando se fala em National Mall, geralmente se pensa na área inteira que vai do Lincoln Memorial até o Capitólio, com o monumento de Washington dividindo a área como ponto central. O National Mall inclui e faz fronteira com diversos museus smithsonianos, galerias de arte, instituições culturais, e muitos memoriais, esculturas e estátuas.

Nós visitamos com calma o National Air and Space Museum e o recém-inaugurado (e bastante concorrido) National Museum of African American History and Culture. Nós chegamos a entrar no Holocaust Memorial Museum, mas não conseguimos visitar a exposição permanente, que tem ingressos limitados por dia e já estava lotado por todo o período da nossa visita; por conta disso, tivemos acesso apenas a uma pequena área do museu, que tinha acesso livre para visitantes sem ingresso pré-agendado.

Eu adorei o Air and Space Museum, mas eu amei mesmo o Museum of African American History and Culture. Além de ser muito moderno e cheio de experiências interativas, o museu é muito sutil e delicado ao convidar os visitantes à reflexão sobre o papel dos negros na cultura norte-americana, destacando com sensibilidade diversos momentos basilares da história.

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Quanto aos monumentos a céu aberto, nos demoramos um pouco no memorial Lincoln e no monumento à Martin Luther King Jr, no memorial dos veteranos da Guerra da Coréia,  e no memorial da Segunda Guerra Mundial.

Museu Histórico e Naval da Istria em Pula

O Museu histórico e marítimo de Istria (em croata, Povijesni i pomorski muzej Istre; em italiano, Museo storico e navale dell’ Istria) fica localizado na fortaleza veneziana Castelo de Pula, que fica na colina mais alta de Pula, com uma altitude de 32,4m. Devo confessar que foi um dos lugares que mais gostei de visitar em Pula!

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Entre o mar e as colinas da Arena, Zaro e Sv. Mihovil, a fortificação veneziana foi adaptada para abrigar, desde 1961, o Museu Histórico da Ístria, fundado em 31 de dezembro de 1955 como Museu da Revolução.

O Museo storico e navale dell’ Istria conduz suas atividades como uma instituição pública e, atualmente, guarda partes da herança nacional e universal. O Museu tem vários departamentos, que cuidam dos arquivos com mais de 40 mil artefatos relacionados aos anos de dominação fascista na região de Ístria, bem como os registros da resistência e luta pela libertação do regime autoritário. Entre eles, muitos cartões postais, mapas, e uma coleção ampla de armamentos, uniformes e equipamentos militares e navais.

O ingresso para visitar a fortaleza e o Museu custa 20 kuna para adultos.

Memento Park em Budapeste

O Szoborpark, ou Parque Memento, reúne em Budapeste as maiores estátuas da Guerra Fria, que enfeitavam a Hungria ao longo da ocupação soviética. Ao todo, são 42 peças de arte da era comunista, compreendida entre 1945 e 1989, incluindo os monumentos “Amizade Húngara-Soviética” e a “Libertação”, bem como estátuas de famosas personalidades do movimento trabalhista, soldados do Exército Vermelho e outras peças gigantes de Lenin, Marx, Engels, Dimitrov, Capitão Ostapenko, Béla Kun e outros heróis comunistas.

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O arquiteto Ákos Eleőd idealizou o Memento Park e, na época da sua inauguração, declarou que o parque era uma memória à ditadura e, ao mesmo tempo, porque pode ser discutida, descrita e estudada, o parque também é uma ode à democracia.

Uma das principais estátuas é a do Soldado do Exército da Libertação, com uma bandeira contendo a imagem da foice e do martelo na sua mão, e uma pistola automática pendendo do seu pescoço. Esta estátua, com 6 metros de altura, ficou outrora no topo da Colina de Gellért, no centro de Budapeste, e podia ser vista de qualquer ponto da cidade.

Os ingressos individuais para adultos custam HUF 1.500, e o Memento Park fica aberto todos os dias das 10h até o pôr do sol. Embora o Memento Park fique um pouco distante das outras atrações turísticas de Budapeste, é fácil chegar até lá usando o transporte público: primeiro, é preciso ir até a estação Kelenföld vasutallomas, atendida pela linha 4 do Metrô; lá, basta tomar um dos seguintes ônibus na direção Budateteny vasutallomas (Campona): 101B, 101E ou 150. Um mapa mostrando a linha 4 do metrô pode ser consultado aqui.

Visitando a fábrica de Oskar Schindler em Cracóvia

Quem é que não conhece A Lista de Schindler, dirigido por Steven Spielberg? O filme de 1993, ganhador do Oscar de Melhor Filme bem como do Globo de Ouro de Melhor Filme de Drama em 1994 foi inspirado pela história real de Oskar Schindler (28 abril 1908 – 09 outubro 1974), um alemão industrialista e membro do partido nazista, que salvou a vida de 1.200 judeus durante o Holocausto, ao empregá-los na sua fábrica de metais e armamentos na Polônia ocupada e nos protetorados de Bohemia e Moravia. Oskar Schindler é o objeto do livro Schindler’s Ark (1982), que foi adaptado para o cinema sob a direção de Spielberg, refletindo sua trajetória como um oportunista primeiramente motivado pelo lucro, e que depois passou a mostrar extraordinárias características de iniciativa, tenacidade, coragem e dedicação em salvar a vida dos seus empregados judeus.

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Uma vez em Cracóvia, não podíamos perder a chance de visitar a fábrica da memória, o Fabryka Schindlera oddział – Muzeum Historycznego Miasta Krakowa. Outrora sede da Deutsche Emailwarenfabrik de Schindler, hoje as instalações abrigam a exposição permanente “Kraków under Nazi Occupation 1939–1945” no endereço da rua Lipowa 4. Esta exibição conta a história de Cracóvia e seus habitantes judeus e poloneses durante a Segunda Guerra Mundial, bem como dos alemães nazistas que ocuparam a cidade a partir de 6 de setembro de 1939, interrompendo de maneira brutal a história de relações entre judeus e poloneses que durava muitos séculos. Neste sentido, a História da Segunda Guerra Mundial se confunde com a vida diária, e os dramas pessoais de cada indivíduo se sobrepõem às tragédias que afetaram todo o mundo.

A história da Deutsche Emailwarenfabrik nos anos da guerra é apresentada na exibição como pano de fundo da história de vida dos judeus de Cracóvia que foram salvos por Oskar Schindler no contexto do complexo período.

As atitudes heróicas de Oskar Schindler são mostradas detalhadamente no seu antigo escritório, mantido intacto ao longo dos anos. A exibição proporciona aos visitantes uma experiência cronológica da história, apresentando as tragédias da guerra nas dimensões individual e coletiva, retratando também a vida cotidiana da cidade de Cracóvia ocupada pelos alemães nazistas, imortalizada em objetos diversos, fotografias, jornais, documentos pessoais e documentos oficiais.

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Por conta da maneira como foi concebida e organizada, a exibição convida o visitante a viver a história, de uma maneira quase teatral, respeitando a narrativa. As reconstruções do espaço histórico da cidade de Cracóvia se justapõem a instalações metafóricas que abraçam a história do período da guerra.

Os visitantes, então, passeiam pela cidade reconstruída, andando pelas ruas e encontrando ambientes recriados com fiel perfeição, embarcando num bondinho para assistir a um documentário que mostra a vida cotidiana da cidade no período da guerra, caminhando pelas ruas estreitas do Gueto Judaico para visitar um típico apartamento, chegando ao campo de concentração de Płaszów junto com os judeus.

Os cinco principais pontos da história da cidade são marcados pelas “máquinas da memória” onde cada visitante pode obter um selo comemorativo associado a cada evento histórico, proporcionando aos visitantes a oportunidade de produzirem seus próprios souvenires.

Os ingressos individuais custam 24 Zloty (aproximadamente 24 reais), e é altamente recomendável comprá-los online, já que há um número limitado de ingressos por dia. Os horários de funcionamento variam de acordo com a época do ano: entre novembro e março, o museu funciona às segundas-feiras entre 10am e 2pm, com entrada gratuita, e de terças-feiras aos domingos entre 10am e 6pm; entre abril e outubro, o museu funciona às segundas-feiras entre 9am e 4pm, com entrada gratuita na primeira segunda-feira de cada mês quando fica aberto até 2pm, e de terças-feiras aos domingos entre 9am e 8pm, fechando na primeira quinta-feira de cada mês. A última admissão é sempre 90 minutos antes do fechamento do museu, e os horários atualizados de funcionamento podem ser conferidos aqui.

Հայոցգրեր, o alfabeto armênio

O alfabeto armênio (em armênio: Հայոցգրեր) é o sistema de escrita usado para escrever a língua armênia. O alfabeto armênio como se conhece hoje foi desenvolvido por volta de 405 d.C. por Mesrop Mashtots, linguista armênio e líder eclesiástico. A palavra armênia para “alfabeto” é “այբուբեն” (lê-se: aybooben), criada a partir das duas primeiras letras do alfabeto armênio: “Ա” e “Բ”. A língua armênia é escrita horizontalmente, da esquerda para a direita.

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Uma das principais histórias sobre a existência de um alfabeto armênio antes do desenvolvimento do linguista Mashtots vem de Fílon de Alexandria (20 a.C. – 50 d.C.), que, nos seus registros, nota que o trabalho do filósofo e historiador grego Metrodorus de Scepsis (145 a.C. – 70 a.C.), “Sobre os Animais”, foi traduzido para o armênio. Metrodorus foi um amigo próximo e historiador da corte do Imperador Tigranes o Grande, e também escreveu a sua biografia. Outro teólogo romano do século III, Hippolytus de Roma (170-235 d.C.), em sua obra “Crônica”, menciona que os armênios estão entre as nações que tinham seu próprio alfabeto distinto ao escrever sobre a sua contemporaneidade. Filóstrato o Ateniense, filósofo sofista dos séculos II e III, escreveu sobre inscrições no alfabeto armênio.

De acordo com Movses Khorenatsi, historiador armênio do século V, Bardesanes de Edessa (154-222 d.C.), que fundou a corrente gnóstica dos Bardaisanites, foi até o castelo armênio de Ani e, lá, leu o trabalho de Voghyump, um sacerdote armênio pré-cristão, registrado no manuscrito de Mithraic dos templos armênios nos quais, entre outras histórias, notava-se o episódio do Rei Armênio Tigranes VII (que reinou entre 144-161 d.C. e novamente entre 164-188 d.C.) erguendo um monumento na tumba do seu irmão, o Alto Sacerdote Mithraic do Reino da Grande Armênia, Mazhan. Khorenatsi notou que Bardesanes traduziu este livro armênio para o aramaico, e depois para o grego. Outra importante evidência da existência de um alfabeto armênio antes de Mashtots é o fato de que o panteão pagão armênio incluiu Tir, o deus da Escrita e da Ciência.

Vardan Areveltsi, historiador armênio do século XIII, notou que, durante o reinado do Rei Armênio Leo o Magnífico (entre 1187 e 1219), foram encontrados artefatos com inscrições em armênio sobre os deuses pagãos antigos. A evidência de que os acadêmicos armênios da Idade Média sabiam da existência de um alfabeto pré-Mashtotsiano também pode ser encontrada em outros trabalhos medievais, incluindo o primeiro livro escrito com o alfabeto Mashtotsiano pelo pupilo de Mashtots, Koriwn, na primeira metade do século V. Koriwn revela que Mashtots foi instruído sobre a existência de letras armênias antigas, que ele inicialmente tentava integrar ao seu próprio alfabeto.

O alfabeto armênio foi introduzido por Mersrop Mashtots e Isaac da Armênia (Sahak Partev) em 405 d.C. As fontes armênias medievais também alegam que Mashtots inventou os alfabetos georgiano e caucasiano-albaniano na mesma época. Entretanto, a maioria dos acadêmicos relaciona a criação dos manuscritos georgianos ao processo de cristianização da Ibéria, centro do reino georgiano de Kartli. O alfabeto foi, portanto, muito provavelmente criado entre a conversão da Ibéria sob o Rei Mirian III e as inscrições Bir el Qutt de 430 d.C., contemporaneamente ao alfabeto armênio. Tradicionalmente, acredita-se que a primeira frase a ter sido escrita em armênio por Mashtots seja “Para se conhecer a sabedoria e a instrução; para se entenderem as palavras da prudência” (Provérbios 1, 2).

Muitos manuscritos foram creditados como protótipos do alfabeto armênio. Pahlavi era o manuscrito sacerdotal em armênio antes da introdução do cristianismo, e siríaco, junto do grego, foi um dos alfabetos da Escritura Cristã. O armênio mostra algumas similaridades com estes alfabetos, mas o consenso geral é de que o alfabeto armênio foi modelado de acordo com o alfabeto grego, suplementado com letras de diferentes fontes para sons armênios que não são encontrados no grego. Algumas evidências sustentam este argumento: a ordem do alfabeto armênio, o conector ow para a vogal u, e as formas de algumas letras que parecem derivar das letras cursivas gregas.

Existem quatro principais caligrafias dos manuscritos. Erkatagir, ou “letras de ferro”, são como as letras originais de Mashtots, usadas nos manuscritos entre os séculos V e XIII, e ainda escolhidas para inscrições epigráficas. Bolrgir, ou “cursiva”, que foi inventada no século X, ficou popular no século XIII, e tem sido a impressão padrão desde o século XVI. Notrgir, ou “minúscula”, inventada inicialmente para ter mais agilidade, foi extensivamente usada pela diáspora armênia nos séculos XVI e XVIII, e depois se tornou popular nas impressões. Sheghagir, ou “escrita inclinada”, é, agora, a forma mais comum.

O exemplo mais antigo sobre o uso do alfabeto armênio foi uma dedicatória inscrita sobre a porta oeste da Igreja de São Sarkis em Tekor, datada 480 d.C. O exemplo vivo mais antigo desses manuscritos fora da Armênia é uma inscrição num mosaico da metade do século XI numa capela em Jerusalém. Agora na Biblioteque Nationale de France, um papiro descoberto em 1892 em Fayyum, contendo palavras gregas escritas com letras armênias foi datado, em termos históricos, para um período anterior a conquista do Egito – ou seja, antes de 640 d.C. – e em termos paleográficos ao século VI. Os mais antigos manuscritos com letras armênias na língua armênia datam dos séculos VII/VIII.

Algumas mudanças na língua não foram refletidas imediatamente na ortografia. O dígrafo աւ(au) seguido por uma consoante era pronunciado como “au” no armênio clássico mas, por conta de uma mudança de sons, passou a ser pronunciado como “o”, e tem sido escrito como “o” desde o século XIII. Por exemplo, a palavra“աւր” (lê-se “awr” e significa “dia”) passou a ser pronunciada “or” e agora é escrita “օր”. Por essa razão, hoje, há palavras armênias nativas que começam com a letra “o” embora esta letra tenha sido adaptada do alfabeto grego para escrever palavras estrangeiras que começavam com “o”.

O número e ordem das letras foram modificados com o tempo. Na Idade Média, duas novas letras (օ [o], ֆ [f])foram introduzidas para melhor representar sons estrangeiros, o que aumentou o número de letras de 36 para 38. Entre 1922 e 1924, a Armênia Soviética adotou uma reforma ortográfica da língua armênia: a reforma transformou o dígrafo “ու” e o conector “և” em duas novas letras. Aqueles fora da esfera soviética (incluindo os armênios ocidentais e os armênios orientais do Irã) rejeitaram as reformas ortográficas, e continuam usando a ortografia tradicional armênia, enquanto criticam alguns aspectos das reformas e alegam motivações políticas por trás delas.

O alfabeto armênio é celebrado em Yerevan na avenida Mesrop Mashtots, que homenageia o linguista armênio, e que também abriga o Mesrop Mashtots Institute of Ancient Manuscripts, também conhecido como Matenadaran.

Auschwitz-Birkenau, memória viva do Holocausto

Já estamos em Budapeste! Estávamos em Cracóvia até anteontem, dormimos uma noite em Brno (a 2a. maior cidade da República Tcheca), e chegamos hoje na Hungria! Quem está acompanhando #letíciadeférias no instagram está vendo todas as nossas aventuras em tempo real (ou quase!). Mas é claro que não vou deixar de escrever detalhes sobre o que estamos fazendo por aqui!

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a famosa entrada do campo de concentração Auschwitz I, com os dizeres “arbeit macht frei” (o trabalho liberta)

Enquanto estávamos em Cracóvia, fomos visitar os campos de concentração e exterminação nazista Auschwitz-Birkenau, que ficam a cerca de 65km do centro de Cracóvia. Mesmo tendo alugado um carro pra essa viagem (já passamos dos 1000km!), optamos por fazer o tour guiado com a empresa Escape2Poland. Foi uma visita muito emocionante e intensa.

Auschwitz se tornou um símbolo do terror, do genocídio e do Holocausto. Foi criado em 1940 pelos alemães nos subúrbios de Oswiecim, uma cidade polonesa que tinha sido anexada ao Terceiro Reich pelos Nazistas. O seu nome foi modificado para Auschwitz, que também se tornou o nome do campo de concentração (Konzentrationslager Auschwitz). A principal razão para criação desse campo de concentração foi o aumento das prisões em massa dos poloneses, que excediam as capacidades das prisões locais existentes. O primeiro transporte de poloneses chegou até Auschwitz da prisão de Tarnów em 14 de junho de 1940. Inicialmente, Auschwitz seria mais um dos campos de concentração que os nazistas estavam estabelecendo desde o começo da década de 1930, funcionando de acordo com seu papel por todos os anos em que foi usado, mesmo quando, em 1942, se tornou o maior dos campos de extermínio.

O primeiro e mais antigo campo de concentração e extermínio era o chamado “campo principal”, mais tarde conhecido como Auschwitz I (o número de prisioneiros flutuava em torno de 15 mil, às vezes ficando acima de 20 mil), estabelecido nas terras e prédios dos quartéis pré-guerra.

A segunda parte era o campo de Birkenau (que abrigou mais de 90 mil prisioneiros em 1944), também conhecido como Auschwitz II. Este era o maior terreno do complexo de Auschwitz. Os nazistas começaram a construí-lo em 1941 na vila de Brzezinka, a 3km de Oswiecim. A população civil polonesa foi despejada, e suas casas confiscadas e demolidas. A maior parte do aparato de exterminação em massa foi construído em Birkenau, e a maioria das vítimas era assassinada ali: 1 em cada 6 vítimas do Holocausto foi morta neste campo de concentração.

Mais de 40 sub-campos, explorando os prisioneiros e trabalhadores escravos, foram fundados, muitos na forma de diversas indústrias e fazendas alemãs, entre 1942 e 1944. O maior deles era chamado Buna (Monowitz, com 10 mil prisioneiros) e foi aberto pela administração do campo em 1942 nas terras de Buna-Werke à 6km do campo de Auschwitz. Em novembro de 1943, o sub-campo de Buna se tornou o centro de comando da terceira parte do campo, Auschwitz III, ao qual alguns outros sub-campos de Auschwitz eram subordinados.

Os alemães isolaram todos os campos e sub-campos do mundo exterior, e os cercavam com arame farpado. Todo contato com o mundo exterior era proibido. Entretanto, a área administrada pelo comandante e patrulhada pela tropa da SS ia além das terras cercadas por arame farpado, incluindo uma área adicional de aproximadamente 40 quilômetros quadrados (a chamada “Interessengebiet”, a área de interesse), que fica em torno dos campos de Auschwitz I e Auschwitz II-Birkenau.

A população local, os poloneses e judeus vivendo perto do campo recém-fundado, foi despejada entre 1940-1941. Aproximadamente mil das suas casas foram demolidas. Outros prédios foram designados para oficiais e oficiais não-comissionados da tropa da SS do campo, que as vezes estavam acompanhados de todos das suas respectivas famílias. As instalações industriais do pré-guerra na área, tomada pelos alemães, era expandida em alguns casos e, em outro, demolidas para abrir espaço para novas instalações associadas às necessidades militares do Terceiro Reich. A administração do campo usava a zona em torno dele para apoio técnico, workshop, depósitos, escritórios e quartéis para a SS.

Ao chegar no campo de concentração de Auschwitz, os prisioneiros eram selecionados entre aqueles aptos para trabalhar, e aqueles que sediam mortos imediatamente. Os médicos pediam aos prisioneiros que deixassem seus pertences, e entregavam a eles um sabonete para que fossem “tomar banho”; os prisioneiros eram, então, encaminhados para as câmaras de gás. Outros prisioneiros eram assassinados por meio de injeções letais. Estas práticas tinham sido suspendidas temporariamente durante a primavera de 1943, mas foi retomada em seguida para matar prisioneiros judeus.

Registros documentais dos Campos (Zugangslisten Jugen) indicam que, dos 973 judeus provindos da Eslováquia em 17/abril/1942, apenas 88 ainda estavam vivos menos de 4 meses depois. A maioria dos prisioneiros judeus tinha o mesmo destino; eles constituíam a categoria mais baixa na população multiétnica do campo de concentração, que também consistia de poloneses, russos, tchecos, bielorrussos, alemães, franceses, iugoslavos, ucranianos, entre tantas outras nacionalidades e minorias como homossexuais, ciganos, testemunhas de Jeová, etc.

As punições eram aplicadas em Auscwitz de acordo com ordens escritas do comandante ou do diretor do campo, bem como por relatórios dos oficiais da SS e prisioneiros funcionários. As infrações mais comumente punidas incluíam todos os tipos de tentativas de conseguir comida, várias formas de tentar fugir do trabalho ou trabalho de forma insatisfatória, fumar ou até mesmo atender às necessidades fisiológicas em horas impróprias, usar roupas diferentes dos uniformes, ou tentativas de suicídio. As punições eram completamente arbitrárias. Os prisioneiros recebiam penas diferentes para as mesmas infrações. As punições mais frequentes eram as flagelações, confinamento no bloco 11 do campo principal, e tortura por enforcamento.

A participação de inúmeros médicos alemães em experimentos médicos criminosos nos prisioneiros dos campos de concentração era uma instância particularmente drástica do atropelo da ética médica. Os iniciadores e facilitadores destes experimentos eram o Reichsführer SS Heinrich Himmler, o médico chefe, junto do SS-Obergruppenführer Ernst Grawitz, o chefe de polícia, e do SS-Standartenführer Wolfram Sievers, o secretário geral da Associação de Herança (Ahnenerbe Association) e diretor do Waffen SS Instituto Militar-Científico de Pesquisa.

O SS-WVHA (Escritório Principal de Economia e Administração da SS, responsável pelos campos de concentração desde março de 1942) tinha autoridade administrativa e financeira. O apoio na forma de estudos analíticos especializados veio do Waffenn SS Instituto de Higiene, dirigido pelo SS-Oberführer Joachim Mrugowsky, professor mestre de bacteriologia na Escola de Medicina da Universidade de Berlim.

Os experimentos eram planejados nos mais altos níveis para atender às necessidades do exército (alguns pretendiam melhorar a saúde dos soldados) ou planos pós-guerra (incluindo políticas populacionais), ou para reforçar as bases da ideologia racial (incluindo visões avançadas quando à superioridade da “raça nórdica”). Além dos experimentos planejados nos níveis mais altos, muitos médicos nazistas experimentavam nos prisioneiros em nome das companhias farmacêuticas ou institutos médicos alemães. Outros o faziam por interesse pessoal, ou para avançar em suas carreiras acadêmicas.

Durante a Segunda Guerra Mundial, os médicos nazistas se apoiavam nas expectativas das lideranças do Terceiro Reich, apoiando as políticas demográficas do regime. Eles iniciaram uma ampla pesquisa em métodos de esterilização em massa que seriam aplicados aos povos que eram vistos como inferiores.

Quando o Exército Vermelho chegou à linha de Vistula-Wisłoka em julho/agosto de 1944, a menos de 200km de Oświęcim, a liderança germânica considerava duas opções para o campo: liquidação, no caso de sucesso contínuo do Exército Vermelho, ou manter o campo de pé sob circunstâncias favoráveis. Os alemães, então, começaram uma série de passos de evacuação/liquidação, que durou até o meio de janeiro de 1945, mas evitaram fazer qualquer coisa que pudesse impedir que o campo continuasse funcionando.

Na segunda metade de 1944 e nas duas primeiras semanas de janeiro de 1945, cerca de 65 mil prisioneiros, incluindo quase todos os poloneses, russos e tchecos que restavam no campo (cerca de 15 mil homens e mulheres) foram evacuados para várias plantas industriais nas profundezas do Reich. Entretanto, cerca de 65 mil outros prisioneiros foram mantidos em Auschwitz até o último segundo. A maioria deles foi empregada nas plantas da região industrial da Silesia do Norte e outros centros próximos que eram importantes para manter o potencial de guerra germânico. Em dezembro de 1944, oficiais germânicos da indústria química se encontraram em Katowice para discutir meios de aumentar a produtividade dos prisioneiros de Auschwitz que trabalhariam nas suas plantas industriais no ano seguinte. No começo de janeiro, poucas semanas antes do Exército Vermelho chegar até o norte da Silesia, o trabalho continuou a equipar o recém-fundado sub-campo de Hubertshütte, num moinho de aço em Bytom-Łagiewniki.

A exterminação em massa dos judeus nas câmaras de gás terminou em novembro de 1944. A maioria dos prisioneiros judeus que trabalhavam no crematório e nas câmaras de gás foram liquidados em setembro, outubro e novembro como testemunhas da exterminação. Mais de 400 judeus morreram durante um motim realizado por uma equipe do crematório (Sonderkommando) em 7 de outubro de 1944. Muitos membros do Sonderkommando foram mantidos vivos até a liquidação final do campo.

O Crematório IV, avariado durante o motim do Sonderkommando, foi destruído no fim de 1944. Em novembro e dezembro, os alemães fizeram preparações para explodir os outros 3 prédios de crematórios. Eles desinstalaram o equipamento técnico das câmaras de gás e o salão de fornalha dos crematórios II e III, e enviaram a maioria desses equipamentos para as profundezas da Alemanha. Entretanto, deixaram o crematório V e suas câmaras de gás funcionando até a segunda metade de janeiro de 1945.

Ao fim de 1944, como parte dos esforços de remover as evidências dos crimes cometidos em Auschwitz, eles rapidamente liquidaram os fossos cheios de cinzas humanas (os fossos onde eles queimavam corpos e outros onde eles despejavam as cinzas dos crematórios) em Auschwitz-Birkenau. Eles intensificaram a rotina de destruição dos registros que não eram mais necessários, incluindo arquivos e listas de prisioneiros. Eles também passaram a queimar as listas com os nomes dos judeus deportados para morrer em Auschwitz.

Nos últimos meses em que o campo de concentração de Auschwitz esteve em operação, os alemães enviaram uma grande quantidade de material de construção e itens saqueados dos judeus vítimas das exterminações em massa. Na metade de janeiro de 1945, pouco antes da ofensiva Vistula-Oder do Exército Vermelho, os alemães começaram a evacuação final e liquidação do campo.

Entre 17 e 21 de janeiro, os alemães marcharam aproximadamente 56 mil prisioneiros para fora de Auschwitz e seus sub-campos nas colunas de evacuação, em sua maioria na direção oeste, pela Silesia do norte e do sul. 2 dias depois, eles evacuaram 2 mil prisioneiros em trens dos sub-campos de Świętochłowice e Siemianowice. As principais rotas de evacuação levavam a Wodzisław Sląski e Gliwice, onde as muitas colunas de evacuação eram fundidas em transportes ferroviários. Do sub-campo de Jaworzno, 3.200 prisioneiros fizeram uma das maiores marchas: 250km até o Campo de Concentração Gross-Rosen na Silesia do sul.

As colunas de evacuação deveriam ser formadas somente pelas pessoas saudáveis com força suficiente para marchar muitos quilômetros. Entretanto, na prática, prisioneiros doentes e enfraquecidos também se voluntariaram, porque pensaram (e com alguma razão) que os alemães iriam matar aqueles que ficassem pra trás. Crianças judias e polonesas também marcharam com os adultos.

Ao longo de todas as rotas, os guardas da SS atiravam nos prisioneiros que tentavam escapar e aqueles que estavam fisicamente exaustos para continuar no mesmo ritmo dos seus companheiros desafortunados. Milhares de corpos dos prisioneiros que foram assassinados ou que morreram de fatiga ou exposição ao frio ficavam alinhados ao longo das rotas por onde todos os outros prisioneiros passavam a pé ou de trem. Apenas na Silesia do norte, cerca de 3 mil prisioneiros morreram. Estima-se que pelo menos 9 mil (e mais provavelmente 15 mil) prisioneiros de Auschwitz perderam suas vidas nas operações de evacuação. Depois da guerra, estas rotas ficaram conhecidas como “Marchas da Morte”. Um dos poucos documentos nazistas existentes sobre as Marchas da Morte é um relatório da SS de 13 de março de 1945 na chegada no campo de Leitmeritz na Boêmia, de 58 prisioneiros evacuados do sub-campo Hubertushütte de Auschwitz. O relatório indica que 144 prisioneiros (a maioria judeus) morreram na rota.

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Massacres de prisioneiros aconteceram em alguns lugares ao longo das rotas de evacuação. Na estação de trem Leszczyny/Rzędówka perto de Rybnik, na noite de 21 para 22 de janeiro de 1945, um trem carregando cerca de 2.500 prisioneiros de Gliwice parou. Na tarde de 22 de janeiro, os prisioneiros receberam a ordem de desembarcar. Alguns deles estavam muito exaustos para fazê-lo. Homens da SS da comitiva e a polícia nazista local dispararam tiros contra as portas abertas dos vagões dos trens. Os alemães então conduziram os prisioneiros remanescentes na direção oeste. Depois que eles marcharam, mais de 300 corpos de prisioneiros que tinham sido atingidos pelos tiros ou tinham morrido de exaustão foram recolhidos da estação e suas imediações. Muitos residentes poloneses e tchecos de lugarejos ao longo da rota de evacuação procuravam ajudar os prisioneiros. Em grande parte, davam a eles água e comida, e também abrigavam aqueles que conseguiam escapar.

Caminhar por aqueles lugares onde tanto sofrimento e tanto sangue foi derramado foi uma experiência indescritível, que certamente ficará marcada para sempre em mim. As consequências do nazi-fascismo parecem estar vivas até hoje em Auschwitz, para que não nos esqueçamos e jamais permitamos que este horror se repita em nenhum lugar do mundo. Fascismo nunca mais!

Quem foi Aram Manukyan?

Na tarde do dia 17 de julho de 2018, uma nova estátua foi inaugurada em Yerevan, com a presença do Primeiro Ministro Nikol Pashinyan, do Presidente da Armênia Armen Sarkissian, e do Patriarca da Igreja Armênia Garegin II (Catholicos of the Armenian Church). A homenagem a Aram Manukyan fica na saída da estação de metrô da Praça da República, na esquina da rua Aram, o que despertou a minha curiosidade em descobrir um pouquinho mais sobre este importante político armênio.

Aram Manukyan (19 março 1879 – 29 janeiro 1919) foi um político armênio revolucionário, membro líder do partido nacionalista Federação Revolucionária Armênia (Dashnaktsutyun). Ele é conhecido como o fundador da Primeira República da Armênia, há 100 anos.

Nos primeiros meses da Primeira Guerra Mundial, Manukyan trabalhou junto aos oficiais Otomanos em Van, uma das maiores cidades da Turquia, para diminuir as crescentes tensões até a metade de abril de 1915, quando as forças turcas sitiaram a cidade. Aram Manukyan então conduziu a auto-defesa civil de Van e, como resultado dessa empreitada, milhares de pessoas não foram deportadas nem massacradas pelo governo turco durante o genocídio armênio.

Depois da Revolução Russa e o colapso do fronte do Cáucaso em 1917-18, Aram Manukyan foi um “ditador popular” da área não-conquistada em torno da cidade de Yerevan. Em maio de 1918, ele organizou a defesa contra o avanço do exército turco, que foi efetivamente contido na Batalha de Sardarabad, prevenindo a destruição completa da nação armênia. Manukyan desempenhou um papel importante no estabelecimento da Primeira República da Armênia, e atuou como Primeiro Ministro dos Assuntos Internos. Ele morreu de febre tifóide em janeiro de 1919.

Aram Manukyan foi um advogado da autoconfiança. Ele era conhecido pela sua habilidade em unir diferentes setores da sociedade por uma causa comum. Ele é considerado por muitos acadêmicos como o fundador da Primeira República da Armênia. Durante o período soviético, ele e outros proeminentes partidários foram negligenciados. Desde 1990, tem sido feitas muitas tentativas de reviver sua memória na Armênia independente, e a inauguração desta belíssima estátua faz parte destes esforços.

A estátua foi idealizada por David Minasyan, e mostra Aram Manukyan, feito de pedra (como a maioria das estátuas e monumentos de Yerevan), envolto na bandeira da Armênia, feita em mármore.

O que é que Yerevan tem?

Yerevan é uma cidade incrível. Já falei e repito que fico constantemente impressionada pela beleza da cidade, e pelo tanto de coisas que a capital da Armênia oferece. Na edição de verão da Armenia Tourism Magazine (nº18), são apontados alguns aspectos que fazem a cidade se destacar entre os turistas, e que também são pontos extremamente positivos pra quem mora por aqui.

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  • Paisagens

É possível ver a cidade inteira (ou quase) de alguns dos principais pontos turísticos da cidade, como o Cascade, o Parque da Vitória, e o Museu do Genocídio. As paisagens são incríveis, tanto no verão quanto no inverno, e também há sempre um cantinho lindo pra se observar. A cidade tem muitos parques, é bastante arborizada e, na primavera, tudo fica florido!

  • Monumentos históricos e culturais

Há tantos monumentos históricos e culturais em Ierevan que pode ser que nós terminemos nosso tempo aqui sem conhecer tudo – Deus me livre! Prometo me esforçar pra conhecer tudo! A capital da Armênia é um tesouro em si mesma, com material histórico e cultural diverso, como o Museu Nacional de História, o Museu dos Manuscritos Antigos Matenadaran, as galerias de arte, etc.

  • Cafés, bares e restaurantes (muito) bons e baratos

Já destaquei aqui no blog várias vezes que, aqui em Ierevan, nós comemos muito bem, geralmente gastando pouco – principalmente quando comparamos a restaurantes do mesmo nível em outras capitais, como Moscou, Berlin, Milão, etc. Os bares e pubs também tem preços convidativos para deliciosas bebidas.

  • Segurança

Sem dúvida, este é uma das melhores características da cidade (e do país). Comparada com os indicadores de outros países europeus e até mesmo das antigas repúblicas soviéticas, não há crime na Armênia. Podemos sair tranquilamente a qualquer hora do dia e da noite sem medo, usar as passagens subterrâneas (geralmente vazias) sem temer, e caminhar felizes pela cidade. Deus conserve!

  • Água

A água aqui na Armênia é muito limpa, e a cidade de Ierevan conta com diversas fontes (Tsaytaghbyur) espalhadas para que os transeuntes possam se refrescar.

  • Serviços de saúde

A Armênia é conhecida na região por ter ótimos Gastroenterologistas, e as consultas médicas aqui não custam muito caro. Outro dia, fui numa clínica próxima aqui de casa e a consulta com um Ortopedista que custou 7.000AMD (cerca de USD15,00). Os remédios aqui também são bem baratos, e há muitas farmácias pela cidade. A Armênia tem se tornado um destino de turismo médico justamente pela alta qualidade dos serviços médicos oferecidos a preços competitivos. Eu confesso que acho turismo médico uma coisa meio esquisita, mas, já que eu moro aqui, fico feliz em saber que é um destino, pois isso significa que os tratamentos oferecidos realmente tem qualidade. Entre outros, cirurgia plástica, tratamentos e implantes dentários, cardiologia e oftalmologia compõem a lista de especialidades oferecidas para quem quer ficar mais saudável na Armênia.

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Estes fatores, entre outros, contribuem pra que a qualidade de vida aqui seja muito muito boa. Pra não dizer que só falei de flores, uma coisa que me irrita profundamente por aqui é que as pessoas fumam muito, e é permitido fumar nos restaurantes, mesmo nos ambientes fechados. Outra coisa que tem me incomodado bastante por aqui é o calor intenso do verão, que também é extremamente seco.

Armênia, quem é você?

Já estamos na Armênia há quase 7 meses e eu ainda não tinha dedicado um post exclusivamente à história e características deste país! Me dei conta disso quando recebi essa semana a revista Armenia Tourism Magazine que tá cheia de conteúdo bacana. Inspirada pelas matérias que estão publicadas na edição de verão da revista (nº18), resolvi dividir aqui com vocês um pouco do conteúdo que eles publicaram, falar um pouquinho mais das nossas vivências por aqui, e aproveitar pra aprender um pouquinho mais desse lugar tão rico culturalmente!

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  • Território

A área total do país é de 29.743km², referente a 1/10 do tamanho da Armênia Histórica. A Armênia é um país sem acesso ao mar, localizada nas montanhas do Cáucaso Menor, no noroeste do Planalto Armênio da Armênia Histórica. Localizada entre os mares Negro e Cáspio, o país faz fronteira com a Geórgia, o Azerbaijão, o Irã e a Turquia. As fronteiras com Azerbaijão e Turquia são fechadas, embora haja vôos diretos entre Ierevan e Istambul (operados pela Atlas Global).

  • Brasão de Armas

Em 19 de abril de 1922, o brasão de armas da Primeira República da Armênia (1918-1920) foi restaurado. Os autores foram Alexander Tamanyan e Hakob Kodjoyan.

  • Bandeira

A bandeira nacional da Armênia tem três listras horizontais de igual tamanho: vermelho no topo, azul no meio, e laranja. O vermelho simboliza o Planalto Armênio, a luta contínua do povo armênio para sobrevivência e manutenção da fé cristã, e a independência e liberdade da Armênia. O azul simboliza a vontade do povo armênio de viver sob céus de paz. O laranja simboliza o talento criativo e a natureza trabalhadora do povo armênio.

  • Língua

O idioma nacional é o Armênio, mas a maioria da população também fala russo. No interior, pode-se enfrentar alguma dificuldade de comunicação idiomática. Inglês e francês geralmente são as segundas línguas faladas pela população mais jovem, mas as gerações mais antigas são mais conservadoras com relação à idiomas estrangeiros. De todo jeito, se um estrangeiro se aproximar, as pessoas costumam ter boa vontade de entender e ajudar, como já destaquei aqui no blog algumas vezes.

  • Governo

A política da Armênia se desenvolve num quadro de república democrática semi-presidencial, em que o presidente é o Chefe de Estado em um sistema multipartidário. O atual presidente da Armênia é Serzh Sargsyan, e o atual primeiro ministro é Karen Karapetyan.

  • População

De acordo com diversas fontes, o número de armênios no mundo varia entre 6 e 11 milhões, dos quais apenas 1/3 mora na Armênia (cerca de 3 milhões de pessoas).

  • Moeda, câmbio e cartões

A moeda do país chama Dram Armênio, com sigla AMD. Estão em circulação moedas de 10, 50, 100, 200 e 500 Drams, e notas de 1.000, 5.000, 20.000. Dizem que existem notas de 50.000 e 100.000 mas eu nunca vi. Em geral, 1USD equivale a 478AMD, 1EUR equivale a 567AMD, e 1 Rublo equivale a 8,3AMD – o câmbio oscila um pouquinho, mas bem pouquinho mesmo. Quando chegamos, eu me assustava um pouco com tudo custando mais de mil, mas depois habituei que é só o jeito deles, e faltam os centavos. É possível fazer câmbio em diversos lugares da cidade, inclusive nos principais supermercados do centro, o que eu achei muito esquisito quando chegamos, e ainda acho bastante curioso! Praticamente todos os lugares aceitam cartões, mas as vezes o sistema falha e pode demorar muito a funcionar, então eu aprendi que é sempre bom ter drams na carteira.

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  • Ierevan

A capital do país é Ierevan (Yerevan na grafia em inglês), que pode facilmente ser considerada uma das cidades mais seguras do mundo. Podemos andar tarde da noite na rua sem medo, coisa que não é comum na maioria dos países europeus. O centro da cidade de Ierevan não é muito grande, o que facilita a locomoção – mesmo sem um mapa. As opções de transporte em Ierevan são miniônibus, ônibus e táxis, mas é fácil caminhar pela cidade admirando as ruas. Nós, por exemplo, não compramos carro e não temos a menor intenção de comprar um, já que conseguimos fazer quase tudo a pé – só pegamos táxi pra ir aos shoppings e cinemas, e táxi é muito muito barato aqui. As outras 2 grandes cidades da Armênia são Gyumri e Vanadzor. A voltagem no país inteiro é de 220v. A Armênia está no fuso GMT+4 (diferença de +7h pro Brasil, e +6h quando o Brasil está no horário de verão).

  • Clima

O clima da Armênia é continental de montanhas, com longos e frios invernos e verões quentes. Geralmente, as temperaturas em janeiro ficam entre -12ºC e -15ºC, podendo chegar a -30ºC. Neste ano, chegamos algumas vezes a -21ºC. Em julho, a temperatura média nas montanhas é de 10ºC, e de 25ºC nas regiões de planície, mas a verdade é que este mês de julho e agora em agosto estamos sofrendo com temperaturas que jamais baixam dos 30ºC e chegam todos os dias a 40ºC, com clima muito muito seco. A precipitação anual é de 20-80cm, e os topos das montanhas mais altas da Armênia ficam cobertos de neve o ano todo.

  • Topogafia

O terreno é montanhoso, e 90% das montanhas está a mais de 1000m acima do nível do mar, com média de 1800m. O ponto mais alto do país é o Monte Aragats (4095m) e o mais baixo é a margem do rio Debet (380m). O ponto mais alto da região é o símbolo histórico da Armênia, o Monte Ararat (5165m), que está no território da Turquia desde os anos 1920.

  • Comida e Água

Em Ierevan, pode-se tomar água da torneira e também das pequenas fontes (bebedouros) espalhadas pela cidade, chamadas Tsaytaghbyur. As tsaytaghbyur são pedras memoriais únicas, geralmente com 1m de altura, com água pura. Na cidade há muitos restaurantes, com culinária armênia e internacional (chinesa, árabe, georgiana, etc). Os restaurantes aqui são muito mais baratos do que a média das grandes cidades, inclusive quando comparados a Moscou.

  • Compras

O comércio em Ierevan é ótimo. Há 2 grandes shopping centers que abrigam marcas internacionais (Zara, GAP, TopShop, Pandora, Bershka, Parfois, Promod, Steve Madden, Mango, Levi’s, etc). No centro da cidade, as ruas Northern Ave, Mashtots, Abovyan e Tumanyan também são tomadas por lojas locais e internacionais (Burberry, Armani, Zegna, MaxMara, MontBlanc, L’Occitane, etc), bem como lojas multimarcas. Para artigos de casa, gosto principalmente da Matalan, da Basic Center, e da Good’s House. Além destas, muitas lojas vendem lembrancinhas e presentinhos típicos da Armênia, inclusive os famosos conhaques.

O lugar favorito dos turistas para comprar souvenirs é a Vernissage, a feira ao ar livre que fica aqui em frente da nossa casa, pertinho da Praça da República. Aos finais de semana, a Vernissage fica lotada de vendedores oferecendo tapetes feitos à mão, peças em madeira e pedra talhadas, cerâmicas, pinturas, entre outros. O que eu mais gosto na Vernissage, além dos estandes com objetos da época da União Soviética, são os bonequinhos narigudos, que fazem piada carinhosa com essa característica dos armênios. A Vernissage também funciona durante a semana, porém com menos expositores. No verão, há gente o dia inteiro; no inverno, o movimento é naturalmente menor.

  • Religião

Acho que já contei aqui que a religião predominante na Armênia é o Cristianismo, e que a Armênia foi o primeiro país do mundo a adotar o Cristianismo como religião do Estado em 301d.C. 94% da população segue a Igreja Apostólica Armênia.

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  • Khachkars: cruzes de pedra armênias

Se perguntarmos a qualquer armênio qual é o símbolo mais importante do país, a resposta certamente será Khachkars, as cruzes talhadas em pedra. Por todo o país, encontramos muitas delas, e em qualquer lugar onde houver um armênio, será possível achar este símbolo, que é, para eles, um monumento, uma obra de arte, a face da Armênia: os padrões e ornamentos tradicionais das Khachkars refletem a história e o tempo.