Quem foi Aram Manukyan?

Na tarde do dia 17 de julho de 2018, uma nova estátua foi inaugurada em Yerevan, com a presença do Primeiro Ministro Nikol Pashinyan, do Presidente da Armênia Armen Sarkissian, e do Patriarca da Igreja Armênia Garegin II (Catholicos of the Armenian Church). A homenagem a Aram Manukyan fica na saída da estação de metrô da Praça da República, na esquina da rua Aram, o que despertou a minha curiosidade em descobrir um pouquinho mais sobre este importante político armênio.

Aram Manukyan (19 março 1879 – 29 janeiro 1919) foi um político armênio revolucionário, membro líder do partido nacionalista Federação Revolucionária Armênia (Dashnaktsutyun). Ele é conhecido como o fundador da Primeira República da Armênia, há 100 anos.

Nos primeiros meses da Primeira Guerra Mundial, Manukyan trabalhou junto aos oficiais Otomanos em Van, uma das maiores cidades da Turquia, para diminuir as crescentes tensões até a metade de abril de 1915, quando as forças turcas sitiaram a cidade. Aram Manukyan então conduziu a auto-defesa civil de Van e, como resultado dessa empreitada, milhares de pessoas não foram deportadas nem massacradas pelo governo turco durante o genocídio armênio.

Depois da Revolução Russa e o colapso do fronte do Cáucaso em 1917-18, Aram Manukyan foi um “ditador popular” da área não-conquistada em torno da cidade de Yerevan. Em maio de 1918, ele organizou a defesa contra o avanço do exército turco, que foi efetivamente contido na Batalha de Sardarabad, prevenindo a destruição completa da nação armênia. Manukyan desempenhou um papel importante no estabelecimento da Primeira República da Armênia, e atuou como Primeiro Ministro dos Assuntos Internos. Ele morreu de febre tifóide em janeiro de 1919.

Aram Manukyan foi um advogado da autoconfiança. Ele era conhecido pela sua habilidade em unir diferentes setores da sociedade por uma causa comum. Ele é considerado por muitos acadêmicos como o fundador da Primeira República da Armênia. Durante o período soviético, ele e outros proeminentes partidários foram negligenciados. Desde 1990, tem sido feitas muitas tentativas de reviver sua memória na Armênia independente, e a inauguração desta belíssima estátua faz parte destes esforços.

A estátua foi idealizada por David Minasyan, e mostra Aram Manukyan, feito de pedra (como a maioria das estátuas e monumentos de Yerevan), envolto na bandeira da Armênia, feita em mármore.

A Armênia e o Futebol, e o Futebol na Armênia

Estamos em plena Copa do Mundo e, embora a seleção da Armênia não tenha se classificado para a competição, o país está tomado pelo espírito futebolístico! A proximidade com a Rússia, país sede do campeonato mundial de 2018, impulsionou o turismo na Armênia, já que muitos dos torcedores que visitam a Rússia nesse período estão aproveitando a oportunidade para conhecer outros países da região.

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Enquanto a bola rola na Rússia, Yerevan está em ritmo de Copa do Mundo, com muitos dos bares, cafés e restaurantes decorados com as bandeiras dos países que estão no campeonato, e muitos deles também estão transmitindo os jogos. Aqui, estamos 1 hora na frente do horário da Rússia, então a última partida do dia (que, no Brasil, acontece às 15h) começa às 22h, terminando pertinho da meia-noite. Se em outros lugares do mundo isso talvez fosse motivo para que a rua estivesse vazia, principalmente se tratando de um país que não está competindo no campeonato mundial, em Yerevan a cidade vibra e pulsa!

A seleção masculina da Armênia está em 100ª posição no ranking da FIFA. Nas eliminatórias para a Copa do Mundo 2018, a Armênia fez parte do Grupo E – o mesmo grupo da Dinamarca e da Polônia, que se classificaram para o mundial. Nos seus 10 jogos das eliminatórias, a Armênia somou (apenas) 7 pontos, e ficou em 5º lugar no grupo, na frente apenas do Cazaquistão. Dos 10 jogos, 5 aconteceram no Estádio Republicano (Republican Stadium) de Yerevan, e a Armênia venceu 2 destes jogos: em 11 de novembro de 2016, na partida contra Montenegro, e em 26 de março de 2017, na partida contra o Cazaquistão, que presenciei ao vivo e a cores!

Ver a seleção da Armênia jogando no Republican Stadium de Yerevan foi mais uma das experiências inesquecíveis entre as tantas que tenho vivido aqui! O jogo foi muito animado; os armênios demonstraram muita paixão pelo esporte vestindo as cores nacionais, carregando bandeiras, cantando muito durante o jogo, gritando HAYASTAN (o nome armênio da Armênia) diversas vezes e, é claro, fumando muito o tempo todo.

Henrikh Mkhitaryan, o craque que é o orgulho nacional

Durante as eliminatórias da Copa, Henrikh Mkhitaryan liderou o time, carregando a braçadeira de capitão. Ele é o grande craque armênio, e é o orgulho nacional: TODAS as camisas da seleção da Armênia que a gente encontra tem o nome dele, além dos bonecos uniformizados que homenageiam o jogador de futebol, que fazem enorme sucesso entre as crianças.

Henrikh Mkhitaryan foi para o Manchester United no meio do ano de 2016 e, em dezembro do mesmo ano, tornou-se o primeiro armênio a marcar um gol na Premier League, quando o Manchester United venceu o Tottenham por 1×0. Em janeiro de 2018, Mkhitaryan assinou com o Arsenal. O curioso é que Mkhitaryan também se tornou o primeiro jogador de futebol a marcar pelo Manchester United e contra o Manchester United numa mesma temporada!

Nascido em Yerevan em 21 de janeiro de 1989, Henrikh Mkhitaryan fez 6 gols com a camisa da seleção da Armênia durante as eliminatórias para a Copa do Mundo, mas infelizmente não conseguiu conduzir o time nacional à Copa do Mundo. A seleção da Armênia nunca jogou uma fase final de Copa do Mundo.

Salvem o futebol armênio!

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Desde 2015, quando a Armênia terminou em último lugar na fase classificatória para o Campeonato Europeu, há um movimento que luta para resgatar o futebol armênio, numa tentativa de impulsionar tanto o time nacional quanto as ligas locais. Naquela época, o First Armenian Front (a maior das torcidas organizadas do país) submeteu à Football Federation of Armenia (a instituição futebolística do país) três demandas: primeiro, que um técnico internacional de alta qualidade fosse contratado para treinar a seleção armênia; segundo, que todos os candidatos ao time nacional tivessem oportunidade de jogar, sem discriminações; e, terceiro, que os preços para os jogos da seleção nacional fossem reduzidos.

O First Armenian Front, fundado em 2007, não só apoia a seleção quando joga em casa, mas também organiza viagens para que os torcedores locais tenham a oportunidade de acompanhar as partidas do time nacional, e também para reunir torcedores armênios de todo o mundo.

O então presidente da Football Federation of Armenia, Ruben Hayrapetyan, respondeu que o First Armenian Front representa um grupo pequeno de torcedores e que as suas demandas não poderiam ser consideradas como a voz de todos os torcedores do time nacional. A reação de Hayrapetyan é característica das lideranças tradicionais armênias; só agora, após a Velvet Revolution, é que começamos a ver algumas mudanças nas respostas às demandas diversas dos cidadãos (mais sobre a Velvet Revolution em breve!).

Os armênios são apaixonados por futebol, e é fácil notar que a vontade da população é de que o time nacional seja impulsionado para participar dos grandes campeonatos internacionais. Os 9 clubes armênios disputam a Copa da Armênia anualmente e, nesse ano, o clube “FC Pyunik” passará a ser chamado “FC Yerevan”, em homenagem à capital da Armênia, que é sua sede, no ano em que a cidade completa 2800 anos. Os outros clubes armênios são: FC Shirak, com sede em Gyumri; FC Lori, com sede em Vanadzor; FC Gandzasar-Kapan, com sede em Kapan; FC Banants, FC Ararat City, FC Alashkert, FC Artsakh, e FC Erebuni, todos estes com sede em Yerevan.

Muito ligados ao futebol e na história futebolística mundial, não é raro que muitos falem sobre os jogadores brasileiros com grande admiração – e não só de Neymar, Ronaldo ou Pelé, mas também Mané Garrincha, Rivaldo, Roberto Carlos, Taffarel, Romário, Bebeto e tantos outros que fizeram história no futebol brasileiro. A campanha “SAVE ARMENIAN FOOTBALL” é um manifesto real da vontade dos torcedores armênios em valorizar o esporte no país e projetar seus jogadores para o mundo, e a admiração que eles tem pelo futebol brasileiro está intimamente ligada a este anseio.

*texto publicado originalmente no Brasileiras pelo Mundo

1 ano na Armênia!

Na noite de 25 de janeiro de 2017, chegamos em Yerevan com as malas cheias das nossas coisas e expectativas. 365 dias se passaram, mas parece que foi ontem!

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a 1ª foto que eu tirei de Yerevan, na manhã do dia 26/01/2017

Honestamente, não tínhamos muita ideia do que iríamos encontrar por aqui. Tínhamos expectativas, mas não fazíamos ideia de como tudo o que esperávamos seria superado! Se eu sabia muito pouco sobre a Armênia quando chegamos, hoje já me sinto um pouco mais íntima de tanta cultura e história que este país guarda.

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“1” bem comemorativo!

Esse tempo morando na Armênia me possibilitou reencontrar uma paz interior que há muito eu tinha perdido. Uma calma me invadiu, talvez porque o ritmo da cidade seja menos acelerado, talvez porque eu tenha me permitido um ritmo menos acelerado pra minha rotina. Graças a Deus, as minhas crises de ansiedade ficaram no passado. Consegui redirecionar meu foco para as coisas realmente importantes, e me dedicar à atividades que eu amo realizar. Descobri talentos nunca antes desenvolvidos, e me vi colocando em prática projetos com os quais eu nem nunca sonhei ou que eu jamais imaginei possíveis. Viajamos muito, e já temos muitas boas histórias, mas ainda temos muita Armênia pra desvendar. Ainda bem que temos tempo pra isso!

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Armênia na mão e pra sempre no coração!

Me apaixonei – e continuo me apaixonando – diariamente por Yerevan, pela culinária armênia e pelo povo simpático e sorridente. Por mais que seja difícil construir laços duradouros quando temos um limite de tempo estabelecido pra morar em cada país, contado a partir do primeiro momento, fiz algumas amizades que me ensinaram muitas coisas – entre elas, algumas palavras em armênio, esse idioma dificílimo!

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por onde for, quero ser seu par!

E, se é difícil construir laços duradouros em países que são a nossa casa temporariamente, os nossos laços ficam cada vez mais profundos. Marido, obrigada por ser o melhor companheiro de vida e de aventuras que eu poderia ter. Desde o primeiro dia, muito mais do que me incentivar, você me dá coragem para seguir sempre em frente. Compartilhar sonhos e ideais com o meu melhor amigo, numa relação de cumplicidade que transcende o que palavras poderiam descrever, faz o meu coração transbordar de alegria. De mãos dadas com você, vou até o fim do mundo, ao infinito e além. O mundo é a nossa casa e todo o meu amor é seu.

Agradecer, agradecer, agradecer. Senhor Deus, receba toda a minha gratidão por ter providenciado coisas tão maravilhosas para nós neste tempo em que estamos morando por aqui. Acordo e vou dormir feliz e tranquila todos os dias, e é graças às muitas bençãos que o Pai do Céu tem derramado sobre nós, pela intercessão da Santíssima Virgem Maria. Que o próximo ano seja tão maravilhoso quanto este que passou!

Gyumri: restaurante Cherkezi Dzor

No dia 13 de janeiro, fomos conhecer a cidade de Gyumri, que é a 2ª maior cidade da Armênia e fica a cerca de 130km do centro de Yerevan. A viagem entre as duas cidades leva cerca de 2h30. E, se em Yerevan apenas começou a nevar, Gyumri já está bem mais branquinha!

Depois de visitarmos o centro da cidade e conhecermos a linda catedral, fomos para o restaurante Cherkezi Dzor, que é uma fazenda de peixes onde podemos escolher na hora qual peixe comeremos!

Na hora em que escolhemos o peixe, um dos funcionários do restaurante pesca o eleito, pesa e leva pra cozinha. Pouco tempo depois, o peixe chega lindíssimo e inteiro à mesa, para nosso deleite em uma refeição maravilhosa. Como acompanhamento, escolhemos batatas típicas, arroz pilaf de cogumelos, picles, iogurte (matsoun) e muito pão fresco. De sobremesa, comemos gatah acompanhada de café armênio.

Em Gyumri, a neve já deixou a paisagem bem branquinha!

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Na volta para Yerevan, paramos na estrada pra registrar a paisagem bem branquinha da região montanhosa da Armênia.

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Ano passado, Yerevan estava coberta de neve nesta época mas, neste inverno, o frio está menos intenso e a neve também. Se no inverno do ano passado as temperaturas chegaram a -20ºC, este inverno tem sido bem mais ameno, com as mínimas em torno de -4ºC. Só ontem é que tivemos um pouco mais de neve na cidade, que acabou derretendo ao longo do dia!

Por que os armênios celebram o Natal em janeiro?

Desde que cheguei na Armênia, o aprendizado tem sido diário, e me surpreendo constantemente com a cultura local e as bases sólidas por trás de tudo o que há de tradicional no país. E não poderia ser diferente quanto ao Natal que, na Armênia,  é celebrado no dia 6 de janeiro!

É claro que a curiosidade surge: se a Armênia observa o calendário gregoriano, por que os armênios comemoram o Natal no dia 6 de janeiro?

Os armênios constituem um povo de muita fé, com algumas peculiaridades e diferenças em relação à Igreja Católica Apostólica Romana. Para a Igreja Apostólica Armênia, a escolha do dia 6 de janeiro para celebrar o nascimento de Cristo está pautada na argumentação de que não se sabe ao certo qual o dia Jesus nasceu e que, de acordo com as tradições muito antigas da igreja, vários eventos aconteciam para comemorar a Incarnação de Deus. Estas festas não eram chamadas de Natal, e sim de Teofania, que significa “revelação de Deus”.

No calendário Gregoriano, há 2 datas que observam e celebram o nascimento de Cristo: 25 de dezembro e 6 de janeiro. No antigo calendário Juliano, estas datas equivalem aos dias 7 e 19 de janeiro. O dia 25 de dezembro do calendário Gregoriano é o dia 7 de janeiro do calendário Juliano, e o dia 6 de janeiro do calendário Gregoriano é o dia 19 de janeiro do calendário Juliano. De todo modo, a Epifania do Batismo de Jesus é celebrada 12 dias após o Natal, período dedicado pela Igreja ao aprofundamento, contemplação e assimilação do Mistério da Encarnação do Filho de Deus.

Os armênios observam o calendário Gregoriano, exceto aqueles que moram em Jerusalém. Celebrar o Natal no dia 6 de janeiro é uma opção da Igreja Armênia que comemora tanto o nascimento quanto o batismo de Jesus no mesmo dia, quando todos os principais eventos relacionados à Teofania são relembrados, desde a revelação de Jesus como o Filho de Deus, o Verbo Encarnado, o Príncipe da Paz e Rei dos Céus. Portanto, esta celebração abrange desde a Natividade de Cristo em Belém, a visita e a visão dos Reis Magos que foram testemunhar o nascimento de Cristo como revelação Divina, a narrativa da infância de Jesus (a fuga para o Egito, a apresentação no Templo, a circuncisão de Cristo) e a Epifania ou o Batismo no Rio Jordão, onde é inaugurada a redenção do Povo de Deus pela abertura dos céus, a revelação de Deus por meio do Espírito Santo na forma de uma pomba, e a Voz de Deus Pai proclamando que Aquele era o Seu Filho muito amado.

A Teofania (ou Epifania) era celebrada em 6 de janeiro até o século V, quando o Concílio de Calcedônia (451 d.C.) declarou formalmente que o dia 25 de dezembro comemoraria o nascimento de Jesus Cristo, separando a natividade do batismo pelos 12 dias de Natal. A Igreja, sob a liderança do Papa Libério, marcou, desde o século IV, o “Dies Natalis” ou “Natalis Domini” no dia 25 de dezembro.

Embora sejam muitas as teorias sobre os motivos para os 4 Concílios Ecumênicos de Niceia, Éfeso, Calcedônia e Constantinopla terem decidido mudar a celebração da Natividade para o dia 25 de dezembro, acredita-se em geral que a data foi modificada para suprimir as festas e práticas pagãs que celebravam o solstício de inverno, porque, naquele tempo, os cristãos também observavam as festas pagãs. Os pagãos chamavam esta celebração do solstício de inverno de Saturnália, honrando o deus pagão Saturno, com uma festa que durava desde o dia 17 de dezembro até o dia 25, cultivando com o nascimento do sol invencível (Dies natalis invicti solis), na medida em que os dias começavam a ficar mais longos, porque, entre os pagãos, acreditava-se que o sol que morria durante o solstício de inverno renascia em seguida. A Igreja Católica quis ressaltar que a verdadeira luz que ilumina a humanidade é Cristo, e é a celebração do Seu nascimento é a solenidade própria que afirma a fé autêntica no mistério da Encarnação do Verbo, afastando os fiéis da prática de festas idolátricas.

Uma vez que a data da Epifania ou Batismo era mais antiga, e tinha importância litúrgica primordial, não podia-se modificá-la, ao passo que uma adição da data para celebrar exclusivamente a Natividade poderia ser feita sem grandes problemas. A origem da palavra Natal também é discutida, e há quem acredite que a palavra derivou da tradição pagã de celebrar o “Noio hel“, que significa Novo Sol. A árvore, que antes era adorada como símbolo de vida, passou a ser associada também à celebração cristã.

Entretanto, na Armênia, cujo Cristianismo tem origem nos antigos Apóstolos, não se adotou esta mudança pelo simples fato de que não mais existiam tais práticas pagãs na Armênia no século V, o que permitia que eles se mantivessem fiéis às tradições dos seus antepassados.

É por isso que, até hoje, os armênios celebram a Natividade no dia 6 de janeiro, junto da Epifania. Segundo a tradição, há uma benção das águas, com a imersão de uma cruz na água como sinal do Mistério Salvífico de Deus por meio da vida de Cristo, do útero à tumba. A água benta é, então, oferecida a todos como sinal da manifestação Divina nas águas gloriosas do rio Jordão, o local onde Jesus Cristo foi revelado como Salvador da Humanidade, trazendo nova vida para todos que n’Ele creem.

*este meu texto foi originalmente publicado no blog Brasileiras pelo Mundo.