Onde comer em Paris?

Não é novidade pra ninguém que Paris é a capital mundial da gastronomia. Em Paris, há comida boa para todos os gostos e bolsos – e algumas furadas também. É por isso que venho humildemente dividir com vocês algumas dicas de lugares que eu gostei, e também outros que eu não gostei tanto assim, e como tentar evitar furadas gastronômicas na Cidade Luz!

Pra facilitar, vou falar dos restaurantes e cafés de acordo com os seus respectivos bairros (arrondissements) em Paris. Também vou criar uma legenda de faixa de preços médios pra vocês terem uma ideia melhor de quanto custa comer em cada um destes lugares.

faixas de preços médios (refeições com bebida para uma pessoa)
  • até 20€ = €
  • entre 25€ até 35€ = €€
  • entre 40€ até 50€ = €€€
  • mais de 50€ = €€€€

1er arrondissement

  • Café de la Régence (€€)

Pertinho do Musée du Louvre e do Musée des Arts Décoratifs, em plena Rue Saint Honoré, serviço muito simpático num ambiente super agradável. Eles tem serviço contínuo, o que é ótimo pra quem está de férias e não tem muito compromisso com horário para alimentar-se (o que nunca é o meu caso, mas não custa dividir a informação!).

4e arrondissement

  • Carette (€)

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Um pequeno café em plena Place des Voges, que é um charme e vale a visita, pertinho do Marais. A comida é boa, o ambiente é gostoso, os preços são justos com um serviço rápido. Eles tem uma oferta de pâtisserie de dar água na boca!

5e arrondissement

  • Chez René (€€)

Em pleno Boulevard Saint-Germain, esse charmoso café tem uma boa oferta de pratos onde os peixes são os protagonistas.

6e arrondissement

  • Le Hibou (€€ médio, mas tem pratos €)

Talvez a melhor sopa que já tomei na minha vida! Dei muita sorte de ir ao Le Hibou, que fica no Carrefour de l’Odéon, num dia em que a sopa do dia era de alho poró com batatas e estava UM SONHO! Eu estava passando mal, há dias sem comer nada direito, e poder me deleitar com essa sopinha foi praticamente um milagre. Estava tão boa que comi duas, porque sim.

  • Les Deux Magots (€)

Um clássico de Paris, daqueles que vale a pena ir porque não decepciona. Gosto de tomar um cafézinho a tarde e degustar algum dos deliciosos doces.

  • Huguette, Bistro de la mer (€€€)

Especializado em frutos do mar, é um bistrô super charmoso e bem localizado, e um menu recheado de coisas deliciosas.

  • Le Golfe de Naples (€)

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Simples e honesto, bem na frente da loja da Apple do Marché Saint-Germain. Gostei da pizza, verdadeiramente napolitana.

  • L’Avant comptoir du Marché (€€)

Meio estranho, porque há pouquíssimos lugares pra sentar, e algumas mesinhas pra se ficar mesmo em pé. Os petiscos são bem gostosos, então eu recomendaria como uma boa opção para um happy hour.

  • Le Relais de L’Entrecôte (€€)

Aquele clássico que está sempre na lista daqueles que visitam Paris pela primeira vez, bem como daqueles que são fãs da famosa formule.

7e arrondissement

  • Primo Piano (€€)

Dentro do Le Bon Marché, coladinho na seção de livros, o Primo Piano tem um ótimo cardápio pra quem está em meio às compras e quer comer sem perder muito tempo, mantendo a qualidade. Infelizmente, eu não gostei muito do café gourmand deles, mas tudo bem, acontece.

  • Maison de la Truffe – L’atelier (€€)

La Grande Épicerie é um paraíso para quem é apaixonado por comida e gastronomia, e é lá dentro que está uma pequena filial da Maison de la Truffe. Eu não gosto muito de fazer reservas em restaurantes (#preguiça), então aproveitei a chance de provar um prato deste famoso restaurante sem filas, no ambiente delicioso da Grande Épicerie. Comi um ravioli com trufas que estava bem gostoso, mas achei que economizaram um pouquinho na trufa pra quantidade de ravioli servido.

  • Le Café du Musée (€)

Não tive uma experiência muito boa, mas pode ter sido apenas azar. Fica bem pertinho do Musée de l’Armée, no Boulevard des Invalides.

8e arrondissement

  • Café Mademoiselle (€€€)

No limite entre o 8e e o 1er arrondissements, o café Mademoiselle é um charme e tem um dos melhores cafés gourmands (10€) que já provei em Paris.

  • Pedra Alta (€)

Especializados em frutos do mar, a unidade da rue Marbeuf tem uma localização super conveniente para quem está passeando pela Champs-Élysées, Arc de Triomphe e arredores. Eu amo comida portuguesa, e o atendimento impecável desse restaurante me faz voltar sempre. A maioria dos pratos é muito grande, então serve de 2 a 3 pessoas com fartura. O bacalhau grelhado é um troço do outro mundo, e o pastel de nata é divino, coisa dos céus.

  • Crêperie Framboise (€)

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Essa creperia é uma rede, com várias unidades em Paris. A que visitei foi no 8e arrondissement; uma vez tentei ir na unidade que fica perto do Louvre, no 1er arrondissement, mas estava lotada e preferi não esperar. Eles tem algumas formules interessantes, com bons preços. Os crepes são bem gostosos, e tem alguns sabores “pouco convencionais”, que vale a pena experimentar.

  • Café de L’Avenue Boulevard Haussmann (€)

Esse não é “O” L’Avenue, então não vamos nos confundir. Esse café fica praticamente na esquina do Boulevard Haussmann com a Rue de Monceau, e é uma opção honesta para refeições rápidas na cidade. Dos cafés mais simples (leia-se: com preços mais baixos e não tão famosos) que já visitei, é um dos que tem a comida mais gostosa.

  • Matsuri (Boëtie) (€)

Quer ir num japonês em Paris sem ter que deixar um rim pra pagar a sua refeição? A rede Matsuri entrega o que promete: comida de qualidade com preço justo, ambiente bacaninha, localizações convenientes (são 9 unidades espalhadas por Paris). A unidade de Boëtie tinha aquela esteira em que podíamos escolher os sushis e sashimis, que tinham seus preços sinalizados pela cor do prato. Coloquei na faixa de preço de até 20€ mas sua refeição pode sair um pouquinho mais cara dependendo da quantidade que você escolher comer (mas acho difícil de passar de 35€ por pessoa, mesmo tomando vinho ou saquê).

15e arrondissement

  • L’Oustal (€)

Um dos cafés mais bacanas do 15e, com um menu sucinto e honesto.

  • Le Royal Cambronne (€)

O meu preferido da minha área preferida de Paris! Eu adoro ficar no 15e, que é perto de tudo porém tem cara de bairro mesmo, com vida normal, farmácia, etc, e eu sempre vou no Royal Cambronne quando fico por lá porque, além de terem um serviço bem legal, os pratos são muito gostosos. Destaque para a sopa de legumes, que é um carinho no estômago nas noites frias. Os pratos do dia costumam ser muito bons também.

  • Le Bouquet de Grenelle (€)

Pedi uma sopa gratinée à l’oignon que estava uma delícia, mas achei a porção grande demais quando se trata de uma sopa tão pesada.

16e arrondissement

  • Le Coq (€€)

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A localização do Le Coq é perfeita para quem está passeando no Trocadéro ou no Palais Galliera, por exemplo. Curti o ambiente bem bonito e moderno, o serviço é rápido e os pratos tem bela apresentação.

  • Les Grands Verres (€€€€)

Um restaurante caro, porém maravilhoso, dentro do Palais de Tokyo. É daquelas refeições que valem a pena pela experiência como um todo: o restaurante é espetacular, o serviço é excelente, a comida é impecável, e a vista é incrível.

BÔNUS

  • Prêt-à-Manger

Já falei do Prêt-à-Manger no meu post sobre lugares para se comer em Londres, mas não custa deixar a dica aqui também, já que a rede tem algumas unidades espalhadas por Paris! Vale lembrar que é uma rede que oferece diversas comidas saudáveis, como sopas, sanduíches em baguettes e saladas, feitas com ingredientes orgânicos a preços amigos. O meu sanduíche preferido é o de atum com pepino, seguido de perto pelo de prosciutto com mozzarella e o de caprese. O café deles também é uma delícia, e vocês já sabem que eu sou fã da água de côco (em euros, custa 3,75€).

Musée Yves Saint Laurent

Estava devendo este post faz tempo! Em março, visitei o Musée Yves Saint Laurent, inaugurado recentemente em Paris. Desde outubro de 2017, o endereço 5 avenue Marceau abriga um museu dedicado à vida e aos trabalhos desse verdadeiro artista da moda, no lugar onde, outrora, funcionava a maison de couture de Saint Laurent.

Yves Mathieu-Saint-Laurent nasceu em 1º de agosto de 1936 em Oran, na Argélia. Filho de Lucienne e Charles Mathieu-Saint-Laurent, que dirigia uma companhia de seguros e era dono de uma cadeia de cinemas. Yves e suas duas irmãs, Michèle e Brigitte, cresceram no coração da brilhante sociedade de Oran.

Yves Saint Laurent foi e permanece sendo um dos nomes mais importantes da moda mundial, tendo revolucionado o guarda-roupa feminino ao inspirar-se em peças masculinas para criar suas peças com silhuetas femininas, como no caso do trench coat, do caban, da saharienne e do smoking.

Saint Laurent também foi o primeiro couturier a abrir uma loja prêt-à-porter com seu próprio nome, a SAINT LAURENT rive gauche, em 1966, atendendo às demandas do pós-guerra numa sociedade em constante movimento.

Não se pode falar em Yves Saint Laurent e não lembrar da coleção escandalosa de 1971. Em 29 de janeiro daquele ano, Saint Laurent apresenta a coleção chamada “Libération” ou “Quarante”, inspirada pela moda dos anos 1940, marcada pela guerra. Paloma Picasso inspira o couturier, porque ela se vestia com roupas mais velhas e de brechó. Vestidos curtos, solas baixas, ombros quadrados, maquiagem borrada, referencias à Paris da época da ocupação: tudo isso foi um escândalo. Violentamente criticado pela imprensa, a coleção dá eco à corrente retrô que tomará rapidamente as ruas.

Em 1974, a maison de couture Yves Saint Laurent, situada desde a sua criação em 1961 na rue Spontini, se muda para um hôtel particulier no número 5 da avenue Marceau. Este endereço vivia de acordo com o ritmo das coleções. A maison abrigava o estúdio onde trabalhava Yves Saint Laurent com seis ou sete colaboradores, e os ateliês de couture onde as criações eram realizadas por cerca de 200 costureiros e costureiras. No piso térreo, nos salões, as clientes eram recebidas individualmente para encomendar os modelos que desejavam.

Em 7 de janeiro de 2002, Yves Saint Laurent anuncia, numa coletiva de imprensa, que ele encerrava ali a sua carreira e fecha a maison de couture. Dois anos mais tardes, depois de muitos trabalhos, a Fundation Pierre Bergé – Yves Saint Laurent abre suas portas naquele mesmo endereço, abrigando o Musée Yves Saint Laurent Paris a partir de outubro de 2017.

O Musée Yves Saint Laurent fica aberto de terças a domingos, entre 11h e 18h, com horário estendido (até as 21h) nas quintas feiras. A exposição inaugural fica até o dia 09/09, quando o museu fechará para se preparar para a exposição “L’Asie rêvée d’Yves Saint Laurent”, que será aberta ao público em 02 de outubro. Os ingressos com hora marcada custam a partir de 7 euros.

Petit Palais e as exposições temporárias

Localizado bem pertinho da Champs-Élysées, o Petit Palais (ou Musée des Beaux-Arts de la Ville de Paris) é uma atração por si só: a belíssima entrada do palácio já arranca suspiros dos visitantes. Como se não bastasse a beleza da construção, a entrada para as exposições permanentes é gratuita.

Mas a minha visita ao Petit Palais no último mês de março tinha como objetivo conferir as duas exposições temporárias que estavam concorridíssimas – as filas para comprar ingressos eram intermináveis! “Les Hollandais à Paris, 1789-1914” e “L’art du pastel de Degas à Redon” reuniam verdadeiras obras primas por tempo limitado, e o bilhete combinado para conferir as duas exposições custou €15.

Les Hollandais à Paris, 1789-1914

Da tradição da pintura das flores às rupturas estéticas da modernidade, a exposição coloca luz sobre as ricas trocas artísticas, estéticas e amigáveis entre os pintores holandeses e franceses, do reino de Napoleão ao alvorecer do século XX.

Desde o primeiro Império, e principalmente a partir de 1850, mais de um milhão de pintores holandeses deixaram seu país para renovar suas inspirações. Entre eles, quase todos escolheram se estabelecer em Paris, inexoravelmente atraídos pelo dinamismo da sua veia artística. Os pintores tinham a oportunidade de seguir uma escola rica, de encontrar lugares para exposição e venda das suas obras, ou simplesmente de fazer novos contatos. Nas suas estadias, menos ou mais longas, foram muitas vezes o primeiro passo para uma instalação definitiva na França. Isso passou a causar influência decisiva sobre o desenvolvimento da pintura holandesa, já que alguns artistas, como Jacob Maris ou Breitner, difundiam as novas ideias quando voltaram à Holanda.

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Do mesmo modo, artistas como Jongkind e Van Gogh influenciaram seus camaradas franceses com temas, cores, e caminhos próximos da sensibilidade holandesa, fundamentados na tradição do século de ouro holandês que o público francês redescobria naquela época. 115 obras emprestadas pelos grandes museus da Holanda, bem como algumas outras de outros museus europeus e americanos, marcam essa jornada, retratando um século de revoluções na pintura.

A jornada cronológica nos conta sobre os elos que foram forjados entre os artistas holandeses e seus camaradas franceses, as influências, as trocas e os enriquecimentos mútuos por meio das obras de 9 pintores holandeses: Gérard van Spaendonck, ao fim do século XVIII, e Ary Scheffer, da geração romãntica; Jacob Maris, Johan Jongkind e Frederik Kaemmerer, na metade do século XIX; e George Breitner, Vincent van Gogh, Kees van Dongen e Piet Mondrian, ao fim do século XIX e início do século XX. Suas obras são apresentadas lado a lado daquelas dos artistas franceses contemporâneos como Géricault, David, Corot, Millet, Boudin, Monet, Cézanne, Signac, Braque, Picasso, a fim de estabelecer correspondências e comparações.

L’art du pastel de Degas à Redon

Com uma coleção rica de mais de 200 pinturas, o Petit Palais apresentou, pela primeira vez, uma seleção de mais de 150 obras, oferecendo um panorama exaustivo das principais correntes artísticas da segunda metade do século XIX, do Impressionismo ao Simbolismo.

A exposição permitiu descobrir as nuances da coleção com as obras de Berthe Morisot, Auguste Renoir, Paul Gauguin, Mary Cassatt e Edgar Degas, dos artistas do Simbolismo como Lucien Lévy-Dhurmer, Charles Léandre, Alphonse Osbert, Émile-René Ménard, e um conjunto particularmente importante das obras de Odilon Redon, bem como a arte mais mundana de James Tissot, Jacques-Émile Blanche, Victor Prouvé e Pierre Carrier-Belleuse.

A técnica do pastel seduz pela sua matéria e suas cores, permitindo uma grande rapidez de execução e traduz uma grande variedade estilística. De um simples traço colorido até as grandes obras super elaboradas, o pastel está no cruzamento entre o desenho e a pintura. A grande maioria das peças que foram expostas datavam de 1850 a 1914, ilustrando a renovação do pastel durante a segunda metade do século XIX.

A exposição também proporcionou aos visitantes a oportunidade de se familiarizarem com a técnica do pastel e com a questão da conservação das obras feitas em papéis, particularmente sensíveis aos efeitos da luz e que, portanto, não podem ficar em exposição permanente. Por conta disso, era proibido fotografar esta exposição.

Atual e próximas exposições no Petit Palais

Além do acervo permanente, que sempre merece aquela olhadinha, o Petit Palais tem muitas exposições temporárias. Entre 21 de junho e 14 de outubro de 2018, o Museu apresenta a exposição “Les Impressionnistes à Londres”. A partir do dia 15 de setembro até 14 de outubro, é possível conferir “Jakuchū (1716-1800 – Le Royaume coloré des êtres vivants”; entre 11 de dezembro e 17 de março de 2019, “Fernand Khnopff (1858-1921 – Le maître de l’énigme”; e entre 11 de dezembro e 31 de março de 2019, “Jean Jacques Lequeu (1757-1826) – Bâtisseur de fantasmes”.

Musée d’Orsay

Vocês acreditam que, até essa minha última ida a Paris, eu não tinha entrado no Musée d’Orsay?! Pois é! Finalmente corrigi esse erro e fui conhecer o acervo desse museu incrível, e também dar uma olhadinha nas exposições temporárias.

O Musée d’Orsay fica no coração de Paris, às margens do Sena, de frente para o Jardin des Tuileries. O museu ocupa o espaço que foi, um dia, a Gare d’Orsay, um edifício construído para a exposição universal de 1900, o que torna o prédio a primeira obra de arte do Museu, que tem uma coleção exposta de peças que datam de 1848 a 1914.

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Às vésperas da exposição universal de 1900, a França cedeu o terreno à Compagnie des Chemins de fer d’Orléans que, desfavorecidos pela posição excêntrica da estação de Austerlitz, projetavam construir, no lugar do Palais d’Orsay, uma estação mais central. Em 1887, a Compagnie consultou três arquitetos (Lucien Magne, Emile Bénard e Victor Laloux) sobre as restrições do espaço – a elegância do quarteirão, a vizinhança ao Palais du Louvre e da Légion d’Honneur – que apresentavam um desafio: integrar a Gare ao elegante espaço urbano em que estava inserida. Victor Laloux foi o escolhido em 1898.

Construída num período de 2 anos, a estação foi inaugurada para a exposição universal em 14 de julho de 1900. O exterior desenhado por Laloux mascarava as estruturas metálicas da estação com uma fachada de pedra de estilo eclético; no interior, o modernismo se impunha: planos inclinados e elevadores de carga para as bagagens, elevadores para os passageiros, 16 pistas no porão, os serviços de recepção no piso térreo, tração elética. O grande hall tinha 32m de altura, 40m de largura e 138m de profundidade.

Entre 1900 e 1939, a Gare d’Orsay desempenhou papel fundamental para a linha sudoeste da França. O Hôtel d’Orsay recebia, além dos viajantes, as associações e partidos políticos para conferências e banquetes. Porém, a partir de 1939, a estação servia apenas aos subúrbios, já que suas plataformas ficaram muito curtas por conta da eletrificação progressiva das linhas ferroviárias e do prolongamento dos trens.

A transformação de estação de trem em museu foi colocada a cargo dos arquitetos Bardon, Colboc e Philippon, do grupo ACT-Architecture. O projeto deles, selecionado entre 6 propostas em 1979, deveria respeitar a arquitetura de Victor Laloux em todo o tempo da reinterpretação da sua função para a nova vocação, o que permitia valorizar o grande salão, utilizando a nave como eixo principal do percurso, e transformando a marquise em entrada principal.

Três níveis desenham o percurso do museu: no térreo, as salas são distribuídas ao longo do corredor central; no nível intermediário, as esplanadas dominam o percurso, e introduzem as salas de exposição; no nível superior, localizado acima do pórtico ao longo do cais, se estende até a parte mais alta do Hôtel, na rue de Bellechasse. Os outros espaços são acessíveis a partir destes três níveis principais de exposição das obras: o pavilhão de subida, as passagens vitrais ao oeste da estação, o restaurante do museu (localizado na antiga sala de refeições do Hôtel), o café dos autores, a biblioteca e o auditório.

O interior original do museu foi projetado por uma equipe de cenógrafos e arquitetos, sob a direção de Gae Aulenti, que trabalho com Italo Rota, Piero Castiglioni (consultor de iluminação) e Richard Peduzzi (responsável pela apresentação arquitetônica) para criar uma disposição unificada a partir de uma grande diversidade de volumes, particularmente pela homogeneidade dos materiais utilizados (revestimento de pedra no chão e nas paredes). Tal desenvolvimento corresponde ao volume desproporcional da antiga estação. A sinalização foi projetada por B. Monguzzi e J. Widmer. Quanto à iluminação, alterna-se entre natural e artificial, o que permite variar as intensidades necessárias de acordo com a diversidade das obras expostas.

O Musée d’Orsay está aberto entre 9h30 e 18h todos os dias, exceto às segundas (quando o museu fecha) e quintas, quando o museu fica aberto até 21h45. O ingresso custa €12, mas há também a opção de comprar o “Passeport Musée d’Orsay + Musée Rodin”, que permite uma vista a cada um dos museus, por €18.

Musée de l’Armée – Invalides

Devo confessar que, até essa minha última ida a Paris, em março, eu não tinha um museu favorito na cidade – isso porque eu ainda não tinha visitado o Musée de l’Armée!!

O Musée de l’Armée fica no Hôtel des Invalides, um monumento de cunho militar, e a visita ao museu é indissociável a este monumento. Até o século XVII, não havia nenhuma fundação em particular para abrigar os soldados inválidos; foi em 1670 que Louis XIV decidiu criar o Hôtel des Invalides, destinado a acolher os veteranos de guerra. O trabalho foi confiado ao arquiteto Libéral Bruant, que desenhou um prédio de estilo clássico, grandioso, sóbrio e elegante.

Os primeiros residentes se instalaram em 1674; à época, o Hôtel funcionava como uma cidade, com hospício, quartel, convento, hospital e fábrica, sob um sistema militar e religioso. Ao fim do século XVII, eram cerca de 4000 residentes, dos quais, supervisionados pelos oficiais, se dividiam em companhias. Os que ainda podiam, prestavam um serviço de guarda, principalmente na Bastille, enquanto os outros trabalhavam em oficinas de sapataria, tapeçaria e iluminação. Sob o império de Napoleão Bonaparte, há uma reorganização da instituição, e o início da transformação da Igreja de Saint-Louis em panteão militar nacional. Esse movimento foi consagrado a partir de 1840 pela edificação, sob a cúpula, da tumba do Imperador, aberta à visitação.

Hoje em dia, o clássico monumento histórico do Hôtel National des Invalides é um lugar importante da memória nacional, com cerca de 50 organismos mantendo a sua atividade – entre eles, a Institution Nationale des Invalides, um hospital militar instalado ao sul do monumento, mantendo a vocação primeira da fundação, enquanto a ala norte do monumento abriga o Musée de l’Armée.

A coleção do Musée de l’Armée é impressionante, com armas que datam desde o século XIII, armas de artilharia, objetos representativos da música militar, entre outros artigos. O destaque fica para o incrível acervo das Grandes Guerras Mundiais, que conta com uniformes, armamentos, pôsteres e objetos diversos usados durante a Primeira e Segunda Guerras Mundiais. Nem preciso dizer que esta foi a minha seção favorita do museu, não é?!

O Musée de l’Armée fica aberto de 10h às 18h entre abril e outubro, e de 10h às 17h entre novembro e março. O ingresso custa €12, mas menores de 18 anos tem isenção de tarifa.

Musée des Arts Décoratifs: Margiela, les années Hermès

Localizado na Rue de Rivoli em Paris, o Musée des Arts Décoratifs exibe, até o dia 22 de setembro de 2018, a exposição “Margiela, les années Hermès” celebra os anos em que Martin Margiela esteve à frente de uma das principais maisons francesas.

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Entre 1997 e 2003, Margiela comandou a direção criativa da Hermès, e esta homenagem apresenta, pela primeira vez na França, as coleções femininas de prêt-à-porter que o estilista desenhou para a célebre maison parisiense, sem perder a identidade das criações da sua própria maison. É interessantíssimo comparar as peças expostas no Musée des Arts Décoratifs com aquelas que em exposição no Pallais Galliera (até 15 de julho!).

Entre a desconstrução inovadora e o luxo atemporal, 98 silhuetas dialogam entre si, expressando e dando voz à visão particular de Martin Margiela. Estes dois universos, muito próprios desse designer, constituem o ponto de partida da exposição, cuja direção artística é do próprio Margiela.

Considerado um dos criadores mais atípicos e misteriosos da sua geração, Martin Margiela faz parte do seleto grupo de estilistas que radicalizou e renovou bruscamente o universo da moda. Depois de fundar sua própria marca, a Maison Martin Margiela, em 1988, ele decidiu, desde o início, que faria do anonimato uma das suas características essenciais, recusando o aparecimento do seu nome nas suas criações, adotando a etiqueta branca costurada nos quatro cantos como sua marca registrada. O famoso “blanc de Meudon” é escolhido como assinatura dos seus desfiles. Desde o início, Margiela desenvolve um trabalho contra a corrente da época da logomania e da padronização, e se destaca em seu meio. Ele surpreende com seus cortes construídos-desconstruídos, suas silhuetas oversize, seus materiais reciclados, ou mesmo os tecidos monocromáticos, que destacam o aspecto artesanal das suas criações.

Foi em outubro de 1997 que Jean-Louis Dumas, então presidente e diretor artístico da Hermès, convidou Martin Margiela a desenhar as coleções de prêt-à-porter femininas, quando este já era considerado, depois de quase uma década, como uma das figuras vanguardistas mais influentes. Era uma escolha audaciosa, que rompia com as tendências do universo da moda de escolher estilistas estrelados. A maison Hermès tem, então, um fator surpresa ao convidar este criador iconoclasta que ninguém (ou quase ninguém) conhece o rosto, e que dispensa os holofotes e o mundo do entretenimento.

Entre 1997 e 2003, acompanhado da expertise do estúdio e dos ateliês da maison Hermès, da qual compartilhava seus valores, Martin Margiela instaura, por meio de 12 coleções consecutivas, uma visão coerente e profunda de um luxo contemporâneo. Conforto, atemporalidade, sensualidade e autenticidade são as palavras-chave para definir a visão de Margiela da mulher Hermès, associada a um estilo apurado. A nova paleta de cores sóbrias e monocromáticas que ele apresenta estão alinhadas ao universo colorido das estampas da Hermès, suscitando a surpresa da imprensa.

Desde a entrada da exposição, o visitante descobre dois estilos distintos que propõem um diálogo apaixonado entre as roupas que Margiela criou para a Hermès e aquelas que ele criou para sua própria Maison. O conjunto se desenvolve com uma sucessão de sequências temáticas de mais de 100 silhuetas, de fotos e de vídeos num percurso que alterna entre o laranja inconfundível da maison Hermès e o branco da Maison Martin Margiela.

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Desse modo, o visitante aprende um pouco do processo criativo que navega sem confusão entre as duas maisons e de cada um dos seus códigos. É a primeira vez que o Musée des Arts Décoratifs se dedica a destacar um ícone da história da moda, com um criador que se desdobra entre as colaborações para as outras Maisons e a sua própria.

Conceitual e subversivo, Martin Margiela revolucionou totalmente o sistema da moda no fim dos anos 1980, e suas criações continuam sendo importantes impressões no universo da moda contemporânea, com uma silhueta vanguardista pautada na desconstrução, a reciclagem e recuperação de materiais. Margiela introduz na Hermès um esboço de cortes e colores com base nos materiais excepcionais da selaria parisiense, e integra numerosas inovações.

A exposição no Musée des Arts Décoratifs homenageia esta figura única da moda, dentro do período “Saison Margiela 2018 à Paris“, que celebra o estilista em comunhão com a retrospectiva “Margiela/Galliera, 1989-2009” e, até o dia 15 de julho, é possível comprar o 2º bilhete com tarifa reduzida na apresentação do bilhete da outra exposição. O bilhete integral (plein tarif) para o Musée des Arts Décoratifs custa €11, e o museu está aberto de terças a domingos das 11h às 18h (a bilheteria fecha às 17h15), e às quintas-feiras fica aberto até as 21h (a bilheteria fecha às 20h15).

 

Tudo o que você precisa saber sobre a Disneyland Paris

Se tem alguém que ainda não sabe disso, eu sou #disneyfreak, com muito orgulho, com muito amor, e eu não perco nenhuma chance de visitar e vivenciar o mundo mágico pelo mundo!

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Se meu destino certeiro de férias por muitos anos foi Orlando, pra aproveitar a Disney World ao máximo, nesses últimos tempos eu fui 2 vezes pra Disneyland Paris em pouco mais de um ano, em meio à tantos outros destinos que vocês tem acompanhado por aqui! Eu já tinha ido à Disneyland Paris em 2009, quando estive em Paris pela 1ª vez, e tinha gostado bastante dos parques mais “compactos”, que podem ser facilmente desfrutados em um único dia. Por isso, não deixei passar nenhuma das outras chances de voltar pra esse pequeno complexo mágico na Europa!

Se em 2017 eu já contei rapidamente por aqui sobre o dia que eu e marido passamos nos parques, hoje decidi fazer um post bem completo, explicando tudinho pra quem quiser aproveitar a Disneyland Paris e o Walt Disney Studios.

COMO CHEGAR

A Disneyland Paris fica em Marne la Vallée, a cerca de 40km do centro de Paris. Para quem estiver em Paris, o jeito mais simples de chegar é tomando o RER A (vermelho), descendo na estação final, Gare de Marne la Vallée Chéssy, que já é praticamente dentro da Disney. O bilhete de RER custa €7,60 por adulto/por trecho. Eu nunca usei o shuttle da Disney, mas sei que ele existe e que o transporte de ida e volta do centro de Paris custa cerca de €30. Também é possível ir de carro, mas eu também nunca tentei. O percurso em RER leva cerca de 45min, e sempre foi essa a minha opção escolhida.

INGRESSOS

Você pode optar por ingressos de 1 dia ou vários dias, e os preços variam de acordo com a sua opção. O ingresso de 1 dia para 2 parques, comprado no guichê, custa €99 para adultos e €83 para crianças. O pulo do gato na hora de comprar os ingressos é usar os guichês que ficam na entrada do Walt Disney Studios ao invés dos guichês principais da entrada da Disneyland, que estão sempre mais cheios!

PARQUES

O complexo europeu da Disney conta com dois parques: Disneyland Paris e Walt Disney Studios. Os horários de funcionamento de cada parque variam, então vale a pena conferir no site antes de planejar a sua visita, bem como conferir os horários atualizados do dia quando já estiver por lá. Eu costumo preferir começar o dia pelo Walt Disney Studios e depois seguir pra Disneyland Paris porque, em geral, o Walt Disney Studios fecha mais cedo do que a Disneyland. Como nas duas últimas vezes em que eu fui pra lá estava um frio congelante, eu não consegui ficar até tarde, então não fiquei pulando de um parque pro outro: aproveitei o Walt Disney Studios até umas 14h, e depois fui pra Disneyland, onde fiquei até umas 17h. Quando eu fui pra lá pela primeira vez, em 2009, era verão, então anoitecia mais tarde, estava calor, e era um quadro completamente diferente; naquele dia eu aproveitei até o último segundo!

BRINQUEDOS/RIDES

Eu falei ali em cima que esses parques são mais “compactos”, e agora é hora de explicar porquê: eles concentram, em um espaço menor, os principais brinquedos (inclusive “radicais”) que se encontram espalhados pela Disney World e pela Disneyland (a original, da Califórnia). É claro que não são todos os brinquedos, mas no Walt Disney World e na Disneyland Paris podemos brincar na Rock n Roller Coaster, na Tower of Terror, na Big Thunder Mountain e no Buzz Lightyear Laser Blast.

Pra quem já foi pra Disneyland ou pro Magic Kingdom, andar pela Disneyland Paris será muito fácil e familiar, porque a disposição do parque é praticamente idêntica àquela encontrada nos seus irmãos mais velhos. Mas não pense que os 3 parques são irmãos gêmeos: cada um tem as suas particularidades! O Castelo da Bela Adormecida de Paris tem várias surpresas para os visitantes, e vale a pena gastar alguns minutos do seu dia explorando cada cantinho dos 3 andares desse lindo Castelo. O Labirinto de Alice (Alice’s Curious Labyrinth) também merece a sua atenção. As atrações tradicionais como Piratas do Caribe, Mansão Mal Assombrada e It’s a Small World estão por lá para os fãs mais sedentos. E a montanha russa Indiana Jones and the Temple of Peril é uma das atrações exclusivas desse parque! Mas, pra mim, o melhor brinquedo do parque Disneyland Paris é a Star Wars Hyperspace Mountain, que é a versão mais nerd e super turbinada da Space Mountain!

Já o Walt Disney Studios seria a versão europeia do Hollywood Studios (que fica na Disney World, em Orlando), só que bem menor. Além disso, no Walt Disney Studios encontramos uma área inteirinha dedicada ao Ratatouille, enquanto apenas uma atração similar à existente em Paris será inaugurada no EPCOT de Orlando até 2021 (em tempo de comemorar os 50 anos de Walt Disney World). Outra área super legal do Walt Disney Studios é a Toy Story Playland, que já dá um gostinho da Toy Story Land que será inaugurada no final desse mês de junho de 2018 em Orlando.

PERSONAGENS

Mesmo em dias cheios (dessa última vez que eu fui, em março, os parques estavam bem cheios mesmo!), acho que os parques de Paris são menos alvoroçados do que os de Orlando, e vale a pena aproveitar a oportunidade para tirar fotos com seus personagens preferidos. Mickey, Minnie, Pluto, Darth Vader, princesas… todos estão por lá!

Pra não perder o seu personagem preferido, é importante pegar o timetable do parque assim que chegar (é também nesse folheto que você vai conferir os horários dos shows e atrações) e programar suas fotos especiais.

FASTPASS, SINGLE RIDER & WI-FI

O famoso “fura fila” da Disney está evoluindo muito rapidamente pelo mundo, e em Orlando o sistema já é todo digital, sendo possível agendar com antecedência pela internet. No complexo europeu, essa modernidade ainda não chegou, e o fastpass continua sendo o bom e velho papelzinho que a gente tem que ir na máquina buscar e planejar o dia de acordo. Estando sozinha, não usei nenhum dessas últimas vezes, até porque quase todas as rides tem fila de single rider. O wi-fi para guests foi instalado recentemente, e ainda não tava funcionando muito bem não.

MAGICAL MOMENT

Há uns anos atrás, a Walt Disney World lançou uma campanha que promovia “magical moments” para os guests: podia ser desde uma experiência com um personagem até mesmo passar uma noite na suíte do Castelo da Cinderella. Mesmo essa campanha tendo durado pouco tempo, eu adotei o termo pra vida, e não foram raras as vezes que vi “magical moments” acontecendo nos parques da Disney – fosse um fastpass ou uma foto especial capturada no momento perfeito. Dessa última vez, em março, meu magical moment foi uma situação inteira que se desenrolou na frente do Castelo da Bela Adormecida, proporcionada por uns cast members super atentos!

Como vocês já viram nas fotos, eu fui pro parque com o gorro mais legal do mundo, que é o Yoda usando orelinhas de Mickey. Naquele período, a Disneyland Paris estava celebrando a “Season of the Force“, e os parques estavam tomados por réplicas das naves de Star Wars. Não bastasse o sucesso que o meu gorro fez nos parques (sério: 1 em cada 3 pessoas me perguntava onde eu tinha achado aquele gorro, que eu comprei há uns 5 anos no Hollywood Studios), quando eu fui tirar aquela foto tradicional na frente do Castelo da Bela Adormecida, um cast member muito atento saiu correndo na minha direção, com um sabre de luz e gritando “YODA! YODA!”, me fazendo cair na risada. Isso originou uma sequência de fotos sensacional, que pode ser vista acima, na qual eu tentava equilibrar os risos com as poses remetentes ao universo de Star Wars.

A magia da Disney é contagiante, e eu amo esse universo! Se vocês tiverem alguma dúvida ou pergunta sobre o complexo da Disneyland Paris, deixem aí nos comentários que eu respondo com alegria!

Palais Galliera: Margiela 1989/2009

Como eu já tinha contado por aqui, e vocês puderam acompanhar em tempo real pelo instagram, nós estávamos de férias no Brasil! Agora que estamos de volta em Yerevan, a vida vai pouco a pouco retomando seu ritmo normal e, consequentemente, o ritmo de postagens por aqui também! E o primeiro post pós-férias é com uma dica de exposição imperdível que tá rolando em Paris e que eu conferi quando estive por lá em março!

A exposição “Margiela 1989/2009″ ficará aberta ao público até o dia 15 de julho de 2018 no Palais Galliera. Esta exibição, a primeira que faz uma retrospectiva em Paris em homenagem ao designer belga Martin Margiela, registra a carreira de um designer que não só questionou a estrutura das roupas mas também desafiou as estruturas do sistema fashion nas suas coleções. Com mais de 130 silhuetas, vídeos dos desfiles, arquivos da maison e instalações especiais, a exibição oferece um olhar sem precedentes sobre um dos mais influentes designers contemporâneos.

Martin Margiela se formou no departamento de moda da Royal Academy of Fine Arts da Antuérpia, em 1980. Depois de passar um tempo como assistente de Jean Paul Gaultier, entre 1984 e 1987, ele passou a ser uma das referências da chamada “Antwerp School” e se tornou o único designer belga da sua geração a fundar sua própria maison em Paris. A abordagem conceitual de Margiela desafiou a estética de moda da sua época. O seu jeito de construir as roupas envolvia a desconstrução, exposição dos interiores, dos forros, e das partes inacabadas, revelando diferentes estágios da manufatura, como pregas, ombreiras, estampas, entre outros.

Margiela desafiou ao extremo a escala das roupas, aumentando as proporções em 200% na sua “Oversize Collection” (Margiela pode ser considerado o pai do oversized como conhecemos hoje), ou adaptando roupas de bonecas para medidas humanas reais na “Barbie Collection“. Ele estampou fotos trompe-l’oeil (ilusão de imagem) em vestidos, suéteres e casacos, e criou um novo tipo de sapato inspirado nos tradicionais tabis japoneses, separando o dedão do pé dos outros dedos. O estilista questionou a obsolescência das roupas com sua “Artisanal Collection“, criando uma coleção artesanal a partir de roupas vintages e materiais recuperados que foram transformados em peças únicas, feitas à mão. Por sua vez, na coleção “Replica“, diversas roupas vintages recuperadas de todas as partes do mundo foram reproduzidas de maneira idêntica.

Margiela continua sendo um criador sem rosto, o homem que não dá entrevistas, e cujas roupas são vendidas com uma etiqueta branca e sem nome da marca. Esse homem que celebra o anonimato é famoso não só pelo uso do branco, uma cor que ele aproveita em diversos tons, mas também pelos seus desfiles em lugares pouco comuns, como estacionamentos, depósitos, estações de metrô, etc.

O ingresso para a exposição custa €10, que fica aberta de terça a domingo, entre 10h e 18h, e excepcionalmente até 21h às quintas. O Palais Galliera fica na 10 Avenue Pierre Ier de Serbie em Paris. A bilheteria fecha 45min antes do encerramento diário, e o museu fica fechado às segundas feiras.

Conexão de 11h em Paris

“Oh, but Paris isn’t for changing planes, it’s for changing your outlook!”

– do filme “Sabrina”, de 1954

Comecei a escrever este post no CDG, enquanto esperava meu voo pro RJ. Cheguei no Brasil anteontem (19/08) pra ver a família e cuidar da saúde, e isso me rendeu uma conexão de 11 horas em Paris!

E aí o que a gente faz? Vai pra cidade, é claro!

Considerando que o CDG fica à cerca de 1h do centro da cidade (tanto de trem quanto de carro), acho que, numa conexão longa, vale a pena dar um pulinho na cidade pra fazer algumas coisas bacanas e matar o tempo da melhor forma possível. Afinal, a rotina de aeroporto é muito muito chata, e fica pior ainda sozinha (já tô com saudade do marido, and I’m not even sorry).

Meu plano inicial era pegar o RER pra cidade, em direção a Saint-Germain, mas, logo quando estava chegando na estação aqui do aeroporto, fecharam o acesso à plataforma porque alguém deixou alguma bagagem desacompanhada!! Era um aglomerado tão grande de gente que não consegui nem chegar no guichê de guardar bagagem (queria deixar minha bagagem de mão pra não ficar andando com a malinha a tarde toda; a bagagem despachada em Ierevan eu só vou pegar no RJ). E aí eu tomei a decisão de chamar um uber: são 50 euros (ouch!) no uber x, mas me garantiu chegar na cidade.

Minha primeira parada foi a Capela da Medalha Milagrosa. Das outras 2 vezes em que estive em Paris, não tinha conseguido entrar lá e eu sofria muito com isso. Pra hoje, eu conferi mil vezes que estaria aberta, e finalmente consegui entrar naquele lugar santo! É claro que eu sou incapaz de descrever toda a emoção de estar diante da imagem de Nossa Senhora das Graças no local em que ela apareceu para Santa Catarina. Desde muito pequena eu sou muito devota de Nossa Senhora e sempre faço a novena da Medalha Milagrosa, então eu sonhava muito em ir até a Capela. Só posso agradecer a Deus por este dia ter finalmente chegado!! A Capela da Medalha Milagrosa fica na 140 Rue du Bac, em Saint-Germain.

Quando saí da Capela da Medalha Milagrosa, já passava das 15h e eu ainda não tinha almoçado. Estava chovendo, e eu carregando a bagagem de mão. Decidi entrar na La Grande Épicerie mesmo, que fica coladinha na Capela, e comi uma empanada (não foi um super almoço mas é que eu não tava mais com fome de almoço mesmo).

La Grande Épicerie é conectada ao Le Bon Marché, e foi pra lá que eu fui. Andei bastante pelos vários andares da loja de departamentos e acabei parando mesmo na seção da livraria! Comprei 2 livros novos que acho que serão úteis pra mim.

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Depois dessa comprinha, parei no café Primo Piano que fica coladinho na seção dos livros e pedi o café gourmand deles. Confesso que fiquei decepcionada: dos doces que foram servidos, só o bolinho de chocolate era gostoso. Das outras vezes que fui pra Paris, em todos os lugares onde pedi café gourmand, serviam creme brulée, macarons e um bolinho de chocolate. Mas lá eles serviram uns doces de berries que eu não gosto. Não dá pra acertar sempre na vida né!

Já passava das 16h quando os amigos Guilherme e Thomás foram me encontrar, e, como já tinha parado de chover, ficamos nas mesinhas do lado de fora do café Le Babylone, no melhor jeito parisiense. Pouco depois das 17h, minha querida amiga Rebecca juntou-se a nós. Tomamos café e batemos papinho até 18h30, quando chamei outro uber x pra voltar pro aeroporto (mais 50 euros… ouch de novo!).

Cheguei no aeroporto umas 19h30 e fui pegar o reembolso de imposto das compras que tinha feito na viagem de Portugal e que não tinha aquela agência de reembolso no aeroporto da Grécia. Tava uma fila imensa e só depois das 20h é que eu consegui finalmente passar pela imigração, mas que acabou sendo bem rápida, graças a Deus.

Aproveitei o lounge da Airfrance pra tomar um banho, trocar de roupa e jantar. Depois de um dia inteiro entre aeroportos, avião e passear na rua, poder tomar banho e me trocar antes de entrar no avião foi maravilhoso.

Acho que, numa conexão superior a 6h, em que não seja preciso pegar e despachar bagagem novamente, vale muito a pena dar um passeio pela cidade em que se está! Pode ser que não dê pra fazer muita coisa, mas só de sair do aeroporto já é muito bom! O importante é sempre ficar atento ao tempo de deslocamento entre o aeroporto e a cidade, e também se programar pra chegar de volta ao aeroporto com pelo menos 2h de antecedência, principalmente em voos internacionais.

Os hotéis das nossas férias

Eu confesso: sou muito chata pra escolher hotéis. Há muito tempo que eu acho que, se for pra ter menos conforto do que eu tenho em casa, é melhor nem viajar. Por isso eu sou bem exigente no processo de escolha, e, quando as expectativas não são correspondidas, é bastante frustrante.

Nestas nossas férias, passamos por 7 cidades, com 7 hotéis diferentes reservados via Booking e ainda uma experiência com o Airbnb em São Petersburgo. Quero, então, dividir com vocês nossa avaliação dos hotéis e também do apartamento!

  • Moscou: Ibis Paveletskaya

Eu gosto muito da rede Ibis porque o custo/benefício costuma ser muito justo e a gente sempre sabe o que pode esperar, a localização costuma ser sempre boa, eles tem uma política de solucionar qualquer problema em 15 minutos, os quarto são sempre bem limpos e com piso frio, a cama é muito confortável e o banheiro é sempre decente – e se tem uma coisa com que eu sou particularmente exigente é banheiro.

No Ibis Paveletskaya, não foi diferente: a localização era muito boa, num bairro residencial, com comércio 24h próximo, um Starbucks também bem próximo (e dentro de uma livraria!), perto do metrô e da estação do AeroExpress pro aeroporto Domodedovo.

  • Nice: Ibis Palais du Congres Vieux

Provavelmente o maior quarto de Ibis onde já nos hospedamos! Ficava um pouco distante da orla, mas ainda assim numa distância possível de se caminhar com tranquilidade. Tinha um banco na frente, comércio próximo, e também ficava perto das ruas da cidade velha (Vieux Ville). Também foi fácil ir e voltar andando da Catedral de Notre Dame, que fica na principal rua da cidade.

Nesse Ibis, provamos o café da manhã e gostamos bastante. O preço era justo (10 euros por pessoa) e o buffet era muito farto, com pães e queijos diversos (inclusive pain au chocolat), boa disponibilidade de frios, geléias, sucos, café, capuccino, etc.

O quarto era realmente espaçoso e confortável, embora faltasse cofre (acho que foi a primeira vez que vi um quarto de Ibis sem cofre). O banheiro tinha um tamanho muito bom, e tinha banheira(!) mas não tinha exaustor.

  • Milão: Best Western St George

Muito próximo da estação de trem Milano Centrale, também ficava bem perto de excelentes restaurantes (como já contei no post sobre Milão) e podíamos ir a pé para todas as principais atrações turísticas da cidade. A localização também era muito conveniente para compras: era fácil de ir e voltar do quadrilátero da moda a pé. Outra coisa importante da localização deste hotel pra gente foi a proximidade de uma lavanderia de serviço rápido e com preço bom (12 euros pra duas máquinas de roupas).

Este hotel é 4 estrelas, e o café da manhã estava incluído na diária. Embora o ambiente do restaurante fosse um pouco decadente, o buffet era farto e tinha diversas opções para nos manter devidamente nutridos na primeira refeição do dia, inclusive croissants saborosos e bolos diversos. Também estava incluído na diária um chá da tarde com bolo, servido entre 16h e 18h.

O quarto não era enorme, mas tinha um tamanho bom o suficiente para nos locomovermos tranquilamente mesmo com as malas no chão. O banheiro era ótimo, e tinha até lugar pra pendurar pequenas peças de roupa que lavei. A TV do quarto também era bem grande e tinha SKY. A cama foi provavelmente uma das melhores da viagem, e a cortina também era eficiente.

  • Berlim: Novotel Am Tiergarten

Este Novotel tem 2 principais pontos importantes: era colado na estacão de S-Bahn Tiergarten (só precisávamos literalmente atravessar a rua), e o quarto era IMENSO. O nosso quarto era da categoria mais simples e tinha sala de estar separada do quarto, e o quarto em si já era enorme (acho que dava até pra andar de bicicleta lá dentro). E olha que foi um dos hotéis mais baratos da viagem (pelo que vimos, os preços de hotéis em Berlim geralmente são muito bons!)!

A limpeza era também impecável. O hotel também disponibilizou pantufas e roupões para nosso conforto. Nós também testamos o serviço de quarto e foi ótimo: pedimos algo que não estava no menu (frango grelhado com purê de batata, porque eu não tava passando muito bem), e prontamente fizeram e entregaram em pouco tempo.

Mas nem tudo são flores e tivemos uma surpresa ruim quando chegamos no nosso quarto: o banheiro era dividido. Em vários lugares da Europa, eles fazem um toalete separado da casa de banho (em bom português: um cômodo pra privada com uma pequena pia, separado de onde fica o chuveiro com outra pia – e, no caso deste Novotel, tinha também banheira neste cômodo). Isso é uma coisa que eu detesto: pra mim é muito importante que esteja tudo no mesmo cômodo. Este não foi o primeiro hotel europeu onde vimos isso, mas vou lutar ainda mais nas próximas pesquisas das próximas viagens para que isso não se repita.

  • Praga: Green Garden Hotel

Achei este hotel super charmoso, e com uma localização interessante para quem precisa se distanciar um pouco da agitação de uma cidade que recebe turistas demais. Dá pra ir andando do Green Garden para a cidade velha (levamos cerca de 20 a 25 minutos, dependendo principalmente do calor), ou usar o transporte público (linha 22). Nós optamos por caminhar, então nem testamos o transporte público, mas nos pareceu eficiente.

O café da manhã também estava incluído neste hotel, e era excelente. O buffet tinha opções várias de frios, bons pães, geléias, sucos, etc. Além das opções do buffet, era possível pedir suco fresco e também drinks matinais.

O quarto não era imenso, mas era bastante espaçoso. O banheiro era realmente bom, e também tinha espaço pra secar alguma pecinha de roupa que lavamos. A lavanderia mais próxima ficava a uns 15 minutos de caminhada.

Uma outra coisa que achei super positiva deste hotel foi o ótimo restaurante com preços justíssimos: das nossas 3 noites em Praga, jantamos no hotel em 2 delas. O restaurante tem um menu extenso, e os preços estavam na média da maioria dos restaurantes a que fomos. Tem hotel que abusa nos preços dos seus restaurantes, o que pode ser um pesadelo se você tá cansado de andar o dia inteiro e só quer comer alguma coisa rápida antes de dormir – e este não foi o caso, graças a Deus. Em Praga, jantar no hotel foi para nós um alívio, pois não nos obrigava a ficar ainda mais tempo andando no calor e no meio da multidão.

O ponto negativo do Green Garden foi a ineficiência da cortina: o sol tá nascendo bem cedo por estas bandas, e eu acordava todo dia por volta das 6am com a luz toda na minha cara.

  • Viena: Leonardo Hotel Vienna

Este foi outro hotel com localização excelente: muito muito próximo a duas estações de metrô, e colado na principal rua comercial de Viena. Isso facilitava muito a locomoção e também nossos jantares, pois não precisávamos ir muito longe pra comer bem.

O quarto também não era imenso, porém confortável e muito limpo, e o banheiro era bem bom. Eu não me dei muito bem com o travesseiro deles, mas isso provavelmente se deve à minha coluna sofrida.

O café da manhã não estava incluído: custava 13 euros por pessoa e nós não testamos. Este hotel também cobra pelo Wi-Fi (7 euros por 24h de conexão), porém se você se cadastrar no programa de fidelidade deles, a internet é gratuita. Infelizmente nós só descobrimos isso depois de já termos pago por 48h de acesso, mas antes tarde do que nunca, né?!

A gente não conhecia a rede Leonardo, mas descobrimos que eles tem hotéis espalhados pela Europa e também em Israel; certamente consideraremos a possibilidade de nos hospedarmos novamente em outros hotéis da rede.

  • Moscou: Sukharevsky Design Hotel

Nós só dormimos uma noite neste hotel, e o escolhemos principalmente pela proximidade da estação de trem Leningradskaya, de onde sairíamos cedo para São Petersburgo. O hotel também fica próximo à estações de metrô, o que facilita o acesso à qualquer parte da cidade.

O quarto era bem espaçoso, embora tenham nos dado um quarto com 2 camas de solteiro ao invés da cama de casal. O banheiro era imenso, e ofereciam também roupões e chinelos. O café da manhã não estava incluído, mas também provavelmente não teríamos tempo de desfrutar, já que nosso trem pra Peter partia 07h40 da manhã.

O ar condicionado do quarto não estava funcionando, o que não foi realmente um problema porque estava bem fresco em Moscou (de noite fez 12C!). A cortina também seria um problema caso tivéssemos mais tempo para dormir, já que ao acordarmos as 5 da manhã já estava super claro.

Nosso trecho de São Petersburgo ficou pra ser decidido de última hora e, quando fomos procurar hotéis, os preços estavam surreais. A solução foi recorrer ao Airbnb! Eu nunca tinha usado o Airbnb e pesquisamos com cuidado o apartamento em que gostaríamos de ficar.

Nossa escolha foi um apartamento na rua Zhukovskogo, e ficava bem próximo de algumas das principais atrações da cidade, como a Catedral do Sangue Derramado, Igreja de Nossa Senhora de Kazan, Dom Knigi, etc. Também podíamos ir caminhando até o Forte, o Aurora ou o Hermitage, embora sejam caminhadas um pouco mais longas.

Na mesma rua do apartamento encontram-se farmácias, restaurantes diversos (hamburgueria, vietnamita, indiano, etc) e também mini-mercados 24h. No banheiro tinha máquina de lavar/secar, e foi disponibilizado também um varal. A cozinha é funcional e o apartamento é espaçoso o suficiente.

Os pontos negativos foram: as cortinas não escurecem o quarto nem a sala (e nós estávamos lá justamente nas noites brancas, então os cômodos ficam completamente iluminados 24 horas por dia); o apartamento fica no 4º andar de um prédio que tem só escadas (escada pra mim é a pior coisa da vida, porque eu tenho a dor crônica no tornozelo direito e demoro muito pra descer; subir também é difícil por conta da asma, mas descer é um verdadeiro martírio) e nós deixamos essa informação escapar quando estávamos reservando; a cama e os travesseiros não são muito confortáveis, e a roupa de cama parecia muito antiga, com algumas manchinhas.

No todo, a experiência com Airbnb foi positiva e não descartamos a possibilidade de usarmos novamente o site para encontrar acomodações em nossas próximas viagens – mas teremos que ser ainda mais cuidadosos com a escolha.

Passeando em Cannes

Domingo nós aproveitamos mais um dia de sol na Côte d’Azur para conhecer Cannes! 


Pegamos o trem 13h na estação de Nice e chegamos em Cannes 47min depois – mas estes 47min passam rapidinho porque o caminho é todo por praias belíssimas, e a gente fica tão encantado que nem vê o tempo passar! O bilhete de trem (ida e volta) custou 15€ por pessoa. 


Chegando em Cannes, fomos direto ver o Palácio do Festival e a calçada da fama deles. As estruturas do festival ainda estão sendo desmontadas, e foi inevitável não sentir um pouquinho de vontade de ter ido pra lá durante o festival! 


Em seguida, andamos um pouquinho pela orla, até irmos para a cidade velha, onde escolhemos almoçar pizzas!


Depois do almoço, andamos mais um pouquinho pela cidade velha, caminhamos até o porto, tomamos sorvete à beira mar, e aproveitamos o belo dia de sol. 

Como estávamos exaustos do passeio por Montecarlo, não nos forçamos muito e já voltamos pra Nice pouco antes das 18h. Foi um passeio rapidinho, porém deu pra ver in loco o charme vintage da cidade que recebe o grande festival de cinema!