Visita ao Hrad Špilberk em Brno

Quando saímos de Cracóvia em direção a Budapeste, optamos por cruzar a República Tcheca e só um pedacinho da Eslováquia pois, de acordo com o Google Maps, este era o caminho com estradas em melhores condições (o caminho que percorremos vocês conferem aqui). Ao optarmos por esse caminho, decidimos passar uma noite em Brno, a segunda maior cidade da República Tcheca.

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centro histórico de Brno

Brno é a sede da autoridade judicial da República Tcheca, onde ficam a Corte Constitucional, a Suprema Corte, a Suprema Corte Administrativa, e o Escritório do Supremo Promotor Público. Brno também é um centro administrativo importante, além de sediar 33 faculdades pertencentes a 13 institutos de ensino superior, recebendo cerca de 90 mil estudantes.

Como nós tínhamos poucas horas para desfrutar da cidade, decidimos ir direto ao ponto: caminhamos pelo centro em direção ao Hrad Špilberk, que fica no topo de uma colina, o que garante uma bela vista da cidade.

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A construção de Špilberk começou na primeira metade do século XII pelos reis Přemyslid, sendo finalizado pelo Rei Ottokar II da Boêmia. De um enorme castelo real na metade do século XII e sede dos Morávios no século XIV, foi gradualmente convertido numa enorme fortaleza barroca, considerada a prisão mais sombria do Império Austro-Húngaro.

Infelizmente, ao chegarmos ao castelo no final da tarde, as instalações do museu já estavam fechadas ao público, e só pudemos desfrutar das áreas externas. O horário de funcionamento é o seguinte: de abril à setembro, entre 10h e 18h; de outubro a março entre 9h e 17h, sendo fechado às segundas-feiras neste período. Os ingressos individuais  para adultos custam 90Kč.

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7 curiosidades que você precisa saber antes de ir para Budapeste

Em 2017, quando fizemos nossa eurotrip de verão, pensamos seriamente em ir até Budapeste, porém percebemos que ficava um pouco fora de mão para o roteiro. Tanto eu quanto o marido éramos doidos para conhecer a capital da Hungria; logo, quando começamos a pensar o roteiro da nossa road trip pelo Leste Europeu, nós não tivemos a menor dúvida de que passaríamos por Budapeste.

Antes de contar detalhes sobre os lugares que visitamos na cidade, quero reunir aqui as principais curiosidades históricas para quem vai visitar a linda capital da Hungria.

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1- Budapeste é, na verdade, Buda & Peste: muita gente já sabe disso, mas não custa reforçar. A cidade de Budapeste como conhecemos hoje começou a tomar forma a partir de 1849, com a inauguração da Széchenyi lánchíd, que tinha por objetivo desenvolver mais rapidamente Óbuda, Buda e Peste. Em 1686, após ocupação turca, Charles de Lorraine reconquistou Óbuda, Buda e Peste para a dinastia Habsburgo. Durante o reinado da Imperatriz Maria Theresa, foram tomadas várias medidas para acelerar o desenvolvimento econômico de Buda e Peste. Em 1777, Buda se tornou uma cidade universitária, mas perdeu o título para Peste poucos anos depois, quando a margem esquerda do Danúbio se tornou o centro político e intelectual da Hungria. Em 1867, o Imperador Francisco José I e a Imperatriz Elizabeth (a famosa “Sissi”) foram coroados na Igreja de Matthias, e a monarquia Austro-Húngara do Danúbio foi estabelecida. Na história de Budapeste, o ano de 1872 foi importantíssimo porque só então as três regiões separadas de Pest, Buda e Óbuda (que significa, literalmente, “velha” Buda) foram unidas como uma única cidade, com uma população de mais de 150 mil pessoas. Então Budapeste se tornou oficialmente a capital da Hungria, e desenvolveu-se rapidamente em tamanho e importância.

2- Moeda: embora faça parte da União Européia e da Zona de Schengen, a Hungria não faz parte da zona do Euro, e a moeda em circulação é o Florim Húngaro (HUF). 1 euro equivale a cerca de 319 HUF, e há várias casas de câmbio pelo centro de Peste, onde os procedimentos para trocar dinheiro são bastante simples.

3- Budapeste tem 11 pontes: Árpád híd, Margit híd, Széchenyi lánchíd, Erzsébet híd, Szabadság híd, Petőfi híd, Lágymányosi híd, Deák Ferenc híd e outras 2 pontes ferroviárias. A mais famosa delas é, sem dúvida, Széchenyi lánchíd – ou “ponte das correntes” – que liga a Praça Roosevelt à Praça Adam Clark.

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4- Durante a Segunda Guerra Mundial, a Hungria foi ocupada pelos nazistas. Em maio de 1944, teve início a deportação de judeus húngaros para Auschwitz e, em apenas oito semanas, cerca de 424 mil judeus foram deportados para a Polônia. Ao final do Holocausto, cerca de 565 mil judeus húngaros foram executados. Entre 1944 e 1945, os partidários fascistas da Cruz de Ferro executaram 3.500 vítimas (entre as quais 800 judeus) no Danúbio, que foram homenageadas pelo emocionante monumento dos 60 sapatos de ferro à beira do Danúbio, concebida pelo diretor de cinema Can Togay e executada pelo escultor Gyula Pauer. As vítimas da Cruz de Ferro recebiam a ordem de tirar seus sapatos antes de serem executadas por tiros à beira do rio para que seus corpos caíssem no Danúbio e fossem levados pela correnteza. O memorial criado por Togay & Pauer recria os sapatos deixados à margem do rio, com modelos adequados ao período histórico. No outono de 1944, Budapeste tornou-se uma linha de frente para os nazistas e sofreu severos danos, especialmente no quarteirão do castelo onde unidades do exército nazista estavam barricadas.

5- A partir de 13 de fevereiro de 1945, as tropas soviéticas passaram a controlar Budapeste, que passou a ser comandada pelas diretrizes soviéticas. No outono de 1956, levantes populares foram fomentados pelas questões políticas e econômicas, tendo sido severamente reprimidas pelas forças de ordem húngaras e soviéticas. Entre 1960 e 1970, os prédios destruídos começaram a ser reconstruídos, bem como a abertura da Ponte Elisabeth, a extensão do sistema de metrô, a renovação do antigo centro da cidade (principalmente do quarteirão do castelo), e a construção de grandes hotéis de luxo às margens do Danúbio. O “comunismo de goulash” encorajou um aumento no turismo, recebendo principalmente visitantes da Europa Oriental e Ocidental. As mudanças políticas de 1989 acarretaram na queda da Cortina de Ferro na fronteira austro-húngara.

6- O transporte público em Budapeste é bastante eficaz, mas também é muito agradável caminhar à pé pela cidade. Em outubro de 2018, o aplicativo Uber ainda não funcionava na cidade, e as tarifas de táxi não são muito atrativas. Eu e marido só usamos o transporte público na parte da manhã de um único dia, para irmos até o Memento Park; no restante do tempo, preferimos, como sempre, caminhar pela cidade.

7- Desde 1934, Budapeste é conhecida como “A Cidade dos Spas” por ter a maior concentração de fontes de água medicinais e termais do que qualquer outra capital do mundo. São 118 fontes em Budapeste, gerando mais de 70 milhões de litros de água termal por dia. A temperatura da água varia entre 21 e 78 Celsius. De acordo com os registros históricos, os romanos já desfrutavam das águas termais de Budapeste desde o século II, mas foi somente durante a ocupação turca no século XVI que essa cultura aquática começou a se propagar. Hoje, são 15 piscinas térmicas públicas em Budapeste, sem contar os spas termais privados localizados em hotéis de luxo. O spa no Hotel Gellért é aberto ao público, com tarifas diárias a partir de 20 euros.

Por que “O MUNDO É A MINHA CASA”?

Na última sexta feira (25 de janeiro), eu e o marido completamos 2 anos de Armênia. Foram 2 anos que passaram muito rápido; parece que foi ontem que pousamos em Yerevan e encontramos uma cidade toda branquinha, coberta pela neve, com temperaturas que chegavam a -20ºC. Os invernos ficaram mais amenos desde então, os verões foram muito quentes e quase insuportáveis, e o outono e a primavera se tornaram minhas estações preferidas. Nestes 2 anos, graças a Deus nós viajamos bastante, não só pela Armênia (embora ainda falte muita coisa para conhecer) mas também pela região (Irã, Geórgia, Rússia e Emirados Árabes estão na lista de países que conhecemos nesse nosso período aqui), além das viagens de afastamento + férias para destinos um pouco mais distantes porém nem tanto.

No dia 25 de janeiro, eu fiz um post no instagram pra marcar este nosso “aniversário de Armênia” e, porque eu escrevi que a contagem regressiva se tornava mais real a partir de então, eu recebi algumas mensagens perguntando se nós estávamos pretendendo mudar daqui. Ao longo destes 2 anos por aqui, também recebi muitas perguntas que tangenciaram este assunto como, por exemplo, porquê estamos na Armênia, o que fazemos aqui, etc. Eu não sou muito de abrir a minha vida pessoal (principalmente “nas internets”), nem de falar muito sobre a carreira do Felipe e como isso determina a nossa vida, mas acho que chegou a hora de fazer um post explicando exatamente porquê “o mundo é a minha casa“.

O Felipe é diplomata desde 2010, e nós começamos a namorar em 2012, poucos dias antes dele ir para o Zimbábue para sua primeira missão transitória. É, eu sei, se é considerado doideira namorar à distância, imagina começar um namoro com alguém que ia se mudar pra África daí poucos dias? Porém Deus sabe todas as coisas e nosso amor estava escrito nas estrelas. O Zimbábue é um posto D na classificação do Itamaraty, o que significa que ele teria direito a afastamentos de 10 dias a cada 3 ou de 15 dias a cada 4 meses (este regime é determinado pelo chefe de cada posto e autorizado pelo Itamaraty); no caso do Zimbábue, os afastamentos aconteciam segundo o regime quadrimestral, e nós passamos os primeiros 1 ano e 3 meses de namoro driblando a distância e matando a saudade sempre que possível.

Em julho de 2012, eu estava em Londres fazendo um curso de extensão na King’s College e ele foi passar o aniversário dele comigo por lá – mas foi literalmente só o aniversário, porque não era época de afastamento ainda, então ele chegou no sábado de manhãzinha e voltou pra Harare no domingo depois do almoço; em dezembro do mesmo ano, eu embarquei pra Harare, e fiquei por lá 1 mês com ele, aproveitando para conhecer Gaborone e Joanesburgo numa road trip de uma semana que fizemos pela África do Sul e Botsuana. Em maio de 2013, ele tirou férias e, além de passar 15 dias no Brasil, nós fomos juntos para os EUA por 15 dias, passeando pela Califórnia e esticando até Las Vegas. Em julho de 2013, ele voltou ao Brasil, já que sua missão em Harare tinha chegado ao fim. De Harare, o (agora) marido poderia ter pedido remoção para outro posto no mundo, mas ele optou por voltar para a Secretaria de Estado (SERE) em Brasília para podermos ter um namoro um pouco mais normal, já que eu ainda estava no Mestrado na UFF.

Foram, então, mais 1 ano e 7 meses de namoro, lidando apenas com a distância entre RJ e Brasília – o que era infinitamente mais fácil. Nos casamos em fevereiro de 2015, ligando nossas vidas numa só, nos tornando os grandes companheiros que poderiam, juntos, desbravar o mundo e torná-lo a nossa casa a cada remoção.

O processo para realocação dos servidores do Ministério das Relações Exteriores é chamado de “mecanismo de remoções” ou “plano de remoção”; geralmente, o MRE abre dois planos de remoção por ano (um por semestre). A 1ª etapa do plano é a sua abertura, que é feita por portaria publicada no boletim de serviço, restrito à intranet do MRE. Esta portaria declara aberto o plano de remoções, listando suas regras e condições, e podem se inscrever no plano os servidores (há basicamente três carreiras distintas no MRE: diplomatas, oficiais de chancelaria e assistentes de chancelaria) que já tenham completado, pelo menos, 2 anos no posto em que estão lotados. Estas inscrições ficam abertas por alguns dias e, ao final do período de inscrições, é publicada a lista dos servidores que tiveram suas inscrições aceitas e efetivadas. É aí que podemos saber quais serão as vagas livres nos postos, e alguns servidores recebem convites de postos que precisam de pessoal.

A rede de postos, hoje, abrange 139 Embaixadas, 52 Consulados-Gerais, 11 Consulados, 8 Vice-Consulados, 12 Missões ou Delegações e 3 Escritórios, além da SERE. Os postos são classificados em A, B, C e D. São postos A, por exemplo, aqueles localizados nos EUA, Reino Unido, França, Espanha, Argentina, entre outros; alguns exemplos de postos B são México, Chile, Singapura; Armênia, Geórgia, Rússia, Egito e África do Sul são postos C, entre tantos outros; já os postos D são, por exemplo, Zimbábue, Botsuana, Haiti, Filipinas e Palestina. Esta classificação leva em consideração muitos fatores como, por exemplo, as relações com o Brasil, a condição de vida nos postos, a proporção de brasileiros no país, etc. E, como eu falei ali em cima, os postos C e D são contemplados com os afastamentos, que podem ser 10 dias a cada 3 meses ou 15 dias a cada 4 meses; isso acontece porque o MRE reconhece que a vida nestes postos é mais difícil, com mais restrições impostas no dia a dia aos servidores e seus dependentes. Na prática, são 30 dias de férias a mais no ano, além dos 30 dias previstos em lei. Além disso, a classificação dos postos determina o período mínimo e máximo de permanência dos servidores em cada posto; por isso, em todos os lugares do mundo onde morarmos, a contagem regressiva para partir já começa no mesmo dia em que chegarmos.

Alguns dias depois do fim das inscrições no plano de remoções, os servidores recebem, por e-mail, uma lista de oferta de postos, em geral com 1 posto A, 1 posto B, 1 posto C e 1 posto D. O servidor deve responder a esse e-mail ordenando os postos pelo seu interesse e, se quiser, pode adicionar mais dois destinos que não constem nesta lista original. Passados alguns dias (de muita ansiedade, é claro, afinal a gente ainda não sabe pra onde vai e o processo todo é bastante agônico), é publicado o resultado do plano, que não corresponde à remoção oficial, mas que indica aos servidores seus destinos para que, assim, possam decidir se aceitam o posto designado, ou se desistem e voltam para Brasília. A oficialização da remoção se dá pela publicação da portaria de remoção no Diário Oficial da União (DOU), e é a partir desta data que temos 60 dias para partir. Sim, são apenas 60 dias para tomar providências de mudança! A partir da publicação da remoção no DOU, são 60 dias para fazer orçamentos com empresas de mudança e fechar contrato, finalizar os contratos de aluguel, vender e comprar coisas, fechar contas em banco, e tantas outras coisas que pelo menos 2 anos na cidade nos renderam.

Se o servidor estiver com férias marcadas e previamente autorizadas no período compreendido nestes 60 dias, a contagem é suspensa pelos dias correspondentes. Também pode acontecer, por necessidade no posto de origem, uma prorrogação do prazo, que deve ser autorizada pela SERE. Mas, em geral, são 60 dias para partir, 10 dias de desligamento do posto (período dedicado à organização da mudança de facto com a empresa que venceu a licitação), e mais 15 dias de trânsito (uma tradição herdada de tempos mais antigos quando podia-se demorar muitos e muitos dias para se chegar ao destino), que podemos passar em qualquer lugar do mundo que não seja o posto de origem e o novo posto.

Neste sentido, os verbos passam a ser conjugados no plural a partir do momento em que o servidor recebe a lista por e-mail e deve ordená-la de acordo com suas preferências. Afinal de contas, a mudança para um novo país influencia a vida de todos da família. São vários fatores que devem ser levados em consideração (pelo menos, eu e Felipe pensamos juntos em vários fatores), como qualidade e custo de vida no posto, idioma e facilidade de comunicação, mobilidade, liberdade para a mulher, acordo de trabalho para o cônjuge, etc. Nós tentamos pesquisar todos os fatores mais importantes antes de definirmos a resposta ao e-mail, levando em consideração nossas preferências pessoais, mas fato é que só saberemos de fato como será tudo ao chegarmos no novo posto e (re)começarmos a vida.

O MRE custeia a mudança dos seus servidores, mas, para isso, é preciso abrir um processo de licitações, apresentando vários orçamentos para o governo, que escolherá sempre o menos oneroso aos cofres públicos. As empresas devem apresentar um orçamento que incluam o cálculo de cubagem, embalamento e seguro dos itens a serem transportados. Depois que tivermos o vencedor da licitação, marcamos os dias de embalagem, e eles podem embalar absolutamente tudo se assim quisermos. Mas, como eu sou ultra organizada, prefiro deixar alguns itens previamente embalados ou dentro de malas, o que facilita muito a vida dos funcionários da empresa e diminui consideravelmente o número de dias necessários para empacotar tudo. Na nossa mudança de Brasília pra Armênia, por exemplo, a empresa que ficou responsável pela nossa mudança tinha reservado 2 dias para embalar tudo, mas foi preciso pouco mais de 8 horas de um único dia, uma vez que eu (com a ajuda do marido e dos meus pais, que ficaram em Brasília nos dando todo apoio nesta hora) já tinha adiantado muita coisa. Nas próximas mudanças, pretendo fazer o mesmo. No destino, outra empresa (ou a mesma empresa, caso tenha uma filial por lá também) recebe a mudança e faz o trabalho inverso – ou seja, entregar e desembalar tudo – enquanto nós conferimos se tudo chegou em ordem, ou se teremos que acionar o seguro para cobrir itens danificados ou perdidos.

Também neste período de 60 dias são emitidas as nossas passagens para a nossa nova casa, e essa passagem também é paga pelo MRE para os servidores e seus dependentes legais. Por conta disso, as passagens deverão sempre obedecer a alguns critérios: sempre a mais barata, sempre classe econômica, e em geral a mais rápida. Quando se trata de dinheiro público, tudo é sempre bastante burocrático e é preciso gastar o menos possível, sempre apresentando minuciosamente o relato de cada centavo empregado. No geral, quem cuida disso é uma divisão do MRE junto à agências de viagens. O servidor pode, se quiser, alterar a passagem para usar o período de trânsito, sempre respeitando os prazos; neste caso, todos os custos de alteração das passagens ficam por conta do servidor. Quando nós viemos de Brasília pra Armênia, nós alteramos as nossas passagens para passarmos o trânsito na Europa, já que a nossa passagem tinha sido emitida com a Air France e faríamos conexão em Paris; todas as despesas com os trechos internos que fizemos naquele trânsito, bem como os custos com hotel, também foram nossa responsabilidade.

Uma outra coisa com a qual é preciso lidar nestes 60 dias é o visto para o novo posto. Alguns países não exigem visto prévio, outros emitem um visto provisório que deverá ser substituído após a chegada, e outros já emitem logo os vistos correspondentes para o corpo diplomático acreditado e seus dependentes legais. Em caso de necessidade de solicitar os vistos, os procedimentos são um pouco diferentes de quando solicitamos vistos de turismo, pois é preciso apresentar, além de todos os documentos regulares, uma nota diplomática informando sobre a remoção e listando os dependentes legais. Por sua vez, estes procedimentos de vistos diplomáticos costumam ser mais rápidos na prática – pelo menos isso pra facilitar a vida neste período já tão conturbado!

Quando o servidor está saindo da SERE para outro posto no mundo, outro procedimento que é preciso cumprir é o registro de toda e qualquer obra de arte junto ao IPHAN, que emite uma liberação de cada item.

Muita gente tem uma ideia muito glamourosa da vida diplomática, mas a verdade é que nossa vida é 0 glamour, muito trabalho, enormes imprevistos na vida pessoal e profissional, e pouquíssima margem para planejamento. À exemplo do que vivemos até aqui, nossa vida certamente será sempre pautada por muitas mudanças, exigindo muita flexibilidade, muita renúncia e muita organização, bem como muita inteligência emocional, as prioridades bem estabelecidas, numa comunhão íntima com meu parceiro de vida, que nos dá segurança mútua. A gente costuma dizer que o MRE é uma caixinha de surpresas, e os processos de remoção nos fazem ter uma única certeza: nós sempre chegamos num lugar com data pra sair, mas sem saber pra onde.

Graças a Deus, eu e Felipe somos muito parceiros e costumamos tirar de letra os imprevistos diários, lidando muito bem com todos os processos que a carreira dele prevê. Como cônjuge, a minha vida acaba se definindo em grande parte pelas atividades dele, não só porque nós fazemos do mundo a nossa casa mas também por outros fatores variados. Por exemplo, uma vez no posto, a vida do cônjuge se mistura em diversas esferas com as responsabilidades do servidor: embora eu não esteja na Embaixada com o Felipe, há vários eventos (nem sempre em dias convenientes ou atividades estimulantes) nos quais eu devo ir com ele, e eu consequentemente me torno uma representante do Brasil “por tabela”.

Outro exemplo de como a vida do cônjuge se define pela carreira do servidor está diretamente ligado à existência ou não do acordo de trabalho: aqui na Armênia ainda não há acordo de trabalho, e isso significou que eu não posso exercer atividade remunerada durante nossa permanência aqui. Quando decidimos aceitar essa remoção, eu estava ciente disso, e desde que aqui chegamos eu não recebi um centavo por nada que fiz, me dedicando quase exclusivamente à escrita (nos blogs e também dos meus livros, já tendo publicado um deles) e muitas horas de home office; naquele momento, eu não me incomodei com a perspectiva de não poder trabalhar, porque estava saindo de um período muito conturbado no Brasil e precisava desacelerar pra colocar minha cabeça no lugar. No fim das contas, este período de Armênia foi muito terapêutico para mim, possibilitando que eu me dedicasse à atividades que, de outro modo, não poderia ter realizado (como, por exemplo, os cursos de consultoria de estilo e história da moda que fiz em Londres e Paris) e me preparando para os desafios futuros.

Fazer do mundo a minha casa é uma luta diária, que eu só consigo vencer porque tenho uma fé inabalável e o Felipe ao meu lado. Além de enfrentar todas as questões e incertezas da carreira que já listei aqui, lidar com a saudade de tudo e de todos diariamente é sempre muito difícil, quando a distância e o fuso horário existem só pra complicar ainda mais a nossa vida.

2 ou 3 anos é um período muito curto de tempo para adaptar-se a uma rotina completamente nova num país estranho, a acostumar-se com novos sabores, novos idiomas e códigos sociais, e tantas outras coisas novas. Quando nós começamos a nos habituar com um lugar, é hora de empacotar tudo novamente e partir para um novo destino, e começar tudo do zero outra vez. No fim de cada dia, eu e o Felipe só temos a certeza de que temos um ao outro pro que der e vier, e eu dou graças a Deus por tê-lo como meu companheiro de vida, meu par e meu cúmplice em qualquer canto desse mundo.

Visitando a fábrica de Oskar Schindler em Cracóvia

Quem é que não conhece A Lista de Schindler, dirigido por Steven Spielberg? O filme de 1993, ganhador do Oscar de Melhor Filme bem como do Globo de Ouro de Melhor Filme de Drama em 1994 foi inspirado pela história real de Oskar Schindler (28 abril 1908 – 09 outubro 1974), um alemão industrialista e membro do partido nazista, que salvou a vida de 1.200 judeus durante o Holocausto, ao empregá-los na sua fábrica de metais e armamentos na Polônia ocupada e nos protetorados de Bohemia e Moravia. Oskar Schindler é o objeto do livro Schindler’s Ark (1982), que foi adaptado para o cinema sob a direção de Spielberg, refletindo sua trajetória como um oportunista primeiramente motivado pelo lucro, e que depois passou a mostrar extraordinárias características de iniciativa, tenacidade, coragem e dedicação em salvar a vida dos seus empregados judeus.

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Uma vez em Cracóvia, não podíamos perder a chance de visitar a fábrica da memória, o Fabryka Schindlera oddział – Muzeum Historycznego Miasta Krakowa. Outrora sede da Deutsche Emailwarenfabrik de Schindler, hoje as instalações abrigam a exposição permanente “Kraków under Nazi Occupation 1939–1945” no endereço da rua Lipowa 4. Esta exibição conta a história de Cracóvia e seus habitantes judeus e poloneses durante a Segunda Guerra Mundial, bem como dos alemães nazistas que ocuparam a cidade a partir de 6 de setembro de 1939, interrompendo de maneira brutal a história de relações entre judeus e poloneses que durava muitos séculos. Neste sentido, a História da Segunda Guerra Mundial se confunde com a vida diária, e os dramas pessoais de cada indivíduo se sobrepõem às tragédias que afetaram todo o mundo.

A história da Deutsche Emailwarenfabrik nos anos da guerra é apresentada na exibição como pano de fundo da história de vida dos judeus de Cracóvia que foram salvos por Oskar Schindler no contexto do complexo período.

As atitudes heróicas de Oskar Schindler são mostradas detalhadamente no seu antigo escritório, mantido intacto ao longo dos anos. A exibição proporciona aos visitantes uma experiência cronológica da história, apresentando as tragédias da guerra nas dimensões individual e coletiva, retratando também a vida cotidiana da cidade de Cracóvia ocupada pelos alemães nazistas, imortalizada em objetos diversos, fotografias, jornais, documentos pessoais e documentos oficiais.

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Por conta da maneira como foi concebida e organizada, a exibição convida o visitante a viver a história, de uma maneira quase teatral, respeitando a narrativa. As reconstruções do espaço histórico da cidade de Cracóvia se justapõem a instalações metafóricas que abraçam a história do período da guerra.

Os visitantes, então, passeiam pela cidade reconstruída, andando pelas ruas e encontrando ambientes recriados com fiel perfeição, embarcando num bondinho para assistir a um documentário que mostra a vida cotidiana da cidade no período da guerra, caminhando pelas ruas estreitas do Gueto Judaico para visitar um típico apartamento, chegando ao campo de concentração de Płaszów junto com os judeus.

Os cinco principais pontos da história da cidade são marcados pelas “máquinas da memória” onde cada visitante pode obter um selo comemorativo associado a cada evento histórico, proporcionando aos visitantes a oportunidade de produzirem seus próprios souvenires.

Os ingressos individuais custam 24 Zloty (aproximadamente 24 reais), e é altamente recomendável comprá-los online, já que há um número limitado de ingressos por dia. Os horários de funcionamento variam de acordo com a época do ano: entre novembro e março, o museu funciona às segundas-feiras entre 10am e 2pm, com entrada gratuita, e de terças-feiras aos domingos entre 10am e 6pm; entre abril e outubro, o museu funciona às segundas-feiras entre 9am e 4pm, com entrada gratuita na primeira segunda-feira de cada mês quando fica aberto até 2pm, e de terças-feiras aos domingos entre 9am e 8pm, fechando na primeira quinta-feira de cada mês. A última admissão é sempre 90 minutos antes do fechamento do museu, e os horários atualizados de funcionamento podem ser conferidos aqui.

Onde comer em Cracóvia?

Nos nossos dias em Cracóvia, comemos muito bem, e é por isso que vou deixar registradas aqui as nossas recomendações, indicando os 5 lugares que mais gostamos!

  • Boscaiola

Se você procura uma boa comida italiana num ambiente aconchegante, com atendimento excelente, Boscaiola é o lugar pra ir em Cracóvia. Pedimos a focaccia de alho como entrada, e depois provei o nhoque aos 4 queijos. Tudo muito bem feito e delicioso, com preço justo.

  • Trattoria La Campana

Quase em frente à Igreja de São Pedro e São Paulo, está a Trattoria La Campana. Indicado no Guia Michelin de 2010 a 2017, foi uma das boas descobertas em Cracóvia. Sem quebrar o orçamento, eu provei a saltimbocca (filé com prosciutto parma, batatas e legumes) e o marido pediu o risotto con guanciale di manzo (filé de bochecha com risoto, purê, óleo de trufa negra e queijo parmesão). Ambos os pratos estavam excelentes, e o serviço foi espetacular.

  • Musso Sushi & Ramen

Se tem uma coisa da qual sentimos muita falta em Yerevan é de uma boa culinária japonesa. Por isso, sempre que viajamos, tentamos matar essa saudade o maior número de vezes possível. O Musso Sushi & Ramen foi a nossa escolha em Cracóvia. O restaurante, que foi aberto recentemente, oferece um menu recheado de delícias, tudo muito fresco nos pratos bem fartos, com um atendimento excelente num ambiente super cool.

  • Kawiarnia Santos

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Pierogi é uma massa recheada e cozida, parecido com um ravioli mas no formato de pastel, originário da Polônia. Naturalmente, não poderíamos deixar de provar este prato típico! Quando provei o da Kawiarnia Santos, já tinha provado em um outro estabelecimento localizado na praça Rynek Główny que estava muito ruim. Ao invés de desistir, insisti, em parte porque meu amigo Léo, de origem polonesa, tinha falado que esse prato ia mudar minha vida. Eu acho que o pierogi que a mãe dele (que é uma cozinheira de mão cheia) prepara deve ser ainda mais gostoso e provavelmente mudará minha vida mesmo, mas o pierogi da Kawiarnia Santos estava bem gostoso. Lá, eu comi a versão recheada com queijo, que vem com cebolas caramelizadas por cima. Preço bom e ambiente externo muito agradável.

  • Café Lisboa – Casa de Pastéis de Nata

Eu sou a louca do pastel de nata e juro que chorei de felicidade quando, nas primeiras horas em Cracóvia, passamos na frente do Café Lisboa a caminho do centro histórico. Cara, que felicidade indescritível comer meu docinho português preferido bem quentinho acompanhado de um cafezinho! Fiz questão de passar por lá todos os dias, e confesso que cheguei a comer mais de um por dia.